"“Muitos crentes consagrados jamais atingiram os campos missionários com seus próprios pés mas poderão alcança-los com seus joelhos” (Adoniran Judson)”"

terça-feira, 19 de maio de 2009

REALIDADE INDIGENA ATUAL - UM GRANDE DESAFIO

Matéria publicada pelo Missionário Ronaldo Lidório em http://www.ronaldo.lidorio.com.br/

Para entendermos a realidade indígena atual olharemos rapidamente alguns aspectos.


1. REALIDADE POPULACIONAL E LINGUÍSTICA

Trata-se de uma realidade desconhecida por muitos onde mais de 300.000 índios dividem-se em cerca de 251 etnias distintas representando mais de 180 línguas diferentes. Dentre estas, apenas 26 possuem o Novo Testamento completo traduzido em seus idiomas e outras 59 possuem porções, entretanto mais de 120 tribos necessitam urgentemente de uma tradução das Escrituras. Apesar das 25 Agências Missionárias que bravamente atuam entre os índios em nosso país ainda contamos com mais de 100 tribos totalmente não alcançadas além de outras 19 em fase de estudo.

Segundo estatísticas de junho de 2001 do Banco de Dados do Departamento de Assuntos Indígenas da AMTB (tendo o Pr Rinaldo de Mattos como organizador e o missiólogo PauloBottrel como pesquisador) o cenário indígena é como se segue:

Tribos conhecidas: 218 (população: 353.881)
Tribos isoladas: 33 (população: 1.853)
Tribos a serem pesquisadas: 50 (população estimada: 2.735)
Tribos com existência duvidosa: 48 (população: 2.217)
Total de tribos existentes: 349 (população: 360.686)

A situação das tribos indígenas em relação à distribuição da própria população segue o seguinte diagrama:

52 tribos com menos de 100 pessoas
115 tribos entre 100 e 1.000 pessoas
53 tribos entre 1.000 e 10.000 pessoas
5 tribos entre 10.000 e 20.000 pessoas
2 tribos entre 20.000 e 30.000 pessoas
1 tribo com mais de 30.000 pessoas
23 tribos com população indeterminada
Em relação ao evangelho as tribos indígenas são classificadas da seguinte forma:

72 não alcançadas
46 alcançadas só por Missões Católicas
4 alcançadas só por Leigos
2 alcançadas só com Tradução
75 alcançadas satisfatoriamente
8 alcançadas e com Liderança Autóctone
9 com situação indeterminada
118 sem presença missionária evangélica
A realidade a respeito desta centena de tribos brasileiras não alcançadas envolve línguas complexas, lugares inacessíveis, possibilidade de embates tribais, enfermidades, isolamento e especialmente restrições legais. É preciso sentar e calcular o preço da construção da torre.

2. REALIDADE CULTURAL

Há alguns mitos entre nós.

Mito número 1:
As culturas indígenas são puras em seus estados naturais. Antropologicamente há entre todas as culturas da terra o conceito de pecado, e em quase a totalidade étnica mundial regras e normas para que este pecado seja punido e haja possibilidade de restauração. Quando vemos um grupo isolado na Amazônia não devemos esperar encontrar ali um paraíso social pois em uma visão um pouco mais próxima o que veremos é um grupo milenar a procura de respostas que não possuem. O pecado manifesta-se culturalmente.

Mito número 2:
O evangelho não muda a cultura. O evangelho respeita a cultura entretanto é inocência missiológica afirmarmos que o evangelho não muda a cultura pois a própria razão do evangelho vem com o pressuposto de transformação em todos os níveis da existência humana. Uma comunidade indígena animista que aceita o conteúdo do evangelho em suas vidas para de temer os deuses, sacrificar aos espíritos, reverenciar os ancestrais e praticar a poligamia, apenas para citar alguns exemplos mais visívies. O evangelho promove profundas mudanças pois cremos que este evangelho é supra-cultural: responde a perguntas e conflitos de todos os povos em todas as gerações e salva a todo o que crê – branco ou índio.

Mito número 3:
O bloco indígena não deve ser prioridade da Igreja Brasileira porque é formado pela minoria populacional. É certo que algumas das menores etnias do mundo estão entre os indígenas brasileiros onde tribos inteiras podem ser formadas por menos de 20 pessoas. O maior grupo indígena brasileiro é a tribo Yanomami que possui cerca de 10.000 índios e há várias tribos compostas por apenas 30, 50 ou 100 pessoas. Em uma visão humanista pragmática alguns diriam: plantar igrejas entre grupos minoritários não é viável. Entretanto na viabilidade do Reino muitas vezes nos esquecemos que uma igreja não deve ser plantada na expectativa de gerar riqueza ou estrutura social mas sim porque uma alma vale mais do que o mundo inteiro. Portanto se a visão de Deus é o mundo, as menores tribos indígenas em nosso país devem encabeçar nossa atual prioridade missionária pois há um mundo bem perto de nós ainda não alcançado pelo que evangelho que um dia nos conquistou.

Mito número 4:
A ação missionária contribui para a destruição étnico-cultural indígena. Um grave engano. Começamos o trabalho missionário em geral pelo movimento linguístico onde o missionário lingüista grafa o idioma nativo e alfabetiza os indígenas em sua própria língua materna assegurando que esta língua não morrerá como aconteceu com mais de 35 grupos indígenas que falam apenas o português e com grave descaracterização cultural.

Portanto não promovemos o etnocídio nem a etnofagia cultural. Continuamos com exemplos como a Missão Caiuá que chegando antes da Funai entre os Caiuás em 1928 estruturou o idioma e registrou em cartilhas boa parte da riqueza nativa preparando-os para que a cultura não morresse no inevitável confronto com a cuultura exterior. A figura de Palinteh fala por si só afirmando que “... quando vi o homem branco decidi ser como ele para saber o que era importante na vida. Um engano. Com o evangelho descobri que Jesus ama o índio. Não é preciso ser branco para ser salvo. Hoje sou cristão e sou mais índio” .

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