"“Muitos crentes consagrados jamais atingiram os campos missionários com seus próprios pés mas poderão alcança-los com seus joelhos” (Adoniran Judson)”"

quinta-feira, 9 de julho de 2009

PREVENINDO CONTRA O CHOQUE CULTURAL REVERSO


PREPARANDO O REGRESSO DO MISSIONÁRIO
Filipenses 4.9


"JUST DO IT".
Existe uma propaganda, veiculada por uma grande empresa norte-americana, que atua no ramo de material esportivo, conhecida como "Nick". Ela veicula este slogan dizendo:
"Just do it".
Ou seja somente isto.
Por quê eles usam este slogan?
Porquê eles acreditam que isso (ou seja usar o produto deles) é o suficiente para se fazer esporte de modo correto.
Eu não diria a esta Igreja que procedesse dessa maneira, nem como vou falar aqui nesta noite, mesmo porque o que vou falar não é uma receita pronta, mas uma sugestão de alguns modelos para que a Igreja possa analisar, avaliar e quem sabe adaptar à realidade local.
O que é mais importante, é que esta Igreja está preocupada em fazer a coisa certa, o que é muito raro hoje nas Igrejas que enviam missionários.

No versículo que lemos no início, o apostolo Paulo coloca-se como modelo tanto os seus ensinamentos como a sua vida para serem imitada pelos irmãos em Filipos. Eu não tenho a pretensão de imitar a Paulo nem pretendo ensinar aos irmãos a realizarem uma tarefa que os irmãos tem feito com excelência que é a obediência à Grande Comissão realizando a obra missionária.

Por outro lado, falar de Igrejas e o cuidado missionário é tarefa difícil. Por esta razão este meu trabalho será definido em termos de ideais. É óbvio que queremos o melhor, queremos a excelência no trabalho missionário. Mas cabe à Igreja local, repito, definir o que melhor se adapta a sua realidade.

Grande parte das Igrejas pensam que seu papel é somente enviar o missionário. Na sua despedida, todos dão-lhe um tapinha nas costas dizendo: "Oh! Deus vai te abençoar!". Entregam-no "a Deus" e deixam que Deus tome qualquer outra providência.

Este é um assunto complicado. Há quem defenda que o missionário deve ir e se tornar parte do povo (viver e morrer no Campo). Outros acham que os projetos devem ter um tempo determinado, retornando depois o missionário ao seu país de origem. Os projetos de curto prazo, devem ter um tempo preestabelecido para o missionário permanecer no campo. Seja como for, o que importa é que a volta do missionário deve ter uma atenção toda especial.

Não se pode somente dizer que o tempo acabou e que agora ele que "se vire". Faz-se necessário um trabalho psicológico, preparando este o missionário para sua volta e readaptação ao país. Um trabalho sociológico para reintegrá-lo à sociedade de origem. Um trabalho humanitário que lhe prepare uma casa, salário digno, aposentadoria digna, check-up médico, orientação, etc.. Além disso, os missionários veteranos deveriam ser aproveitados na seleção e treinamento de novos missionários, ou talvez em trabalhos administrativos de alguma igreja ou agência. Serão úteis exercendo um ministério.

PROVIDÊNCIAS A SEREM TOMADAS NA VOLTA DO MISSIONÁRIO

Providenciando moradia
O missionário não tem casa em seu país de origem. Deixou tudo para ir e se tornar um cidadão naquela nova cultura. E agora? Quando retorna com sua família irá morar onde? Alguns têm família para ajudá-los, mas não é a realidade da grande maioria. A Igreja precisa ser sensível e atender a este período com sabedoria.

Providenciando atendimento médico-odontológico
A partir do momento em que há necessidades nesta área, cumpre à Igreja a amabilidade de providenciar tudo. Muitas Igrejas têm em seu seio, médicos e dentistas. Estes profissionais podem ser desafiados a participarem deste empreendimento.

Providenciando descanso
Aqui quero fazer uma crítica construtiva importante. A humanidade do missionário tem sido esquecida! Ele e sua família precisam de momentos de lazer, momentos de recuperação física e emocional. Imagine que um missionário tenha vindo de um país distante ou de um país onde há guerra. Na melhor das hipóteses a Igreja, vai querer ouvir as experiências que ele teve ali. No entanto, a pessoa do missionário precisa de restauração. Não podemos permitir que haja esta lacuna em sua vida. Se perguntarmos a vocês, como gostariam de serem recebidos após um período de trabalho no campo, creio que muitos diriam: Como gente! O grande grito têm sido: "Quero ser gente"!

Providenciando uma Agenda de divulgação do Trabalho
Lembremo-nos que o missionário esteve fora por um bom tempo. Muitos laços foram desfeitos, contatos foram esquecidos, sem contar que muitos mudaram ou mesmo deixaram a fé. A Igreja enviadora tem por obrigação providenciar uma agenda para o missionário de maneira a fazer um trabalho sério e estratégico. Onde falar, com quem conversar, que tipo de ministério deverá ser priorizado? Isto a Igreja enviadora deve responder.

Providenciando que o Missionário tenha oportunidade de falar à Igreja.
A Igreja tem muito o que aprender de missionários. Paulo, o apóstolo, escreveu a epistola aos Filipenses sob o impacto de missões. Ele explicou o efeito de uma oferta, sua atitude em relação à mesma, e sua visão de cooperação (veja Fil 4). A Igreja deve ouvir não apenas as tristezas ou casos engraçados, também estudos e pregações. O missionário tem muito a dizer de suas experiências com Deus e de uma teologia experimentada. Não raras vezes vemos missionários que ficaram 3 a 4 anos num campo missionário e recebem, num determinado evento, 5 a 10 minutos para falar.
Onde está nosso entendimento da importância de missões? O missionário pode falar com pessoas de outra cultura, mas não tem cultura para falar às nossas igrejas?
Lembro-me de uma Conferência Missionária que realizamos em nossa Igreja. A Secretaria de Missões resolveu trazer, como preletores, apenas missionários. Foi um sucesso! Deus nos falou poderosamente através de cada um deles. A Igreja sentiu-se alimentada e desafiada. Houve demonstrações de amor da Igreja para com eles, dádivas amorosas, maior entrosamento.
Mas também, já presenciei o contrário, a Igreja mandou regressar todos os missionários que estavam no campo, investiu uma grande soma em dinheiro com passagens, e os mesmos não tiveram nenhuma oportunidade para manifestar suas experiências para a Igreja, foi frustrante, incompreensível, prejudicial às finanças da Igreja que estava naquela Conferência enviando mais missionários ao campo.

Providenciando reciclagem emocional e espiritual
Talvez um psicólogo cristão poderá ser acionado para atender ao missionário, o atendimento pastoral deverá ser sistemático, e reuniões de amigos verdadeiros poderá acontecer (nestas reuniões são abertos, as necessidades são explicitadas e as feridas saradas). Costumo dizer que pastores e missionários são, via de regra, pessoas solitárias. Não conseguem se abrir porque não confiam ou não querem se expor à pessoas que podem entender mal. Amizade verdadeira, desinteressada, amorosa precisa ser desenvolvida.

Providenciando a personalização diante da Igreja
Com isto quero dizer, fazer o missionário conhecido não só através do púlpito e de suas histórias contadas na Escola Dominical, mas no dia a dia. Membros da Igreja poderão receber o missionário e sua família para um lanche, outros para almoços, outros para jantares. A Igreja viverá um pouco a vida do obreiro, e sentir-se-á mais perto dele. Lembro-me de momentos em nossa Igreja que, ao ler a carta do missionário no culto, muitos choravam de saudade e amor. O missionário não é uma mercadoria! O missionário é uma pessoa com todas as suas características.

Providenciando para que haja um ambiente familiar
Certo pastor, usando de muita sabedoria, dirigiu-se a uma missionária e disse: - "Sabemos que a irmã já tem seu sustento, no entanto queremos adotá-la como nossa filha. Saiba que aqui você tem pais e mães". Não é lindo? O missionário sente-se, muitas vezes, como um objeto de exposição. Onde está sua família com quem poderá rir, chorar, discutir, seus assuntos do coração?

Providenciando apoio logístico
Quem passou muito tempo fora do seu país, não tem idéia das mudanças que nele ocorreram. Se for um país inflacionário, como é nossa realidade na América Latina, os preços mudaram, a moeda pode ter sofrido alteração. Quando o missionário chega, não tem condições de adaptação rápida. Aqui entra a Igreja com seu preparo logístico importante. Não basta dizer bem-vindos, é preciso ajudá-los na dura tarefa de readaptação.

CONCLUSÃO
Não é fácil falar sobre assuntos que envolvem nossa Igrejas Locais. Estas têm sido instrumentos de Deus para a realização da Obra de Deus no mundo. Tenho um grande respeito por elas sejam desta ou daquela denominação. O que desejo, com este trabalho é cooperar com a visão missionária, atendendo os missionários em suas necessidades. Faço isto por convicção de que Deus quer que façamos o melhor. Quero cuidar dos missionários com o coração de pastor. Quero administrar com sabedoria com o coração de um executivo de missões.

O que não podemos mais é deixar que nossa história seja escrita com descaso. Seremos declarados culpados pelas gerações que nos sucederem, de termos agido com superficialidade e ativismo. O que estamos dizendo ao mundo? Que a obra missionária é um parque de diversões? Que é um departamento da Igreja que não merece crédito? Que os missionários são um bando de loucos que devem receber um pouco de ajuda para irem, e irem logo!

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