"“Muitos crentes consagrados jamais atingiram os campos missionários com seus próprios pés mas poderão alcança-los com seus joelhos” (Adoniran Judson)”"

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

VOCAÇÃO MISSIONÁRIA


Nos primeiros anos da obra missionária, o meu trabalho caracterizou-se por uma maior atividade do que hoje. Mais jovem cheio de energia e disposição de trabalhar, sempre buscava encontrar uma maneira distinta de anunciar a mensagem de salvação.
Com o tempo o missionário vai aprendendo que as ações que são mais impulsionadas pelo engenho humano do que pela direção do Espírito Santo, não deixam muito resultado e ademais, produzem um desgaste físico-emocional algumas vezes irreparável. O missionário tem que aprender a “caminhar no Espírito”. O que significa isto: Significa que ele deve aprender a deixar de lado a sua energia humana e as suas “capacidades” emocionais e intelectuais para buscar a cada dia, a direção do Santo Espírito de Deus. Somente o trabalho que é feito sob a direção do Espírito e no poder do Espírito deixa um resultado para a posteridade.



Ao tratar de escrever este texto sobre Vocação Missionária, entrego-me à tarefa com o desejo sincero de beneficiar àqueles que se encontram numa luta interna por descobrir a vontade de Deus para as suas vidas no tocante à chamada missionária.
Oro a Deus para que estas reflexões possam servir de ajuda espiritual para aqueles que precisam de maior claridade na compreensão do tema, para os que estão cheios de duvidas e interrogações no coração, ou ainda, para aqueles que já conhecem qual é a vontade de Deus para as suas vidas neste particular, mas que resistem a obedecer ao chamado divino por se encontrarem atados por um espírito de temor ao futuro e ao fracasso (leia 2 Tm 1.7).

CADA CRISTÃO UM MISSIONÁRIO?

Para nós, a doutrina do sacerdócio universal dos crentes ocupa um lugar muito especial, imbuído de tal convicção, ninguém titubearia em afirmar que cada cristão é um missionário. A razão da minha colocação em forma interrogativa, antes de uma pretensão de negar uma verdade por todos aceita, reflete um sentimento de frustração ao reconhecer a enorme distância que existe entre a nossa doutrina e a nossa realidade.
Há algum tempo ouvi uma história muito interessante. Um missionário evangélico norte-americano regressava ao seu país para gozo de férias. No avião onde viajava encontrava-se um passageiro de muito boa presença. Ao dar início a um diálogo com aquele homem, o nosso missionário descobre que o outro também é missionário. Só que não era evangélico: tratava-se um missionário muçulmano. No meio daquela conversa, o missionário norte americano decide fazer uma pergunta ao representante do islã.
- “Amigo, ao que vocês atribuem o crescimento tão rápido do islamismo nos últimos anos?”.
- “Ao fato de que cada seguidor de Maomé se considera um missionário...”.
Você entende o que estou tentando lhe comunicar: O islamismo está usando hoje a melhor estratégia missionária do mundo – a utilização dos leigos.
O cristianismo primitivo conseguiu inocular nos crentes de então esse “espírito missionário”. A pior tragédia para o avanço do cristianismo moderno tem sido a enorme diferença que fazemos entre os missionários “profissionais” e os missionários “espontâneos”.

Cabe aqui uma citação de Michael Green:
“Até aqui temos estado considerando o alcance evangelístico do que poderíamos chamar (...) “propagandistas cristãos profissionais”. Mas, isto não tem que nos levar a supor que os “profissionais” desempenhavam um papel excessivamente decisivo na difusão do cristianismo (...). Pelo contrário, não duvidamos em crer que a grande missão do cristianismo foi na realidade levada a cabo por missionários improvisados (...). Sempre tem sido assim. Os próprios discípulos, significativamente, eram leigos, privados de toda preparação teológica ou retórica formal. Desde o seu começo, o cristianismo foi um movimento leigo, e assim continuou sendo por um tempo notavelmente extenso. Em um sentido, os apóstolos se fizeram inevitavelmente “profissionais”. Porém em época tão precoce como a descrita em Atos capitulo 8, encontramos que já não são os apóstolos senão os missionários “amadores” (...) os que levavam consigo o evangelho a todos os lugares onde iam. (1)

O maior desafio para o cristianismo de nossa época eminentemente escatológica consiste na correção da distorção produzida pela dicotomia: “missionário x leigo”. Quando o lema cada cristão, um missionário deixar de ser uma frase habitual para converter-se numa santa realidade, o cristianismo moderno poderá experimentar de novo o assombroso crescimento que caracterizou a igreja primitiva (Atos 8.1-4).

(1) GREEN, Michael. La evangelización em La iglesia primitiva. P. 26-28

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