"“Muitos crentes consagrados jamais atingiram os campos missionários com seus próprios pés mas poderão alcança-los com seus joelhos” (Adoniran Judson)”"

sábado, 17 de abril de 2010

A IGREJA AMPUTADA E A UNIÃO DAS IGREJAS

O TEXTO ABAIXO É DE AUTORIA DO PASTOR JOED VENTURINI E PODE SER CONFERIDO NO BLOG DO AUTOR. Veja o link abaixo:
PORQUE O EVANGELHO NÃO CONQUISTA O MUNDO?
A amputação é sempre um drama. Fomos feitos para ter todos os membros em ordem, funcionando unidos ao corpo. A falta de um deles, por menor que seja é logo sentida e provoca desequilíbrio. Basta falar com quem perdeu um simples dedo, mesmo o considerado mais insignificante para descobrirmos o quanto ele faz falta.

A Igreja Cristã tem se tornado, ao longo da história, uma igreja amputada na medida em que tem perdido membros preciosos e é hoje uma verdadeira colcha de retalhos. Lembro das colchas de retalhos em casa de minha avó. Eram até bonitas, mas não tinham padrão, não tinham unidade e depois de um tempo cansavam a vista. A Igreja cristã moderna é uma grande colcha de milhares de retalhos e isso ajuda a entender porque não conquistamos o mundo.

Temos hoje muitas vantagens ao nosso lado para ganhar o mundo para Cristo. Para começar nunca fomos tantos no planeta. mesmo as estimativas mais baixas colocam os cristãos evangélicos em várias centenas de milhões no mundo. Nunca tivemos tantos recursos para missões como hoje. Basta olhar a opulência de muitos templos e ministérios para vermos que não nos falta o dinheiro para o envio e sustento de missionários.

Temos gente disponível para o serviço. Missionários de todos os tipos se apresentam para a obra diariamente e voluntários enchem nossos templos prontos a fazer o trabalho de evangelização e alcance necessário. Temos o conhecimento necessário sobre missões e sobre os povos para mapear o mundo e alcançar os que ainda precisam ouvir. A informática ao serviço da igreja nos dá esses recursos.

Temos a graça maravilhosa de Deus que supre as necessidades e complementa as vidas e obra dos missionários e suas lideranças. A graça e a ação do Espírito são fundamentais e são visíveis e presentes hoje na igreja. Não há falta de unção. Então porque não conquistamos o mundo? Porque há outros grupos como o islamismo radical que cresce mais que nós apesar de sua mensagem de violência? Porque marcamos passo se podíamos avançar depressa e fazer a diferença no mundo?

Ouso apresentar três razões e uma sugestão para esse quadro atual. Talvez me chamem de utópico ou sonhador, mas é preferível sonhar que simplesmente me acomodar. Pensemos então nas causas da nossa falha em conquistar o mundo (ou mesmo só o Brasil por ex.)

1) Orgulho
Temos um ridículo orgulho que nos impede de progredir. Ridículo porque no fundo todo orgulho é ridículo, é vaidade, é tolice e falta de bom senso. Orgulhoso é aquele que não tem espelho, que não olha no espelho, que não percebe ou não quer perceber a realidade sobre si mesmo. Nós temos nos enchido de orgulho e isso nos paralisa.

Temos orgulho denominacional. Isso é geral e ninguém pode apontar o dedo. Cada denominação se orgulha de algo e com isso despreza as outras se achando melhor, mais espirituais. Muitos grupos chegam a ponto de achar que os outros nem sequer são salvos e brincam chamando os demais de primos e não de irmãos. Essa "brincadeira" é maligna porque revela um orgulho maligno que cega e separa. É a igreja amputada. Se tivéssemos sido fiéis ao Senhor ao longo da história não teríamos denominações hoje e causaríamos bem menos confusão ao povo. Ao invés disso, competimos uns com os outros e impedimos o Espírito de fazer a obra. Chegamos a nos alegrar quando um líder de outro grupo cai ou seu ministério despenca. Ainda teremos que dar contas por isso...

Temos orgulho local. Temos igrejas cheias de vaidades próprias ligadas a certos ministérios ou ao simples fato de terem mais tempo de existência que outras. É bonito ver uma igreja com cem anos. Mas é preciso ter cuidado para que uma igreja centenária não se torne uma igreja secular... Esse tipo de orgulho fala por exemplo de igrejas que se envaidecem porque tem boa musica, ou um certo pregador, ou instalações privilegiadas e há até os que se orgulham de sua pobreza. "Somos melhores porque somos pobres e humildes". Atenção: Pobreza física nem sempre anda junto com humildade.

Temos orgulho pessoal. Orgulho individual de lideres que julgam que a igreja é sua. Falam de seus ministérios como se eles os tivessem edificado e não o Senhor. Gostam de contar que no inicio não havia nada e agora são 4 mil... Devemos valorizar os servos a quem Deus deu crescimento, mas isso nem sempre implica em fidelidade. O ministério de Jonas conquistou toda a Nínive enquanto Jeremias perdeu Jerusalém. Alguém ousaria dizer que Jonas era mais fiel a Deus? Orgulho individual de lideres da igreja é um contra-senso total porque como Paulo dizia, se somos alguma coisa é unicamente pela graça de Deus.
Esses orgulhos têm amputado a igreja e a deixado incapaz de avançar.

O orgulho separa, cega, desorienta e por fim mata. Muitos ministérios começaram bem para depois murcharem ao vento quente e mórbido da vaidade. Somos culpados diante de DEus de orgulho e a palavra é clara: Deus resiste aos vaidosos!

2) Ignorância
Temos pecado por ignorar o restante da igreja. Que triste ver que muitas das dificuldades de relacionamento na igreja são motivadas por puro preconceito. Pensamos que... julgamos que... achamos que.... Ora, você gostaria de ser julgado sem ter oportunidade de se defender? O que diria de um julgamento em que não houve chance de resposta? Injusto? É exatamente esse tipo de julgamento que temos feito aos outros por pura ignorância.

Temos ignorado a igreja maior e nisso perdemos a benção da comunhão, do crescimento, da maturidade. Não sabemos o que Deus tem feito porque nos recusamos a ver. Julgamos as experiências e ensinos alheios como heréticos porque não nos damos ao trabalho de verificar. É a igreja amputada pela ignorância que se recusa a crescer.

Se abríssemos os olhos descobriríamos que em outros campos, em outras igrejas, em outros ministérios, há respostas às nossas perguntas, orientação para nossas duvidas, exemplos para nossas vidas, deixas para nossos trabalhos e benção para nossas famílias.

Descobriríamos surpreendidos que é mais o que nos une que aquilo que porventura nos separa. Veríamos a obra do Senhor de uma maneira mais vasta entendendo que Deus não se deixa limitar pelas nossas barreiras humanas. Não é porque nos fechamos em denominações e grupos que o Senhor vai deixar de agir. Ele atua onde quer e sua vontade é perfeita e pura. Se ELE age em certa igreja quem somos nós para colocarmos etiquetas nela?

A ignorância divide e paralisa também. Ela nos deixa de olhos fechados e eterniza a escuridão em que o mundo vive porque aqueles que deveriam ser a luz preferem se esconder por baixo do alqueire.

3)Mágoas
Temos pecado por guardar e alimentar mágoas que mantém a igreja dividida. No ponto anterior é possível que alguns leitores se tenham lembrado de experiências difíceis que tiveram com outros grupos diferentes do seu. De momentos de discriminação e critica e mesmo de desprezo. São experiências assim que dividem a igreja e vão criando as barreiras. O problema é que por causa delas nos fechamos aos outros e as bênçãos.

Temos pecado porque nos justificamos com as mágoas do passado. Usamos essas ocasiões para mantermos a distância e confirmarmos a amputação da igreja. As mágoas do passado nos impedem de crescer em vez de servirem de lição. Deveríamos ter avançado mas paramos no tempo e ficamos repetindo o disco até rachar.

Davi foi um homem especial. Segundo o coração de Deus. Uma das coisas incríveis de sua vida foi que apesar de todas as lutas, tristezas e más experiências ele não se fechou. Apesar de tudo que passou ele se abria a novas pessoas e a novas coisas com Deus. Lutou e sofreu mas manteve o coração aberto e por isso foi tão abençoado. Depois de todas as dificuldades ele se firmava em seu Deus e seguia de peito aberto. Apanhou muito? Sim mas foi também o maior rei que Israel conheceu.

Manter as mágoas e alimentá-las é tolice. É como ter uma víbora por animal de estimação. Não dá certo. Vivemos com medo, sempre de sobreaviso, na retaguarda. Um dia a víbora ainda vai nos picar e então vai doer e muito. Temos pregado sobre o perdão e a luta com as mágoas mas temos mantido o coração fechado.

Nosso orgulho, ignorância e nossas mágoas têm amputado a igreja. Tem permitido que sejamos essa colcha de retalhos que não tem força para ganhar o mundo. Num país como o Brasil em que os evangélicos são tantos só isso explica porque temos ruas com 8 igrejas no Rio de Janeiro e em outras regiões há municípios inteiros sem o evangelho. Só a vaidade de abrir mais um templo "nosso", a ignorância quanto ao trabalho que já esta sendo realizado por outros e as mágoas para com este e aquele grupo explicam fenômenos como esse.

Já que fomos tão sonhadores até aqui, que continuemos assim até o fim. Ousaria fazer sugestões simples e ao mesmo tempo revolucionárias para que o evangelho conquiste o mundo:

1- Deixemos de lado nossos orgulhos tolos e reconheçamos que há outros grupos, ministérios e lideres tão bons e melhores que nós. Há igrejas, homens e mulheres de Deus fazendo trabalhos fantásticos sob a direção do Espírito Santo e que podem nos ensinar muito. Vamos nos abrir à direção do Espírito e com discernimento do alto aprender com aqueles que tem vivido para DEus e visto a glória do Senhor brilhar.

2- Vamos sentar e conversar sobre nossos sonhos e visões e deixar que as chamas que Deus acendeu num coração contagiem outros. Não precisamos imitar ninguém. Apenas ver, reconhecer, aprender, valorizar e crescer. Não seria bonito ver lideres de uma denominação freqüentando congressos de outra? Não seria bonito ver lideres compartilhando púlpitos e levando crescimento aos rebanhos uns dos outros?

3- Vamos no sentar e conversar sobre o desafio que o mundo representa. Imaginemos o Brasil, por exemplo. Líderes denominacionais compartilhando o seu trabalho, não em orgulho, mas em alegria do espírito. Um mapeamento da realidade do país à frente. Verificariam onde há verdadeira necessidade de obreiros e igrejas. Estabeleceriam prioridades quanto a locais a serem alcançados e então verificariam qual grupo ou denominação estaria mais vocacionado para aquela região. Que grupo já tem trabalho forte por perto? Que grupo tem vocação para aquele tipo de população? Quem teria recursos e pessoal disponível para chegar lá mais rápido e melhor? As decisões seriam baseadas nisso e não na cor ou bandeira denominacional.

Utopia? Por quê? Não somos capazes de conversar? A proposta é sem sentido ou ridícula? Creio que não! Só os já mencionados: orgulho, ignorância e mágoa, podem nos impedir de fazer isso acontecer. Se isso fosse feito, não veríamos igrejas se degladiando na mesma rua. Não teríamos que combinar horário de culto com a outra igreja que fica na mesma esquina para o som de uma não atrapalhar a outra.

Se fizéssemos isso correríamos o risco de ganhar o Brasil para Jesus!

Nenhuma denominação ou grupo isolado vai ganhar o mundo! A Igreja amputada é isso mesmo, amputada, limitada, incapaz. Só na união do Senhor podemos fazê-lo!
Este não é um apelo tolo ao ecumenismo. Quem lê, interprete,e e veja que falamos da Igreja de Jesus, daqueles que creem na Palavra, na salvação pela fé e na ação do Espírito Santo. Unidos poderíamos... separados continuaremos a capengar.

Utopia?


Deixe-me sonhar!

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