"“Muitos crentes consagrados jamais atingiram os campos missionários com seus próprios pés mas poderão alcança-los com seus joelhos” (Adoniran Judson)”"

segunda-feira, 19 de abril de 2010

O CAMINHO DA ESPIRITUALIDADE A MANEIRA DO INDIO

Estava aqui pensando com meus botões, quando me dei conta que se aproximava o dia 19 de Abril, Dia do Índio no Brasil. Não sou Índio, “acho” que não devo ter nenhum antepassado índio, digo acho, pois no Brasil, é quase impossível quem não tenha alguma coisa de negro, português, judeu e índio no sangue. Segundo Darcy Ribeiro, essa fundição cultural das raças fez do brasileiro uma nova raça, jamais vista até então no mundo.
Mas voltando ao assunto dos índios, confesso que sempre que ouço falar das nações indígenas do Brasil, principalmente dos seus desafios, não consigo segurar as lágrimas. Alguma coisa se move no meu interior, e sinto-me envolvido por uma grande compaixão pelas nações indígenas. Infelizmente, como homens missionários, somos na maioria das vezes limitados ao serviço de um povo, mas as vezes bate uma vontade de entrar pelas matas e ir servir em alguma tribo indígena do nosso Brasil.
A igreja precisa falar mais sobre os índios do Brasil, precisamos conhecer as causas indígenas, conhecer as suas realidades sociais e espirituais, precisamos ouvir as missões que trabalham entre os índios, pois eles podem nos ajudar a ver como Deus pode usar a igreja em favor das nações indígenas. Confesso que sou quase um analfabeto sobre a questão, sei mais sobre povos do outro lado do mundo do que sobre os índios do Brasil. Deve ser por isso que choro ao ouvir falar sobre os índios, pois acompanhado ao sentimento de compaixão, surge também o da incapacidade de saber o que fazer, além de orar.
Na busca por elementos que pudessem ser úteis para um momento de intercessão e conscientização em nossa pequena igreja, deparei-me com alguns materiais desenvolvidos pelo CONPLEI (Conselho Nacional de Pastores e Líderes Evangélicos Indígenas), acabei por me impressionar com o programa destes irmãos para estabelecer em cada povo uma igreja genuinamente indígena. Que coisa linda! Fiquei impressionado também com a firme convicção bíblica transmitida pelos líderes indígenas e sua espiritualidade é encantadora. Entre o material que tive acesso, assisti um vídeo onde o pastor indígena Jader de Oliveira, do Mato Grosso do Sul, fala sobre a problemática das divisões denominacionais e exortou os índios a manterem a unidade, veja as palavras do pastor: “Como podemos comemorar o Natal, nascimento do único Senhor, a quem todos nós adoramos, com cada um saindo para igrejas diferentes, separados uns dos outros na aldeia? Os incrédulos vão nos acusar, e com razão, de causar divisão na aldeia. É assim a maneira do índio? Não, não é! É costume indígena? Não, nunca foi, nunca foi!” Acho que devemos sugerir o nome do Pastor Jader para falar nestes congressos, conferências e consultas que acontecem por este mundo afora sobre “a maneira do índio”. Quem sabe não nos envergonhamos, nos arrependamos, e adotamos a maneira do índio nos domingos em nossas comunidades, hoje tão divididas.
Dia 19 de Abril é um dia especial, é o Dia do Índio, alguns podem dizer que o dia do índio é todo dia, concordo, mas é bom parar um dia especial para orar, refletir e amar o índio do Brasil. Sei que no final continuarei me sentindo incapaz diante da grande necessidade destes povos, mas pelo menos incomodarei alguns mais para refletir sobre a causa indígena.

Rev. Luis Alexandre Ribeiro Branco



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