"“Muitos crentes consagrados jamais atingiram os campos missionários com seus próprios pés mas poderão alcança-los com seus joelhos” (Adoniran Judson)”"

sábado, 12 de junho de 2010

OS CHAMADOS MISSIONÁRIOS DOS NOSSOS DIAS

Depois de servir em sua igreja por alguns anos como presbítero e exercer durante a semana, a profissão de químico na cidade de Washington (EUA), um homem certa vez ouviu a seguinte frase da esposa de seu pastor: “Os seguidores de Jesus não precisam de chamado, porque já têm uma ordem de Jesus!”

Naquela altura, ele já questionava muito o fato de alguns cristãos de sua igreja amealhar riquezas deste mundo, comprando casas maiores e buscando se satisfazer através de um consumismo cada vez mais desenfreado, o que para ele não fazia nenhum sentido.

Certo dia seu próprio pastor, depois de saber destas suas preocupações disse-lhe: “Quando alguém se sente assim, pode significar que Deus o está chamando para a obra missionária”. Estas palavras tocaram profundamente a vida deste homem que passou a considerar fortemente a idéia de um dia servir ao Senhor em algum lugar deste mundo.

Sua experiência a principio não foi das mais encorajadoras, pois as organizações missionárias que contatara não o admitiam como candidato para missões pois ele era um profissional e não possuía um curso formal de Teologia ou Missões. Ele teria que fazer o curso teológico para então ter alguma chance de ser recebido como missionário. Mas ele estava convicto que Deus poderia usá-lo no campo como profissional e pela enorme experiência que recebera servindo como um dos líderes do Conselho de Missões em sua igreja local.

Certo dia um missionário que servia no Brasil visitou sua igreja e lhe disse que ele e sua esposa deveriam contatar certa organização missionária que, provavelmente, os receberiam. E foi o que aconteceu. Um ano depois daquela conversa com aquele missionário, eles estavam deixando a cidade onde moravam para receber treinamento transcultural daquela agência missionária. Logo depois seriam encaminhados ao Brasil, onde servem até hoje.

Esta é uma história verdadeira de um chamado missionário neste início de século XXI. Tem havido muita controvérsia sobre as características daquilo que chamamos de “vocação missionária”. Ainda parece que não sabemos lidar muito bem com alguns “chamados” que fogem aos modelos bíblicos clássicos e seria importante, nesse sentido, esclarecermos este assunto. Para isso pretendo mostrar um modelo, sem ter a pretensão de dizer que apenas este é o único.

O MODELO DE PEDRO
Trata-se daquele chamado mais conhecido, e, portanto, mais comum. Alguém se sente movido por Deus para deixar tudo àquilo que está fazendo, encaminhando-se para a obra missionária, normalmente em tempo integral.
A história do chamado dos apóstolos de Jesus exemplifica bem este modelo

“Tendo chamado os seus doze discípulos, deu-lhes Jesus autoridade sobre espíritos imundos para expeli-los, e para curar toda sorte de doenças e enfermidades.” (Mat: 10.1).

À semelhança do que havia acontecido com alguns homens que foram chamados diretamente por Deus para atuarem como lideres e profetas do povo de Israel, o Senhor Jesus também chama de maneira clara e inequívoca os seus discípulos. Nesse caso, a primeira decisão a ser tomada por parte daqueles homens seria deixar imediatamente qualquer outra atividade que estivessem realizando.

“Caminhando junto ao mar da Galiléia, viu dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e André, que disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens.” (Mat: 4. 18,19).


Para aqueles dois homens não havia outra opção. O trabalho de pescadores deveria ser abandonado. Afinal eles estavam sendo chamados para seguir ao Filho de Deus, e tudo indica que o tempo que tivessem pela frente seria todo consumido pela tarefa da evangelização. E ainda assim, haveria muita gente sem ter possibilidade de ouvir da Salvação, pois o trabalho seria de enorme proporção.

Este modelo de chamado missionário tem permeado toda a história do Cristianismo no decorrer de todos estes anos e ainda se faz presente de maneira intensa nos nossos dias.

Devido sua identidade com as igrejas evangélicas em geral, é o que encontra menor resistência por parte dos pastores e líderes. É bem comum ouvir um líder de missões de uma igreja local dizer: “Realmente este jovem tem um chamado missionário, está disposto a deixar o emprego que tem, e até mesmo outras coisas para servir inteiramente ao Senhor no campo missionário.” As portas se abrem com mais facilidade pois temos vários exemplos bíblicos deste tipo de situação.



Deus ainda tem chamado muitos Pedros. Gente que ouve a voz do Senhor e deixa tudo por amor a Ele. Não há a menor dúvida que a imensa maioria dos missionários servindo hoje ao redor do mundo tem este perfil. E quanta alegria sentimos quando percebemos estes sinais de desprendimento e disponibilidade por parte de jovens, homens e mulheres que abdicam de uma vida mais confortável ao lado de seus familiares para levar o Evangelho aos povos ainda não alcançados.


(Extraído do Livro “Os Chamados Missionários Dos Nossos Dias” de Oswaldo Prado – Editora Sepal.

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