"“Muitos crentes consagrados jamais atingiram os campos missionários com seus próprios pés mas poderão alcança-los com seus joelhos” (Adoniran Judson)”"

sábado, 19 de junho de 2010

POVOS NÃO ALCANÇADOS


A Realidade Indígena no Brasil

Em 1573 Frei Ernesto Fonseca analisa os habitantes do novo país conquistado pela força portuguesa, afirmou que: “... além de contrários ao trabalho e disciplina de qualquer tipo, seguem práticas tão pagãs e alheias a Deus que torna-se improvável que tenham uma mente evoluída que possa compreender a salvação, ou serem dignos dela”

Creio que seja correto pensarmos que a visão da grande massa de brasileiros não tenha mudado muito ao longo destes últimos 500 anos e que as primeiras e errôneas impressões sobre os indígenas influenciaram a nossa missiologia bíblica e estratégia missionária para o Brasil até hoje. Convivemos com esta visão distorcida a respeito da comunidade nativa do nosso país quando até o termo “índio” passou a ser sinônimo de preguiça ou ignorância e “programa de índio” aponta para algo mal planejado e que sempre dá errado.Calcula-se que havia 1,5 milhão de indígenas no ano de 1530 enquanto hoje eles não passam de 300.000 em todo o território nacional entre os quais escondem-se as mais duras realidades e desafios espirituais e assim somos chocados com pessoas como a índia Thuthurudé da tribo Deni que um dia exclamou:“Ore por mim ! Quero ouvir o evangelho antes de morrer”.

REALIDADE POPULACIONAL E LINGUÍSTICA

Trata-se de uma realidade desconhecida por muitos onde mais de 300.000 índios dividem-se em cerca de 251 etnias distintas representando mais de 180 línguas diferentes. Dentre estas, apenas 26 possuem o Novo Testamento completo traduzido em seus idiomas e outras 59 possuem porções, entretanto mais de 120 tribos necessitam urgentemente de uma tradução das Escrituras. Apesar das 25 Agências Missionárias que bravamente atuam entre os índios em nosso país ainda contamos com mais de 100 tribos totalmente não alcançadas além de outras 19 em fase de estudo. Segundo estatísticas de junho de 2001 do Banco de Dados do Departamento de Assuntos Indígenas da AMTB (tendo o Pr Rinaldo de Mattos como organizador e o missiólogo PauloBottrel como pesquisador) o cenário indígena é como se segue:

Para entendermos a realidade indígena atual olharemos rapidamente alguns aspectos.
Tribos conhecidas:
218 (população: 353.881)
Tribos isoladas: 33 (população: 1.853)
Tribos a serem pesquisadas:
50 (população estimada: 2.735)
Tribos com existência duvidosa:
48 (população: 2.217)
Total de tribos existentes: 349 (população: 360.686)

A situação das tribos indígenas em relação à distribuição da própria população segue o seguinte diagrama:
52 tribos com menos de 100 pessoa s
115 tribos entre 100 e 1.000 pessoas
53 tribos entre 1.000 e 10.000 pessoas
5 tribos entre 10.000 e 20.000 pessoas
2 tribos entre 20.000 e 30.000 pessoas
1 tribo com mais de 30.000 pessoas
23 tribos com população indeterminada

Em relação ao evangelho as tribos indígenas são classificadas da seguinte forma:
72 não alcançadas46 alcançadas só por Missões Católicas4 alcançadas só por Leigos 2 alcançadas só com Tradução
75 alcançadas satisfatoriamente
8 alcançadas e com Liderança Autóctone
9 com situação indeterminada
118 sem presença missionária evangélica
A realidade a respeito desta centena de tribos brasileiras não alcançadas envolve línguas complexas, lugares inacessíveis, possibilidade de embates tribais, enfermidades, isolamento e especialmente restrições legais.
É preciso sentar e calcular o preço da construção da torre.


www.ronaldolidorio.com.br

TRIBO KRAÔ - TOCANTINS

Localização: A terra dos Krahô fica localizada perto da cidade ribeirinha de Itacajá, no norte do Estado de Tocantins.O povo Khahô tem se dividido muito. Estas são as principais aldeias, com uma população acima de 100 pessoas: Rio Vermelho, Cachoeira, Pedra Branca, Manoel A. Pequeno, Santa Cruz, Forno Velho e Morro do Boi. Aldeias com menos de 100 pessoas: São Vidol, Campos Lindos, Riozinho, Bacuri, Aldeia Nova, Hagoiauba, Urubu , Serra Grande e Macaúba. Os missionários atuam nas aldeias de Manoel Alves Pequeno e Campos Lindos e residindo na cidade de Itacajá.













Língua, análise lingüística e traduções: O povo Krahô falam o dialeto Krahô, língua Timbira, do Tronco Macro-Jê, da Família Jê. Todos os índios krahô falam um português fraco. Jack e Josephine Popys da SIL (Sociedade Internacional de Lingüística) fizeram a análise da língua canela (que é semelhante à krahô) e já completaram a tradução do Novo Testamento. A tradução da Bíblia poderá passar por uma revisão para a língua krahô. Foram traduzidos a I Fase das lições bíblicas do ensino cronológico e a Fase II falta a revisão, o livro de Gênesis e outras porções da Bíblia. Didático: Três cartilhas da língua canela revisadas e adaptadas à língua krahô; livreto com quatro histórias contadas pelos índios sobre acontecimentos do dia-a-dia; um livreto com 21 textos pequenos escritos na língua pelos alunos já alfabetizados sobre várias atividades diárias deles; livros sobre saúde; um livro com 23 páginas sobre noções de higiene com figuras, um livreto sobre verminose (adapatado da língua canela); orientações sobre: AIDS, alcoolismo, produção de alimentos e conservação do meio ambiente (feito pelo antropólogo José Manoel Meireles e participação da equipe da MNTB) e que têm sido usados para leitura pelos demais alunos. Foi iniciada a confecção de um dicionário com 2.500 palavras e frases úteis.



População: Hoje a população da tribo Krahô na aldeia onde a MNTB atua é de: 90 pessoas do sexo masculino e 97 do sexo feminino, somando um total de 187 pessoas. Segundo a FUNAI há cerca de 1.402 índios Krahô no Município de Itacajá e Goiantins no Estado de Tocantins.


Histórico de contato da tribo com os demais brasileiros: “O território em que atualmente vivem os Krahó não se acha demarcado sobre a região em que os civilizados, pela primeira vez, encontraram estes índios. Os Krahó se viram diante dos civilizados por volta do início do século XIX, e então se encontravam, não em Goiás, mas no Maranhão (...). A medida que os civilizados ocupavam a região, iam empurrando os Krahó para oeste, na direção do Tocantins. Parece que então eram freqüentes as escaramuças entre os Krahó, que investiam sobre estabelecimentos dos brancos instalados na terras que estavam sendo obrigados a abandonar, e os civilizados, que retribuíam as suas incursões, até que em 1809 os índios sofreram uma grande derrota, quando tiveram uma de suas aldeias atacadas por 150 paisanos e 20 soldados de linha, que fizeram entre eles 70 prisioneiros, que foram enviados a São Luíz (RIBEIRO, 1841, § 71). Tão dura perda obrigou os Krahó a pedirem paz, que lhe foram concedida com a condição de não mais hostilizar os civilizados (RIBEIRO, 1841, § 72) (...) Retirando-se diante do avanço dos criadores de gado, os Krahó tiveram de disputar novos territórios com outros indígenas (...) Em 1848 os Krahó foram transferidos para para Pedro Afonso, situada na confluência do rio do Sono com Tocantins (...) Daí os Krahó se deslocaram na direção nordeste, vindo a ocupar a região compreendida entre os dois rios chamados Manoel Alves Grande e Manoel Alves Pequeno, abandonando as margens do Tocantins”.

Histórico de contato da tribo com a MNTB:
O trabalho de evangelização aos índios krahô foi iniciado pela Junta de Missões Nacionais (Batista) no ano de 1940. Em meados de 1972 a MNTB tentou dar continuidade a esse trabalho com a participação do casal Glen e Shirley Bacon e duas missionárias solteiras: Maria Júlia Waideman e Lori Henke. Porém em 1973 a MNTB cessou suas atividades no local. Em fevereiro de 1978 Dilson e Cathy Brisola chegaram para dar continuidade ao trabalho, mas tiveram que sair em 1979 por motivo de doença. No mês de abril de 1982 a FUNAI convidou os casais Dennis e Shirley Ficek e João Lucas e Dilma de Souza para trabalharem no local, desde então a MNTB atua nesta tribo, passando por vários outros missionários.

Missionários que atuam na área: João Lucas e Dilma de SouzaAgeirson RamosDaniel e Maristela magalhães.

Área Religiosa: Na aldeia Manoel Alves Pequeno o ensino bíblico é dado no dialeto krahô. Há uma média de 30 pessoas participando dos estudos dentro dos quais 4 jovens e 1 senhor que confessam crer em Jesus Cristo. Na aldeia Campos Lindos foi iniciado o pré-evangelismo (8).

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