"“Muitos crentes consagrados jamais atingiram os campos missionários com seus próprios pés mas poderão alcança-los com seus joelhos” (Adoniran Judson)”"

terça-feira, 24 de agosto de 2010

CHOQUE CULTURAL

Aprender a viver entre um povo de uma outra cultura, pode ser divertido mas é uma experiência desgastante. Uma vez que a empolgação com as novidades é passada a estranhes de uma nova circunvizinhança, e a perda daquele sentimento de “pertencer ao lugar”, daí então a sua segurança e a sua autoconfiança, começa a ser balançadas.

Um clima exaustivo, comida estranha, línguas desconhecidas, e costumes familiares desconhecidos, concorrem para que você sinta-se fora do lugar, e malquisto. Cada dia tem a sua cota de experiências frustrantes, e perplexas; cada erro no comportamento social aumenta o seu pavor de encontrar-se com as pessoas, aí começamos a desejar ardentemente as coisas que nos são familiares, e nos retirar com gratidão, à confortável solidão do nosso quarto, para a companhia do diário, ou a escrever longas cartas para casa. Até mesmo os nossos colegas missionários parecem insensíveis, desde que eles pareçam tão mais em casa agora, numa outra cultura.

Poucos missionários acham fácil o primeiro mês de adaptação; a maioria muda completamente, aprende a conhecer-se melhor, e a rir das barreiras culturais e lingüísticas; alguns poucos passam por um “choque cultural”; tendo que às vezes receber tratamento médico.

DEFINIÇÃO
Choque cultural tem sido definido como um severo distúrbio emocional resultante da falta de sucesso na adaptação ao meio ambiente de uma nova cultura. É comparado com o estado de “desordem mental” de um soldado, após ter sido sujeito a um longo período de bombardeio e perigo. O jovem missionário em choque cultural cessa temporariamente na maioria dos casos – suportar a barreira dos novos sons, cheiros, idéias, impressões e sentimentos que os assaltam.

As relações humanas e a língua, são o coração da cultura; e estes contactos estão cercados de normas não escritas, relacionadas à saudação, contacto físico, sorriso, tom de voz, e graus de intimidade, entre pessoas de diferentes sexos, idade, e classe. Apesar dos longos anos de estudos, da experiência na obra de Deus, e (provavelmente) da inteligência acima do normal, o jovem missionário tem que tomar o lugar de criança novamente, sendo pacientemente instruído, quanto às normas sociais da sua nova sociedade.

“Um grupo de missionários precisava atravessar uma barricada numa estrada, para chegar à cidade mais próxima, então eles enviaram uma das missionárias que tinha uma maneira muito agradável de lidar com as pessoas”.
Ela foi até o policial com o seu melhor sorriso, e falou com ele que precisava chegar até a cidade mais próxima... e não obteve resposta nenhuma. Ela explicou tudo novamente, mas ele continuou em silêncio. Finalmente ela disse com irritação: O senhor não entende francês?, Sim eu entendo, disse o policial com dignidade, e completou: Eu estou esperando apenas a senhorita dizer “BOM DIA”.


PROBLEMAS PARALELOS
O problema da desorientação cultural é composto de uma multidão de outros pequenos problemas, os quais separadamente, poderiam na maioria das vezes, serem deixados de lado sem dificuldade. Solidão, insetos, problemas de saúde, estes e muitos outros incômodos diários se tornam gigantes em seu pensamento. Quando as pessoas conversam na língua nacional é “porque eles não querem que ele entenda”; quando eles dão risadas de uma brincadeira feitas a qual ele não entendeu, eles “estão rindo dele provavelmente”. Um dos venenos tóxicos desta situação é, sem dúvida, a autocomiseração. Uma das melhores armas contra o choque cultural é o senso de humor, e a habilidade de rir de você mesmo. E um dos resultados frutíferos deste período de testes é um novo e profundo grau de descoberta de si mesmo.

O PROCESSO DE ADAPTAÇÃO
Adaptação cultural quase sempre passa por fases distintas e reconhecidas.

Atração / Fascínio
O jovem missionário primeiro desfruta um período de alegria com todas as coisas novas e estranhas. Visionário e encantado com as novidades das coisas, ele devora todas as novas experiências, e escreve com grande entusiasmo sobre “a terra maravilhosa e o povo querido”, para onde Deus o chamou. Este estado de “lua de mel” na sua experiência é marcado por fantasia e irrealidade, e provavelmente não durará muito tempo; assim que ele cesse de ser um espectador, e se torne mais envolvido, então ele encontrará dificuldades. Em pouquíssimos casos, esta resposta superficial ao conflito das culturas, pode desenvolvr4-se em uma forma extrema de identificação chamada “Tornar-se nativo”. Isto é uma rejeição da sua própria cultura num esforço exagerado de ser aceito pela nova cultura. Este desejo ardente de aceitação leva o novato, à cegamente imitar as vestes, e os costumes da cultura hospedeira, (andar descalço forrar o chão e dormir em cima, beber vinho da palmeira, etc.); esta falsa e tola reação ao desafio de adaptação confunde imitação exterior com compreensão e apreciação interior. Tal identificação superficial é rápida e claramente vista como ridícula, e pode até parecer profundamente ofensivo como uma aparente zombaria.

Rejeição
Hostilidade e rejeição tendem a emergir tão logo a fascinação inicial acaba. Rejeição é um dos sinais mais comuns do início do choque cultural, e pode tomar muitas formas: rejeição ao povo que viemos para servir, ao nosso colega de trabalho, à missão, à liderança da igreja, e à sua própria cultura. Quando a rejeição é direcionada às pessoas do país hospedeiro (os quais são criticados como “não confiáveis”, “descuidado”, “preguiçoso”, “não civilizado”), normalmente ataca aqueles pontos de cultura, os quais falhamos em entender. Eles nunca dizem “obrigado”, e então “não sabem o significado de gratidão” (ou poderia ser, que a não notada maneira que a oferta foi recebida, digo, com as duas mãos, foi tão eloqüente quanto as palavras poderiam ser?). Uma das regras de ferro, para uma adaptação saudável, é suspender o julgamento das pessoas e reprimir o criticismo, até compreendê-los realmente.


Este é o período do descontentamento e frustração, quando os agravos e murmurações tornam-se o ingrediente guardado para toda conversação; ao lado de tais críticas vão as doces lembranças da sociedade, e país que você deixou pra trás. A rejeição pode finalmente e mais seriamente se voltar contra você mesmo, de maneira que os sentimentos de falha culpa e falta de amor, crescem a tal ponto de se ter um desejo irresistível de abandonar a obra missionária e arrumar um novo emprego.

Auto Conhecimento e Reavaliação
Uma das dificuldades e recompensas da adaptação cultural é o fato de que somos levados a nos conhecer, nossa limitação, nossa ligação aos hábitos, nosso desejo de brilhar e ganha admiração dos outros. O orgulho raramente está ausente do estado de choque cultural. (Porque eu deveria com todos os talentos e estudos que tenho, voltar para à escola e fazer tremenda confusão de tudo isto?) “porque aquela senhorita, que mal acabou de sair do seminário, e que nem mesmo tem um diploma, está fazendo melhor do que eu no estudo da língua?).

Tais auto descobertas, podem ser duras de aceitar, mas são indispensáveis para um serviço cristão eficaz.

Porque devemos nos adaptar? Porque não podemos simplesmente continuar sendo “nós mesmos”?. Nós estamos indos com uma mensagem que queremos que o povo entenda, e a nossa mensagem não será compreensível, senão nos adaptar-mos. Nós não somos apenas uns produtos de nossa experiência, mas avaliamos qualquer outra nova experiência, à luz das experiências passadas. A pessoa para quem nos dirigimos numa outra cultura, não tem outros meios de avaliar o que dizemos, ou fazemos, exceto por aquilo que ele já experimentou no passado. Talvez nós não sejamos capazes de reagir da maneira que ele pensa que deveríamos reagir, (por causa da nossa experiência passada), mas nós devemos pelo menos aprender a tentar entender “o porquê” de ele reagir daquela determinada forma, em certas situações.

A compreensão virá com o tempo, e com a compreensão virá uma apreciação muito mais honesta de você mesmo, de sua própria cultura e daquilo que é bom na cultura hospedeira.

O missionário em amadurecimento descobre o alívio e a cura provindos de rir de si mesmo, e dos outros, e isto diminui a tensão.

Algumas sugestões, dadas aqui podem parecer exageradas para um missionário que relativamente já experimentou um suave período de adaptação. Seja tal pessoa agradecida que a sacudida cultural na sua iniciação dentro duma nova cultura nunca atingiu as proporções de um choque cultural. Reciprocamente, há fatores que o predispõe a um período de aprendizado muito mais doloroso: um senso de insegurança oculto, a necessidade de ser admirado, o medo de ser motivo de risadas, impaciência, o forte desejo de não cometer os erros normais, e de aceitar a necessidade de mudança, tudo isto são fraquezas, que podem aumentar o “STRESS” da vida numa terra estranha, para problemas maiores.

O amor de Cristo em cada um de nós, é mais forte do que as tendências destrutivas de nossas personalidades, portanto é muito importante aprender a amar a nova cultura, com o seu amor por nós. Pouquíssimas recompensas são mais satisfatórias para o missionário, do que ser aceito por um outro povo, e sentir que a cultura deles, (tem pelo menos parcialmente) se tornado sua. Este prêmio compensa totalmente as dificuldades iniciais deste processo de aprender a amar.

Cansaço espiritual, juntado com o choque cultural, pode ser uma combinação assoladora. Mas os ingredientes básicos para a vitória são: Perseverança, no andar bem próximo com o Senhor, uma fé vibrante baseada no estudo da palavra, e discernimento dos propósitos do Senhor.

DICAS PRÁTICAS
1. Tente ver o stress cultural de uma maneira positiva (será que eu posso usar esta situação para aumentar minha sensibilidade para com os outros, e minha percepção dos problemas deles?).

2. Considere isto da mesma maneira que as injeções e vacinas recebidas antes de ir para o campo, isto é, como alguma coisa que pode trazer um desconforto momentâneo, mas que é o caminho para prevernir-se dos grandes desprazeres posteriores.

3. Não negligencie o seu período de descanso, sono e recreação.

4. Tome os remédios preventivos depois ou mesmo antes de sua chegada no campo, nos horários recomendados.

5. Tenha certeza de que o pessoal do campo, está informado com antecipação sobre sua chegada, isto fará com que eles te dêem uma calorosa “boas vindas”, o que te ajudará a ter um bom começo. Ter alguém para nos ajudar com as formalidades de chegada, etc., é um grande alívio no país estranho.

6. Procure chegar no campo bem descansado, e não afadigado, por ter sorrido pra lá, e pra cá, com as coisas deixadas peara a última hora, ou por ter feito as malas no ultimo dia antes da viagem.

7. Quando em dúvida sobre alguma coisa quanto à cultura, comida, higiene ou qualquer outra coisa que o estiver preocupando, procure sempre a orientação dos missionários veteranos.

8. Quanto ao vestuário, esteja de acordo com o que é normal e aceitável na cultura local.

9. Esteja aberto para receber conselhos, e orientações dos missionários veteranos e dos nacionais.

10. Faça com que o aprendizado de língua, seja uma ponte e não um obstáculo.

11. Mostre interesse nas crenças e práticas do povo. Geralmente isto é agradável, mas às vezes as pessoas ficam constrangidas em mostrar alguma coisa por pensar que os ocidentais não compreenderão. Você pode fazer com que muitas conversações se transformem em experiências à serem aprendidas fazendo perguntas, e mostrando gratidão pela informação transmitidas. Nunca escarneça ou menospreze as pessoas quando compartilham suas crenças. Isto com efeito, os faria parar de compartilhar no futuro.

12. Participe o máximo possível dos eventos e atividades em comunidade. O conselho de Hudson Taylor era: “Em todas as coisas não se adapte aos pecados do povo”. Sobretudo evite uma mentalidade isolada.

13. More com uma família nacional por um período curto se possível. Isto talvez seja a melhor situação de aprendizagem que você possa ter.

14. Busque ter uma mente para ENTENDER, MÃOS PARA AJUDAR, E UM CORAÇÃO PARA SENTIR. Armado com essas ferramentas você crescerá na apreciação da cultura, e do povo, como também o seu ministério será frutífero.

CHOQUE CULTURAL COM OS OUTROS MISSIONÁRIOS

Uma forma de choque cultural, mais sutil, é a reação que quase sempre experimentamos depois da chegada no campo, entre os missionários de nossas diferentes bases de envio. Vejamos alguns exemplos:

Se a hospedeira é americana, e o hóspede é inglês o último terá que aprender a comer as refeições principais, somente com o garfo e não se surpreender combinações “anormais” de alimentos.

Um americano não deve ficar preocupado se o escocês apenas colocar os pratos, talheres, etc., no escorredor para escorrer a água, após lavá-los com água e detergente, “não enxaguando-os”, para se tirar o sabão, como o americano, faz em casa.

Um australiano deve estar pronto para ser alvo de zombaria por causa de sua maneira peculiar de falar, principalmente por alongar e nasalizar as vogais.

A versão americana para “vida sacrifical”, pode ser vista como “luxo”, pelos de outras nacionalidades. Os suíços acham difícil entender grande quantidade de coisas que são jogadas fora pelos americanos. (e o desperdício de alimentos no Brasil).

Os brasileiros devem reprimir o julgamento de espiritualidade de alguém pelo tamanho do cabelo e ou das roupas.

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