"“Muitos crentes consagrados jamais atingiram os campos missionários com seus próprios pés mas poderão alcança-los com seus joelhos” (Adoniran Judson)”"

domingo, 26 de setembro de 2010

A GRANDE COMISSÃO NA PERSPECTIVA BÍBLICA

Sabemos que uma boa dose de encorajamento é necessária para que um soldado leve a cabo o propósito de seu pelotão. Em tempos de batalha e com soldados sob tensão, oficiais encorajam seus subordinados, lembrando-lhes o significado da vitória, sentimentos patrióticos, valores pessoais e recompensas para conquistas individuais. Assim também os missionários, soldados de Cristo precisam de motivação e encorajamento para seguir avante mesmo em meio às mais duras adversidades. É na Bíblia que encontramos as nossas “doses” de ânimo. Um dos “trampolins” que nos impulsionam ao campo, é Mateus 23.14, onde lemos:

“E ser pregado esse Evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então virá o fim”.

Embora existam duas correntes teológicas que chocam-se na interpretação desse texto, um dizendo que a pregação do Evangelho do reino não será feita pelos homens mas sim pelos anjos de Ap. 14.6; e a outra afirmando que este Evangelho de Mat. 24.14 é o mesmo que pregamos, não é difícil ver que a missão da igreja está diretamente precisamos obedecer as ordens claras de Jesus para fazermos discípulos de todas as nações. Quanto ao adjetivo “do reino”, não é motivo para ninguém desculpar-se e esquivar-se da tarefa missionária.

Em Mateus 4.23, lemos: “Percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades entre o povo”. É claro que as boas novas da salvação também são as boas novas do Reino, ou do rei Jesus, que chegou estabelecendo um novo reino de luz que prevalece sobre o reino das trevas. Se o Evangelho da salvação não é o Evangelho do Reino, então o “Evangelho eterno” de Ap. 14.6, também não é o Evangelho do reino. É uma questão de adjetivos. Os anjos não estão encarregados de pregar o Evangelho que hoje pregamos, mas sim “as boas novas da eternidade”. Por isso, o adjetivo, “eterno” de Ap. 14.6, Enquanto dizemos a um povo não-alcançado. “É chegado a vós as boas novas da salvação e do Reino de Jesus”, os anjos dirão naquele dia para todos os povos, “é chegado a vós as boas novas da eternidade”.
Nós desejamos o céu, amamos a volta do Senhor e ansiamos pela paz eterna. Porém, quando a questão é investir em missões, tudo parece ilusão, muito espiritual, tão espiritual que chega à utopia e descrença. De acordo com Mateus 24.14, tudo que anelamos pode acontecer muito breve se tão somente obedecermos à Grande Comissão, levando o conhecimento do Senhor Jesus até a última nação (etne) do globo.

Enquanto Apocalipse 7.9 nos diz que cada povo, tribo, língua e nação devem ser alcançados, Mateus 24.14 ensina-nos que Jesus voltará após a conquista do último povo do mundo. Uma curta análise do texto e contexto do verso acima ajuda-nos a apoiar esse conceito.

Primeiramente, é bom lembrarmos que as palavras de Jesus, como a Lei, toma duas direções e alvos diferentes. Um é o “aqui e agora” e o outro é o “lá e mais tarde”. Primeiro, para este tempo e para este povo, Israel Segundo, para o futuro e para a igreja. Enquanto Jesus mencionava os fatos que precederiam sua volta, dois mil anos ou mais estavam implícitos. Haveria falsos cristos e guerras, mas o fim ainda estava porvir, Mat. 24.6. Nações contra nações, fomes e terremotos em vários lugares era apenas o começo do sofrimento. Perseguições, mortes, traição, ódio, falsos profetas, aumento da maldade e esfriamento do amor foram um negro retrato da era satânica. Somente os que permanecerem firmes até o fim serão salvos. O versículo 14 começa com a monossílaba “e”, que liga todo o seu conteúdo à tudo que Jesus disse antes. Portanto, a pregação do Evangelho a TODAS as nações também é um sinal do fim. É o último sinal que precede a vinda do Senhor.

O “aqui e agora” aconteceu na vida do povo de Israel, com a invasão de Jerusalém pelo general romano Tiro no ano 70 A.D. A desolação e grande tribulação descritas a partir do verso 15 mudou a história de Israel. O “lá e mais tarde” ainda vai se cumprir com o “Israel Espiritual” de Deus, a Igreja. Quando a última nação for evangelizada, Jesus arrebatará a Igreja. Só um grande desaparecimento de pessoas causará a desolação descrita a partir do verso 15 e mudará a história do mundo de maneira significante, pois até mesmo guerras sanguinolentas como o da Bósnia, hoje é vistas com certa normalidade e com muito “sangue frio”.

Sem nenhuma interpretação arbitrária ou forçada, o que Jesus estava fazendo era simplesmente responder com profecias as seguintes perguntas dos discípulos:

- Quando sucederão estas coisas? (verso 24.3);
- Que sinal haverá da tua vinda e da consumação do século? (verso 24.3)

E no Evangelho de Marcos capítulo 13

- Quando sucederão estas coisas? (verso 4);
- Que sinal haverá quando todas elas estiverem para cumprir-se? (verso 4).

Após responder, dando os sinais, Jesus disse: “E então virá o fim”. Esta afirmação leva-nos a uma perspectiva escatológica, fazendo-nos as seguintes perguntas. Fim do que? Resposta. Fim do século. Século aqui, não significa 100 anos. Significa geração ou era. Consideremos os seguintes fatos.

- Os sinais revelados por Jesus ainda estão acontecendo em nossos dias, como, guerras, fomes, terremotos, etc.

- Até agora, estamos convictos de que o Evangelho ainda não foi pregado a todos os povos.

- Até o presente momento, nada aconteceu que provocasse uma mudança tão drástica no mundo que caracterizasse o fim do século. Satanás é o deus desse século e o “fim do século”, portanto, significa o fim do seu reinado. Embora tenhamos diferentes eras na História, elas sofreram mudanças gradativas e não abruptas. Mesmo as guerras mundiais não envolveram todas as nações, embora tenha afetado a todas. A “era” mencionada por Jesus, porém, sofrerá uma mudança total e abrupta podendo ser considerada terminada. A “nova era” tão noticiada nos nossos dias pelos adeptos da Nova Era, chegará certamente logo, mas não trazendo paz. A Nova Era, doutrina que não caminha por Jesus, o Príncipe da Paz, só trará uma coisa sobre a humanidade, a grande tribulação de Mateus 24.21, cujo fato é mencionado como “desde o principio do mundo até agora não tem havido”.
O dicionário Marrian-Webster define era como "um período de tempo dominado por uma figura ou aspecto proeminente”. Quem é a figura central que domina este século? João disse que “o mundo jaz no maligno”, 1 João 5.19. Jesus falou sobre o fim da “era espiritual”, quando através de sua vinda com poder, causará um choque repentino e cruel nos domínios de Satanás. Isso sim marcará o fim desse século e o início de luma “nova era” de tribulação.

- É muito importante considerar a palavra “primeiro” em Marcos 13.10. Ao dar aos discípulos todos os sinais que precedem o fim. Jesus disse: “Mas é necessário que primeiro o Evangelho seja pregado a todas as nações”.

O Reino de Deus veio para se opor ao reino das trevas. Tal oposição só pode ser efetiva através do poder do Evangelho, 1 João 3.8. Este fato não fará com que todos aqueles terríveis sinais acabem. O plano de Deus é estabelecer uma oposição ao reino das trevas em cada grupo étnico. Deus quer destruir a maldição da Torre de Babel, pela redenção de cada cultura originada na confusão das línguas. Ao cumprir esse objetivo, Jesus trará o “fim”. Ele causará o desaparecimento em massa e todos os povos do mundo chorarão a desolação, enquanto o abominável se sentará no lugar santo em Israel. Somente missões podem trazer a igreja à este ponto da história profética.
(Texto de autoria do: Missionário Claudio Ananias. Publicado no Livro "Missões Até a Ultima Fronteira-Ed. Kairos).

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