"“Muitos crentes consagrados jamais atingiram os campos missionários com seus próprios pés mas poderão alcança-los com seus joelhos” (Adoniran Judson)”"

sábado, 13 de novembro de 2010

A VIAGEM DE UMA BÍBLIA NA CHINA

CHINA (13º) - Na China, onde o Partido Comunista proíbe aos seus membros de participar de grupos religiosos, uma editora em Nanjing imprimiu no ano passado 6,7 milhões de bíblias. Desse número, mais de 3 milhões de volumes foram destribuídos na própria China; as outras bíblias foram exportadas para outros países. As máquinas da empresa Nanjing Amity Printing podem produzir 42 volumes por minuto. Nas últimas semanas foram imprimidas 50 mil cópias do Novo Testamento, para serem distribuídas durante os jogos olímpicos.

Apesar dessa intensa produção de volumes da Bíblia, na China os líderes políticos reprimem as expressões de fé. De fato, a venda da bíblia é proíbida fora das igrejas e seminários registrados e autorizados pelo regime. Por isso é difícil fazer chegar a Palavra de Deus aos cerca de 700 milhões de pessoas que vivem nas zonas rurais. Depois da revolução de Mao Zedong ter uma Bíblia comportava grande risco de ser perseguido. Após a morte de Mao, houve uma aparente reforma e a partir de 1979 o governo começou a permitir que a Bíblia fosse impressa, embora continue a restrição à liberdade de culto.


A VIAGEM DE UMA BIBLIA NA CHINA
A história a seguir é uma reconstrução imaginária da vida de uma Bíblia - aos olhos dela mesma - montada a partir da informação encontrada na folha em branco de uma Bíblia verdadeira na China

Minha primeira viagem foi no fundo de uma mala velha. Quando cheguei ao norte da China, fui levada para uma pequena casa onde havia uma reunião de dezesseis líderes da igreja doméstica. Eles ficaram radiantes ao me ver. Parecia que eu era a única Bíblia que eles tinham lá. Os cristãos organizaram-se para me ler em turnos de duas horas, mesmo que para isso tivessem que atravessar as madrugadas.

Um ano de uso constante começou a cobrar o seu preço, e eu tive de ser reformada duas vezes. A cada dois meses umas mulheres vinham e passavam horas comigo, copiando minhas páginas. Uma delas copiou Isaías, mas a maioria delas copiou Atos, Romanos e Apocalipse.

Repentinamente, a igreja doméstica sofreu uma batida policial. Eu fui arrancada e levada pela policia. Dois cristãos foram presos por terem a minha posse.

De repente, me vi num escuro guarda-louça na casa de um policial, mas eu não estava só. Ele tinha uma filha de 15 anos que costumava rastejar escada abaixo, no meio da noite, só para ler-me à luz de velas. Ela me lia rapidamente, mal atrevendo-se a respirar enquanto virava as páginas.

Depois de uns meses, ela contrabandeou-me em sua mochila escolar e entregou-me para um evangelista itinerante, que cuidou de mim como se eu fosse um bebê. Ele embrulhou-me numa sacola plástica, colocou-me em sua bagagem, e foi de bicicleta de aldeia em aldeia. Durante os cultos, ele me folheava para umas de suas passagens favoritas, lia-me e, então, pregava. Ele chorava enquanto pregava, suas lágrimas caíam em grandes gotas nas minhas páginas abertas, manchando a impressão.

Infelizmente, alguém o assaltou e me roubou e eu me vi numa casa cheia de incenso. Parece que o meu novo dono era um monge taoísta e, por um pouco de tempo eu fiquei sobre um altar construído em honra aos seus ancestrais, ao lado de duas laranjas e um pacote de nozes. Mas um visitante me viu e avisou o homem que ele teria muitos problemas se outras pessoas me vissem. Isso intrigou o monge, por isso ele começou a me folhear. Mas ele não conseguia ler muito bem, por isso convidou um cristão local para vir e explicar algumas passagens. Um mês mais tarde, eu vi os dois de joelhos. A próxima coisa que eu soube foi que o altar tinha ido embora. Logo começaram a reunir grupos na casa.

Uma vez, eles me levaram para os campos e, quando paravam de plantar arroz, todos se reuniam ao redor e liam-me. Mas o líder da unidade de trabalho ficou zangado, agarrou-me e começou a me pisar, pressionando-me para dentro da lama. Para minha surpresa, os outros se levantaram e o atiraram na lama. Tentaram limpar-me, mas era tarde demais. Eles decidiram desfazer-se das partes sujas, dividiram os livros restantes, e costuraram cada um deles. Assim eu virei 31 livros. Mas, foi aí que eu perdi a minha folha em branco, e então minha história precisa terminar.

Missão Portas Abertas

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