"“Muitos crentes consagrados jamais atingiram os campos missionários com seus próprios pés mas poderão alcança-los com seus joelhos” (Adoniran Judson)”"

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

INTERCESSÃO MISSIONÁRIA


A INTERCESSÃO MISSIONÁRIA COMO FATOR DE ENVOLVIMENTO SIGNIFICATIVO COM MISSÕES

A intercessão é um poderoso fator de envolvimento do crente com a obra missionária. Há pessoas que assumem um sério compromisso com Missões, mas não são chamadas por Deus para irem aos campos.

Certamente, o Senhor tem um propósito para suas vidas. Estas pessoas podem-se envolver no compromisso de intercessão em favor de Missões. Esse envolvimento abençoará a obra, os missionários, a igreja e os próprios intercessores; lhes trará uma grande alegria interior e as fará perceber que são participantes efetivos do avanço do reino de Deus no mundo.

Para que este envolvimento do intercessor com a obra pela qual intercede se significativo, é importante que se fortaleça o vinculo de relacionamento e comunicação entre o missionário e a igreja. Os intercessores precisam ter permanentemente informações atualizadas dos campos. A intercessão precisa ser alguma coisa ágil, quase instantânea.

Um querido missionário, há muitos anos labutando entre tribos indígenas, defende a interessante idéia de se formar uma grande rede de grupos de intercessores nas igrejas. As agências missionárias enviariam sistematicamente boletins de oração por correspondência para esta rede de intercessores. E, em poucos dias, os motivos de intercessão estariam sendo bombardeados por milhares de mísseis de oração.

Outra prática que já se vai espalhando é criar-se uma sala de oração na igreja ou no lar. Um ambiente tranqüilo, agradável e aconchegante, reservado apenas para a oração. Entre a mobília simples, mas adequada, um mural com mapas do mundo, informações sobre os campos e fotografias dos missionários e de seu trabalho.

Além do suporte espiritual que confere à obra realizada nos campos, a intercessão missionária tem a virtude de comprometer o intercessor com a obra de Missões. É impossível limitar-se a orar por Missões. O aprofundamento no ministério de intercessão impele irresistivelmente o intercessor à ação concreta, a contribuir financeiramente para o sustento dos missionários e, não raro, o impele a ir para o campo missionário também.


A INTERCESSÃO MISSIONÁRIA COMO EXPRESSÃO DE INCONFORMAÇÃO COM A PERDIÇÃO E DESGRAÇA DA HUMANIDADE

O pecado tem importo à humanidade uma vida de limitações, infelicidade e desgraça. Como Neemias, em sua visita às ruínas da cidade de Jerusalém, podemos afirmar: “Bem vedes vós o triste estado em que estamos” (Ne 2.17).

Ao passearmos pelo mundo, constatamos o lamentável estado em que se encontra a humanidade. Vemos vidas destruídas, lares destroçados, almas e nações inteiras caminhando para a perdição eterna.

Como cristãos, não temos o direito de nos acomodarmos a esta realidade. Não podemos simplesmente cruzar os braços. Nós nos negamos a aceitar esta situação de derrota e opróbrio.

A mais imediata expressão de nossas indignação e inconformismo é a oração. Por meio dela nos solidarizamos com o propósito de Deus no sentido de mudar as coisas.

A Palavra de Deus é enfática: “Para isto o Filho de Deus se manifestou; para destruir as obras do Diabo” (1Jo 3.8).

A oração é uma rebelião contra o status quo . “O cristão deve recusar resignar-se com o mundo decaído”. “Qual é, então, a natureza da oração de petição? Na sua essência, é rebeldia - rebeldia contra o mundo em seu estado caído, a recusa absoluta e definitiva em aceitar como sendo normal aquilo que é ameaçadoramente anormal”.

Deste modo, a oração é o recurso pelo qual nos negamos a aceitar o fatalismo reinante neste mundo, que é fruto da ação desencorajadora do pessimismo insuflado pelo inimigo.
O pressuposto da pregação evangélica e da obra missionária em si é que as coisas precisam e podem mudar. Por mais adversas que sejam as condições, por mais hostis que sejam as pessoas ou não receptivas as culturas às quais ministram os missionários, cremos que o evangelho “é o poder de Deus” que tem condições de transformá-las.

Este é o sentido da intercessão missionária; reafirmar nossa inconformação com a desgraça dos povos e intensificar os combates contra as hostes que os escravizam, no propósito de derrotá-las, em nome do Senhor Jesus Cristo.

Um dia destes, vamos contagiar o mundo inteiro com a nossa pregação, o nosso testemunho a nossa fé, o nosso estilo de vida em Cristo. Um dia destes, vamos pintar o mapa do mundo inteiro com as cores do evangelho de Jesus Cristo.

E as nossas orações terão feito parte da história de missões.



quarta-feira, 29 de setembro de 2010

O PULSAR DE CORAÇÃO NO CONQUISTAR DE ALMAS



A FILOSOFIA DE “MENSAGEIRO” – Nós temos feito de Deus um mensageiro, um entregador de recados. Esquecemos que Ele é o Gerente Geral! Nós nos ocupamos em dizer a Deus para fazer todas as coisas desejáveis que nós mesmos devíamos fazer – visitar o pobre e necessitado, ir e confortar os fracos, abençoar e ajudar os pobres, encorajar os encarcerados, apoiar os fracos e falar com os pecadores. Queremos que o Senhor faça todas essas coisas enquanto nós oramos.

Que religião conveniente que desenvolvemos! Permitam que eu lhes faça a seguinte pergunta:

Você podem me apontar uma única coisa que Jesus Cristo pode fazer em sua cidade ou comunidade sem um corpo através do qual Ele possa operar?

Quando Deus visitou o homem para mostrar-se a Si mesmo, Ele veio num corpo – em carne humana. Jesus Cristo era Deus encarnado.

Eles o mataram. Então Ele voltou na forma do Espírito Santo, para fazer a Sua morada em nossos corpos, como o Seu Templo. (1 Co 6.19).

Agora você e eu somos o Seu Corpo. Você é a igreja. A Igreja é o Corpo de Cristo. Você é o Corpo de Cristo em sua comunidade.

Cristo ministra através do Seu Corpo hoje da mesma forma em que (Cristo) ministrou através de um corpo humano há mais de 1900 anos passados. Hoje o Seu Corpo é a Igreja – e a igreja sou EU – o meu corpo, e VOCÊ o Seu corpo.

Nós somos o Seu templo. Eu sou a Igreja. Eu sou o Corpo de Cristo. Você é a Igreja. Você é o Corpo de Cristo. “Porque somos membros do Seu Corpo, da Sua carne, dos Seus ossos” (Ef 5.30).

Cristo nada pode fazer, exceto através da igreja o Seu Corpo. Isso sou EU! Não a minha congregação ou a minha denominação. A Igreja, o Corpo de Cristo sou EU! É você se você for um cristão verdadeiro.

Quando você estiver perante Deus, você precisa dar conta das obras que você fez (ou deixou de fazer) pessoalmente; você não será julgado na luz do que a sua igreja fez como lum corpo espiritual. Deus não chamará a sua assembléia como uma unidade para julgamento; Ele não julgará o que a sua congregação fez (ou deixou de fazer) como parte do Corpo “incorporado” de Cristo. Você não poderá dizer, “Senhor, o meu pastor falará por mim; eu sou membro fiel da minha igreja e nós trabalhamos como uma unidade, portanto, eu não posso responder como um indivíduo”.

Tanto quanto se refere a você pessoalmente perante Deus, você é a Igreja; Você é o Corpo de Cristo.

Nós falamos a respeito da Igreja, ou do Corpo de Cristo como sendo a mística união de crentes, a comunidade dos chamados, e isto é tudo verdade. Mas como toda verdade, ela tem que se tornar pessoal, caso contrário será perdida. Temos considerado o Corpo de Cristo no seu sentido geral, coletivo, mas não em sua aplicação pessoal. Cristo deve viver em nós pessoalmente.

“O grande mistério que esteve oculto desde todos os séculos, e em todas as gerações, e que agora foi manifestado aos seus santos” é “Cristo em vós!” (Cl 1. 26, 27).

Cristo deve ter um corpo através do qual Ele possa ministrar hoje. E esse corpo sou Eu é Você. Nós somos a igreja – o Seu Corpo – o Seu Templo.

Isso não quer dizer que nós ignoramos o Corpo de Cristo em seu sentido “incorporado” – constituído de todos os crentes; mas quer dizer que você e eu despertamos ao fato de que Jesus Cristo é nascido em nós e que nós somos agora o Seu Corpo.

Soa mais correto dizer, “somos membros do Seu Corpo” – e somos mesmos. (1Co 12.27). Mas este conceito popular de “membro” foi um tanto torcido em sua aplicação de forma que os Cristãos ficam folgados na igreja, deixando o ministério para a “comunidade de crentes”.

Os membros da igreja gostam de saber que a sua igreja está operando. Eles estão dispostos a pagar por isso contanto que algum outro membro faça o trabalho.

Mas o Cristianismo é uma coisa pessoal. Se Cristo veio morar em você, você é o Seu Corpo – isto é, tanto quanto se refere a você.

Ele mora em você porque Ele deseja ministrar através de você. Ele precisa ter o seu corpo para alcançar a sua comunidade. A essência da sua experiência cristã, é Cristo em você.

Quando Ele estava em Nazaré, “não podia fazer ali obras maravilhosas... devido à incredulidade deles” (Mc 6. 5, 6). Sem a fé humana por parte do povo, o Seu ministério lera então limitado, e sem instrumentos humanos através dos quais Ele possa viver e falar, Ele está hoje limitado.

DEUS PODIA TER ENVIADO ANJOS

Quantas vezes ouvimos falar: “deus podia ter enviado anjos para pregar este evangelho, mas não o fez; ele ordenou que seres humanos devessem pregá-lo. Se os homens não pregam, então ele não será pregado – e almas serão perdidas”. E isto é verdade. A pregação do evangelho está limitada a boa vontade que tenham os seres humanos, de se levantarem e abrirem as suas bocas, para que ele fale através dos mesmos.

Mas este mesmo fato se aplica a todas as fases do viver e do testemunhar cristão.

Cristo não pode ir visitar o prisioneiro a menos que ele vá em seu corpo. Ele irá em você. Você é a igreja. Quando você visitar o prisioneiro, cristo o visitará. Caso contrário, ele não poderá.

Como já disse, nós fizemos de deus um mensageiro através da nossa tradição de oração.

Não me entendam mal. A oração é vital para cada cristão. Cristo nos ensinou a orar. Mas ele nos disse para o que orar, cristo orou. Mas ele fez mais do que orar; ele “andou fazendo o bem”, testemunhando, confortando, visitando, falando, mostrando compaixão, demonstrando deus em ação. Ele não orou apenas. (...)

Mas, como fazemos parecer sagradas as nossas orações tradicionais; como nos sentimos humildes e como nos sentimos dedicados quando estamos em oração – enviando a deus todas as nossas pequenas ordens para o dia ou para a semana!

Instruímos a ele a fazer tantas coisas que nós devíamos fazer. Por que não pedimos a ele para pregar também? Se ele é tão conveniente para tantas das nossas tarefas, certamente, ele não se oporia em pregar também de vez em quando.



CONOSCO – MAS AGORA EM NÓS

Não é estranho; falamos de como o espírito estava com os homens antes de pentecoste. Agora nos regozijamos em que ele está em nós.

E é exatamente aqui que ele está. Em nós. Não flutuando pelo mundo a fora, pairando sobre seres humanos aqui e acolá de acordo com a nossa direção, resolvendo os seus problemas, visitando-os, encorajando-os, enquanto nós vivemos as nossas pequenas e egoístas vidas em isolamento.

Através da redenção do calvário, e da nova criação no pentecoste jesus cristo voltou através do espírito santo para “morar, se mover e ter o seu ser” em nós. Agora cristo é nascido em nós!

Agora, “é deus o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade” (fl. 2.13).

Foi isto o que deus fez em cristo. Ele agora faz o mesmo em nós porque agora, nós somos o seu corpo.

Agora ele fala através dos nossos lábios. Ele visita os necessitados e levanta os caídos através de nós. Ele encoraja os desencorajados e alcança os caídos através de nós. Ele cura os corações quebrados e ata os ferimentos dos sofredores através de nós. Você e eu somos o seu corpo. Nós somos a igreja.

Agora você compreende porque o evangelista disse ao grupo de oração de senhoras: “aquela mulher irá para o inferno, enquanto vocês oram”.

Se não fizermos algo mais do que orar, se nunca visitarmos os perdidos e testemunharmos aos pecadores, eles jamais ouvirão o convite de cristo para serem salvos. Devemos orar, sim, mas em seguida devemos nos levantar e ir em busca das almas.




O evangelho na sua comunidade

O ministério de cristo na sua comunidade está limitado a você! Ele anseia para falar às almas sobre a salvação, a fim de persuadi-las dos seus pecados e convence-las sobre o evangelho – esta é a obra do espírito santo – mas ele está em você; ele trabalha através dos seus lábios, do seu corpo. Se você não for e testemunhar ou transmitir a mensagem, a sua comunidade será perdida. Cristo ordenou viver em você e ele não pode visitar os perdidos independentemente de você, como ele não pode ficar de pé numa praça pública e pregar o evangelho sem um pregador através do qual ele possa falar.

Nós gostamos de viver egoisticamente; temos prazer em ficar sozinhos orando e enviando uma torrente de pequenas ordens e bonitos recados os quais o maravilhoso espírito santo poderá executar para nós. Isso nos poupa muito trabalho. Além disso estamos tão ocupados – com as novelas da tv, com os nossos clubes, nossas atividades recreativas, e com os nossos próprios afazeres.

Deus não tem outro canal

Vamos lembrar que o espírito santo se “movimenta” através de nós. Somos o seu templo. Se estivermos ocupados demais para testemunhar ele não tem outro canal através do qual possa ministrar. Ele habita em nossos corpos. Pecadores em sua comunidade jamais serão visitados pelo senhor (nosso), se você não for falar em seu nome.

Aqueles que estão doentes ou na prisão, jamais serão visitados pelo espírito santo se você não for a eles em seu nome.

Os homens jamais verão a deus – exceto na medida que eles o vêem em você!

O amor de cristo só poderá ser manifesto através de vidas. A sua compaixão e preocupação pelas almas perdidas só poderão ser exibidas através de você.

Jesus cristo visita a sua comunidade cada vez que você a visita. Você está retendo-o à sua casa? Você é egoísta? Você já permitiu que ele os ensinasse o caminho da salvação? Você jamais permitiu que ele oferecesse a sua vida aos seus vizinhos? Você os acusa de viver em erro enquanto que você jamais deixou que jesus cristo lhes contasse a verdade? (...)

A testemunha a meia noite

Depois de ouvir uma mensagem como esta, um certo cristão não podia dormir. Ele sentia-se impelido a ver um certo homem a respeito da sua alma.

Finalmente depois da meia noite, ele levantou, vestiu-se e foi à casa do homem. Assim que ele bateu o homem veio à porta imediatamente.

O cristão se desculpou: “parece tolice eu estar batendo a sua porta à estas horas...”

“de forma alguma” veio a rápida resposta. “eu não tenho descanso e sinto que devo me colocar em ordem com deus e necessito de conselho. Você é o homem com quem eu desejo falar pois tenho confiança em sua vida”.

O homem se converteu naquela noite.

Você crescerá mais profundamente em cristo testemunhado. Ele se tornará mais real para você como nunca antes, a medida que ele ministrar através do seu corpo – sua igreja – seu templo.

Esta verdade, portanto, é o próprio pulsar do coração da vida e do trabalho cristão de conquistar almas.

(Extraído do Livro "Conquistando Almas Lá Fora onde os pecadores estão" de T.L.OSBORN. Editora Graça Editorial 1988).

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O PODER DE DEUS PARA ALCANÇAR O MUNDO


Jesus chamou os seus seguidores para alcançarem o mundo para ele, mas avisou: “Que não deveriam ir até terem recebido poder”.

No registro de Lucas 24. 46-49 da “Grande Comissão” de Jesus, depois de ter dito que o arrependimento para o perdão dos pecados deveria ser proclamado no Seu Nome a todas as nações, Jesus disse aos Seus seguidores para esperarem até que fossem revestidos com poder vindo de Deus. “E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai, ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder”.

Depois em Atos 1.8, Jesus disse que a ordem para a evangelização deveria ser:

1. Primeiro o poder.

2. Depois o testemunho em todo o mundo. “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra”.

Os seguidores de Jesus, cento e vinte homens e mulheres, esperaram juntos durante dez dias, em oração (Atos 1.14), e todos foram cheios com o Espírito Santo (Atos 2.4).

O QUE FEZ O ESPÍRITO SANTO AOS PRIMEIROS QUE FORAM ENVIADOS A CONTAR AO MUNDO SOBRE JESUS?

Deu-lhes poder para ministrar, pois Jesus sabia que eles não podiam testificar na sua própria força e poder. Em Atos 11.22-24 lemos que, quando Deus usou Barnabé para trazer ao Senhor um número considerável de pessoas, ele estava cheio do Espírito Santo.

Paulo disse que era o poder de Deus que operava poderosamente nele. “E para isto também trabalho, combatendo segundo a sua eficácia, que obra em mim poderosamente”. (Col. 1.29).

Paulo deu crédito à convicção que não era pelas suas palavras, mas pelo poder do Espírito Santo. “Porque o nosso evangelho não foi somente a vós em palavras, mas, também, em poder, e no Espírito Santo, e em muita certeza”. (1 Tes: 1.5).

Quando Paulo confrontou o poder sobrenatural do mal e o mago foi ferido de cegueira (Atos 13.8-11), o poder de Paulo era porque ele estava cheio do Espírito Santo.

O Espirito Santo deu aos seguidores do Jesus ousadia para pregar Jesus – mesmo quando pregavam àqueles que tinham crucificado Jesus (Atos 2.14-23). A sua coragem para sofrer e mesmo morrer por Jesus, era por causa do Espírito Santo.

POR QUE É QUE OS CRENTES PRECISAM HOJE DO MESMO PODER DO ESPÍRITO SANTO NA LUTA PARA COMPLETAR A TAREFA DE ALCANÇAR O MUNDO INTEIRO PARA JESUS?

É verdade que cada indivíduo que recebe Jesus como Salvador recebe o Espírito Santo nesse momento – como Pedro disse à multidão quando pregava no dia de Pentecostes. “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em Nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados, e recebereis o dom do Espirito Santo”. (Atos 2.38).

No entanto, há muito da obra do Espirito Santo que o crente precisa no seu trabalho de levar Jesus a todo o mundo. Embora Deus seja onipotente e capaz de todas as coisas, Efésios 3.20 diz-nos que Ele é capaz de fazer essas grandes coisas apenas através do poder que OPERA em nós. “Ora Àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente, além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera...”.

Assim, ao tentarmos evangelizar na nossa própria força, em vez de deixarmos Deus operar com o poder do Espírito Santo, estamos a limitar aquilo que Deus pode fazer através de nós. Paulo orou em Efésios: 1. 18,19 pelos crentes que já tinham o Espírito Santo habitando neles. “Para que saibais... qual a SOBREEXCELENTE GRANDEZA do Seu poder sobre nós”.

Porque é que os esforços humanos não chegam para a evangelização? Não é errado fazer planos e programas, mas só o poder de Deus através do Espirito Santo pode convencer, atrair e ganhar as pessoas para Jesus. “A minha palavra e a minha pregação não constituíram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder”. (1 Corintios 2.4).

Em contraste com a nossa fraca capacidade humana, o mesmo poder que “manifestou em Cristo ressuscitando-O dos mortos, e pondo-O à Sua direita nos céus” (Efésios 1. 19-23). Muita da nossa falta de coragem e ousadia é porque não aproveitamos aquilo que o Espirito Santo nos quer dar, quando pedimos a Deus em oração e esperamos que Ele no-lo conceda.

COMO PODEM OS CRENTES IMPEDIR A OPERAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO AO TENTAREM ALCANÇAR O MUNDO PARA JESUS?

EXTINGUINDO o Espírito Santo (literalmente, apagando o Seu fogo). “Não extingais o Espírito” (1 Tes. 5.19). Os crentes extinguem o Espírito de Deus quando substituem o Seu divino poder em operação através deles, por programas e planos humanos. “Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela...” (2 Timóteo 3.5).

- Extinguimos o Espírito ao tentarmos persuadir por meio das nossas palavras de sabedoria e métodos, em vez de descansarmos no Espírito Santo de Deus para demonstrar o Seu poder através da Sua Palavra e da oração. (1Cor. 2. 4,5).

- Extinguimos o Espírito ao ignorar o impulso do Espírito Santo quando Ele nos envia a alcançar um perdido que Ele sabe estar pronto para receber Jesus.

- Por ser impacientes na tentativa de alcançar as pessoas à nossa maneira, no nosso tempo, quando o Espirito de Deus ainda não acabou de amolecer os seus corações e de atraí-los, isto também extingue a eficácia do Espírito Santo.

- Quando não nos dispomos completamente para o Seu poder, limitamos Deus, não podendo Ele assim fazer coisas, assim, grandes e poderosas no alcance do nosso mundo para Jesus.

Por ENTRISTECER o Espírito Santo. “E não entristeçais o Espírito Santo de Deus”. (Ef. 4.30)

1. O crentes entristecem o Espirito Santo de Deus com pecado nas suas vidas, impedindo o Seu poder de fluir livremente através deles

2. Os pecados não confessados que os crentes cometem, podem entristecer o Espírito Santo.

3. “Não entristeçais o Espírito Santo”, está exatamente no meio da lista de coisas que os crentes devem e não devem fazer para guardar-se do pecado, em Efésios 4. 25-32).

COMO PODEMOS ESTAR CERTOS DO PODER DO ESPÍRITO SANTO NO NOSSO TESTEMUNHO E NO TRAZER JESUS AO MUNDO.

1. Confessando e arrependendo-nos de qualquer pecado que entristeça o Espírito Santo.

2. Certificando-nos que não estamos a extingui-lO fazendo as coisas à nossa maneira.

3. Crendo que Efésios 5.18b é o desejo de Deus para que nós os crentes, para quem isto foi escrito e que recebemos o Espírito Santo na salvação, continuemos a ser cheios com o Espírito Santo. (O tempo no grego é contínuo, um processo que continua).

4. Crer e confiar na promessa de Jesus em Lucas 11. 13; “Pois se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai Celestial o Espírito Santo àqueles que Lho pedirem?”.

5. Disponibilizando-nos a gastar tempo a sós com Deus em oração, antes de testificar, esvaziando-nos dos nossos próprios desejos e pedindo o Seu poder e sabedoria - para podermos ser cheios do Espírito Santo de Deus, em vez do nosso próprio eu.



domingo, 26 de setembro de 2010

PENSE BEM! ANTES DE DIZER QUE NÃO PODE

VOCÊ DIZ QUE NÃO DÁ PORQUÊ NÃO TÊM! A PALAVRA DE DEUS DIZ QUE VOCÊ NÃO TÊM PORQUÊ NÃO DÁ. LEIA LUCAS 6.38

COMO OS CRISTÃOS GASTAM O DINHEIRO QUE PODERIA SER DESTINADO À MISSÕES?
É INACREDITÁVEL QUE ALGUNS SINTAM GRANDE PRAZER EM COMPRAR UM JORNAL E JOGAR NO LIXO DEPOIS DE LER, E NÃO SENTIR O MESMO PRAZER EM LER A BÍBLIA!
É VERDADE QUE PESSOAS QUE DIZEM AMAR A VOLTA DE JESUS, GASTEM MAIS COMPRANDO PRODUTOS IMPORTADOS PARA CÃES E GATOS E NÃO INVESTINDO A MESMA QUANTIA EM MISSÕES!
NO BRASIL GASTA-SE MAIS COM PRODUTOS DE BELEZA E MAQUIAGEM DO QUE COM A OBRA MISSIIONÁRIA!





LIVRA OS QUE ESTÃO DESTINADOS À MORTE, E SALVA OS QUE CAMBALEIAM PARA A MATANÇA.

SE DISSERES. NÃO O SOUBEMOS, NÃO PERCEBERÁ AQUELE QUE PONDERA OS CORAÇÕES?

NÃO SABERÁ AQUELE QUE ATENTA PARA A TUA ALMA? NÃO PAGARÁ ELE AO HOMEM CONFORME A SUA OBRA?








A GRANDE COMISSÃO NA PERSPECTIVA BÍBLICA

Sabemos que uma boa dose de encorajamento é necessária para que um soldado leve a cabo o propósito de seu pelotão. Em tempos de batalha e com soldados sob tensão, oficiais encorajam seus subordinados, lembrando-lhes o significado da vitória, sentimentos patrióticos, valores pessoais e recompensas para conquistas individuais. Assim também os missionários, soldados de Cristo precisam de motivação e encorajamento para seguir avante mesmo em meio às mais duras adversidades. É na Bíblia que encontramos as nossas “doses” de ânimo. Um dos “trampolins” que nos impulsionam ao campo, é Mateus 23.14, onde lemos:

“E ser pregado esse Evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então virá o fim”.

Embora existam duas correntes teológicas que chocam-se na interpretação desse texto, um dizendo que a pregação do Evangelho do reino não será feita pelos homens mas sim pelos anjos de Ap. 14.6; e a outra afirmando que este Evangelho de Mat. 24.14 é o mesmo que pregamos, não é difícil ver que a missão da igreja está diretamente precisamos obedecer as ordens claras de Jesus para fazermos discípulos de todas as nações. Quanto ao adjetivo “do reino”, não é motivo para ninguém desculpar-se e esquivar-se da tarefa missionária.

Em Mateus 4.23, lemos: “Percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades entre o povo”. É claro que as boas novas da salvação também são as boas novas do Reino, ou do rei Jesus, que chegou estabelecendo um novo reino de luz que prevalece sobre o reino das trevas. Se o Evangelho da salvação não é o Evangelho do Reino, então o “Evangelho eterno” de Ap. 14.6, também não é o Evangelho do reino. É uma questão de adjetivos. Os anjos não estão encarregados de pregar o Evangelho que hoje pregamos, mas sim “as boas novas da eternidade”. Por isso, o adjetivo, “eterno” de Ap. 14.6, Enquanto dizemos a um povo não-alcançado. “É chegado a vós as boas novas da salvação e do Reino de Jesus”, os anjos dirão naquele dia para todos os povos, “é chegado a vós as boas novas da eternidade”.
Nós desejamos o céu, amamos a volta do Senhor e ansiamos pela paz eterna. Porém, quando a questão é investir em missões, tudo parece ilusão, muito espiritual, tão espiritual que chega à utopia e descrença. De acordo com Mateus 24.14, tudo que anelamos pode acontecer muito breve se tão somente obedecermos à Grande Comissão, levando o conhecimento do Senhor Jesus até a última nação (etne) do globo.

Enquanto Apocalipse 7.9 nos diz que cada povo, tribo, língua e nação devem ser alcançados, Mateus 24.14 ensina-nos que Jesus voltará após a conquista do último povo do mundo. Uma curta análise do texto e contexto do verso acima ajuda-nos a apoiar esse conceito.

Primeiramente, é bom lembrarmos que as palavras de Jesus, como a Lei, toma duas direções e alvos diferentes. Um é o “aqui e agora” e o outro é o “lá e mais tarde”. Primeiro, para este tempo e para este povo, Israel Segundo, para o futuro e para a igreja. Enquanto Jesus mencionava os fatos que precederiam sua volta, dois mil anos ou mais estavam implícitos. Haveria falsos cristos e guerras, mas o fim ainda estava porvir, Mat. 24.6. Nações contra nações, fomes e terremotos em vários lugares era apenas o começo do sofrimento. Perseguições, mortes, traição, ódio, falsos profetas, aumento da maldade e esfriamento do amor foram um negro retrato da era satânica. Somente os que permanecerem firmes até o fim serão salvos. O versículo 14 começa com a monossílaba “e”, que liga todo o seu conteúdo à tudo que Jesus disse antes. Portanto, a pregação do Evangelho a TODAS as nações também é um sinal do fim. É o último sinal que precede a vinda do Senhor.

O “aqui e agora” aconteceu na vida do povo de Israel, com a invasão de Jerusalém pelo general romano Tiro no ano 70 A.D. A desolação e grande tribulação descritas a partir do verso 15 mudou a história de Israel. O “lá e mais tarde” ainda vai se cumprir com o “Israel Espiritual” de Deus, a Igreja. Quando a última nação for evangelizada, Jesus arrebatará a Igreja. Só um grande desaparecimento de pessoas causará a desolação descrita a partir do verso 15 e mudará a história do mundo de maneira significante, pois até mesmo guerras sanguinolentas como o da Bósnia, hoje é vistas com certa normalidade e com muito “sangue frio”.

Sem nenhuma interpretação arbitrária ou forçada, o que Jesus estava fazendo era simplesmente responder com profecias as seguintes perguntas dos discípulos:

- Quando sucederão estas coisas? (verso 24.3);
- Que sinal haverá da tua vinda e da consumação do século? (verso 24.3)

E no Evangelho de Marcos capítulo 13

- Quando sucederão estas coisas? (verso 4);
- Que sinal haverá quando todas elas estiverem para cumprir-se? (verso 4).

Após responder, dando os sinais, Jesus disse: “E então virá o fim”. Esta afirmação leva-nos a uma perspectiva escatológica, fazendo-nos as seguintes perguntas. Fim do que? Resposta. Fim do século. Século aqui, não significa 100 anos. Significa geração ou era. Consideremos os seguintes fatos.

- Os sinais revelados por Jesus ainda estão acontecendo em nossos dias, como, guerras, fomes, terremotos, etc.

- Até agora, estamos convictos de que o Evangelho ainda não foi pregado a todos os povos.

- Até o presente momento, nada aconteceu que provocasse uma mudança tão drástica no mundo que caracterizasse o fim do século. Satanás é o deus desse século e o “fim do século”, portanto, significa o fim do seu reinado. Embora tenhamos diferentes eras na História, elas sofreram mudanças gradativas e não abruptas. Mesmo as guerras mundiais não envolveram todas as nações, embora tenha afetado a todas. A “era” mencionada por Jesus, porém, sofrerá uma mudança total e abrupta podendo ser considerada terminada. A “nova era” tão noticiada nos nossos dias pelos adeptos da Nova Era, chegará certamente logo, mas não trazendo paz. A Nova Era, doutrina que não caminha por Jesus, o Príncipe da Paz, só trará uma coisa sobre a humanidade, a grande tribulação de Mateus 24.21, cujo fato é mencionado como “desde o principio do mundo até agora não tem havido”.
O dicionário Marrian-Webster define era como "um período de tempo dominado por uma figura ou aspecto proeminente”. Quem é a figura central que domina este século? João disse que “o mundo jaz no maligno”, 1 João 5.19. Jesus falou sobre o fim da “era espiritual”, quando através de sua vinda com poder, causará um choque repentino e cruel nos domínios de Satanás. Isso sim marcará o fim desse século e o início de luma “nova era” de tribulação.

- É muito importante considerar a palavra “primeiro” em Marcos 13.10. Ao dar aos discípulos todos os sinais que precedem o fim. Jesus disse: “Mas é necessário que primeiro o Evangelho seja pregado a todas as nações”.

O Reino de Deus veio para se opor ao reino das trevas. Tal oposição só pode ser efetiva através do poder do Evangelho, 1 João 3.8. Este fato não fará com que todos aqueles terríveis sinais acabem. O plano de Deus é estabelecer uma oposição ao reino das trevas em cada grupo étnico. Deus quer destruir a maldição da Torre de Babel, pela redenção de cada cultura originada na confusão das línguas. Ao cumprir esse objetivo, Jesus trará o “fim”. Ele causará o desaparecimento em massa e todos os povos do mundo chorarão a desolação, enquanto o abominável se sentará no lugar santo em Israel. Somente missões podem trazer a igreja à este ponto da história profética.
(Texto de autoria do: Missionário Claudio Ananias. Publicado no Livro "Missões Até a Ultima Fronteira-Ed. Kairos).

sábado, 25 de setembro de 2010

PRIMEIRO EM JERUSALÉM?!

Alguns anos atrás, eu estava pregando na primeira Conferência Missionária local de uma igreja no Rio de Janeiro. Pela direção do Espírito de Deus, eu trouxe a mensagem a um ponto que a igreja não esperava. Geralmente, quando um pregador era convidado para falar de missões nessa época, o que se esperava eram muitas lágrimas e um grande avivamento com toda a expressão emocional inerente. Mas naquele dia, eu me dei conta de que uma mensagem de verdadeiro poder não era aquela cheia de retórica convincente que rompe corações e faz o povo chorar. Eu anelava por mensagens que provocassem decisões práticas e duradouras e de cultivar compromisso de vida com Jesus.

A mensagem foi simples, mas desafiadora para que a igreja se responsabilizasse pela evangelização transcultural e busca dos perdidos.

Um dos senhores da igreja colocou-se de pé e disse: “Pastor, para que precisamos investir dinheiro em missionários em outros países, enquanto temos tantos incrédulos logo aqui em frente de nossa igreja?” Em Atos 1.8 está escrito “primeiro em Jerusalém.

Eu agradeci a pergunta e respondi com um exemplo prático. Chamei dez irmãos a frente e pedi que a igreja se colocasse em pé. Então, eu disse àquele irmão: “Irmão, dê uma olhada ao seu redor. Se eu levasse essa equipe de dez irmãos para além fronteiras, qual seria o prejuízo da evangeliza da evangelização local? Os irmãos ainda teriam mais de 150 crentes para cuidar da evangelização ali da rua. Certamente, a veemência com que o irmão falou mostra uma preocupação e até mesmo um chamado para a evangelização local. Então, enquanto os irmãos evangelizam aqui, permitam-me treinar e levar essa equipe para os confins da terra. Deus abençoará essa igreja e os irmãos estarão cumprindo Atos 1.8 de forma completa”. A seguir, alertei os irmãos sobre o cuidado que se deve ter com o texto sagrado pois o termo “primeiro em Jerusalém” não aparece em Atos 1.8 como muitos enfatizam. A igreja gostou da resposta e pude continuar minha mensagem.
Antes de seguir adiante, leia com atenção Atos 1.8. “Mas recebereis poder ao descer sobre vós o Espírito Santo, e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda Judéia e Samaria e até os confins da terra”.

Como disse Larry Caldwell, no seu livro Missions and You, “Missões e Você”, Atos 1.8, que é conhecido como uma pérola de missões em Novo Testamento, às vezes tem se tornado um grande obstáculo para as missões transculturais. Dr. Larry aponta para o fato de que Jerusalém não era a cidade dos primeiros discípulos. Eles vieram de Cafarnaum, da Galiléia. Portanto, se “primeiro Jerusalém” significa evangelizar primeiro “sua cidade”, então os primeiros discípulos não poderiam começar por Jerusalém, mas deveriam voltar para Cafarnaum para começar de lá a evangelização. Com isso, vemos que essa idéia de “primeiro aqui” não encontra apoio no versículo em questão.

Muitos lideres têm contraído a “síndrome do primeiro Jerusalém”. Isso acontece por falta de uma análise mais acurada do versículo, que é lido fora do contexto da Grande Comissão. Eles dizem que não é sua responsabilidade ir aos confins da terra, enquanto “sua Jerusalém” estiver em necessidade do Evangelho. Cada vez que encontro uma tradução diferente da Bíblia, procuro logo ler Atos 1.8. No entanto, jamais vi a palavra “primeiro”. E se por ventura, houver uma, esta estará errada, pois a dita palavra não existe no original.

Na verdade, o que encontramos em Atos 1.8, é uma idéia de simultaneidade. Os termos “tanto em”, “como em”, e “e até” dão a idéia de que as testemunhas estarão espalhando-se por toda Jerusalém, Judéia, Samaria e confins da terra ao mesmo tempo. Isso foi o que Jesus disse.

Quando pensamos numa tarefa de tal magnitude, podemos pensar que é impossível para uma igreja local. Mas Jesus não só deu a ordem como também tem dado todos os recursos e capacitações necessárias. Toda igreja média tem condições de ter pelo menos um enviado em cada uma dessas áreas. Um bom discipulado pode produzir vários evangelistas locais que não custam nada para a igreja.

Missionários locais podem ser enviados às tribos indígenas, o que é uma missão não muito cara já que as viagens são baratas e não há custos com vistos. Pelo menos, um missionário transcultural pode ser treinado e enviado aos confins da terra. Se uma igreja é pequena demais que não possa fazer isso. Ela, no mínimo, deve orar e trabalhar nesse sentido. Certamente, Deus vai honrar a sua fé e vai dar-lhe o crescimento rápido para que ela chegue ao ponto de cumprir Atos 1.8. Quão abençoada será essa pequena igreja? Sim, eu creio que Jesus chamou cada igreja local, pequena ou grande, para praticar a evangelização global. Se cada grupo cumprir sua parte, creio que Ele voltará mais cedo.

(Extraído do Livro “Missões Até os Confins da Terra” de autoria do Missionário Cláudio Ananias. Missão Kairós. Publicado pela Edições Kairós).

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

A IMPORTÂNCIA DA ORAÇÃO POR MISSÕES


Sempre que uma nação entra numa guerra – e obtém a vitória – todos os seus cidadãos devem ter uma participação total na campanha. Haverá milhões de pessoas que nunca vestirão uma farda, nem pegarão em armas, mas todos devem participar.

Os militares certamente serão derrotados na peleja se não tiverem por trás de si um bom planejamento estratégico, linhas de produção e suprimentos – e os contribuintes civis para arcarem com as despesas.

A obra de missões, também, deve ser considerada como uma guerra declarada. Todos nós achamo-nos profundamente envolvidos nessa luta invisível que está sendo travada ao nosso redor. Ninguém está isento. Todos são participantes dela. Entretanto, é claro que nem todos podem ir aos campos de batalha.

Isso nos leva a considerar um dos mais importantes aspectos da oração intercessória.

Orar é participar dos interesses de Deus sobre a terra. A oração não é um mero ritual sem significado, nem uma simples manifestação de sentimento religioso. Tampouco é exercer um dever religioso. A oração intercessória é para um missionário, um pastor, um professor de escola dominial e um evangelista o mesmo que a força aérea e a artilharia são para o soldado que ataca uma posição inimiga que se acha bem munida.

Imagine só o fracasso total que taticamente sofreriam os soldados de infantaria que tentassem invadir uma fortaleza inimiga sem o apoio dos canhões de longo alcance e dos bombardeios aéreos. É muito raro os soldados encarregados do bombardeio aéreo e do fogo de artilharia se tornarem heróis – mas na verdade o trabalho que executam é um trabalho de heróis.

Aquele que maneja um canhão talvez nunca veja os efeitos de seu desempenho. Os que acionam os mecanismos de bombardeio talvez nunca sintam o gosto de uma batalha corpo a corpo. Da mesma forma, aqueles que fabricam as armas dentro da indústria e os cidadãos civis que pagam os impostos, nunca desfilam em paradas de vitória, nem recebam honras militares. Mas cada um deles tem um papel muito importante no esforço de guerra. Cada um tem o seu quinhão na glória obtida. Cada um deles teve sua parcela de participação e é pela soma dos esforços que se obtém a vitória.

Não pode haver dúvida de que cada um de nós tem a responsabilidade de participar da batalha pela salvação dos homens. O mundo é o campo – um campo de batalha, tão vasto lê duro que chega a ser desalentador. O pouco que tem conseguido com nossos esforços é tão insignificante que muitos chegam a desanimar de tentar qualquer tipo de participação nessa grande tarefa de fazer discípulos de todas as nações. Somos tão poucos e nossos recursos tão limitados que esse desafio nos parece...

Impossível? Absolutamente; pois é justamente aqui que começamos a compreender a realidade - e a importância estratégica – da oração de fé. Por meio da oração fiel, diária, da oração intercessória, até o mais fraco dos santos pode sustentar as mãos dos fortes soldados de Deus que se encontram na linha de frente do conflito. É possível que o cenário da luta esteja a milhares de quilômetros distantes, em outra cultura, outra língua, outra terra, mas ainda assim o servo de Deus pode ter uma participação vital nela.

Por meio da oração, podemos todos tomar sobre nós a responsabilidade de “destruir fortalezas”, para a glória de Jesus Cristo.

De joelhos, no interior de nosso quarto – os mesmo sobre um leito de enfermidade – numa hora de nosso quarto – ou mesmo sobre um leito de enfermidade – numa hora de intercessão fervorosa, podemos atuar mais decisivamente no sentido de abater as defesas inimigas na área de nosso interesse, do que um missionário poderia realizar em dez anos de pregação, sem o apoio da oração.

Sim; Deus deseja que cada um de nós se empenhe de todo o coração nesta guerra invisível. Fardados ou não. Seja engajado na administração ou nas linhas de suprimento – todos nós temos um papel a desempenhar.


E cada um de nós possui uma arma extremamente eficaz: A ORAÇÃO.

Você está lutando com esta arma? Sem sua colaboração fervorosa e fiel neste ministério, a batalha não será ganha.

MISSÕES - TOME ESSA ATITUDE!

Autoria de: Mônica Mesquita

Entre os versos 21 e 24 de 1 Samuel 30, o Rei Davi esclarece que, tanto os que desceram à peleja como os que ficaram guardando a bagagem, “receberão partes iguais”. Afinal, todos contribuíram para que a vitória contra o inimigo ocorresse.
Com base na Escritura Sagrada, entendo que o “contribuinte” de missões também é um missionário, e tanto o que tem o ministério de ficar quanto o que tem o ministério de ir receberão sua parte no galardão. É aquela velha história: um vai, outro financia e o outro ora. De qualquer forma, todos são comissionados.
A pergunta é: qual a minha parte nessa história toda? Um dia, ouvi, aliás com muita propriedade, uma pessoa dizer que na igreja você se enquadra em uma das duas úni-cas categorias de pessoas que existem: ou você é um missionário ou, então, um “campo missionário”. E eu, feliz da vida só pude dizer: “Amém!”
Ainda sobre esse assunto, há uma frase famosa e muito difundida no nosso meio, cuja autoria é atribuída a William Carey, que diz: “Existem dois tipos de missionários, aquele que desce o poço e o que segura a corda”.

Sabedores, então, de que todos os homens e todas as mulheres que um dia foram lavados e remidos pelo sangue do Cordeiro são missionários, fica mais fácil darmos continuidade a esse assunto. Contudo, em detrimento da conclusão que acabamos de ler, os crentes, de uma forma geral, se enquadram em certas categorias quando falamos sobre aquele que contribui. Vejamos essas categorias.

1. O amigo – é aquele que contribui com o missionário porque é amigo pessoal dele. Já o conhecia antes de ir ao campo, já se relacionavam, sabe de sua seriedade e compromisso. Acima de tudo o considera um grande amigo.

2. O frustrado – é o que contribui porque ele mesmo gostaria de ser um missionário. Contudo, as coisas não saíram como ele queria e, contribuindo, ele sente que tal missionário está sendo missionário no lugar dele.

3. O visionário – esse contribuinte quer ver o propósito de Deus sendo cumprido no mundo e sente-se responsável por isso. Seu pressuposto está em textos como o de Mateus 28.19.

4. O constrangido – é o que sente desconforto em dizer “não” quando é desafiado a envolver-se num ministério.

5. O apaixonado – é motivado pelo amor que sente por Jesus. Além disso, acha que dando ao missionário está dando também a Deus.

6. O solidário – esse contribuinte é sensível à grande necessidade mundial do conhecimento de Cristo. Ademais, ele se sensibiliza com a miséria, menores abandonados, epidemias, guerras, etc. Ele também poderia ser chamado de o “empático”.

7. O paizão – geralmente é uma pessoa idosa que resolve “adotar” o missionário e trazê-lo guardado no coração como um filho. Pode ser também, a mãezona.

8. O abençoado – contribui porque recebe bênçãos as quais atribui ao fato de ter ofertado.

9. O transvisionário – ele já é um missionário atuante e, por admirar o ministério de alguém, quer abençoá-lo financeiramente.

10. O esclarecido – contribui por saber que o trabalho que determinado missionário realiza é, em última instância, um trabalho de Deus.

11. O corporativo – esse nem sequer conhece o missionário, mas conhece a missão ou organização a que ele pertence e a admira muito, por isso contribui.

12. O interesseiro – contribui para poder deduzir do imposto de renda.

13. O parente – contribui por ser parente do missionário. Ele pode nem ser crente, mas deseja participar daquele “trabalho”.

14. O vaidoso – quer ver seu nome publicado no jornal da denominação ou na lista dos contribuintes de determinado ministério.

15. O anônimo – em contrapartida, há aquele que deposita a oferta para alguém sem jamais se identificar, crendo que o importante mesmo é Deus saber sobre seu ato e suas intenções.

16. O articulador – é aquele que, além de contribuir, movimenta a igreja, faz campanhas e incentiva outros a contribuírem.

17. O indeciso – é o que, em cada mês, envia a oferta para um missionário diferente.

18. O Papai Noel – aquele que só contribui em dezembro.

19. O oportunista – só manda a oferta quando está bem financeiramente, sem dívidas, ou com algum dinheiro sobrando.

20. O ovelha – só contribui para os projetos ou missionários autorizados pelo pastor da igreja.

Observando essa lista, vemos que alguns contribuintes são louváveis e outros nem tanto. Um desafio para nós seria passar paulatinamente a visão correta para nossas igrejas e nossos contribuintes, não nos esquecendo de regar todo esse processo com muita oração. O importante mesmo é oferecer à igreja um lenitivo que venha curar as seqüelas herdadas através dos anos – ou dos séculos – e que esclareça, de fato, quais devem ser as reais motivações daquele que contribui para missões, lembrando que os dois alicerces principais são: doar segundo a orientação do Espírito Santo e doar sem segundas intenções.
No mais, se o seu ministério for o de “ir” dou graças por isso, mas se o seu ministério for o de “ficar” não se permita deixar de ir, pois de alguma forma você vai estar lá. A Deus toda a glória!

Mônica Mesquita é missionária da Agência Presbiteriana de Missões Transculturais.



PREPARE-SE PARA UMA GRANDE PESCARIA


Autoria de: Allan H. McLeod

“Aconteceu que, ao apertá-lo a multidão para ouvir a palavra de Deus, estava ele junto ao lago de Genesaré; e viu dois barcos junto à praia do lago; mas os pescadores, havendo desembarcado, lavavam as redes. Entrando em um dos barcos, que era o de Simão, pediu-lhe que o afastasse um pouco da praia; e, assentando-se, ensinava do barco às multidões. Quando acabou de falar, disse a Simão: Faze-te ao largo, e lançai as vossas redes para pescar. Respondeu-lhe Simão: Mestre, havendo trabalhado toda a noite, nada apanhamos, mas sobre a tua palavra lançarei as redes. Isto fazendo, apanharam grande quantidade de peixes; e rompiam-se-lhes as redes. Então fizeram sinais aos companheiros do outro barco, para que fossem ajudá-los. E foram e encheram ambos os barcos ao ponto de quase irem a pique. Vendo isto, Simão Pedro prostrou-se aos pés de Jesus, dizendo: Senhor, retira-te de mim, porque sou pescador. Pois, à vista da pesca que fizeram, a admiração se apoderou dele e de todos os seus companheiros.” (Lucas 5. 1-6)

Não é costume apanhar peixe no calor e clarão do dia. Quando o sol está alto, os bons pescadores, já desembarcados após a noite de trabalho, estão lavando e concertando as redes, pensando só no almoço e na soneca que os aguardam em casa.

Então, não é sem razão que Pedro, pescador entendido, questiona a ordem de Jesus de lançar novamente a pesada rede que, com capricho profissional, está a lavar. E os sussurros do povo incrédulo, levados aos seus ouvidos pela brisa da manhã, o fazem hesitar, temeroso, confuso...

--Lançar as redes a uma hora dessas? Já trabalhamos a noite toda sem nada apanhar. Fazer papel de tolo diante dessa multidão?

Mas, mesmo duvidoso, Pedro toma uma das decisões mais importantes de sua vida, quando diz: “sobre a tua palavra lançarei as redes”.

O resultado foi extraordinário, como seria de se esperar quando um obreiro de Deus, por mais experiente que seja, ouve a palavra do Senhor e, rompendo os grilhões da dúvida e do preconceito que diz “não é costume fazer assim”, obedece a ordem dada, por mais estranha que pareça.

Os pensamentos e os caminhos de Deus sempre sobrepujam a mesquinhez dos nossos. Deus, num futuro bem próximo, vai romper as nossas redes de peixe, como aconteceu com Pedro nesse dia e também, três anos depois, no dia de Pentecoste, quando encheu o barquinho da igreja nova com 3.000 almas, na primeira pesca.

A festa denominada “O Pentecostes” é a festa da sega dos primeiros frutos. É uma festa relativamente pequena, embora demos tanta ênfase a ela como sendo o clímax da experiência cristã.

A festa maior está por vir – a dos Tabernáculo – que é a festa da colheita, à saída do ano, como diz Êxodo 23.16: “... quando recolherem do campo o fruto do teu trabalho”.

Deus diz ainda, em Deuteronômio 16.15: “... o Senhor teu Deus há de abençoar-te em toda obra das tuas mãos, pelo lque de todo te alegrarás”.

Você, obreiro que Jesus chamou para ser pescador de homens, já se fadigou alguma vez sem resultado? Sente-se desanimado, cansado, envergonhado, como Pedro?

Não se desanime. Há peixe em abundância ao redor do seu barquinho. Os “lagos” deste mundo ainda hão de lhe proporcionar uma colheita inesperada e inimaginável, porque o Senhor da ceifa assim o ordenou. Se ele nos mandou pregar o evangelho a toda criatura, e fazer discípulos de todas as nações, e disse que não virá o fim enquanto não forem pregadas as boas-novas por todo o mundo, para testemunho a todas as nações, então a maior colheita ainda nos aguarda sob as águas escuras de um mundo que jaz nas trevas. “O povo que andava em trevas, viu grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte resplandeceu-lhes a luz.” (Is 9.2)

O continente “escuro” da África verá esta luz. Ela resplandecerá sobre a Índia, onde mais de um bilhão vivem na sombra da morte. Sobre a China, onde a sexta parte da humanidade se encontra num vácuo espiritual. Sobre a ex-União Soviética, a Europa decadente, as Américas, de norte a sul. Nenhum país, nenhuma nação, nenhum grupo ficará sem luz, pois “a terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor, como as águas cobrem o mar”.

Como Pedro, estamos nos queixando: “Mestre, havendo trabalhado toda a noite, nada apanhamos...”.

Cantamos um corinho que diz: “se olho pra mim mesmo, eu não posso crer: mas se olho pra Cristo, já brota em mim a fé”. Olhemos, pois, para o Cristo ressurreto, glorificado. Ouçamos a sua voz, voz como de muitas águas. Ainda hoje ele nos fala.

A noite já passou. Raia um novo dia. O Senhor da glória, o Todo-Poderoso, está assentado em nosso barco. É hora de crer, de obedecer, de ousar, de fazer proezas em nome de Jesus.

O fim dos tempos se aproxima. Uma geração nova se levanta, odres novos que se encherão do vinho novo do Espírito – a chuva serôdia que o Senhor prometeu enviar antes do dia da sua vinda, que velozmente se aproxima.

Jesus já está em seu barquinho? Coloque-o à inteira disposição do Mestre, custe o que custar. Abandone a praia do comodismo, das opiniões e tradições humanas, e fique de prontidão. A ordem em breve virá – aquela palavra “Rhema”, específica, de Deus para você.

Talvez, como Pedro, você esteja temeroso das opiniões contrárias, da zombaria e do desprezo dos seus amigos. Isso é natural. Noé passou por isso, como também Abraão, os profetas e os apóstolos. O importante é verificar se a ordem vem mesmo do Senhor, discernir a hora certa de cumpri-la, e obedecer mesmo que seja com mãos trêmulas e coração disparado.

Nunca imaginamos, nem mesmo em sonho, a quantidade de peixe que vamos apanhar. Nossos barcos – as igrejas – serão incapazes de comportar o tanto de gente que vai se converter. Seremos obrigados a sair para as praças e ruas, fazer reuniões nos lares, alugarem auditórios e estádios, para dar conta de receber e depois ensinar e discipular as multidões.

“Fizeram sinais aos companheiros do outro barco para que fossem ajudá-los.” Deus vai operar um milagre ainda maior que o da pesca maravilhosa: será a união e cooperação dos crentes de todas as denominações. Estarão telefonando uns aos outros, pedindo ajuda, algo nunca visto até então na Igreja de Cristo.

Os batistas terão que pedir socorro aos metodistas. Os assembleianos aos presbiterianos. E, mesmo assim, os barcos quase irão a pique, de tanto peixe.

O resultado lindo e glorioso se verá logo em seguida, quando os pescadores – pastores, evangelistas e leigos – como Pedro, tomados de admiração, se prostrarão aos pés de Jesus, reconhecendo humildemente sua pecaminosidade e a soberania e poderio do Filho do homem.

A obediência sempre antecede a revelação. O poder de Deus se aperfeiçoa em nossa fraqueza. Depositemos a nossa confiança no criador dos mares e peixes, comprometamo-nos com ele em obediência total, e veremos a glória de Deus.

Boa pescaria a todos!

Por: Allan H. McLeod


quinta-feira, 23 de setembro de 2010

AS LUTAS ÍNTIMAS NO CORAÇÃO DE UM MISSIONÁRIO


COM QUEM SE COMUNICAR?
Eu sei que poderia estar escrevendo sobre outro assunto, porém são tantas as pessoas, tanto da igreja como do seminário teológico, que me escrevem fazendo perguntas sobre meu ministério neste campo ou exigindo respostas sobre dúvidas que lhes sobrevem na fase pré-campo, que às vezes me sinto atordoado! Porém tenho orado para que o Senhor me ajude a estabelecer prioridades nas respostas.

Ore por mim neste sentido, pois às vezes fico angustiado com aos muitos e-mails que tenho que responder muitos dos quais são verdadeiros pedidos de socorro. A maioria é dos novos convertidos e, às vezes, até mesmo de irmãos mais idôneos, os quais se sentem perplexos com certas situações. E não sei se sou compreendido, porém não tenho coragem de simplesmente deixa-los entregues às suas perplexidades. Simplesmente não o posso fazer.

LUTAS LINGUISTICAS
Por outro lado, quando olho para a tremenda oportunidade que meu precioso Mestre me tem dado para aprender inglês, tenho vontade de ignorar tudo e só dedicar-me aos estudos! Como vê, estou num impasse. Meu irmão, o senhor não pode imaginar como Jesus tem-me ajudado! Para ter uma idéia, já me é mais fácil orar e pensar em inglês do que em português. Ele também está me fazendo mais clara a leitura da Bíblia em inglês. Eu o amo por tudo. Sim, por tudo!

COMUNHÃO CONSTANTE
Ele tem estado tão perto, tão perto, que não tenho como expressá-lo. Também me tem proporcionado gozar de comunhão com este povo aqui. Eu os amo muito! Amo porque são filhos do meu Deus, porque amam o mesmo Senhor e Rei, porque foram comprados com o mesmo sangue precioso. Ah, meu irmão, como é maravilhoso quando o Mestre nos abre o coração para amarmos como ele amou, os olhos para vermos como ele vê, e a mente para entendermos como ele entende! Aleluias! Glórias ao Seu precioso Nome!

FUTURO INCERTO
Encontrei-me com o líder do meu futuro campo missionário. Gozamos de uma comunhão maravilhosa, e foi decidido que, até setembro ou dezembro próximo, estarei mudando de Campo. Por favor, irmão, não se apavore nem se assuste, pois este é o caminho que o Senhor tem me apontado. Após aceitar esta decisão, de todo o meu coração, Deus me deu uma paz tão profunda que não posso explicar. Uma paz que só podemos ter quando estamos no centro da vontade do Mestre. Meu amado irmão, não posso explicar o porquê de muitas coisas, porém há algo que eu posso dizer, com plena convicção até este instante, o meu Guia Eterno me tem colocado exatamente nas circunstâncias e lugares onde ele deseja que eu esteja.

CHAMADA PARA QUÊ?!
Não há pressa no meu coração! Não tenho pressa de estar em lugar algum a não ser na presença e no centro da vontade do Senhor. Muitas vezes, fico muito angustiado de ver os “missionários” tão aflitos, tão ansiosos, chorando mesmo, por um certo país.

Eles sentem um “amor tão grande” pelas almas de “lá” que são totalmente impedidos de ver quantas estão ao seu redor, sedentas e famintas. Meus irmãos, eu simplesmente não consigo entender como pode a alma de um italiano ou brasileiro ou norueguês ser mais importante que a alma de um inglês! Esta idéia simplesmente não entra na minha cabeça. Eu espero que vocês me entendam.

Isto não quer absolutamente dizer que perdi a chamada ou coisa parecida, mas que nosso campo está em cada lugar por onde o Mestre nos permite passar. Ali há vidas, vidas que precisam ouvir acerca de Cristo! Conheço algumas pessoas “que são chamadas” que estão esperando chegar ao campo para começarem a dar frutos, para começarem a perder os seus maus hábitos e coisas parecidas! E esta é a razão pela qual, quando lá chegam, começam as brigas, desentendimentos e ciúmes. São missionários, porém não são discípulos. Amam o “campo” mas se esquecem do mais importante: o Deus que os enviou ao campo.

PRIMEIROS FRUTOS
Eu não sei por que estou escrevendo isto, porém estou colocando o meu coração nestas linhas. Talvez esteja influenciado pela primeira pessoa que me escreveu e que o Senhor me ajudou a conduzir aos Seus pés aqui – uma italiana chamada Sonia. Apesar de o meu inglês ser quase nada, o Senhor me ajudou de uma maneira muito especial. Dias depois ela escreveu-me dizendo que havia se decidido por Jesus e na semana passada recebi uma carta dela, já da Itália. Disse que conhece o Senhor e que o sente bem de perto; mas em algumas linhas assim se expressou:

“Irmão, encontrei uma igreja, mas infelizmente não é a nova família que eu esperava. Existem muitas brigas entre os membros e muito pouco amor”. Quando li a carta não pude conter um gemido profundo na minha alma! Chorei, chorei, chorei e somente um versículo caiu profundo em meu coração:
“Se um grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só, mas se morrer produz muito fruto.” (Jô 12.24)

O SEGREDO ESPIRITUAL
Então Deus me fez ver o que é mais importante: morrer! Morrer para os meus direitos, para as minhas razões, para os meus desejos, e ressurgir com Cristo. Ressurgir na sua humildade e mansidão, na sua completa submissão ao Pai, no seu perfeito amor e compaixão para com os perdidos e os que já são seus, para que a “nuvem de testemunhas”, que tão perto nos rodeia, possa ver o Rei no seu maravilhoso caráter.

Pastor, não envie “sementes verdes”; nem se preocupe em enviar muitos; não se apresse! Envie, porém, apenas aqueles que o Mestre tem escolhido! E na hora que ele tem escolhido! Difícil? Não! Nosso Deus tem boca e fala, tem olhos e vê, tem ouvidos e ouve, tem mãos e pés, e trabalha. Sim, trabalha para aqueles que nele confiam.

“Rogai ao Senhor da seara que envie obreiros para sua seara.”



quarta-feira, 22 de setembro de 2010

A DOUTRINA BIBLICA DO ENVIO DE MISSIONÁRIOS

Quando começamos a estudar sobre o envio de missionários, somos confrontados com três perguntas essenciais:
Quem envia? Quem são os enviados? Qual é o canal do envio?

1) Quem envia?
A resposta bíblica é: Deus. Os seguintes textos comprovam que Ele é o autor tanto da chamada como do envio.

a- “Agora, pois, vem e eu te enviarei a Faraó, para que tires do Egito o meu povo, os filhos de Israel” (Êx 3.10).

b- “A quem enviarei, e quem irá por nós?” (Is 6.8).

c- “Não digas: Eu sou um menino; porque a todos a quem eu te enviar, irás; e tudo
quanto te mandar dirás” (Jr 1.7).

d- “Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos” (Mt 10.16).

e- “Portanto, ide e fazei discípulos de todas os povos (...)” (Mt 28.19).

f- “Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós” (Jo 20.21).
g- "(...) disse o Espírito Santo: Separai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado. (...) estes, pois, enviados pelo Espírito Santo (...)” (At 13.2-4).
Com base nestes textos e em muitos outros da Bíblia, que falam sobre Deus chamando e enviando homens e mulheres para realizarem os seus planos, chegamos às seguintes conclusões.

1.1. O envio é um ato da soberania de Deus
Aqueles que são chamados por Deus reconhecem, com sinceridade, que não são as
pessoas mais indicadas para cumprir a missão, pois são confrontados com as suas
deficiências, dúvidas, temores etc. Confira alguns exemplos:

· Moisés disse que não era eloqüente, sendo pesado de boca e de língua (Gn 4.10);
· Gideão afirmara que a sua família era a mais pobre de Manassés, e ele era o menor da casa do seu pai (Jz 6.15);

· Jeremias achava que não sabia falar, porque era um menino (Jr 1:6).

Grande parte das pessoas escolhidas por Deus seria rejeitada por nós, e muitos homens rejeitados por Ele seriam os nossos escolhidos. Isto porque Deus não vê como nós vemos, pois o homem olha para a aparência, "para o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração" (1Sm 16.7).

Por que Deus escolhe a uns e rejeita a outros? Só existe uma resposta a esta pergunta:

por causa da Sua soberania , como está escrito: “(...) para que o propósito de Deus
segundo a eleição permanecesse firme, não por causa das obras , mas por aquele que chama), foi-lhe dito: O maior servirá o menor. Como está escrito: Amei a Jacó, e aborreci a Esaú. Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum. Porque diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia, e terei compaixão de quem me aprouver ter compaixão. Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus que usa de misericórdia” (Rm 9.11-16).
1 Esta revelação da Palavra de Deus deixa claro que a chamada não depende da vontade humanas nem dos seus méritos pessoais de quem que seja, mas é um ato da soberania e da compaixão do Senhor. Que grande responsabilidade daqueles que são chamados e enviados por Deus segundo os seus propósitos! E ainda mais sabendo que haverá o dia de prestação de contas, como está escrito: “Ora, depois de muito tempo veio o Senhor daqueles servos, e fez contas com eles” (Mt 25.19).

1.2. A chamada antecede ao envio
Natanael já tinha sido alvo do olhar penetrante de Jesus antes de acontecer o primeiro encontro entre eles: “(...) Antes que Filipe te chamasse, eu te vi, quando estavas debaixo da figueira” (Jo 1.48).
Não obstante a todo o tempo que Saulo de Tarso viveu sem o conhecimento de Jesus, ele afirma que, desde o ventre da sua mãe, Deus o separou e o chamou pela sua graça (Gl 1.15).
O tempo da escolha de Jeremias antecede a chamada do próprio Paulo: “Antes que eu te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre te santifiquei, às nações te dei por herança” (Jr 1.5).
Aquele que está sendo enviado precisa ter plena convicção da sua chamada!
1.3. Deus revela a sua chamada em momento específico Moisés, com a idade avançada (Ex 7.7);
Samuel, em tenra idade (1Sm 3.1-14);
Paulo, durante uma campanha de perseguição aos cristãos (Atos, cap. 9).
Contudo, cada homem e mulher tem a sua própria experiência de chamada para
compartilhar, como Paulo sempre fazia (Atos, caps. 22 e 26).
1.4. Deus envia com propósitos definidos
Se Deus envia com propósitos definidos, por que tantos obreiros ainda não encontraram o seu lugar? Certo líder disse que a maioria dos pastores e missionários tem mudado freqüentemente de ministério. Assim a obra não é consolidada e o obreiro fica repassando os problemas não solucionados para o seu sucessor. Até quando vai continuar este círculo vicioso?
Vejamos alguns exemplos bíblicos de homens de Deus que foram chamados com
propósitos definidos:
Abraão - Foi para uma terra desconhecida, com a responsabilidade de ser uma bênção, pois nele seriam benditas todas as famílias da terra (Gn 12.1-3);
José - Poderia ficar amargurado para o resto da vida e acabar com o seu ministério por causa de todo o mal que os seus irmãos lhe fizeram. Mas, pela convicção de que tudo fazia parte do plano de Deus, pôde perdoá-los e promover o bem-estar do seu povo: “Agora, pois, não vos entristeçais por me haverdes vendido para cá; porque para preservar vida é que Deus me enviou adiante de vós” (Gn 45.5);
Moisés - “Agora, pois, vem e eu te enviarei a Faraó, para que tires do Egito o meu povo, os filhos de Israel” (Êx 3.10). Deus não disse que a sua missão seria fácil, pelo contrário. “Eu sei, porém, que o rei do Egito não vos deixará ir, a não ser por uma forte mão” (v. 19).
Jeremias e Paulo - Enviados às nações: “Olha, ponho-te neste dia sobre as nações, e sobre os reinos (...)” (Jr 1.10); “Vai, porque eu te enviarei para longe aos gentios” (At 22.21).
Os discípulos de Jesus - Enviados às ovelhas perdidas da casa de Israel (Mt 10.6);
enviados a todas as nações (Lc 24.47).
1.5. O Enviado envia
Segundo a sua oração intercessória, narrada em João cap. 17, Jesus envia os seus
discípulos na mesma base em que foi enviado: assim como. “Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu vos enviei ao mundo” (v. 18).
1.5.1. Envia ao mesmo campo. “Como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo” (v.18).
1.5.2. Envia com o mesmo objetivo: glorificar o Pai. “Eu te glorifiquei na terra
completando a obra que me deste para fazer (v. 4). Eu lhes dei a glória que a mim me deste (...)” (v. 22).
1.5.3. Envia com o mesmo ministério: pregar a palavra. “Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste” (v. 6). “Eu lhes dei as palavras que tu me deste” (v. 8).
“Eu lhes dei a tua palavra” (v. 14). “(...) para que o mundo creia que tu me enviaste” (v. 21).
1.5.4. Envia com os mesmos riscos: ser odiado e perseguido. “(...) E o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como eu não sou do mundo” (v.14) . “Se a mim me perseguiram, também vos perseguirão a vós” (Jo 15.20).
1.5.5. Envia com o mesmo padrão: santidade. “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (v. 17). “E por eles me santifico, para que também eles sejam santificados na verdade”(v. 19).
1.5.6. Envia com o mesmo sentimento: alegria. “Mas agora vou para ti; e isto falo no mundo, para que eles tenham a minha alegria completa em si mesmos” (v. 13).
1.5.7. Envia com o mesmo relacionamento: unidade. “Para que todos sejam um, assim como tu, ó Pai, és em mim, e eu em ti, que também eles sejam um em nós” (v. 21). “Eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade” (v. 23). “(...) pois que me amaste antes da fundação do mundo” (v. 24). “(...) para que haja neles aquele amor com que me amaste, e também eu neles esteja” (v. 26).
1.5.8. Envia com o mesmo resultado: conversões. “E verdadeiramente conheceram que saí de ti, e creram que tu me enviaste” (v. 8), “(...) para que o mundo creia que tu me enviaste” (v. 21). “Vós não me escolhestes a mim mas eu vos escolhi a vós, e vos designei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça. (...) Se guardaram a minha palavra, guardarão também a vossa” (Jo 15.16 e 20).
1.6. Deus, quando envia, faz promessas
São duas as promessas fundamentais:
1.6.1. Ele prometeu a sua presença – “Certamente eu serei contigo” (Gn 3.12). “Estarei convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28.20).
1.6.2. Ele prometeu a sua graça – “Disse-me: A minha graça te basta” (2Co 12.9). “E eu darei graça a este povo aos olhos dos egípcios; e acontecerá que, quando sairdes, não saireis vazios”( Êx 3.21).
Para usufruirmos das bênçãos do Senhor, precisamos de uma coisa: fidelidade. Foi a condição que Deus colocou diante de Josué para poder abençoá-lo: “Não se aparte da tua boca o livro desta lei, antes medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme tudo quanto nele está escrito; então farás prosperar o teu caminho, e serás bem sucedido” (Js 1.8 e 9).
2) Quem são os enviados?
Os vocacionados são enquadrados em três categorias:
2.1. Aqueles que são enviados sem serem chamados
É o caso dos falsos profetas, segundo a profecia de Jeremias: “Não deis ouvidos às
palavras dos profetas, que vos profetizaram a vós, ensinando-vos vaidades; falam da visão do seu coração, não da boca do Senhor. (...) Pois quem dentre eles esteve no concílio do Senhor, para que percebesse e ouvisse a sua palavra ou quem esteve atento e escutou a sua palavra (...). Nos últimos dias entendereis isso claramente. Não mandei estes profetas contudo eles foram correndo; não lhes falei a eles, todavia eles profetizaram. Mas se tivessem assistido ao meu concílio, então teriam feito o meu povo ouvir as minhas palavras, e o teriam desviado do seu mau caminho, e da maldade das suas ações” (Jr 23.9- 40).
Esta passagem é bastante atual, pois, como está escrito: “Nos últimos dias entendereis isto claramente” (Jr 23.20). Jesus nos advertiu dos falsos profetas que vêm a nós vestidos de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores. É pelos seus frutos que os conheceremos e não pelas suas palavras, aparências e milagres realizados.
Temos que tomar mais cuidado no processo de escolha de obreiros. Paulo, falando do perfil dos líderes (1Tm, cap. 3), se preocupou mais com os aspectos morais e espirituais do que com a formação acadêmica deles. Disse que eles precisavam ter um bom testemunho dos que estão de fora, para que não caiam em opróbrio e no laço do diabo; recomenda primeiro que sejam provados, depois, então, exercitem o ministério.
2.2. Aqueles que são chamados mas não são enviados
São crentes que sofrem com problema de consciência pelo resto da vida porque um dia foram chamados pelo Senhor, mas resistiram à voz do Espírito Santo, e por vários motivos (se casaram com alguém que não tinha a mesma chamada, escolheram uma outra profissão, tiveram deslizes morais, faltou renúncia etc.) não atenderam ao chamado.
Provérbios 1.24-33 fala daqueles que rejeitam o convite da sabedoria e as conseqüências da sua obstinação: “Mas, porque clamei, e vós recusastes; porque estendi a minha mão, e não houve quem desse atenção; antes desprezastes todo o meu conselho, e não fizestes caso da minha repreensão; também eu rirei no dia da vossa calamidade (...), então a mim clamarão, mas eu não responderei; diligentemente me buscarão, mas não acharão”.
Que Deus possa ter misericórdia de todos aqueles que são chamados por Ele, para que não cheguem a este estado!
2.3. Aqueles que são chamados e são enviados
Não obstante a toda a sua relutância; às suas deficiências; às suas ansiedades; a todas as coisas que precisam renunciar; a todas as oposições; e ao peso da responsabilidade pela grandeza da missão, eles fazem uma completa rendição: “Eis-me aqui, envia-me a mim” (Is 6.8). “(...) Não fui desobediente a visão celestial” (At 26.19).
3) O canal do envio
3.1. O papel da igreja
Sendo que Deus é aquele que chama e envia, qual é o papel da igreja? Colaborar com Deus neste processo. Esta declaração é confirmada em Atos 13.1-4, com o envio dos missionários Paulo e Barnabé. São alguns termos que definem bem o papel da igreja:
3.1.1. A igreja separa (prepara): “Separai-me a Barnabé e a Saulo para a obra que os tenho chamado”;
3.1.2. A igreja ora (consagra): “Então, depois que jejuaram, oraram e lhes impuseram as mãos”;
3.1.3. A igreja encomenda à graça de Deus (culto de envio): “E dali navegaram para Antioquia, donde tinha sido encomendados à graça de Deus para a obra que acabavam de cumprir” (At 14:26; 15.40);
3.1.4. A igreja despede (providencia os meios): “(...) os despediram”;
3.1.5. A igreja comunica (sustenta): “(...) Nenhuma igreja comunicou comigo no
sentido de dar e de receber, senão vós somente” (Fl 4.15).
As igrejas fundaram duas instituições para facilitar todo este processo: os seminários teológicos e as Juntas ou agências missionárias. Patrick Johnstone, em seu livro A Igreja é maior do que você pensa declara que a evangelização mundial ainda não foi completada por causa da falta de unidade. Esta declaração tem base bíblica, pois Jesus, na sua oração sacerdotal (Jo cap.17) disse que a nossa unidade é o que faria o mundo crer nele. A unidade proposta por Jesus é diferente da proposta pelo movimento ecumênico, que sugere uma unidade institucional (entre as religiões). Vejamos.

Jesus se refere de uma unidade espiritual. “Para que todos sejam um; assim como tu, ó Pai, és em mim, e eu em ti, que também, eles sejam um em nós” (v. 21). A unidade espiritual está em três fatores: no amor - “(...) Para que haja neles aquele amor com que me amaste” (v. 26); na palavra – “E eles guardaram a tua palavra” (...) a tua palavra é a verdade” (vs. 6 e 17); na santificação – “Eles não são do mundo (...) santifica-os na verdade” (vs. 16 e 17).
O Senhor Jesus também fala de uma unidade missionária – “Eu te glorifiquei na
terra, completando a obra que me deste para fazer” (v. 4). “Manifestei o teu nome aos homens” (v. 6). “Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo” (v. 18). “Para que eles sejam perfeitos em unidade para que o mundo conheça que tu me enviaste” (v. 21).
O modelo de unidade proposto por Patrick Jonhstone, como ele mesmo define: "É uma interligação tripartite entre três estruturas básicas: igrejas, instituições de treinamento teológico e agências missionárias". E comenta:
5 “Cada uma é uma estrutura bíblica válida e cada uma possui a sua força e seus dons para contribuir com o todo, mas nenhuma pode centralizar a realização da Grande Comissão sem as outras. O que é defendido é a parceria no serviço de um para com o outro, dessa maneira a igreja se torna aquilo que Deus sempre quis – uma igreja perfeita para o seu Filho, para reinar com Ele por toda a eternidade. Nós estamos aquém deste ideal, entretanto, todo esforço deve ser feito para consertar pontes quebradas de interpretação e comunhão, e estabelecer um relacionamento prático no trabalho em todos os níveis. Assim nós, a Igreja, devemos ser um em amor, no poder do Espírito Santo, e na visão para um mundo perdido” (Pág. 233).
3.2. Seminários versus agências missionárias
Concordamos com este parecer de Johnstone e podemos constatar os seguintes
aspectos (tanto na realidade brasileira como na do Leste Europeu, onde atuamos):
3.2.1. Muitos seminários não cooperam com as agências missionárias porque dizem que a sua direção é acadêmica, ou seja, tem como objetivo a formação de professores para eles mesmos (seminários) e pastores para as igrejas locais.
O máximo que muitos seminários, sem vocação missionária, oferecem aos seus alunos é a disciplina Missiologia mas, às vezes, é só para constar em seus currículos. Quando eu era seminarista fiz esta matéria com um professor que não tinha vivência missionária, e não me lembro dele ter incentivado os alunos a pensarem sobre missões com seriedade.
Mais triste do que isso aconteceu em um seminário do Leste Europeu, quando um
candidato deu a sua entrevista para ser admitido como aluno e o entrevistador, que era o próprio reitor, perguntou-lhe em que tipo de ministério queria se envolver quando terminasse o curso. O candidato respondeu que queria ser um missionário. Aquele reitor lhe disse então que o seminário não poderia recebê-lo, porque a sua direção era acadêmica.
Sendo assim, deveria voltar para casa e repensar a sua vocação; se decidisse pelo
ministério pastoral, então poderia voltar, pois seria admitido sem nenhum problema. Graças a Deus porque ele tem operado na vida daquela instituição. Recentemente, eles introduziram o curso de missões, e este tem sido procurado por muitos vocacionados para essa obra.
3.2.2. Por que muitos seminários não estão dando ênfase a missões?
Talvez porque considerem os missionários pertencentes a uma categoria inferior de obreiros. Parece que este (pre)conceito depreciativo vem desde o tempo apostólico, por isso Paulo faz o seguinte desabafo: “Porque tenho por mim, que Deus a nós, apóstolos [os que são enviados = missionários], nos pôs por últimos, como condenados à morte; pois somos feitos espetáculos ao mundo, tanto a anjos como a homens. Nós somos loucos por amor de Cristo, e vós sábios em Cristo; nós fracos, e vós fortes; vós ilustres, e nós desprezíveis. (...)
Até o presente somos considerados como refugo do mundo, e como a escória de tudo” (1Co 4.9-13).
Os missionários sendo considerados pelo mundo como refugo até dá para entender, mas serem considerados desta maneira pelos seminários, realmente não dá para aceitar mesmo!
Os seminários devem preparar servos e não chefes, e os missionários são servos, assim como as demais categorias de obreiros. “O maior dentre vós será o vosso servo” (Mt 23.11).
O Centro de Integrado de Educação e Missões (CIEM) talvez seja o maior empreendimento missionário da Convenção Batista Brasileira destes últimos anos. Ele tem, como finalidade, preparar vocacionados para a obra missionária. O CIEM está desenvolvendo o Projeto radical África, que objetiva o preparo de jovens, que terminaram o segundo grau, para serem enviados por um período determinado a alguns países da África.
Eles estão sendo treinados por professores fornecidos pelas Juntas (missionários ou exmissionários) e por professores do IBER.
3.2.3. Muitas agências missionárias têm dificuldade em colaborar com os seminários e as igrejas.
A igreja local tanto é fonte de recursos para os seminários como para as agências
missionárias. A parceria implica em responsabilidades recíprocas.
O apóstolo Paulo define a relação que deve existir entre as igrejas e os missionários (Juntas missionárias) como uma colaboração mútua no sentido de "dar e de receber” (Fp 4.15). Seria bom que as Juntas missionárias envolvessem as igrejas não somente no sustento material e espiritual dos missionários, mas também na tomada de decisões e em projetos missionários.
3.2.4. Muitas igrejas preferem se isolar
Este isolamento se dá por alguns motivos. Analisemos dois:
3.2.4.1. Porque a igreja tem perdido a visão e todo o entusiasmo pela obra missionária;
3.2.4.2. Porque a igreja continua com o seu ardor missionário, mas prefere fazer a obra sozinha, deixando assim de colaborar com as nossas Juntas missionárias.
3.3. Exemplos que vêm dos campos
Eu estava de férias com a família no Brasil, no ano passado, quando fomos informados de um material publicado que enfatizava: “Quem faz missões é somente a igreja”. O problema está com a palavra “somente”. Talvez o autor deste artigo e as igrejas que pensam assim estejam certos em suas motivações, mas correm o risco de perder a visão do todo e chegar ao exclusivismo.
Quero lembrar que Paulo foi enviado pela Igreja de Antioquia, mas houve um grupo de igrejas que participou efetivamente do seu ministério. Ele mesmo definiu a fórmula de fazer missões: cooperação. Ele estava sempre procurando a interação das igrejas e dos missionários. “Pois nós somos cooperadores de Deus; vós sois lavoura de Deus e edifício de Deus” (1Co 3.9).
Quando chegamos na Romênia, no ano de 1995, um grande movimento missionário estava-se iniciando no país, patrocinado pela Convenção Batista Romena. Foram realizados três sucessivos congressos missionários anuais que causaram um grande impacto em todo o país. O resultado foi o despertamento de muitas igrejas e a abertura de muitas congregações.
Mas, novos líderes chegaram e as coisas mudaram. Eles adotaram exatamente a tese de que “somente a igreja faz missões” e repassaram toda a responsabilidade de fazer missões para as igrejas locais. Os missionários, que eram contratados pelo seu departamento de evangelismo, foram demitidos ou repassados para as associações das igrejas.
A Convenção Batista Romena ficou somente como órgão de representação.
Como conseqüência perdeu-se a visão do todo. Ficou muito difícil alguém realizar um trabalho de abrangência nacional, pois, se um projeto chegasse à direção da Convenção, ela iria lhe mandar a uma associação e esta, por sua vez, lhe enviaria a uma igreja local. Seria preciso procurar muito até encontrar uma igreja com visão missionária, onde pudesse desenvolver a obra de Deus sem nenhum impedimento.
O resultado desta nova orientação da Convenção Batista Romena não poderia ser
diferente: o número de batistas começou a diminuir, o que tem levado a denominação a se preocupar. No entanto, ela agora está correndo atrás do tempo perdido, reconsiderado a sua posição e tomado medidas para reativar o seu departamento de missões e evangelismo, inclusive dando ênfase a missões internacionais.
A Junta de Missões Mundiais tem dado alguns passos para se aproximar das igrejas, como é o caso da criação do Programa de Adoção Missionária (PAM), onde cada missionário é adotado por uma igreja, grupos, empresários etc. Mas algumas igrejas estão querendo algo mais; não estão satisfeitas em participar da obra somente orando e enviando dinheiro; estão querendo uma vivência missionária...
...Levaram dinheiro para comprar quatro propriedades, para serem usadas como casa de oração, visitaram missões no interior e tiveram um encontro com a liderança da União Batista para traçar planos. Que experiência maravilhosa esses irmãos adquiriram! Que entusiasmo tremendo quando eles retornaram à igreja e relataram tudo quanto Deus fizera por meio deles, e como abrira, aos moldavos, a porta da fé! A Igreja Batista de Atibaia está decidida a enviar anualmente uma equipe à Moldávia para dar prosseguimento aos projetos que eles abraçaram.
“Um dos sinais de progresso encorajadores em direção à evangelização mundial hoje é como as igrejas locais estão querendo um papel ativo em missões. Seja através da intercessão por países e povos específicos, em projetos e abordagem específicas, ou envolvimento estreito no envio de missionários e seus ministérios” (Patrick Johnstone, pág. 232).
Conclusão
O envio de missionários só vai cessar quando o último povo for alcançado e o último homem tiver a oportunidade de crer em Cristo. Deus é aquele que chama e envia e aqueles que são chamados devem dizer: “Eis-me aqui, envia-me a mim”. Devem andar como é digno da vocação com que foram chamados (Ef 4.1).
A Igreja, em perfeita colaboração com as suas duas instituições (seminários e Juntas missionárias), deve equipar (aperfeiçoar) os santos para a obra do ministério, para a edificação do corpo de Cristo. Cabe à igreja selecionar, sob a direção do Espírito Santo, os que serão enviados; encomendar, à graça de Deus, os que são enviados; e manter uma perfeita comunicação “no sentido de dar e de receber” (Fp 4.15).

A igreja missionária perfeita é a junção de duas igrejas: a de Antioquia - que separou, orou, encomendou à graça de Deus e despediu seus vocacionados - e a igreja de Filipos - que manteve a comunicação com os missionários, garantindo o seu sustento.
Que o Senhor nos ajude a seguir o modelo dessas duas igrejas e que possamos atender três desejos do coração de Jesus quanto à obra missionária: orarmos para que o Senhor da seara possa enviar mais trabalhadores para a sua seara; sermos um, perfeitos em unidade, para que o mundo creia; e pregarmos ao mundo inteiro, em testemunho a todas as nações.

(autoria de: Pr. Gerson Tomaz Pereira é missionário das igrejas batistas da CBB na Romênia).