"“Muitos crentes consagrados jamais atingiram os campos missionários com seus próprios pés mas poderão alcança-los com seus joelhos” (Adoniran Judson)”"

terça-feira, 30 de novembro de 2010

TREINAMENTO E ENVIO DE MISSIONÁRIOS - UM PROCESSO INTERMINÁVEL

Nunca se deve imaginar que o ciclo de treinamento e cuidado do vocacionado tem uma conclusão, porque este é um trabalho que pode ser comparado a um ciclo interminável.

Alguns de nós poderiam imaginar que, findo o processo de treinamento lê envio do missionário ao campo, nossa responsabilidade cessa, dando início a uma nova etapa com um novo vocacionado, mas, seria um engano de nossa parte se agíssemos assim. O cuidado da igreja local com seu missionário prossegue durante todo o tempo em que ele estiver servindo ao Senhor em algum lugar deste mundo, pois aquele obreiro continua sendo parte integrante de nossa igreja, mesmo estando fisicamente distante de nós.

Vejamos algumas destas tarefas que a igreja deve prosseguir realizando demonstrando cuidado e amor para com seu missionário.

ESTABELECER CONTATOS FREQUENTES

Já foi o tempo em que tínhamos que colocar uma carta no correio e esperar quase um mês para que chegasse ao seu destino, e também deixou de existir aquela tarefa, quase inglória, de ligar para um missionário e ter que esperar horas – às vezes, dias – para que a ligação pudesse ser completada. O avanço da ciência e da tecnologia tem sido espantosos e hoje temos enorme facilidade para manter contato com quem quer que seja, esteja onde estiver.

Recordo-me de que há alguns anos estava participando de um encontro de líderes do Movimento AD2000 e alguém foi à frente daquele grupo e disse textualmente o seguinte: “Por favor esqueçam o fax, deixem de usa-lo, e daqui para frente passem a se utilizar da internet”. Aquilo me soava muito estranho, pois havia sido incumbido de comprar um aparelho de fax para a agência missionária durantye aquela viagem, por ser muito mais barato do que aqui no Brasil e estávamos precisando de um modelo mais moderno. Então, ao retornar procurei conhecer o que significava se comunicar através da “Internet”, o que agora é algo tão comum entre nós. A lição para mim foi: o mundo ficou pequeno demais e, hoje, podemos nos comunicar muito mais rápido do que podemos imaginar.

Uma igreja comprometida com missões sabe que seu missionário precisa receber atenção freqüente através de comunicações regulares que podem ser feitas por cartas, telefonemas, faxes, mensagens eletrônicas, etc.

Somente aqueles que estão no campo missionário sabem como é importante receber algum contato de seus irmãos e líderes da igreja, como também sabem a dor do silêncio provocado por parte de pessoas que deixaram de se comunicar.
"Do Chamado ao Campo" de Oswaldo Prado. Editora Sepal. ACMI. pag. 87

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

PORQUE O DISCIPULADO É TÃO IMPORTANTE?

Lucas 11. 24-26 Quando o espírito imundo sai do homem, anda por lugares áridos, procurando repouso; e, não o achando, diz: Voltarei para minha casa, donde saí. 25 E, tendo voltado, a encontra varrida e ornamentada. 26 Então, vão e levam consigo outros sete espíritos, piores do que ele, e, entrando, habitam ali; e o último estado daquele homem se torna pior do que o primeiro.

Verificamos aqui a importância do acompanhamento de um recém convertido. Caso este acompanhamento não aconteça e ele venha a voltar à velha vida, o estado dele pode se tornar pior do que antes.

O QUE O DISCIPULADO NÃO É:

Uma simples transmissão de conhecimento.

Um simples curso.

Uma simples invenção da igreja.

Material didático necessário ao discipulado

Primeiramente o discípulo precisa ter uma Bíblia própria.
Existe um material muito bom, um livrinho de estudos chamado “discipulado”. Este material é muito recomendável para realizar este processo. Porém na falta deste, mesmo assim o discipulado deve acontecer, neste caso, a ênfase deve ser o estudo dos ensinos fundamentais da Palavra, ou seja, acerca de Cristo, da fé, oração, estudo pessoal da Bíblia, etc.

O QUE O DISCIPULADO É

Acompanhar um novo convertido nos seus primeiros passos de fé. Aconselhar em suas dúvidas, transmitindo exemplo de vida de oração, estudo da Palavra e todos os hábitos que um crente deve ter.

Ser um mestre

- Trabalhar com novos convertidos não é para qualquer um. Um discipulador precisa ter a capacidade de transmitir os conhecimentos.

- Ter sua vida devocional e sua participação na igreja regularizada transmitindo conhecimentos
- Transmitir conhecimentos é importante. O livreto “discipulado“ traz os assuntos mais necessários à vida de fé, como por exemplo, compreender o que a Bíblia ensina acerca de Deus, da fé, da oração, etc.

Dica prática: o discípulo deve abrir sempre a Bíblia, porque assim aprende a ter um manuseio pessoal da Palavra de Deus, encontrando as passagens que procura. Ninguém nasce sabendo! Aprende-se praticando.

Transmitindo hábitos

Quando o discipulador se encontra com o discípulo, o segundo objetivo é que o discípulo se torne um crente praticante da Palavra (Tiago 1:22 Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos).

Cabe ao mestre incentivar o discípulo no praticar o que aprende. Isto deve acontecer pela prática. O discípulo deve notar no mestre que o mesmo é uma pessoa de oração, estudo da Palavra e participante da igreja e que ama os irmãos.

Não adianta somente FALAR acerca da oração, a convivência entre os dois deve ser um clima onde a oração e o estudo da Palavra é natural. O mestre deve se interessar verdadeiramente pelos problemas do discípulo, de toda ordem, conversando sobre eles.

Discrição

Você nunca conseguirá ser um bom mestre, enquanto não tiver a capacidade de guardar segredo. O relacionamento entre o mestre e o discípulo é de extrema confiança. Se você trair o seu discípulo talvez ele se desvie da fé em Cristo, e neste caso, em certo sentido, você é responsável pela perdição eterna de uma alma. O discípulo começa a perceber que você não merece confiança quando fica comentando acerca da vida de outras pessoas. O discípulo pensa: “assim como ele fala dos outros para mim, falará de mim para os outros.” Evite ficar comentando da vida alheia.

Lidando com as falhas do discípulo

Assim como uma mãe limpa a sujeira de um bebê recém nascido com toda a naturalidade, assim o mestre deve entender que um novo convertido cometa muitos erros por falta de conhecimento, e que uma atitude de condenação não irá ajudar em nada. Com todo o amor você deve explicar, pela Palavra, que tal coisa não agrada a Deus e deve ser confessada e evitada.

Amor

O mestre deve amar seu discípulo e ser exemplo de amor. Palavras ríspidas não têm lugar no discipulado. Caso haja necessidade, o mestre deve dizer suas idéias com clareza, mas nunca desrespeitando ou usando palavras chulas.

Veja o estudo sobre o amor de Cristo.

SER DISCÍPULO

Comparemos com o desenvolvimento de uma criança:

1 Pedro 2:2 desejai ardentemente, como crianças recém-nascidas, o genuíno leite espiritual, para que, por ele, vos seja dado crescimento para salvação.

De discípulo a mestre

Assim como é de esperar que uma pessoa depois de certo tempo se torne adulta e madura, é de se esperar que um crente alcance maturidade espiritual:

Hebreus 5:12 Pois, com efeito, quando devíeis ser mestres, atendendo ao tempo decorrido, tendes, novamente, necessidade de alguém que vos ensine, de novo, quais são os princípios elementares dos oráculos de Deus; assim, vos tornastes como necessitados de leite e não de alimento sólido.

O assunto em pauta deve ser debatido no final do discipulado.

O mestre ensina o discípulo a desejar também ser um mestre.
Depois de alguém ser discipulado, deve entender que fazer discípulos também é missão sua.
Mateus 28:19 Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;


O crescimento da igreja

O discipulado é a base do crescimento da igreja de Cristo.
Suponhamos que um crente tenha a capacidade de evangelizar e discipular 2 pessoas por ano.

Façamos um cálculo, baseando-nos nesta idéia.

O primeiro crente, evangeliza seu primeiro discípulo nos primeiros 6 meses. Estes dois, cada um deles evangeliza seu segundo discípulo nos próximos 6 meses, totalizando 4.

Cada um deles evangeliza e discípula mais um nos próximos 6 meses, totalizando 8.

A seguir seriam 16, depois 32, depois 64, 128, 256, 512, 1024, 2048, 4096, 8192, 16384, 32768, 65536, 131072, 262144, 524288, 1048576, 2097152, 4194304, 8388608, 16777216, 33554432, 67108864, 134217728, 268435456, 536870912, 1073741824, 2147483648, 4294967296, 8589934592 .

Um começou sozinho, depois de um ano, a equipe está em número de 4.
Depois de mais um ano, 16.

Continuando, seriam necessários apenas 15 anos e um pouco, para atingir toda a população mundial (quase 7 bilhões de habitantes).

É claro que este cálculo na realidade não acontece, por dois motivos:

1 . Nós não temos a capacidade de converter as pessoas, mas só o Espírito Santo.

2. Creio que o motivo principal é o relaxamento dos crentes. Creio que um crente que ora e busca, pode receber de Deus o presente de evangelizar 2 pessoas por ano, isto não é um cálculo desproporcional e exagerado, pelo contrário, creio que Deus pode dar muito mais.

O problema é que muitos desistem ou nem sequer começam a fazer discípulos. Talvez por não tiverem uma vida de fé exemplar, como todo crente deveria ter. E isto, por sua vez, pode ter origem num discipulado mal feito ou inexistente. A importância do discipulado, e de um discipulado bem feito se confirma novamente.

AS CONSEQÜÊNCIAS DE UM DISCIPULADO MAL FEITO

Muitos crentes passam a vida toda na imaturidade de fé, vivendo uma síndrome de "Peter Pan" espiritual, nunca abandonando a meninice, a infantilidade de fé, nunca se tornando verdadeiramente um mestre na Palavra.

CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO DE UM DISCIPULADO

Se no final dos 3 meses (tempo médio para realizar os 13 estudos do livreto) o discípulo aprendeu a orar e ler a Bíblia e freqüentar a igreja de forma autônoma, o mestre pode se dar por satisfeito. Caso contrário, não se desligue do discípulo, mantenha-se em contato, animando-o, orando por ele, convidando-o para as atividades da igreja, visitando, telefonando. Tome cuidado para não "infernizar" a vida de seu discípulo, conquiste-o pelo amor, ore por ele.

ASSUMIR UM DISCÍPULO É MUITA RESPONSABILIDADE

Toda a vida de fé de uma pessoa pode estar em jogo, tanto no sentido positivo, como negativo. Um discipulado bem feito pode resultar muitos frutos para o Reino de Deus, enquanto que o discípulo pode se tornar um grande evangelista. Ou pode acontecer o contrário, seu discípulo pode se decepcionar com você e se afastar de Deus. Por isso, tome a tarefa a sério.

Você precisa “comprar” esta idéia. É uma idéia que precisa ser assumida por cada crente.

CADÊ MEUS DISCÍPULOS?

Seus discípulos são aqueles que vieram a crer por meio de você.
A primeira coisa que se mexer perto do patinho recém saído do ovo ele assume como sua mãe.

Se você pregou para alguém, e esta pessoa aceitou a Cristo, isto significa que esta pessoa confia em você. Ou seja, há um laço de amizade entre vocês.

Algumas pessoas pensam que é tarefa do pastor o discipulado, mas muitos novos convertidos vieram a conhecer a Cristo através da amizade e nunca pisaram numa igreja evangélica. Para estes a figura do pastor pode ser um personagem distante, e neste caso a relação de confiança pode ser mais difícil de estabelecer.

Se você levou um vizinho a Jesus, é muito mais lógico você fazer o discipulado, já que você mora perto dele e o conhece.

EVANGELISTA

Um discipulador, podemos perceber, precisa também ser um evangelista. Estas duas coisas andam de mãos dadas.

É claro que isto não acontece de uma hora para a outra. Vá orando, e Deus lhe dará discípulos.

Ser um mestre será bom para você

Se você se propuser a ser um discipulador, você precisa colocar sua vida em ordem, tanto na igreja como na família, enfim tudo.

É minha missão?

Será que TODOS os crentes precisam ser discipuladores?

João 15:2 Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, ele o corta; e todo o que dá fruto limpa, para que produza mais fruto ainda.

Observe a expressão "Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, ele o corta". Leia todo o capítulo 15 do João para perceber a importância de frutificarmos para Jesus. O que é frutificar para Jesus? É a reprodução espiritual, ou seja, o processo de ampliação do Reino de Deus.

Talvez você não tenha um chamado para se dedicar de tempo integral para sei um discipulador. Nem por isso deixa de ser responsável pelos filhos que trouxe ao mundo (cf: lido acima, uma casa varrida). Se você tem um chamado para outra área na igreja, deve incentivar e apoiar o trabalho do discipulado. Mesmo alguém que trabalha em outro setor da igreja, pode e deve ter discípulos. Você é responsável por toda pessoa nova ou que está fraquejando na fé, que Deus coloca ao seu redor.

CONCLUSÃO

É um trabalho que geralmente rende poucas honras humanas. É muito difícil, demanda muito tempo, esforço e paciência. (Mateus 6:4 para que a tua esmola fique em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará).

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

LAUSANNE III

Lausanne III - Você sabia - Povos não alcançados - MUP

EM TEMPO...

3º Congresso Mundial para Evangelização do Mundo

Cristãos evangélicos de 197 países se reuniram entre os dias 16 e 25 de outubro na Cidade do Cabo, na África do Sul, para participarem da 3ª edição do Congresso Mundial de Evangelização, oportunidade na qual reafirmaram a intenção de levarem adiante um dos preceitos do “Pacto de Lausanne”: “Toda a igreja levando todo o Evangelho para todo o mundo”.

O evento, também conhecido como Lausanne 3, teve tamanha amplitude que foi considerado por alguns de seus participantes como o maior congresso sobre missões já realizado, sendo acompanhado por mais de 100 mil pessoas através da internet.

Um dos assuntos abordados foi: Os maiores desafios da igreja para a evangelização mundial nas próximas décadas, que foram identificados e organizados em seis questões básicas:

1.Em primeiro lugar se falou da necessidade de a igreja defender a verdade de Cristo em um mundo pluralista e globalizado. Assim, foram abordados desafios para não se ter uma postura autoritária, mas sim uma humildade corajosa.

2.O segundo ponto foi o da reconciliação, por meio da qual é possível construir a paz de Cristo em um mundo dividido e ferido. Para isto é necessário reconhecer que o pecado tem características individuais, coletivas e sociais (estruturais). A partir destes pressupostos, todos os presentes foram desafiados a agir contra a ação maligna que atenta contra a dignidade humana.

3.Em terceiro lugar se tratou do desafio de testemunhar do amor de Cristo a pessoas de outras crenças. O desafio é viver este amor de forma prática no contato com as pessoas de outras religiões para que desejem conhecer a Cristo.

4.A quarta ênfase foi a de necessidade de discernir a vontade Deus para a evangelização neste século. Neste contexto, o desafio dos povos não alcançados foi discutido e foram apresentadas sugestões de ações.

5.O quinto desafio foi o do chamado da igreja de Cristo a um retorno para a humildade, a integridade e a simplicidade. Este desafio foi marcante pois produziu um quebrantamento claro. Neste momento houve uma clara condenação à Teologia da Prosperidade e um apelo ao retorno aos valores do Evangelho.

6.E por último houve o desafio da formação de parcerias no Corpo de Cristo para que haja um novo equilíbrio global. Neste ponto foi destacada a necessidade de realização de trabalhos conjuntos para acelerar o processo de evangelização mundial. Além disso, foi identificado o surgimento de uma liderança jovem que precisa ser capacitada e ter oportunidades.

UMA VISÃO CAPAZ DE INFLUENCIAR O MUNDO

Embora desejasse muito, ele não chegou a se tornar um missionário transcultural. Todas as suas tentativas de se estabelecer no campo missionário foram fracassadas em razão de complicações com a saúde; sem contar o fato de ter sido rejeitado como candidato por uma organização missionária. Nem por isso, desistiu de sua visão de alcançar o mundo com o evangelho. Pelo contrário, já que não tinha condições de ir pessoalmente, resolveu enviar outros em seu lugar. Um de seus lemas era: “Nenhuma visão que não seja o mundo é a visão de Deus”. Seu nome era Oswald Smith, pastor da Igreja do Povo, em Toronto, no Canadá, homem que sustentou centenas de missionários e chegou a enviar mais missionários para o mundo do que qualquer outra igreja de sua época. Suas iniciativas para influenciar o mundo foram tão grandes que milhares de pessoas o chamavam de “Sr. Missões”.
É fantástico quando a visão de Deus alcança o coração de um homem! A visão de Deus é aquela que sonda a necessidade de cada ser humano e produz uma ação prática para responder à humanidade e revelar Sua glória em todos os continentes, países, cidades, povos, aldeias e malocas. João bem descreve que essa perspectiva global da humanidade moveu o coração de Deus a ponto de dar seu Filho unigênito para a salvação de todos os homens, em todos os lugares. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16).
O projeto divino é global e sempre foi desenvolvido a partir desta perspectiva. Portanto, identificarmo-nos com uma visão global – em semelhança a homens como Oswald Smith – e trabalharmos para influenciar as nações é agir de acordo com os propósitos de Deus. Não se trata de modismo ou influência do movimento moderno de globalização, mas de uma atitude de obediência ao mandamento divino: “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra” (At 1.8).
Desta forma, podemos afirmar que o desafio para a igreja deste novo milênio é corresponder aos seus desafios locais, mas ao mesmo tempo pensar, visualizar e agir globalmente. Isto é, de maneira simultânea, tanto numa ação local, como num mutirão global.
Seria pedir de mais, requerer que uma igreja local desenvolva uma consciência e uma ação global? Bem, se uma empresa, no mundo de hoje, que não pensa globalmente está condenada à estagnação, o que dizer de uma igreja que não tem uma visão global e não considera sua tarefa globalmente? A igreja foi estabelecida para corresponder aos desafios mundiais e deve ser caracterizada por sua visão do mundo. De outra forma, ela perde sua identidade e nega a sua natureza como agência do Reino de Deus para as nações.
Não há dúvidas de que mais do que em qualquer outro tempo, o mundo clama por homens e mulheres com uma visão de Deus. Este cenário transforma em urgente a tarefa de cada igreja local se identificar com a visão do alto e assumir ações transformadoras, em todas as partes do planeta.
Depois das tsunamis, em dezembro de 2004, veio o terremoto, em maio de 2006. Em junho do mesmo ano, lá estava outra tsunami. Agora, o maior país muçulmano do mundo, a Indonésia, sofre com a lama quente de um vulcão – em erupção em setembro de 2006 – que amplia o estado de destruição e eleva o número de desabrigados no país. De maneira angustiante e com a esperança de uma vida melhor abalada, o povo clama por socorro ao deus do Alcorão.
E o que dizer daqueles que vivem em condições mais favoráveis, mas clamam por nunca terem sido alcançados pela pregação verbal do evangelho? São, pelo menos, 2,3 bilhões de pessoas que não tiveram ainda a chance de ouvir o evangelho de forma compreensível. Estamos falando de pessoas que vivem em contextos de isolamento geográfico, religioso e social e para serem alcançadas carecem de ajuda externa, como, por exemplo, a intervenção de um missionário.
Em nossa própria nação, de um total de 251 tribos indígenas , cerca de 113 tribos não têm a presença de missionários evangélicos. Há ainda uma enorme quantidade de comunidades em todo o país, inclusive sertanejos e ribeirinhos, que não têm acesso ao evangelho. Segundo dados oferecidos pela Missão Juvep, somente na zona rural nordestina do nosso país, destacam-se mais de 320 municípios com 97% de pessoas que não conhecem o evangelho e mais de 10.000 aglomerados humanos sem nenhum crente. Calcula-se que em todo o sertão cerca de 95% das pessoas nunca foram evangelizadas...
É urgente expandirmos nossa ação e influenciarmos o mundo a partir de uma visão dada por Deus! Vale lembrar aqui que uma igreja que expande seus horizontes e atua globalmente não é aquela que disputa terreno com outras igrejas e faz da sua denominação uma marca registrada em cada país do mundo. Uma igreja que obedece a ordem divina é aquela que anuncia o evangelho e faz discípulos onde Cristo ainda não foi nomeado.
Ainda hoje, mesmo depois de sua morte no ano de 1986, a vida de Oswald Smith se destaca por sua visão global, capaz de influenciar o mundo. Testemunhos de vida como esse, além de empolgantes, servem-nos como amostra do que a visão de Deus pode fazer no coração de alguém apaixonado pela evangelização mundial.
Senhor, contempla a Igreja brasileira e nos dá a Tua visão, capaz de influenciar o mundo!
Nota: 1) O número de tribos indígenas brasileiras tem variado ao longo dos anos. Dessa forma, os números apresentados no texto estão de acordo com dados mais recentes divulgados pela FUNAI.



ALGUMAS FRASES DE OSWALD SMITH
"A tarefa suprema da Igreja é a evangelização do mundo".

"Por que alguém deveria ouvir do evangelho duas vezes, quando há pessoas que não ouviram nenhuma vez?"

"Se Deus quer a evangelização do mundo, mas te recusas a sustentar missões, então te opões à vontade de Deus".

"Você deve ir ou enviar um substituto".

"Você não pode levá-lo (o dinheiro) com você mas pode mandá-lo adiante (ao céu) mediante missões".

"Por que tão poucos ouvem o Evangelho tantas vezes e tantos nunca o ouviram nem uma vez?"

"O maior obstáculo para missões são os pastores".

http://veredasmissionarias.blogspot.com/

terça-feira, 23 de novembro de 2010

A DOUTRINA BÍBLICA DO ENVIO DE MISSIONÁRIOS


Quando começamos a estudar sobre a doutrina do envio de missionários, somos confrontados com três perguntas essenciais: Quem envia? Quem são os enviados? Qual é o canal do envio?

1) Quem envia?
A resposta bíblica é: Deus. Os seguintes textos comprovam que Ele é o autor tanto da chamada como do envio.

a- “Agora, pois, vem e eu te enviarei a Faraó, para que tires do Egito o meu povo, os filhos de Israel” (Êx 3.10).

b- “A quem enviarei, e quem irá por nós?” (Is 6.8).

c- “Não digas: Eu sou um menino; porque a todos a quem eu te enviar, irás; e tudo quanto te mandar dirás” (Jr 1.7).

d- “Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos” (Mt 10.16).

e- “Portanto, ide e fazei discípulos de todas os povos (...)” (Mt 28.19).

f- “Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós” (Jo 20.21).

g- "(...) disse o Espírito Santo: Separai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado. (...) estes, pois, enviados pelo Espírito Santo (...)” (At 13.2-4).

Com base nestes textos e em muitos outros da Bíblia, que falam sobre Deus chamando e enviando homens e mulheres para realizarem os seus planos, chegamos às seguintes conclusões.

1.1. O envio é um ato da soberania de Deus
Aqueles que são chamados por Deus reconhecem, com sinceridade, que não são as pessoas mais indicadas para cumprir a missão, pois são confrontados com as suas deficiências, dúvidas, temores etc. Confira alguns exemplos:

• Moisés disse que não era eloqüente, sendo pesado de boca e de língua (Gn 4.10);

• Gideão afirmara que a sua família era a mais pobre de Manassés, e ele era o menor da casa do seu pai (Jz 6.15);

• Jeremias achava que não sabia falar, porque era um menino (Jr 1:6).

Grande parte das pessoas escolhidas por Deus seria rejeitada por nós, e muitos homens rejeitados por Ele seriam os nossos escolhidos. Isto porque Deus não vê como nós vemos, pois o homem olha para a aparência, "para o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração" (1Sm 16.7).

Por que Deus escolhe a uns e rejeita a outros? Só existe uma resposta a esta pergunta:

por causa da Sua soberania , como está escrito: “(...) para que o propósito de Deus segundo a eleição permanecesse firme, não por causa das obras , mas por aquele que chama), foi-lhe dito: O maior servirá o menor. Como está escrito: Amei a Jacó, e aborreci a Esaú. Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum. Porque diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia, e terei compaixão de quem me aprouver ter compaixão. Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus que usa de misericórdia” (Rm 9.11-16).

1 Esta revelação da Palavra de Deus deixa claro que a chamada não depende da vontade humanas nem dos seus méritos pessoais de quem que seja, mas é um ato da soberania e da compaixão do Senhor. Que grande responsabilidade daqueles que são chamados e enviados por Deus segundo os seus propósitos! E ainda mais sabendo que haverá o dia de prestação de contas, como está escrito: “Ora, depois de muito tempo veio o Senhor daqueles servos, e fez contas com eles” (Mt 25.19).

1.2. A chamada antecede ao envio

Natanael já tinha sido alvo do olhar penetrante de Jesus antes de acontecer o primeiro encontro entre eles: “(...) Antes que Filipe te chamasse, eu te vi, quando estavas debaixo da figueira” (Jo 1.48).

Não obstante a todo o tempo que Saulo de Tarso viveu sem o conhecimento de Jesus, ele afirma que, desde o ventre da sua mãe, Deus o separou e o chamou pela sua graça (Gl 1.15).

O tempo da escolha de Jeremias antecede a chamada do próprio Paulo: “Antes que eu te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre te santifiquei, às nações te dei por herança” (Jr 1.5).

Aquele que está sendo enviado precisa ter plena convicção da sua chamada!

1.3. Deus revela a sua chamada em momento específico

Moisés, com a idade avançada (Ex 7.7);
Samuel, em tenra idade (1Sm 3.1-14);
Paulo, durante uma campanha de perseguição aos cristãos (Atos, cap. 9).

Contudo, cada homem e mulher tem a sua própria experiência de chamada para compartilhar, como Paulo sempre fazia (Atos, caps. 22 e 26).

1.4. Deus envia com propósitos definidos
Se Deus envia com propósitos definidos, por que tantos obreiros ainda não encontraram o seu lugar? Certo líder disse que a maioria dos pastores e missionários tem mudado freqüentemente de ministério. Assim a obra não é consolidada e o obreiro fica repassando os problemas não solucionados para o seu sucessor. Até quando vai continuar
este círculo vicioso?

Vejamos alguns exemplos bíblicos de homens de Deus que foram chamados com propósitos definidos:

Abraão - Foi para uma terra desconhecida, com a responsabilidade de ser uma bênção, pois nele seriam benditas todas as famílias da terra (Gn 12.1-3);

José - Poderia ficar amargurado para o resto da vida e acabar com o seu ministério por causa de todo o mal que os seus irmãos lhe fizeram. Mas, pela convicção de que tudo fazia parte do plano de Deus, pôde perdoá-los e promover o bem-estar do seu povo: “Agora, pois, não vos entristeçais por me haverdes vendido para cá; porque para preservar vida é que Deus me enviou adiante de vós” (Gn 45.5);

Moisés - “Agora, pois, vem e eu te enviarei a Faraó, para que tires do Egito o meu povo, os filhos de Israel” (Êx 3.10). Deus não disse que a sua missão seria fácil, pelo contrário. “Eu sei, porém, que o rei do Egito não vos deixará ir, a não ser por uma forte mão” (v. 19).

2. Jeremias e Paulo - Enviados às nações: “Olha, ponho-te neste dia sobre as nações, e sobre os reinos (...)” (Jr 1.10); “Vai, porque eu te enviarei para longe aos gentios” (At 22.21).

Os discípulos de Jesus - Enviados às ovelhas perdidas da casa de Israel (Mt 10.6); enviados a todas as nações (Lc 24.47).

1.5. O Enviado envia
Segundo a sua oração intercessória, narrada em João cap. 17, Jesus envia os seus discípulos na mesma base em que foi enviado: assim como. “Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu vos enviei ao mundo” (v. 18).
1.5.1. Envia ao mesmo campo. “Como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo” (v.18).

1.5.2. Envia com o mesmo objetivo: glorificar o Pai. “Eu te glorifiquei na terra completando a obra que me deste para fazer (v. 4). Eu lhes dei a glória que a mim me deste (...)” (v. 22).

1.5.3. Envia com o mesmo ministério: pregar a palavra. “Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste” (v. 6). “Eu lhes dei as palavras que tu me deste” (v. 8). “Eu lhes dei a tua palavra” (v. 14). “(...) para que o mundo creia que tu me enviaste” (v. 21).

1.5.4. Envia com os mesmos riscos: ser odiado e perseguido. “(...) E o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como eu não sou do mundo” (v.14) . “Se a mim me perseguiram, também vos perseguirão a vós” (Jo 15.20).

1.5.5. Envia com o mesmo padrão: santidade. “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (v. 17). “E por eles me santifico, para que também eles sejam santificados na
verdade”(v. 19).

1.5.6. Envia com o mesmo sentimento: alegria. “Mas agora vou para ti; e isto falo no mundo, para que eles tenham a minha alegria completa em si mesmos” (v. 13).

1.5.7. Envia com o mesmo relacionamento: unidade. “Para que todos sejam um, assim como tu, ó Pai, és em mim, e eu em ti, que também eles sejam um em nós” (v. 21). “Eu
neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade” (v. 23). “(...) pois que me amaste antes da fundação do mundo” (v. 24). “(...) para que haja neles aquele amor com que me amaste, e também eu neles esteja” (v. 26).

1.5.8. Envia com o mesmo resultado: conversões. “E verdadeiramente conheceram que saí de ti, e creram que tu me enviaste” (v. 8), “(...) para que o mundo creia que tu me enviaste” (v. 21). “Vós não me escolhestes a mim mas eu vos escolhi a vós, e vos designei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça. (...) Se guardaram a minha palavra, guardarão também a vossa” (Jo 15.16 e 20).

1.6. Deus, quando envia, faz promessas
São duas as promessas fundamentais:

1.6.1. Ele prometeu a sua presença – “Certamente eu serei contigo” (Gn 3.12). “Estarei convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28.20).

1.6.2. Ele prometeu a sua graça – “Disse-me: A minha graça te basta” (2Co 12.9).

3. “E eu darei graça a este povo aos olhos dos egípcios; e acontecerá que, quando sairdes, não saireis vazios”( Êx 3.21).

Para usufruirmos das bênçãos do Senhor, precisamos de uma coisa: fidelidade. Foi a condição que Deus colocou diante de Josué para poder abençoá-lo: “Não se aparte da tua boca o livro desta lei, antes medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme tudo quanto nele está escrito; então farás prosperar o teu caminho, e serás bem sucedido” (Js 1.8 e 9).

2) Quem são os enviados?
Os vocacionados são enquadrados em três categorias:

2.1. Aqueles que são enviados sem serem chamados
É o caso dos falsos profetas, segundo a profecia de Jeremias: “Não deis ouvidos às palavras dos profetas, que vos profetizaram a vós, ensinando-vos vaidades; falam da visão do seu coração, não da boca do Senhor. (...) Pois quem dentre eles esteve no concílio do Senhor, para que percebesse e ouvisse a sua palavra ou quem esteve atento e escutou a sua palavra (...). Nos últimos dias entendereis isso claramente. Não mandei estes profetas contudo eles foram correndo; não lhes falei a eles, todavia eles profetizaram. Mas se tivessem assistido ao meu concílio, então teriam feito o meu povo ouvir as minhas palavras, e o teriam desviado do seu mau caminho, e da maldade das suas ações” (Jr 23.9-40).

Esta passagem é bastante atual, pois, como está escrito: “Nos últimos dias entendereis isto claramente” (Jr 23.20). Jesus nos advertiu dos falsos profetas que vêm a nós vestidos de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores. É pelos seus frutos que os conheceremos e não pelas suas palavras, aparências e milagres realizados.

Temos que tomar mais cuidado no processo de escolha de obreiros. Paulo, falando do perfil dos líderes (1Tm, cap. 3), se preocupou mais com os aspectos morais e espirituais do
que com a formação acadêmica deles. Disse que eles precisavam ter um bom testemunho dos que estão de fora, para que não caiam em opróbrio e no laço do diabo; recomenda primeiro que sejam provados, depois, então, exercitem o ministério.

2.2. Aqueles que são chamados mas não são enviados
São crentes que sofrem com problema de consciência pelo resto da vida porque um dia foram chamados pelo Senhor, mas resistiram à voz do Espírito Santo, e por vários motivos (se casaram com alguém que não tinha a mesma chamada, escolheram uma outra profissão, tiveram deslizes morais, faltou renúncia etc.) não atenderam ao chamado.

Provérbios 1.24-33 fala daqueles que rejeitam o convite da sabedoria e as conseqüências da sua obstinação: “Mas, porque clamei, e vós recusastes; porque estendi a minha mão, e não houve quem desse atenção; antes desprezastes todo o meu conselho, e não fizestes caso da minha repreensão; também eu rirei no dia da vossa calamidade (...), então a mim clamarão, mas eu não responderei; diligentemente me buscarão, mas não acharão”.

Que Deus possa ter misericórdia de todos aqueles que são chamados por Ele, para que não cheguem a este estado!
2.3. Aqueles que são chamados e são enviados
Não obstante a toda a sua relutância; às suas deficiências; às suas ansiedades; a todas as coisas que precisam renunciar; a todas as oposições; e ao peso da responsabilidade pela grandeza da missão, eles fazem uma completa rendição: “Eis-me aqui, envia-me a mim” (Is 6.8). “(...) Não fui desobediente a visão celestial” (At 26.19).

3) O canal do envio

3.1. O papel da igreja
Sendo que Deus é aquele que chama e envia, qual é o papel da igreja? Colaborar com Deus neste processo. Esta declaração é confirmada em Atos 13.1-4, com o envio dos missionários Paulo e Barnabé. São alguns termos que definem bem o papel da igreja:

3.1.1. A igreja separa (prepara): “Separai-me a Barnabé e a Saulo para a obra que os tenho chamado”;

3.1.2. A igreja ora (consagra): “Então, depois que jejuaram, oraram e lhes impuseram as mãos”;

3.1.3. A igreja encomenda à graça de Deus (culto de envio): “E dali navegaram para Antioquia, donde tinha sido encomendados à graça de Deus para a obra que acabavam de cumprir” (At 14:26; 15.40);

3.1.4. A igreja despede (providencia os meios): “(...) os despediram”;

3.1.5. A igreja comunica (sustenta): “(...) Nenhuma igreja comunicou comigo no sentido de dar e de receber, senão vós somente” (Fl 4.15).

As igrejas fundaram duas instituições para facilitar todo este processo: os seminários teológicos e as Juntas ou agências missionárias. Patrick Johnstone, em seu livro A Igreja é maior do que você pensa declara que a evangelização mundial ainda não foi completada por causa da falta de unidade. Esta declaração tem base bíblica, pois Jesus, na sua oração sacerdotal (Jo cap.17) disse que a nossa unidade é o que faria o mundo crer nele. A unidade
proposta por Jesus é diferente da proposta pelo movimento ecumênico, que sugere uma unidade institucional (entre as religiões). Vejamos:

Jesus se refere de uma unidade espiritual. “Para que todos sejam um; assim como tu, ó Pai, és em mim, e eu em ti, que também, eles sejam um em nós” (v. 21). A unidade espiritual está em três fatores: no amor - “(...) Para que haja neles aquele amor com que me amaste” (v. 26); na palavra – “E eles guardaram a tua palavra” (...) a tua palavra é a verdade” (vs. 6 e 17); na santificação – “Eles não são do mundo (...) santifica-os na verdade” (vs. 16 e 17).

O Senhor Jesus também fala de uma unidade missionária – “Eu te glorifiquei na terra, completando a obra que me deste para fazer” (v. 4). “Manifestei o teu nome aos homens” (v. 6). “Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo” (v. 18). “Para que eles sejam perfeitos em unidade para que o mundo conheça que tu me enviaste” (v. 21).

O modelo de unidade proposto por Patrick Jonhstone, como ele mesmo define: "É uma interligação tripartite entre três estruturas básicas: igrejas, instituições de treinamento teológico e agências missionárias". E comenta:

“Cada uma é uma estrutura bíblica válida e cada uma possui a sua força e seus dons para contribuir com o todo, mas nenhuma pode centralizar a realização da Grande Comissão sem as outras. O que é defendido é a parceria no serviço de um para com o outro, dessa maneira a igreja se torna aquilo que Deus sempre quis – uma igreja perfeita para o seu Filho, para reinar com Ele por toda a eternidade. Nós estamos aquém deste ideal, entretanto, todo esforço deve ser feito para consertar pontes quebradas de interpretação e comunhão, e estabelecer um relacionamento prático no trabalho em todos os níveis.
Assim nós, a Igreja, devemos ser um em amor, no poder do Espírito Santo, e na visão para um mundo perdido” (Pág. 233).

3.2. Seminários versus agências missionárias
Concordamos com este parecer de Johnstone e podemos constatar os seguintes aspectos (tanto na realidade brasileira como na do Leste Europeu, onde atuamos):

3.2.1. Muitos seminários não cooperam com as agências missionárias porque dizem que a sua direção é acadêmica, ou seja, tem como objetivo a formação de professores para eles mesmos (seminários) e pastores para as igrejas locais.

O máximo que muitos seminários, sem vocação missionária, oferecem aos seus alunos é a disciplina Missiologia mas, às vezes, é só para constar em seus currículos.

Quando eu era seminarista fiz esta matéria com um professor que não tinha vivência missionária, e não me lembro dele ter incentivado os alunos a pensarem sobre missões com seriedade.

Mais triste do que isso aconteceu em um seminário do Leste Europeu, quando um candidato deu a sua entrevista para ser admitido como aluno e o entrevistador, que era o próprio reitor, perguntou-lhe em que tipo de ministério queria se envolver quando terminasse o curso. O candidato respondeu que queria ser um missionário. Aquele reitor lhe
disse então que o seminário não poderia recebê-lo, porque a sua direção era acadêmica.

Sendo assim, deveria voltar para casa e repensar a sua vocação; se decidisse pelo ministério pastoral, então poderia voltar, pois seria admitido sem nenhum problema. Graças a Deus porque ele tem operado na vida daquela instituição. Recentemente, eles introduziram o curso de missões, e este tem sido procurado por muitos vocacionados para essa obra.

3.2.2. Por que muitos seminários não estão dando ênfase a missões? Talvez porque considerem os missionários pertencentes a uma categoria inferior de obreiros. Parece que este (pre)conceito depreciativo vem desde o tempo apostólico, por isso Paulo faz o seguinte desabafo: “Porque tenho por mim, que Deus a nós, apóstolos [os que são enviados = missionários], nos pôs por últimos, como condenados à morte; pois somos feitos espetáculos ao mundo, tanto a anjos como a homens. Nós somos loucos por amor de Cristo, e vós sábios em Cristo; nós fracos, e vós fortes; vós ilustres, e nós desprezíveis. (...) Até o presente somos considerados como refugo do mundo, e como a escória de tudo” (1Co 4.9-13).

Os missionários sendo considerados pelo mundo como refugo até dá para entender, mas serem considerados desta maneira pelos seminários, realmente não dá para aceitar mesmo!

Os seminários devem preparar servos e não chefes, e os missionários são servos, assim como as demais categorias de obreiros. “O maior dentre vós será o vosso servo” (Mt 23.11).

3.2.3. Muitas agências missionárias têm dificuldade em colaborar com os seminários e as igrejas

A igreja local tanto é fonte de recursos para os seminários como para as agências missionárias. A parceria implica em responsabilidades recíprocas. O apóstolo Paulo define a relação que deve existir entre as igrejas e os missionários (Juntas missionárias) como uma colaboração mútua no sentido de "dar e de receber” (Fp 4.15). Seria bom que as
Juntas missionárias envolvessem as igrejas não somente no sustento material e espiritual dos missionários, mas também na tomada de decisões e em projetos missionários.

3.2.4. Muitas igrejas preferem se isolar
Este isolamento se dá por alguns motivos. Analisemos dois:
3.2.4.1. Porque a igreja tem perdido a visão e todo o entusiasmo pela obra missionária;

3.2.4.2. Porque a igreja continua com o seu ardor missionário, mas prefere fazer a obra sozinha, deixando assim de colaborar com as nossas Juntas missionárias.

3.3. Exemplos que vêm dos campos
Eu estava de férias com a família no Brasil, no ano passado, quando fomos informados de um material publicado que enfatizava: “Quem faz missões é somente a igreja”. O problema está com a palavra “somente”. Talvez o autor deste artigo e as igrejas que pensam assim estejam certos em suas motivações, mas correm o risco de perder a visão do todo e chegar ao exclusivismo.

Quero lembrar que Paulo foi enviado pela Igreja de Antioquia, mas houve um grupo de igrejas que participou efetivamente do seu ministério. Ele mesmo definiu a fórmula de fazer missões: cooperação. Ele estava sempre procurando a interação das igrejas e dos missionários. “Pois nós somos cooperadores de Deus; vós sois lavoura de Deus e edifício de Deus” (1Co 3.9).

Conclusão
O envio de missionários só vai cessar quando o último povo for alcançado e o último homem tiver a oportunidade de crer em Cristo. Deus é aquele que chama e envia e aqueles
que são chamados devem dizer: “Eis-me aqui, envia-me a mim”. Devem andar como é digno da vocação com que foram chamados (Ef 4.1).

A Igreja, em perfeita colaboração com as suas duas instituições (seminários e Juntas missionárias), deve equipar (aperfeiçoar) os santos para a obra do ministério, para a edificação do corpo de Cristo. Cabe à igreja selecionar, sob a direção do Espírito Santo, os que serão enviados; encomendar, à graça de Deus, os que são enviados; e manter uma perfeita comunicação “no sentido de dar e de receber” (Fp 4.15).
A igreja missionária perfeita é a junção de duas igrejas: a de Antioquia - que separou, orou, encomendou à graça de Deus e despediu seus vocacionados - e a igreja de Filipos - que manteve a comunicação com os missionários, garantindo o seu sustento.

Que o Senhor nos ajude a seguir o modelo dessas duas igrejas e que possamos atender três desejos do coração de Jesus quanto à obra missionária: orarmos para que o Senhor da seara possa enviar mais trabalhadores para a sua seara; sermos um, perfeitos em unidade, para que o mundo creia; e pregarmos ao mundo inteiro, em testemunho a todas as nações.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

NOSSA IDENTIDADE CULTURAL E O DESAFIO DE MISSÕES

Benides Bergamo


Certo dia, eu conversava com um bem-sucedido médico paraguaio que passara um bom tempo de sua vida profissional na cidade do Rio de Janeiro. Ele me disse que tinha uma clínica, muitos clientes, casa própria; enfim, tudo o que um profissional almejaria possuir. No entanto, vendeu tudo e voltou ao Paraguai para começar tudo de novo. Admirado, indaguei-lhe por que fizera isso. Ele me respondeu que a única coisa que lhe faltava era justamente o Paraguai, e, obviamente, não poderia tê-lo em outro lugar.


Creio ser esse um bom exemplo de identidade cultural. Essa aliança familiar é uma ligação muito forte que temos com o que chamamos de “nosso vale”. Esses laços, quando bem usados, são de proveito para o trabalho missionário. Podemos ver valores fortes embutidos neles e, quando lhes são acrescentados os princípios bíblicos, esses laços podem se tornar alicerces fortes na vida de cada um. Infelizmente, porém, o que mais vemos é a nossa falta de parâmetros culturais e ligação com a nossa real identidade.


As perguntas que surgem são sempre as mesmas: O que somos? Quem somos? Como nos definimos? Qual é a nossa essência? Quais são nossas raízes? Somente respondendo a essas perguntas com convicções reais é que podemos descobrir nosso mundo próprio em relação ao mundo que nos rodeia.
A identidade é um conjunto de interesses que torna um grupo humano consciente de sua própria existência – a origem da maneira de pensar, ser e atuar.


E alcançamos nossa identidade quando tomamos nas mãos nossa própria realidade, assumindo nossos compromissos, baseados na nossa maneira de ser e agir. Não podemos ter vergonha de nós mesmos, pelo contrário, precisamos respeitar e valorizar nossas virtudes e nossos pontos fortes. Não devemos nos esconder atrás de uma pseudo-humildade, reconhecendo superficialmente a superioridade dos outros. Quando agimos assim, nunca abrimos nossa mente para o nosso valor e o que podemos ser e alcançar.


Nós, latino-americanos, temos de expor nossos próprios argumentos nesse momento da história. A história oficial dos conquistadores espanhóis e portugueses e, posteriormente, o domínio das grandes potências, não é, necessariamente, nossa história. Cada povo tem a sua história. Cada raça tem suas virtudes, cada cidadão tem talentos e dons que podem ser usados para reverter situações e também mudar o rumo da história. E, nesse particular, me remeto à nossa responsabilidade de fazer missões, apesar de todos os nossos problemas sociais, culturais e de identidade.


Nós, latino-americanos, somos, por essência, um povo pacífico que sabe conviver com outros. E é essa nossa maneira de ser que nos abre a porta da maioria das nações. Que privilégio e, também, que responsabilidade!


Gostaria de destacar algumas de nossas virtudes e características que podem ser usadas na evangelização do mundo, obedecendo ao “Ide” de Jesus por todas a nações anunciando as boas novas que muda todo um contexto e transforma vidas e sociedades.


Aculturação: é a aprendizagem da conduta adequada em uma outra cultura. Enquanto a enculturação é o aprendizado da conduta dentro de nossa própria cultura, a aculturação é o aprendizado da conduta adequada em uma cultura anfitriã. Isso é feito por meio de observação, contextualização e adaptação a novos ambientes ou culturas. Nós, os latinos, temos muita facilidade de nos moldar a outra cultura e ambiente. Somos mais flexíveis e tolerantes quanto ao modo de viver de outras culturas. Para nós, não é difícil sobreviver em circunstancias difíceis e de escassos recursos, pois, basicamente, é a nossa realidade diária.


Contextualização: Mesmo sendo diferentes, podemos nos contextualizar a outros. Esse é um processo em que comunicamos o evangelho, adaptando-o para que seja relevante e entendível para pessoas de outra cultura. Quando estamos trabalhando com os ribeirinhos, por exemplo, sempre tratamos de associar e contextualizar a nossa mensagem, relacionando com algo que eles sabem e vivem – nesse caso, a pesca e a vida nas margens do rio Paraguai. Nessas comunidades, onde o único meio de transporte é o barco e a tecnologia e a informática ainda não chegaram, seria um absurdo usar uma linguagem “cibernética” para expor o evangelho. Nesse caso, o atrasado seriam aqueles que tentassem usar esses recursos. Seria uma total descontextualização. Deus sabe contextualizar-se.

“Tenham entre vocês o mesmo modo de pensar que Cristo Jesus tinha: Ele tinha a natureza de Deus, mas não tentou ficar igual a Deus. Pelo contrário, ele abriu mão de tudo o que era seu e tomou a natureza de servo, tornando-se assim igual aos seres humanos. E, vivendo a vida comum de um ser humano, ele foi humilde e obedeceu a Deus até a morte-morte de cruz.” (Filipenses 2.5-8 – BLH – grifo do autor.)

Deus é um contextualizador por excelência. Ele se contextualizou na revelação de si mesmo aos israelitas, usando o idioma do coração deles, metáforas da vida cotidiana, e as mais diversas formas poéticas e culturais. Paulo soube contextualizar-se e, precisamente por isso, fez um excelente trabalho como missionário. Soube adaptar a mensagem do evangelho a variadas situações e circunstâncias. Com os de Atenas, citou os poemas deles e aproveitou o conceito existente de um “deus desconhecido” para pregar o evangelho. Em seu ministério, fez uso da linguagem secular para comunicar conceitos cristãos. A reconciliação entre os homens e Deus era um conceito da perspectiva do mundo grego. Em 1 Coríntios 9.19-23, vemos um exemplo muito forte de como Paulo se contextualizava para ganhar outros para Deus.


É importante que compreendamos que, em qualquer lugar onde nos encontremos, sempre vamos demonstrar interesse e amor pelo que é nosso e até expressar valores de nossas raízes. No entanto, é nossa obrigação aprender a respeitar os outros e a conviver com eles, ainda que sejam totalmente diferentes de nós.


Respeitar as diferenças culturais e de identidade tem sido a chave do sucesso em missões transculturais. Quando respeitamos e aceitamos as diferenças, somos também respeitados. Creio que cada um pode compartilhar sua cultura, mas nunca impô-la, pois cada um tem seu próprio estilo que é muito difícil mudar. Finalmente, nossa meta não é, necessariamente, mudar ninguém, pois não temos esse poder. No entanto, temos de viver uma vida que reflita os valores cristãos e a nossa identidade com Cristo, pois as mudanças virão através dele e do Espírito Santo.

Benides Bergamo é missionário da Mision Betania del Paraguay, desde 1986.
E-mail: benbergamo@hotmail.com


quinta-feira, 18 de novembro de 2010

A RESPONSABILIDADE SOCIAL DA IGREJA

“Vendo Pilatos que nada conseguia, antes, pelo contrário, aumentava o tumulto, mandando vir água, lavou as mãos perante o povo, dizendo: Estou inocente do sangue deste justo; fique o caso convosco” Mt 27.24

Hoje, 82% da população brasileira vive na zona urbana, tanto nas grandes cidades como nas pequenas cidades do interior. As condições de vida dos pobres, seja nas cidades grandes, seja nas pequenas, são semelhantes no que se refere à atividade econômica, alimentação etc.
Em número absoluto, a Região Metropolitana de São Paulo lidera o ranking nacional de pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza: 5.967.949 de crianças, adolescentes e adultos. Desses, 815.362 estão na faixa de indigentes. Na Grande Rio de Janeiro, os menos favorecidos somam 3.132.467 de pessoas, sendo 481.027 indigentes. Já no Nordeste, a Bahia tem 1.324.365 de pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza na Grande Salvador. São 257.981 moradores na faixa da indigência.

O que cristãos têm a ver com estes números, com as estatísticas alarmantes da pobreza dos centros urbanos? Por que devem os cristãos se envolver com o social?

No final das contas, existem duas atitudes que eles podem adotar com relação ao mundo. Uma é a fuga, outra é o engajamento.

“Fugir” significa voltar as costas ao mundo em rejeição, lavar as mãos das coisas do mundo, mesmo sabendo, como Pilatos , que nem assim desaparece a responsabilidade, e endurecer o coração aos agonizantes gritos de socorro.
“Engajar-se”, por outro lado, significa voltar o rosto para o mundo em compaixão, sujar as mãos, sofrer e gastar-se a serviço deste e sentir no fundo do ser o comovente e incontido amor de Deus.

Viver dentro da igreja em comunhão uns com os outros é mais conveniente do que servir em um ambiente externo apático ou mesmo hostil.

Ao invés de tentarmos fugir à nossa responsabilidade social precisamos abrir os ouvidos e escutar a voz daquele que conclama seu povo em todo tempo a sair.

Missão é a nossa resposta humana à divina comissão. É todo um estilo de vida cristão, que tanto inclui evangelismo quanto responsabilidade social, sob a convicção de que Cristo nos envia ao mundo assim como o Pai a ele o enviou.

Por que devem os cristãos se envolver com a responsabilidade social?

1º. O Senhor é Deus tanto da justiça quanto da justificação

“que faz justiça aos oprimidos; que dá pão aos famintos. O SENHOR solta os encarcerados; o SENHOR abre os olhos aos cegos; o SENHOR levanta os abatidos; o SENHOR ama os justos; o SENHOR guarda os estrangeiros; ampara o órfão e a viúva, mas transtorna o caminho dos ímpios”. Sl 146.79

2º. O Senhor nos envia como o Pai O enviou – Jo 20.21

“Como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder, o qual andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele” At 10.38

Se a missão cristã é para ser modelada pela missão de Cristo, ela certamente implicará — assim como Ele o fez — penetrarmos no mundo das pessoas. Isto significa entrar no mundo dos seus pensamentos, da sua tragédia e solidão, a fim de compartilhar Cristo com eles lá onde eles estão.

Significa disposição para renunciar a conforto e à segurança de nossa própria formação cultural, a fim de nos doarmos em serviço a indivíduos de outra cultura, de cujas necessidades quem saber jamais tenhamos conhecimento ou experiência.

3º. Não se deve separar fé de amor

Ao caminharmos pelas Escrituras, podemos ver em todos os apóstolos a mesma ênfase na necessidade de obras de amor.

Tg 2.17,18 – fé sem obras é morta.

1 Jo 3.17 – aquele que tem recursos, deve repartir com quem não tem.

Tt 2.14 – somos um povo zeloso de boas

Ef 2.10 – Fomos criados para boas obras

Gl 5.6 – a única coisa que tem valor é a fé que atua pelo amor

Portanto, temos a surpreendente seqüência de fé, amor e serviço; a verdadeira fé se expressa pelo amor, o verdadeiro amor se revela através do serviço.

Fé salvadora e amor salvador caminham lado a lado; onde quer que um deles falte faltará também o outro. Nenhum deles pode subsistir sozinho.

Que faremos diante dos desafios das nossas metrópoles? Lavaremos nossas mãos como Pilatos, tentando nos isentar da responsabilidade frente a um mundo não apenas sem salvação, mas sem pão, sem roupas, sem casa, sem esperança?

Busquemos o equilíbrio bíblico em nossas igrejas – ofereçamos ao mundo perdido o Pão vivo que desceu do céu – JESUS, sem, no entanto nos esquivarmos da ordem de Jesus a multidão faminta – “dai-lhes vos mesmos de comer” (Lc 9).

Bibliografia – Stott, J. R. W. O cristão em um sociedade não cristã.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

COMEÇAR DE NOVO


Uma Convite à Reflexão sobre a Missão Transcultural Brasileira

Já reparou quantas vezes Deus teve que recomeçar? Logo no jardim, depois com Noé, Abraão, Moisés… A cada nova geração Deus reafirma seu propósito de seguir adiante. Faz isto assegurando novas oportunidades a antigos parceiros, ou conferindo a novos parceiros a oportunidade de compartilharem de seus sonhos. Deus é otimista. Sonhador. Persistente.

A encarnação de Jesus e todo projeto de igreja é um recomeço. O perdão Nele nos garante que recomeçar é possível. Ele estabeleceu o padrão e nos encoraja a fazer o mesmo, seja nos relacionamentos, seja conosco mesmos, seja com a missão que compartilhamos. Ser filho de Deus, parecido com Cristo, é estar aberto a recomeçar.

É chegado o tempo de recomeçar a missão! Esta tarefa cabe a todos nós, igrejas, agências, pastores, líderes, missiólogos, professores e missionários. Se formos sábios, aprenderemos da nossa história. Nossa geração, formada aos pés de Lausanne e Comibam, aprendeu que podíamos “missionar” e o fizemos. O caminho da missão, contudo, cobrou seu preço e muitos foram ficando à beira do caminho.

Não é meu propósito aqui alistar as razões. Basta dizer que, creio eu, houve sacrifício e compromisso, como também ingenuidade e imaturidade em todos os lados. É tempo de lembrar que o caminho da missão não é outro, senão o da cruz. Não devemos esperar pela multidão. Ela não virá. Precisamos ter coragem de olhar para a cruz. Atrás dela, reencontraremos o caminho da missão.

Em nossos dias de projetos (urbanos), igrejas (“em célula” e “com propósitos”), redes (ministeriais) e um “jeito gospel” de ser, é preciso parar e silenciar. Por certo escutaremos a voz do pastor: “Ainda tenho ovelhas em outros apriscos!” Elas ainda estão lá, entre os povos distantes, onde nosso investimento em pessoas, tempo, recursos e oração é muito maior do que talvez estivéssemos cônscios. Mas é para lá, também, que o nosso pastor está indo. Precisamos renovar nosso compromisso de seguí-lo.

Neste recomeço, será necessário pensarmos a missão de maneira diferente. Levanto aqui algumas áreas:

Projetos e Vocação – nossas igrejas estão mais organizadas, com pessoal profissionalmente qualificado exercendo cargos de liderança. Ganhamos em administração, planejamento e qualidade. Porém, gradualmente, passamos a enxergar vocações missionárias como “projetos”. Até que ponto isto é saudável e onde começa a causar problemas?

Missionários, pastores e vocacionados devem ter uma visão de ministério clara, articulada e que desemboque em projetos relevantes para o avanço do Reino. Não se discute também a necessidade de transparência e prestação de contas. Positivamente, como resultado desta política missionária, vários que não tinham foco nem estratégia ministerial, repensaram suas vocações e cresceram.

O contra-ponto é que muitas famílias, com chamado comprovado e projetos relevantes em andamento, têm sido “informadas” de que seus “projetos” não fazem mais parte da visão da igreja e que, portanto, “eles próprios”, não serão mais sustentados. Ora, o missionário não é o projeto que desenvolve. Projetos têm começo, meio e fim. Vocação não. Estamos valorizando mais empreendimentos do que pessoas?

São vários os efeitos nefastos desta política: perdemos excelentes missionários, causamos crises muitas vezes irreparáveis em suas famílias, e de quebra, abortamos muitas outras vocações que nem sequer serão consideradas.

Pense comigo: não foi com nossa bênção que deixaram empregos, família e foram enviados? E agora, em nome de uma administração mais profissional, mudamos as regras no meio do jogo e os abandonamos, ou melhor, “re-alinhamos nossos investimentos missionários?” Vemos isto acontecer todos os dias nas empresas e governos por aí fora. Mas na família de Deus…

A questão é complexa. Cremos que tudo deve ser julgado à luz da Palavra, mas se não ensinamos nossos líderes a pensar e a fazer teologia, como seremos capazes de dialogar com o mundo à nossa volta e responder de forma profética? Fica a pergunta, onde estão arraigados os princípios que regem este modelo?

Proponho que nossas igrejas invistam mais tempo no processo de seleção dos missionários que irão se associar. Sejam pessoas “da casa” ou não, é vital que tenham uma visão de ministério compatível com a da igreja, que trabalhem no foco missionário da igreja (seja missões urbanas, povos indígenas, muçulmanos, etc). Depois de feita esta primeira triagem, acompanhe-os durante um, dois ou até mesmo três anos. Visite-os no campo. Perceba suas prioridades, seu coração, a forma com que se comunica, seu testemunho. Caso haja empatia, associe-se. Caso não, comunique com transparência. Mas uma vez feita a parceria, que seja para toda vida.

Alvo Final – qual é o alvo final de nossos esforços missionários: novas igrejas ou missionários no campo? Parece desnecessário perguntar, mas se avaliamos nosso discurso e prática… Quando queremos motivar uma igreja, dizemos: enviem missionários! Para saber se uma igreja é missionária, perguntamos: quantos missionários vocês têm! Será que perdemos o foco?

Pela maneira que pregamos e anunciamos, está claro que perdemos o foco na plantação de igrejas e transferimos nossa expectativa para o envio do indivíduo em si. A grande maioria de nossos referenciais estão voltados para o missionário ao invés da presença da igreja.

Biblicamente falando, porém, enviamos pessoas para que iniciem comunidades, novas igrejas. É para isto que fomos chamados. Nós anunciamos, testemunhamos, ensinamos e reunimos os discípulos em comunidades que se edificarão mutuamente, reproduzindo-se em novas comunidades. Ou seja, “igreja gera igreja” e não somente “igreja gera missionário”.

Perfil do Missionário – um outro causador de desânimo foi o retorno prematuro de muitos enviados. Preparo inadequado, crise com liderança e falta de recursos foram identificados. Mas será que o próprio perfil dos missionários (jovens, solteiros ou com poucos anos de casamento, recém formados ou com pouca experiência ministerial) não pode ser considerado o fator primário deste retorno?

Algumas destas “vocações” não passavam de entusiasmo juvenil. Outras, porém, eram genuínas e foram perdidas por falta de sabedoria nossa, que lhes enviamos. Se fossem selecionados com mais critério, treinados com mais excelência, supervisionados e pastoreados com mais carinho, sustentados apropriadamente, ainda estariam no campo.

É preocupante o fato de diminuirmos cada vez mais a idade do envio e em contrapartida, enviarmos esta turma para campos transculturais cada vez mais resistentes. Muitos voltam por não conseguirem equacionar o chamado à ausência de frutos e dificuldades no sustento, coisas que poderiam ser trabalhadas aqui, com mais tempo e supervisão. Se insistirmos neste perfil, maiores serão as baixas, e com elas, cada vez mais igrejas resistirão a enviar outros.

Há ainda o fator cultural, pois a grande maioria das culturas ainda não alcançadas valoriza a maturidade, os cabelos brancos, as rugas. Nossos jovens, apesar de toda boa vontade e energia, não são ouvidos pelos que de fato tomam decisões! Muito do que classificamos como “resistência ao evangelho” nada mais é do que resistência ao perfil de mensageiros que temos enviado.

Proponho então que incentivemos vocações missionárias entre casais com mais de 40 anos, maduros na fé e na vida, com sabedoria para ministrar, pregar e aconselhar outras famílias. Estes casais maduros, com ferramentas profissionais apropriadas (mesmo conhecimentos práticos em culinária, eletricidade, mecânica, etc) teriam o respeito da comunidade e seriam aceitos mais facilmente.

Até mesmo pessoas aposentadas com boa saúde e disposição, fortes na fé, podem e devem ser enviados. Seu testemunho, antes mesmo de abrirem a boca, já fala alto. Como líder de uma agência missionária por 11 anos, tive a oportunidade de enviar pessoas assim, e posso lhe garantir, vale a pena!

Oferta Missionária – várias igrejas desistiram de investir em missões por problemas de caixa. Alguns membros carregaram o piano por um tempo, mas esgotaram-se. Será que nosso problema é de fato econômico? Ou será que podemos ver esta equação de um outro ponto de vista?

É triste ver várias igrejas com visão abrindo mão da missão por problemas financeiros. Mais triste ainda é saber que nosso coração corrupto acompanha nosso tesouro. Conseqüentemente, quanto menos investirmos em missões, menos capazes de amar os que estão longe seremos!!! Sabemos que coisas importantes, vitais, não podem ser descartadas. É preciso lutar por aquilo que acreditamos.

Se a falta de entusiasmo é sua: Engaje-se! Nada melhor do que o pastor, você mesmo, entusiasmando a congregação! Volte à Bíblia em busca de renovação e inspiração. Abra espaço na agenda do púlpito para a “missão” novamente. Pregue uma série sobre isto. Visite a biblioteca do seminário de novo. Se o seu pessoal de missões não conseguiu motivar a igreja a investir, coloque outras pessoas. A história está repleta de exemplos de igrejas e pastores que perseveraram em tempos difíceis e foram abençoados.

Caso seu time de liderança seja o empecilho, vetando todo e qualquer investimento missionário, volte ao discipulado! Estude de novo a Bíblia com eles. Mostre-lhes o valor de fazer algo eterno na vida de comunidades inteiras. Leve-os para visitar hospitais, creches, presídios na redondeza. Lembre-os que é isto que nossos missionários estão fazendo, do outro lado do oceano, em meio a um povo que nunca teria a oportunidade de ouvir do amor de Deus, se nós não estivéssemos investindo na vida deles! Conviva e invista em seu time de liderança até que captem sua visão. Não os culpe. Assuma você uma nova postura. Eles o seguirão e apoiarão, quando e somente se, perceberem que você valoriza a missão.

Talvez seja necessário mudar de sistema de arrecadação. Se a “oferta missionária anual” não funcionou, coloque a verba missionária no orçamento. Não funcionou também, promova jantares, pizzas, cantinas… Se mesmo assim não der certo, busque parcerias com outras igrejas, busque orientação. Faça o necessário, todo o possível, mas não jogue a toalha!

A igreja brasileira tem todos os recursos para fazer a obra missionária para qual fomos convocados. Nosso problema não é econômico, é “espacial”: onde colocamos o nosso coração. É bem possível que tenhamos que voltar à Bíblia e pregar sobre mordomia, finanças, prioridades, Reino… Mas mesmo aqui, uma advertência: não permita que uma teologia enferma estrangule seu orçamento. Já é hora de ensinarmos abertamente a doutrina neotestamentária de que 100% pertencem ao Senhor.

É preciso recomeçar a missão. Lance mão de toda fé que conseguir juntar. Volte a ler a respeito. Informe-se sobre o que Deus está fazendo hoje, o que fez nos últimos 5 anos. Você se surpreenderá! Ele ainda tem planos maravilhosos para a igreja brasileira. E você e eu, certamente, podemos fazer parte disso. Comece de novo!

José Roberto M. Prado
http://amtb.lesbos.kinghost.net/cim/index.php?option=com_content&view=article&id=119:comecar-de-novo&catid=48:pre-campo&Itemid=197 Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
Foi pastor de missões da Igreja Batista de Água Branca, SP e Diretor Executivo da Miaf. Atualmente é membro da Equipe da Sepal em Londrina e responsável pela rede de plantação de igrejas do Projeto Brasil 2010 e Amanecer, na América Latina.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

RELATOS IMPRESSIONANTES - O HAITI PEDE SOCORRO!

Em meio a surto de cólera, Haiti vive medo, miséria e esperança

Hospitais lotados, crianças e bebês contaminados e mais de 250 mortes marcam epidemia da doença no país caribenho.

Dentro do pátio do Hospital São Nicolau, além do portão com a placa manuscrita que avisa "Apenas Emergência de Diarreia", há uma cena desagradável, mas estranhamente ordenada no epicentro da inesperada epidemia de cólera do Haiti.
Dezenas de crianças e adultos estão deitados sobre todas as superfícies disponíveis, atormentados por distúrbios estomacais convulsivos ou lívidos de desidratação. Baldes foram colocados a seus lados, soluções intravenosas gotejam em seus braços. A vida está por um fio, mas ainda assim há uma calma sóbria e quase assustadora no ar.

É por isso que Martila José se destacou. Na segunda-feira, com lágrimas descendo por seu rosto enquanto ela balançava sua filha envolta em rosa, quieta demais em seus braços. "Eu não sei se minha filha vai sobreviver", ela disse, enquanto a esposa de outro paciente sacudia a cabeça.
"Você chegou ao hospital", disse a esposa do outro paciente. "Isso significa que você a salvou".
Zona de contágio
Na verdade, o tratamento tem conseguido salvar mais de 90% daqueles que chegam a uma clínica e é por isso que as autoridades de saúde se concentraram em reforçar os hospitais locais e centros de combate à cólera em toda a região de Artibonite. Esta é, no momento, a zona de alto contágio, onde as bactérias devem ser atacadas de maneira agressiva antes que se espalhem.

Autoridades internacionais de saúde salientaram que é praticamente impossível prever o padrão do surto. Mas a segunda-feira foi um dia relativamente bom: apenas seis mortes por cólera foram registradas no período de 24 horas.
Mais de 200 morreram da infecção bacteriana aguda da epidemia nos primeiros dias. O número de mortos conhecido é atualmente de 259, com mais de 3 mil casos, deles apenas 450 não são da área de Artibonite.

Profissionais médicos e suprimentos estão chegando para ajudar o governo haitiano, que ainda se recupera do terremoto de janeiro. Ao norte da cidade de Saint- Marc, uma brigada médica cubana, há muito estacionada no hospital da comunidade em L'Estere, foi ampliada para 28 médicos e enfermeiros, e tropas bolivianas estão construindo uma clínica de combate à cólera com 100 leitos.
Rapidez
Gerda Pierre descreveu como seu filho de 4 anos de idade, Gasner, começou a vomitar logo após a meia-noite. "Muitas pessoas na nossa vizinhança morreram de diarréia e vômito", disse Pierre, olhando rapidamente para o lado. "Mas eu não estou preocupada. Eu me apressei e o trouxe aqui o mais rápido que pude".









sábado, 13 de novembro de 2010

A VIAGEM DE UMA BÍBLIA NA CHINA

CHINA (13º) - Na China, onde o Partido Comunista proíbe aos seus membros de participar de grupos religiosos, uma editora em Nanjing imprimiu no ano passado 6,7 milhões de bíblias. Desse número, mais de 3 milhões de volumes foram destribuídos na própria China; as outras bíblias foram exportadas para outros países. As máquinas da empresa Nanjing Amity Printing podem produzir 42 volumes por minuto. Nas últimas semanas foram imprimidas 50 mil cópias do Novo Testamento, para serem distribuídas durante os jogos olímpicos.

Apesar dessa intensa produção de volumes da Bíblia, na China os líderes políticos reprimem as expressões de fé. De fato, a venda da bíblia é proíbida fora das igrejas e seminários registrados e autorizados pelo regime. Por isso é difícil fazer chegar a Palavra de Deus aos cerca de 700 milhões de pessoas que vivem nas zonas rurais. Depois da revolução de Mao Zedong ter uma Bíblia comportava grande risco de ser perseguido. Após a morte de Mao, houve uma aparente reforma e a partir de 1979 o governo começou a permitir que a Bíblia fosse impressa, embora continue a restrição à liberdade de culto.


A VIAGEM DE UMA BIBLIA NA CHINA
A história a seguir é uma reconstrução imaginária da vida de uma Bíblia - aos olhos dela mesma - montada a partir da informação encontrada na folha em branco de uma Bíblia verdadeira na China

Minha primeira viagem foi no fundo de uma mala velha. Quando cheguei ao norte da China, fui levada para uma pequena casa onde havia uma reunião de dezesseis líderes da igreja doméstica. Eles ficaram radiantes ao me ver. Parecia que eu era a única Bíblia que eles tinham lá. Os cristãos organizaram-se para me ler em turnos de duas horas, mesmo que para isso tivessem que atravessar as madrugadas.

Um ano de uso constante começou a cobrar o seu preço, e eu tive de ser reformada duas vezes. A cada dois meses umas mulheres vinham e passavam horas comigo, copiando minhas páginas. Uma delas copiou Isaías, mas a maioria delas copiou Atos, Romanos e Apocalipse.

Repentinamente, a igreja doméstica sofreu uma batida policial. Eu fui arrancada e levada pela policia. Dois cristãos foram presos por terem a minha posse.

De repente, me vi num escuro guarda-louça na casa de um policial, mas eu não estava só. Ele tinha uma filha de 15 anos que costumava rastejar escada abaixo, no meio da noite, só para ler-me à luz de velas. Ela me lia rapidamente, mal atrevendo-se a respirar enquanto virava as páginas.

Depois de uns meses, ela contrabandeou-me em sua mochila escolar e entregou-me para um evangelista itinerante, que cuidou de mim como se eu fosse um bebê. Ele embrulhou-me numa sacola plástica, colocou-me em sua bagagem, e foi de bicicleta de aldeia em aldeia. Durante os cultos, ele me folheava para umas de suas passagens favoritas, lia-me e, então, pregava. Ele chorava enquanto pregava, suas lágrimas caíam em grandes gotas nas minhas páginas abertas, manchando a impressão.

Infelizmente, alguém o assaltou e me roubou e eu me vi numa casa cheia de incenso. Parece que o meu novo dono era um monge taoísta e, por um pouco de tempo eu fiquei sobre um altar construído em honra aos seus ancestrais, ao lado de duas laranjas e um pacote de nozes. Mas um visitante me viu e avisou o homem que ele teria muitos problemas se outras pessoas me vissem. Isso intrigou o monge, por isso ele começou a me folhear. Mas ele não conseguia ler muito bem, por isso convidou um cristão local para vir e explicar algumas passagens. Um mês mais tarde, eu vi os dois de joelhos. A próxima coisa que eu soube foi que o altar tinha ido embora. Logo começaram a reunir grupos na casa.

Uma vez, eles me levaram para os campos e, quando paravam de plantar arroz, todos se reuniam ao redor e liam-me. Mas o líder da unidade de trabalho ficou zangado, agarrou-me e começou a me pisar, pressionando-me para dentro da lama. Para minha surpresa, os outros se levantaram e o atiraram na lama. Tentaram limpar-me, mas era tarde demais. Eles decidiram desfazer-se das partes sujas, dividiram os livros restantes, e costuraram cada um deles. Assim eu virei 31 livros. Mas, foi aí que eu perdi a minha folha em branco, e então minha história precisa terminar.

Missão Portas Abertas

EPIDEMIA DE COLÉRA NO HAITI JÁ MATOU 442 PESSOAS


A epidemia de cólera no Haiti fez 105 novas mortes desde o último sábado (30), o que soma um total de 442 óbitos desde o começo da epidemia no país. A informação foi dada pelas autoridades haitianas nesta quarta-feira (3).

Foram registradas ainda 1.978 novas hospitalizações, somando, agora, 6.742 pessoas internadas.

Vários países cooperam com o Haiti no combate ao surto da doença. O Brasil enviou uma carga de 4 toneladas de medicamentos e material hospitalar –frascos de hipoclorito de sódio, sais para reidratação oral, soro injetável, luvas e equipamentos para aplicação de soro. A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) mobilizou peritos internacionais, incluindo epidemiologistas, especialistas em comunicação de risco, laboratório, água e saneamento, além de logística.

Como medida de emergência, a Opas determinou a vacinação contra o cólera no Haiti na semana passada. Também foi determinado que todos os turistas e pessoas que sigam em direção ao país sejam informados sobre os riscos potenciais de contaminação, sintomas, precauções para evitar a doença e detalhes sobre locais para procurar ajuda.

Desde a semana passada, a ONU também está investigando suspeitas de que o surto de cólera que atingiu o Haiti tenha sido causado por soldados da missão de paz da organização no país, a Minustah. Testes estão sendo conduzidos na base das tropas nepalesas a serviço da ONU, após a revelação de que o tipo da doença que surgiu no Haiti nas últimas semanas é o mesmo do existente no Nepal.

*Com informações das agências internacionais



























SITUAÇÃO ESPIRITUAL DO HAITI

É a nação mais pobre do hemisfério ocidental, fato agravado pela superpopulação, erosão do solo, poluição, seca e fome. As sanções impostas pela Organização dos Estados Americanos, incluindo os EUA, aleijaram gravemente a já combalida economia, com os efeitos particularmente desastrosos sobre os pobres. A falta de um governo viável desde 1994 piorou a situação. As fontes principais de renda são as remessas de dinheiro dos expatriados haitianos e a ajuda internacional. Desemprego: 50 a 70% vivem na mais absoluta pobreza.

RESPOSTAS DE ORAÇÃO
Os cristãos evangélicos têm cada vez mais firme e abertamente feito oposição ao vodu e à dedicação do país a Satanás feita em 1791, pelos escravos que armaram uma revolta contra os franceses. Satanás era visto como o opositor da religião cristã dos seus opressores. A Visão Haiti, em 1997, com um movimento de oração e jejum, com amplo apoio foi considerado por muitos como o evento crucial para o fim desta maldição.

DESAFIOS DE ORAÇÃO
1. O Haiti precisa libertar-se das cadeias do seu passado. O genocídio espanhol contra os nativos arawakans e a escravidão cruel instituída e mantida pelos espanhóis e franceses são um histórico trágico. As tiranias, crueldades e uso do vodu como um meio de controle pela elite negra têm fomentado um espírito de maldade que permeia cada nível da sociedade. Intervenções mais recentes, especialmente dos EUA, não melhoraram a sorte do povo.

ORE PARA QUE:
Os poderosos espíritos que estão por detrás do vodu possam ser amarrados no nome de Jesus, e que este sistema demoníaco não seja mais visto como um “patrimônio cultural” do Haiti.

Esta nação possa ser verdadeiramente liberta, e que haja mudanças sociais através do poder do Evangelho.