"“Muitos crentes consagrados jamais atingiram os campos missionários com seus próprios pés mas poderão alcança-los com seus joelhos” (Adoniran Judson)”"

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

PARCERIA DE APOIO MISSIONÁRIO OU DE VANTAGENS PESSOAIS?

Diante de tantos desafios que a obra missionária apresenta, muitas vezes ainda somos surpreendidos por alguns que não havia necessidade de existirem, como por exemplo, aquele em que pessoas se sentem impulsionadas a tirar vantagens de parceria missionárias em seus próprios benefícios.
Com grande parte de uma sociedade corrompida e com poucos valores éticos, onde pessoas tentam tirar vantagens de todas as situações que lhes são apresentadas, somos levados infelizmente a conviver com este tipo de problema, que também tem afetado o meio evangélico e conseqüentemente a obra missionária.
São muitos os casos de pessoas que tiram proveito de situações missionárias que eram para serem levadas a sério e com o maior zelo possível, como o sustento, o cuidado do missionário e o valor ao ministério desenvolvido por aqueles que largaram toda uma vida em seu país ou cidade para servirem a Deus através da obra missionária em outro local. No entanto, líderes tentam conseguir meios indiretos para alcançar seus objetivos e muitos missionários aproveitam a função para obter recursos de maneira dolosa e inescrupulosa.
A cada dia somos surpreendidos por pessoas que agem desta maneira. Muitas igrejas convidam missionários para pregarem em seus congressos e cultos missionários para serem exibidos como troféus, como se estes estivessem disponíveis para a apreciação pública. São igrejas que não valorizam o chamado de Deus e desrespeitam a autoridade imposta sobre a vida dos missionários pelo próprio Deus.
Muitas vezes utiliza a experiência que os missionários trazem do campo, principalmente o transcultural, para beneficiar sua s agendas, porém, na hora de abençoá-los com uma oferta é um desafio, mesmo sendo um valor bem irrisório.
Temo que estes líderes e igrejas estejam usando a parceria e apoio missionário para vantagens pessoais e ministeriais e não para dar apoio ao missionário e à obra que Cristo impôs à Igreja, que é fazer missões e zelar pela obra missionária. Isto tem sido agravante em muitas agências missionárias, que muitas vezes deixam de investir em outros projetos para cobrir custos de despesas de agendas que não foram supridas pelas igrejas que convidam os missionários.
Creio que esta matéria não seria necessária se todos tivessem um sentimento altruísta e abençoador, amando e apoiando a cada missionário e agência que têm levado a sério este compromisso – missões.
Que Deus nos guarde de cair nestes erros e nos faça sempre valorizar o trabalho do missionário e da agência que o enviou.

Missionária ANA LUCIA MUNIZ DE PAULA (Publicado no Jornal “Paixão pelas Almas”da SEMIPA.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

AS VIRTUDES DE PAULO COMO MISSIONÁRIO

A cidade de Tarso foi o berço natal de Paulo. Ela entregou ao mundo grandes personagens, mas na realidade o maior presente que ela deu ao mundo, foi Paulo.

1. As virtudes de Paulo como missionário:

a) Vocacionado (At.13:2)
b) Consagrado (At.13:2-3)
c) Enviado (At.13:4)
d) Credenciado (At.13:3)
e) Liderado (At.13:2-7)
f) Preparado (At.13:16-52)
g) Inspirado (At.14:1)
h) Perseguido (At.14:19-20)
i) Corajoso (At.14:21-22)
j) Zeloso (II Co.11:2)
l) Dualidade de Ministério (At.15:35)
m) Visão missionária (At.18:9; 16:19)
n) Divulgador de novos valores (At.16:1)
o) Seu campo missionário era progressivo (At.16:5)
p) Tinha autoridade sobre as enfermidades (At.19:11-
12)
q) Era apaixonado pelas almas (At.17:16)
r) Trabalhava com equipe (At.18:5)
s) Seu trabalho era regado (com lágrimas) Atos 20.19, 31
t) Era fervoroso de espírito (I Co.14:18)
u) Era estimado por todos (At.20:37)
v) Foi o desbravador da obra missionária (Rm.15:19)
x) Usava linguagem maternal (Gl.4:19)
z) Prestava relatório á central de missões (At.14:24-
28; 18:22-23).

domingo, 26 de dezembro de 2010

A DOUTRINA BIBLICA DO SUSTENTO MISSIONÁRIO


Introdução
As igrejas do Leste Europeu foram muito vigiadas durante o regime comunista. Não tinham a liberdade para fazer missões. Na maioria dos casos era uma questão de sobrevivência. Tudo era controlado pelos agentes do Governo, inclusive as finanças.

Na União Soviética os pastores não podiam receber salário das igrejas. Ganhavam seu sustento trabalhando para o sistema vigente. Assim, tinham que dividir o seu tempo entre o serviço secular e o ministério da palavra.

O que arrecadavam através das ofertas regulares era suficiente para cobrir as despesas gerais da congregação e a ajuda aos pobres. A entrega de dízimos não era
praticada nem ensinada e incentivada pelos líderes. A construção de templos (quando, pela graça de Deus, recebiam autorização do Governo), era através dos próprios membros pelo sistema de mutirões.

Com a queda do comunismo vieram os tempos da liberdade. As igrejas então tiveram que assumir novos desafios que implicavam em encargos financeiros. As agências missionárias de todo mundo focalizaram a Europa Oriental e começaram a enviar centenas de missionários, a sustentar obreiros da terra, a construir templos e seminários e a financiar vários projetos.

Contudo, com o passar do tempo, os recursos vindo dos países ocidentais começaram a diminuir. Um dos motivos é que o foco de missões mundiais foi direcionado para os povos não-alcançados, principalmente os muçulmanos. Vale
salientar que no Leste Europeu são os muitos povos que ainda não foram alcançados e há, inclusive, uma grande população muçulmana, como é o caso da Albânia, Macedônia, das ex-repúblicas soviéticas e regiões autônomas da Rússia.
Países como a Romênia, Moldávia, Ucrânia e Rússia representam um grande potencial missionário. Eles poderão enviar, nos próximos anos, um grande número de missionários ao redor do mundo. Para que isto aconteça as igrejas precisam se despertar para missões e se tornarem liberais em contribuir para esta obra.

Temos realizado, em muitos países, congressos regionais com o tema “Adoração, mordomia e missões” para as igrejas e as suas respectivas lideranças. No final fazemos três tipos de apelos: 1) Para decisão de Isaias 6.8; 2) O voto de Jacó (de dar o dízimo de tudo) e 3) A oferta dos filipenses (ofertas para missões). Deus tem
abençoado esses eventos com muitos frutos para o seu reino. E o motivo de tanta aceitação é porque apresentamos o plano de Deus para o sustento da sua obra conforme se encontra na Bíblia.

Todos nós concordamos que Deus tem uma obra a realizar no mundo através da Igreja e que Ele estabeleceu um plano para o sustento desse trabalho. Quem aceita a autoridade bíblica participa efetivamente desse plano. A Palavra de Deus, além de fornecer a doutrina do sustento, nos fornece também modelos de sustento da sua obra.

1. Modelos bíblicos de sustento da obra de Deus
1.1. Abraão
1.1.1. Ele é modelo porque é o nosso “Pai da fé”. Como está escrito: “Sabeis, pois, que os que são da fé, esses são filhos de Abraão (...). De modo que os que são da fé são abençoados com o crente Abraão” (Gl 3. 7 e 9).
Qual é a implicação, para nós como crentes, em ter a Abraão como o nosso pai? Em primeiro lugar implica em bençãos: “Para que aos gentios viessem à bênção de
1 Abraão em Jesus Cristo, a fim de que nós recebêssemos pela fé a promessa do Espírito” (Gl 3.14). Em segundo lugar implica em responsabilidade: “Se sois filhos
de Abraão, fazei as obras de Abraão” (Jo 8.39). E uma das suas obras foi a de dar o
dízimo de tudo, conforme registrado em Gêneses cap.14.

1.1.2. Abraão nos oferece o princípio da mordomia

1.1.2.1. Ele deu o dízimo porque reconheceu a soberania de Deus. O patriarca reconheceu que Ele é o Deus Altíssimo, o Criador dos céus e da terra e possuidor de todas as coisas: “Levanto minha mão ao Senhor, o Deus Altíssimo, o Criador dos céus e da terra” (Gn 14.22). Baseado neste mesmo princípio, Davi declarou a soberania e a grandeza de Deus (1Cr 29.11-14).
1.1.2.2. Ele deu o dízimo porque foi abençoado por Deus. “O Deus Altíssimo (...) entregou os teus inimigos em tuas mãos” (Gn 14.20).

1.1.2.3. Ele entregou o dízimo a alguém credenciado por Deus.
A Melquisedeque, “sacerdote do Deus Altíssimo” (Gn 14.18). Os dízimos devem ser
trazidos à casa do tesouro” (Ml 3.10), e deve ser administrado pela igreja.
1.1.2.4. Ao dar o dízimo demonstrou absoluta fidelidade. Ele deu o dízimo de tudo, não fez como o casal Ananias e Safira, que escondeu furtivamente uma parte do valor da propriedade e mentira ao Espírito Santo (At 5.1-16).

1.1.2.5. Ele entendeu que melhor coisa é dar do que receber. Ele deu o dízimo de
tudo, mas não quis receber nada da mão do rei de Sodoma.

1.1.3. Com Abraão, Deus estava iniciando a história do seu povo (Israel e a Igreja) Abraão ocupou um lugar tão importante nos planos de Deus que o Senhor declarou a seu respeito: “Ocultarei eu a Abraão o que faço, visto que Abraão certamente virá a ser uma grande e poderosa nação, e por meio dele serão benditas todas as nações da terra? Porque eu o tenho escolhido, a fim de que ele ordene a seus filhos e a sua casa depois dele, para que guardem o caminho do Senhor, para praticarem a retidão e justiça; a fim de que o Senhor faça vir sobre Abraão o que a respeito dele tem falado” (Gn 18.17-19).
1.2. Jacó
Um dos descendentes de Abraão foi Jacó. Na visão que teve da escada, narrada em Gênesis, cap. 28, ele fez duas descobertas que mudaram o curso da sua vida.
1.2.1. Descobriu a presença de Deus
“Realmente o Senhor está neste lugar, e eu não o sabia” (v. 16). Não sabia porque o conceito que tinha de Deus era muito limitado, pensava em um deus patriarcal.

Ao deixar a casa dos pais, em que se adorava o Deus de Abraão e de seu pai Isaque, chegaria à casa do seu tio Labão, na Mesopotâmia, onde se adoravam os deuses regionais. Deus renova as promessas feitas a Abraão e disse que a sua fidelidade e a bondade o acompanhariam até se cumprir tudo aquilo de que lhe tinha falado.
2 1.2.2. Descobriu a casa de Deus
Esta é a primeira vez que aparece na Bíblia a expressão “casa de Deus” e acompanhada da sua definição: 1) A casa de Deus é um lugar terrível – por causa da presença gloriosa do Senhor e 2) A casa de Deus é a porta dos céus. Isto nos leva a pensar no ministério da igreja em abrir a porta dos céus para os homens através da pregação do Evangelho. Quando as pessoas entram na sua igreja têm a sensação de que estão na porta dos céus?

1.2.3. Assumiu dois compromissos com a casa de Deus

1.2.3.1. A casa de Deus precisa ser edificada. Jacó tomou a pedra que pusera debaixo da sua cabeça e a pôs como coluna. Assim, ele deu início a obra de edificação da casa de Deus e declarou: “Esta pedra que tenho posto como coluna será a casa de Deus” (Gn 28.22). Talvez Paulo e Pedro tenham-se inspirado nessa experiência para esclarecer o que significa “casa de Deus”: “(...) que é a igreja do Deus vivo, coluna e esteio da verdade” (1Tm 3.15); “Vós também, quais pedras vivas, sois edificados como casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus por Jesus Cristo” (IPe 2.5).
Jacó derramou azeite em cima da pedra; isto nos leva a pensar que as pedras, para serem vivas, precisam receber esta unção. Os crentes, para edificar a casa de Deus, precisam ser pessoas verdadeiramente nascidas de novo e cheias do Espírito Santo.

1.2.3.2. A casa de Deus precisa ser sustentada. Jacó assumiu o compromisso de sustentar a casa de Deus ao fazer esta declaração: “e de tudo quanto me deres, certamente darei o dízimo” (v. 22).

Fazemos duas perguntas: 1) De quem Jacó aprendeu sobre o dízimo?
Certamente do seu pai, Abraão. No texto já mencionado, Deus disse que o escolheu a fim de que ele ordenasse a seus filhos e a sua casa, depois dele, para que guardassem o caminho do Senhor, para praticarem a retidão e a justiça. 2) Em que base disse que daria o dízimo? Não nas suas possibilidades, pois fugia do seu irmão somente com o cajado em suas mãos e com um futuro incerto. Ele se baseou totalmente na fidelidade de Deus, como declarou: “(...) Se Deus for comigo e me guardar neste caminho que vou seguindo, e me der pão para comer e vestes para vestir, de modo que eu volte em paz à casa do meu pai, e se o Senhor for o meu Deus, então (...) de tudo quanto me deres, certamente darei o dízimo” (vv. 20,22).
Depois de 20 anos, quando estava voltando para a casa do seu pai, orou dizendo:
“Ó Deus de meu pai Abraão, Deus de meu pai Isaque, ó Senhor, que me disseste: volta para a tua terra, e para a tua parentela, e eu te farei bem! Não sou digno da menor de todas as tuas beneficências e de toda a fidelidade que tens usado para com o teu servo; porque com o meu cajado passei este Jordão, e agora volto com dois bandos” (Gn 32.9 e 10). Jacó fez prova do Senhor conforme Malaquias 3:10, e Ele de fato lhe abriu as janelas do céu e derramou a tal benção, segundo ele mesmo testemunhou.
1.3. Moisés
“Moisés, na verdade, foi fiel em toda a casa de Deus, como servo, para testemunhar das coisas que se haviam de anunciar” (Hb 3.5).
“Casa de Deus” é a mesma coisa de “povo de Deus”. Paulo disse que a casa de Deus
é “a igreja do Deus vivo” (1Tm 3.15). O autor da Carta aos Hebreus declara que
3 “Enquanto que Moisés foi servo (...), Cristo o é como Filho sobre a casa de Deus, a qual casa somos nós (Hb 3.5 e 6).
Quando Jacó fez o voto de edificar e sustentar a casa de Deus através dos seus dízimos, evidentemente que não estava pensando na construção de um prédio, mas no investimento que faria da sua vida e dos seus bens para o engrandecimento do reino de Deus. Através da revelação recebida por Moisés, este plano de Deus para o sustento de sua obra criou forma.
Arão e os Levitas foram separados por Deus para cuidar das coisas santas, e a base do seu sustento foi estabelecido: seria através dos dízimos e das ofertas alçadas do povo de Israel. Através das leis e estatutos a estruturou a vida religiosa da nação foi sendo estabelecida.
Como o povo de Israel estava sempre quebrando o pacto, passava por muitos períodos de decadência total (econômica, política, social, moral e espiritual).
Estes períodos eram intercalados por algum reavivamento espiritual, como o que aconteceu nos dias do rei Ezequias. Além das várias medidas adotadas, ele ordenou ao povo que morava em Jerusalém que desse a porção pertencente aos sacerdotes e aos levitas, “para que eles se dedicassem à lei do Senhor” (2Cr 31.4). “Então os filhos de Israel trouxeram em abundância o dízimo de tudo” ( 2Cr 31.5 e 6).
Também nos dias de Neemias ele contendeu com os magistrados e disse: “Por que se abandonou a casa de Deus? Ele, pois, ajuntou os levitas e os cantores e os restaurou no seus postos. Então todo o Judá trouxe o dízimo de tudo” (Ne 13.10-12).
Deus também estava levantando os seus profetas para exortar o povo e adverti-lo das conseqüências da sua obstinação. A vida religiosa descrita no último livro do Velho Testamento – Malaquias – estava muito deteriorada. Aparentemente estava tudo em ordem, todas as vezes que Deus repreendia o povo, a começar pelos sacerdotes, por causa dos seus deslizes, eles perguntavam mais ou menos assim: O que estamos fazendo de errado?
Confira os seguintes versículos: 1.1, 6; 2.14,17; 3.7, 8, 13. O problema é que eles estavam desonrando ao Senhor e profanando o Seu nome, ao oferecer ofertas de qualidade inferior, tratando as coisas santas com superficialidade, transgredindo o mandamento e deixando cair os padrões morais e espirituais estabelecidos por Deus.
Uma das últimas repreensões foi relativo a infidelidade deles no sustento da casa de Deus. Veja.
Quem não está entregando o que é devido a Deus, está cometendo o pecado do roubo, e não existe nenhuma inocência neste ato: “Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis: em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas alçadas”. As ofertas para missões são ofertas alçadas” (v. 8).
Quem não está entregando o que é de Deus estará recebendo o pagamento devido:
“Vós sois amaldiçoados com a maldição; porque a mim me roubais” (v. 9).
O pecado, quando generalizado, traz consigo o desastre nacional: “Sim, vós, esta
nação toda (v. 9) (...) o devorador que destrói os frutos da terra e da vide do campo” (v. 11).
Deus insiste em seu plano de sustento para a sua obra: “Trazei todos os dízimos á
casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa” . Não há justificativa para o infiel; aquele que está na dúvida é desafiado por Deus a fazer prova dele: “(...) e depois fazei provas de mim” (3.10).
São duas grandes bençãos: 1) Para a obra de Deus - “(...) para que haja mantimento [recursos] na minha casa” e 2) Para aqueles que são fiéis – “(...) Se eu
não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós tal benção, que dela vos
advenha a maior abastança” (v. 10).
4 Estas promessa são para o crente individualmente e para uma igreja que está investindo na obra de Deus com toda a liberalidade. Uma igreja que investe em missões será grandemente abençoada. A fidelidade afastará as maldições: “Derramar sobre vós tal benção. Também por amor de vós reprovarei o devorador” (Ml 4.10 e 11). A fidelidade da entrega dos dízimos e ofertas resultará em um testemunho maravilhoso para as nações: “E todas as nações vos chamarão bem-aventurados” (ml 4.12).
1.3.1. A finalidade da casa de Deus
Quando Jesus entrou no Templo, em Jerusalém, na véspera da sua crucificação, ficou revoltado por ver que os judeus tinham perdido o objetivo da casa de Deus.
1.3.1.1. O objetivo espiritual da casa de Deus – Jesus disse que a sua casa seria chamada casa de oração, mas estava sendo usada com outros propósitos. Os judeus estavam fazendo dela casa de negócios, e negócios desonestos.
1.3.1.2. O objetivo missionário da casa de Deus - Jesus disse que a casa de oração era para todos os povos (Mc 11.17). Os vendedores do Templo estavam ocupando exatamente o átrio dos gentios e impedindo que eles adorassem a Deus ali.
Quantas igrejas dos nossos dias têm perdido também a finalidade da casa de Deus! Jesus disse que “onde estiver o seu tesouro, ali estará também o seu coração” (Mt 6.21). Se o seu tesouro for o reino de Deus, certamente o seu coração estará em missões.
“Pois o zelo da casa de Deus me consome” (Sl 69.9) e este zelo o levou a dar a sua vida por ela: “(...) Cristo amou a sua igreja e a si mesmo se entregou por ela” (Ef 5.25). Davi disse que tinha posto o seu afeto na casa de Deus, e este afeto o levou a dar tudo o que tinha por ela: “(...) O ouro e a prata particular que tenho, eu o dou para a casa do meu Deus, afora tudo quanto tenho preparado para a casa do santuário” (1Cr 29.3). Qual é o seu zelo e o seu afeto pela casa de Deus?
1.4. Igrejas da Macedônia
Paulo, escrevendo a sua segunda epístola aos coríntios, citou as igrejas da Macedônia como modelo de liberalidade em contribuir para a obra missionária. Na primeira, porém ele repreende a igreja pela sua negligência em sustentar condignamente aqueles que foram chamados e enviados por Deus para pregar o Evangelho.
1.4.1. Deveres e diretos
Se a obra de Deus é feita na base de cooperação, como disse Paulo – “Nós somos cooperadores de Deus” (1Co 3.9) – isto implica em deveres e direitos de todas as partes envolvidas. Os missionários são devedores: “Eu sou devedor, tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes” (Rm 1.14). O missionário é devedor ao povo que o enviou e ao povo ao qual é enviado. É devedor às suas igrejas e a sua Junta.
Porém, ele tem os seus direitos, sendo alguns deles reivindicados por Paulo, segundo 1Coríntios, cap. 9, que passa a ser um porta voz de todos os missionários:
1.4.1.1. O direito de viver de uma maneira digna. “Não temos nós direito de comer e de beber?” (v. 4). Quantos pastores e missionários em nossos dias que não têm gozado deste direito!
1.4.1.2. O direito de ser acompanhado pela esposa. “Não temos nós direito de levar conosco esposa crente, como os demais apóstolos, e os irmãos do Senhor, e Cefas?” (v.5). Pelo fato de a maioria das igrejas do Leste Europeu não ter visão de sustento dos 5 seus obreiros, as esposas têm que trabalhar para ajudar nas despesas de casa, e ficam impossibilitadas de acompanhar o esposo para ajudá-lo no ministério.
1.4.1.3. O direito de se dedicar integralmente ao ministério a que foi chamado. “Ou será que só eu e Barnabé não temos direito de deixar de trabalhar?” (v. 6). Quando Paulo iniciou o seu ministério em Corinto não tinha o seu sustento assegurado e teve que fazer tendas, tendo somente o dia de sábado disponível para pregar o Evangelho.
Mas quando Silas e Timóteo desceram da Macedônia com o seu sustento, ele dedicouse inteiramente à Palavra. (At 18.1-5).
1.4.1.4. O direito de ser sustentado por aqueles a quem ministra e por aqueles que
participam do seu processo de envio. “Quem jamais vai a guerra à sua própria custa?
Quem planta uma vinha e não come do seu fruto? Ou quem apascenta um rebanho e não se alimenta do rebanho?” (v. 7).
2. O plano de Deus para o sustento da obra é um só
Há uma corrente de interpretação que diz que o plano de sustento do Velho Testamento é diferente do Novo Testamento. Pelo fato de não estarem mais debaixo da lei , mas sim da graça, rejeitam a prática do dízimo e, conseqüentemente, o sustento condigno dos pastores e missionários.
Contudo, Paulo afirma claramente que o plano de Deus no Novo Testamento é o mesmo do Velho Testamento, vejamos: “Ou não diz a lei também o mesmo? Pois na lei de Moisés está escrito: Não atarás a boca do boi quando debulha. Porventura está Deus cuidando dos bois? (...) Com efeito, é por amor de nós que está escrito” (1Co 9.8- 10).
O que Moisés escreveu na lei sobre o sustento, foi para nós! Nós quem?
Evidentemente que foi para nós, do Novo Testamento. Não atar a boca do boi. Não é uma lei de proteção dos animais, pois ele pergunta: “Porventura está Deus cuidando dos bois?” (v. 9). Paulo volta a aplicar esta ilustração do boi para reivindicar o sustento condigno do obreiro cristão. Fazer isto com o boi é um ato de injustiça, e não é isto que muitas igrejas estão fazendo com os pastores e missionários: criando várias restrições, inclusive salarial, para desenvolverem a obra do Senhor?
“Os presbíteros que governam bem sejam tidos por dignos de duplicada honra, especialmente os que labutam na pregação e no ensino, porque diz a escritura: Não atarás a boca ao boi quando debulha. E: Digno é o trabalhador do seu salário” (1Tm 5.17).
Não há nenhuma contradição entre o ensino de Moisés e de Jesus. O salário, para
ser justo, precisa ser diferenciado – duplicada honra para aqueles que governem bem.
Não atarás a boca do missionário quando está fazendo missões, pois é digno do seu salário. Não atarás a boca do evangelista quando está evangelizando, pois digno é do seu salário. Não atarás a boca do pregador quando está pregando, pois digno é do seu salário. Não atarás a boca do mestre quando está ensinando, pois é digno do seu salário.
“Não sabeis vós que os que administram o que é sagrado comem do que é do templo? E que os que servem ao altar, participam do altar. Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho” (vs. 13 e 14).
“Assim” quer dizer “a mesma coisa”. O plano para o sustento dos servidores do templo do Velho Testamento (vivem do altar), é o mesmo daqueles que pregam o Evangelho (vivem do Evangelho). Quem ordenou foi o Senhor Jesus.
2. Sustentar os obreiros é fazer o bem “Amados, não imiteis o mal, mas o bem” (3Jo 11).
3.1. Não imiteis uma igreja como a de Corinto que não tem visão de sustento para
os que pregam o evangelho.
3.1.1. “Pequei porventura, humilhando-me a mim mesmo, para que vós fôsseis exaltados, porque de graça vos preguei o evangelho de Deus? Outras igrejas despojei, recebendo delas salário, para vos servir; e quando estava presente convosco, e tinha necessidade, a ninguém fui pesado” (2Co 11.7 e 8).
3.1.2. “(...) humilhando-me” (...) “antes suportamos tudo” (2 Co 11.7; 1Co 9.12). Paulo teve que passar privações enquanto ministrava aos corintios porque eles não quiseram assegurar o seu sustento.
3.1.3. “Outras igrejas despojei, recebendo delas salário, para vos servir” (2Co 11.8).
Segundo o que está escrito, a igreja de Corinto é a única mencionada no Novo Testamento por não participar no sustento de Paulo e dos seus colegas missionários.
Como eles devem ter se sentido ao receber esta carta de Paulo repreendendo-os por esta grande falta? Como você que sua igreja se sentiria recebendo palavras como estas?
3.1.4. “Quando estive convosco, e tinha necessidade, a ninguém fui pesado” (2Co 11.8). Que falta de sensibilidade para as necessidades do próximo, principalmente daqueles que labutam pela causa do Evangelho! “Quem , pois, tiver bens neste mundo, e, vendo o seu irmão necessitado, lhe fechar o coração, como permanece nele o amor de Deus?. Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obras e em verdade” (1Jo 3.17 e 18).
3.2. Imitais as igrejas como as da Macedônia, que apesar de todas as suas
provações, fizeram muito mais do que as demais. “Pois os irmãos que vieram da Macedônia, supriram as minhas necessidades” (2Co11.9). “Também, irmãos, vos fazemos conhecer a graça de Deus que foi dada às igrejas da Macedônia; como, em muita prova de tribulação, a abundância do seu gozo e a sua profunda pobreza abundaram em riquezas da sua generosidade. Porque, doulhes testemunho de que, segundo as suas posses, e ainda acima das suas posses, deram voluntariamente, pedindo-nos, com muito encarecimento, o privilégio de participarem deste serviço a favor dos santos; e não somente fizeram como nós esperávamos, mas primeiramente a si mesmos se deram ao Senhor, e a nós pela vontade de Deus” (2Co 8.1-5).
“Também vós sabeis, ó filipenses, que, no princípio do evangelho, quando parti da Macedônia, nenhuma igreja comunicou comigo no sentido de dar e de receber, senão vós somente; porque estando eu ainda em Tessalônica, não uma vez só, mas
duas, mandastes suprir-me as necessidades” (Fl 4.15 e 16).
São palavras para serem meditadas e praticadas. As igrejas da Macedônia são um
exemplo de liberalidade.


Conclusão
Lamentamos por aquelas igrejas que ainda em nossos dias seguem o exemplo da igreja de Corinto. Mas louvamos a Deus por aquelas que estão seguindo o exemplo das 7 igrejas da Macedônia na sua liberalidade em contribuir para o sustento condigno dos seus pastores e missionários.

O plano do sustento da obra missionária não foi feito pelas Juntas missionárias ou outra qualquer instituição humana, mas por Deus. O plano é único em toda a Bíblia, não podemos alterá-lo, mas sim obedecê-lo. O fruto da nossa fidelidade será o engrandecimento do reino de Deus e o cumprimento da promessa do Senhor em derramar abundantes bençãos sobre os que assim sustentam a causa de Cristo através da sua igreja ao redor do mundo.

Texto de: Gerson Tomaz Pereira

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

IGREJA LOCAL E MISSÕES

Pv. 18:22; I Tm 3:12; 5:14; Heb: 13:4

INTRODUÇÃO
A partir do propósito da Igreja é necessário analisar a responsabilidade da Igreja local em missões. A pergunta básica a ser levantada é: Para que existe a Igreja. Partindo do pressuposto que no transcorrer da história a “eklesia” tem perdido o propósito para o qual foi edificada. Afirmamos que está na hora de reestruturarmos a Igrejas para que ela retorne ao propósito bíblico. Que segundo Edison Queiroz é:
A Igreja é o instrumento de Deus para realizar a sua obra:
* Deus reuniu gentios e judeus e fez deles um novo povo.
* A declaração de Cristo: Edificarei a minha Igreja em Mt. 28:18-20.
* A ordem de evangelizar o mundo foi dada a Igreja e não a qualquer outra organização, Mt. 16:18.
* Todos os ministérios e atividades da Igreja devem convergir para o seu propósito final que é a evangelização do mundo. Queiróz Edison. Apostila do curso de “Mobilização Missionária da Igreja Local”. 1996, p.14.
Idem 76, p 121.

I. O PROPÓSITO DA IGREJA
Não há propósito mais importante para uma Igreja local que missões. Na verdade missões têm que ser a prioridade. O objetivo final dos cultos, e da escola dominical deve estar voltado para que cada membro seja edificado na Palavra, compreendendo assim seu papel na Grande Comissão do corpo de Cristo.
Warren diz: “Não é a nossa missão criar os propósitos da Igreja, mas sim, descobrir quais são eles”.
Isto implica num intenso, serio e dedicado estudo da Palavra e incessante busca de Deus através da oração para sabermos qual é o propósito específico para nossas igrejas.
Como pastor de uma igreja no bairro do Limão, em São Paulo, juntamente com o conselho da igreja, após vários meses de oração e estudo bíblico chegamos a um consenso quanto ao propósito de nossa Igreja que foi assim declarado: “A Igreja de Deus no bairro do Limão existe para adorar a Deus através da obediência a sua Palavra, pregando o evangelho a todos os povos fazendo discípulos fiéis”. A igreja tem metas a curto, médio e longo prazo e estratégias para alcançá-las. Esta declaração de propósito da Igreja ajuda a todos, pastores, líderes e membros, a não se esquecerem o objetivo supremo de Deus para a Igreja. Nas palavras em negrito vemos como a Igreja local pode ajudar seus membros e futuros missionários a desenvolverem uma vida espiritual sadia e produtiva antes de ir ao campo, ou seja, a partir de seus primeiros passos na Igreja. Idem 30, pp. 109- 127.
Idem 30, p. 113.
Taylor, William. Demasiado Valiosa para que se Pierda. COMIBAM. 1997, p. 107.
Retorno Antecipado Evitável, usado para os missionários.
Idem 30, p.118.

II. AS QUATRO FINALIDADES DA IGREJA

1. Comunhão
Charles Engen fala das quatro finalidades da Igreja: Primeiro a “Koinonia”...Que vos ameis uns aos outros...(Jo. 13:34-35; Rm. 13:8; I Pe. 1:22)
Umas das frases mais simples, porém, mais complexa para designar a Igreja é a ordem de Jesus: que vos ameis. Os discípulos não apenas entendiam que amor ágape era o estilo de vida esperado do povo de Deus, mas que era a tarefa da Igreja desde épocas remotas. O amor ao próximo era encontrado já no inicio do AT ( Lv. 19:18; Pv. 20:22; 24:29). Aliás, amar a Deus e ao próximo é a síntese da Torá (Mc 12: 29-31).
Koinonia é comunhão, e isto implica necessariamente, em relações interpessoais. Aqui devemos falar das dificuldades no campo referente às relações interpessoais. Segundo Jonathan Lewis , o desacordo com a Agência está em sexto lugar no R.A.E. com 6,2%, e os problemas com congêneres em quinto lugar com 7,4%. Estas são estatísticas referentes ao Brasil, se juntarmos os dois aspectos que estão ligados com os relacionamentos interpessoais, somam 13,6 %, subindo para o primeiro lugar. Isto revela que a Igreja não está cumprindo com seu propósito fundamental. Também revela como um problema na Igreja Local torna-se um problema no campo missionário. É na Igreja onde se aprende a respeitar e amar os irmãos (principalmente o cônjuge), os líderes, os colegas de trabalho.

2. Proclama a verdade
A segunda finalidade da Igreja é o “Kerigma”...Jesus é o Senhor... (Rm. 10:9; I Co. 12:3) que significa literalmente proclamar esta verdade, “Jesus é o Senhor”, para os que não estão sob seu Senhorio. Verdade esta que implica necessariamente numa mudança de vida e do caráter do homem, significando um contraste com o mundo e seus pensamentos.
A Igreja de Jesus Cristo existe quando as pessoas confessam com a boca e crêem no coração que Jesus é Senhor – Senhor da Igreja, de todas as pessoas e de toda a criação (Cl. 1:15-20).
Através da confissão, a Igreja caminha em direção ao que ela é, a comunidade missionária dos discípulos do Senhor. Assim a missão torna-se requisito indispensável a todo aquele que diz ser discípulo de Cristo. Ele não pode confessar que Jesus é Senhor sem ao mesmo tempo anunciar seu Senhorio a todos. As palavras em negrito novamente nos fazem entender a relação entre vida missionária e o propósito da Igreja. Crer no coração que Jesus é Senhor implica que todas as dimensões da vida estão no domínio de Jesus, os temores, fraquezas, dúvidas, complexos, virtudes, defeitos. Quando isto acontece, dificilmente acontece um retorno antecipado evitável. Concluindo podemos dizer que a Igreja só é querigmática quando ela, intencionalmente, se dirige aos que ainda não aceitaram a Jesus como Senhor.

3. Serviço
A terceira finalidade da Igreja é: “Diaconia”... “Uns destes mais pequeninos...” (Mt. 25:30, 45). Este termo significa serviço e no NT podemos encontrar várias palavras que se referem ao conceito de servir:
1. Servir como servo.
2. Disposição para servir.
3. Servir em troca de pagamento.
4. Servir ao mestre.
5. Serviço muito pessoal a outra pessoa.

Vemos nestes termos o auto-retrato de todo ministro. A palavra “Diaconia” tomou principal destaque na Igreja primitiva. Logo depois de pentecostes podemos ver os discípulos servindo através dos grandes milagres e quando os discípulos não podiam mais cuidar das coisas do ministério e “servir as mesas” então surgiu um novo ministério o diaconato. Por exemplo: Dorcas em Jope. Este é um ministério pelo qual a Igreja manifesta concretamente o discípulo seguindo a Jesus.
O ministério diaconal da Igreja ainda testifica a autenticidade dela e contribui para o despontar da Igreja missionária, a comunidade diaconal de amor constituída daqueles que confessam lealdade a Cristo.
É natureza da Igreja ministrar a todos os necessitados, seja essa necessidade espiritual ou física. Ela deve servir a todos em todas as áreas e em todo o mundo.
Podemos dizer que se aprendermos a servir na Igreja local, serviremos ao povo receptor com humildade, dedicação e principalmente com amor. Chegaremos ao novo país com espírito de servo e não de arrogância, superioridade ou poder.

4. Testifica
Por último, a quarta finalidade da Igreja é a “Martiria”... “Sereis minhas testemunhas...” “que vos reconcilies com Deus...” (Is. 43:10, 12; 44:8; At. 1:8; II Co. 5:20). Em Atos vemos o mandamento de espalhar-se geográfica e culturalmente. E mais ou menos esta expansão se cumpriu, mas provavelmente não captaram na sua totalidade o peso das palavras “Sereis minhas testemunhas”. A finalidade da Igreja é testemunhar em todos este lugares ao mesmo tempo.

A palavra “Martys” se emprega de diversas maneiras nas Escrituras:
1. Testemunha judicial de fatos.
2. Testemunha de fatos numa confissão de fé.
3. Declaração de um fato como testemunha ocular de um ocorrido.
4. O testemunho evangélico da natureza e da importância de Cristo.

5. Martírio.
Dentro destas gamas de significados, o objetivo do corpo de Cristo é tornar tangível, real, visível e efetivo o fato de Jesus Cristo estar presente no mundo.
O corpo de Cristo deve praticar o que proclama para que as pessoas possam ver em nós, pessoas reconciliadas com Deus, para que sejamos segundo II Co. 5:18-21.


CONCLUSÃO

“Ora tudo provém de Deus que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo, e nos deu o ministério da reconciliação, a saber, que Deus estava em Cristo, reconciliando consigo ao mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação”.
De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus.
Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que nele fossemos feitos justiça de Deus”.
Segundo Jonathan Lewis o R.A E. de brasileiros por motivos de vida imoral é de 3,8%, mas se acrescentarmos os de conflito familiar de 1,9% que são similares, pois é um mau testemunho somam 5,7 %. Devemos compreender que tudo isto se aprende ou deveria se aprender na Igreja Local, pois é o lugar onde mais tempo passa o candidato antes de ir ao campo ou a escola teológica ou missiológica.

Pr. Edenisio Rodrigues
C

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

A NECESSIDADE DE UMA RETAGUARDA PARA O MISSIONÁRIO

Texto de: Durvalina B. Bezerra - Seminário Betel Brasileiro

O intercessor deve estar consciente de que sua participação é essencialmente necessária e estratégica para o bom desempenho daqueles que se dedicam ao trabalho missionário, seja no campo, seja na base. Como também é parte decisiva na vitória da “falange das mensageiras [e dos mensageiros] das boas novas” (Sl 68.11) e na conquista do reino eterno. Para comprometer-se nesse serviço sagrado, o intercessor deve saber como fazer a retaguarda.

ORAÇÃO COMPROMETIDA, é assim que classificamos a intercessão da retaguarda. Isso significa compartilhar a luta, ser participante ativo, colocar-se diante de Deus em favor do missionário para causar efeito no seu trabalho. É assumir a posição do militante, e não apenas orar quando sentir vontade ou para cumprir o programa de intercessão da igreja.

O apóstolo Paulo revela a necessidade de haver uma retaguarda para o combate missionário. Em vários textos, podemos encontra-lo pedindo intercessão, como aos Romanos: “Rogo-vos, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e também pelo amor do Espírito, que luteis juntamente comigo nas orações a Deus a meu favor” (Rm 15.30). Os intercessores formam o batalhão que dá o suporte espiritual para os guerreiros irem à linha de frente. Esse texto traz a idéia de corporação, ou seja, uma associação de pessoas do mesmo credo, sujeitas às mesmas regras e com os mesmos direitos e deveres. É assim que somos como igreja e é assim que devemos encarar a grande comissão.

ORAÇÃO INTERCESSÓRIA é caracterizada pelo esforço de impedir a atuação do opositor e favorecer o servo do Senhor, Ela é feita com zelo e intenso desejo de ver o missionário fortalecido, superando os obstáculos e erguendo o pendão do evangelho sem esmorecer. Enfrentar o campo missionário é se deparar com oposições. Paulo estava indo a Roma e sabia dos adversários e das adversidades que estavam à sua espera. Daí pede que haja luta em oração para que lhe favorecesse obter êxito em sua missão.

A Palavra de Deus confirma esse sentido. Quando Davi e seu exército lutaram contra os amalequitas e voltaram vitoriosos com os despojos, o rei fixou como estatuto e direito em Israel a seguinte norma: “Qual é a parte dos que desceram à peleja, tal será a parte dos que ficaram com a bagagem; receberão partes iguais” (1Sm 30.24). Aplicando esse texto, podemos concluir que, na obra de Deus, o trabalho é cooperativo. Assim, o trabalho do missionário e o do intercessor são um só combate, e o valor do serviço é o mesmo; por isso, a justa recompensa é atribuída igualmente a ambas as partes.

PORQUE É IMPORTANTE A RETAGUARDA?

Porque somos uma corporação, um exército em combate pelo reino eterno. O missionário de campo e de base, todo aquele que está no batalhão, precisa de cobertura espiritual. A retaguarda são guerreiros de oração, pessoas levantadas pelo Espírito Santo para acompanhar aqueles que estão sendo usados tanto para dar o suporte no trabalho administrativo, como para os que estão na linha de frente para a anunciação das boas novas do evangelho.

Durante o ministério de Charles Finney, vários intercessores, levantados por Deus, acompanhavam suas viagens e pregações. Eles enchiam de oração cada cidade onde ele ia pregar, até saturar aquela atmosfera com a presença divina, criando ali um ambiente propício à recepção da Palavra de Deus. Vários guerreiros se tornaram parceiros no ministério de Finney durante o reavivamento nos Estados Unidos. Destacamos Abel e Nash: estes recebiam tantos fardos de oração pelos perdidos, que “agonizavam em oração por muitas horas para que o poder de Deus operasse a salvação entre o povo.” Milhares se convertiam com a pregação de Finney porque, antes, os corações foram trabalhados pelo poder da oração.

COMO FAZER A RETAGUARDA PARA O MISSIONÁRIO

1) O intercessor abre portas para o missionário. A intercessão precede a pregação. O missionário Paulo sabia que a sua missão era pregar, portanto ele precisava que as portas fossem abertas à pregação. “Suplicai, ao mesmo tempo, também por nós, para que Deus nos abra porta à Palavra” (Cl 4.3). Porta aberta significa oportunidade para a pregação do evangelho, tanto nos paises que proíbem a entrada de missionários como naqueles que têm liberdade religiosa. Paulo era consciente de que pela oração as portas seriam abertas. O que ele queria era oportunidade para espalhar o evangelho onde quer que fosse: seja no templo, de casa em casa, no ambiente de trabalho, na prisão, em viagens, quando oportuno ou não (At 20.20; 2Co 6.4-5; 2Tm 4.2).

A igreja antiga expandiu-se rapidamente porque não esperava pelo culto público para levar alguém a Cristo. É comprovado que o método evangelisticos mais eficiente consiste no testemunho e na abordagem pessoal. Como o evangelho já teria se espalhado, se os missionários estivessem mais atentos e soubessem aproveitar as oportunidades do dia-a-dia. O apóstolo Paulo nos exorta: “Aproveitai as oportunidades” (Cl 4.5).

Conheci uma missionária que trabalhou vários anos na Etiópia, na década de 1970, e perguntei-lhe sobre as oportunidades que teve entre aquele povo tão sofrido. Ela disse-me: “Ah, eu fui como enfermeira da Cruz Vermelha, meu serviço era cuidar dos doentes.” Quantas oportunidades perdidas!

O missionário deve viver sob o peso da responsabilidade de anunciar as boas novas. Paulo lamenta: “Ai de mim se não pregar o evangelho” (1Co 9.16). Ele vivia atento para as oportunidades. Demorou-se em Éfeso e se justificou: “Uma porta grande e oportuna para o trabalho se me abriu” (1Co 16.9). A intercessão valeu!

2) O intercessor encoraja o missionário a ser intrépido. Pregar a Palavra, todo ministro deve saber. Afinal, ninguém deve ser consagrado e enviado sem a preparação adequada. Paulo era um grande teólogo e filósofo e tinha recebido dos céus revelaçõs como nenhum outro, mas dependia da oração para a pregação e não se intimidava de pedir. “[Orem] também por mim, para que me seja dada, no abrir da minha boca, a palavra, para, com intrepidez, fazer conhecido o mistério do evangelho” (Ef 6.19). Paulo era consciente de que só pela ação do Espírito Santo poderia usar a palavra certa para a pessoa certa, de forma que alcançasse o ouvinte levando-o a convencer-se da verdade.

Paulo buscou lugar nas orações dos irmãos para saber como manifestar o mistério de Deus, “para que eu o manifeste, como devo fazer” (Cl 4.4). O como fazer só pode ser efetivo pela oração. Não é bastante saber pregar, usar as regras da hermenêutica e da homilética, levar em conta o auditório, a cultura e aplicar os princípios de contextualização do evangelho. É necessário saber usar essas ferramentas no poder e na dependência do Espírito Santo.

Ser ousado na Palavra quando se tem liberdade religiosa é bem diferente da postura que se deve ter num país fechado, quando o missionário é vigiado e até proibido de expor a sua fé. A dimensão e a forma do testemunho mudam, mas persiste a necessidade de ser intrépido! Saber como falar na suficiência daquele que nos comissionou, e certamente haverá frutos que glorificarão a Deus.

3) O intercessor ergue as mãos para obtenção da vitória. O Antigo Testamento registra um episódio, dentre muitos, que confirma a necessidade da oração para conquistar vitória. Quando Israel lutava contra os amalequitas, as mãos de Moisés erguidas em oração no monte garantiam a vitória. Foi necessária a ajuda de Arão e de Hur, que sustentaram firmes as mãos de Moisés até o pôr-do-sol. Com as mãos levantadas prevalecia Israel, com as mãos abaixadas prevalecia Amaleque (Ex 17. 8.16). Parece tão simples, um ato humano, físico, será que toda estratégia do comandante nada valeria? A estreza e o esforço dos soldados, o treinamento dos guerreiros não contavam? O que Deus queria ensinar a Israel era que todas as conquistas deviam depender dele! A efetivação da sua vitória era determinação dele! Não cabia à nação a glória da sua força. As possibilidades de Israel vencer não estavam na organização do seu exército nem no número dos seus combatentes. O Deus de Israel é homem de guerra! O Senhor dos Exércitos é o seu nome!
A retaguarda é formada por aqueles que sobrem ao monte e ficam de mãos erguidas enquanto a batalha é travada no vale. Sabemos que Deus nos fala por metáforas. Monte, na Bíblia, significa oração; vale, significa luta; mãos levantadas referem-se à intercessão vitoriosa e mãos abaixadas denotam descanso e derrota.

O nosso Comandante não mudou, o comando do seu povo ainda lhe pertence. Isso não anula o empenho, a garra, a organização e toda instrumentação do exército do Senhor. A responsabilidade humana nos convoca ao preparo e ao esforço, como bons combatentes.

Quando Pedro e João foram presos e ameaçados pelas autoridades, “uma vez soltos, procuraram os irmãos [...] e unânimes levantaram a voz em oração” (At 4.23-24). Eles sabiam aonde ir, porque estavam certos da existência de intercessores agindo em oração para a garantia da vitória. “Pedro estava guardado no cárcere; mas havia oração incessante a Deus po parte da igreja a favor dele” (At 12.5). Ao ser livre da mão de Herodes, Pedro tem um endereço certo: a casa de Maria onde muitos estavam orando (At 12.12). Os primeiros missionários tinham a igreja que os sustentava em oração.

Se, de fato, a igreja assumisse o ministério da intercessão, os missionários permaneceriam mais tempo no campo de batalha e seriam mais vitoriosos. Os missionários podem ter a coragem de sair ao campo sem primeiro formarem uma boa retaguarda? Ter segurança de descer ao vale sem que existam mãos levantadas no monte?

4) O intercessor favorece a frutificação do trabalho. Quando Paulo pede oração aos coríntios (1Co 1.11), apresenta a oração como uma rede de benefícios. Seus efeitos alcançam: quem ora – o intercessor, lquem é o alvo da oração – o missionário (ministro de Deus), e quem recebe os efeitos da oração respondida – o poo (os convertidos), fruto do ministério missionário. Esses convertidos darão graças pelos intercessores que com suas orações beneficiam o missionário, o qual faz a mensagem salvadora chegar até eles.

É interessante lembrar, como vimos anteriormente, que a oração começa em Deus que induz e inspira o intercessor a orar, e termina em Deus, quando o produto da oração glorifica a Deus em ações de graças. A oração é um círculo fechado.

Paulo diz: “Para que, por muitos, sejam dadas graças a nosso respeito” (2Co 1.11). A tradução de Rutherford é: “Para que haja um oceano de faces erguidas enquanto amplas ações de graça se elevam para Deus a nosso favor.” O missionário, o líder espiritual, deve estar ciente de que o resultado do seu trabalho não é proveniente apenas de sua preparação, consagração ou carisma pessoal, mas da força conjunta daquela parte do corpo de Cristo que labuta a seu favor.

O intercessor, por sua vez, deve crer que a resposta de suas orações faz a multidão vir a Cristo. “Ó tu que ouves as orações, a ti virão todos os homens “ (Sl 65.2). Não foi após os cento e vinte orarem que veio a grande colheita e, num só dia, três mil se converteram (At 1.14; 2.41)?

Quando se trabalha entre povos resistentes ou em área de risco, é mais difícil ver os resultados e é necessário mais tempo de semeadura, mas isso não significa que não haja resposta. A produção pode ser a cem, a sessenta ou a trinta por um, mas haverá, “porque a Palavra não voltará para mim vazia [...]; prosperará naquilo para que a designei” (Mt 13.8; Is 55. 11). “A oração facilita o avanço do evangelho. Projetado pela energia da oração, o evangelho nunca é lento nem tímido.”

Wesley Duewel, missionário da OMS Internacional, conta que, nos primeiros vinte e cinco anos de trabalho na Índia, abria uma ou duas novas igrejas por ano. Então, indo de férias para os Estados Unidos, em 1964, Deus o levou a pedir por mil intercessores, que orassem quinze minutos por dia pelo seu ministério na Índia. O resultado foi a abertura de vinte e cinco novas igrejas a cada ano, com um total de 25.000 crentes. “Mil guerreiros de oração unidos, orando pela colheita, foi o segredo!”

O produto do serviço será na proporção das respostas das orações. Quanto mais oração, mais resultados!

1. Sustenta o missionário na vida pessoal. Não podemos esquecer que o missionário é uma pessoa com as mesmas necessidades de cada um de nós. Por isso, precisamos:

a) Encoraja-lo na luta pessoal, fortalece-lo nas tentações, nas privações, nas tomadas de decisões particulares. Precisamos crer que, mesmo ausentes e distantes, podemos estar presentes em espírito, através da ligação que a oração faz (1 Co 5.3). Impressiona-me o relato seguinte Saul perseguia a Davi e determinou mate-lo. Logo, Davi fugiu para o deserto de Zife. E o texto diz: “Então se levantou Jônatas, filho de Saul, e foi para Davi, e lhe fortaleceu a confiança em Deus” (1Sm 23.16). Pela oração é possível romper a distância e nutrir a confiança. Escrevendo aos filipenses, Paulo ratifica esta verdade: “Porque estou certo de que isto mesmo, pela vossa súplica e pela provisão do Espírito de Jesus Cristo, me redundará em libertação” (Fp 1.19). No exercício sacerdotal, o Senhor Jesus revela que a intercessão não é apenas um ato de expressão diante de Deus, mas é oferecer-se a si mesmo para beneficiar o outro. “A favor deles eu me santifico a mim mesmo” (Jô 17.19).
b) Interceder pelo sustento do missionário. Esta é uma área que tem trazido muitas dificuldades para a obra missionária e provocado desistências ou retorno antecipado de alguns. Principalmente quando a nossa moeda se desvaloriza frente ao dólar, os missionários sofrem. Não é justo que eles se disponham a ir ao campo, entrar no processo de aculturação, entregar-se ao trabalho árduo, e nós, a igreja que fica, não os suprimos com uma manutenção digna. Supliquemos pela igreja para que cumpra o seu papel no sustento dos enviados e pelas agências que viabilizam o envio. Pelo missionário, para que desenvolva experiências de fé e sabedoria no uso do dinheiro. Ao lembrar deles em oração, sintamos a sua luta, principalmente nos primeiros meses, na aprendizagem da língua e da nova cultura. Para estabelecer-se, se é casado estabelecer a família, providenciar a educação para os filhos etc.
c) Orar pelo pastoreio do missionário. seja pela igreja, pela agência, pela equipe no campo, que Deus faça-lhes provisão de assistência emocional e espiritual. O cuidado pastoral previne da queda e de maiores conflitos.
d) Orar pela saúde do missionário e de sua família. Há lugares em que não existe assistência médico-hospitalar. Precisamos pedir proteção para a saúde, recursos para o tratamento e pedir pela cura divina. O Senhor saberá como atender-nos.
e) Orar pela família do missionário. É um grande desafio sair ao campo com filhos pequenos ou adolescentes, imergi-los em uma nova cultura para aprendizagem de uma nova língua e enfrentar todas as pressões de um novo estilo de vida seguindo a vocação de seus pais. Há muitos casos de desestruturação emocional e psicológica. Precisamos interceder para que os pais sejam sábios em acompanhar os filhos nesse processo de integração na vida ministerial e que os filhos sejam guardados por Deus, conscientes da sua participação na vocação da família.

(Texto extraído do Livro "A Missão de Interceder - Oração na Obra Missionária" de Durvalina B. Bezerra. Diretora do Seminário Betel Brasileiro. Ed. Descoberta Ltda)

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

A TAREFA DO INTERCESSOR


OFERECER OS FILHOS NO ALTAR DO SENHOR

Não é compreensível nem aceitável que homens e mulheres de Deus estejam intercedendo pela salvação do mundo e, ao mesmo tempo, não estejam exercendo o sacerdócio do lar. Os grandes personagens da história cristã, na sua maioria, contaram com a cobertura espiritual de pais piedosos.

Evidentemente, nenhum pai ou mãe deixa de orar pelo filho. A bênção dos pais para os filhos é tradição religiosa. Em algumas famílias vemos, ainda hoje, os filhos pedindo a bênção para os pais e os pais abençoarem seus filhos para serem protegidos do mal, para fazerem bons negócios e serem bem sucedidos na vida profissional, para fazerem um bom casamento etc. Esse costume religioso é retratado nas histórias bíblicas, como aconteceu nas famílias de Isaque e de Jacó, abençoando seus filhos. Mas, há um outro tipo de oração que os pais devem fazer: A oração de entrega é a oração mais difícil de se fazer. Colocar o filho no altar de Deus para ser usado por Ele segundo o beneplácito de sua vontade. Certamente essa oração só pode ser feita por um pai ou por uma mãe que possua um forte compromisso com o lreino de Deus, pois necessita entender que o chamado missionário ou a vocação ministerial é a mais sublime carreira proposta a um ser mortal. É privilégio investir para a eternidade.

William Carey, missionário na Índia por quarenta anos, alegrou-se quando seu filho Félix começou a pregar. Porém, quando soube, anos mais tarde, que ele tinha aceitado o cargo para ser embaixador da Grã-Bretanha, disse com pesar: “Félix encolheu-se até tornar-se um embaixador.” Só um coração missionário faz um pai preferir o pregador ao embaixador.

A história descreve grandes homens de Deus que foram respostas das orações de seus pais. John Wesley, seguindo o exemplo lde oração de sua mãe, orava duas horas por dia, e veio a ser um dos grandes avivalistas da história cristã. Não seria justo celebrar a vida poderosa dos irmãos John e Charles Wesley sem dar a sua mãe, Susana Wesley, o seu devido valor. Mesmo com a missão de cuidar de dezenove filhos, levantava-se pela madrugada para orar. Ensinava seus filhos a orar antes mesmo de falarem. Os pequeninos davam graças pelo alimento através de gestos. Logo que aprendiam a falar aprendiam a orar pela manhã e à noite. Além da oração particular, o culto doméstico fazia parte do programa diário, quando todos se reuniam para adorar a Deus. O lar da família Wesley era conhecido como uma atmosfera de oração ardente que a todos dominava.

Certa feita, Susana assim orou a Deus: “Procurarei transmitir fielmente ao coração de meus filhos os princípios do Senhor; da-me a graça necessária para fazer isso sabiamente e abençoa os meus esforços com êxito.” Os filhos eram conscientes de que sua mãe mantinha constante intercessão por eles. Vinte anos depois de sair de casa, John Wesley disse à sua mãe: “Em muitas coisas, a senhora tem intercedido por mim e tem prevalecido.”

Jonathan Edwards era considerado um grande erudito, em todo o mundo onde se falava inglês. Ele viveu na Nova Inglaterra, em 1740, quando ali começou um dos maiores avivamentos dos tempos modernos. Cheio do Espirito Santo, num período de dois a três anos Edwards levou aos pés de Cristo de trinta a cinqüenta mil vidas. Seu pai, homem piedoso, era pastor, e juntamente com a sua mãe ofereceu o filho a Deus, orando fervorosa e incessantemente por ele. “Muitas foram as orações que os pais ofereceram a Deus, para que o único filho fosse um pregador cheio do Espírito Santo e se tornasse grande perante o Senhor.” Quando tinha oito anos, acostumou-se a orar cinco vezes ao dia e, às vezes, chamava os coleguinhas para acompanha-lo nessa prática. Com dedicação absoluta, Deus usou Jonathan Edwards com grande poder e com profunda erudição na Palavra.

O exemplo e os efeitos de uma vida de oração nunca podem ser medidos. As orações de pais piedosos que oferecem seu filho no altar de Deus reproduzem muitos filhos e multiplicam a família de Deus.

O lar da família Booth tinha um clima maravilhoso. Pai, mãe e filhos devotavam a deus as suas vidas pela conquista das almas. Eles fundaram o Exército da Salvação, até hoje operando em mais de noventa países. Uma das filhas do casal se destacou, Catarina Booth, depois conhecida como a Marechala.

Quando Catarina era criança, sua mãe costumava dizer-lhe: “Você não está neste mundo por sua própria causa (...); o mundo lesta esperando por você.” Os filhos da senhora Booth aprenderam o segredo que a sua mãe lhes ensinara: “Fazer a tua vontade, ó Senhor, é o meu prazer.”

Catarina pregou em público pela primeira vez aos treze anos. Aos dezesseis, começou a dirigir campanhas em muitas cidades da Inglaterra. Em 1876, foi oradora de uma conferência que marcou a época, quando a liderança decidiu fazer a nomeação de mulheres evangelistas. Pois, naquele tempo, não era costume a mulher falar em público. Enfrentou grandes oposições, foi perseguida na Inglaterra e na França e chegou a ser presa em Genebra. Mas continuou ousada, pregando o evangelho, abrindo igrejas e alcançando os pecadores aos milhares. “Ela atraia imensas multidões através de alguma coisa divina e não mera eloqüência. Por onde quer que fosse, surgiam reavivamentos e centenas de almas se convertiam. Havia em seus apelos luma paixão e um poder que os tornavam irresistíveis.” Buscava os pecadores nos botequins, cabarés e cassinos, nos subúrbios das cidades européias. Enfrentava escárnio e resistência, mas persistia até vencer a oposição. Ela confessava que seu coração era invadido de uma profunda compaixão divina quando se confrontava com os perdidos. Pois o auditório que ela mais gostava era aquele onde se concentravam os piores elementos da sociedade.

Catarina viveu uma experiência de vida em total rendição e entrega ao comando do Supremo General. Quando estava de viagem para a França, declarou: “Eu em ti e tu em mim! Tu e eu somos o bastante para ajudar esses moribundos.” Ela era consciente de que nada tinha para atrair as multidões, porém cria que o fogo do Espírito atrairia. O poderoso ministério da Marechala tinha uma força notável reconhecida por todos: as orações de seus pais, “As orações com as quais a sua mãe acompanhava a carreira de Catarina são demonstradas em suas cartas. Em uma delas, disse o seguinte: “Desejo que sua mente e coração se fixem na conquista de almas, deixando tudo o mais nas mãos do Senhor. Olhe para a frente minha filha, para a eternidade – prosseguindo e prosseguindo.”

Há vários movimentos de oração pelos filhos, ao redor do mundo. Chery Fuller fala em seu livro Quando as mães oram de um ministério desenvolvido em países do Oriente Médio. Mesmo perseguidas, aquelas mães estão formando grupos de oração pelos filhos. No Brasil, temos as Déboras nesta mesma linha de trabalho. Chery indica diversos pontos que devem direcionar as orações:

ORAR PELA SALVAÇÃO DOS FILHOS

1. Orar por proteção.
2. Orar pelo filho na escola.
3. Orar para que os filhos sirvam a Deus em seu as profissões.
4. Orar por amigos tementes a Deus para os filhos.
5. Orar para que sejam pegos quando errarem, para que os pecados sejam trazidos à luz.
6. Orar pela disciplina.
7. Orar pela escolha do cônjuge.
8. Orar pelos filhos pródigos.

Evelyn Christenson conta que, quando a sua filha ia fazer um exame no colégio ou enfrentava qualquer dificuldade, dizia: “Apenas ore mamãe.” Ela sabia que as orações de sua mãe funcionavam. Nelma Eller Miranda é mãe de dez filhos, bem sucedidos profissionalmente. Até agora, já se casaram oito deles e nenhum em jugo desigual. Todos são conscientes de que o sucesso deles na vida profissional lê no casamento tem crédito nas orações de sua mãe. Além das suas intercessões constantes, ela separou para cada filho luma semana para dedicar-se em oração especifica por cada um deles. A certeza da intercessão da mãe tem dado segurança para os filhos enfrentarem os desafios da vida.

É também necessário que os pais orem por si mesmos, para que percebam as necessidades reais dos filhos, tenham sabedoria para orientá-los e saibam agir com seus filhos segundo o programa que Deus tem para eles. Tenho visto pastores que desejam perpetuar o seu ministério nos filhos e até os pressionam para fazer deles obreiro como eles. Entretanto, a escolha é divina. Se Deus preordenou, ele o fará! Não cabe aos pais escolher a vocação dos filhos. Se isso é reprovável no campo secular, que dizer no ministério sagrado? A influência dos pais é positiva, mas a imposição traz frustrações pessoais e terríveis conseqüências para a seara do Mestre.

Os pais, na verdade, precisam de coragem para entregar o filho no altar do Senhor. Sem a oração de entrega, toda oração se torna fraca. A oração que tem influência sobre a vida dos filhos parte de um coração pleno de confiança de que Deus tem o melhor para fazer neles e por eles. Oramos para que cada pai e cada mãe possam declarar como Ana: “Por este menino orava eu; e o Senhor me concedeu a petição eu que lhe fizera. Pelo que também o trago como devolvido ao Senhor, por todos os dias que viver” (1Sm 1.27-28).

(Extraído do Livro “A missão de interceder” Páginas 144-150. De Durvalina B. Bezerra. Diretora do Seminário Betel Brasileiro. SP. Editora Descoberta Ltda. 1ª edição).

BOAS FESTAS E UM ANO NOVO MISSIONÁRIO PARA TODOS


“Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão se não há quem pregue?” (Rom 10:14)
Pela graça de Deus chegamos ao final de mais um ano, e este é um momento em que geralmente fazemos, uma avaliação da nossa vida, e logo concluímos que muitas coisas que deveríamos fazer não com seguimos realizar. E assim passamos a traçar metas para o próximo ano, confeccionamos então uma lista daquilo que consideramos prioridade. Minha oração é para que neste momento consideremos missões como uma tarefa urgente dando a devida prioridade. Vejamos por que:
O mundo está saturado de muitas religiões, enquanto a humanidade perece. Precisamos ter urgência por que o homem sem Cristo está perdido. Desde o Ateu ao religioso, do Doutor ao analfabeto, do homem das grandes metrópoles ao homem do campo. Precisamos ter urgência por que as falsas religiões se proliferam rapidamente como um rastilho de pólvora. Conforme estatística recente nos últimos 50 anos, o Islamismo cresceu 500%, o Hinduísmo 161%, o Budismo 147%, e o Cristianismo apenas 47%.
O que nos impede de evangelizar não é a falta de métodos, mas a falta de paixão. Precisamos clamar como Raquel: “Dá-me filhos, se não eu morro” (Gn 30:1). Precisamos chorar como John Knox, o pai do presbiterianismo: “Dá-me a Escócia para Jesus se não eu morro”. Precisamos gritar como Paulo: “... e ai de mim se não anunciar o evangelho” (1º Cor 9:16). Se nos calarmos seremos considerados culpados.
Muitas vezes, ouvimos a palavras de Deus, freqüentamos a escola Dominical anos e mais anos, fazemos treinamentos e até participamos de conferências missionárias, mas não atravessamos a rua para falar de Jesus ao nosso visinho. É tempo de falar de Cristo e isso com um profundo senso de urgência.
Precisamos de compromisso, pois os campos já estão prontos para a colheita e isso exige de todos nós o compromisso de uma ação imediata. A evangelização é uma ordem, e não uma opção. É um mandamento e não um a recomendação. A evangelização só pode ser feita pela igreja, nenhuma outra instituição na Terra pode cumprir esta tarefa. Se Deus tem pressa a obra missionária não pode esperar.
Portanto amados, neste novo ano coloque missões como prioridade urgente na sua vida. “Deus tenha misericórdia de nós e nos abençoe; e faça resplandecer o seu rosto sobre nós. Para que se conheça na terra o teu caminho, e em todas as nações a tua salvação.” (Salmo 67: 1 e 2).

COMO ENVOLVER UMA IGREJA LOCAL EM MISSÕES

A idéia aqui é sugerir que igrejas, pastores, promotores de missões ou membros de igreja, que amam e entendem o significado bíblico de Missões, sejam desafiados a produzirem materiais motivacionais cujo tema central seja a obra missionária mundial (todas as nações). Use sua criatividade e tenha idéias inovadoras para mobilizar, sensibilizar e motivar sua igreja.

Alguns exemplos de como envolver a igreja local em Missões:

Bandeiras e mapas

Nem todos conhecem bem a geografia mundial e, conseqüentemente, as fronteiras das nações. Muitas vezes pensam que quando se fala de Equador, por exemplo, imaginam ser como viajar para uma cidade no interior. Demonstrando no mapa as distâncias e as características de cada nação, como religião e distribuição de renda por habitante, as chances de uma sensibilização pela obra missionária mundial crescem. Portanto, encha sua igreja de bandeiras e mapas!

Estatísticas

Use as estatísticas disponíveis em inúmeros veículos de comunicação, incluindo as informações contidas em nosso site, e de outras agências missionárias para coletar informações que impactem os irmãos de sua igreja. Por exemplo, você pode citar que a Turquia, sede das 7 igrejas do Apocalipse e outrora um referencial do cristianismo, conta hoje com menos de 0,1% de evangélicos em sua população. Ou que no Afeganistão não se conhece publicamente nenhum crente. Ou ainda, na Bélgica, capital da Europa, menos de 0,4% são cristãos e, há mais de 100 cidades sem nenhuma igreja evangélica. Tais informações despertam o interesse dos membros pelo apoio à obra missionária mundial.

Cartazes missionários

Crie cartazes com frases curtas e imagens com fotos grandes e marcantes. Procure não ofender ou ridicularizar uma religião, apenas demonstre as características dos povos que a seguem, como o paganismo, a idolatria e fanatismo sacrificial. Aproveite todo tipo de material de Campanha Missionária e afixe-os em locais estratégicos. Não esqueça de colocar seus contatos nos cartazes. Ore e aguarde o retorno.

Fotos missionárias

Destaque um lugar para colocar fotos de missionários e dos campos para lembrar ou tornar conhecida do povo as necessidades dos países onde a igreja possui obreiros. Esta iniciativa é uma ferramenta poderosa para despertar a igreja para contribuir e orar pela obra missionária.

Frases missionárias

Imprima frases de missionários ou até mesmo citações de líderes evangélicos sobre a obra de evangelização dos povos. Essas frases, colocadas em locais estratégicos e com muita visibilidade (exemplo: hall de entrada, mural, entrada e interior dos banheiros etc.) despertarão na igreja um desejo de apoiar a obra missionária.

Testemunhos missionários

Sempre que possível, e de acordo com a agenda missionária da igreja, leve missionários para a sua igreja a fim de que, com seu testemunho de chamada e trabalho no campo, desperte outras pessoas para o ministério missionário ou para a intercessão e sustento financeiro. Sugerimos que cada igreja tenha um culto missionário mensal e uma conferência missionária de impacto anualmente.

(Sugestões extraídos do livro “A Igreja Local e Missões – do Pr. Edison Queiroz, Edições Vida Nova, São Paulo – SP)

sábado, 18 de dezembro de 2010

O CENÁRIO INDIGENA BRASILEIRO E A ATUAÇÃO MISSIONÁRIA EVANGÉLICA


(o texto é de autoria do Rev. Ronaldo Lidório. E está publicado no Blog do Autor).

Nos últimos 500 anos o pensamento coletivo brasileiro não mudou a ponto de gerar uma diferença visível em termos de abordagem e interação com o indígena e sua sociedade. No cenário leigo o índio ainda é visto por alguns como selvagem, por vezes como herói, ignorante ou, ainda, como representante de uma cultura superior e pura. Poucos pararam para escutá-lo nos últimos cinco séculos, e havia muito a ser dito.

No meio acadêmico fala-se sobre a desmistificação da identidade indígena. Creio que precisamos primeiramente desmistificar a nós mesmos, repensar nossas expectativas em relação a essa sociedade com a qual convivemos por séculos sem compreendê-la, e passar a interpretá-la de forma igualitária na dignidade e respeitosa nas diferenças.

Calcula-se que havia 1,5 milhão2 de indígenas no Brasil do século 16, os quais, irreparavelmente, somam hoje não mais de 350 mil. Infelizmente essa realidade etnofágica vai muito além das estatísticas e das palavras, pois é composta por faces, vidas, histórias e culturas milenares, as quais têm sofrido ao longo dos séculos a devassa dos conquistadores, a forte imposição socioeconômica e perdas sociais tremendas. Permita-me redefinir os termos desta afirmação. Os conquistadores não são os outros. Somos nós.

A sociedade indígena ainda vive hoje sob o perigo de extinção. Não necessariamente extinção populacional, mas igualmente severa, quando se perde língua, história, cultura e direito de ser diferente e pensar diferente convivendo em um território igual.

Segundo Lévy-Strauss, a perda lingüística é um dos sinais de declínio de identidade étnica e decadência de uma nação. Ao observarmos tal sinal, percebemos quão desolador é o cenário. Michael Kraus afirma que 27% das línguas sul-americanas não são mais aprendidas pelas crianças. 3 Isso significa que um número cada vez maior de crianças indígenas perde seu poder de comunicação a cada dia.

Aryon Rodrigues estima que, na época da conquista, eram faladas 1.273 línguas,4 ou seja, perdemos 85% de nossa diversidade lingüística em 500 anos. Luciana Storto chama a atenção para o Estado de Rondônia, onde 65% das línguas estão seriamente em perigo por não serem mais aprendidas pelas crianças e por terem um ínfimo número de falantes.

Precisamos perceber que a perda lingüística está associada a perdas culturais complexas, como a transmissão do conhecimento, formas artísticas, tradições orais, perspectivas ontológicas e cosmológicas. No processo de transição, quando a língua materna cai em desuso, normalmente há o que podemos chamar de “geração perdida”: um vácuo cultural atinge uma geração inteira. Ou seja, no processo de perda lingüística e migração para o português, os grupos indígenas passam por um processo de adaptação quando já não têm mais fluência na língua materna nem aprenderam o suficiente o português para uma comunicação mais profunda. Tal processo em média não dura menos que três décadas. Esse é um momento de perigo, em que a identidade indígena é autoquestionada e muitos valores e, sobretudo, seu poder de comunicação e transmissão de conhecimento são perdidos. Perdem-se também os sonhos.

Na tentativa de repensar a realidade de nossos irmãos indígenas é preciso filtrar a informação sobre a atuação missionária evangélica em relação a eles. A contribuição evangélica, na tentativa de relacionamento com a sociedade indígena nacional, teve início com a influência holandesa no século 16 e permanece hoje representada por um grande número de organizações que tenta reduzir os prejuízos sofridos. Isso se traduz em um sem-número de biografias daqueles que deram a vida, na impossibilidade de darem mais, para minimizar alguns dos efeitos do extermínio social indígena de séculos.

Dentro de um vasto universo de ações sociopolíticas percebemos que a força evangélica missionária se destacou especialmente em três áreas: preservação lingüística (com a grafia e conseqüente preservação de diversas línguas — e muito ainda está sendo feito); educação (tanto na língua materna, com forte destaque, quanto na educação formal em programas governamentais); e saúde (tanto de base, nas comunidades, quanto também organizacional, em clínicas e hospitais). Permita-me pontuar: o evangelho jamais será motivo de alienação social ou imposição de credo. É, ao contrário, motivação para uma contínua tentativa de se recuperar as perdas humanas nos segmentos mais sofridos.

Ainda há muito a ser feito. É necessário caminhar.

Notas

1 FONSECA, Ernesto. Breve história da colonização. Lisboa: 1897.
2 Antropólogos da ALAB falam em 5 milhões.
3 KRAUSS, Michael. The world’s languages in crisis.
4 RODRIGUES, Aryon. Línguas indígenas — 500 anos de descobertas e perdas.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

PLANO MISSIONÁRIO PARA A IGREJA

Por Barbara Burns

"É a Junta que tem que ter 'plano missionário', não a igreja!" Assim pensam a maioria, se desligando de qualquer responsabilidade, e perdendo uma oportunidade de obediência e benção. Mas nem todos os membros das igrejas delegam missões às Juntas de Missões Mundiais, Nacionais, ou Estaduais, dando apenas uma oferta por ano. Tive o privilégio de ser criada numa igreja onde missões era central em todos os seus propósitos. Os membros nunca sentiam mais felizes do que quando enviando um dos seus membros para um campo distante, ou contribuindo para que o nome do Senhor Jesus fosse proclamado perto ou ao redor do mundo.

O primeiro modelo de uma igreja assim se acha em Atos 13.1-4. O Espírito Santo enviou, por intermédio da igreja local, os dois homens mais preparados e queridos no seu meio. Jesus mesmo disse que a razão da existência dos Seus discípulos (os membros e líderes das igrejas) era pregar o Evangelho à toda criatura, de Jerusalem até aos confins da terra! Jesus tinha preparado Seus discípulos por três anos com esta finalidade, e no fim deu a órdem prioritária para eles, e para todos que vinham depois deles. Missões é a responsabilidade de todos os discípulos de Jesus Cristo, e a razão central da existência das igrejas.

As juntas de missões foram estabelecidas para ajudar as igrejas cumprir a vontade de Deus em fazer missões. Mas há coisas que as juntas não podem fazer, que são a responsabilidade das igrejas. A seguinte lista fornece uns exemplos daquilo que cabe as igrejas no plano missionário de Deus.

As quatro responsabilidades:

1. Responsabilidade do preparo
O contato longo, o ensino da Palavra, a vida em comunidade, e o crescimento mútuo de Cristãos que se amam e ajudam uns aos outros viver dignamente do Senhor é a melhor escola missionária. O missionário vai levar junto com ele para os campos o modelo que fez parte da sua formação cristã, repetindo e imitando aquilo que experimentou e viveu (muito mais do que ele aprendeu numa escola formal). Como é importante este modelo ser de uma igreja que serve fielmente o Senhor no seu próprio trabalho evangelístico e discipulado na vida cristã!

A prática do ministério, como Deus deu para Saulo e Barnabé antes da sua primeira viagem missionárioa só pode se obter numa igreja. Deverá existir oportunidades de exercer um ministério dentro da comunidade de Deus. Os colegas e líderes de uma igreja conhece os dons, os problemas, e as áreas de necessidade dos seus membros, dando base para aconselhamento, direcionamento, e crescimento quanto vocação ministerial.

2. Responsabilidade da escolha
Assim são as igrejas que podem reconhecer aqueles que são verdadeiramente aprovados nas suas práticas e sua vida cristã. Conhecem profundamente o candidato, e devem com toda honestidade recomendar ou não as pessoas para missões. Faz parte desta responsabilidade o conhecimento das qualificações necessárias para um obreiro em missões. É preciso enviar as pessoas certas, que darão fruto em situações às vezes difíceis de comunicar e viver.

3. Responsabilidade do envio
Em Atos 13 o Espírito Santo não falou apenas com Saulo e Barnabé; falou com a igreja. Foram membros da igreja que colocaram suas mãos sobre os dois, assim declarando sua solidariedade e identificação com eles. Eram embaixadores daquela igreja, conforme a direção do Espírito Santo. As igrejas hoje devem estar alertas para saber a vontade de Deus sobre seus membros. Que privilégio Deus dá a igreja em usá-la para enviar seus melhores membros a serem pioneiros em campos sem a Palavra e o conhecimento de Deus.

4. Responsabilidade do apoio
Depois de longos anos de serviço frutífero, Paulo ainda reconhece a absoluta necessidade de apoio em oração. Em Efésios 6:18-20 ele diz para a igreja:

Orando em todo o tempo com toda a oração e súplica no Espírito, e vigiando nisto com toda a perseverança e súplica por todos os santos, e por mim; para que me seja dada, no abrir da minha boca, a palvra com confiança, para fazer notório o mistério do evangelho, pelo qual sou embaixador em cadeias; para que possa falar dele livremente, como me convém falar.

Paulo sabia que sem a oração, nem ele teria sucesso em missões!

A responsabilidade não termina com a oração. O apoio financeiro também é um importante ingrediente para missões. Paulo menciona este fato várias vezes, especialmente em Filipenses 4:10-20, onde ele agradece a oferta sacrificial dos irmãos pobres da Macedonia. A oferta foi uma benção para ele, porque supriu necessidades e demonstrou o amor e a solidariedade da igreja com ele. Acima de tudo foi uma benção para a própria igreja, porque a oferta foi como uma dádiva a Deus, colocada na conta celestial da igreja.

Assim temos o desafio e as responsabilidades missionárias das igrejas. Mas como fazer? Quais alguns passos práticos?

1. Mensagens e ensino missionário
É difícil estudar a Bíblia sem estudar missões. Se enfatizamos missões à medida que a Bíblia o faz, a igreja estará crescendo no seu conhecimento de como e porque fazer missões.

2. Testemunhos dos missionários
Devemos convidar missionários a pregarem e ensinarem nas igrejas, encorajando os membros a convidá-los a se hospedarem nas suas casas. Devemos ser membros de igrejas que se alegram com a presença e o trabalho dos missionários.

3. Oração semanal em favor de missões e os missionários
Cada culto deve incluir um momento da igreja levar as necessidades dos missionários a Deus em oração. Podem ser lidas cartas, artigos em jornais, informações missionárias, que ajudarão os membros se involverem pessoalmente na vida dos missionários e nas necessidades ao redor do mundo.

4. Convenções missionárias
Missões podem ser enfatizadas de uma forma especial uma ou duas vezes por ano. Pessoas de todos os departamentos da igreja podem participar e tomar responsabilidade de dirigir e compartilhar.

5. Conselhos missionários
Se a igreja for grande, um grupo pode se formar para informar e ajudar a igreja no conhecimento e prática de missões. O conselho não deve se tornar mais uma "junta," mas sim, levar a igreja toda tomar decisões e se envolver no preparo, na escolha, e no apoio de missionários.

6. Ser modelo de missões
Uma igreja ativa na evangelização e discipulado não apenas oferece oportunidades de prática de ministério, como se torna o modelo ideal que o missionário vai repetir em outros lugares. Cada igreja deve procurar expandir ao seu redor, formando pontos de pregação e congregações. Assim a igreja providencia oportunidades de treinamento e envolvimento pessoal no ministério da igreja enquanto está cumprindo fielmente o propósito pelo qual foi criada.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

IGREJA GETSEMANI NA INDONÉSIA - OBRIGADO JESUS

CARTA DOS MISSIONÁRIOS RONALDO E ROSSANA LIDÓRIO

Queridos irmãos,

Agradecemos as orações, apoio e encorajamento ao longo deste ano. O Senhor é bondoso e há muitos motivos de louvor.
PESQUISA ÉTNICA.
Louvamos ao Senhor pela conclusão da pesquisa étnica indígena a serviço do DAI-AMTB (Departamento de Assuntos Indígenas da Associação de Missões Transculturais Brasilerias) que durou cerca de 2 anos e se desdobrou em 27 pesquisas de campo. Os resultados, mais de 4.200 dados observados, propiciaram a produção do “Relatório Etnias Indígenas Brasileiras 2010” que está a disposição no site www.indigena.org.br e também em formato de apresentação em powerpoint para informação e mobilização da Igreja.
KONKOMBAS.
Louvamos a Deus pela vinda dos Konkombas ao Brasil. Tudo correu muito bem. Foi um tempo especial e nos alegramos pelo testemunho e palavra que deixaram. Se desejarem ouvi-los um pouco, basta buscarem por "Konkombas no Brasil" no Youtube. Ouvimos com alegria que a Igreja Konkomba em Gana vai muito bem. Um dos desafios do momento é a conclusão da revisão dialetal do Novo Testamento para a língua Konkomba Limonkpeln. Estamos trabalhando neste projeto esperando concluí-lo em breve.

TREINAMENTO MISSIONÁRIO.
Louvamos a Deus pela oportunidade que tivemos junto ao Instituto Antropos de colaborar na formação missionária de vários irmãos. Ministramos a Capacitação Antropológica, juntamente com Cácio Silva, Cassiano Luz e Marcelo Carvalho, para 80 missionários neste fim de ano. Também tivemos uma Pós Graduação lato sensu em Antropologia Intercultural em Manaus na qual 28 missionários concluíram o curso se preparando melhor para o campo e também para o treinamento de outros. Colaboramos com Márcio Schmidel e equipe na produção de material para a CBMI (Capacitação Bíblica Missionária Indígena). Nos 2 últimos anos 132 indígenas, de mais de 40 etnias, passaram por este curso que visa preparar líderes indígenas locais, uma das maiores necessidades do momento. Também pudemos participar ministrando uma capacitação sobre Plantio de Igrejas para 40 missionários em meados do ano.

PROJETO AMANAJÉ.
Estamos colaborando com Márcio e Isaura na liderança do Projeto Amanajé. Eles tem assumido a coordenação do campo e nós temos nos dedicado à pesquisa de novas áreas sem presença missionária, bem como a consultorias missionárias envolvendo antropologia e plantio de igrejas. Rossana e eu visitamos o Alto Rio Negro e foi ótimo ver como o Senhor tem derramado graça sobre a equipe e seu trabalho. O Amanajé conta hoje com 39 missionários, 1 voluntária, 3 colaboradores e mais 1 casal de missionários indígenas que receberemos a partir de janeiro de 2011, espalhados em 12 diferentes etnias, envolvidos com programas sociais e atividades evangelísticas. As 4 igrejas indígenas plantadas estão em processo de treinamento de liderança local.

FAMÍLIA.
Os meninos estão crescendo (Vivianne com 16 e Ronaldo Júnior com 14 anos) e no temor do Senhor. Rossana está animada, com boa saúde e envolvida com as atividades do Amanajé e Instituto Antropos. Continuo no tratamento (da beri-beri) tendo retornado às atividades com certos cuidados. Na última avaliação foi sugerido mais 1 ano de tratamento e as crises estão bem mais espaçadas. Mainha continua bastante envolvida com o calendário mensal de oração, uma bênção para a intercessão missionária. Sofre algumas limitações de saúde, motivo de oração.

ORAÇÃO. Oremos juntos ao Senhor:

1. Pela conclusão da revisão dialetal e publicação desta nova versão do NT Limonkpeln.

2. Pelas 6 pesquisas em áreas sem presença missionária planejadas para 2011.

3. Por 500 novos missionários nestes próximos anos para o trabalho indígena
em todo o Brasil.
4. Pelas consultorias missionárias planejadas: 8 equipes no Brasil e 4 em outros países da África e Ásia.

5. Pela pesquisa sobre áreas pouco ou não evangelizadas que devemos fazer no norte de Moçambique.

6. Pelo treinamento missionário planejado: capacitação antropológica e de plantio de igrejas para 200 pessoas.

7. Pela Igreja Konkomba e seu intuito de enviar mais missionários da etnia para os não evangelizados do Togo.

8. Saúde: Rose Ferreira, Euza Lidório e meu tratamento.

9. Pela equipe Amanajé:

Adilson e Cintia, Alceri e Arlene Terena, André e Marcelle, Antônio e Simone, Cácio e Elisângela, Carlos e Elfriede, Carol, Daniel e Vanusa, Felipe e Arlene Baré, Flávio e Mara, Francisco e Rose, Gabriel e Crislaine, Iraque e Silvéria, Jacinto e Felícia, Jaimeson e Cleidemar, Jossandro e Viviane, Leonízia (recém casada com Markus), Marcelo e Cláudia, Márcio e Isaura, Maria Gomes (Lia), Ronaldo e Rossana, Rosinese (voluntária), Silvério e Inésia Baniwa, e os colaboradores Juliano, Paulo e João.

Que o Senhor os guarde neste fim de ano.
Em Cristo Jesus,
Ronaldo e Rossana Lidório

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

MISSÕES E FINANÇAS


Contribuição Financeira para Missões:
É um dos assuntos mais desgastante em missões e não tem como falar em missões sem contribuição financeira. Sempre vamos nos deparar com pessoas que vão nos perguntar porque contribuir com o trabalho missionário ?

Porque há desafios a serem vencidos, novos trabalhos para serem iniciados, igrejas a serem plantadas e organizadas, almas para serem salvas, obreiros para chegar ao campo, lideres para serem treinados.

No Brasil há 222 municípios com menos de 2% de evangélicos;

Pequenas Igrejas e congregações sem pastores, seminários sem recursos;

Obreiros sem sustento digno, projetos missionários sem suporte financeiro;

Há 90 povos indígenas no Brasil totalmente não alcançados;
Um total de 8000 povos no mundo que nunca ouviram falar de Jesus;
Há mais de 3000 línguas sem tradução da Bíblia.

Quando uma Igreja não contribui para a Missão:

Está se opondo à pregação do Evangelho;

Fecha o canal das bênçãos. Fp. 4:17-19;

Os membros contribuem diretamente para outras igrejas ou missionários.

Quando uma Igreja contribui para Missão:

Ajuda no avanço da pregação do Evangelho;

É abençoada, de acordo com a lei da semeadura. II Cor. 9:6.

Os membros da igreja são abençoados individualmente (QUEIROZ, 1996)

Missões num contexto de Pobreza

“ Missões no Mundo dos Dois Terços são missões num contexto de pobreza. E isso muitas vezes confunde os de fora”.

Um amigo do ocidente me perguntou certa vez: “Como vocês podem enviar missionários para fora da Índia quando existe tanta necessidade em seu próprio país?” E ele continuou perguntando:”Como vocês podem financiar um programa missionário quando existe tanta pobreza em seu país?”. Duas boas perguntas mas baseadas em suposições erradas.

Primeiro, é errado supor que missionários devem ser enviados de um país somente quando este estiver sido completamente evangelizado. Jesus disse para seus discípulos: “mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém, como em toda Judéia e Samaria, e até aos confins da terra” (At. 1:8). Ele não disse que, somente, após terem terminado o trabalho em Jerusalém, deveriam ir à Judéia e depois à Samaria e aos confins da terra. O testemunho deveria ser simultâneo em todos estes lugares. Se os primeiros missionários da América do Norte ou da Europa tivessem esperado até que os seus países estivessem completamente evangelizados, nós ainda não teríamos ouvido o Evangelho!

Segundo, é errado supor que o Evangelho nos primeiros dias veio dos “que não tinham”. Se a igreja de Jerusalém tivesse olhado para a sua pobreza e concluído que não tinha condições para enviar missionário, o evangelho não teria saído da cidade. Mas condições financeiras não tinham importância

Princípios Bíblicos

• Envolvimento missionário está baseado na consagração total do indivíduo e de suas possessões ao Senhor. Os detalhes deste envolvimento são trabalhados a partir desta consagração. Daí precisa ser parte deste envolvimento. Paulo escreveu sobre os cristãos na Macedônia: “Porque eles, testemunho eu, na medida de suas posses e mesmo acima delas, se mostraram voluntários... mas deram-se a si mesmos primeiro ao Senhor, depois a nós, pela vontade de Deus” (II Co. 8:3-5). Compromisso com o Senhor e com as pessoas é condição essencial para um envolvimento de importância em missões. E isto inclui dar dinheiro.

• A riqueza ou a pobreza das pessoas não deve decidira participação em missões. Os macedônios deram ‘além de suas posses'. Os cristãos em Antioquia deram ‘conforme suas posses' (At. 11:29). Os pobres não se desculparam com base em sua pobreza. Não devemos deixar a pobreza nos levar um ‘um complexo de receptor'. Cada crente deve fazer o que pode por missões e estar disposto a sacrificar além de suas posses.

• Precisa ser resultado de um firme compromisso com missões e de um sentimento correto de mordomia. Isto vem através de um ensino contínuo e uma pregação da Palavra de Deus que leva o povo à consagração total aos propósitos divinos, e a uma aceitação de sua responsabilidade missionária. Os cristãos na igreja de Antioquia foram ensinados por Paulo e Barnabé por um período de um ano e ficaram conhecidos como discípulos. Uma marca deste discipulado foi que cada um deu ‘segundo as suas posses' quando ouviram acerca da fome que os cristãos na Judéia estavam passando. (Teodore Williams).

Princípios Aplicáveis para o Financiamento de Missões

O Princípio do Mandato Divino
Missão não depende de prosperidade ou opulência econômicas. Na Igreja primitiva, missão saiu daqueles que não tinham dinheiro para aqueles que tinham! A igreja na Macedônia é um exemplo de ofertar, que ocorreu a partir de extrema pobreza (II Co. 8:1-3)

O Princípio da Igreja Local
A Igreja Local deve ser o agente primário do qual as finanças fluem para avançar a obra do Senhor através das missões no Mundo.

À medida que nos preocupamos com agências missionárias, associações nacionais e organizações internacionais, corremos o risco de esquecer a centralidade da igreja local que o povo de Deus é desafiado a fazer de Jesus seu Senhor e de responder positivamente, sendo bons mordomos e dando voluntariamente para o empreendimento missionário.

O Princípio da Mútua Prestação de Contas
No corpo de Cristo somos responsáveis pela prestação de contas uns dos outros. A prestação de contas não deve ser uma ferramenta de controle, mas uma proteção contra o mal. Deve ser estabelecida através de um acordo entre as partes envolvidas na cooperação, a fim de resguardar a integridade do ministério e do nome de Jesus Cristo.

O Princípio do “Grande Vintém”
Usando como modelo a parábola de Jesus sobre a pequena oferta da viúva (Mc. 12:42), Ajith Fernando de Sri Lanka, sugere que a contribuição das nações mais pobres para a obra missionária internacional tem grande valor no sistema de contabilidade de Deus.

O Princípio da Cooperação
• “ Cooperação inclui compartilhamento de todos os recursos para o avanço do Evangelho (Fil. 2:25; 4:15; Rom. 15:24). É uma forma normativa de levar o Evangelho avante, especialmente quando introduzida desde o começo”.

• Cooperação exclui o senhorio de uma parte para a outra. O apóstolo Paulo nunca legislou cooperação, porém a encorajou para o desenvolvimento de missões.

• A cooperação é um relacionamento que nasce de um profundo nível de comunhão e fraternidade. Comunhão no compartilhar, comunhão no Espírito, comunhão no sofrimento de Cristo, comunhão nas necessidades do apóstolo e comunhão em missões”. (Luis Bush)

Princípios de Finanças para a Igreja
A igreja deve estar associada a um missionário (Fp. 4:14-15)