"“Muitos crentes consagrados jamais atingiram os campos missionários com seus próprios pés mas poderão alcança-los com seus joelhos” (Adoniran Judson)”"

terça-feira, 18 de outubro de 2011

MOTIVOS PARA SE DEDICAR A MISSÕES

Não seria fácil explicar a falta de interesse pela causa missionária por parte de milhares de igrejas brasileiras que evangelizam, crescem, arrecadam quantias enormes de fundos e constroem templos belos revestidos de mármore e granito. As motivações que dominam essas igrejas aparentemente não incluem aquelas que incentivam um jovem, inteligente, espiritual, bem preparado e dedicado à obedecer à Grande Comissão. Meu desejo é tentar apresentar argumentos em favor de um pensamento bíblico que encoraje pastores e membros de suas igrejas a levantarem os olhos para os campos transculturais, brancos para a seara.

1. O MOTIVO NÚMERO UM SOMENTE PODE SER A GLÓRIA DE DEUS. Como é possível explicar à grandeza do universo, a beleza do mundo caído, as maravilhas da criação do corpo humano sem pensar na glória de Deus? Como é possível pensar na humilhação do Filho que, “embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se... humilhou-se a si mesmo e foi obediente até a morte, e morte de cruz!” (Fp: 2.6, 8)? Deus não carece de qualquer falta ou necessidade. Tudo que Ele faz deve ser para a sua glória. Estabelecer a glória de Deus como prioridade absoluta significa que as prioridades de Deus deveriam ser as nossas. Deus coloca em sua Palavra a importância das nações no plano divino. Considere o salmo 65: “Ó Deus, nosso Salvador, esperança de todos os confins da terra e dos mais distantes mares (... Tremem os habitantes das terras distantes diante das tuas maravilhas” VV: 5, 8). O salmo 67 não foge deste foco: “Que Deus tenha misericórdia de nós e nos abençoe... para que sejam conhecidos na terra os teus caminhos, a tua salvação entre todas as nações. Louvem-te os povos, ó Deus, louvem-te todos os povos...” (VV. 1.3). “Dêem ao Senhor a glória devida ao seu nome, e entrem nos seus átrios trazendo ofertas. Adorem o Senhor no esplendor da sua santidade: tremem diante dele todos os habitantes da terra” (Sl. 96. 8-9). Certamente seria possível encontrar dezenas de textos que confirmam a conclusão de que a glória de Deus é o motivo central para discipular as nações.

2. O SEGUNDO MOTIVO PARA DAR ÀS MISSÕES DESTAQUE EM TODA A PROGRAMAÇÃO DAS IGREJAS É A OBEDIÊNCIA AOS MANDAMENTOS DO SENHOR. Duas vezes em João o Senhor Jesus declara: “Assim como me enviaste ao mundo, eu os enviei ao mundo” (17, 18 e 20, 21). “Foi-me dado toda a autoridade nos céus e na terra. Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações... “Vão pelo mundo todo e preguem o evangelho a todas as pessoas”. E Lucas diz: “... então lhes abriu o entendimento para que pudessem compreender as Escrituras, e lhes disse: “Está escrito que o Cristo haveria de sofrer e ressuscitar dos mortos no terceiro dia e que em seu nome seria pregado arrependimento para perdão de pecados a todas as nações”. (24. 45-47). Não acredito que seja possível esquecer as nações e imaginar que estamos honrando a Deus com plena obediência.

3. O TERCEIRO MOTIVO PARA REALINHAR A PRIORIDADE DE MISSÕES TRANSCULTURAIS RESIDE NO FATO DE QUE JESUS E OS APOSTOLOS AFIRMAM ABERTAMENTE QUE A VOLTA DE CRISTO ESTÁ VINCULADA A PROCLAMAÇÃO DO EVANGELHO A TODOS OS POVOS. “E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo como testemunho a todas as nações, e então virá o fim” (Mt. 2.14 e Mc 13.10). A promessa que Jesus pronunciou para os onze discípulos foi que a descida do Espírito Santo sobre a igreja significaria que ela seria “testemunha em Jerusalém, Judéia, Sumária e até os confins da terra” (At. 1.8). O novo cântico dos anciãos celestiais inclui a seguinte declaração. “... foste morto, e com teu sangue compraste para Deus gente de toda tribo, língua, povo e nação” (Ap. 5.9 e 7.9). Para todas as tribos, povos e nações serem incluídos nesta promessa estupenda não podemos esquecer que o anuncio do evangelho precisa ser feito em escala global. Deus é o único que pode abrir os olhos dos espiritualmente cegos (veja 2 Co. 4. 4-6), mas Ele não abre os olhos na escuridão. Paulo enfatiza esta mesma verdade. “Como, pois, invocarão aquele em quem não creram: E como crerão naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão se não houver quem pregue: E como pregarão se não forem enviados” (Rm 10.14-15).

4. O QUARTO MOTIVO PARA EVANGELIZAÇÃO MUNDIAL SE FUNDAMENTA NA VERDADE QUE A BIBLIA PRONUNCIA COM INSISTÊNCIA QUEM NÃO CRER NO SENHOR JESUS ESTÁ MORTO EM SUAS TRANSGRESSÕES COMPLETAMENTE INCAPAZ DE SE SALVAR. Sem fé em Cristo a salvação é impossível, Jesus morreu para que os que nele crêem não pereçam. Para todos os que crêem, diz Paulo, o homem alcança justiça mediante a fé, “pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus” (Rm 3.23). Há outros motivos, mas reputo que estes são os que pesam mais. Desejo que estas considerações não caiam em ouvidos surdos ou em terra pedregosa.

RUSSEL SHEDD – Ph.D em Novo Testamento pela Universidade de Edimburgo (Escócia). Conferencista, professor de Teologia e Editor da Shedd Publicações).

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