"“Muitos crentes consagrados jamais atingiram os campos missionários com seus próprios pés mas poderão alcança-los com seus joelhos” (Adoniran Judson)”"

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

OS RELACIONAMENTOS AJUSTADOS PELA ORAÇÃO



Missionária Durvalina Bezerra
Sempre haverá divergências de opinião numa equipe missionária pela diversidade cultural, tipos de prsonalidade e questões doutrinárias, tensões às vezes até conflitantes. Isso é normal, porquanto o Criador, versátil em suas obras nos fez bem distintos uns dos outros, mas nos limites da humanidade. Aqui está a beleza da diversidade que deve ser expressa na unidade como os matizes de uma mesma cor. Aceitar e respeitar as diferenças são atitudes imprescindiveis para a comunhão cristã e para o desenvolvimento do trabalho missionário.

Sabedor dessa verdade, o Senhor Jesus intercedeu pela unidade de seus discipulos. "A fim de que todos sejam um", no modelo da Trindade. (...) Para que o mundo creia que tu me enviaste". (João 17.21).
Oração produz interação entre as pessoas e promove a unidade do corpo. É necessário orar pela unidade da equipe, mas é também necessário exercitar a vigilância e o perdão para se manter a unidade, tratando-se as questões divergentes com o amor cristão.
A Palavra declara que o Espírito Santo nos ajuda em nossas fraquezas porque não sabemos orar como convém (Rm 8.26. Durante a oração ele nos ajuda a perceber as pessoas nas suas virtudes e nos seus limites - a vulnerabilidade humana. Ninguém está isolado neste mundo. A pessoa que faz parte do contexto em que oramos é objeto do amor de Deus, como também o somos. É uma graça poder ver a pessoa pelos olhos de Deus e não pela falha cometida. às vezes rotulamos uma pessoa por causa de um simples deslize e rejeitamos outra em sua forma de ser. Na oração, o Espírito nos faz perceber as pessoas nos seus limites e fraquezas, e nos faz lembrar que ninguém é perfeito. Ele nos conduz a um novo julgamento da questão, nos dá luz para observá-la por vários ângulos, pois nenhum problema deve ser visto só por um prisma, seja o da racionalidade ou o da sensibilidade. É imprescindível levar em conta as diferenças. Ninguém é suficiente em si mesmo. Só Deus a si mesmo se basta!
Se fossemos capazes de ver o outro nos limites da humanidade, não discriminaríamos ninguém, porque somos todos iguais e a cruz nos niveis como pecadores necessitados da graça. Jesus provou a nossa humanidade e nos conhece profundamente. O evangelista afirma: "É não precisava de que alguém lhe desse testemunho a respeito do homem, porque ele mesmo sabia o que era a natureza humana". (João 2.25). A oração nos faz ver como Deus nos vê através do seu amor. Ao percebermos quem somos na presença de Deus, vemos também o outro, que faz parte da nossa humanidade. É através do amor exercitado na oração que podemos ver o outro como Deus nos vê.

À medida que Deus revela seu amor por nós e nos dá espaço "para sermos nós mesmos", o trabalho e a alegria da vida humana passam a ser a de compreender, afirmar e amar o outro como outro, quer seja homem ou mulher".

Exercer a compaixão quando o outro falha é uma atitude cristã. Jesus nos advertiu: "Amarás o Senhor, teu Deus (...) Amarás o próximo como a ti mesmo" (Mt 22.37-39).Jesus nos ordena a amar o outro porque ele sabe quanto nós nos amamos.
A psicologia humanista tem estimulado as pessoas a buscar uma autoestima elevada, confundindo amor-próprio com egoismo. Esse estimulo tem prejudicado as relações interpessoais temos negado o perdão ou nos abstemos de pedir perdão e reconhecer as nossas falhas diante do outro. Isto gera raiz de amargura que, brotando, nos perturba e, por meio dela, muitos são contaminados (cf. Hb 12.15). Paulo não hesitava em oferecer perdão: " (...) também eu perdoo (...); para que Satanás não alcance vantagem sobre nós, pois não lhe ignoramos os designios" (2Co 2. 10-11) Há momentos em que sentimos que há uma oposição a uma pessoa sem razão nenhuma, por isso, devemos buscar o discernimento espiritual para perceber a malignidade que vem impedir a comunhão com o colega.

Deixar vencer é recusar-se a perceber e identificar as manifestações das obras das trevas. É ignorar seus esquemas, todos eles inspirados por uma forma de elevadissima inteligência maléfica".

Buscar a oração como fórmula divina para o exercício da fraternidade e da amizade, para se quebrarem as barreiras e sermos curados das nossas mazelas, é o melhor caminho. Na oração paulina, o apóstolo pede que compreendamos as dimensões do amor de Deus, mas deixa claro que essa compreensão se processa na interação com todos os santos. Nunca isolados, mas interagindo como corpo de Cristo, usando a oração como expressão de amor reciproco, teremos entendimento do amor divino e seremos tomados de toda a plenitude de Deus, conforme o texto de Efésios 3. 1-19).

Este texto é de autoria da Missionária Durvalina Bezerra, e foi publicado no Livro Perspectiva do Cuidado Missionario, paginas 196-198 pela Editora Betel Publicações. João Pessoa, PB. 2011

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