"“Muitos crentes consagrados jamais atingiram os campos missionários com seus próprios pés mas poderão alcança-los com seus joelhos” (Adoniran Judson)”"

domingo, 26 de junho de 2011

VOCÊ JÁ OROU POR ALGUM MISSIONÁRIO, HOJE?


O texto abaixo é de autoria do Missionário Graeme Hayes e foi traduzido pelo Missionário Dayan Barbosa.




“Por favor, orem por nós, eu li...”


Eu joguei o papel na mesa, frustrado! (Abaixo havia uma foto de silhueta de uma família, um casal e uma criança com as letras sobre a silhueta!

“Senhor quem são essas pessoas?”

Eu não as conheço nem sei onde trabalham. Como posso orar significativamente por elas?

Então pensei em Paulo que frequentemente escrevia em suas cartas sobre orar pelas pessoas sem parar.

Colossenses 1.9: Por essa razão, desde o dia em que o ouvimos, não deixamos de orar por vocês e de pedir que sejam cheios do pleno conhecimento da vontade de Deus, com toda a sabedoria e entendimento espiritual.

Que oração, pensei. Paulo realmente sabia sobre o que orar. Então meus olhos foram para outro versículo:

Colossenses 2.1: Quero que vocês saibam quanto estou lutando por vocês, pelos que estão em Laodicéia e por todos os que ainda não me conhecem pessoalmente.

Paulo não conhecia essas pessoas mais do que eu os conheço! Talvez eu possa usar suas orações para me ajudar a orar por eles...
Sim, pensei, eu poderia orar.

Por sabedoria:

... e de pedir que sejam cheios do pleno conhecimento da vontade de Deus, com tuda a sabedoria e entendimento espiritual... Cl: 1.9

Eu ouvi que muitas coisas no campo missionário requerem sabedoria. Ok, estudo de línguas, como entender a cultura em que o missionário está trabalhando, como atender às diferentes necessidades das pessoas, e também existe a necessidade de discernimento espiritual.

Pela qualidade de suas vidas e relacionamentos:

Colossenses 1.10: E isso para que vocês vivam de maneira digna do Senhor em tudo possam agradá-lo, frutificando em toda boa obra, crescendo no conhecimento de Deus.

Muitos tipos de relacionamentos vêm à minha mente quando eu reflito sobre esse versículo relacionamentos familiares, pelos solteiros, pelos casais, sem esquecer os filhos, e os múltiplos relacionamentos com os crentes e também não-crentes. Eu sabia que muitas vezes, como em qualquer trabalho, existem tentações em se tomar o caminho mais curto, tanto nas maneiras de se trabalhar quanto nos relacionamentos.

Por perseverança:

Colossenses 1.11ª: Sendo fortalecidos com todo o poder de acordo com a força da sua glória.

Eu acho que, do que eu já sabia sobre missionários, havia pouca coisa que trouxesse motivação. Perseverar seria difícil em alguns dias. Às vezes as pessoas não iriam querer ouvir o que eles têm para compartilhar. Pode ser que a quantidade de frutos não corresponde com os muitos anos de trabalho em lugares difíceis. Tudo pode perder o sentido.

Por alegria em tudo o que eles suportam por Jesus.

Colossenses 1.11b-12: Para que tenham todo a perseverança e paciência com alegria, dando graças ao Pai, que nos tornou dignos de participar da herança dos santos no reino da luz.

Um breve pensamento sobre meu trabalho numa grande multi nacional foi suficiente para convencer-me de que missionários precisam de muitas orações por alegria. Quando tiverem que suportar todo tipo de desencorajamento e conflito, desentendimentos e, até mesmo, má organização, eles não se tornem amargos ou acabem arrependendo-se do tempo que gastaram no trabalho do Mestre. Pelo contrário, que eles sejam cheios de alegria e gratidão pelo privilégio não se sentindo como um dente insignificante de uma engrenagem impessoal.

E eu achei outras coisas que Paulo escreveu que poderiam guiar-me em minhas orações por eles e por todos os outros que eu não conheço:

Efésios 1. 16-19: Não deixa de dar graças por vocês, mencionando-os em minhas orações. Peço que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o glorioso Pai, lhes de espirito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele.

Oro também para que os olhos do coração de vocês sejam iluminados, a fim de que vocês conheçam a esperança para a qual ele os chamou, as riquezas da gloriosa herança dele nos santos e a incomparável grandeza do seu poder para conosco, os que cremos, conforme a atuação da sua poderosa força.

Efésios 3. 14-19: Por essa razão, ajoelho-me diante do Pai, do qual recebe o nome toda a família nos céus e na terra. Oro para que, com as suas gloriosas riquezas, ele os fortaleça no intimo do seu ser com poder, por meio do seu Espirito, para que Cristo habite no coração de vocês mediante a fé; e oro para que, estando arraigados e alicerçados em amor, vocês possam, juntamente com todos os santos, compreender a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo que excede todo conhecimento para vocês sejam cheios de toda a plenitude de Deus.

E coisas que Paulo pediu para que outros orassem por ele:

2 Tessalonicenses 3.1-2: Finalmente, irmãos orem por nós, para que a palavra do Senhor se propague rapidamente e receba a honra merecida, como aconteceu entre vocês.

Orem também para que sejamos libertos dos homens perversos e maus, pois a fé não é de todos.

Romanos 15: 30-32ª: Recomendo-lhes irmãos por nosso Senhor Jesus Cristo e pelo amor do Espírito, que se unam a mim em minha luta, orando a Deus em meu favor.

Orem para que eu esteja livre dos descrentes da Judéia e que o meu serviço em Jerusalém seja aceitável aos santos, de forma que, pela vontade de Deus eu os visite com alegria e juntamente com vocês desfrute de um período de refrigério.

Conforme eu orava, senti que Deus me desafiava a identificar-me mais com eles. Eu me dei conta que era mais fácil orar por pessoas onde eu tinha os nomes, pois isso me dava uma idéia mental de alguém que eu conhecia, talvez alguém com o mesmo nome. Eu pedi para o Senhor preencher os detalhes, que Ele conhecia. Gastei mais tempo em oração, ouvindo a suave voz do Espírito e orando sobre as idéias que eu sentia que vinham dEle.

Efésios 6.18: Orem no Espírito em todas as ocasiões, com toda oração e súplica, tendo isso em mente, estejam atentos e perseverem na oração por t6odos os santos.

Um dia quando eu orava vi uma figura de dois pés. Minha imaginação começou e orei pela saúde dos pés deles e que fossem pés que trouxessem as Boas Novas a muitas pessoas. Pensei em Jesus chamando-nos para lavar os pés uns dos outros e então eu orei para que eles mantivessem um relacionamento bem próximo e aberto um com outro.

Pensei nos pés de barro na visão de Daniel e então orei para que suas vidas fossem marcadas pela santidade, sem mistura de barro e ferro, mas pura. Isso me fez lembrar do barro nas mãos do oleiro orei então para que fossem maleáveis nas mãos do Senhor. De alguma forma, mesmo que eu ainda não saiba quem eles são, eu sinto que eu me importo com eles perante o Senhor, e que um dia no céu será muito bom conversas e ouvir deles como o Senhor respondeu minhas orações.






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O Missionário Graeme Hayes é Missionário da WEC, casado com Helen. foi reponsável pelo ministério de oração na Nova Zelandia, Atualmente estão trabalhando no norte da África.



O Missionário Dayan Barbosa é Missionário da WEC, casado com Mirna Barbosa, tem uma filha e atualmente trabalham no Timor Leste.



terça-feira, 21 de junho de 2011

ENTRE NESTA CAMPANHA EM FAVOR DO BRASIL


LAR – LICENÇA PARA ATUALIZAÇÃO E RENOVO

FÓRUM PARA O CUIDADO INTEGRAL DE MISSIONÁRIOS

1. O que é LAR?
2. A OUTRA PARTE DO MINISTÉRIO MISSIONÁRIO Renata
3. ALGUMAS IMPRESSÕES SOBRE LAR Elspeth Paterson

1. O QUE É LAR? O termo utilizado para o período que o missionário passa de tempos em tempos em seu país de origem ainda não havia sido escolhido em português. Em inglês há pelo menos dois termos, furlough e home assignment. Após uma consulta a vários participantes do cuidado de missionários e a missionários por email, houve uma votação, e a maioria considerou que LAR, Licença para Atualização e Renovo seria uma sigla interessante.
Quem promoveu esse debate foi Alicia Macedo, e aqui está uma definição que ela dá em um de seus textos:
Licença de Campo: Licenças para Atualização e Renovo/LAR. Este tempo de Atualização abrange tempo com família e amigos, um visita a base enviadora, estudos, tratamento de saúde, a atualização da igreja na pátria em relação ao ministério do campo, divulgação e levantamento de sustento. O Renovo se refere a questão de descanso físico e renovo espiritual e emocional. As obirgações do LAR e o tempo de duração do mesmo vão variar de agência para agência.
Neste fórum temos algumas colaborações sobre este tempo crucial de divulgação que o missionário passa junto à sua igreja e renovando os laços com amigos e familia.

2. A OUTRA PARTE DO MINISTÉRIO MISSIONÁRIO
Renata
Temos uma boa noção do trabalho do missionário enquanto ele está no campo: estudo de idioma, adaptação e estudo da cultura, contato com as pessoas, apresentação do evangelho, discipulado, boas obras etc.
Mas o que acontece quando ele volta temporariamente ao seu país de origem? Essa é uma prática comum e necessária, que acontece geralmente a cada dois ou três anos. Temos até um exemplo bíblico, quando Paulo e Barnabé voltaram à igreja para compartilhar o que Deus tinha feito durante sua viagem missionária: “e dali navegaram para Antioquia, onde tinham sido recomendados à graça de Deus para a obra que haviam já cumprido. Ali chegados, reunida a igreja, relataram quantas coisas fizera Deus com eles e como abrira aos gentios a porta da fé. E permaneceram não pouco tempo com os discípulos” (Atos 14.26-28).
Contar às igrejas o que Deus tem feito entre outros grupos étnicos e nações é muito importante. Serve para animar os irmãos, desafiá-los a continuar orando e apoiando financeiramente, e também para desafiar outros a obedecerem ao chamado missionário.
Outras atividades do missionário nesse período, além das visitas às igrejas, são (ou deveriam ser): descanso físico, mental e espiritual. O desgaste no campo é contínuo e quotidiano. Às vezes é preciso falar duas ou três línguas fluentemente, se esforçar para entender e se adaptar a uma cultura totalmente diferente da sua e travar uma batalha espiritual para trazer luz em meio às trevas – tudo isso traz um desgaste que necessita ser compensado e cuidado. Ter momentos de refrigério, estar com familiares e amigos, ir ao culto somente para participar, louvando a Deus, desfrutando da comunhão dos irmãos e ouvindo a Palavra, são atividades importantíssimas para que o missionário e sua família recarreguem as baterias antes de voltar ao campo.
Igualmente importante é cuidar da saúde física. Um check-up médico e odontológico é imprescindível, pois, na maioria das vezes, isso não é feito no campo, seja por falta de condições financeiras, seja por falta desses serviços no local.
Se o missionário vem por um período maior, seria importante também participar de algum curso, conferência, ler livros, atualizar-se em sua área – enfim, tudo o que possa contribuir para que ele adquira novas ferramentas necessárias ao seu trabalho.
A volta ao país de origem é outra parte do ministério, mediante a qual o obreiro compartilha e contribui para a visão missionária da igreja, além de cuidar de si mesmo e sua família. Jesus mesmo nos deu o exemplo: após um período intenso de trabalho, ele chamou seus discípulos para descansar (Mc 6.30-32).
Que tanto as igrejas como nós mesmos, os missionários, estejamos conscientes dessas necessidades e prontos para supri-las.
Renata é missionária da Avante no Senegal.

3. LAR (Licença para Atualização e Renovo) – algumas impressões
Newslink – Interserve Junho 2007 Elspeth Paterson

O tempo de LAR (Licença para Atualização e Renovo) e, em particular o primeiro é um acontecimento ansiosamente aguardado. Mas para muitas pessoas, torna-se um tempo inesperadamente difícil e confuso. Aqui são indicadas algumas das dificuldades que muitas pessoas sentem, e alguns pensamentos sobre como lidar com elas.
Escrevi na perspectiva de um obreiro solteiro e, portanto, não abordo alguns dos problemas específicos que enfrentam as famílias e as crianças no LAR.

Dificuldades:
1. Tempo de divulgação As visitas a igrejas e amigos podem ocupar todo o tempo. Muitos obreiros viajam milhares de quilômetros e isso não os ajuda a descansar ou achar restauração.
2. A Perda do papel profissional pode causar algum desconforto, muitas vezes inconscientemente. Parece que você está gastando muito tempo falando sobre o que você faz, mas você não está realmente ‘fazendo’ nada!
3. Ver amigos progredindo em suas vidas e carreiras e pensar na vida que você tem como resultado de seguir o chamado de Deus pode causar estresse e te deixar chateado. Isto é especialmente verdadeiro para pessoas solteiras quando eles vêem seus amigos com famílias.
4. Não querer retornar para o campo.

Possíveis maneiras de lidar com estas dificuldades:
1. Tempo de divulgação e visita a amigos mantenedores. Tente separar o tempo, com antecedência, para fazer isso. E, igualmente importante, separe o tempo para não fazer isto. Caso contrário, as visitas vão ocupar todo o seu tempo de LAR facilmente e você não vai se sentir descansado quando voltar. A regra dos terços é útil: um terço – divulgação; um terço – de férias e tempo com os mais chegados; um terço – de atualização profissional e espiritual. Lembre-se que a divulgação é trabalho, e visitar as pessoas não é necessariamente restaurador, mas trabalho, principalmente para os introvertidos.
Peça (diga!) aos seus mantenedores para que reservem datas para palestras com antecedência, de preferência antes de chegar ao seu país de origem. Desta forma, você pode agrupar as visitas geograficamente e reduzir algumas das viagens.
Aprenda a dizer não quando as pessoas pedirem muito tarde. Isso é difícil de fazer, mas essencial se você for se beneficiar do tempo de LAR. Você pode dizer algo como: “Lamento, mas minha agenda está cheia para o resto da minha licença. Gostaria muito de visitar seu grupo na minha próxima licença.” Então, faça uma anotação para perguntar-lhes com antecedência na próxima vez.
Lembre-se que o tempo gasto em uma palestra inclui viagem e preparação, e não apenas a reunião propriamente dita.
Seja proativo em perguntar às pessoas que quiser visitar. Assim, você pode manter algum controle sobre quando você vai visitá-las.
Planeje tempo de férias. Estes tempos de férias também serão boas lembranças quando você estiver de volta no campo. Faça algumas de suas atividades favoritas / hobbies que você talvez não tenha tempo ou a liberdade de fazer no país onde você está trabalhando. Pense nas coisas de que mais sente falta quando você está no exterior e faça-as!
Certifique-se de que você gasta bastante tempo com sua família / as pessoas que são queridas para você. Não é só tempo de qualidade que conta, mas a quantidade de tempo. Você não tem que planejar eventos especiais para cada vez, ser apenas uma parte do seu quotidiano é o que importa. Não se sinta culpado sobre isso. Quando você estiver no campo, você não vai poder ‘dar um pulo’ para estar com eles como pode, se você está vivendo em seu país de origem.
Da mesma forma, tente priorizar o tempo em sua igreja local como um membro normal (ao invés do “palestrante convidado”). Veja se você pode visitar outras igrejas nos dias de semana, em vez de aos domingos. Se você estiver viajando, todos os domingos em alguma reunião, você não vai sentir que se reconectou com a sua igreja local, e eles não vão sentir que tiveram tempo com você, e você terá perdido uma oportunidade para o sua renovação espiritual.
Finalmente, você pode ouvir comentários como: “Que bom ter 6 meses de férias!” Você pode querer tentar esclarecer o que realmente implica o tempo de LAR. Em todo o caso, tente reagir gentilmente, quando confrontado com tais comentários, o que pode ser muito irritante e desanimador, especialmente quando estiver cansado.

2. Papel Profissional. Tente planejar com antecedência qualquer curso ou estudo privado para ajudá-lo a se desenvolver profissionalmente. Muitos cursos precisam de reserva com antecedência.
3. Estilo de vida. Lembre-se que você mudou muito, e as experiências que você tem são igualmente de grande valor. Lembre-se que muitas pessoas realmente invejam a vida que você tem. Muitos gostariam de fazer o que você está fazendo, mas se sentem amarrados em seu país de origem. Tente focalizar as coisas boas de sua experiência no exterior. Lembre-se das coisas que Deus lhe ensinou, e fique firme na fé para a qual Ele o chamou, e lembre-se que os horários estão em Suas mãos.
Se for possível, tenha sua própria casa, ou a sua própria base, que é um lar para você, quando você está no seu país de origem. Idealmente, esse lugar deveria ficar perto de sua igreja de origem. Viver constantemente como convidado de outras pessoas é muito cansativo. Organize as suas férias e suas atividades profissionais a partir dessa base. Você vai ter que se deslocar para a divulgação, mas isto deveria tomar apenas um terço do seu tempo.

4. Não querer voltar ao “campo”. Quase todos sentem isso, então não se sinta de alguma forma anormal, nem pense que isso significa que você não tem chamado. Mesmo aqueles já serviram no exterior por muitos anos, dizem que sentem isso. Se não houver nenhuma razão óbvia para ficar em seu país, então isso provavelmente significa que Deus quer que você volte para o campo, mesmo que você não sinta a emoção que sentiu quando foi pela primeira vez. Desta vez, você sabe o que te espera e é mais difícil entrar no avião do que foi da primeira vez.
Mas tende bom ânimo! É mais fácil chegar lá do que foi na primeira vez. Tudo é familiar e os relacionamentos são mais profundos, porque você tem história com as pessoas. O próprio fato de você ter voltado mostra às pessoas que você está comprometido com elas.
Uma forma de lidar com o sentimento de não querer voltar para mim foi dizer a mim mesmo que iria retornar por seis meses e, em seguida, reavaliar a situação. Seis meses parecia um tempo com o qual eu podia lidar mais facilmente do que três anos. No final, já na primeira semana de volta, eu sabia que era o lugar onde Deus queria que eu estivesse.
Se existem aspectos específicos de seu trabalho no exterior que precisam ser alterados, a fim de ajudá-lo a viver e trabalhar lá, então resolva essas questões. Se você trabalha muitas horas, tome providências para cortá-las. Se você tem muitas responsabilidades diferentes corte algumas fora. Sua equipe está trabalhando há vários meses sem você, então durante o tempo de LAR seria um bom momento para fazer uma mudança. Seja realista sobre o que é sustentável para você a longo prazo. Isto é uma maratona e não um sprint.

5. Por fim, nenhum de nós fará tudo certo e vamos aprender com nossos próprios erros. Mas às vezes pode ajudar aprender com os erros dos outros também. Ser prevenido vale por dois!

Elspeth Paterson

OBS. Verifique que você tem alguma maneira de lembrar as suas senhas de banco etc. Facilmente esquecemo-nos delas enquanto estamos fora, no campo.

(tradução de Jan Greenwood)

segunda-feira, 20 de junho de 2011

QUAL A IMPORTÂNCIA DO MISSIONÁRIO DE BASE?




Autoria do: Pr. Jack Douglas de Oliveira Batista

Muitas pessoas têm uma visão errônea com respeito às agências missionárias e ao missionário de base, sem conhecer o verdadeiro trabalho desempenhado por ambas as partes.

Alguns dizem que para fazer missões não se necessita de agências missionárias, nem de missionários de base. Eles dizem que as agências só querem controlar a vida e o dinheiro dos missionário e que os missionários de base não dão os frutos que deveriam dar, que são funcionários de gabinete, que seu trabalho é de pouco proveito para missões, e que vivem a sombra dos missionário. Acreditam que são pessoas que não deram certo no campo, ou que talvez têm medo de ir ao campo.

Verdade é, que muitos têm sofrido por causa desta mentalidade retrógrada de líderes que não fazem e nem sabem o que é missões. Ela se reflete drasticamente nas agências e na vida dos missionários, fazendo com que eles não encontrem apoio, sendo até esquecidos no campo.


Depois de muito trabalho e esforço missionário, chegou-se a conclusão de que o missionário necessita de pessoas ligadas a ele, que trabalhem a seu favor, que estejam ligadas a ele e também à sua igreja, mantenedores, ou denominação, pois a igreja não tem condições de dar toda a assessoria que o missionário necessita, seja por causa da distância ou da comunicação.

Quando entendemos que somos membros de um só corpo, vemos que cada obreiro tem a sua parte e sua atuação na obra missionária, onde o cabeça é Cristo. Uns ligados aos outros para manter o bom funcionamento do corpo, todos em conexão. Paulo já dizia:

Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos. Se o pé disser: Porque não sou mão, não sou do corpo; não será por isso do corpo? E se a orelha disser: Porque não sou olho não sou do corpo; não será por isso do corpo? Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo fosse ouvido, onde estaria o olfato? Agora pois há muitos membros, mas um corpo. Não para que haja divisão no corpo, mas antes tenham os membros igual cuidado uns dos outros. (I Co 11.14,15, 16,17, 19, 20 e 25)

O próprio missionário Paulo, por muitas vezes foi assessorado por missionários de base que nunca saíram de suas cidades ou países, mas esses missionários de base o auxiliavam preparando um lugar onde ele ficaria, dando sugestões, ajudando em fulgas, orando por ele, levando e trazendo carta, ou seja, dando todo tipo de assistência, levando o que ele precisava.

O que é um missionário de base?

É aquele que auxilia na chegada, na saída e quando o missionário está no campo, apóia o Missionário quando há dificuldade financeira ou de saúde, cuida da vida burocrática do Missionário, quem faz o contato entre missionários e entre missionário e mantenedor (principalmente quando ele está em um país de risco ou de difícil comunicação)

É aquele missionário que trabalha em uma agência missionária para dar suporte à Igreja, promover despertamento, visão missionária, comunicar estatísticas, resultados de pesquisas.

Entre suas responsabilidades estão dar suporte ao Missionário, ir na frente (fazer os contatos), comunicação (informar aos mantenedores), sustento(levantar e desafiar), socorro (emergências), manter o interesse (comunicar maiores necessidades), pastoreio (cuidado),intercessão (mobilização).

O Missionário de base é a pessoa que melhor entende o missionário que está no campo, porque ele tem um preparo missionário, já viveu ou viverá num campo missionário.

Tenho como exemplo a ação no campo de batalha:

Na guerra deve haver uma boa comunicação entre os soldados que avançam no confronto pessoal e aqueles soldados que ficam na base de comando em sua retaguarda. Entre o pelotão, existe um soldado que fica com um rádio preso na suas costas, sempre pronto para acionar o soldado de base, seja para dar informes de possições ou pedir ajuda aos soldados que estão na estação de rádio, atentos na mobilização do pelotão e nas suas dificuldades, prontos para enviar reforços. O soldado de base sabe o que está se passando com os soldados que estão na linha de fogo e acompanha todos os seus movimentos e acontecimentos.

O soldado do outro lado da linha telefônica é como o missionário de base, que reflete o que o pelotão está passando na frente de batalha. Se for precisso ele manda reforços, ou até mesmo um bonbardeio aéreo (através da intecessão). São aqueles que estão mais perto do campo de batalha e que podem mobilizar todo um exército e até mesmo o General em prol de um soldado ferido. A agência missionária funciona como uma estação de rádio que dá os informes, auxilia e administra toda a ofensiva de invasão, ataque e conquista do terreno inimigo.

Aqui no campo, sei que posso contar com eles (missionários de base) a todo momento, para todo tipo de ajuda, tanto pequena como grande, pois eles não me abandonarão, serão usados por Deus para meu fortalecimento para ir mais adiante.

Jack Douglas de Oliveira Batista
Missionário da Missão Antioquia – Espanha – Granada
Trabalho no IIbET ( Instituto Ibero-Americano de Estudos Transculturais

terça-feira, 7 de junho de 2011

O SOFRIMENTO E A CARREIRA MISSIONÁRIA

Escrito por Antonia Leonora van der Meer - Tonica


O sofrimento faz parte da carreira missionária dos que seguem os passos e o ministério de Jesus. Foi assim com nosso mestre e Ele nos advertiu de que também sofreríamos e nos chamou a calcular os custos para ver se estamos dispostos a ir até ao fim (Lucas 9:23, 57-62; 14:25-33). Jesus não facilitou a vida dos seus seguidores.
Hoje estamos acostumados a uma fé evangélica consumista, buscando os cultos e programas e o louvor que mais nos agradam, e o lugar onde podemos obter mais bênçãos com menor custo. Esse não é o caminho da cruz a que Jesus nos convida a andar, seguindo os seus passos.
Não quero buscar intencionalmente o sofrimento, mas se queremos alcançar os perdidos menos alcançados, teremos de servir em selvas, entre grupos que vivem muito longe da civilização, e onde nossa presença vai ser questionada, vamos ter inimigos simplesmente por estarmos ali em nome de Cristo. Teremos de servir entre povos orgulhosos de sua cultura e da sua religião, que as defendem porque representam sua identidade e porque vêem o Cristianismo como imposição do Ocidente capitalista. Teremos de servir entre povos que sofrem os horrores da guerra, que perderam seus entes queridos, crianças traumatizadas que presenciaram a morte violenta de seus pais, pessoas física e emocionalmente estraçalhadas. Teremos de servir em lugares onde o simples interesse em ler ou ter uma Bíblia já pode causar intensa oposição ou mesmo a morte. Temos de reconhecer que de fato causamos algumas reações negativas pela maneira como a missão tem sido feita. Mas a razão maior não é a questão da cultura, mas é porque há uma batalha espiritual, querendo impedir que novos povos ou grupos de pessoas sem Deus e sem esperança venham a descobrir as alegres e boas novas do amor de Deus.
Além disso, teremos de aprender línguas complicadas, mudar nossa forma de viver por outras formas que nos são estranhas, permitir que nossos filhos se integrem e se tornem parte de uma cultura que talvez não nos agrade. Podemos estar servindo com toda dedicação e fidelidade e ser mal-interpretados, questionados, nossa presença ser ressentida porque somos estrangeiros.
Depois vêm as saudades da pátria, da família, da igreja, dos amigos. A preocupação com os pais que estão ficando mais idosos, e precisando de nossa presença. A preocupação constante com a vida e os estudos dos filhos, e com o futuro deles. Será que estamos lhes prejudicando ao obrigá-los a compartilhar a vida missionária conosco? Vem a solidão e a necessidade de alguém que nos entenda. Acabamos sendo duplamente estrangeiros, no campo, e talvez ainda mais quando voltamos ao lar – é aí que percebemos o quanto mudamos. Mesmo nossa família, ou nossos melhores amigos não entendem as coisas que mais ardem em nosso coração.
Será que vale a pena enfrentar tudo isso? Eu creio que sim. Em primeiro lugar porque é muito pouco em resposta àquilo que o Senhor da glória fez para me salvar e me tornar filha amada do Deus Pai. Também porque nossa vocação é aquilo que no fundo mais satisfaz nosso ser, é aquilo para que fomos feitos, nos causa imensa satisfação e alegria estar no centro da vontade de Deus. E ainda cada pequeno fruto, ou broto, ou sinal de vida, quanta alegria nos traz. Como foi bom, quando estava em Angola, depois de meses de debates difíceis com um ou outro marxista convencido, ver como a luz de Deus penetrava sua mente e mudava sua perspectiva e o transformava em filho de Deus, em testemunha do amor de Jesus que o alcançou. Visitando os hospitais com os doentes com pouquíssimos recursos e os feridos da guerra, encontrando muito desespero, e vendo como o amor de Jesus transformava a vida dessas pessoas, lhes dando nova coragem, nova razão para viver, para lutar pelo que é bom e servir aos outros. Ver pessoas que conheci como estudantes secundaristas ou universitários, servindo a Deus e ao próximo com sabedoria, alegria e dedicação… Ver o ministério entre deficientes físicos que comecei a sonhar a anos, sendo desenvolvido sacrificialmente pelos próprios deficientes, com garra e amor.
Sim valeu a pena!

quarta-feira, 1 de junho de 2011

CAMPO MISSIONÁRIO - LUGAR DE BÊNÇÃOS TAMBÉM


Problemas sempre virão no campo, precisamos ser dóceis para resolvê-los - Gn.12,10: “E havia fome naquela terra e desceu Abrão ao Egito para peregrinar ali, porquanto a fome era grande na terra".

Abraão passou por situações delicadas como família, você pode imaginar-se no lugar dele, tendo uma família para cuidar, esposa e parentes, fora os animais e serventes que acompanharam. Quando Deus chamou Abraão, talvez ele não imaginava o desafio que teria pela frente.

Quando Deus nos chama e respondemos “sim” devemos nos preparar para os desafios que virão, pois satanás com certeza irá atacar e preparar ciladas e situações para nos desanimar e nos fazer olhar para trás.

Quando deixamos o Brasil rumo ao campo missionário, não imaginávamos que passaríamos por tantas provas e dificuldades.

Naquela época o Brasil passava por sua maior crise financeira na história com uma inflação gigantesca que chegava a quase 43% ao mês e com a desvalorização da nossa moeda era uma “loucura” sair do país para o campo missionario e para encaramos o desafio tinhamos que dar um passo de fé.

No primeiro mês percebemos os problemas chegando, pois algumas igrejas que haviam prometido nos ajudar financeiramente falharam e ficamos em uma situação muito delicada com duas filhas pequenas e com contas para pagar, é lamentável que algumas igrejas brasileiras ainda estão tão imaturas no que tange `a fazer missões transculturais e interdenominacionais, pois muitas enviam e não sustentam espiritualizando o chamado missionário com o jargão de que se somos missionários e fazemos missões dizem que vivemos por fé… É verdade que nossa confiança está em Deus, mas é a obrigação da igreja local que uma fez feito o compromissocumpra e honre com a palavra, pois missionário precisa do pão na mesa, precisa de vestir e de férias também.

Muitas igrejas “tiram o corpo fora” e deixam o missionário a mercê do milagre. Vemos isto como tentar a Deus!!!!

Apesar dos erros de algumas igrejas, louvamos ao Senhor, pois DEUS NUNCA FALHA e é provedor, todos estes anos vivendo no campo missionário, nunca nos faltou nada! É lamentável que muitas igrejas omitem e não cumprem sua missão de não só enviar, mas sustentar, apoiar e pastorear.

Muitas igreja lançam o missionário no campo e se esquecem dele. Lembro-me de que um dia tínhamos que pagar o aluguel e não tinhamos o valor necessário, deveria pagar o aluguel no outro dia ou sair da casa, então naquela noite fui em uma igreja para orar e depois da reunião de oração um senhor inglês me chamou e perguntou, você é missionário?

Quando respondi que sim, ele me convidou para entrar em seu carro e me levou até um banco 24 horas onde sacou uma quantia de dinheiro e colocou em minhas mãos, para minha surpresa era o valor exato para pagar o nosso aluguel, fiquei sem saber o que dizer, mas partilhei com este irmão que estava necessitando de provisão para pagar o aluguel e com isso, a fé dele foi edificada como a minha também.

Talvez você ao ler isto possa maravilhar-se e honestamente nós nos alegramos e regozijamos em Deus com você, mas achamos que isto não seria necessário acontecer, se as igreja que enviam fossem fiéis. Muitas vezes jogamos a responsabilidade para Deus, enquanto somos nós quem temos que fazer o trabalho, é por isto que o mundo ainda não foi todo evangelizado e o islamismo toma conta do planeta e outras religiões e seitas invadem vários países.

Abrão enfrenta a fome mas Deus o sustenta. A diferença aqui, foi que nenhuma igreja ou corpo eclesiástico fez compromisso com Abrao e Ele viu de perto a provisão de Deus em todos os sentidos e como o Senhor o conduziu.

A igreja tem que entender que quando envia um casal para o campo, esta família talvez terá problemas, pois algo que no país de origem parece ser um problema pequeno, fora do nosso país pode ser um gigante!!!

No Brasil usa-se muito o “jeitinho” para resolver as coisas, mas fora do Brasil não há o “jeitinho”, ou você é ou não é, ou tem ou não tem, já vimos vários missionários com problemas financeiros vivendo no campo transcultural e isto é uma VERGONHA para a igreja brasileira! É tempo de colocarmos os pés no chão e sermos coerentes ao enviarmos alguém para o campo, não se brinca com famíia, com crianças e com a obra de Deus.

Outro problema que a familia enfrenta é a lingua, outra cultura, costumes é como nascer de novo, você se torna como um bebê, pois dependendo do país onde você vai terá que aprender tudo outra vez, como comprar, o que comprar, como usar o transporte público.

Ha paises onde somente os homens podem sair e a mulher fica em casa a maioria do tempo, na igreja por exemplo, há igrejas onde a mulher não pode fazer nada, e isto pode ser muito frustante, pois você que é mulher mãe de filhos ou casal sem filhos deixou o país para pregar, ganhar almas, evangelizar e em alguns paises você não será permitido fazer isto e terá que usar uma outra estratégia.

Outro problema que o missionário pode enfrentar é o da higiene que pode ser pessoal como da comunidade, por exemplo, paises onde não se usa papel higiênico, ou come-se com a mão, ou usa-se o banheiro ao ar livre… Este foi um dos problemas que enfrentamos na India como família, pois além de ser um problema higiênico também é moral (Segundo nossa cultura), pois homens urinam em público e em frente de qualquer um e para as mulheres isto é imoral e pode chegar até a ser um escândalo.

As crianças, filhos de missionários também enfrentam problemas e choques culturais. A escola pode ser um grande problema para a família.

Passamos por uma experiência dessas com nossa filha mais velha que estudou em escola local Indiana por 03 anos e teve muitos problemas, devido a maneira de ensinar e a mentalidade local.

Naquela época (1994) morávamos em Allahabad(cidade “santa” hindu que traduzida significa: Cidade de Aláh) onde passa o rio Ganges, Permanecemos nesta cidade por três anos e nossa filha estudava numa das melhores escolas para meninas, com mais de 5.000 alunas, somente na classe dela haviam 75 alunas e uma professora gritando e com uma vara em uma das mãos, um dia a menina perguntou algo para a professora sobre a matéria que não havia entendido e a professora lhe deu um tapa na cara… como você reagiria como pai ou mãe?

Quem vai ao campo como família tem que pensar na educação dos filhos e principalmente no português, pois se você não alfabetizar os seus filhos eles não irão aprender o Português e poderão ter grandes problemas no futuro.

Louvamos a Deus, pois nossas filhas, sabem ler, escrever e falar português fluentemente, minha esposa foi ótima professora e alfabetizou as duas filhas que hoje falam mais de 05 idiomas. Vemos famílias que não dão prioridade para os filhos e os mesmos crescem odiando missões e a obra de Deus e conhecemos alguns que condenam ao Sehor por chamar seus pais ao campo missionário, pois não se preocupam com a educação dos filhos que crescem com problemas e conflitos.

Não se esqueça que a igreja começa em casa, a família é prioridade, e quem não cuida dos seus como diz a palavra, é PIOR QUE UM INFIEL! (1Tm.5,8)”Mas se alguém não tem cuidado dos seus e principalmente dos da sua família negou a fe e é pior do que o infiel! Você quer saber como nós reagimos quando a professora bateu na cara de nossa filha não fizemos nada, pois iria piorar a situação, oramos e no ano seguinte, Deus abriu as portas para nossas filhas estudarem na escola francesa em Nova Delhi, uma provisão de Deus que até hoje ficamos perplexos quando pensamos nisto.

Um conselho aos que se preparam para sairem ao campo transcultural:

Antes de você sair do Brasil, leve livros de gramática da língua portuguesa, história do Brasil e geografia do Brasil, pois seus filhos precisam saber sobre seu país de origem para que saibam de onde vieram e suas raízes.