"“Muitos crentes consagrados jamais atingiram os campos missionários com seus próprios pés mas poderão alcança-los com seus joelhos” (Adoniran Judson)”"

quarta-feira, 21 de março de 2012

SITUAÇÕES QUE CAUSAM SOBRECARGA EMOCIONAL NA CARREIRA MISSIONÁRIA


Autoria: Missionário JAIRO DE OLIVEIRA

SEGUNDA PARTE

CHEGADA AO CAMPO



Além das implicações culturais e linguísticas, a chegada de um missionário no campo é sempre cercada de enormes demandas logísticas e o resultado é um clima de tensão. Os primeiros após o desembarque representam um período em que todo obreiro precisa ter em mãos uma boa reserva financeira. Quando isso não é uma realidade, somente uma genuína confiança na provisão sobrenatural de Deus será capaz de evitar um quadro de preocupações. No mínimo, o obreiro precisará de recursos para quitar despesas imediatas com aluguel de uma casa e com a compra de mobília básica.
Há, ainda, outras ocasiões em que haverá a necessidade de assumir despesas com hospedagem numa moradia temporária, com a aplicação de visto (quando o processo de aplicação de visto ocorre no país onde se deseja estabelecer residência), com a tradução de documentos, com a matrícula dos filhos em uma escola, com o aprendizado da nova língua – seja o aprendizado formal, numa escola, ou informal com o auxílio de um nacional – e com a compra de acessórios que possibilitam a adaptação imediata ao novo ambiente (casado, toca, luva, turbante, véu, etc). Sem falar na compra de um carro, moto, barco ou camelo, dependendo em que região da terra o missionário esteja.
Em alguns contextos, o transporte particular está longe de representar um objeto de luxo, antes, e a única forma de acesso ao povo que se deseja alcançar. O conjunto de todas essas demandas pode produzir um estado de cansaço físico e emocional.

SUSTENTO INADEQUADO

Outras situações como sustento inadequado também estão entre os fatores que podem abalar bastante o obreiro emocionalmente. Lidar com problemas financeiros estando fora do país e distante da família, da comunidade cristã de origem e dos amigos exigirá de qualquer indivíduo uma boa dose de maturidade. Essa situação pode se tornar ainda mais desafiadora quando o missionário, além de depender de recursos para sustentar a família, é responsável por outras despesas no desenvolvimento do ministério.
Lamentavelmente, o sustento inadequado dos missionários brasileiros tem produzido situações extremamente desconfortáveis no campo e sugerido, em contraste com o que afirmam as Escrituras, que o obreiro não é digno do seu salário (1 Timóteo5. 18).
Observando nossa caminhada, como movimento missionário brasileiro, somos desafiados a reconhecer que ao longo dos anos o problema da falta de sustento tem tornado o campo missionário numa arena de fé e, em alguns casos, num terreno de sobrevivência para o missionário brasileiro.


ALUGUEL DE CASA

O processo de aluguel de uma casa pode roubar muitas energias de um missionário. Em países como a Tailândia, não é comum encontrar imobiliárias e é preciso visitar a comunidade em cada bairro para descobrir a disponibilidade de casas para alugar. Já em países como a Indonésia, o inquilino é obrigado a providenciar o pagamento adiantado do aluguel, que pode variar de três meses a um ano, antes de se entrar para morar na casa. Na África do Sul, é exigido o pagamento de um depósito equivalente a dois ou três meses do valor do aluguel como garantia por danos ao imóvel. O que supostamente deve ser devolvido ao inquilino no fim do contrato.
A experiência de alugar uma casa pode se tornar ainda mais penosa em se tratando de um missionário que acaba de desembarcar no campo. Além do desgaste natural dessa empreitada, depois de algumas semanas vivendo provisoriamente, acrescenta-se o esgotamento com o processo de mudança e com a falta de privacidade, sobretudo se o missionário possui esposa e filhos.

SAUDADE

Nos primeiros meses e anos, a saudade da família e dos amigos afeta consideravelmente as emoções do recém chegado, em especial se ele faz parte de uma sociedade que estima viver em comunidade e que considera os relacionamentos em alto nível.
Nessa fase, aliado à saudade, o receio de ser esquecido ou abandonado pela igreja, enviadora também pode abater um obreiro e representar um desafio maior do que as lutas enfrentadas no campo.

AUSÊNCIA DE RESULTADO

A ausência de resultados satisfatórios no ministério também pode causar cnsiderável estresse. Quando não é perceptível o avanço no aprendizado da língua o0u quando o povo alvo resiste ao evangelho, mesmo depois de já ter ouvido a pregação por longos meses, é comum que surge o sentimento de abatimento. Invariavelmente, as expectativas não correspondidas se transformam dem objeto de frustrações.

DOENÇAS

As doenças, além de debiliarem o corpo, sempre acabam por produzir um conjunto de preocupações que, por sua vez, geram tensão emocional. Avalie o volume de estresse de determinado missionário que acaba de desembarcar com a esposa na Ìndia. Trata-se de seu primeiro campo missionário e, antes mesmo de adquire conhecimento suficiente da língua para se comunicar descobre que precisa se submeter a uma cirurgia com urgência. Esse quadro revela a experiência do missionário Carlos Roberto Pinheiro, da Associação Missionária Evangelistica (AME), compartilhada com seus mantenedores e intercessores em uma de suas cartas de oração.
Pedimos que orem por todo o que estamos vivendo aqui. É muito difícil passar por isso num país estrangeiro e diante de uma língua que não compreendemos, mas sei que posso louvar o Senhor porque estamos vendo o seu amor em ação.

RETORNO DO CAMPO

O retorno do campo e a readaptação ao ambiente cultural de origem fazem parte de um processo que pode representar a fase mais difícil na carreira missionária.
As dificuldades para se reajustar a vida e se adaptar ao nosso contexto têm sido classificadas como choque cultural reverso.
Todo processo de adaptação já é um desafio em si e a situação pode ser agravado quando o missionário e seus filhos retornam do campo estando desinformados, desatualizados e se sentindo totalmente fora da realidade em seu contexto de origem.
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Publicado no Livro "Vida, ministério e desafios no Campo Missionário, Mis. Jairo de Oliveira, Editora Abba, SP. 2011

Um comentário:

Mª Lucia T Moura. disse...

A paz missionário Valdir Barbosa e muito bom ter o Irmão participando conosco. Já estamos seguindo seu blog, quero que o Irmão nos conheça aqui Brasil: É só cricar na foto e participar conosco. O Senhor vos abençõe ai onde os Irmãos estão, Ainda não sabemos o certo do lugar.