"“Muitos crentes consagrados jamais atingiram os campos missionários com seus próprios pés mas poderão alcança-los com seus joelhos” (Adoniran Judson)”"

domingo, 17 de junho de 2012

UMA REFLEXÃO IMPORTANTE!!! PARE E PENSE!!!

Bem-vindo em nossas ‘Meias’, ou Pedra no Sapato?
Ma. Leonor Sotelo Goulart

Depois de quatro anos fora no campo missionário, chegando na igreja, encontramos pessoas novas que não conhecíamos, a liderança havia mudado e sentimos que já não fazíamos mais parte da comunidade. Parece que a igreja não havia se preparado para nos receber e nem nós estávamos cientes das mudanças que encontraríamos. Havíamos comunicado nossa chegada, mas a igreja estava envolvida com seus programas rotineiros.

Fomos acolhido por uma outra igreja que nos hospedou numa casa mobiliada para missionários. Tivemos irmãos preciosos que nos encaminharam a médicos, dentistas e até quem nos levasse a uma pizzaria. No entanto, o que mais queríamos era poder contar o que tínhamos vivido e presenciado. Tínhamos outra perspectiva do mundo e não achávamos com quem dividí-la.

Desatualizados da política, da moda e até da gíria usada naquele momento, encontrávamo-nos divididos por dois mundos: o que havíamos deixado na África de amigos queridos, famintos tanto física como espiritualmente, e por outro lado, deparamos com uma igreja que buscava uma nova teologia de receber bênçãos, ainda que já estivesse abastada.

Antigamente o missionário levava meses vindo de navio até chegar e, durante esse tempo, se habituava com a idéia de mudança de ambiente e campo de atuação, porém, hoje ele enfrenta estas mudanças de uma maneira drástica, no mesmo dia, às vezes, em questão de horas!!

É preciso oferecer ao missionário oportunidade para compartilhar do seu ministério e também de suas lutas interiores que talvez, só mesmo um profissional possa ajudar. A igreja precisa estar consciente de que aquilo que o missionário enfrentou, iria chocá-la vendo numa reportagem de televisão. É como quando um soldado volta do combate, não são só as atrocidades da guerra que o ferem, mas o fato de seu país não ter noção de como é a guerra e de que não lhe é possível descrevê-la sem tê-la vivenciado e, essa incapacidade e a indiferença dos que não entendem nem a guerra, nem o soldado e ainda desconhecem as artimanhas do inimigo em combate, é que deixa o missionário deslocado e frustrado, cansado de lutar; não na guerra em si, mas na sua própria luta interior.

O missionário transcultural, leva a mensagem do Evangelho de maneira que, aqueles que não a conhece, possa compreender e, muitas vezes, não se faz compreendido por aqueles que o enviaram.

O missionário fica dando de si por muito tempo, sem receber de outros. Precisa ser pastoreado! Ele vai dia após dia, e até anos, convivendo com aqueles que evangelizou e discipula então, voltando para a igreja, precisa do amparo desta.

O missionário transcultural perde, muitas vezes, sua própria cultura, volta com costumes diferentes, por ter passado muito tempo ministrando a um povo simples, e em outra língua e, freqüentemente, não está habituado com o ritmo da igreja e parece mais um peixe fora d’água e precisa ser corretamente interpretado e entendido

Como o trabalho missionário só é feito em conjunto e o missionário representa sua igreja onde ele trabalha, é preciso, portanto, tratá-lo com carinho e honras de embaixador, e isso não quer dizer que a glória e o mérito não estejam sendo dadas ao Senhor.

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Ma. Leonor Sotelo Goulart
Foi missionária pela MNTB por quatro anos no Senegal no início da década de noventa. É casada com Reginaldo Goulart e tem quatro filhos que , na época, eram todos menores de oito anos.

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