"“Muitos crentes consagrados jamais atingiram os campos missionários com seus próprios pés mas poderão alcança-los com seus joelhos” (Adoniran Judson)”"

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

USANDO BALDES EM LUGAR DE CADEIRAS



Passo a contar a continuação uma história linda da nossa Missão no Chile, estamos com apenas 5 meses de cultos, mas Deus já tem feito coisas maravilhosa. Na falta de Cadeiras para sentar estar usando Baldes de tinta dos quais havia comprado para pintar a casa, depois de lavado, ficou um excelente lugar para sentar os irmãos chilenos para receber a Palavra de Deus e adorar a Jesus.

                                         Meninas chilenas tocando pandeiro

Uma coisa nova Deus tem feito no meu coração nestes últimos 430 dias que estamos em Missão aqui no Chile, foi me fazer escrever sobre Missões, me sinto um privilegiado, pois de vez em quando o Espírito Santo nos dá um abraço fortalecedor, dizendo: eu sou o teu elogio. Não há nada mais lindo que estar em Missões, é uma Escola, onde o Espirito Santo está Forjando em nós a mais linda história Missionária, diretamente do céu. Um dia essa História poderia sair ao mundo, em forma de Livro ou de Filme do que Deus fez conosco aqui no Chile, com o propósito exclusivo de que o nome de Jesus seja glorificado.

Temos uma chamada Missionária muito forte, mas militamos com poucos recursos econômicos, mas mesmo assim estamos feliz e de vez em quando dizemos que estamos fazendo um Curso de Economia, o desejo do Espírito Santo é nos ensinar uma Dependência total de Deus.

Faz 430 dias que estamos aqui no Chile como Missionário, para mim numa segunda Missão. A primeira vez que vim ao Chile em 1991 fiquei aqui 6.333 dias, voltei ao Brasil em 2008 para me recuperar de um vírus de Leptospiroses, achava que ia morrer, mas Deus me deu vida novamente. No primeiro culto que participei no Brasil depois de 17 anos e meio no Chile, ouvi um quarteto cantando a canção de Nani Azevedo por titulo Deus é Fiel: Houve uma frase que bloqueou aquela sensação de morte que dizia assim: “Eu não Morrerei enquanto o Senhor não cumprir em mim todos os sonhos que Ele mesmo sonhou para mim”.


Conheci minha esposa Ivone Rodrigues Estuarte Karkle em 2008, uma mulher de Deus que chegou à minha vida para trazer cura e alegria. Casamo-nos dia 17 de Setembro de 2010, morávamos na época em Lages SC, tínhamos uma boa vida. Minha esposa como Massoterapeuta atendia suas clientes e eu tocava minha empresa de Informática. Na igreja Assembleia de Deus em Lages – SC cooperava como Pastor Auxiliar como Professor de Teologia e como Locutor da Rádio Princesa onde a igreja tinha programa 4 horas de segunda a sábado das 20 às 24 horas.



Deus começou a chamar-me novamente para voltar ao Chile em Abril de 2011 e não podendo mais resistir o chamado, dia 25 de Novembro de 2011 empreendemos viagem com 18 malas para o Chile.



A metade das nossas coisas doamos a uma igreja e a outra metade vendemos, as duas empresas foram vendidas no mesmo dia que colocamos o aviso de venda. Os aparelhos da clinica foram vendidos para uma só pessoa e as demais coisas foram vendidas em oito vezes, para ser depositada na nossa conta, sendo que já não estaríamos mais no Brasil.



Com o dinheiro das coisas vendidas começamos a montar nossa casa, compramos poucas coisas, mas suficientes para fazermos a Obra do Senhor aqui no Chile. Para o nosso meio de transporte, compramos duas bicicletas. Muitas pessoas ficam surpresas que dois Missionários catarinenses como nós façamos a Obra de Deus assim, mas com muita alegria.



Os primeiros oito meses aqui no Chile ajudamos um pastor chileno que tinha quatro pequenas igrejas, mais ou menos 25 a 30 pessoas em cada uma delas. O Templo da igreja sede estava sendo construída a mais de 18 anos e eles não conseguiam termina-la. Quando conhecemos esta construção, faltava forro, piso, aberturas e com a graça de Deus, assim que colocamos a mão na enxada, no martelo, e na furadeira, a construção terminou. O templo já se encontra inaugurado, glória a Deus por esse trabalho e tempo nosso ali investido. Para juntar dinheiro fizemos duas campanhas entre os irmãos chilenos e Deus permitiu terminar essa construção.



Agora falando da nossa própria igreja dia 12 de Janeiro completou cinco meses de vida, domingo 13 tínhamos 22 pessoas presentes. Nossa igreja se chama Centro de Alegria. Sempre colocamos em baixo do nome da nossa igreja uma frase que diz assim: Centro de Alegria, uma Igreja Restaurativa, Atual, Alegre, Missionária e um presente de Deus para o Chile.



Já compramos e pagamos o Som da igreja por R$ 1.568 Reais. Dia 9 de Janeiro realizamos uma nova compra, um Datashow, compramos pela fé um Datashow agora vamos trabalhar para devolver o dinheiro de quem tomamos emprestado para comprar esse Datashow. Temos 27 cadeiras na Sede Comunitária onde estamos ocupando três vezes na semana, mas já esta faltando cadeiras. Quando os cultos eram feitos na minha casa, ocupávamos três baldes redondo de plástico de tinta para poder sentar, já que tínhamos seis cadeiras e seis banquinhos, como podes ver nas fotos anexas.



Logo vamos precisar comprar 50 cadeiras plásticas mais. Gostaria de dizer a você que seria uma honra para nós se você pudesse nos Ajudar com coisas assim. Basta apenas uma Doação sua e pronto, temos uma necessidade urgente e importante para nós. Mas quem tiver esta experiência de ajudar Missionários por certo gostará de continuar sua Parceria, pois toda pessoa, negócio ou igreja que se envolve com Missões, Deus a prospera, este tem sido o segredo de muitas igrejas que prosperam, pois elas investiram em missões.



Não temos ainda um Local de Cultos alugado, a cidade que estamos trabalhando se chama Padre Hurtado, Região Metropolitana de Santiago do Chile. Esta cidade tem 51 mil habitantes, mas não há locais para alugar, assim que estamos fazendo cinco cultos por semana, três na Sede comunitária e dois mais em casas.



No ultimo domingo que o culto ainda acontecia na minha casa, às 10 horas da manha, eu estava quase terminando a pregação, quando fomos interrompidos pela Policia, pois algum vizinho incomodado com o culto chamou a policia. O barulho todo deste culto foi produzido por dois violões e dois bandolins, claro, havíamos amplificado os dois violões no som novo que havíamos comprado e os louvores estavam lindos, mas na hora da pregação não estava sendo usado o microfone. Somos de Santa Catarina, mas não temos nenhum vinculo com nenhuma igreja em Santa Catarina.



Não temos salário de nenhuma igreja brasileira. Buscamos sim pelo Senhor Jesus em oração encontrar alguma igreja, pessoa, ou empresa que queira fazer Parceria com nós. Esta futura Parceria conosco poderia começar online, até chegar o momento de uma visita e poder abraçar e estar criando vínculos fraternais efetivos.



Não existem locais para alugar aqui no município de Padre Hurtado onde estamos, mas existe uma Casa Grande de esquina em venda, bem na entrada de um bairro novo onde vivemos. Essa casa grande tem um local ao lado que foi feito para um armazém, mas não deu certo. Esta propriedade está sendo Vendidas por 39 milhões de pesos chileno, ou 177 mil reais. Já oramos varias vezes nestas ultimas semanas colocando nossa mão no muro pedindo a Deus que nos de esta casa grande e de esquina, com este local medindo 6 x 14 esta muito bem localizado, num lugar estratégico.



Como Missionário a gente faz umas contas matemáticas extraordinárias, assim: Veja, se Deus preparasse 177 igrejas de mil reais essa Casa e Local seria nosso em nome de Jesus. Ou então 35 igrejas de cinco mil, a compra seria realizada para a gloria de Deus. Não temos estas 35 Igrejas, mas Deus a tem, com esses recursos.



Uma coisa nos deixará felizes, é se recebermos uma resposta carta, dizendo Missionários vou doar 10 cadeiras, cada cadeira custa 40 Reais. Se tiver uma coisa boa para nós Missionários é receber Resposta de nossos e-mails. Enquanto isso nós estaremos aqui atrás da Cordilheira dos Andes orando por uma resposta positiva a esse nosso Projeto Missionário. Sabemos que a pessoa ou Pastor que aceitar essa Parceria Missionária, será uma tremenda benção de Deus para ele e para nós, onde ele poderá contar com um casal como nós e de ter uma nação como o Chile. Estamos falando de algo lindo, grande, chamado Base Missionária.



Essa casa grande que esta em Venda aqui no Chile serviria muito para uma Base Missionária, onde poderíamos receber alguns jovens casais que possam custear essa experiência transcultural, na nossa Base Missionária aqui atrás da Cordilheira dos Andes. Aos brasileiros que queiram receber esse treinamento missiológico, durante 6 a 9 meses na Base seria uma experiência enriquecedora, aprenderia ademais o idioma espanhol. Chile tem clima especial que prepararia o Missionário para ir a qualquer parte do mundo, onde tem Neve ou onde tem Deserto, pense nisso amigo pastor.



Quero finalizar esta missiva fazendo das palavras daquele varão macedônio um convite a sua pessoa assim.



Passe a Cordilheira dos Andes e ajude-nos aqui em PH...

(Essa abreviatura nossa PH significa Padre Hurtado).


Gostaria de convidar você para Apadrinhar esse Grande Projeto do

Centro de Alegria E através de seus contatos e intercessão a Deus, que possa nos ajudar neste momento.

Receba nosso carinho, nossa amizade e nossa oração pela sua pessoa, atenciosamente estaremos aguardando boas noticias das suas mãos em nome de Jesus. Podes adicionar nosso perfil no Facebook https://www.facebook.com/?ref=tn_tnmn#!/Pastorkarkle

E conhecer nosso blog de Missões. http://www.pronami.blogspot.com/


Nossa conta bancaria para que você nos abençoe é:

Conta Corrente Banco do Brasil 18.491-8 Agencia 3078-3

Teófilo Venicio Karkle

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

O CRESCENTE DESINTERESSE BRASILEIRO POR MISSÕES

“Todo cristão que não é missionário, é um impostor”
__________________________________________
Apesar de numerosas iniciativas, participação missionária de Igreja brasileira está muito aquém do potencial.

Na mesma época em que se projetava um desenvolvimento glorioso para a economia nacional – o chamado “milagre econômico” dos anos 1960 e 70 –, outro setor do país, a Igreja Evangélica, também experimentava tempos de intensa euforia. Abarrotadas de jovens atraídos por uma mensagem cristã atenta aos seus anseios, as congregações faziam planos dourados para o futuro. A ideia geral era transformar o país no celeiro da obra missionária global. Difícil era encontrar igreja que não tivesse um departamento de missões e planos de enviar obreiros para ganhar o mundo para Cristo. A mensagem escatológica, então em alta nos púlpitos, era uma só: pregar o Evangelho a toda criatura, a fim de que o Senhor voltasse depressa. Organizações missionárias surgiam a cada dia, atraindo gente que desejava dedicar a vida à boa obra.
No entanto, neste início da segunda década do século 21, o que se nota é que, se tudo não passou de mero entusiasmo – e números vigorosos da presença missionária brasileira mostram que não –, a situação atual é bem diversa daquela que a geração anterior projetou. Missão rima com visão e ação, e as duas palavras andam bem distantes da maioria das igrejas evangélicas brasileiras, segundo especialistas em missiologia. Mesmo com o acelerado crescimento numérico dos que professam a fé evangélica no país, que seriam quase 20% dos brasileiros de acordo com projeções baseadas em dados oficiais, o envolvimento dos crentes nacionais com a obra missionária, em todas as suas instâncias – seja social ou evangelística –, segue a passos bem mais lentos que o possível.

O conhecimento das demandas missionárias é exposto em cada campanha ou congresso. Testemunhos são derramados nos púlpitos, levando a muita comoção e decisões pessoais. Passado algum tempo, contudo, os compromissos assumidos por um maior envolvimento com a obra de evangelização e intervenção social se esfriam e a missão de alcançar o mundo com o amor de Cristo fica a cargo dos missionários de carreira – isso quando obreiros enviados não são simplesmente esquecidos no campo. “Infelizmente, o jargão de que cada cristão é um missionário está sendo esquecido. A ênfase em muitas igrejas é pelo crescimento da congregação local”, atesta o professor Diego Almeida, docente do mestrado em missiologia do Seminário de Educação do Recife (PE). “O serviço acaba concentrado nas mãos de profissionais.”
Para o pastor José Crispim Santos, promotor setorial da Junta de Missões Mundiais da Convenção Batista Brasileira (CBB) – uma das maiores organizações missionárias do mundo, com mais de 600 obreiros no campo –, a Igreja brasileira está bem inteirada acerca dos desafios missionários da atualidade, mas as ações ainda não são suficientes para o tamanho deles. “Há muitas agências missionárias divulgando o tempo todo, além da mídia que noticia fatos que demonstram o sofrimento humano, físico e espiritual ao redor do planeta. Nossa avaliação é que, diante deste cenário de grande carência espiritual, a Igreja tem dado sua contribuição – entretanto, isso é insuficiente, quando a missão é, de fato, tornar Cristo conhecido em toda a Terra”.
DISCURSO E PRÁTICA
O que parece evidente na paradoxal situação da Igreja brasileira, um contingente com enorme potencial humano e financeiro, mas pouco utilizado quando o assunto é o “Ide” de Jesus, é que a miopia missionária passa pela liderança – uma barreira difícil de ser transposta, conforme relatado por gente que trabalha em ministérios e departamentos específicos. Essa tendência à inação, alimentada pela valorização de outras prioridades, acaba contaminando o rebanho. Quando a visão do líder não passa das paredes do templo, dificilmente a igreja desenvolve alguma intervenção importante, até mesmo em sua comunidade. “De fato, quando o dirigente tem visão e é entusiasmado com a obra missionária, a igreja tende a acompanhá-lo. Da mesma forma, o inverso é verdadeiro. Entretanto, há algumas exceções; quando a igreja possui promotores de missões, esses batalhadores realizam verdadeiros milagres”, continua Crispim.
Acontece que a própria estrutura de funcionamento das igrejas, muitas vezes baseado em decisões de poucas pessoas, quando não apenas de um líder centralizador, torna ainda mais difícil o convencimento de que a missão é de toda pessoa que um dia recebeu a Cristo como Salvador. “Dentro do atual quadro religioso brasileiro, creio que o nosso exacerbado clericalismo é um enorme obstáculo para uma compreensão e prática da obra missionária em termos de missão integral”, atesta o professor de teologia e história eclesiástica da Faculdade de Teologia da Universidade Metodista de São Paulo, Paulo Ayres. Mas as barreiras para se desenvolver uma ação missionária mais eficiente, ainda que possam nascer no clero, também são agravadas pelo perfil do crente contemporâneo. “Hoje, grande parte dos membros de nossas congregações é constituída mais por assistentes passivos e clientes em busca de produtos religiosos do que irmãos e irmãs na fé com forte compromisso e prática missionárias, especialmente em suas atividades cotidianas no mundo secular onde vivem e trabalham”, avalia o religioso, que é bispo emérito da Igreja Metodista do Brasil.

No seu entender, a Igreja tem utilizado estratégias equivocadas (ver abaixo). Por outro lado, Ayres lembra que é muito mais cômodo terceirizar o compromisso missionário do que executá-lo pessoalmente, ainda que a missão específica possa ser realizada no próprio bairro onde se reside. “É mais cômodo contribuir para enviar um missionário ao Cazaquistão ou a Guiné-Bissau do que ir pessoalmente, no poder do Espírito Santo, trabalhar como voluntário no Piauí ou na Cracolândia, em São Paulo, ainda que seja por um curto período de tempo, como evangelista, obreiro com crianças, dentista ou trabalhador social”, comenta. Assim, além da omissão do Corpo de Cristo por falta de conhecimento ou disposição, a Igreja corre riscos de ter seu trabalho missionário hipertrofiado à medida em que se transmite toda a responsabilidade do serviço cristão para as agências especializadas – um problema acentuado principalmente em comunidades de fé ligadas a grandes associações missionárias.
MOBILIZAÇÃO
Do tripé normalmente exposto nos eventos temáticos de missões (“contribuir, orar e ir”), em geral só se desenvolve mais efetivamente o primeiro, e ainda assim em patamares muito abaixo do que as igrejas poderiam fazer. Um levantamento feito Missão Horizontes apontou que o investimento médio per capita do crente brasileiro em missões durante um ano inteiro é menor do que o preço de uma latinha de Coca-Cola – algo em torno de irrisórios R$ 2,50. Para o missionário e pastor batista Ricardo Magalhães, que atua em Portugal a serviço da Missão Cristã Europeia ao lado da mulher e também obreira Priscila, a escassez de investimento no setor missionário está mais atrelada à falta de visão do que de recursos. “De maneira geral, a Igreja brasileira não tem problemas com finanças, porque ela sabe se mexer para gerar fundos quando quer e para o que quer. E isso, quando se sabe que não há falta de pessoas querendo ir aos campos: inúmeros missionários só aguardam recursos para ir”, completa. Assim, o aspecto da oração, sem a visibilidade e sem o apelo de outros ministérios da igreja, fica naturalmente reduzido a pequenos grupos.
De olho na mobilização da igreja para orar, uma das ações das diversas organizações missionárias é publicar sempre em seus boletins os motivos de intercessão nos campos, pelos missionários e pelos desafios a serem superados. A JMM já utiliza até mesmo mensagens de SMS para pessoas cadastradas, que recebem torpedos com pedidos urgentes de intercessão. Já o terceiro passo, o de ir, é o maior desafio. Seja para pequenas viagens missionárias ou para partir definitivamente rumo ao campo, entre o desejo, o chamado, a preparação e a missão há de fato uma longa trajetória geralmente não concluída. Não são poucos os casos de vocações que se esfriam até mesmo dentro dos seminários, ou de leigos envolvidos com a obra serem sufocados com o ativismo religioso. É gente bem intencionada que acaba direcionando seu tempo, recursos e esforços mais para dentro do que para fora da igreja.

“As comunidades evangélicas têm caído em um dos dois extremos: ou elas se fecham a um diálogo com a sociedade ou se abrem excessivamente para uma vontade popular, abraçando um discurso econômico de prosperidade”, sustenta o missionário Alesson Góis, da Igreja Congregacional, que coordena o ministério independente Vidas em Restauração (VER). “O mundo não precisa de um cristianismo pregado, mas vivido. Todo cristão que não é um missionário é um impostor, pois é muito egoísta receber toda a graça e amor de Deus e não compartilhá-los com o próximo”. Envolvendo cerca de 60 jovens de diversas denominações, entre batistas, presbiterianos, congregacionais e membros de igrejas diversas como a Assembleia de Deus e a Sara Nossa Terra, o ministério se encontra todos os sábados no Parque Treze de Maio, no centro do Recife. Os jovens se reúnem como uma roda de conversa, mas sem se caracterizar como uma liturgia ou como uma extensão da igreja institucional. “Muita gente se surpreende pelo fato de sermos cristãos e conversarmos com eles sem forçar a barra para que se convertam”, comenta Góis.
PRESENÇA NOTADA
Para o missionário e pastor presbiteriano Ronaldo Lidório, parte da frustração de setores da Igreja vem justamente daquela expectativa superestimada em relação ao seu papel na evangelização do mundo, que acabou não se concretizando: “Pensamos que rapidamente encontraríamos uma veia missionária comparada à da Coreia do Sul, o que ainda não aconteceu”, reconhece. Mesmo assim, ressalva, existe um outro lado. “Creio que corremos perigo ao focarmos somente nas negligências. É certo que a Igreja nacional caminha com bons passos”. Ele cita como exemplo a presença evangélica em povos indígenas, setor no qual seu trabalho é respeitadíssimo. Além de ter vivido por dez anos entre o povo konkomba, de Gana (África), ele agora está envolvido com o Projeto Amanajé, de evangelismo e assistência a indígenas na Amazônia . “A Igreja atua em 182 etnias indígenas e coordena quase 260 programas sociais entre esses povos”, enumera. “Além disso, comunidades ribeirinhas, até pouco tempo esquecidas pelas igrejas, hoje contam com dezenas de programas cristãos, tanto de evangelização como de ação social.”
Lidório destaca ainda o trabalho de organizações regionais, como a Juventude Evangélica da Paraíba (Juvep), que tem plantado igrejas e centros de atendimento popular pelo Nordeste. “O sertão hoje possui menos da metade das áreas não evangelizadas em relação ao quadro de 15 anos atrás, e essa mobilização se deu a partir de iniciativas como a Juvep e outros programas dedicados aos sertanejos”. Já na área transcultural – a mais conhecida e romantizada do trabalho missionário, que envolve a figura clássica do obreiro que larga sua terra para pregar o Evangelho num canto qualquer do mundo –, Lidório garante que as igrejas e agências brasileiras também marcam presença. “Jamais tivemos tantos missionários no exterior como em nossos dias, e não é incomum encontrarmos hoje brasileiros ocupando posições de liderança em equipes e missões na África e na Ásia”, informa. Pelas estatísticas disponíveis, hoje atuam cerca de 2,3 mil missionários brasileiros no exterior, espalhados por mais de 50 países. “A Igreja brasileira é uma das maiores representações de ações missionárias na atualidade, embora o número de obreiros e de ações missionárias seja realmente bem menor do que poderia e deveria ser”, conclui Ronaldo Lidório.
No entender do especialista em missiologia Diego Almeida, ministérios como o VER têm se tornado cada vez mais comuns, não somente no Brasil, mas em diversos países. “Quando a Igreja não investe nos vocacionados, eles se preparam por conta própria”. Foi justamente o caso da estudante de psicologia e funcionária pública Quésia Cordeiro, de 23 anos. Após decidir dedicar-se às missões após os congressos temáticos de que participou, ela não recebeu nenhum suporte para dar os passos seguintes na preparação. “Não recebi nenhuma capacitação os discipulado. Tive que correr atrás para manter a chama acesa”, conta a jovem. Com conhecimento próprio, ela constata: “O despertamento para a obra missionária não é uma coisa contínua, mas pontual, restrita a conferências e eventos.” Para Almeida, mesmo que as igrejas não mostrem a Palavra de Deus, ela acaba se cumprindo de outras formas – “O triste é ver que a instituição criada para apresentar Jesus ao mundo não faz parte desse processo”, lamenta o professor.
“Nossa missão é implantar o Reino de Deus”
Para o bispo Ayres, entender missões como mero proselitismo é atitude reducionista.
Especialista em missiologia, tendo atuado como evangelista em Portugal e no Nordeste brasileiro, Paulo Ayres é hoje bispo emérito de sua denominação, a Igreja Metodista, e professor de teologia e história eclesiástica. Ele falou com CRISTIANISMO HOJE sobre o panorama evangélico brasileiro em relação à missão integral da Igreja.

CRISTIANISMO HOJE – Ao mesmo tempo em que a Igreja brasileira cresce numericamente, o conhecimento e envolvimento com missões parece decrescer a cada geração. Por quê?
PAULO AYRES – O crescimento numérico do povo evangélico brasileiro, em minha opinião, não tem sido acompanhado de um maior compromisso missionário em todos os campos da vida brasileira que reclamam um eficaz testemunho evangélico. As igrejas evangélicas brasileiras, em sua maioria, têm uma visão reducionista sobre o que é missão, entendendo-a mais em termos de evangelismo visando à conversão individual. Outras dimensões missionárias, como o serviço cristão aos necessitados, o ensino na doutrina dos apóstolos, o testemunho público do Evangelho, a ética e a moral cristãs (a práxis do Evangelho), ou até mesmo o culto, ainda que consideradas como importantes por algumas igrejas, acabam, na prática missionária, sendo somente – quando muito – andaimes secundários para a conversão individual.
Qual o resultado prático desse panorama?
Essa visão reducionista faz com que missão seja entendida e praticada mais como estratégias para conquistar almas para Cristo do que realmente levar à frente o objetivo de sinalizar a presença do Reino de Deus no mundo. Daí a obsessão pelo crescimento numérico das igrejas – melhor dizendo, das denominações – a qualquer custo, mesmo em detrimento dos valores maiores do Evangelho. É por isso que o crescimento numérico dos evangélicos brasileiros, apesar da extraordinária transformação na vida pessoal de milhões de pessoas, não tem causado maior impacto transformador em nossa sociedade.
O que fazer para mudar esse quadro de crescimento sem transformação social?
Creio que precisamos, com urgência, de uma nova reforma no evangelismo brasileiro, que deverá ter como seu centro a compreensão e a prática da missão como obra de Deus na implantação do seu Reino entre nós. Se deixarmos de lado a obra humana forjada nas regras do mercado e da exacerbada competição institucional entre as igrejas, contribuiremos para a construção de uma sociedade com alto padrão espiritual e ético, segundo a maneira de ser exposta por Jesus no Sermão do Monte.
Presença missionária brasileira
2.300 é o número aproximado de missionários brasileiros no exterior
50 são os países onde eles atuam
600 deles são ligados à Junta de Missões Mundiais da CBB