"“Muitos crentes consagrados jamais atingiram os campos missionários com seus próprios pés mas poderão alcança-los com seus joelhos” (Adoniran Judson)”"

domingo, 19 de maio de 2013

VIVENDO NA ÁFRICA - TESTEMUNHO DE SAMYA




Meu nome é Samya tenho 15 anos e meus pais são missionários da Junta de Missões Mundiais na África. Eles estão no campo há 18 anos e trabalham entre os surdos.


Eu nasci na Jordânia, sou um “Hadye (se pronuncia Radye) mim Allah” como meus pais falam em árabe um “presente de Deus”. Os médicos diziam que eles nunca teriam filhos, oraram e aqui estou... Morei por poucos anos no Brasil e na França, mas a maioria da minha vida passei aqui, no Senegal. Em total faz dez anos que estou aqui, passei dois anos quando era pequena e oito anos até agora. Então sempre estive no campo missionário, isto tem vantagens e desvantagens, posso dizer que Deus tem me abençoado muito.

Ser filha de missionários não é sempre cor de rosa, e gosto de ver minha vida como uma aventura. Nem muitos vivem desta forma, fora do normal, com muitas mudanças, e amigos que vem e vão. Como nasci no campo missionário não conheço minha família do tanto que gostaria conhecer, sinto muitas saudades dos meus avós, tios, primos, etc. E não conheço minha cultura ou país (Brasil). Mas por outro lado, não poderia ter conhecido tantos países, culturas, pessoas lindas e ter aprendido tantas coisas diferentes se não fosse filha de missionários.



Aprendi três línguas; o Francês, Inglês, e Português. Aprendi sobre culturas, conheci lugares e pessoas diferentes. Aqui no Senegal, a cultura é bem distinta do que a do Brasil. A maioria das meninas, por exemplo, não vão a escola, é uma prioridade dos meninos... Elas trabalham em casa desde cedo e cuidam dos irmãos menores, como uma mãe... Acabam não brincando muito.... Aqui a comida mais comum é o theebu (arroz)-djen (peixe), mas meu prato preferido é o theebu-Yap (frango). E para beber tem o bissap, que é uma planta que cozinham e se ajuntar açúcar é uma delicia!


Minha escola tem um projeto em que os adolescentes maiores vão para a aldeia trabalhar e evangelizar. Sempre vou com a equipe de medicina, e toda vez é uma grande benção. Uma das vezes que fui, quando estávamos indo embora, um africano me disse “O trabalho que vocês fazem aqui é incrível e da para ver o amor de seu Deus em tudo isso.” Fiquei muito feliz. A primeira vez que fui à escola de surdos onde meus pais estavam trabalhando, vi sorrisos enormes nos rostos das crianças e vi que além de serem tão pobres, ainda mais ela tem uma dificuldade para se comunicar, fiquei imaginando como deve ser difícil para elas (mas uma coisa que sempre vai me impressionar nessa cultura é o quanto essas pessoas são sorridentes em meio as circunstancias em que elas vivem). Mas graças as escolas elas podem aprender a linguagem de sinais. Meus pais trabalham para que as igrejas tenham ministérios com surdos aqui, assim eles podem ir à igreja e entender a palavra de Deus. Eles também têm um programa de adoção para que as crianças surdas possam ir à escola para aprender a ler e escrever. Tenho participado da classe de linguagem de sinais que minha mãe da aula, assim posso ajudar no trabalho com eles.

Daqui um ano termino o colégio, e vou para a universidade. Mesmo não sabendo onde ou o que vou estudar estou orando para que Deus me guie passo a passo.

Por isto quero terminar com este texto de Jeremias 29:11, porque a final de tudo é isto mesmo. Deus tem e sempre teve bons pensamentos e planos para mim, um deles foi me fazer nascer no campo missionário, ter uma vida e família missionária.




Tenha certeza que com você não é diferente (mesmo não sendo filho de missionário).

http://fmsradicais.bligoo.com/vivendo-na-africa-testemunho-de-samya