"“Muitos crentes consagrados jamais atingiram os campos missionários com seus próprios pés mas poderão alcança-los com seus joelhos” (Adoniran Judson)”"

domingo, 20 de dezembro de 2009

A IGREJA MISSIONÁRIA - ATOS 13.1-3


INTRODUÇÃO:
Creio que a Igreja de Antioquia, desempenhou uma função tão importante quanto à Igreja de Jerusalém, no início do cristianismo.
O cristianismo chegou até Antioquia, através de alguns irmãos que fugiram de Jerusalém, com a perseguição movida nos dias de Estevão, At 11.19, "E os que foram dispersos pela perseguição que sucedeu por causa de Estevão caminharam até à Fenícia, Chipre e Antioquia, não anunciando a ninguém a palavra, senão somente aos judeus".
Embora estes irmãos inicialmente não pregassem aos gentios, alguns de Chipre e de Sirene, indo até Antioquia, anunciaram também aos gregos, At 11.19-20, "E os que foram dispersos pela perseguição que sucedeu por causa de Estevão caminharam até à Fenícia, Chipre e Antioquia, não anunciando a ninguém a palavra, senão somente aos judeus. E havia entre eles alguns homens cíprios e cirenenses, os quais entrando em Antioquia falaram aos gregos, anunciando o Senhor Jesus".
Tal resolução foi abençoada pelo Senhor, At 19.21, "E a mão do Senhor era com eles; e grande número creu e se converteu ao Senhor". Pois a salvação dos gentios estava no plano de Deus.
Quando chegou a notícia a Jerusalém, que muitos ali tinham aceitado a Palavra, a Igreja enviou para lá Barnabé, que começou a trabalhar na edificação e no crescimento daqueles irmãos, At 19.22.23, "E chegou a fama destas coisas aos ouvidos da igreja que estava em Jerusalém; e enviaram Barnabé a Antioquia. O qual, quando chegou, e viu a graça de Deus, se alegrou, e exortou a todos a que permanecessem no Senhor, com propósito de coração".
Barnabé tinha condições de exercer um ministério abençoado, At 19.24, "Porque era homem de bem e cheio do Espírito Santo e de fé. E muita gente se uniu ao Senhor". Contudo, notando este irmão, a carência da Igreja, foi para Tarso à procura de Saulo para que este o ajudasse no desenvolvimento do trabalho, At 19.25-26, "E partiu Barnabé para Tarso, a buscar Saulo; e, achando-o, o conduziu para Antioquia. E sucedeu que todo um ano se reuniu naquela igreja, e ensinaram muita gente; e em Antioquia foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos".
Estes dois homens de Deus tinham os caracteres missionários, e movidos pelo Espírito Santo, levaram aquela Igreja a um despertamento missionário impar e que contribuiu grandemente para o desenvolvimento do cristianismo. "Vejamos alguns pontos sobre a Igreja Missionária":

I - É UMA IGREJA QUE TEM ESTRUTURA
Vs. 1, "E na igreja que estava em Antioquia havia alguns profetas e doutores, a saber: Barnabé e Simeão chamado Níger, e Lúcio, cireneu, e Manaém, que fora criado com Herodes o tetrarca, e Saulo".

1º) Quando a Igreja ama missões, Deus começa a formar nela uma estrutura de liderança, para que possa contribuir para o trabalho missionário, sem perigo interno.

2º) Inicialmente, a Igreja contava com apenas dois líderes, Barnabé e Saulo, mas outros foram levantados pelo Senhor:

a) "Os profetas e doutores".

b) Simeão, que tinha por sobrenome "Níger". Talvez este Simeão, tivesse sido o mesmo que teria ajudado Cristo a carregar sua cruz, Mc 15.21, "E constrangeram certo Simão, cireneu, pai de Alexandre e de Rufo, que por ali passava vindo do campo, a que levasse a cruz". Embora alguns achem que se fosse o mesmo, Lucas teria citado o fato. Contudo, seu sobrenome, "Níger", parece indicar que era da África, de onde também era, aquele que ajudou Cristo a carregar a cruz.

c. Lúcio de Cirene. Algum interprete o identificava com o Lúcio de Rm 16.21, "Saúdam-vos Timóteo, meu cooperador, e Lúcio, Jason e Sosípatro, meus parentes". Se este Lúcio é o mesmo da Igreja de Antioquia, e se ele de fato era parente de Paulo, é provável que seja ele que tenha lembrado Saulo, para que Barnabé o buscasse, At 11.25, "Porque não quero irmãos, que ignoreis este segredo (para que não presumais de vós mesmos): que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado".

d. Manaem, Colaço de Herodes. Foi criado com Herodes, o tetrarca, também conhecido como Herodes Antipas, o que assassinou João Batista. Que melhor destino teve este homem, comparado ao de seu irmão de criação. Josefo citou em seus escritos um homem de nome Manaem, que era essênio e amigo de Herodes, o grande. É provável que este homem tivesse sido parente de Manem.

3º) Com esta estrutura, a Igreja poderia dispor de dois homens para o trabalho que surgira em frente.

II - É UMA IGREJA QUE MANTÉM UMA COMUNHÃO VIVA COM O SENHOR

1º) "Servindo eles ao Senhor".
A palavra "servindo" poderia ser traduzida por "ministrando", "adorando". Servir ao Senhor é estar na presença de Deus disposto a ouvi-lo e obedecê-lo. Paulo recomenda aos Romanos que fossem fervorosos no Espírito, servindo ao Senhor, Rm 12.11, "Não sejais vagarosos no cuidado; sede fervorosa no espírito, servindo ao Senhor”. Esta era uma característica da Igreja de Tessalônica, 1 Ts 1.9, "E vós fostes feitos nossos imitadores, e do Senhor, recebendo a palavra em muita tribulação, com gozo do Espírito Santo". Antes, serviam aos ídolos, agora serviam ao Senhor.

2º) "Jejuando e orando".
Notamos que esta Igreja era também uma Igreja de Oração e jejum. A oração e o jejum são partes fundamentais na vida da Igreja que deseja manter uma comunhão com o Senhor. Vejamos esta prática em At 14.23, "E, havendo-lhes, por comum consentimento, eleitos anciãos em cada igreja, orando com jejuns, os encomendaram ao Senhor em quem haviam crido". Aqui Paulo e seus companheiros estavam elegendo presbíteros em cada Igreja formada e era necessário proclamar um jejum. A própria vida de Paulo era pautada por jejuns e oração:

a. 2 Co 6.5, "Nos açoites, nas prisões, nos tumultos, nos trabalhos, nas vigílias, nos jejuns".

b. 2 Co 11.27, "Em trabalhos e fadiga, em vigílias muitas vezes, em fome e sede, em jejum muitas vezes, em frio e nudez".

3º) Uma Igreja que tem visão missionária, é uma Igreja que jejua e ora.

III - É UMA IGREJA QUE ATENDE A VOZ DO ESPÍRITO SANTO

1º) “... disse o Espírito Santo: Separai-me a Barnabé e a Saulo, para a obra que os tenho chamado".

2º) É bom notarmos que a chamada missionária começa primeiro no coração do missionário - "os tenho chamado", Gl 1.15-17, "Mas, quando aprouve a Deus, que desde o ventre de minha mãe me separou, e me chamou pela sua graça. Revelar seu Filho em mim, para que o pregasse entre os gentios, não consultei a carne nem o sangue. Nem tornei a Jerusalém, a ter com os que já antes de mim eram apóstolos, mas parti para a Arábia, e voltei outra vez a Damasco".

3º) A chamada do missionário deve ser pelo Espírito Santo. A Igreja deve endossar a chamada, atendendo também a voz do Espírito - "separai-me".

4º) A Igreja em oração cumpriu a ordem do Espírito Santo, Vs. 3, "Então, jejuando e orando, e pondo sobre eles as mãos, os despediram". Embora não tenha contribuído financeiramente, Fp 4.15, "E bem sabeis também, ó filipenses, que, no princípio do evangelho, quando parti da Macedônia, nenhuma igreja comunicou comigo com respeito a dar e a receber, senão vós somente". Os recursos são providos pelo Senhor da obra. No Vs. 4, temos a continuação do trabalho que o Espírito vinha realizando: "E assim estes, enviados pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia e dali navegou para Chipre".

CONCLUSÃO:

1º) A Igreja missionária, é aquela que cresce em estrutura, mantém comunhão com Deus e obedece à voz do Espírito Santo.

2º) Deus é o grande missionário, que pelo seu Espírito move a Igreja para esta obra, no sentido de que nós oremos, contribuamos e enviemos os missionários chamados.

3º) A obra de missões, visa a salvação do pecador. Você é pecador. Deus enviou Jesus, o grande missionário, que morreu por você, para que você fosse salvo, Jo 1.14, "E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade".

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

A IMPORTÂNCIA DE UMA EXPERIÊNCIA DE CHAMADA MISSIONÁRIA



Somente uma firme convicção de uma chamada missionária poderá fazer com que um homem e sua família permaneçam no campo missionário ainda quando assaltados pelas mais tormentosas provações. Não me canso de maravilhar-me da transparência e franqueza de Deus para com aqueles aos quais chama ao seu serviço.
Creio que existem muitos crentes que não entendem que o sofrimento e as dificuldades são parte do ministério cristão. Eu conheço muitos que ficam assustados e decepcionados com Deus quando são acossados pelo fogo da provação. Esta atitude, além de revelar imaturidade cristã, reflete uma completa ignorância dos ensinos bíblicos.
Paulo é um exemplo para todos os missionários de todos os tempos. Por causa da pregação, teve que suportar as mais duras aflições e perseguições. Contudo, sempre havia algo que o sustentava de pé ainda que enfrentasse os mais terríveis ataques do inimigo: a sua convicção de que Jesus mesmo o havia escolhido para uma missão dura e espinhosa. Existe uma grande diferença entre um missionário com convicção de uma chamada especifica de Deus e aquele que não possui esta convicção.
Chama poderosamente a minha atenção o fato de que, depois de o Espírito haver se pronunciado convocando Paulo e Barnabé para uma missão especial, ainda a igreja de Antioquia tomou tempo para confirmar o chamado divino (At: 13.1-3).
Por isso, é muito saudável que quando uma pessoa manifesta possuir uma chamada missionária, a sua convicção possa ser respaldada por outros elementos importantes, quais seja o testemunho de sua própria vida, o testemunho de outros que o conheçam de perto e profundamente e, por último, o testemunho de sua experiência de chamada.
Não podemos negar que outros interesses podem interpor=se no caminho de uma pessoa com desejo de servir a Cristo na obra missionária desejo de ser conhecido pela denominação, ambição de uma melhor condição socioeconômica e até desejo de conhecer outros países....

Se você acha que Deus o está chamando para a obra missionária, por favor, tome suficiente tempo em oração para poder discernir realmente qual é a intenção do seu coração.
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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

VOCAÇÃO MISSIONÁRIA


Nos primeiros anos da obra missionária, o meu trabalho caracterizou-se por uma maior atividade do que hoje. Mais jovem cheio de energia e disposição de trabalhar, sempre buscava encontrar uma maneira distinta de anunciar a mensagem de salvação.
Com o tempo o missionário vai aprendendo que as ações que são mais impulsionadas pelo engenho humano do que pela direção do Espírito Santo, não deixam muito resultado e ademais, produzem um desgaste físico-emocional algumas vezes irreparável. O missionário tem que aprender a “caminhar no Espírito”. O que significa isto: Significa que ele deve aprender a deixar de lado a sua energia humana e as suas “capacidades” emocionais e intelectuais para buscar a cada dia, a direção do Santo Espírito de Deus. Somente o trabalho que é feito sob a direção do Espírito e no poder do Espírito deixa um resultado para a posteridade.



Ao tratar de escrever este texto sobre Vocação Missionária, entrego-me à tarefa com o desejo sincero de beneficiar àqueles que se encontram numa luta interna por descobrir a vontade de Deus para as suas vidas no tocante à chamada missionária.
Oro a Deus para que estas reflexões possam servir de ajuda espiritual para aqueles que precisam de maior claridade na compreensão do tema, para os que estão cheios de duvidas e interrogações no coração, ou ainda, para aqueles que já conhecem qual é a vontade de Deus para as suas vidas neste particular, mas que resistem a obedecer ao chamado divino por se encontrarem atados por um espírito de temor ao futuro e ao fracasso (leia 2 Tm 1.7).

CADA CRISTÃO UM MISSIONÁRIO?

Para nós, a doutrina do sacerdócio universal dos crentes ocupa um lugar muito especial, imbuído de tal convicção, ninguém titubearia em afirmar que cada cristão é um missionário. A razão da minha colocação em forma interrogativa, antes de uma pretensão de negar uma verdade por todos aceita, reflete um sentimento de frustração ao reconhecer a enorme distância que existe entre a nossa doutrina e a nossa realidade.
Há algum tempo ouvi uma história muito interessante. Um missionário evangélico norte-americano regressava ao seu país para gozo de férias. No avião onde viajava encontrava-se um passageiro de muito boa presença. Ao dar início a um diálogo com aquele homem, o nosso missionário descobre que o outro também é missionário. Só que não era evangélico: tratava-se um missionário muçulmano. No meio daquela conversa, o missionário norte americano decide fazer uma pergunta ao representante do islã.
- “Amigo, ao que vocês atribuem o crescimento tão rápido do islamismo nos últimos anos?”.
- “Ao fato de que cada seguidor de Maomé se considera um missionário...”.
Você entende o que estou tentando lhe comunicar: O islamismo está usando hoje a melhor estratégia missionária do mundo – a utilização dos leigos.
O cristianismo primitivo conseguiu inocular nos crentes de então esse “espírito missionário”. A pior tragédia para o avanço do cristianismo moderno tem sido a enorme diferença que fazemos entre os missionários “profissionais” e os missionários “espontâneos”.

Cabe aqui uma citação de Michael Green:
“Até aqui temos estado considerando o alcance evangelístico do que poderíamos chamar (...) “propagandistas cristãos profissionais”. Mas, isto não tem que nos levar a supor que os “profissionais” desempenhavam um papel excessivamente decisivo na difusão do cristianismo (...). Pelo contrário, não duvidamos em crer que a grande missão do cristianismo foi na realidade levada a cabo por missionários improvisados (...). Sempre tem sido assim. Os próprios discípulos, significativamente, eram leigos, privados de toda preparação teológica ou retórica formal. Desde o seu começo, o cristianismo foi um movimento leigo, e assim continuou sendo por um tempo notavelmente extenso. Em um sentido, os apóstolos se fizeram inevitavelmente “profissionais”. Porém em época tão precoce como a descrita em Atos capitulo 8, encontramos que já não são os apóstolos senão os missionários “amadores” (...) os que levavam consigo o evangelho a todos os lugares onde iam. (1)

O maior desafio para o cristianismo de nossa época eminentemente escatológica consiste na correção da distorção produzida pela dicotomia: “missionário x leigo”. Quando o lema cada cristão, um missionário deixar de ser uma frase habitual para converter-se numa santa realidade, o cristianismo moderno poderá experimentar de novo o assombroso crescimento que caracterizou a igreja primitiva (Atos 8.1-4).

(1) GREEN, Michael. La evangelización em La iglesia primitiva. P. 26-28

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O MINISTÉRIO DO MISSIONÁRIO


Embora saibamos que o missionário no campo é um “faz-tudo”, pelas circunstâncias da própria obra, o ministério missionário é mais abrangente. Envolve uma série de facetas especificas, além daquelas inerentes à própria obra. Por isso, se espera do missionário que ele seja:

UM EVANGELISTA

Não apenas um evangelista em si, mas um evangelizador pessoal, que não só saiba aproximar-se de uma pessoa e entregar-lhe o plano de salvação, mas, mais ainda, saiba cativar, fazer amizade para atraí-la ao evangelho, especialmente porque existem países onde as pessoas reagem contra quando descobrem que somos evangélicos e pensa que vamos lhes “inculcar uma nova religião”.
Também porque confundem o nosso trabalho com o de algumas seitas. Daí a importância de fazermos amizade com as pessoas para que as portas se abram, e possamos entrar por elas. Vivemos essa experiência como missionários no Sudeste da Ásia e nos foi de grande bênção na evangelização daquele povo.

Como evangelizador, o missionário é um desbravador. O desbravador é aquele que abre caminho, descobre oportunidades e sabe aproveitá-las. Um lindo exemplo deste tipo de experiência missionária nos foi legado pelos nossos pioneiros no Brasil. Eles iam de cada em casa, era assim que faziam missões. Abriam caminhos, penetravam nos lares, e o evangelho penetrava no coração dessas pessoas. Foi assim que o evangelho prosperou em nosso querido solo brasileiro, porque foi lançado em boa terra, semeado pelo método mais eficaz, o evangelismo pessoal, feito de casa em casa.
Jesus entrou em casa de Zaqueu, em casa do carcereiro de Filipos, em casa de Simão e em tantas outras casas mencionadas nos Evangelhos. O missionário segue o exemplo de Cristo, segue o exemplo dos que o seguiram, como nossos pioneiros. Ele deve ir de casa em casa, evangelizando, abrindo caminhos para que o evangelho penetre no coração das pessoas.

UM DISCIPULADOR
Esta é outra faceta da vida missionária. Como missionários, nossa missão é discipular. Fazer com que os novos convertidos se tornem o mais rápido possível ganhadores de almas, autênticos discípulos de Cristo. Para isso, temos de ser o exemplo. Nossa tarefa é evangelizar, mas também implica treinar, discipular, fazer com que sejam nossos imitadores, como nós somos de Cristo, tal como Paulo ensina em 1 Coríntios 11.1 e como o Senhor nos manda em Mateus 28.19.

PLANTADOR DE IGREJAS
O missionário por sua atividade, é um plantador de igrejas. Sua missão é abrir novas frentes missionárias ou congregações, obras que venham a se constitui, em pouco tempo, em futuras igrejas. Espera-se que o missionário seja um especialista em edificar igrejas, igrejas com visão evangelística e missionária, comprometidas com a obra denominacional. Também se espera que o missionário, uma vez que constitua estas igrejas, as entregue a lideres nacionais. Temos exemplos de pastores que estão realizando excelentes ministérios porque foram preparados e influenciados pelos missionários que os antecederam. Sabemos, também, de casos opostos, em que as igrejas foram entregues a pastores com outra visão e sob outra influência e que simplesmente quase desapareceram. Por isso, nossa grande responsabilidade na obra missionária é edificar igrejas fortes até que adquiram sua plena autonomia.

Área Teológica
Esta é outra função do missionário no campo: atuar na área teológica, no preparo teológico daqueles que receberão a responsabilidade de liderar o rebanho do Senhor. Como citei no item anterior, este preparo é de capital importância para o desenvolvimento da obra missionária que plantamos em cada campo.

Um Excelente Mordomo
Espera-se que o missionário seja um bom administrador dos bens de Deus. Nossa responsabilidade é ensinar os crentes a serem mordomos fiéis. Temos o dever não só de sermos mordomos como também de ensinar as pessoas a serem bons mordomos. Cuidar e administrar os bens da nossa congregação, tal como somos responsáveis pelos recursos que as igrejas que nos sustentam enviam para aplicar na obra missionária no campo.

Despertar Vidas Para Missões
Outra das facetas na vida missionária é despertar no seio das nossas igrejas a vocação missionária. A vida do missionário deve servir de inspiração, especialmente para os jovens que desejam servir a Cristo. A dedicação do missionário, suas experiências e os resultados no seu campo de trabalho estarão sendo seguidos pelos crentes de nossas igrejas, que devem ser motivados e inspirados a dedicarem a Deus cada vez mais suas vidas e recursos para serem usados e gastos na obra missionária.
Além dessas facetas que envolvem a atividade do missionário, outras tantas ele tem de desempenhar em sua atividade diária da vida missionária. O missionário é professor, visitador, enfermeiro, regente de música, conselheiro, psicólogo, mas, sobretudo ele é o missionário, o embaixador de Cristo para levar a Sua palavra até os confins da terra.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O PAPEL DO MISSIONÁRIO NA OBRA DE MISSÕES




INTRODUÇÃO
Todos entendemos que a obra de Missões Mundiais é uma obra de equipe. Não é feita isoladamente, mas é uma obra onde muitos são os que colaboram para a sua realização.
O autor e arquiteto é Deus, mas muitos são os que ele chama e desperta para a realização de tão magna obra. A uns desperta para o sustento: as igrejas patrocinadoras. Os missionários, os executores, que, vocacionados e despertados ante as necessidades de um mundo sem Cristo, são preparados e enviados aos campos de missões. Assim se faz a obra de Missões Mundiais. Neste texto, queremos destacar e analisar o papel do missionário nessa obra de equipe.

QUEM É O MISSIONÁRIO
O missionário é aquele que sentiu a chamada divina, chamada para ir e anunciar a mensagem de salvação a outros povos e que responde afirmativamente em obediência a este chamado. É um mensageiro divino. Um embaixador de Cristo em outras terras.

É um íntimo de Deus
É alguém cuja dependência de Deus deve ser total, buscando diariamente conhecer a sua vontade para a realização dessa obra. Necessita, a exemplo de Moisés, subir o Sinai e estar cara a cara com o Senhor de Missões, para, ao descer, resplandecer a glória de Deus entre o povo que deve conduzir a Terra Prometida.

É Aquele Que Renúncia
O missionário aprende a renunciar a tudo que Deus lhe pede para deixar a sua terra e a sua parentela, como Abraão deixou. O missionário coloca os seus interesses ou sentimentos diante da chamada e vocação missionária. Ele deixa tudo para servir ao Rei dos reis em lugares distantes e difíceis.

AS DIFICULDADES NO CAMPO
Falar de dificuldades para os missionários se torna redundante, pois elas começam no momento mesmo em que chegam ao campo.
A Adaptação
A primeira das grandes dificuldades é a adaptação, especialmente da família: encontrar em casa, fazer novas amizades, novos amigos, adaptar-se aos costumes alimentares. O problema escolar dos filhos também não deixa de ser preocupante. Na maioria dos países o currículo é totalmente diferente e os filhos perdem pelo menos um ano escolar.

Dificuldade do Idioma
Esta é uma das maiores barreiras que enfrenta o missionário ao chegar ao campo. Necessita comunicar-se e nem sempre isto é possível. O ideal seria que o missionário tivesse pelo menos seis meses para o aprendizado do idioma. A barreira da comunicação é tremenda, pois sabemos que é vital para o êxito da missão de proclamação do evangelho.

Dificuldade Cultural
Cada povo tem seus costumes e tradições, sua própria cultura. O missionário, ao chegar ao campo, depara-se com uma cultura diferente da sua, mas ele deve saber respeitar e adaptar-se à cultura do povo para o qual Deus o chamou. Existem, por outro lado, tradições milenares que o missionário enfrenta, como no caso da África, onde a mulher ainda é propriedade do homem, que a compra, e se ela não satisfaz às exigências inerentes à sua cultura, como a procriação e o trabalho no campo, é devolvida ao pai, que, por sua vez, devolve ao marido o que recebeu por ela, especialmente no caso de a mulher ser estéril. Também o aspecto da poligamia é sério, pois ao homem é permitido ter tantas mulheres quantas possa comprar. No conceito deles, a poligamia não é pecado, vem desde o começo dessa cultura.
O missionário enfrentará esse tipo de problema quando pregar o evangelho e os homens se converterem. O missionário necessita estar preparado para enfrentar essas dificuldades em seu campo missionário. Dificuldades similares encontram-se aqui mesmo na América do Sul trabalhando entre povos indígenas.

Dificuldades Climáticas
Vivemos em um país tropical, abençoado por Deus, como diz o poeta popular, e como missionário enfrentamos climas adversos ao nosso. Em geral, climas de frio rigoroso, como os da Europa e de parte da América do Sul, sem falar nos climas super úmidos de alguns países de África.

Dificuldade do Relacionamento
O relacionamento com os líderes nacionais das igrejas é por vezes muito dificil para o missionário, não de sua parte, mas da parte dos nacionais, que sempre vêem o missionário como um estrangeiro ou intruso em sua terra. Alguns afirmam que o missionário só vem tomar o lugar deles no pastorado das igrejas, ou em cargos na denominação. Em alguns países, inclusive, não permitem aos missionários ter cargos denominacionais. Felizmente isso acontece em poucos países. Por outro lado, existem aqueles lideres que nos amam nos apóiam, e isso é altamente recompensador, e nos anima a prosseguir sempre com fé e esperança de vermos em nossos campos missionários, igrejas e denominações fortes e evangelísticas.

Solidão
Em geral esta dificuldade vem depois dos primeiros anos no campo missionário: é a saudade dos cultos vibrantes das igrejas no Brasil, a falta de ouvir inspirados coros e cada domingo; a saudade da família, tanto a espiritual como a família de sangue; e aí vêm os momentos de solidão, também da falta de notícias do país, da família e dos amigos, e tantas outras coisas, que nos fazem sentir o desejo de estarmos de Nov em nossa terra. Mas a voz daquele que nos chamou soa mais forte, e a dificuldade é superada.