"“Muitos crentes consagrados jamais atingiram os campos missionários com seus próprios pés mas poderão alcança-los com seus joelhos” (Adoniran Judson)”"

quinta-feira, 31 de março de 2011

LER OU NAO LER, EIS A QUESTAO



por Braulia Ribeiro

A maior contribuição das missões para a história é a escrita. Têm sido através da dedicação de missionários que milhares de povos tribais no mundo inteiro obtiveram alfabetos específicos para suas línguas.

A tradição oral não torna ninguém mais burro, os povos de línguas ágrafas não são "primitivos", como antes pensavam os antropólogos. Mas é verdade que eles ficam excluídos de fazer alguma contribuição válida para o resto da humanidade. Ficam diminuídos em sua capacidade de gravar sua própria história, em sua capacidade de produzir ciência. A escrita permite que a memória coletiva se amplie e se perpetue. Permite que a expressão individual contribua indelevelmente com o coletivo. Permite que a sabedoria de outros povos seja incorporada, ao estilo de vida e cosmovisão do povo.

A Bíblia é uma coletânea de histórias de uma tribo pequena que tinha uma revelação grande sobre o Criador. Estas histórias tribais, princípios e preceitos fazem um grande diferença quando aceitas por qualquer povo.

Acontece que os efeitos da Bíblia são muito mais profundos do que apenas "cristianizar" as tribos que a recebem. Sempre relutei em aceitar a cristianização com algo desejável ou inevitável. Muitos de nossos missionários trabalham com o conceito da igreja nativa que não importa as formas de igreja praticadas pela sociedade dominante, mas permite à cultura tribal resignificar seus ritos e danças. Discutíamos também se a escrita e a tradução da Bíblia eram parte essencial da revelação de Deus aos povos, ou parte desta cristianização imposta.

Uma das razões é que a escrita não é bem aceita em todas as tribos. O povo P., da amazônia por exemplo, em contato com a sociedade envolvente desde o século XIX sempre se recusou a aprender a ler. Escrever para eles significa desistir de ser quem são. Entendendo que povos assim não podem ser excluídos da mensagem, se criou uma proposta missiológica que se focaliza na tradição oral. Os P. vão eventualmente receber uma versão oral de histórias biblicas que se encaixará perfeitamente na sua própria tradição.

A oralidade se tornou uma unanimidade. Inúmeras versões para se historiar a Bíblia oralmente surgiram. A idéia antes só praticada por poucos hoje é não só aceita mas quase que universalizada. Línguas sem escrita, recebem versões orais de histórias bíblicas. Se espera que mais tarde alguma outra missão focalize aquele povo de novo para traduzir a bíblia mas por enquanto o nome daquele povo sai da lista de prioridades.

Seria uma história com final feliz, se a moeda não tivesse um outro lado. No mundo pós-moderno tudo é instantâneo e fugaz. Nossa teologia e missiologia também são. Queremos zerar as listas de povos não-alcançados criadas pelos missiólogos. Queremos "proclamar" a salvação de Cristo a todos nos tornando a primeira geração na história que realmente alcançou o mundo inteiro. Não importa se reduzimos o conceito da salvação a um mero: aceitar Jesus. Não importa se estes povos que alcançamos continuem nas trevas da falta de direitos civis, no isolamento cultural, reduzidos a si mesmos, impedidos também por causa de sua condição ágrafa de contribuir com o mundo de fora.

A Bíblia não é parte de uma máquina religiosa impositiva. O acesso à Bíblia é acesso à vida, a re-invenção cultural, à redenção da mulher, à valorização do indivíduo diante do coletivo e muito mais. A escrita não destrói culturas tribais nem a romântica tradição oral mas continua sendo hoje o único instrumento de cidadania no sentido mais básico da palavra.

Infelizmente a conseqüência de nossa missiologia da oralidade será o fim da missão de dar a escrita a povos ágrafos e a tradução da Bíblia. Vale deixar aqui o meu protesto antes que seja tarde e abandonemos de vez a missão de levar a escrita e a Palavra aos povos do mundo. "This is your world. Shape it, or someone else will"

sexta-feira, 25 de março de 2011

O AMOR E MAIS FORTE QUE A MORTE




Sou parte da congregação dos que não tem do que se envergonhar. Tenho o poder do Espírito Santo.
A sorte já foi lançada. Já ultrapassei a linha divisória. A decisão já foi tomada. Sou discípulo dEle.
Não vou olhar para trás, me abater, esmorecer, diminuir o passo ou me acomodar.
Meu passado já foi redimido, meu presente faz sentido, meu futuro é garantido.
Acabei com o viver rastejante, o andar pela aparência, o planejamento pobre, os joelhos sem calos, os sonhos desfeitos, as visões sem cor, o falar mundano, o viver barato e os alvos mesquinhos.
Não preciso mais de destaque, prosperidade, posição, promoções, aplausos ou popularidade.
Não tenho que estar sempre certo, ser o primeiro, estar por cima, receber reconhecimento, ser louvado, notado ou recompensado.
Agora eu vivo pela fé, prostrado na presença dEle, caminhando com paciência, sustentado pela oração e trabalhando pelo poder de Deus.
Meu rosto está determinado, meu passo é firme e meu alvo é o céu. Minha estrada é estreita, meu caminho é difícil, meus companheiros são poucos, meu Guia é confiável, minha missão é clara.
Não posso ser comprado, fazer concessões, cair em tentação, dar as costas, desiludir-me ou ser impedido.
Não vou recuar diante do sacrifício, hesitar na presença do adversário, negociar na mesa do inimigo, mergulhar na piscina da popularidade ou me perder no labirinto da mediocridade.
Não vou desistir, calar ou esmorecer até que eu tenha realizado tudo, ajuntado tudo, orado tudo, pago tudo e pregado tudo pela causa de Cristo.
Sou um discípulo de Jesus. Devo ir até que Ele venha, me doar até cair, pregar até que chegue o fim.
E quando voltar para buscar os que são Seus, Ele não terá problemas em me reconhecer... Minha bandeira estará bem nítida."

(Este texto foi encontrado na casa de um pastor da zona rural africana,entalhado na porta de sua casa. Um manifesto que resume o que é ter um pacto com Deus)

segunda-feira, 21 de março de 2011

ONDE ESTAO OS MISSIONARIOS



A NOVA CRISE VOCACIONAL DA IGREJA BRASILEIRA


Até os anos 90, a igreja evangélica brasileira “ensaiou” um avivamento missionário. O tema das missões tornou-se um assunto em pauta no Brasil, e por aproximadamente duas décadas muitos missionários foram despertados de todas as regiões do país para todos os limites do mundo. Líderes brasileiros de missões passaram a configurar globalmente entre os mais influentes pensadores da área; agências missionárias verdadeiramente brasileiras começaram a emergir; as denominações históricas e até mesmo as mais novas começaram a despertar suas igrejas locais, e o resultado foi estrondoso: o Brasil tornou-se indubitavelmente um dos três maiores celeiros missionários do mundo.

Hoje, porém, é evidente que há uma “baixa” no despertamento missionário. Tenho percorrido organizações missionárias e percebo que elas já não recrutam obreiros com a mesma facilidade que tinham alguns anos atrás. As conferências missionárias ainda acontecem, mas são mais escassas e já não contam com super produções. Isso pode ser positivo por um lado, visto que o modismo missionário está acabando. Mas estamos colhendo um fruto amargo: a igreja brasileira vive uma crise vocacional.

Quando falo em crise vocacional, eu sequer estou focando na qualidade dos vocacionados. Me preocupo, a priori, é com a quantidade mesmo. Os seminários teológicos multiplicaram seus cursos noturnos, justamente para adequar a demanda de alunos que não abdicariam de suas outras atividades para se preparar ministerialmente. Este é o perfil do novo mercado das escolas de teologia. Os institutos bíblicos já não são uma realidade forte nos centros urbanos, e as organizações de treinamento missionário também têm tido dificuldades para levantar candidatos. Somente em 2010, até agora, três compromissos foram cancelados em minha agenda por escolas missionárias que suspenderam seus programas, alegando a falta de alunos.

O que teria provocado essa crise vocacional? Por que nossos jovens não são mais “chamados” como antigamente? Foi Deus quem parou de chamar ou foi a igreja que parou de atender? Não tenho todas as respostas, mas seguem alguns pensamentos.

1. A “Missiologização” da Tarefa Cristã Cotidiana

Eu creio que todo cristão é chamado. A Bíblia diz com clareza que Cristo nos reconciliou para que nós sejamos portadores da mensagem da reconciliação (2 Coríntios 5:18-20). Todo estudante deve ser missionário no contexto acadêmico, todo profissional é pregador no trabalho, e assim por diante. Mas o chamado ministerial específico é uma realidade bíblica incontestável.

Acontece, porém, que o discurso da igreja brasileira tem tomado um formato exclusivamente local no que tange à sua missão. O primeiro fator que tenho identificado como o causador da nova crise vocacional brasileira é que a igreja tem t em atribuído à proclamação cristã cotidiana um peso missiológico que substitui o envio missionário. “Somos chamados para fazer missões aqui, no nosso contexto, e essa é a única e verdadeira missão”.

A proposta deveria ser mais equilibrada, deveríamos fazer essa sem omitir aquelas (Mt. 23:23). Missões locais são incompletas sem a perspectiva transcultural, e vice-versa. Ministros bivocacionais são importantes, mas não eliminam a necessidade dos ministros em tempo integral no Reino. Na maioria dos encontros missionários que tenho participado, tenho visto temas como: “Eu, missionário onde estou”. Precisamos desse enfoque, sem dúvida. Mas precisamos ainda de missionários que saiam de onde estão e se dediquem integralmente a cumprir este chamado em lugares onde ninguém está. A perspectiva vocacional missionária transcultural não pode morrer.

Quanto à tarefa local, essa é para todo cristão. Não é preciso ir a um seminário, nem ter ouvido nada específico num “culto da fogueira”. Se somos cristãos, somos responsáveis pela proclamação do evangelho de Cristo. A vocação missionária específica continuará acontecendo, para alguns, que irão enviados pela igreja vocacionada.

2. Escassez de modelos positivos, contagiantes e desafiadores

Fui missionário na China, e meu chamado se deu em etapas. Primeiro, um grande ardor missionário começou a brotar em meu coração quando eu estudava no seminário teológico. Eu tinha ido ao seminário para ser pastor – na verdade, era o único formato de ministério integral que eu conhecia. Através de uma viagem missionária de curto prazo, vi que eu tinha uma vocação missionária transcultural.

A partir disso, Deus continuou a falar comigo das mais diversas formas. As histórias da igreja sofredora começaram a inundar meu coração, e fui percebendo que Deus estava me direcionando para apoiar esses irmãos que sofrem perseguição e pobreza, muitas vezes por causa de sua fé. Mas o interessante nisso tudo é que Deus usou homens: alguns missionários-modelo foram o “isqueiro” que Deus usou para acender a chama em meu coração.

No caso específico da China, meu vínculo foi com Hudson Taylor, um dos mais influentes obreiros da história das missões modernas, e Jorge Vendramini, um amigo pessoal, brasileiro, que vive na China há 20 anos. Portanto, um passado, outro presente; um morto, outro vivo. Suas histórias, sua paixão, seu envolvimento com a igreja chinesa, tudo isso foi somando no meu coração o desejo de viver e morrer por essa causa.

Pela graça de Deus, vi jovens se despertarem para missões através de exemplos humanos. Por graça maior, vi o meu próprio exemplo servir de inspiração para alguns. O problema é que essa inspiração também tem sido escassa.

Por um lado, a inspiração não ocorre por culpa da própria igreja. O modismo missionário foi acabando, de forma que os obreiros transculturais já não são vistos como versões cristãs do Indiana Jones. Já é comum demais dizer que um missionário foi preso por conta do evangelho, que alguém traduziu a bíblia para outra língua, ou que alguma irmã abdicou da vida urbana para viver entre os índios. As histórias caíram na monotonia, e a igreja, que valorizava mais o heroísmo que a essência ministerial da missão, tem visto que nada mais comove seus membros.

Por outro lado, e sendo propositadamente genérico, há casos em que os missionários têm uma parcela de culpa, e aqui me refiro aos relatórios e à comunicação. Tenho visto depoimentos missionários que não inspirariam ninguém a querer ser missionário. Alguns falam tanto em tragédia, em privações, em limitações e em sofrimento que acabam por fazer o marketing negativo acerca da vocação. Já vi jovens dizerem que têm uma vida incompleta na igreja, pois sabem que deveriam estar no campo missionário mas não foram por medo de passar fome. Pois é isso que ouviram.

É árduo o trabalho missionário. É preciso tomar a cruz para seguir esse caminho. No entanto, narrar tragédia após tragédia não glorifica a Deus, nem descreve em absoluto o que acontece no campo missionário. Para falar da China por exemplo, eu tenho a opção dizer que a igreja chinesa sofre perseguição, e mencionar exaustivamente a história de pastores chineses que vi sendo presos e separados da família. Muitos poderiam se comover, mas poucos iriam querer se envolver com isso. Por outro lado, eu posso focar em outra verdade, tão verdadeira quanto a primeira e que enleva muito mais a glória de Cristo: a igreja chinesa é a mais crescente igreja do mundo, e os cristãos chineses são missionários extremamente comprometidos que têm servido a Deus como verdadeiros guerreiros! Vejo que isso encoraja mais que o foco no sofrimento.

3. Decepção com os rumos e prioridades da igreja

A igreja brasileira vive um combinado de crises. Há uma crise de identidade, pois antigos conceitos outrora simples, como “evangélico” e “protestante” têm ficado cada vez mais difíceis de discernir e mensurar. Não se sabe quem é quem. Há uma crise de integridade, uma vez que a maioria dos problemas da igreja brasileira têm sua raiz no dinheiro e em outros elementos que afetam diretamente a moralidade. E há uma crise de interesses, intenções e prioridades.

Hoje, não é fácil afirmar quais são as igrejas e denominações efetivamente envolvidas com a obra missionária, mesmo porque “qualquer coisa” poderia ser igreja e “qualquer coisa” poderia ser obra missionária. O problema é que, em geral, nem os membros das igrejas sabem até que ponto suas igrejas sonham e investem em missões.

Uma conversa recente revelou isso. Uma jovem me disse que queria ser missionária. Eu perguntei se ela tinha apresentado sua intenção ao seu pastor. Ela me falou que não, pois seu pastor não tinha visão missionária e não investiria em seu chamado. Por conta disso ela optara por se calar.

Eu me surpreendi. A igreja dela contribui fielmente com nosso projeto no Haiti, e o pastor dela sempre se mostrou alguém com o coração missionário. Eu a encorajei a conversar com ele, e ela afirmou que não sabia desse envolvimento missionário. Ela julgara pelo discurso que ouve. No fim, ela arrematou dizendo que não percebe as igrejas de hoje em dia preocupadas com isso, e achou que sua própria igreja estava dentro do padrão.

Há uma falha de comunicação da parte da jovem, disso não tenho dúvida. Mas a noção que ela tem da igreja brasileira, equivocada em seu caso específico, não deixa de fazer sentido. A missão da igreja tem sido outra, em linhas gerais. Esses rumos do evangelicalismo nacional acabam não fornecendo as garantias vocacionais que a juventude precisaria para abraçar o chamado. É complicado vislumbrar que alguém se envolva num projeto dessa dimensão sem o respaldo espiritual, emocional e econômico da igreja. E no caso de muitas igrejas, a moça teria razão.

4. Ausência de uma teologia prática de missão nos púlpitos

Todas essas razões anteriormente apresentadas estão vinculadas à teologia missionária que tem sido apresentada nas igrejas. Missões tornou-se, em muitos casos, um tema filosófico, pouco prático. Curioso que hoje em dia é possível participar de um fórum de Missão Integral e sair de lá sem qualquer pressuposto prático ou aplicável para fazer missão integral em alguma comunidade do mundo real. Outra vez, minha afirmação aqui consiste numa generalização.

Mas noto que o discurso missionário não tem sido eficaz no despertamento missionário. Um dos motivos para tanto é que a pregação missionária não oferece caminhos práticos para a preparação e o envio. As conferências missionárias são eficazes para despertar contribuição missionária, mas já não oferecem alternativas vocacionais.

Seria igualmente frágil uma perspectiva vocacional que partisse de um discurso somente prático, sem fundamentação teológica ou missiológica plausível e biblicamente atestável. Com esse tipo de proposta, talvez seja possível mobilizar voluntários, mas não despertar missionários. No entanto, o despertamento também exige que se apresente a realidade do desafio, os passos e custos práticos, o treinamento apropriado, entre outros. Precisamos apresentar a demanda missionária como uma alternativa real de serviço.

Conclusões e Aplicações

Seria cinismo avaliar a condição vocacional da igreja de forma crítica, como feito acima, sem oferecer pensamentos práticos que possam acender luzes positivas. Na verdade, como já foi dito, não possuo todas as respostas. Mas há valores que poderiam ser transformados no pensamento missiológico da igreja.

Creio que a intenção de Deus seja ainda de utilizar-se de pessoas como nós, em nossa fragilidade e limitação, chamando-nos para anunciar as novas do Reino. Alguns passos práticos poderiam ser efetuados, principalmente em se tratando de algumas alterações em nosso discurso missiológico.

Primeiro, creio que precisamos falar de missões de forma mais próxima à realidade da igreja local. Os irmãos que freqüentam a igreja têm que ouvir falar em missões de maneira acessível, tangível às suas realidades. As estatísticas e as tendências do mundo missionário podem ser instrumentais na comunicação para o despertamento missionário. Mas, por si só, tais recursos não são suficientes. É preciso que o indivíduo saia da igreja sabendo como pode preparar-se, envolver-se, contribuir e orar diretamente. A igreja precisa identificar oportunidades plausíveis: assim como se anuncia uma necessidade imediata da igreja local, como vagas para professores de ministério infantil ou operadores de som, as oportunidades missionárias devem ser listadas com clareza. E a igreja sempre terá oportunidades vocacionais viáveis, se a obra missionária for sua prioridade.

Um outro aspecto importante a ser pensado é a necessidade de equilibrarmos as oportunidades de cumprimento da grande comissão. A igreja precisa ter oportunidades de servir em Jerusalém, Judéia, Samaria e confins da Terra (At. 1:8). Uma estratégia ainda válida é o uso de viagens missionárias de curto prazo. Essa prática tem sido criticada por uma linha missiológica que questiona a efetividade de um ministério curto no campo. Em termos de efetividade, talvez tenham razão os críticos. Em termos vocacionais, porém, eu fui chamado para o ministério missionário a longo prazo após uma viagem missionária. Já vi este movimento na vida de muitas pessoas.

Em minha experiência como pastor local, é possível viabilizar na igreja grandes projetos de impacto em locais mais próximos, envolvendo várias pessoas, como “Dia da Cidadania” e outros projetos. Nessas empreitadas, universitários da igreja, bem como profissionais liberais, se envolvem em missões e muitas vezes enredam num caminho ministerial sem volta!

Num contexto de média distância, temos enviado equipes de tamanho médio ou pequeno. Vários jovens e profissionais da igreja já tiveram experiências no sertão do nordeste, por exemplo, através do Projeto Água Viva, um dos ministérios missionários vinculados á nossa comunidade.

Por último, várias pessoas da igreja também se envolvem em missões transculturais. Através da Missão em Apoio à Igreja Sofredora, muitos irmãos já viajaram ao Haiti, e em alguns casos temos visto vocações missionárias começarem a emergir. O contexto do Haiti mudou em função de uma viagem que um jovem fez por uma semana? Provavelmente, não muito. Mas uma vocação missionária longa e frutífera pode estar surgindo.

Meu encorajamento aos pastores e líderes da igreja nacional é que configuremos um discurso missionário que efetivamente levante obreiros para a grande Seara. Nós temos uma responsabilidade crucial nesse processo, e podemos sanar essa crise vocacional. Que Deus nos ajude nesse caminho!

terça-feira, 15 de março de 2011

UMA VIAGEM NO TEMPO


“E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.” Jo. 8.32

Gostaríamos de convidá-los para uma viagem no tempo. Estão preparados? Se sim, apertem bem os cintos para a viagem antropológica, histórica e religiosa à Índia. Estamos no ano de 1.792 quando um homem branco europeu está vivendo no continente asiático.

Seu nome é William Carey e ele se depara com uma mulher gritando estridentemente; ao adentrar sua casa, vê sua esposa Dorothy que chora convulsivamente e o inquire sobre o que está ocorrendo fora de casa, pois ouvia os gritos estridentes de uma mulher.

Ele vai averiguar e vê algo assustador, pois havia um defunto sobre uma pilha de lenha para ser queimado e, amarrada junto ao cadáver, está a esposa viva, sendo preparada para ser queimada com o defunto marido.

Este cerimonial demoníaco é chamado “Sati”, antigo costume entre algumas comunidades hindus.

Hoje em dia é estritamente proibido pelas leis do Estado Indiano que obrigava (no sentido honroso, moral, e prestigioso) a esposa viúva devota a se sacrificar viva na fogueira da pira funerária de seu marido morto.

O termo é derivado do nome original da deusa Sati, também conhecida como Dakshavani, quese aut o-imolou porque foi incapaz de suportar a humilhação de seu pai Daksha por continuar viva enquanto seu marido Shiva já havia morrido.

O termo também pode ser usado para referir-se à viúva. O termo “Sati” agora é às vezes interpretado como mulher honesta. Carey implorou aos líderes religiosos que estavam para queimar o defunto e viúva viva para que não fizessem o que planejavam, mas não alcançou êxito em sua empreitada; mesmo assim não desanimou.



Dorothy havia ido a Índia contra sua vontade porque não queria ser missionária e encontrou esse motivo para dizer a Carey que queria voltar à Inglaterra, mas ele insistiu com ela que isto não era motivo de retornar à pátria.

Então Carey foi buscar as autoridades inglesas no país, pois a Índia estava sob domínio britânico, para intervir neste costume religioso e os líderes disseram a ele que não deveria intervir neste costume do povo. Eles também o ameaçaram com a seguinte frase:

- Se você continuar nesta empreitada nós iremos colocá-lo na prisão.

Então seus amigos dinamarqueses souberam deste fato e disseram a ele que poderiam dar-lhe uma cidadania dinamarquesa, pois a Dinamarca tinha tratado com a Inglaterra de dupla cidadania e Carey conseguiu a cidadania de seus amigos.

Com a cidadania dinamarquesa, ele começou a ensinar nas universidades sobre o horror do cerimonial “Sati”, pois os líderes religiosos não pensavam na viúva, se tinha filhos pequenos que precisavam dela, etc. Eles somente pensavam que se a mulher fosse sacrificada com o defunto era uma demonstração de honra e prestígio ao marido.

Um dia ele se associa com um empresário e começa a trabalhar estrategicamente para eliminar o tal cerimonial e depois de muitos anos ele consegue que uma lei seja estabelecida e o “Sati” é proibido em solo indiano, apesar de que em alguns lugares isolados ainda se vê algumas práticas.

Temos visto algo similar na cultura brasileira: o infanticídio nas tribos indígenas. Ainda utilizado por muitas das mais de 250 etnias do Brasil, esse costume tribal leva à morte não apenas de gêmeos, mas também filhos de mães solteiras, crianças com problema mental ou fisico, ou doença não identificada pela tribo.

Alguns antropólogos e até diretores da FUNAI, governo e certos políticos não vêem a necessidade de acabar com a aberração deste costume cultural. Até perseguem aqueles que querem ver o fim do extermínio infantil entre os indígenas.

Louvamos a Deus pela vida da Marcia Suzuki, que criou a ONG ATINI, sediada em Brasília, que atua na defesa do direito das crianças indígenas. Formada por líderes indígenas, antropólogos, lingüistas, advogados, religiosos, políticos e educadores, a organização trabalha para erradicar o infanticídio nas comunidades indígenas, promovendo a conscientização. Vale a pena ver o site: www.atini.org

Estamo s ministrando o Simpósio Visão 2025 nas igrejas para adolescentes. Se tiver interesse em que este simpósio vá à sua região, contate-nos por e-mail: teen@mhorizontes.org.br.

Nosso grande desafio para 2011 é o edifício do Centro Para as Nações em Monte Verde. Estamos esperando um grande contingente que deve vir do estado do Pará e de outros estados para o treinamento nos projetos Uniásia (uniasia@mhorizontes.org.br) e Revolution Teen (projeto que visa treinar adolescentes que no mínimo concluíram o ensino fundamental.

Eles serão treinados nas áreas cultural, lingüística e bíblica para serem futuros tradutores da bíblia). A visão é ver um tradutor da bíblia nas 2.000 línguas que nada têm escrito até o ano 2025.

Neste fevereiro iniciamos pela fé o novo edifício com 48 suítes, cinco andares e já coberto que esperamos seja de grande benção para a igreja brasileira.

Para ver a conclusão, precisamos de um milhão e duzentos mil reais e por isso vendemos a nossa base na Bolívia, adquirida da Missão Sueca. Para complementar, queremos contar com 1000 parceiros amigos da Horizontes que contribuam com R$ 50,00 mensais durante um período de 12 meses.

Aos que aceitarem o honroso convite e investirem neste grande empreendimento, ofereceremos uma estadia gratuita numa suíte por um final de semana, iniciando em uma sexta- feira.

Contamos com seu apoio e o convidamos a se unir conosco neste novo ano para que, ao final dele, possa vir e ver de perto aqueles que o Senhor tem levantado para encarar o grande desafio: alcançar os povos não alcançados da terra.

No amor do Mestre,

Cleonice e David Botelho

Missão Horizontes – contato@mhorizontes.org.br -Bradesco – Agência 1020 – Conta 3474-6 –

CNPJ 59.958.983-0001/16

quarta-feira, 9 de março de 2011

A HISTORIA DO AVIVAMENTO MORAVIO


Sangue e Fogo: A História do Avivamento Morávio - por John Walker

PREFÁCIO

Este artigo sobre o avivamento morávio foi preparado e traduzido a partir de vários artigos de uma revista americana denominada "Herald of His Coming" (O Arauto da Sua Vinda). Deus tem prometido na Sua Palavra um derramamento do Seu Espírito nos últimos dias, e a preparação de uma igreja gloriosa para a vinda do nosso Senhor Jesus Cristo. Ultimamente, Deus tem prometido através dos Seus profetas um avivamento para a terra do Brasil, e está convocando o Seu povo à oração intensiva para esse fim. Que esses relatos de avivamentos passados em outros países possam transmitir aos intercessores nas igrejas brasileiras uma visão mais clara e um peso mais profundo daquilo que Deus tem prometido realizar na nossa terra hoje, em resposta à oração perseverante.

John Walker


ORAÇÃO TRAZ AVIVAMENTO

Se você ler a história de qualquer grande, obra do Espírito Santo encontrará ali uma história de oração. Oração, no Espírito, foi o segredo de todos os grandes avivamentos no passado - e será o segredo de todo o poder de avivamento que vier sobre nós nestes dias.

Aproximadamente há 250 anos um grupo de discípulos rixentos, contenciosos, discutidores e opiniosos, seguidores de Huss, Lutero, Calvino e outros reformadores, fugindo das perseguições mortíferas daquela época, achou asilo em Herrnhut, no patrimônio de um fidalgo abastado, o Conde Zinzendorf, situado na Alemanha Oriental. Este grupo tornar-se-ia conhecido como os "morávios" em consequência do fato de uma parte deles ter saído da província de Morávia, na Checoslováquia.

Embora fossem protegidos ali do mundo exterior, quem haveria de protegê-los das suas próprias paixões religiosas que ameaçavam destruí-los? Como poderiam se unir em fé e amor esses cristãos contenciosos que acabavam de achar um esconderijo no patrimônio do Conde Zinzendorf? Aparentemente era uma tarefa completamente impossível.

Contudo, oraram: No dia 5 de agosto de 1727, alguns desses irmãos passaram a noite toda em oração. A oração os levou a elaborar uma Aliança Fraternal a fim de "procurar e enfatizar os pontos em que concordassem" e não salientar as suas diferenças.

O amor fraternal e a unidade em Cristo seriam .as correntes douradas que os ligariam uns aos outros. Todos os membros da comunidade apertaram as mãos uns dos outros e se comprometeram a obedecer os estatutos da Aliança. Aquele dia foi o princípio de uma nova vida para eles.

No diário deles está escrito:

Neste dia o Conde fez uma aliança com o Senhor. Os irmãos prometeram, um por um, que seriam verdadeiros seguidores do Salvador. Vontade própria, amor próprio, desobediência - eles se despediram de tudo isso. Procurariam ser pobres de espírito; ninguém deveria buscar seu próprio interesse; cada um se entregaria para ser ensinado pelo Espírito Santo. Pela operação poderosa da graça de Deus, todos foram não somente convencidos, mas arrastados e dominados.

Depois de adotarem os estatutos e todos terem se comprometido à uma vida de obediência e amor, o Espírito de comunhão e oração foi grandemente fortalecido. Desentendimentos, preconceitos, alienações secretas, eram confessados e postos de lado. A oração muitas vezes tinha tanto poder que aqueles que haviam apenas confessado sua disposição ou aderido da boca para fora eram convencidos do pecado e compelidos interiormente a mudar de vida ou a irem embora.

No domingo, 13 de agosto de 1727, mais ou menos ao meio-dia, numa reunião onde se celebrava a ceia do Senhor, o poder e a bênção de Deus vieram de forma tão poderosa sobre o grupo inteiro que tanto o pastor como o povo caíram juntos no pó diante de Deus e "nesse estado de mente continuaram até a meia-noite, tomados em oração e cântico, choro e súplicas".

O Senhor Jesus lhes apareceu como Cordeiro... levado ao matadouro; traspassado pelas suas transgressões e moído pelas suas iniqüidades (Is 53:7,5). Na presença divina do seu ensangüentado e expirante Senhor, eles se sentiam inundados na consciência do seu pecado e da graça do Senhor ainda mais abundante. Suas controvérsias e rixas foram silenciadas; suas paixões e orgulho foram crucificados - enquanto fitavam atentamente as agonias do seu "Deus expirante".

A oração os uniu. A oração trouxe-lhes um novo derramamento do Espírito Santo; agora veremos como estas bênçãos, por sua vez, levavam-nos a uma vida mais profunda de oração:

Depois daquele dia destacado de bênção, o dia 13 de agosto de 1727, em que o Espírito de graça e súplicas havia sido derramado sobre a congregaçao em Herrnhut, surgiu o pensamento em alguns irmãos e irmãs de que seria bom separar horas determinadas para o propósito de oração, tempos em que todos pudessem ser relembrados do seu grande valor e incitados pelas promessas que acompanham a oração fervorosa a derramar os seus corações diante do Senhor.

Além disso, consideraram importante que, assim como nos dias da Velha Aliança nunca se permitiu que o fogo sagrado se apagasse no altar (Lv 6:12, 13), da mesma forma numa congregação que é o templo do Deus vivo, na qual Ele tem Seu altar e Seu fogo, a intercessão dos Seus santos deverá subir incessantemente a Ele como um incenso santo (1 Co 3:16; 1 Ts 5:17; Sl 141:2; Lc 18:7; Ap 8:3,4).

No dia 26 de agosto, vinte e quatro irmãos e o mesmo número de irmãs se reuniram e fizeram entre si uma aliança de continuar em oração a partir da meia-noite até na outra meia-noite, para isto repartindo as vinte e quatro horas do dia por sorte entre eles.

No dia 27 de agosto, este novo regulamento entrou em vigor. Outros foram acrescentados a esse número de intercessores, passando a contar com 77 pessoas, e até mesmo as crianças iniciaram um plano semelhante a esse entre elas. Os intercessores tinham uma reunião semanal na qual se lhes fazia uma lista daquelas coisas que deveriam considerar como assuntos especiais para a oração e para levar constantemente diante do Senhor.

As crianças todas sentiam um impulso sobremodo forte para a oração, e era impossível ouvir suas súplicas infantis sem ser profundamente comovido e tocado: Uma testemunha ocular diz:

"Não posso explicar a causa do grande despertamento das crianças em Herrnhut de outra maneira que não seja um maravilhoso derramamento do Espírito de Deus sobre a congregação reunida naquela ocasião." O sopro do Espírito atingia naquele tempo jovens e velhos igualmente.


INCENTIVO PARA EVANGELIZAÇÃO

Os quatro anos seguintes foram tempos de avivamento constante: A vigilância cuidadosa mantida pelos presbíteros e superintendentes, o tratamento fiel de almas individuais de acordo com suas necessidades pessoais, a manutenção zelosa do Espírito de amor fraternal, a contínua vigilância em oração, fizeram das reuniões dos irmãos tempos de grande alegria e benção. Eram tempos de preparação para a obra de evangelização mundial que estava para iniciar.

O bispo Hasse escreveu o seguinte:

"Houve já em toda a história da igreja alguma reunião de oração tão extraordinária como esta que, começando em 1727, continuou vinte e quatro horas por dia, durante cem anos?"

Oração deste calibre leva à ação. Neste caso, acendeu um desejo ardente de tornar a salvação de Cristo conhecida aos pagãos. Produziu o início do movimento missionário atual. Daquela pequena comunidade rural mais de cem missionários foram enviados num período de vinte e cinco anos.

Este era o fruto de oração e união de coração sem precedentes. Não era de se admirar os resultados espirituais sem precedentes também que sucederam. Daquela pequena aldeia de cristãos morávios saíram missionários a todo canto do mundo, levando consigo o fogo do Espírito.

Qual era seu incentivo para o trabalho missionário no exterior? Embora sempre reconhecessem a autoridade suprema da Grande Comissão (Mt 28:19), os irmãos morávios sempre enfatizaram como seu maior incentivo a verdade inspiradora encontrada em Isaías 53:3-12; fazendo assim do sofrimento do Senhor o impulso e fonte de toda a sua atividade. Desta profecia tiraram seu "brado da guerra" missionário: "Conquistar para o Cordeiro que foi morto a recompensa dos Seus sofrimentos."

Eles sentiam que deviam compensar o Senhor de alguma maneira pelos terríveis sofrimentos que suportou quando efetuou a salvação deles. A única maneira de retribuí-Lo é trazer-lhe almas. Quando trazemos-Lhe as almas perdidas, é a recompensa ou fruto do penoso trabalho da sua alma (Is 3:11).


CONVERSÃO DE JOHN WESLEY

Em 1736, um grupo de morávios estava viajando num navio com destino à América. Dois jovens ingleses, missionários anglicanos, estavam no mesmo navio. Sobreveio sobre eles um terrível temporal e era iminente um naufrágio. Leiamos o que um dos jovens, John Wesley escreveu no seu diário a respeito desse acontecimento:

"Às sete horas fui procurar os morávios. Eu havia observado há muito a profunda seriedade do seu comportamento. Davam provas incessantes da sua verdadeira humildade em fazer aquelas tarefas servis para os demais passageiros que nenhum de nós suportaria; eles procuravam nos servir dessa forma e rejeitavam qualquer remuneração, dizendo que era bom para os seus corações orgulhosos e que o seu querido Salvador havia feito muito mais que isso por eles.

Cada dia que passava lhes dava oportunidade de demonstrar uma meiguice que nenhuma injúria poderia desafiar. Se alguém os empurrasse, batesse ou jogasse no chão, eles se levantavam e saíam; mas nunca se ouviu qualquer queixa ou resposta nas suas bocas. Agora se apresentaria uma oportunidade de ver se eles eram isentos do espírito de medo da mesma forma que o eram do espírito de orgulho, ira e vingança.

No meio do salmo com que iniciaram a sua reunião, o mar se ergueu, despedaçou a vela mestra, inundou o navio e as águas vieram jorrando sobre o convés como se um grande abismo estivesse nos engolindo. Irromperam-se terríveis gritos e uivos entre nós. Os morávios, porém continuavam a cantar tranqüilamente.

Perguntei para um deles depois: "Você não estava com medo?" Ele respondeu: "Graças a Deus, não." Perguntei ainda: "Mas não estavam amedrontadas as mulheres e crianças?" Ele respondeu brandamente: "Não, nossas mulheres e crianças não têm medo da morte.""

Quando ele voltou à Inglaterra, escreveu:

"Eu fui à América para converter os índios; mas quem há de me converter? Quem é que me libertará deste coração mau de incredulidade? Tenho uma religião "de tempo bom". Sei falar bem; sim, e tenho confiança em mim mesmo quando não há perigo ao meu lado; mas venha a morte me enfrentar e meu espírito já se perturba. Nem posso dizer: "O morrer é lucro!""

Em Londres, Wesley procurou o conselho de um missionário morávio, Peter Bohler, e logo após, converteu-se. Em menos de três semanas, ele estava viajando para a Alemanha para conhecer o Conde Zinzendorf e passar um período de tempo em Herrnhut.


A VIDA DO CONDE ZINZENDORF

O Conde Zinzendorf, preparado tão maravilhosamente por Deus para treinar e guiar a jovem igreja no caminho missionário, era marcado acima de tudo por um tenro, simples e apaixonado amor para o nosso Senhor Jesus. Convertido com a idade de quatro anos, ele escreveu naquela época: "Querido Salvador, sê meu e eu serei Teu". Ele escolheu como o lema da sua vida: "Tenho apenas uma paixão. É Jesus, Jesus somente".

O amor expirante do Cordeiro de Deus havia conquistado e enchido o seu coração; o amor que levou Jesus a morrer pelos pecadores havia entrado na sua vida. Ele não tinha outro alvo a não ser viver e, se preciso, morrer também por esses pecadores.

Quando ele se encarregou de cuidar dos morávios, aquele amor foi o único motivo ao qual ele recorria, o único poder no qual ele confiava, o único alvo para o qual ele procurava conquistar as suas vidas. 0 que o ensinamento, argumentos e disciplina nunca alcançariam, necessários e produtivos como fossem, o amor de Cristo realizou! Fundiu todos em um só Corpo; implantou em todos o desejo de abandonar tudo que fosse pecado. Inspirou a todos com o anseio de testificar de Jesus. Dispôs muitos a sacrificar tudo - a fim de tornar aquele amor conhecido a outros, alegrando dessa forma o coração de Jesus.

O Conde Zinzendorf aprendera cedo o segredo da oração eficaz. Ele foi tão diligente em estabelecer círculos de oração que quando deixou o colégio de Halle, aos dezesseis anos de idade, entregou ao professor Francke uma lista de sete grupos de oração.


CARACTERÍSTICAS DOS MORÁVIOS

E os seguidores que Deus havia dado a Zinzendorf? O que havia neles que os capacitava a tomarem a liderança das igrejas da Reforma? Em primeiro lugar, havia aquele desprendimento e desligamento do mundo e das suas esperanças, o poder de perseverança e resistência, a confiança simples em Deus que a aflição e perseguição são destinadas a produzir. Esses homens eram literalmente estrangeiros e peregrinos na terra. Eram imbuídos do pensamento e Espírito de sacrifício. Haviam aprendido a suportar dureza e dificuldades e a olhar para Deus em cada problema.

Em cada detalhe das suas vidas - no negócio, no lazer, no serviço cristão, nos deveres civis - tomavam o Sermão da Montanha como lâmpada para os seus pés. Consideravam o servir a Deus como o único motivo da vida e faziam todas as demais coisas ocuparem um plano de segunda importância. Seus ministros e presbíteros deveriam supervisionar o rebanho para averiguar se todos estavam realmente vivendo para a glória de Deus. Todos deveriam formar uma única irmandade, auxiliando e encorajando-se mutuamente numa vida sossegada e piedosa.

No entanto havia algo mais que isso que emprestava à comunhão desses irmãos seu poder tão maravilhoso. Era a intensidade da sua devoção e dedicação coletiva e individual a Jesus Cristo, como Cordeiro de Deus que os comprara com o Seu sangue.

Toda a sua correção uns dos outros e a sua confissão voluntária do pecado com o abandono do mesmo, vieram dessa fé no Cristo vivo, através do qual acharam no seu coração a paz de Deus e a libertação do poder do pecado.

Essa mesma fé os levava a aceitar, e a zelosamente guardar, sua posição de pobres pecadores, salvos pela Sua graça, dia a dia. Essa fé, cultivada e fortalecida diariamente pela comunhão na palavra, no cântico e na oração, transformou-se no alvo das suas vidas. Essa fé os enchia com tanto gozo que seus corações regozijavam no meio das maiores dificuldades, na certeza triunfante de que seu Jesus, o Cordeiro que morrera por eles, e que agora estava amando-os, salvando-os e guardando-os, minuto por minuto, poderia também conquistar o coração mais endurecido e estava disposto a abençoar até mesmo o mais vil pecador.

Em 1741 ocorreu algo que completou a organização da Igreja dos Irmãos e que selou a sua característica central - a devoção ao Senhor Jesus. Leonardo Dober havia sido por alguns anos o principal presbítero da igreja. Ele e alguns outros sentiam que seus dons peculiares os capacitavam mais para outro tipo de ministério.

No entanto, à medida que os irmãos do sínodo olhavam em redor, sentiam que seria difícil em extremo encontrar uma pessoa capaz de tomar o seu lugar. No mesmo instante veio o pensamento a muitos que poderiam pedir ao Salvador para ser o Presbítero Principal da sua pequenina igreja, e como resposta à oração, receberam a confiança de que Ele aceitara o cargo.

Seu único desejo era que Ele fizesse tudo que o presbítero principal fazia até aquela data - que Ele os tomasse como a Sua propriedade peculiar, que Ele Se preocupasse com cada membro individualmente, e cuidasse de todas as suas necessidades. Prometeram amá-Lo e honrá-Lo, dar-Lhe a confiança dos seus corações, e como crianças, ser guiados pela Sua mente e vontade.

Era uma nova e aberta confissão do lugar que sempre haviam desejado que Cristo ocupasse, não só na sua teologia e vidas pessoais, mas especialmente na Sua igreja. A igreja havia chegado agora a maioridade.


CONCLUSÃO

A história da igreja dos morávios foi contada como um exemplo. Nos primeiros vinte anos da sua existência ela realmente enviou maior número de missionários que toda a Igreja Protestante no mesmo período. Ela somente, entre todas as igrejas, procurou realmente viver a verdade: "que congregar a Cristo as almas pelas quais Ele morreu para salvar é o único objetivo pelo qual a Igreja existe". Ela somente procurou ensinar e treinar cada um dos seus membros a considerar como seu primeiro dever para com Aquele que os amou: doar a sua vida para torná-Lo conhecido a outros.

Podemos identificar quatro princípios básicos ensinados pelo Espírito Santo nesta época da Sua grande operação:

1. Que a igreja existe para estender o Reino de Deus em toda a terra.

2. Que cada membro deve ser treinado e preparado para participar deste propósito glorioso.

3. Que a experiência íntima do amor de Cristo é o poder que capacita para este fim.

4. Que a oração é o segredo, a fonte, de tudo isto.

A "graça total" do nosso Senhor Jesus Cristo foi transmitida aos irmãos morávios através de uma revelação do sangue do expirante Cordeiro de Deus. O resultado foi o fogo do Espírito Santo, incendiando as suas vidas numa "dedicação total" para a evangelização do mundo.

Oração organizada, intensiva e perseverante trará hoje os mesmos resultados que trouxe naquela época.

Que o Espírito Santo, nestes dias de restauração em que estamos vivendo, faça-nos arder de amor e paixão pelo Senhor Jesus, e transforme-nos numa igreja gloriosa que O manifeste plenamente; e que assim os pecadores se convertam e se unam a esta comunhão de amor de Deus Pai que temos no Seu Filho Jesus