"“Muitos crentes consagrados jamais atingiram os campos missionários com seus próprios pés mas poderão alcança-los com seus joelhos” (Adoniran Judson)”"

quarta-feira, 13 de julho de 2011

TEOLOGIA BÍBLICA DA CONTEXTUALIZAÇÃO


Ronaldo Lidório

Neste capítulo tenciono abordar a contextualização sob uma perspectiva teológica, seus objetivos e limitações, sua relevância e perigos. Estudaremos sob o fundamento da conciliação entre a Teologia e a Missiologia, veremos a relevância da Antropologia Missionária e por fim apresentarei alguns critérios bíblicos para a contextualização.

Hesselgrave afirma que contextualizar é tentar comunicar a mensagem, trabalho, Palavra e desejo de Deus de forma fiel à Sua Revelação e de maneira relevante e aplicável nos distintos contextos, sejam culturais ou existenciais. Ao dizer isso ele expõe um desafio à Igreja de Cristo: comunicar o evangelho de forma teologicamente fiel e ao mesmo tempo humanamente inteligível e relevante. E este talvez seja o maior desafio de estudo e compreensão quando tratamos da teologia da contextualização.

Historicamente, a ausência de uma teologia bíblica de contextualização tem gerado duas conseqüências desastrosas no movimento missionário mundial: o sincretismo religioso e o nominalismo evangélico. A má ou fraca compreensão bíblica, assim, deixará perguntas humanas em aberto, incentivando a procura por respostas nas religiões tradicionais, gerando sincretismo. Assim o indígena recém convertido adora a Deus, prega a Palavra e a aplica em casa. Mas se não compreende os princípios bíblicos da busca e adoração a Deus poderá, em um momento de enfermidade na família, procurar um curandeiro que lhe proponha respostas. Este sincretismo compromete a comunicação da verdade de Deus e é, por um lado, conseqüência de uma precária comunicação da Palavra ou uma má contextualização que a faça compreensível. Esta má ou fraca compreensão bíblica poderá também gerar pessoas interessadas pelo evangelho mas sem verdadeira conversão, que é o nominalismo cristão.

Creio que nenhum princípio universal poderá ser bem comunicado a um grupo ou segmento social distinto sem que seja contextualizado. Jesus, sem dúvida, foi o modelo maior de contextualização da mensagem. Aos judeus falava dentro de um universo judeu mencionando cobradores de impostos, hipocrisia na adoração cúltica e pública e casamentos festivais. Fala de pescadores, plantadores e candeias que iluminam a casa. Narra sobre plantações, pão e trigo. Cita Jerusalém diversas vezes e invoca com freqüência os patriarcas. Uma mensagem compreensível, relevante para o universo de quem a ouve. Impactante em seu significado e que apela por transformação humana e social. Ao mesmo tempo fiel às Escrituras, revelação de Deus, teologicamente fundamentada.

Antes de desenvolvermos o assunto da contextualização de forma mais objetiva gostaria de expor introdutoriamente a relevância da contextualização na apresentação do evangelho com base em Mateus 24:14.
A relevância da contextualização no plantio de igrejas



Neste cenário de Mateus 24 Jesus se reunia com seus discípulos, pouco antes de ser elevado aos céus, e responde a estes sobre os sinais que antecederão a sua vinda. Após dissertar sobre evidências mais cosmológicas (guerras e rumores de guerras) e eclesiológicas (perseguição e falsos profetas) Jesus lança uma evidência puramente missiológica dizendo que “será pregado o evangelho do Reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então virá o fim”[1].

A expressão grega para “e será pregado”[2] tem como raiz kerygma, uma proclamação audível e inteligível do evangelho paralelamente a “martyria”[3] que evoca um sentido mais pessoal, de testemunho de vida. Esta ação kerygmática aponta para o fato de que o evangelho será pregado de forma compreensível. O “mundo” aqui exposto no texto é a tradução de oikoumene que significa “mundo habitado”. A idéia textual, portanto, não é geográfica, territorial, mas sim demográfica, onde há pessoas, mostrando que este evangelho do Reino será pregado kerygmaticamente, inteligivelmente, em todo o mundo habitado.

A forma de isso acontecer, segundo o texto, é através do testemunho a todas as nações. A raiz para “testemunho” aqui é martyria que nos ensina que esta ação proclamadora, kerygmática, do evangelho acontecerá através de uma Igreja martírica, que tenha o caráter de Cristo. Ou seja, apenas os salvos pregarão este evangelho do Reino. Finaliza a frase dizendo que o testemunho chegará a todas a nações, onde traduzimos o termo ethnesin, de ethnia, para nações, ou seja, grupos lingüística e culturalmente definidos.

Poderíamos parafrasear o verso 14 dizendo que “o evangelho do Reino será proclamado de forma inteligível e compreensível por todo o mundo habitado, através do testemunho martírico, de vida, da Igreja, a todas as etnias definidas”. A frase final nos diz que “então virá o fim” e “fim” aqui (telos) aponta para a volta do Senhor Jesus, ligada comumente à sua parousia, ao seu retorno.

Gostaria de chamar sua atenção para o princípio bíblico da comunicação. Jesus nos ensina diversas vezes que a transmissão do conhecimento do evangelho não será uma ação realizada sem a participação comunicativa daIgreja. Esta participação envolve duas ações principais: a vida e testemunho da Igreja, bem como a atitude de proclamar, expor, o evangelho de Cristo.

Esta comunicação do evangelho, portanto, em uma perspectiva transcultural, necessita de um trabalho de “tradução” em duas áreas específicas: a língua e a cultura. As línguas dispõem de códigos diferentes para viabilizar a comunicação e o mesmo ocorre com a cultura. Quando se expõe a um Inuit, ou esquimó, que o sangue de Jesus nos torna brancos como a neve, ele rapidamente nos perguntaria qual categoria de branco, já que em sua visão culturalizada de quem convive com a neve e o gelo por milênios, há treze diferentes tipos de “branco”. Ignorar tal extrato cultural culminará em uma pregação rasa, confusa ou distorcida da Palavra de Deus.

Alguns princípios textuais podem nos ajudar nesta introdução, pensando em Mateus 24:14. Percebemos que a transmissão de uma mensagem inteligível em sua própria língua e contexto, portanto contextualizada, é pressuposto para o cumprimento da grande comissão, já que a nós cabe não somente viver Jesus, mas também proclamá-lO de forma compreensível. Apenas a Igreja, redimida, cumprirá esta tarefa. Ou seja, não é o Cristianismo que evangelizará o mundo, mas sim a Igreja redimida, que passou pelo novo nascimento.

Tendo em mente estes conceitos permitam-me mencionar alguns pressupostos que utilizo ao escrever este capítulo.

1. A Palavra é supracultural e a-temporal, portanto viável e comunicável para todos os homens, em todas as culturas, em todas as gerações. Cremos, assim, que a Palavra define o homem e não o contrário.



2. Contextualizar o evangelho não é reescrevê-lo ou moldá-lo à luz da Antropologia, mas sim traduzi-lo lingüística e culturalmente para um cenário distinto do usual ao transmissor a fim de que todo homem compreenda o Cristo histórico e bíblico.



3. Apresentar Cristo é a finalidade maior da contextualização. A Igreja deve evitar que Jesus Cristo seja apresentado apenas como uma resposta para as perguntas que os missionários fazem – uma solução apenas para um segmento, ou uma mensagem alienígena para o povo alvo.

O conceito da contextualização evoca toda sorte de sentimentos e argumentações. Por um lado encontramos a defesa de sua relevância, com base na culturalidade e princípios gerais da comunicação. Crê-se, de forma geral, que sem contextualização não há verdadeira comunicação e aqueles que assim entendem procuram estudar as diversas possíveis abordagens nesta comunicação contextualizada. Por outro lado encontramos a exposição de seus perigos quando esta contextualização se divorcia de uma teologia bíblica essencial que a norteie e a avalie.

Isto é especialmente verdade tendo em mente que o próprio termo “contextualização” foi abundantemente utilizado no passado por Kraft a partir do relativismo de Kierkegaard com fundamentação em uma teologia liberal que não cria na Palavra de Deus de forma dogmática, mas sim adaptada. Estes crêem que a Palavra de Deus se aplica apenas a contextos similares de sua revelação, não sendo assim supracultural e nem a-temporal. Nossa proposta é entendermos que a contextualização não é apenas possível com uma fundamentação bíblica que a conduza, mas necessária para a fidelidade na transmissão dos conceitos bíblicos.

É preciso, portanto, avaliarmos nossos pressupostos teológicos a fim de guiarmos nossa ação missionária. Martinho Lutero, crendo na integralidade da verdade Bíblica, expôs um evangelho que fosse comunicável, na língua do povo, com seus símbolos culturais definidos. Porém um evangelho escriturístico e sem diluição da verdade. Por diversas vezes ensinou a Melanchton dizendo: “prega de forma que odeiem o pecado ou odeiem a você”[4]. Se por um lado defendeu uma contextualização eclesiológica traduzindo a Bíblia para a língua do povo, tendo cultos com a participação dos leigos, pregando a Palavra dentro do contexto da época, por outro deixou claro que o conteúdo da Palavra não deve ser limitado pelo receio do confronto cultural. Se sua sensibilidade cultural fosse definidora de sua teologia, e não o contrário, teríamos tido uma Reforma meramente humanista e não da Igreja. Teria sido o início de um movimento de libertação apenas do pensamento e da expressão, um grito por justiça social que não inclui Deus e nem a salvação, ou um apelo pelo resgate da identidade cultural, mas não a condução do povo ao Reino de Deus.



Os perigos impositivo, pragmático e sociológico nos pressupostos de contextualização



Antes de seguirmos adiante gostaria de expor três perigos fundamentais quando tratamos da contextualização dentro do universo missionário.

O primeiro perigo, que denominarei de impositivo, tem sua origem na natural tendência humana de infligir a outros povos sua forma adquirida de pensar e interpretar, prática esta realizada em grande escala pelos movimentos políticos do passado e do presente, bem como por forças missionárias que entenderam o significado do evangelho apenas dentro de sua própria cosmovisão, cultura e língua. Desta forma as torres altas dos templos, a cor da toalha da ceia, a altura certa do púlpito e as expressões faciais de reverência tornam-se muito mais do que peculiaridades de um povo e de uma época. Misturam-se com o essencial do evangelho na transmissão de uma mensagem que não se propõe a resgatar o coração do homem, mas sim moldá-lo à uma teia de elementos impostos e culturalmente definidos apenas para o comunicador da mensagem, apesar de totalmente divorciados de significado para aqueles que a recebem.

As conseqüências de uma exposição impositiva do evangelho tem sido várias, porém mais comumente encontraremos o nominalismo, por um lado, e o sincretismo quase irreversível por outro. David Bosch afirma que o valor do evangelho, em razão de proclamá-lo, está totalmente associado à compreensão cultural do povo receptor. O contrário seria apenas um emaranhado de palavras que não produziriam qualquer sentido sócio-cultural. George Hunsburger observa também que não há como pregarmos um evangelho a-cultural, divorciado da compreensão e cosmovisão da cultura receptora, pois o alvo de Cristo ao se revelar na Palavra foi atingir pessoas vestidas com sua identidade humana. A perigosa apresentação impositiva do evangelho a que nos referimos, portanto, confunde o evangelho com a roupagem cultural daquele que o expõe, deixando de apresentar Cristo e propondo apenas uma religiosidade vazia e sem significado para o povo que a recebe.

Um segundo perigo, que é pragmático, pode ser visto quando assumimos uma abordagem puramente prática na contextualização. Como a contextualização é um assunto freqüentemente associado à metodologia e processo de campo, somos levados a entendê-la e avaliá-la baseados mais nos resultados do que em seus fundamentos teológicos. Conseqüentemente, o que é bíblico e teologicamente evidente se torna menos importante do que aquilo que é funcional e pragmaticamente efetivo. Estou convencido de que todas as decisões missiológicas devem estar enraizadas em uma boa fundamentação bíblico-teológica se desejamos ser coerentes com a expressão do mandamento de Deus (At 2:42-47).

Entre as iniciativas missionárias mais contextualizadas com o povo receptor, encontramos um número expressivo de movimentos heréticos como a Igreja do Espírito Santo em Gana, África, na qual seu fundador se autoproclama a encarnação do Espírito Santo de Deus. Do ponto de vista puramente pragmático, porém, é uma igreja que contextualiza sua mensagem sendo sensível às nuances de uma cultura matriarcal, tradicional, encarnacionista e mística. Devemos ser relembrados que nem tudo o que é funcional é bíblico. O pragmatismo leva-nos a valorizar mais a metodologia da contextualização do que o conteúdo a ser contextualizado. A apresentação pragmática do evangelho, portanto, privilegia apenas a comunicação com seus devidos resultados e esquece de se prender ao conteúdo da mensagem comunicada.
Um terceiro perigo, que é sociológico, é aceitar a contextualização como sendo nada mais do que uma cadeia de soluções para as necessidades humanas, em uma abordagem puramente humanista. Esta deve ser nossa crescente preocupação por vivermos em um contexto pós-cristão, pós-moderno e hedônico. Isto ocorre quando missionários tomam decisões baseadas puramente na avaliação e interpretação sociológica das necessidades humanas e não nas instruções das Escrituras. Neste caso os assuntos culturais, ao invés das Escrituras, determinam a mensagem e flexibilizam a teologia a ser aplicada a certo grupo ou segmento. O desejo por justiça social não deve nos levar a esquecermos da apresentação do evangelho.

Vicedon afirma que somente um profundo conhecimento bíblico da natureza da Igreja (Ef. 1:23) irá capacitar missionários a terem atitudes enraizadas na Missio Dei e não apenas na demanda da sociedade. A defesa de um evangelho integral e desejo de transmitir uma mensagem contextualizada não devem ser pontes para o esquecimento dos fundamentos doutrinários e da teologia bíblica. Na verdade os fundamentos bíblicos são a força motivadora para uma compreensão integral do evangelho, sensibilidade humana e clamor por ações práticas e transformadoras na sociedade.



Teologia e Contextualização



O presente embate mundial entre teologia e contextualização é possivelmente um reflexo do divórcio no ensino entre missiologia e teologia. Para alguns a missiologia é vista como simplista teologicamente, e conseqüentemente varrida para fora dos centros acadêmicos e de preparo teológico em diversas partes do mundo, ou mesmo tratada como de menor valor.

Vimos no capítulo anterior que este terrível engano freqüentemente produz pastores sem sonhos, missionários despreparados e teólogos cujo conhecimento poderia ser grandemente usado para as necessidades diárias de uma Igreja que está com as mãos no arado, mas por vezes não sabe para onde seguir.

Na ausência de um estudo teologicamente sadio sobre a contextualização bíblica, vários segmentos da Igreja ao longo da história foram influenciados pelo liberalismo teológico que encontrou na contextualização uma fácil avenida para a apresentação de seus valores.

Soren Kierkegaard[5], com seu relativismo pragmático, propôs o entendimento da verdade a partir da interpretação individual, sem conceitos absolutos e dogmáticos. William James em 1907 lançou a base para o “movimento de contextualização filosófica e teológica” defendendo a atualização teológica a partir da necessidade sócio-cultural ou lingüística. Na mesma linha Rudolf Bultmann defendeu a contextualização filosófica do evangelho mitificando tudo aquilo que não fosse relevante ao homem moderno em seu próprio contexto. Estes e outros pensadores influenciaram a base conceitual da contextualização desenvolvendo uma nova proposta: não há verdade dogmática, supracultural e cosmicamente aplicável. A verdade é individual e como tal deve ser compreendida e aplicada de acordo com o molde receptor.

Esta influência dicotomizou o mundo evangélico por décadas e ainda hoje tem seus efeitos enraizados na base conceitual da contextualização, levando alguns segmentos a definir a apresentação do evangelho apenas a partir do que é aceitável culturalmente. Em uma breve discussão com uma equipe inglesa que atuava entre os Bassaris do Togo, fui apresentado à sua estratégia missionária: ensinar Jesus como aquele que comprou nossa salvação, porém sem sacrifício pessoal, já que o sacrifício pessoal é visto pelos Bassaris como sinal de fraqueza. Esta simples escolha é resultado de uma teologia sociologizada e representação desta tendência pragmatizada que molda a Palavra em prol de uma comunicação mais aceitável comunitariamente.

De forma mais institucional esta vertente foi bem demonstrada na Assembléia Geral do Concílio Mundial das Igrejas, em Upsala, em 1968. Ali, a ênfase na humanização da Igreja permitiu o desenvolvimento do estudo da contextualização mais a partir da Antropologia do que da Teologia. A conferência sobre o “Diálogo com Povos de Religiões e Ideologias Vivas”, em 1977 em Chiang Mai, Tailândia, reforçou também o universalismo e a contextualização como forma de relativização de valores.
O contrapeso teológico deste assunto floresceu de forma mais ampla apenas em 1974 com Lausanne[6] onde, apesar de reconhecer as diferenças culturais, lingüísticas e interpretativas nas diversas raças da terra, afirmou-se que a Palavra era o único mecanismo gerador da verdade a ser anunciada. Sobre evangelização e cultura, o Pacto de Lausanne declara que “afirmamos que a cultura de um povo em parte é boa e em outra parte é má, devido à queda. Por isto deve sempre ser julgada e provada pelas Escrituras, para que possa ser redimida e transformada para a glória de Deus. Diante disto a evangelização mundial requer o desenvolvimento de estratégias e metodologias novas e criativas (Mc. 7:8,9,13; Rm. 2:9-11; 2Co 4:5)”.

Permitam-me chamar sua atenção para uma inquietante e acertada interpretação de Bruce Nicholls sobre o perigo do sincretismo e nominalismo como conseqüência de uma contextualização existencial sem fundamentação teológica. Ele diz que o sincretismo religioso é uma síntese entre a fé cristã e outras religiões, a mensagem bíblica é progressivamente substituída por pressuposições e dogmas não-cristãos, e as expressões cristãs da vida religiosa de adoração, do testemunho e da ética, conformam-se cada vez mais àquelas da parte não-cristã no diálogo. No fim, a missão cristã é reduzida a uma assim-chamada presença cristã, e na melhor das hipóteses, a uma preocupação social e humana. O sincretismo resulta na morte lenta da igreja e no fim da evangelização.

Vicedon nos apresenta um manto de cuidados teológicos para o processo da contextualização. Lembra-nos que, se cremos que Deus é o autor da Palavra e o Criador que conhece e ama sua criação, portanto devemos crer que o evangelho é dirigido a todo homem. A minimização da mensagem perante assuntos desconfortáveis como poligamia, por exemplo, não coopera para a inserção do homem, em sua cultura, no Reino de Deus. Ao contrário, propõe um evangelho partido ao meio, enfraquecido, que irá cooperar com a formação de um grupo sincrético e disposto a tratar o restante da Escritura com os mesmos princípios de parcialidade. Hibbert nos alerta que, no afã de parecermos simpáticos ao mundo (como a Igreja em Atos 2), esquecemos que a mensagem bíblica confrontará as culturas, mostrará o pecado e clamará por transformação através do Cordeiro.

Hesselgrave também previne sobre o perigo de dicotomizarmos a mensagem crendo na Palavra de forma integral para nós, mas apresentando-a parcialmente a outros. Ele nos ensina que o evangelho é libertador mesmos nas nuances culturais mais desfavoráveis.

O liberalismo teológico de Kierkegaard, Bultmann e James, portanto, ameaça a compreensão bíblica da contextualização, uma vez que leva-nos a crer na apresentação de um evangelho que não muda (pois toda mudança cultural seria negativa), não confronta (pois a verdade é individual e não dogmática) e não liberta (pois a liberdade proposta é apenas social).

Se cremos que Deus é o autor da Palavra, que o evangelho “é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê” (Rm. 1:16), e que “a justiça de Deus se revela no evangelho” (v.17), passaremos a nos preocupar com a melhor forma de comunicar esta Verdade, de maneira inteligível e aplicável, sabendo que, promovendo confrontos e mudanças, é a Verdade de Deus que liberta todo aquele que crê.



Pressupostos bíblicos para a contextualização



Escrevendo aos Romanos (1:18-27) o apóstolo Paulo nos introduz ao conceito da contextualização em oposição à inculturação trazendo à tona verdades cruciais para a proclamação do evangelho dentro de um pressuposto escriturístico e revelacional.

No versículo 18, Paulo nos apresenta a um Deus irado com a postura humana e que se manifesta contra toda a “impiedade” (quando o homem rompe seu relacionamento com Deus e os Seus valores divinos) e “perversidade” (quando o homem rompe seu relacionamento com o próximo e seus valores humanos). Expõe um homem corrompido pela injustiça e criador da sua própria verdade.

Nos versículos 19 e 20, Deus se manifesta através da criação e há aqui um elemento universal: um Deus soberano, criador, controlador do universo e detentor da autoridade sobre a criação. Os homens, citados no verso 18, tornam-se indesculpáveis por ser Deus revelado na criação “desde o princípio do mundo”, sendo revelado tanto o “seu eterno poder”, quanto “a sua própria divindade”. Portanto, perante um homem caído, existente em sua própria injustiça, impiedoso e perverso, Paulo não destaca soluções humanas, eclesiásticas ou mesmo sociais. Ele nos apresenta Deus. Na teologia paulina a solução para o homem não é o homem, mas é Deus e Sua revelação.

Nos versos 21 a 23, o homem tenta manipular Deus e Sua verdade, pois apesar deste conhecimento natural, pela criação, “não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças”. Fizeram altares e criaram seus deuses segundo seus corações, ânsias e desejos. Deuses manipuláveis, comandados, um reflexo da vontade humana caída. Assim, tais homens se “tornaram nulos em seus próprios raciocínios” mudando “a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis”.

O homem, portanto, não é condenado por não conhecer a história bíblica. Ele é condenado por não glorificar a Deus. Os homens não são condenados por não ouvirem a Palavra. São condenados cada um por seu pecado.

Nos versos 24 a 27, tais homens, em seu mundo recriado com as cores do pecado e injustiça, “mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador”. A resposta de Deus foi o juízo e o texto nos diz que Ele entregou os homens “à imundícia” como também às “paixões infames”.

Há alguns elementos bíblicos neste precioso texto que nos ajudam a pensar em alguns princípios de contextualização.

1. Há uma verdade universal e supracultural: Deus é soberano e dono de toda glória. Esta verdade fundamenta a proclamação do evangelho.



2. O pecado intencional (perversidade e impiedade) nos separa de Deus. Não há como apresentar Deus que busca se relacionar com o homem sem expor o pecado humano e seu estado de total carência de salvação.



3. Somos seres culturalmente idólatras. É comum ao homem caído gerar uma idéia de deus que satisfaça aos seus anseios sem confrontá-lo com o pecado. Esta atitude é encontrada em toda a história humana e não colabora para o encontro do homem com a verdade de Deus.



4. A mensagem pregada por Paulo é contextualizada expondo Deus em relação à realidade da vida e queda humana. Não é inculturada, pregando um Deus aceitável ou desejável, mas sim um Deus verdadeiro.




Se amenizarmos a mensagem do pecado contribuiremos para a incompreensão do evangelho.



Modelos bíblicos de contextualização da mensagem



Vejamos o assunto da contextualização a partir da experiência bíblica de Paulo em três momentos específicos. Apesar de Paulo ser o apóstolo para os gentios (Gal. 1:16) ele era um judeu devoto. Desta forma, a partir de seus sermões e ensinos podemos garimpar princípios norteadores da contextualização da mensagem.

Observaremos três passagens bíblicas no livro de Atos nas quais Paulo proclama o evangelho. Primeiramente a um grupo formado puramente por judeus, em outra ocasião a judeus, mas com presença gentílica simpatizante do judaísmo e por fim para gentios totalmente dissociados do mundo judaico e de seus valores vetero-testamentários. Ficará evidente, creio, que Paulo jamais compromete a autenticidade da mensagem bíblica, porém a comunica com aplicabilidade cultural de forma que haja boa comunicação utilizando os elementos necessários para tal.

Em Atos 9:19-22 encontramos Paulo em Damasco com os discípulos proclamando Cristo nas sinagogas apresentando-O como “o Filho de Deus” e “confundia os Judeus que moravam em Damasco, demonstrando que Jesus é o Cristo”. Aqui encontramos Paulo logo após ser salvo, expondo nas Escrituras que o Jesus que ele perseguia no passado tão próximo era de fato o Filho de Deus. A expressão grega para “demonstrando” (que Jesus era o Messias prometido), no verso 22, implica em demonstração com evidências objetivas, visíveis, o que nos dá a impressão que Paulo o fazia através do próprio texto sagrado, as Escrituras. Sua forma de pregação seguia a mesma dinâmica que ele viria a usar em todo o seu ministério entre os Judeus: demonstrando a partir da comprovação escriturística que Jesus é o Messias esperado (At 17:1-3). Paulo bem sabia que se alguém desejasse mostrar aos judeus que uma pessoa era o Messias, teria que fazê-lo através das Escrituras. Por isso sua abordagem foi baseada nas Escrituras, centralizada na promessa do Messias e promotora de evidências de que este era Jesus. Paulo aqui falava aos filhos de Israel, que se viam como os filhos da Promessa[7] e, portanto, em toda sua pregação ele utilizava elementos históricos e marcos da relação entre Deus e Seu povo escolhido.

Em Atos 13: 14-16, encontramos Paulo “atravessando de Perge para a Antioquia da Pisidia, indo num sábado à sinagoga”. Logo depois ele, erguendo a mão, passou a lhes proclamar a Cristo. Neste texto o grupo, culturalmente definido, é o mesmo de antes: formado por judeus. Havia, porém, a presença gentílica de simpatizantes da fé judaica. Paulo inicia com um dos principais fatos da história judaica, o Êxodo. Ele então os relembra da história de Israel até Davi quando então, intencionalmente, lhes introduz a promessa do Messias (At 13:23) e a liga a Jesus. Interessante como Paulo neste caso prega a Cristo a partir do “Deus de Israel”, e se fundamenta no Antigo Testamento para lhes apresentar o Messias por saber que os gentios ali presentes não apenas conheciam o Antigo Testamento, mas também procuravam segui-lo. Porém sua pregação tem também forte teor moral e escatológico, que a distingue da primeira em Atos 9, apenas para aos judeus, demonstrando sua sensibilidade para um auditório misto, mesmo que prioritariamente judeu e judaizante. No verso 39, Paulo utiliza um texto de inclusão (todo aquele), que se contrapõe ao discurso mais exclusivo que seguia com os judeus no primeiro cenário, dizendo que todo aquele que cresse seria salvo. Certamente os gentios judaizantes, fora da história biológica de Israel, se viam aí incluídos: um Messias judeu para judeus e gentios.

Na terceira passagem, em Atos 17: 16-31, Paulo proclama a Cristo para gentios que nenhum conhecimento tinham das Escrituras. Paulo está em Atenas, o centro filosófico do mundo da época, e é conduzido até o areópago pelos epicureus e estoicos. Neste momento Paulo se encontrava em um cenário totalmente paganizado sem pressupostos judaizantes. O sermão de Paulo desta vez não se iniciou nas Escrituras vetero-testamentárias ou mesmo na promessa do Messias. Paulo lhes pregou Deus a partir das evidências da criação e do deus desconhecido, “pois este que adorais sem conhecer é precisamente aquele que eu vos anuncio” (At 17: 23). Passa então a apresentar-lhes os atributos de Deus que “fez o mundo.... sendo Ele Senhor do céu e da terra” (v. 24), “de um só fez toda a raça humana” (v. 26), “não está longe de cada um de nós” (v.27), “notifica aos homens que todos em toda parte se arrependam” (v.30), “por meio de um varão... ressuscitando-o dentre os mortos” (v.31). Note que no verso 24, Paulo utiliza Theos para se referir ao “Deus que fez o mundo”, sendo o mesmo termo utilizado (Theos) para mencionar o deus desconhecido. Ele utiliza o termo grego existente, para deus, para lhes apresentar revelacionalmente o Deus da Palavra, criador de todas as coisas. Faz, em sua mensagem, a clara distinção entre deus e Deus. O fim da mensagem é o mesmo: Jesus que morreu e ressuscitou.

Notem que aos judeus Paulo lhes fala sobre o Deus da promessa, Aquele que lhes trouxe do Egito pois estes conheciam o Deus da Escritura e se viam como os filhos da promessa. Eles entendiam que Deus se revelou a seus pais. Que interagiu com seu povo ao longo da história. Que lhes deixou as Escrituras.

Ao segundo grupo Paulo lhes fala sobre o Deus das promessas e da história de Israel mas, como havia entre eles gentios, lhes fala também do Messias que há de vir para a salvação de todo aquele que crê. Percebemos aqui neste texto que Paulo apresenta-lhes o evangelho com fortes evidências escriturísticas, para os judeus, além de um forte apelo moral e escatológico, para os gentios judaizantes.

Ao terceiro grupo, puramente gentílico, o Messias que há de vir não lhes transmitia nenhuma mensagem aplicável à sua história, pois era visto tão somente como o Messias Judeu. Eles não tinham as Escrituras que O revelavam nem as promessas e alianças. Eles não se enxergavam como filhos da promessa e não se identificavam com Abrão e Moisés. Porém eles se viam como os filhos da Criação. Possuíam tremenda atração pelas obras criadas e fascinação pela figura do Criador. Eram caçadores de respostas, estudiosos da religiosidade, qualquer religiosidade. Portanto, Paulo lhes pregou o Deus da criação, aquele que era antes da própria natureza, que detém o poder de fazer surgir, e mantém a humanidade e o cosmos. Ele lhes fala demoradamente sobre os atributos deste Deus que é único, soberano, próximo e perdoador. Finalmente lhes fala de Jesus como o centro do plano salvífico de Deus, apresentando-O como o Messias para toda a humanidade.

Algumas conclusões a partir do modelo Paulino de exposição do evangelho, em relação à contextualização da mensagem.



1. A mensagem, em um processo de comunicação contextual, jamais deve ser diluída em seu conteúdo. A fidelidade às Escrituras deve ser nossa prioridade à semelhança de Paulo que falou da ressurreição de Cristo no areópago, mesmo sabendo que seria um tema controverso para a crença filosófica presente.



2. O público alvo, seus pressupostos culturais, língua e entendimento sobre Deus são fatores relevantes para a apresentação do evangelho. Paulo não pregou a Cristo da mesma forma aos três grupos. Sua sensibilidade ao ouvinte conduziu sua abordagem.



3. O uso de simbologias culturais explicativas das verdades bíblicas podem ser utilizadas desde que apresentem claramente a relevância do evangelho. Paulo fez isso utilizando o “deus desconhecido” partindo de um elemento sócio-cultural para expor, com clareza, a verdade do evangelho. Em outros momentos ele o fez a partir da criação, do contraste entre Deus e os deuses adorados e do próprio sentimento humano de desencontro com a vida e perdição.



4. O evangelho deve ser explicado a partir de si mesmo e não da cultura. O conteúdo do evangelho não é negociável. Quando Paulo fala aos judeus sobre o Messias e lhes apresenta Jesus, ele estava ali em uma linha “segura” de comunicação contextualizada. Porém, seu desejo por criar uma atmosfera propícia para a comunicação não fez com que minimizasse as verdades mais confrontadoras, que o levariam a ser expulso, ignorado e questionado.



5. O alvo final da apresentação da mensagem é levar o homem ao conhecimento de Cristo e não simplesmente comunicar. A comunicação de Paulo pavimentava o auditório para a apresentação da verdade, tanto para os filhos da promessa quanto para os filhos da criação.



6. A contextualização da mensagem, lingüística e culturalmente, é um instrumento para uma boa comunicação, que transmita o evangelho de forma clara e compreensível. Paulo a utilizava abundantemente ao falar distintamente a judeus e gentios, escravos e livres, senhores e servos. Também Jesus, ao propor transformar pescadores em pescadores de homens, ao utilizar em seus sermões a candeia que ilumina, a semente lançada em diferentes solos, o joio e o trigo no mesmo campo, a dracma que se perdeu, as redes abarrotadas de peixes, o fez para que o essencial da Palavra chegue de maneira inteligível para a pessoa, sociedade e cultura que o ouve.



7. O resultado esperado da apresentação contextualizada do evangelho é o arrependimento dos pecados e sincera conversão. Qualquer apresentação do evangelho que leve o homem a sentir-se confortável em seu estado de pecado é certamente inconclusiva e parcial. Paulo deixa isto bem claro quando lhes expõe um evangelho libertador e transformador.



Critérios bíblicos para a contextualização



Tippett[8] enfatiza que quando um povo passa a ver Jesus como Senhor pessoal, e não como um Cristo estrangeiro; quando eles agem de acordo com valores cristãos aplicados à própria cultura vivendo um evangelho que faz sentido à sua cosmovisão, quando eles adoram ao Senhor de acordo com critérios que eles entendem, então teremos ali uma igreja entre eles.

Apesar de o evangelho ser supra cultural e atemporal, para todos os povos em todos os tempos, cada cultura, em si, possui uma fórmula própria de elaboração de perguntas a serem respondidas pela Palavra. A sensualidade é condenada pela Bíblia, mas cada povo desenvolve uma compreensão cultural distinta do que é ou não sensual. Nos Bassari do norte do Togo a parte observada como de maior sensualidade no corpo de uma mulher é seu antebraço que, portanto, precisa ser devidamente coberto. Esta mesma mulher anda com seus seios expostos sem que isto cause constrangimento ou evoque um comportamento sensual nos que a observam. A contextualização da mensagem é um processo necessário para que a mesma seja transmitida com fidelidade.

Podemos exemplificar pensando na figura de um homem ocidental urbano com pneumonia. No ocidente tal enfermidade é tratada de acordo com o conhecimento acumulado sobre a enfermidade e a história prescrita de cura. A pergunta que surge, portanto, é apenas como tratá-la. No contexto africano, a principal pergunta a ser debatida não é como, mas sim porque. A causa da enfermidade é a questão mais relevante e nenhuma ação será tomada até que haja uma iniciativa na direção de se produzir esta resposta. Trata-se uma mesma enfermidade objetiva, gerada pelos mesmos mecanismos biológicos, mas com abordagens culturais distintas. A compreensão das perguntas que inquietam os corações é fundamental para a proclamação do evangelho de forma decodificada e transformadora.

Se fecharmos os olhos para a necessidade da contextualização iremos comprometer o conteúdo do evangelho na transmissão do mesmo. Possivelmente passaremos adiante apenas sinais sem significados que produzirão valores sincréticos e não bíblicos.

Devemos, porém, perceber que a contextualização não possui valor em si mesma[9]. Seu valor é proporcional ao conteúdo a ser contextualizado. Nielsen afirma que a Umbanda no Brasil é a forma mais perfeita de contextualização de valores religiosos. Trazida pelos escravos moldou-se ao Catolicismo europeu, forneceu uma mensagem pessoal e informal, gerou células que ganham vida de forma independente e cria cenários atrativos para novos adeptos. Portanto a pergunta não é apenas como contextualizar, mas especialmente o que contextualizar. O valor está no evangelho. A contextualização é a ferramenta.

Na tentativa de avaliar a compreensão (e transformação) do evangelho em um contexto transcultural, ou mesmo culturalmente distinto, há algumas questões que deveríamos tentar responder perante um cenário onde a mensagem bíblica já foi pregada:

Eles percebem o evangelho como sendo uma mensagem relevante em seu próprio universo?


Eles entendem os princípios cristãos em relação à cosmovisão local?


Eles aplicam os valores do evangelho como respostas para os seus conflitos diários da vida?

Contextualizar o evangelho é traduzi-lo de tal forma que o senhorio de Cristo não será apenas um princípio abstrato ou mera doutrina importada, mas um fator determinante de vida em toda sua dimensão e critério básico em relação aos valores culturais que formam a substância com a qual experimentamos o existir humano.

Para que isto aconteça é necessário observar alguns critérios para a comunicação do evangelho:



1. Toda comunicação do evangelho deve ser baseada nos princípios bíblicos não sendo negociada pelos pressupostos culturais das culturas doadoras e receptoras do mesmo. Entendo que a Palavra de Deus é tanto transculturalmente aplicável quanto supraculturalmente evidente e relevante. É, portanto, suficiente para todo homem, seja o urbano ou o tribal, o passado ou o presente, o acadêmico ou o leigo.


2. A comunicação do evangelho deve ser uma atividade realizada a partir da observação e avaliação da exposição da mensagem que está sendo comunicada. O objetivo desta constante vigilância é propor o evangelho de forma que possa ser traduzido culturalmente fazendo sentido também para a rotina da vida daquele que o ouve. É necessário fazer o povo perceber que Deus fala a sua língua, em sua cultura, em sua casa, no dia-a-dia.



3. A rejeição do evangelho não deve ser vista, em si, como equivalente à má contextualização. O confronto da Palavra com a cultura ocorrerá, assim como a rejeição da mensagem bíblica.


4. Ao elaborarmos a abordagem na apresentação do evangelho deve-se partir da Bíblia para a cultura e não o contrário.
Não interessa o que mais um plantador de igrejas faça, ele precisa proclamar o evangelho. Trabalho social, ministério holístico e compreensão cultural jamais irão substituir a clara comunicação do evangelho nem justificar a presença da Igreja. O conteúdo do evangelho exposto em todo e qualquer ministério de plantio de igrejas deve incluir:




a) Deus como Ser Criador e Soberano (Ef. 1:3-6);




b) O pecado como fonte de separação entre o homem e Deus (Ef. 2:5);




c) Jesus, Sua cruz e ressurreição como o plano histórico e central de Deus para redenção do homem (Heb. 1:1-4);




d) O Espírito Santo como o cumprimento da Promessa e encarregado de conduzir a Igreja até o dia final.

Resumindo, precisamos conciliar a sensibilidade e interesse cultural com uma teologia bíblica que fundamente o ministério. Se uma sugestão pudesse ser dada seria esta: reavaliarmos nossa atividade evangelística e eclesiástica à luz daquilo que é teologicamente fundamentado e não apenas praticamente frutífero, seja do ponto de vista da comunicação da mensagem ou da formação da igreja. Ao mesmo tempo observar se a mensagem bíblica está sendo compreendida lingüística e culturalmente. Se é observada como algo aplicável e relevante para quem a ouve. Palavra de Deus para o homem.

Colhemos hoje frutos amargos do nominalismo cristão e do sincretismo religioso que germinaram a partir de um enfraquecimento da centralidade da Palavra durante o trabalho de comunicação do evangelho. As justificativas históricas para tal quase sempre orbitaram entre dois pontos: a ênfase puramente na justiça social e a procura por uma comunicação culturalmente mais sensível. Porém se cremos que Deus é o Criador e Senhor da história, dos povos, das línguas e culturas, precisamos crer que Sua Palavra não é apenas verdadeira, mas também fomentadora de justiça (libertando os fracos e oprimidos) e também comunicável ao coração de todo homem, e destinada a todo homem.

Paralelamente também colhemos frutos amargos pela ausência de compreensão cultural na apresentação de Cristo. Os frutos são os mesmos: nominalismo cristão e sincretismo religioso. Ou seja, a falta de compreendermos Cristo levará um grupo a adaptar-se aos rituais cristãos sem que estes tenham qualquer outro valor além do simbólico, que é o nominalismo. Um outro grupo, na busca de maior significado na mensagem não compreendida do evangelho o misturará com elementos de sua religiosidade que possuam ampla compreensão, que é o sincretismo. Olhando as frentes missionárias despreocupadas com a contextualização encontraremos, abundantemente, templos de cimento para culturas de barro, pianos de calda para povos dos tambores, terno e gravata para os de túnica e turbante, sermões lineares para pensamentos cíclicos, sapatos engraxados para pés descalços. Tão ocupados em exportar nossa cultura nos esquecemos de apresentar-lhes Jesus, Deus encarnado, totalmente contextualizado, luz do mundo.

Uma última palavra sobre o sincretismo religioso. No meio missiológico mundial é perceptível que este é o tema que produz insones debates a procura de propostas de abordagem. A pergunta é: o que fazer com uma igreja sincrética ? Que atitude tomar quando esta igreja sincrética é a única, ou mais expressiva, igreja evangélica em uma região, etnia ou país ? Angola, Moçambique e tantos outros países do mundo são o palco de debates e estudos missiológicos a procura de soluções bíblicas para uma igreja, em sua grande expressão sincrética. Alguns missiólogos, desmotivados com as propostas infrutíferas no combate a este mal, já chegaram a sugerir que devemos investir na próxima geração, em tais situações. Ou seja, não há muito a fazer. Tradicionalmente o investimento no ensino da Palavra e tentativa de treinamento de líderes maduros tem sido a proposta missionária para contextos sincréticos. Pessoalmente creio que devemos tratar o cristão envolvido em sincretismo como um incrédulo, de certa forma. Ou seja, procurar mantê-lo por perto, atraído pelo que conhece ou deseja conhecer do evangelho, e ensinar-lhe a Palavra. É certo que evangelizar e amadurecer na Palavra uma igreja sincrética é tarefa muito mais árdua do que plantar uma nova igreja. Porém creio que não devemos olhar para estes como uma geração perdida mas sim uma tarefa inacabada. Os principais cenários de sincretismo mundial surgiram a partir da retirada inesperada de missionários quando estes plantavam igrejas, ainda em seus primórdios. Muitas vezes expulsos do país que atuavam pelas guerras, política, fanatismo religioso e assim por diante. Ou mesmo pela abundância de evangelistas e carência de mestres e discipuladores na equipe que plantava igrejas. O fato é que, em sua maioria, quero crer, a razão provocadora de uma igreja imatura e sincrética advém da falta de ensino alheio aos desejos iniciais dos plantadores de igrejas. Obviamente não inclua aqui as iniciativas cristãs sincréticas em si, com teologia pluralista, mercantilista, não revelacional e não dogmática. Falo sobre movimentos sérios, bem embasados e com boa teologia bíblica. Neste caso vale a pena investir um pouco mais. Ensinar um pouco mais. Desenvolver uma equipe missionária voltada para o ensino da Palavra. Uma igreja sincrética, bem como uma comunidade pagã, pode igualmente ser transformada pelo poder do evangelho.


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[1] Mt 24:14
[2] “kerychtesetai”: e será proclamado de forma inteligível
[3] “martyria” (testemunho) indica uma ação informal de vida enquanto “kerygma” (proclamação) pressupõe uma pregação mais sistemática do evangelho
[4] Reformed Church Publications. Toronto 1937
[5] Soren Aabye Kierkegaard (dinamarquês do século XIX, que é conhecido por ser o pai do existencialismo1813 - 1855) foi um teólogo e um filósofo
[6] O pacto de Lausanne (Lausanne, Suíça, 1974) é formado por 15 declarações com fundamentação bíblica que manifestam a soberania de Deus, Sua revelação dogmática e Seu propósito na terra. Pode ser lido integralmente no endereço www.lausanne.org em Português e Inglês.
[7] Os judeus se viam como filhos da promessa de Deus a Abraão, em uma visão profética vetero-testamentária. No NT, entretanto, toda a Igreja é identifcada como “filhos da promessa” (Rm 9.8; Gl 4.28), “filhos do reino” (Mt 13.38) e “filhos da luz” (Lc 16.8; Ef 5.8)
[8] Tippett, Alan. 1971. Bibliography for Cross-Cultural Workers. Pasadena. William Carey
[9] Veja Nicholls, Bruce J. 1983. Contextualização: Uma Teologia do Evangelho e Cultura. Trad.: Gordon Chown. São Paulo: Sociedade Religiosa Edições Vida NovaÚltima atualização em Sex, 26 de Novembro de 2010 11
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terça-feira, 5 de julho de 2011

COMO SER UMA IGREJA MISSIONÁRIA E IMPECILHOS DA OBRA MISSIONÁRIA DENTRO DA IGREJA LOCAL


Marta Carriker

Ser igreja missionária é vital! Afinal, é parte da natureza da igreja ser missionária, isto é, enviada por Jesus a todo o mundo (Mateus 28: 18-20). Mas, o que queremos dizer aqui sobre como ser igreja missionária se refere a como levar a igreja a ssumir seu papel não somente na vizinhança, Jerusalém e Judéia, mas também ir além, Samaria e mais longe, pensar nos “confins da terra” que são também parte de nosso chamado.
Participar no movimento missionário a partir do Brasil e no grupo daqueles que já têm enviado, já têm ido e até voltado de campos mais distantes significa estar atento ao que Deus tem realizado entre nós.
Se sua igreja ainda não participa, podemos pensar em algumas sugestões para que isso aconteça: orar por missões, conhecer sobre missões e criar estruturas que facilitem a participação.
Acredito que o primeiro passo para despertar a igreja para missões seja orar por missões. Já vi isto acontecendo em mais de uma igreja. Alguém com visão missionária decide expor a igreja ao mundo além de suas quatro paredes. Talvez essa pessoa conheça um missionário e pede à igreja que ore por ele. Essa pessoa também começa a falar sobre o que Deus está fazendo em diversos lugares, procurando se informar. Logo, ela pede ao pastor para formar um grupo de oração por missões e está assim plantada a semente do envolvimento. Ao orar pelo campo missionário, pelos missionários e por aqueles que estão sendo alcançados, a igreja já está participando em missões no sentido que damos aqui. Algumas vezes, a participação em oração acontece no culto, o que é muito interessante porque envolve toda a congregação. Outras vezes é mais forte entre alguns membros, que se dedicam a esta interceção.
Para poder orar por missões, é necessário se informar e este é outro passo para a igreja. A igreja que nada sabe sobre este assunto pode não ter nenhum interesse nele. A partir de informações atuais, sobre o que Deus está fazendo hoje no mundo todo, e de atividades pedagógicas como estudar sobre o movimento missionário, aprender sobre o livro de Atos, ou entender o que o resto da Bíblia fala sobre missões, os membros passam a ver o envolvimento em missões como parte integrante do que Deus tem para todos nós realizarmos.
Uma vez que a igreja tenha conhecimento do que Deus está realizando no mundo, é importante criar oportunidades para que não somente ore por missões, mas participe mais ativamente, enviando missionários ou indo até o campo. As estruturas que auxiliam nesse momento são comitês de missões, agências missionárias ou outros grupos da denominação que promovem missões mas podem ser desconhecidos da igreja. Estabelecer estas estruturas, conhecer as que já existem e descobrir como participar no envio de missionários são o passo necessário para a plena participação. Alguns ajudarão no envio, outros apoiarão ativamente da igreja no cuidado dos missionários, alguns visitarão o campo missionário e alguns serão especialmente chamados e escolhidos para serem os missionários enviados. Uma igreja pode começar sustentando missionários que já estão no campo, mas deve sempre estar aberta para o que Deus está fazendo em seu próprio meio, para identificar, treinar e enviar aqueles que Deus designar.
Sobre impecilhos na igreja, geralmente são de ordem financeira. Por falta de visão, alguns membros vão se opor ao envio de missionários, achando que vão faltar recursos para o trabalho local. Acredito que todos possamos passar por momentos de dificuldades financeiras, mas não somos chamados a realizar o que Deus determinou somente quando sobra dinheiro. De fato, Jesus nos diz para buscar o Reino de Deus e a sua justiça em primeiro lugar e nos promete que nos dará aquilo do que temos necessidade. Por isso, não se envolver em missões por este motivo é inverter nossas prioridades, garantir que sua necessidade seja suprida primeiro para depois pensar no Reino, o que geralmente não chega a acontecer. Quando nos voltamos para dentro, só pensando em nós, uma dificuldade que ocorre comumente é que os membros da igreja acabam se envolvendo em brigas e divisões que não agradam a Deus. Quando olham para fora, para o objetivo que Deus coloca em seus corações, muitas vezes se unem, num esforço comum, que ajuda a superar as dificuldades financeiras. Mas, para que isso aconteça, precisam de uma vida de oração, visão e coragem para ser tudo o que Deus deseja que sejam.

Marta Carriker

sexta-feira, 1 de julho de 2011

JANELA 10/40 O MAIOR DESAFIO MISSIONARIO DO MUNDO


Segue-se abaixo algumas informações sobre o mundo atual. Essas informações servirão como um ponto de partida para você que está começando a se envolver com missões. Creio também que poderá lhe ajudar a ter uma visão maior do Reino de Deus, que não está limitado àquilo que vemos e sentimos. A visão de Deus é Universal. Para entendê-la melhor é necessário conhecer a necessidade do mundo, pois Jesus veio para salvar o que se havia perdido. Então, o que está perdido e o que precisa ser encontrado? O que precisamos fazer para mudar esse triste quadro? Que quadro? O mundo atual. Pense reflexivamente sobre isso.
É a região entre o Atlântico e o Pacífico, e entre os paralelos 10 e 40 de latitude norte, onde vive a maior população mundial com menos oportunidade de ouvir o evangelho.
Os países são: - ÍNDIA Evangélicos 1% – MAURITÂNIA Evangelicos 0 % – SUDÃO Evangélicos 3% – AFEGANISTÃO Evangélicos 0,02% – JAPÃO Evangélicos 3% – GUINÉ-BISSAU Evangélicos 1,2% – KUWEIT Evangélicos 0,5 % – BANGLADESH Evangélicos 0,2 % – BUTÃO Evangélicos 0,03 % – ARÁBIA SAUDITA Evangélicos 0,007% – GUINÉ Evangélicos 0,75 % – TAILÂNDIA Evangélicos 0,3 % – NIGER Evangélicos 0,1 % – KIRGHIZISTÃO Evangélicos 0,003 % – IRÃ Evangélicos 0,05 % – BUKINA-FASO Evangélicos 3 % – MALI Evangélicos 0,9 % – AZERBAIDJÃO Evangélicos 0,003 % – BENIM Evangélicos 2 % – INDONÉSIA Evangélicos 6 % – LAOS Evangélicos 1,9 % – SAARA OCIDENTAL Evangélicos 0% – EGITO Evangélicos 0,8 % – UZBKISTÃO Evangélicos 0,001 % – NEPAL Evangélicos 0,5 % – EMIRADOS ARABES Evangélicos 0,7 % – ALBÂNIA Evangélicos 5 % – MARROCOS Evangélicos 0,01 % – IRAQUE Evangélicos 0,5 % – SRI LANCA Evangélicos 0,9 % – ISRAEL Evangélicos 0,35 % – TADJIKISTÃO Evangélicos 0,001 % – CHINA Evangélicos 4 % – DJIBUTI Evangélicos 0,03 % – LEMEN Evangélicos 0,01 % – VIETNÃ Evangélicos 0,6 % – FORMOSA Evangélicos 3 % – BAHREIN Evangélicos 1,5 % – BRUNEI Evangélicos 0,06 % – LÍBANO Evangélicos 4,3 % – CATAR Evangélicos 0,007 % – TURKOMENISTÃO Evangélicos 0,001 % – ETIOPIA Evangélicos 10 % – BISMÂNIA Evangélicos 4% – TIBET Evangélicos 0,02 % – ARGÉLIA Evangélicos 0,01 % -LÏBIA Evangélicos 0,1 % – MALÁSIA Evangélicos 2 % – OMÃN Evangélicos 0,1 % – CAZAQUISTÃO Evangélicos 0,004 % – TUNÍSIA Evangélicos 0,001 % – CAMBOJA Evangélicos 0,05 % – TURQUIA Evangélicos 0,03 % – COREIA DO NORTE Evangélicos 0,5 % – SOMÁLIA Evangélicos 0,01 % – PAQUISTÃO Evangélicos 0,5 % – NIGÉRIA Evangélicos 17 % – MALDIVAS Evangélicos 0,1 % – JORDÂNIA Evangélicos 0,4 % – SENEGAL Evangélicos 0,1 % – SIRIA Evangélicos 0,1 % – MONGÓLIA Evangélicos 0,1 %.


Creio que a busca de recursos e estratégias para alcançar os países da Janela 10/40 seja um dos assuntos mais abordados pelas igrejas, agências missionárias e organizações que se interessam em fazer parte da grande comissão.
Chamamos essa região de Janela 10/40, porque está localizada entre os paralelos 10/40 do globo terrestre, um espaço comparado a uma janela retangular, que se estende desde o oeste da África até o leste da Ásia. Os países dessa região são considerados o “Cinturão da Resistência”, ou seja, um número expressivo de povos não alcançados pelo evangelho. Ao todo são 62 países localizados na Janela 10/40. O maior desafio missionário dos últimos tempos. Para você que está iniciando um departamento missionário em sua igreja é necessário conhecer um pouco dessa realidade.
É justamente nessa região onde acontece o maior número de guerras e tragédias no mundo. Lá também, está o maior índice de analfabetismo e mortalidade infantil. Ali está o berço do mundo, onde há três religiões que crescem muito: Budismo, Islamismo e Hinduísmo.
Por isso, estarei focalizando, no último capítulo deste livro, as necessidades dos países da Janela 10/40, com algumas estatísticas recentes sobre o número de cristãos, índice de analfabetismo, mortalidade infantil, renda per capita e outras. A fim de que você possa conhecer um pouco da realidade do mundo atual e através dessas informações mobilizar sua igreja para orar mais detalhadamente por esses países.
As três religiões da Janela 10/40
Budismo, Islamismo e Hinduísmo são as três religiões que mais crescem nesses países. Religiões que anualmente têm matado milhares de pessoas e adeptos, por causa das facções existentes entre eles mesmos e da perseguição causada contra os cristãos residentes nessas áreas de risco. Ali ter a liberdade de expressão e adorar ao Deus verdadeiro é quase uma blasfêmia contra as ideologias pregadas pelos líderes dessas religiões. Vejamos abaixo um pouco sobre os fundamentos dessas religiões.
Budismo
Foi fundado na Índia, por volta do século VI a.C. por um pregador chamado Buda. Em várias épocas, o budismo tem sido a força religiosa, cultural e social dominante na maior parte da Ásia, especialmente na Índia, na China, no Japão, na Coréia, no Vietnã e no Tibet. Em cada região, o budismo combinou-se com elementos de outras religiões, como o hinduísmo e o xintoísmo. Atualmente, o budismo tem cerca de 613 milhões de adeptos no mundo. A maior parte deles vive em Sri-Lanka, nas nações do interior do Sudeste da Ásia e no Japão.
As Crenças do Budismo
Todos os budistas têm fé em:
1 – Buda;
2 – Em seus ensinamentos, chamados de “Darma”;
3 – Na comunidade religiosa que ele fundou, chamada “Sanga”.
Os budistas chamam Buda, Darma e Sanga de os Três Refúgios ou as Três Jóias.
BUDA- Nasceu por volta de 563 a.C. no Sul do Nepal. Seu nome verdadeiro era Sidarta Gautama. Era membro de uma rica e poderosa família real. Com cerca de 29 anos, Gautama convenceu-se de que a vida estava cheia de sofrimento e tristeza. Essa convicção o levou a abandonar a esposa e o filho recém-nascido, e procurar a iluminação religiosa como monge viajante. Depois de percorrer o nordeste da Índia por aproximadamente seis anos, Guatama teve a iluminação. Ele acreditou ter descoberto a causa de a vida estar cheia de sofrimento e como o homem poderia escapar dessa existência infeliz. Após outras pessoas terem tomado conhecimento de sua descoberta, passaram a chamá-lo de Buda, que significa “o iluminado”.
Islamismo
A palavra Islamismo significa submissão a Deus, e muçulmano é aquele que segue as leis islâmicas. A revelação do islamismo foi dada a Maomé, que é reverenciado pelos muçulmanos como o maior profeta. Maomé não é apenas um nome, mas um título – “Aquele que é adorado”.
A vida de Maomé
Maomé nasceu em 570 d.C., em Meca, uma cidade da Arábia. Seu pai morreu antes do seu nascimento. Era membro do clã Hashim e de uma poderosa tribo Quraysh. A mãe de Maomé morreu quando ele tinha apenas seis anos de idade. Maomé foi viver com o avô, que era guardião de Ka’aba. Tristemente, dois anos depois, seu avô também morreu e desde a idade de 8 anos Maomé foi criado por seu tio, Abul Talib, que era um mercador nas rotas de camelos mercantes.
Cresceu durante uma época de insegurança econômica e descontentamento com as diferenças entre os muito ricos e os pobres. A adoração a deuses pagãos era muito comum na Arábia. Estima-se que existiam cerca de 360 deuses a serem aplacados, com mais de 124.000 profetas conhecidos. Consta nos arquivos da história muçulmana que, desde menino, Maomé detestava a adoração aos ídolos e que levava uma vida moral pura.
Maomé foi empregado por Khadija, uma rica viúva, para administrar a caravana mercante. Ficou conhecido como “Al-Amin” , o “Digno de Confiança”, e foi um proeminente membro da associação mercante de Meca.
Aos 25 anos casou-se com Khadija com quem teve 6 filhos; todos morreram, menos a filha caçula – Fátima. Maomé e Kahadija ficaram casados 25 anos. Mais tarde, depois da morte de Khadija, Maomé aprovou a poligamia e casou-se com várias mulheres.
Aos 40 anos, ficou muito preocupado com a situação de seus compatriotas e gastou muito de seu tempo em meditação sobre assuntos religiosos. Durante sua vida, Maomé conheceu muitos cristãos, sacerdotes e judeus. Muitas vezes, buscou conselho de um monge jacobino que lhe ensinou vários aspectos dos costumes religiosos judaicos.
Durante o mês de Ramadam, Maomé retirava-se para uma caverna na encosta do Monte Hira, a três milhas de Meca. Foi durante uma dessas ocasiões, que ele começou a receber revelações e instruções que acreditava serem do arcanjo Gabriel. Estes escritos formam a base do Alcorão.
Junto com o Alcorão, há o livro de Hadiths. Nele contém os ensinos de Maomé, e é tão importante quanto o Alcorão em todas as áreas da vida do muçulmano.
Maomé declarou que o Alcorão era a revelação final e superior do único e supremo Deus. Proibiu a adoração aos ídolos e ensinou que a vida do muçulmano deve ser completamente submissa a Alá, com abluções rituais antes das cinco orações diárias, voltados para Meca. A sexta-feira tornou-se o dia separado para adoração conjunta na mesquita.
O Hinduísmo
A origem do hinduísmo se encontra num sincretismo que vem a ser um confronto entre o hinduísmo e o islamismo, e inaugura uma nova fase no desenvolvimento religioso na Índia. É resultante de tentativas de fusão das religiões dominantes, trazidas para a Índia há mais de três mil anos, por povos cuja origem é incerta e cujas crenças já existiam.
O hinduísmo prega a existência de um número imenso de deuses, embora considere Brama o primeiro grande deus, de onde provêm outros milhares de deuses. Quanto à origem dos seres e do próprio Brama, segundo o ensinamento do hinduísmo, havia antes um mundo submerso na escuridão; sem atributos, imperceptível ao raciocínio, não revelado e como que entregue inteiramente ao sono. Além de Brama existem Sirva e Vishnu, os quais formam a trindade hindu.
No hinduísmo, a natureza dos deuses é muito variável, isto é, determinado deus pode ser bondoso ou favorável numa circunstância e violento e cruel em outra. Vishnu é tido como conservador e Sirva como destruidor, podendo ambos tomar formas diferentes e terríveis. Em relação aos animais, as crenças hinduístas são complexas: a vaca sem exceção das diferentes seitas, é considerada sagrada, não pode ser morta nem comida. O rato, por exemplo, é considerado deus e come comida suficiente para alimentar toda a população do Canadá.
Até o começo deste século, alguns ramos do hinduísmo ofereciam aos deuses sacrifícios humanos.
Viver é sofrer – Sentimento idêntico ao do budismo – e deixar de viver é alcançar a paz eterna do nirvana, contínuo renascer; para muitos hinduístas há uma lei fatal, a lei do Karma ( destino ). Hoje existem cerca de 716 milhões de hindus no mundo e eles possuem estratégias como: meditação transcendental, yoga, pensamento nova era e krishna.
Diante dessa tão triste realidade, cabe a nós como igreja nos levantarmos para fazer algo por tanta gente que tem vivido debaixo do jugo de satanás através das religiões, que não seguem o termo original da palavra: religar. Mas ao contrário disso, distancia a raça humana de Deus. Como igreja temos a função restauradora de trazer de volta o relacionamento do homem com Deus. Para isso, precisamos saber como se encontra o homem e como podemos nos posicionar, levantar e fazer um trabalho de adoção daqueles que são órfãos espirituais, ou melhor, daqueles que precisam conhecer o verdadeiro amor de Deus