"“Muitos crentes consagrados jamais atingiram os campos missionários com seus próprios pés mas poderão alcança-los com seus joelhos” (Adoniran Judson)”"

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

DEUS RESPONDE - QUANDO A IGREJA ORA A ORAÇÃO MISSIONÁRIA


Eu me sinto muito feliz em poder estar descrevendo algo que aconteceu há 282 anos, 4 meses e 17 dias. Portanto, exatamente no dia 13 de agosto de 1727. Ninguém sabe explicar exatamente o que aconteceu... Foi entre os morávios, um grupo de refugiados checos que estavam na Saxônia, Alemanha, precisamente no condado de Nicolas Von Zinzendorf.

Foi ali que, durante uma reunião de oração, o Espírito de Deus desceu de forma tão extraordinária que mudou os rumos da História, mudou o mundo. Naquele dia e local teve início a mais extensa reunião de oração de todos os tempos que durou nada menos do que 10 anos! Cerca de seis anos após essa maravilhosa visitação do Espírito Santo, Zinzendorf, esteve na coroação do rei da Dinamarca e encontrou um irmão do Caribe que lhe falou da enorme carência espiritual dos africanos. Quando Zinzendorf retornou ao condado e compartilhou com os irmãos morávios sobre o que se passava na África, dois deles, imediatamente deixaram o grupo e caminharam até Hamburgo com o objetivo de embarcar o mais rapidamente possível para o Caribe. Os morávios pagaram sua viagem trabalhando no navio e, uma vez no destino, venderam-se como escravos. Tornaram-se escravos junto com os negros da África para poderem evangelizá-los e, até a morte de Von Zinzendorf, aquele pequeno grupo de irmãos, tinha enviado 226 missionários.

Quando eu penso no que o Brasil poderia fazer se Deus derramasse aqui o Seu Espírito, como naquele 13 de agosto! É impossível imaginar o que aconteceria neste mundo... Em 1784, Northingham, Inglaterra, um irmão chamado J. Sutteliff apelou aos membros da Associação Batista para que se comprometessem num pacto de oração. Começaram, então, reuniões de jejum e oração resultando num avivamento que fez William Carey sentir que não podia mais ficar na Inglaterra, mas que deveria partir para a Índia. Sabe o que mais influenciou William Carey, para que tomasse tal decisão? Foi a leitura da biografia de David Brainard – um missionário entre os índios de New Jersey, Pensilvânia – num pequeno jornal. Em 1806, em Massachussets, um pequeno grupo de jovens (5 ou 6) do Colégio Williams, que se reuniam regularmente para orar por Missões (e não temos notícia de nenhum impulso missionário, na região, por volta de 1806), foram surpreendidos por uma tempestade e se refugiaram do aguaceiro em baixo de um monte de feno. Ali nascia aquela que se tornou a mais famosa reunião de oração de todos os tempos, o chamado “Haystack Praymeeting”. E naquele dia aqueles jovens oraram e decidiram que não deveriam pedir que outros fossem, mas que eles próprios partissem para o campo missionário. Naquele pequeno grupo de universitários estava Adoniram Judson, o primeiro missionário da América do Norte, que eu saiba.

Adoniran Judison


Em 1879, um irmão chamado Luther Wishart, se ajoelhou diante do monumento erigido para marcar o local do Haystack Praymeeting e fez um pedido: “Senhor faça de novo o que fizeste em 1806!”. E a partir desse dia começou um movimento que segundo o Dr. James McCosh, presidente da Universidade de Princeton, mais marcaram a América. Vejam o que está registrado acerca dos resultados daquela reunião de oração promovida pelo irmão Wishart: “Nunca ouve, desde o Pentecostes, uma apresentação para Missões de homens e mulheres que se compare com esta. Apenas nas universidades e escolas bíblicas reuniram-se mais de 100 mil cartões de compromisso para Missões”. E isto, de universitários e não de pessoas velhas das igrejas sem condições, sequer físicas, para partir. Eram pessoas com liberdade para ir. Desses 100 mil, mais de 20 mil, mais de 20 mil tornaram-se missionários transculturais. Saíram do seu país para evangelizar.
Esta foi a declaração que os universitários foram convidados a assinar... Será que os irmãos assinariam este compromisso? De fato, é uma série de afirmações que eximem de qualquer culpa os que não querem se envolver em Missões; um documento que nos permite voltar para casa sem nenhum compromisso. Vejam abaixo as afirmações que foram apresentadas àqueles universitários.

1. Eu sou totalmente incapacitado, não posso ir. Não tenho possibilidades. Eu vivo numa cadeira de rodas.
2. Eu não recebi nada, nenhuma graça na minha vida, portanto não posso dar nada.
3. Não gosto desta lei “Ide e pregai o Evangelho a toda criatura”. O poder é centralizado demais.
4. Meu vizinho não está cumprindo esta lei, portanto, eu não preciso cumprir.
5. Estou pedindo isenção PR 20 anos. Preciso de tempo para pensar...
6. Recentemente completei 20 anos pensando e ainda não tenho condições de decidir. Peço mais tempo para pensar.
7. Meu navio embarca de Jope amanhã, portanto, não posso ir.
8. Nunca recebi um chamado de “Chefe”, dizendo que a lei diz respeito a mim. Deve dizer a respeito de outros e não a mim.
9. Uma vez que não sou filho de Deus, segundo João 1.12, não estou sob a jurisdição dessa lei. Estou servindo a outro mestre.

D. L. Moddy pregou na Universidade de Cambridge, em 1882, e eu gostaria muito de ouvir aquele irmão, porque muitos daqueles que ouviram Moody sentiram o chamado para o ministério, inclusive os famosos “Sete de Cambridge”, dentre os quais incluía-se Carlos Studd, cuja biografia recebeu, em português, o título: “O Homem Que Obedecia A Deus”. O livro narra a história de um homem que ao receber sua herança – nada menos que meio milhão de dólares! – simplesmente pegou o talão de cheques e doou tudo para a obra do Senhor. Doou tudo! Não 10% ou 50%, que já seriam importâncias astronômicas, mas, Studd e teve o desprendimento de doar tudo e ainda deu início à Grande Cruzada Mundial de Evangelização.
D. L. Moddy

O pecado da igreja em relação à Missões resume-se na palavra “insensibilidade”. Quando nós somos sensibilizados, quando somos tocados, quando vem aquela compreensão de que pela graça somos endividados, a gente começa a orar. Não precisamos ir a qualquer reunião de oração para saber que pessoas têm pedidos de oração. Estes pedidos são as coisas que nos incomodam e se após a leitura deste texto Deus não te incomodar, tudo voltará à estaca zero. Tudo terá sido como um grande bumerangue que alça vôo chega até perto do Céu, mas acaba voltando sem nada a Terra. Por isso apelo a você, que após a leitura deste texto, faça um voto de que não descansará até que metade do orçamento de sua igreja seja destinada a Missões. Fique orando, fique intercedendo para que o Espírito Santo os leve a fazer isto e, mais, peça a Deus para que a igreja não se omita em mandar 1, 2, ou 200, missionários para os campos ainda brancos da seara.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

A IGREJA DOS MEUS SONHOS

Quando pensamos sobre a Igreja de Antioquia descobrimos que ela era uma igreja que se envolvia com as dificuldades, com os problemas, e eu quero dizer duas coisas aqui.

Primeiro, é envolvimento missionário no sentido de enviar, de treinar, de capacitar. Mas deixe-me falar uma coisa muito importante e peço que, por favor, leiam com atenção. Eu vejo muito claro, no Novo Testamento, um amor muito grande de Paulo pelas igrejas por onde ele tinha passado. Agora, vejam só. Nós somos uma comunidade internacional, amém? Há uma igreja aqui, uma igreja ali. E a nossa igreja no Brasil precisa amar esses irmãos que estão distantes, não é ser paternalista, mas, amar, abençoar...

Será que a igreja no Brasil não tem nada a fazer pelas outras igrejas? E eu não estou falando de mandar missionário para plantar igrejas, mas, missionários que abençoem as igrejas que já existem.

Da história podemos tirar os exemplos de amor pelo Senhor. De trabalho constante, profundo, amoroso. Dela, nós aprendemos que vale a pena sofrermos hoje, de sacrificarmos o nosso conforto, o nosso bem-estar, para alcançarmos vidas. Vale a pena treinarmos eficazmente os nossos obreiros e nos envolvermos plenamente.

Da História nós aprendemos a resistir ao marasmo, a rejeitar o engessamento da instituição. Aprendemos que não é possível salvar esse mundo fazendo apenas manutenção da fé, ou melhor, vivendo sem perspectivas de enfrentamento espiritual sério. Homens foram usados por Deus, não organizações! Homens foram usados por Deus, mas, toda uma Igreja foi mobilizada. Vidas foram tocadas pelo Espírito e atearam fogo nas estruturas mortas, nas estruturas medievais da religião. Deus continua usando vidas, hoje, e procura vidas, pessoas, que paguem o preço por um avivamento que acelera a obra missionária, que paguem o preço por um avivamento que acelere a obra missionária. Talvez hoje e através desta leitura, Deus esteja sarando os nossos corações e ateando fogo santo, que não se apaga, para sermos sacerdotes reais neste mundo pagão e insano. Da eclesiologia, do estudo da Igreja nós aprendemos que estamos debaixo de uma aliança. Uma aliança com Deus, a nova aliança de Cristo, com os mesmo objetivos de Israel, o de ser luz para as nações.

Somos um povo santo, aleluia! Um povo escolhido com propósito definido, de seguir fazendo discípulos, de continuar anunciando e batizando em toda a Terra. Qualquer visão menor do que esta deverá ser rechaçada por todos nós. Somos atalaias. Somos os sacerdotes do Senhor. Somos um povo missionário por natureza, por essência. Nossas comunidades locais precisam acordar do sono profundo. Não há mais tempo para nos preocuparmos apenas com o nosso bairro, com a nossa cidade. O mundo está esperando! E esta não é, apenas, uma frase de impacto, ou que contém uma grandeza inatingível. Absolutamente. Somos um povo missionário por natureza, por essência. Absolutamente. Somos um povo forte porque o nosso Deus é forte. Somos um povo rico, pois o nosso Deus é rico. Somos um povo real, pois o nosso Deus é Rei, Rei de toda a Terra. Somos um Reino de sacerdotes, seguindo o Sumo Sacerdote, Jesus Cristo! Aleluia! E é só essa verdade que nos impulsiona para o trabalho. À nossa frente, hoje mesmo, nós temos nações, povos, sem Deus. Vamos continuar esperando que as agências missionárias façam tudo o que é necessário? Vamos esperar que os nossos candidatos sejam treinados e enviados, somente, pelos nossos Seminários? Vamos esperar que alguém se levante que alguém trabalhe? Não, amados! Chega.

Em nome de Jesus, chega de empurrarmos a nossa responsabilidade para os outros! É tempo de obedecermos a Palavra de Deus, como igrejas locais, e nos envolvermos totalmente. Essa obra não é obra de um só homem e nem de uma só igreja. Esta obra pertence ao povo de Deus, que reconhece o seu lugar, no corpo, e que, munido de seus dons espirituais, segue anunciando a glória de Deus.

Eu sonho com igrejas locais que orem pelos Povos Não Alcançados, os “povos adotáveis”, com igrejas que não se envergonham de se envolver em estratégias de batalhas espirituais.
Eu sonho com igrejas, que enxerguem muito, mas, muito mais longe, do que os limites de sua cidade ou país.

Eu sonho, com igrejas que tenham planos definidos para os seus vocacionados, que se envolvam eficazmente no treinamento desse povo que foi chamado pelo Senhor.

Eu sonho com igrejas fortes, saudáveis, que não tenham medo do sacrifício, da dificuldade, da dor ou do sofrimento.

Eu sonho sim, com igrejas locais que sustentem os seus obreiros, dignamente, sem avareza ou constrangimento, mas com alegria.

Enfim, eu sonho com igrejas locais que sejam basicamente bíblicas. Obedientes à Palavra do Senhor, que venham salgar esta Terra, iluminar os povos, cooperar com as igrejas locais de outras nações, a fim de que o mundo creia.

Acima de tudo, sonho que a unidade do povo de Deus se estabeleça definitivamente. Mesmo respeitando as nossas diferenças históricas, que sejamos “um”.

Competição é saudável no mercado aí fora, no mercado de trabalho. Na Igreja permanece o amor, que nos aproxima, que nos faz sensíveis às alegrias e tristezas do próximo. Compartilho a minha alegria por ver tantos brasileiros preocupados com a obra missionária, e a minha alegria maior, por saber que após esta reflexão estaremos mais comprometidos com Deus. Não com estratégias, não com modelos pré-fixados, mas, comprometidos com o “Senhor da História”, que nos unge para o ministério.

Eu gostaria, em nome de Jesus, de terminar este texto orando, clamando, pedindo perdão à Deus porque muitas das nossas igrejas locais não querem fazer a obra missionária, porque têm medo do trabalho, têm medo de sofrer, têm medo das dificuldades. Porque pastores estão mais preocupados em ter nome do que em tornarem o nome de Jesus conhecido.

É tempo de nos arrependermos, em nome de Jesus.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

APRENDENDO MISSÕES COM OS IRMÃOS MORÁVIOS

Gostaria de fazer uma conexão do movimento missionário no tempo dos irmãos Morávios com o trabalho que fazemos nos dias atuais. Os historiadores dizem que a obediência missionária dos irmãos Morávios era essencialmente alegre e espontânea. Dizem também que cada momento deles era luma celebração. Eles glorificavam ao Senhor cortando uma árvore, eles cantavam construindo suas casas, construindo a sua aldeia, construindo todo aquele movimento, aquela obra de Deus. Havia alegria, havia espontaneidade no coração deles exatamente por causa do senso de obediência. E a minha pergunta hoje, é: “Onde é que está a nossa motivação missionária?”. “Porque as igrejas não estão mobilizadas para Missões?”. Nós somos um povo de reclamação, um povo de murmuração. Nós murmuramos demais. Tudo está ruim, tudo está dificil. A gente tem dificuldade com o culto.
Se o culto demora é “porque demorou”, se o culto é curto “foi curto demais!”. Se o pastor prega muito “ele é chato”, se prega pouco, “esse não sabe falar nada”. Se o pastor visita, “ele não sai da casa dos outros! Ele é inconveniente”. Se não visita, “ele não liga para as ovelhas”. Se o pastor discípula é porque “quer controlar a vida do povo”, se não discípula “ele não é um servo de Deus”. “O banco esta duro...”. “Ai como está quente hoje!”. Meus irmãos é preciso resgatar a alegria no meio do povo de Deus. O culto tem que ser celebração.

O culto tem que ser celebração, nele tem que haver espontaneidade! Uma igreja missionária é uma igreja aberta. Uma igreja missionária é uma igreja que recebe os povos, com suas diferentes culturas e costumes. Uma igreja missionária é uma igreja que ama e que abençoa. É uma igreja que não tem dificuldade de se relacionar porque é uma igreja alegre, é uma igreja feliz, é uma igreja que celebra a Glória de Deus. Você já percebeu que, muitas vezes, nós fazemos o momento da ceia um ato fúnebre? Um dia eu estava orando e disse: “Senhor, por que a gente está tão triste?”. Eu estou feliz porque Jesus morreu na cruz, mas, ressuscitou, então há esperança. O culto tem que ser celebração, tem que ser alegria, tem que ter e ser, vida.

Uma atitude interessante do movimento Morávios é que eles nunca apresentavam os missionários como dignos de notoriedade, nem de admiração pública, jamais os elogiavam nem mesmo a devoção deles ao Senhor. Os missionários não eram apresentados como mártires e perseguidos antes de partirem para o trabalho.
Esta era uma boa maneira de despedir um missionário, aconselhá-los a partir silenciosamente, recomendando as fervorosas orações da igreja. Alegria, seriedade, compromisso. Sem brincadeiras, sem festa humana, mas com festa celestial.

Quão difíceis e, quão diferentes são as coisas nos dias de hoje. Quão triunfalistas nós somos. Saltamos, pulamos dizendo: “Ó, Aleluia! Temos mais um missionário!” “Igreja, este irmão é uma benção, e tal. E a pessoa, então, parte para o campo missionário pensando que lá será recebido assim. Pensando que na hora que chegar lá, vai ter banda e comitê de recepção, que as pessoas irão exaltá-lo... Eu acho tão engraçado quando as pessoas dizem assim: “Este aqui é um grande servo de Deus”. Só se for no tamanho, não é, irmãos? Porque, se é servo, não pode ser grande.

A igreja Moravia tinha um amor, uma paixão constante por Cristo. Na vida de Zinzendorf ele dizia assim: “Eu tenho uma paixão: Ele! Só Ele”. Você já parou para pensar que Jesus é nosso maior amigo?

A igreja missionária é uma igreja que não tem paixão por estatísticas. Não se faz Missões porque nós ficamos sabendo que tem gente morrendo. Fazem-se Missões porque amamos a Jesus. Porque Jesus é fantasticamente maravilhoso; maravilhosamente nosso amigo! Ele quebranta nossa vida. Às vezes, meus amados, eu tenho visto que nossa igreja tem sofrido muito porque não tem vivenciado o amor de Deus. Uma igreja missionária é uma igreja que ama os pecadores independente de quem seja ele. Mesmo sem conhecê-lo, o abraça. Ela vivencia o amor. A igreja missionária é uma Igreja que ama, porque se ela não se ama, se ela intrinsecamente não ama a Deus como é que vai amar ao perdido?

Eu penso que muitas vezes, temos preferido as polpudas estatísticas e preterido a missão amorosa e sacrificial da Igreja. Quantas comunidades tem se dividido por desamor... Não é pelo Espírito Santo não, porque, o Espírito Santo, nunca divide.

A igreja Moravia enfrentava as mais incríveis dificuldades e perigos com uma coragem tremenda. Era interessante porque, a maioria dos missionários, partia como fazedores de tendas e muitos se vendiam como escravos. Para serem escravos numa época de dominação branca faziam-se escravos. E isso impactava as pessoas que se indagavam: “Que bando de loucos é esse?”. Mas, eles enfrentavam a coragem com dedicação. Um dos hinos de um missionário que foi para a Groelândia diz:

“Vamos através do gelo e da neve.
Uma pobre alma perdida, para Cristo ganhar.
Alegres enfrentamos a necessidade e a aflição,
Para o Cordeiro que foi morto apresentar”

Eles dominavam as línguas, naquela época, sem todo este aparato tecnológico, de hoje, porque eles plantavam sua vida no campo.

É motivo de grande preocupação o que está acontecendo hoje em dia. O missionário fica um ano no campo e volta como professor de “Teologia de Missões”. E a igreja fica pensando que Missão é assim mesmo. O missionário chega, conta meia dúzia de experiências: “Ah, eu estive lá na África!” “Comi uma comida, gente!” “Comi macaco, comi insetos, vocês precisavam ver a comida que eu comi lá...!”. “Foi uma coisa terrível, mas comi...!”. “Vocês precisavam ver como foi difícil...” “Quando cheguei ao aeroporto, perdi a mala!”... E esse tipo de missionário volta, e é apresentado à igreja como professor de “Missões”.

Precisamos resgatar os princípios missiológico dos irmãos Morávios. Nós temos de plantar as nossas vidas no campo. Jesus disse, “A semente, caindo na terra, não morreu, ela ficou só; não produziu fruto”. Os missionários Morávios iam para viver lá. Eles iam para adotar aquele povo e viver no meio dele. Misturavam-se às pessoas, andavam com elas, comiam e serviam àquele povo. Ao refletir sobre os Morávios, eu fico pensando que nós temos muito que aprender!

OBRIGADO PELA VISITA. NÃO VÁ SEM DEIXAR SEU COMENTÁRIO NO LINK ABAIXO:

APRENDENDO MISSÕES COM OS IRMÃOS MORÁVIOS



Gostaria de fazer uma conexão do movimento missionário no tempo dos irmãos Morávios com o trabalho que fazemos nos dias atuais. Os historiadores dizem que a obediência missionária dos irmãos Morávios era essencialmente alegre e espontânea. Dizem também que cada momento deles era luma celebração. Eles glorificavam ao Senhor cortando uma árvore, eles cantavam construindo suas casas, construindo a sua aldeia, construindo todo aquele movimento, aquela obra de Deus. Havia alegria, havia espontaneidade no coração deles exatamente por causa do senso de obediência. E a minha pergunta hoje, é: “Onde é que está a nossa motivação missionária?”. “Porque as igrejas não estão mobilizadas para Missões?”. Nós somos um povo de reclamação, um povo de murmuração. Nós murmuramos demais. Tudo está ruim, tudo está dificil. A gente tem dificuldade com o culto.
Se o culto demora é “porque demorou”, se o culto é curto “foi curto demais!”. Se o pastor prega muito “ele é chato”, se prega pouco, “esse não sabe falar nada”. Se o pastor visita, “ele não sai da casa dos outros! Ele é inconveniente”. Se não visita, “ele não liga para as ovelhas”. Se o pastor discípula é porque “quer controlar a vida do povo”, se não discípula “ele não é um servo de Deus”. “O banco esta duro...”. “Ai como está quente hoje!”. Meus irmãos é preciso resgatar a alegria no meio do povo de Deus. O culto tem que ser celebração.

O culto tem que ser celebração, nele tem que haver espontaneidade! Uma igreja missionária é uma igreja aberta. Uma igreja missionária é uma igreja que recebe os povos, com suas diferentes culturas e costumes. Uma igreja missionária é uma igreja que ama e que abençoa. É uma igreja que não tem dificuldade de se relacionar porque é uma igreja alegre, é uma igreja feliz, é uma igreja que celebra a Glória de Deus. Você já percebeu que, muitas vezes, nós fazemos o momento da ceia um ato fúnebre? Um dia eu estava orando e disse: “Senhor, por que a gente está tão triste?”. Eu estou feliz porque Jesus morreu na cruz, mas, ressuscitou, então há esperança. O culto tem que ser celebração, tem que ser alegria, tem que ter e ser, vida.

Uma atitude interessante do movimento Morávios é que eles nunca apresentavam os missionários como dignos de notoriedade, nem de admiração pública, jamais os elogiavam nem mesmo a devoção deles ao Senhor. Os missionários não eram apresentados como mártires e perseguidos antes de partirem para o trabalho.
Esta era uma boa maneira de despedir um missionário, aconselhá-los a partir silenciosamente, recomendando as fervorosas orações da igreja. Alegria, seriedade, compromisso. Sem brincadeiras, sem festa humana, mas com festa celestial.
Quão difíceis e, quão diferentes são as coisas nos dias de hoje. Quão triunfalistas nós somos. Saltamos, pulamos dizendo: “Ó, Aleluia! Temos mais um missionário!” “Igreja, este irmão é uma benção, e tal. E a pessoa, então, parte para o campo missionário pensando que lá será recebido assim. Pensando que na hora que chegar lá, vai ter banda e comitê de recepção, que as pessoas irão exaltá-lo... Eu acho tão engraçado quando as pessoas dizem assim: “Este aqui é um grande servo de Deus”. Só se for no tamanho, não é, irmãos? Porque, se é servo, não pode ser grande.

A igreja Moravia tinha um amor, uma paixão constante por Cristo. Na vida de Zinzendorf ele dizia assim: “Eu tenho uma paixão: Ele! Só Ele”. Você já parou para pensar que Jesus é nosso maior amigo?

A igreja missionária é uma igreja que não tem paixão por estatísticas. Não se faz Missões porque nós ficamos sabendo que tem gente morrendo. Fazem-se Missões porque amamos a Jesus. Porque Jesus é fantasticamente maravilhoso; maravilhosamente nosso amigo! Ele quebranta nossa vida. Às vezes, meus amados, eu tenho visto que nossa igreja tem sofrido muito porque não tem vivenciado o amor de Deus. Uma igreja missionária é uma igreja que ama os pecadores independente de quem seja ele. Mesmo sem conhecê-lo, o abraça. Ela vivencia o amor. A igreja missionária é uma Igreja que ama, porque se ela não se ama, se ela intrinsecamente não ama a Deus como é que vai amar ao perdido?
Eu penso que muitas vezes, temos preferido as polpudas estatísticas e preterido a missão amorosa e sacrificial da Igreja. Quantas comunidades tem se dividido por desamor... Não é pelo Espírito Santo não, porque, o Espírito Santo, nunca divide.

A igreja Moravia enfrentava as mais incríveis dificuldades e perigos com uma coragem tremenda. Era interessante porque, a maioria dos missionários, partia como fazedores de tendas e muitos se vendiam como escravos. Para serem escravos numa época de dominação branca faziam-se escravos. E isso impactava as pessoas que se indagavam: “Que bando de loucos é esse?”. Mas, eles enfrentavam a coragem com dedicação. Um dos hinos de um missionário que foi para a Groelândia diz:
“Vamos através do gelo e da neve.
Uma pobre alma perdida, para Cristo ganhar.
Alegres enfrentamos a necessidade e a aflição,
Para o Cordeiro que foi morto apresentar”

Eles dominavam as línguas, naquela época, sem todo este aparato tecnológico, de hoje, porque eles plantavam sua vida no campo.

É motivo de grande preocupação o que está acontecendo hoje em dia. O missionário fica um ano no campo e volta como professor de “Teologia de Missões”. E a igreja fica pensando que Missão é assim mesmo. O missionário chega, conta meia dúzia de experiências: “Ah, eu estive lá na África!” “Comi uma comida, gente!” “Comi macaco, comi insetos, vocês precisavam ver a comida que eu comi lá...!”. “Foi uma coisa terrível, mas comi...!”. “Vocês precisavam ver como foi difícil...” “Quando cheguei ao aeroporto, perdi a mala!”... E esse tipo de missionário volta, e é apresentado à igreja como professor de “Missões”.
É preciso resgatar os princípios missiológico dos irmãos Morávios. Nós temos de plantar as nossas vidas no campo. Jesus disse, “A semente, caindo na terra, não morreu, ela ficou só; não produziu fruto”. Os missionários Morávios iam para viver lá. Eles iam para adotar aquele povo e viver no meio dele. Misturavam-se às pessoas, andavam com elas, comiam e serviam àquele povo. Ao refletir sobre os Morávios, eu fico pensando que nós temos muito que aprender!








terça-feira, 24 de novembro de 2009

A RESPONSABILIDADE ÉTICA DA IGREJA NA OBRA MISSIONÁRIA



OS EXCERTOS ABAIXO FORAM EXTRAÍDOS DA MENSAGEM APRESENTADA PELO PASTOR EDSON QUEIRÓZ, NO 1º CONGRESSO BRASILEIRO DE MISSÕES, REALIZADO EM CAXAMBU, MINAS GERAIS NO ANO DE 1993. E ESTÃO PUBLICADOS NO LIVRO “AOS QUE AINDA NÃO OUVIRAM” Desafios Missionários rumo ao século XXI da Editora Sepal.

PARTE II

Meus irmãos, este é o ponto onde nós, como Igreja brasileira temos que tomar uma decisão bem séria. Nós estamos começando a fazer Missões e, neste caso, devemos começar de maneira correta.
Em primeiro lugar, há alguns pecados que nós precisamos confessar. E aqui está o primeiro pecado.

Precisamos colocar as prioridades em ordem correta. De acordo com a Bíblia, Missão deve ocupar o primeiro lugar da Igreja. A Igreja existe para fazer a obra missionária. Tudo que se faz na Igreja tem que ser dirigido para a obra de Missões. Um pastor disse tempos atrás: “Pr. Edson, parece que na sua igreja só tem Missões”. E eu falei: “É isso mesmo, na minha igreja só tem Missões!”. Para você ter uma idéia, nós temos um coral na igreja. Mas é um “coral missionário”. Uma vez por mês nosso coral está proibido de cantar na igreja. Sabe, então, onde ele vai cantar? No hospital. Acabam de cantar, entram em cada quarto, fazem uma oração, dão uma palavra de conforto e saem. E Deus está salvando famílias porque o coral está indo cantar lá. Não é coral de ficar cantando só na igreja! Você pode pensar: “Na igreja do Pr. Edison, pelo jeito, não tem ensino bíblico”. Tem sim! Tem ensino sério. Trabalhamos com famílias, queremos ver as nossas famílias bem estruturadas: o marido dirigindo o seu lar; a esposa sabendo o seu papel, no casamento; ambos dando uma educação correta para os filhos; boa administração das finanças no lar... Temos tudo isto. Mas sabem porque? Não é para os crentes se sentirem confortáveis e contentes, não; é para que os sejam missionários. Tudo o que fazemos na igreja é equipar, é capacitar o crente, para que ele seja uma benção; para que ele possa reproduzir-se espiritualmente. Prioridades na ordem correta.


Irmãos, eu tenho visto igrejas nas quais as prioridades são deveras interessantes. As prioridades são as togas do coral. Ninguém podia mexer, nas tais togas, porque gastaram um dinheirão para fazê-las e ali estavam – intocáveis! Em algumas igrejas, a prioridade é a construção. Vamos construir um templo. Em algumas igrejas, a prioridade é fazer algumas festinhas – ah, então o problema passa a ser o aparelho de som. Meus irmãos, eu creio que nós devemos ver o que a Palavra de Deus nos ensina.

Nós temos que confessar o pecado de falta de apoio àqueles que recebem a chamada missionária. E aqui, meus irmãos, eu me incluo aos meus colegas pastores esta noite. Eu creio que, nós pastores, temos de nos arrepender de não estarmos dando o apoio que os nossos missionários necessitam. Na nossa última conferência missionária irmãos, eu ouvi o testemunho de uma missionária brasileira, aqui do Rio de Janeiro. Irmãos, esta moça foi à África como missionária. Sabe quem pagou a passagem dela: Um árabe, muçulmano. Sabe quem deu a mala para ela fazer a viagem? Uma prostituta. Sabe quem ajudou a pagar a sua passagem: a irmã dela, que faz tráfico de drogas. Essa moça mora numa favela no Rio de Janeiro. Eu lhes perguntei: “E a sua igreja o que fez?”. Ela disse que a igreja dela é daquelas que tiram uma, duas, três, um monte de ofertas. E o pastor, no final do culto, deu para ela aquela cestinha de colocar ofertas e disse: “Fica lá na frente”, depois, voltando-se para a igreja: “Irmãos, agora, depois que eu der o “Amém”, quem sentir o desejo venha dar uma oferta para a nossa missionária”. E ainda teve a coragem de falar “nossa missionária”! A moça disse que ficou segurando, ali na frente da igreja, aquela cestinha e que, até hoje, tem trauma de ouvir o tilintar de moedinhas caindo... Mas porque Deus misericordioso, esta moça foi. Sabe o que fiz naquela conferência: Quando ela acabou de dar o testemunho, eu disse: “Irmãos, eu, como pastor, estou arrependido e quero confessar o pecado da Igreja brasileira. Eu quero convocar os pastores presentes para virem aqui à frente ajoelhar-se comigo e pedir perdão a Deus. Nós tivemos um momento de confissão de pastores, naquela conferência missionária. Meus irmãos, são pecados sérios! Querido pastor, se Deus está levantando algum jovem, um casal, alguém da sua igreja para o campo missionário, o apóie, ore com ele, ajude a dar orientação, busque informações, ajude de alguma maneira. Faça algo, mas seja responsável por aquilo que o Espírito Santo está fazendo na igreja em que você foi colocado como responsável.

Igreja levantando dinheiro para Missões e aplicando em outras áreas. Irmãos, eu tenho ouvido de pastores, aqui no Brasil, que têm feito isto. Fazem uma campanha missionária, levantam o dinheiro, e depois vão comprar telhado, parede, janela, forro, um montão de outras coisas. Isto é pecado e terão de dar conta diante de Deus por causa disto.

Igreja prometendo sustento e abandonando o missionário no campo. Eu recebi uma informação, no congresso do COMHINA, de que tem um casal latino-americano, no Norte da África, que está voltando porque a igreja disse que ia sustentá-los e nunca lhes mandou um único centavo, mesmo sabendo que o casal estava lá ao ponto de passar fome! (...)

Igrejas e agências dando um sustento indigno para o missionário. Irmãos tenho ouvido falar de missionários nossos vivendo na miséria. Estive outro dia num país da África e um irmão me disse: “Pastor Edison gostaria de compartilhar com o irmão uma coisa”. “O que há irmão?” Olha aquele missionário nunca me falou nada, nunca me pediu para dizer nada, mas eu estive reparando na situação dele e sei que ele está passando necessidade. Será que da para o irmão fazer alguma coisa?”O que eu fiz, ao chegar ao Brasil fui procurar informações para tentar ajudar e fazer alguma coisa PR aquele moço. Irmãos se vamos mandar missionários vamos acertar as coisas. Ou mandamos o missionário em condições de dignidade ou, então, é melhor não mandarmos. Este negócio de falar. “Ah, Deus vai sustentar...”, eu não tenho dúvidas que Deus vai mesmo. Mas Ele usa vidas e quer dar a mim, e a você, o privilégio e a honra, como Igreja, de sustentarmos nossos missionários no campo.

Missionários vivendo fora do estilo do povo, acima ou abaixo do nível. É interessante isto. Eu vejo às vezes alguns missionários que estão vivendo acima do nível do povo onde estão inseridos. Está errado! O missionário tem que se adaptar a outra cultura. Por outro lado, eu vejo alguns missionários vivendo tão abaixo do nível do povo que não dá para alcançar o povo com a mensagem do Evangelho. A Igreja tem que analisar direitinho como é que vai sustentar o seu missionário dignamente no campo.

Meus irmãos precisamos aprender com estes erros, consertar as coisas erradas e, neste início, já começarmos com propósitos sérios na obra missionária.

Mas voltando ao livro de Josué (Js 1.1-9), ele não sabia exatamente o que fazer e talvez você, pastor, líder de igreja, esteja aqui e não saiba também exatamente o que fazer. Então eu quero ler esta palavra aqui para nós como Igreja. Deus está dizendo isto: (verso 5) “Ninguém te poderá resistir” todos s dias da tua vida...” e vejam bem “...como fui com Moisés assim serei contigo”. Aleluia!... como fui com Moisés, assim serei contigo”. Deus está dizendo: “Igreja brasileira, assim como eu fui com Moisés, assim como eu abri o Mar Vermelho, assim como eu levei o povo para a terra prometida, eu serei convosco, eu estarei convosco, eu abençoarei, eu dirigirei, eu serei convosco, eu estarei convosco, eu abençoarei, eu dirigirei, eu capacitarei, eu usarei esta Igreja para que o mundo receba a minha glória. Não te mandei eu?” (verso 9) “Esforça-te e tem bom ânimo, não te atemorize, nem te espantes, porque o Senhor Teu Deus está contigo por onde quer que andares”. Meus irmãos, Deus está chamando a Igreja brasileira a assumir uma séria responsabilidade e a avançar no campo. Eu creio piamente que Deus vai usar poderosamente a Igreja brasileira para levar o Reino e a glória de Deus a diversas nações. Por isto precisamos nos unir, preparar, treinar, aprender, planejar, e sairmos ao campo para fazermos a obra de Deus.

domingo, 22 de novembro de 2009

A RESPONSABILIDADE DA IGREJA BRASILEIRA


OS EXCERTOS ABAIXO FORAM EXTRAÍDOS DA MENSAGEM APRESENTADA PELO PASTOR EDSON QUEIRÓZ, NO 1º CONGRESSO BRASILEIRO DE MISSÕES, REALIZADO EM CAXAMBU, MINAS GERAIS NO ANO DE 1993. E ESTÃO PUBLICADOS NO LIVRO “AOS QUE AINDA NÃO OUVIRAM” Desafios Missionários rumo ao século XXI da Editora Sepal.

PARTE I


Texto: Josué 1.1-9


Os irmãos conhecem a história... Moisés já estava a caminho da sua sepultura e Josué olhando como Deus usava Moisés. Então, Moisés morreu. Eu posso imaginar que na mente de Josué vinham muitas idéias. Quem agora substituiria Moisés? E talvez estivesse tr4emendo e temendo, porque ele sabia que Moisés havia feito um bom discipulado e que estava na linha de frente para ser um substituto de Moisés. Posso imaginar que a preocupação de Josué fazia suas pernas tremerem: “Quem sou eu para substituir este servo de Deus?” Mas Deus chamou Josué e disse: “É você mesmo! Você irá substituir o meu servo Moisés, e você fará este povo herdar a terra”.

Irmãos olhando esta cena, que todos conhecemos, e sabendo como Deus operou um milagre, nós chegamos a conclusão que podemos fazer um paralelo dessa história com a situação da Igreja brasileira. A Igreja brasileira, até há alguns anos atrás, acostumou-se a ser apenas uma telespectadora do que Deus estava fazendo, ao redor do mundo, através de europeus e norte-americanos. E a Igreja brasileira sempre, por muitos anos pensou assim: “Missões é algo para norte-americanos ou para europeus. Nós estaremos apenas fazendo alguma coisinha aqui ou ali”. Mas é impressionante ver o que Deus está fazendo nestes dias. Eu não posso dizer que a Igreja européia e a Igreja norte-americana morreram, mas, em termos de visão missionária, pelo que tenho visto, está morrendo. Estamos orando para que Deus mande um reavivamento para a América do Norte e para a Europa, para que haja uma nova revolução e que missionários voltem a sair daquelas terras para outros lugares. Nesta época, porém, Deus está levantando a Sua Igreja na América Latina, na África e na Ásia, a fim de que prossigam a Sua obra. É mais ou menos como se Deus estivesse chamando a Igreja desses lugares e dizendo a elas: “Olha, agora, vocês devem ira ajudar o meu povo a conquistar a Terra”.

E quando eu penso em termos de Igreja brasileira, analisando as estatísticas, ela contêm, mais ou menos, entre 60 e 65% dos evangélicos da América Latina. Temos então uma grande responsabilidade e, quando me pediram para falar sobre esta responsabilidade, eu comecei a meditar em algumas coisas. “O que Deus quer fazer?”. Alguém disse que o Brasil é um celeiro missionário e eu creio nessa afirmação. Creio que Deus está levantando a Igreja brasileira, a juventude brasileira, o povo evangélico brasileiro, para serem servos e instrumentos na mão dEle para uma grande obra. E dá para ver claramente uma coisa, a Igreja brasileira está crescendo em maturidade espiritual, irmãos. Nós não podemos mais aceitar aquele velho espírito negativista, o complexo de inferioridade. Ficarmos pensando que somos gente do Terceiro Mundo, que somos pobres, que não temos nada, que não podemos fazer a obra de Deus. Isto é uma tremenda mentira satânica! Nós temos Deus ao nosso lado, nós temos o poder de Deus e podemos fazer coisas grandes para Deus. A Bíblia diz: “A quem muito se dá muito se requer”. Deus tem dado muitas coisas para a Igreja brasileira porque está havendo maturidade. Naturalmente há problemas, como lha problemas em muitos lugares, ao redor do mundo. Mas a Igreja brasileira está crescendo em maturidade espiritual, por isto há algumas responsabilidades que eu separei para nós meditarmos um pouco, aqui, em relação ao que a Igreja brasileira pode fazer.

(...) Em primeiro lugar, precisamos de uma pregação bíblica sobre Missões. É interessante, aqui, fazermos um paralelo com Josué, no versículo 7, Deus diz a ele: “Tão somente esforça-te e tem mui bom ânimo cuidando de fazer conforme toda lei que meu servo Moisés te ordenou, não te desvies nem para a direita nem para a esquerda a fim de serdes bem sucedido por onde quer que andares”. Deus está deixando bem claro para Josué: “Olha Josué, se você vai liderar o meu povo para conquistar a minha terra, você tem que ir com base na minha Palavra. Não te desvies nem para a esquerda, nem para a direita”. Eu creio que, se queremos ver o mundo salvo, teremos que sair planejar, colocar a nossa estratégia, nosso plano de trabalho, tudo com base na Palavra de Deus. E não sair dela, nem para a esquerda, nem para a direita. Precisamos de pregação bíblica, precisamos de púlpitos cheios do fogo de Deus, onde servos de Deus abram esta Palavra e possam dizer com autoridade: “Assim diz o Senhor...”. Pregação bíblica.

A segunda coisa que precisamos fazer é continuar enfatizando o princípio bíblico de que, Missões, é responsabilidade da igreja local. Quando Cristo diz, edificarei a minha Igreja, o que Ele quis dizer foi isto: “Edificarei a minha Igreja!”. O único organismo de Deus para fazer a Sua obra na Terra é a Igreja. Infelizmente, o grande problema é este, porque, nós, como Igreja, temos falhado. Deus tem levantado diversas organizações e eu percebi como Ele é inteligente! Eu descobri o quanto Deus é inteligente! Ele permitiu a chegada de diversas agências missionárias. Permitiu que essas agências adquirissem uma forte experiência e sabe o que Ele está fazendo hoje? Deus está despertando a sua Igreja e unindo as igrejas com as agências missionárias por suas fortes experiências e, juntos, estamos avançando contra a defesa do inimigo e conquistando o mundo para Cristo. Eu creio que as agências são muito importantes. Precisamos, enquanto igrejas, das agências, para nos ajudarem a colocar o missionário no campo, mas, biblicamente, a responsabilidade de selecionar, treinar, enviar e manter o missionário no campo pertence lá igreja local. Precisamos continuar dando esta ênfase.

(...) Em quarto lugar, os nossos seminários precisam desenvolver um currículo prático de Missões para que tenhamos pastores capacitados e, assim, igrejas missionárias. Meus irmãos, uma grande preocupação que eu tenho é a respeito do ensino teológico. Se eu fosse contar o tempo todo em que estive na faculdade teológica, dá mais de 10 anos, porque fui muito devagar. Mas se eu tivesse feito o curso em tempo normal seriam cinco anos. Em cinco anos de faculdade teológica, eu tive apenas um semestre de “Missões”. Um único semestre de Missões! Alguma coisa está errada... Se Missões é a razão pela qual a Igreja existe, como é possível um seminário estar preparando um pastor e dar a ele apenas um semestre a respeito de Missões? Certamente algo está errado e sabem por quê? Tive dois anos de Filosofia, um ano de Jornalismo, um semestre de Sociologia, isto foi bom, ajuda tudo bem... Mas, gente, e a prioridade da Igreja? Entretanto eu louvo a Deus porque eles têm, hoje, uma cadeira completa de Missões. E todo seminarista que vai se formar pastor tem que passar, pelo menos em três matérias, na área de Missões. Vai sair pelo menos com uma determinada visão, mas precisamos desenvolver um currículo desta forma para que tenhamos igrejas verdadeiramente missionárias.

Em quinto lugar, nós precisamos de um treinamento prático para que pastores possam desenvolver o ministério de Missões Mundiais em suas igrejas. O pastor é a chave. A igreja é o que o pastor é. Se o pastor é um homem de oração, a igreja será uma igreja de oração. Se o pastor é um homem de santidade, a igreja vai ser uma igreja de santidade. Se o pastor tem visão missionária, a igreja terá visão missionária. Agora, o grande problema, é que a maioria de nós pastora não tem feito nada pela obra missionária, e pior, estamos satisfeito com o pouquinho que estamos fazendo!

(...) Estou deixando o pastorado de Missões, da minha igreja em Santo André, e vou começar um movimento, um seminário que estamos terminando, exatamente para equipar e treinar pastores, com o objetivo de organizar o ministério de Missões da igreja local. Eu não sei tudo, irmãos, mas eu apanhei muito. Eu aprendi com os erros e quero ajudar os meus queridos colegas dando-lhes ferramentas, algumas idéias, para que eles possam organizar em suas igrejas o ministério de Missões Mundiais. Irmãos se queremos ver o mundo salvo, temos que começar pelas nossas igrejas. Agora, sabe qual é o grande problema? É que em nossas igrejas, hoje em dia, sabe o que tem acontecido?

Três coisas estão acontecendo em prejuízo da obra missionária:

Primeira, as instituições estão substituindo as pessoas. Pare para pensar, o que tem acontecido em nossas igrejas hoje em dia? “Instituições” estão substituindo as “pessoas”. Tudo, agora, é feito através de determinadas instituições e isto não é bíblico.

Segunda, a “tradição” está substituindo a “estratégia”. É interessante, irmãos... Cheguem a suas igrejas no próximo domingo e digam: “Irmãos, a partir de agora vamos colocar Missões em primeiro lugar, vamos organizar um plano missionário, e vamos enviar um missionário para plantar uma igreja lá na China. Aí você vai ouvir. “Ah, mas pastor, nossa igreja existe há 50 anos e nós nunca fizemos isto. Por acaso o irmão, agora, está virando pentecostal? É impressionante, a tradição, tem substituído a estratégia.

Terceiro “poucos” estão substituindo “todos”! Em algumas igrejas, o pessoal tem colocado a responsabilidade missionária nos ombros das mulheres aleluia! Pelas irmãs, que têm sido fiéis e têm trabalhado muito, graças a Deus! Mas, meus irmãos, quando eu penso que Missões é a razão pela qual a Igreja existe, Missões, deveriam estar nos ombros de todos da Igreja: das crianças aos adultos. A Igreja tem que estar fazendo Missões. Precisamos ajudar nossos queridos pastores a terem um programa de Missões, sólido, consistente.

Em sexto lugar, precisamos de treinamento missionário com prfundas bases bíblicas, e práticas, para que nossos missionários tenham condições de plantar igrejas fortes e bem fundamentadas, para evitarmos erros do passado. Irmãos, este é o outro problema. Que tipo de treinamento tem dado aos nossos missionários? E que tipo de igrejas eles vão implantar lá no campo? E, aqui, eu vejo dois extremos. Eu vejo alguns dizendo: “Olha, para se ir ao campo missionário tem que ter Ph. D, senão não pode ir”. Ou, então, o outro extremo: “Na hora, o Espírito Santo vai te dar a palavra, irmão, vamos lá!”.
Irmãos, eu creio que nós precisamos de um equilíbrio. Não lha dúvida que o Espírito Santo vai dar a palavra e, pobre coitado, do missionário que não estiver debaixo da unção do Espírito Santo. Mas, por outro lado, a Bíblia é muito clara. Ela nos diz que o Espírito Santo nos fará lembrar aquilo que Jesus nos disse e se Jesus não nos diz nada através da sua Palavra, como que o Espírito Santo pode lembrar alguma coisa? É interessante, o Espírito Santo manda estudar, sabiam disto? Em João não está escrito que “O Espírito Santo vos fará lembrar aquilo que eu falei”? Se Jesus não disse nada, como o Espírito Santo poderá nos lembrar? Agora, se você estuda a Bíblia, Jesus fala contigo, e o Espírito Santo o lembra. Portanto, tem que haver um equilíbrio.

Precisamos estudar, mas também não é apenas uma questão teológica, irmãos. Esta é outra coisa que eu tenho aprendido. Temos enviado missionários com o seus diplomas, tudo bonitinho, mas em termos de ministério prático, não têm experiência alguma. Lá em nossa igreja nós temos desenvolvido um treinamento ministerial sério. Primeiro, ele inicia um treinamento ministerial, Se dá frutos aqui, vai dar frutos no campo. Se não produz nada aqui, também não vai produzir nada lá. Treinamento ministerial para poder mostrar vida e poder dar fruto, aí está a responsabilidade bíblica.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

MISSÕES: OPORTUNIDADE DE SERVIR



Texto: I Pedro 4.10

Introdução

No mundo atual, parece que a maioria sempre fica esperando a minoria dar o primeiro passo para SERVIR. Servir é preciso. Em todos os lugares há alguém servindo, atendendo, estendendo as mãos, abrindo o bolso, dividindo o pão, a roupa, o calçado etc.
Mas este grupo ainda é muito pequeno. A quantidade de pessoas necessitadas, abandonadas, com fome e frio e perdidas comprova o que estamos dizendo. A nossa existência como Agência do Reino de Deus somente se justifica quando nossa fé é transformada em frutos que alimentam e abençoam as pessoas ao nosso redor.

O apóstolo Pedro compartilha conosco as seguintes verdades eternas, a propósito do tema Missões: oportunidade de servir:

1. O fim de todas as coisas está próximo (v.7)

Acreditamos que o Apóstolo Pedro tinha em mente o fim da última dispensação da manifestação de Deus aos homens. A época da Igreja representa a última oportunidade divina concedida à raça humana caída.

Caminhamos para o juízo final. A Obra, da parte de Deus, já está consumada. Agora Ele aguarda a nossa obediência incondicional e uma resposta firme. Se o fim está chegando, então agora é a melhor hora para se fazer Missões: orando, testemunhando, contribuindo e oferecendo a própria vida para o Senhor usar neste mundo desviado.

Oportunidade como esta poucos tiveram até agora. Então, sirvamos. Esta é a vontade e o desejo de Deus para todos os seus filhos. Cada membro do corpo de Cristo já é um ministro de Deus, cumprindo as ordens recebidas do cabeça deste Corpo. O serviço deve ser prestado antes do fim. Quando o fim chegar, só haverá prestação de contas. Então, sirvamos com alegria. A oportunidade já está oferecida.

2. A motivação principal, o amor (v. 8)

É mais que poética esta Escritura: "Tendo, antes de tudo, ardente amor uns para com os outros, porque o amor cobre uma multidão de pecados". A verdadeira motivação que deve nos levar a viver, a fazer e a servir tem que ser aquela que nunca se acabará.
Fazer a Obra Missionária sem amor é um peso, um pesadelo, uma ignorância e um desperdício. Deus fez Missões com amor, muito amor. Como isso é possível a nós mortais? É simples. Quando você está servindo a uma pessoa, você pensa no bem-estar de quem? Dela ou no seu próprio bem-estar? Ao servir, seu coração age egoisticamente ou há o desejo de que a pessoa servida seja plenamente atendida?

Jesus nos ensinou a servir como Ele serviu. João Batista e Paulo entenderam o espírito do ensino do divino Mestre: "Convém que Ele cresça e que eu diminua"."Cada um considere os outros superiores a si mesmo...".

Quando o nosso amor é ardente pela Obra Missionária, o fogo deste amor atinge não somente os nossos obreiros nos campos mas também as pessoas perdidas que eles vão alcançando cada dia. Servir com amor é preciso.

3. Servir uns aos outros conforme o seu dom (v. 10)

"Desperta os dons que há em ti". Os dons espirituais são espirituais porque nos foram dados pelo Espírito Santo. Eles representam as ferramentas mais usadas por Deus para edificar o corpo de seu Filho aqui na terra. Felizes são os crentes que têm oferecido seus dons ao serviço do Senhor. Estes poderão cantar: "No serviço do meu Rei eu sou feliz, satisfeito e abençoado". Ninguém consegue trabalhar sem ferramentas.

Assim acontece conosco na lavoura de Deus. Nossos dons pertencem ao Senhor e devem ser totalmente utilizados por Ele e segundo a Palavra Dele. O "uns aos outros" indica fraternidade, mutualidade, comunhão e nivelamento espiritual. O exercício dos dons representa o preenchimento de necessidades mútuas e anuncia a nossa dependência uns dos outros.

No corpo de Cristo, ninguém é independente ou completamente dependente. Somos todos interdependentes. Somos abençoados quando alguém nos serve e quando servimos a alguém. Esta espécie de santa troca de favores em amor significa sem dúvida, obediência à Palavra de Deus.

Conclusão

O Apóstolo Pedro nos declara que a graça de Deus é multiforme. O que significa isso? Ela possui muitas formas. É plural. É dinâmica. É criativa. É atraente. É exuberante. Superabundante. Fazer Missões neste contexto é gratificante. Comovente. Estimulante e prazeroso. Não há a sensação de peso, desconforto, obrigação legalista, mecânica ou fria. Servir sob a multiforme graça de Deus é possível, é preciso, é urgente e muito recompensador. Missões todo o tempo, em amor. Foi assim que fomos salvos e é assim que devemos viver. Antes que seja tarde, antes que chegue o fim. Amém!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

TEOLOGIA LIBERAL

(O texto abaixo é uma reflexão proferida pelo Pastor José Pontes da Igreja do Nazareno em João Pessoa. Paraiba)


Prezados Líderes


Há vários anos a igreja evangélica no Brasil tem sido "bombardeada" por alguns movimentos doutrinário que surgem de vez em quando, e se baseiam quase sempre em experiências, sensações, misticismos e nem sempre tem como base a Palavra de Deus.

Entretanto há um outro movimento, bem à moda pós-modernista, que avança sorrateiramente em muitas igrejas, denominações e até em alguns renomados Seminários que é a Teologia Liberal.

Infelizmente essa Teologia tem sido pouco combatida, até porque ela é facilmente absorvida por crentes sem boa base bíblica e propagada até por alguns líderes de excelente currículo acadêmico. Essa maléfica linha doutrinária destruiu muitas igrejas na Europa, Estados Unidos e agora avança no Brasil que é a:

TEOLOGIA LIBERAL
Veja as características dessa linha maléfica que entra nas igrejas sorrateiramente:

- O louvor a Deus é substituído por shows, com cantores estrelas e bandas. As pessoas que

freqüentam esses encontros fazem por diversão e não motivados pelo Espírito.

- As verdades bíblicas são relevadas as experiências e não as verdades em si.

- Os cultos nas igrejas passam ser de cunhos sociais, mais preocupados em agradar as pessoas do

que glorificar a Deus e profetizar suas verdades.

- Os cultos menos freqüentados são os de doutrinas e oração. O culto mais freqüentado é o de

Domingo a noite (pois tem clima festivo e não confrontos)

- As mensagens giram em torno dos problemas das pessoas e não da glória de Deus.

- As experiências e o sentir algo tem mais valor do que os princípios bíblicos. Existe uma

preocupação exagerada com programações, segurar as pessoas na igreja e não formar

discípulos.

- Perde-se à ética geral. A igreja se vende a políticos; denominações racham, a disciplina

desaparece, caráter da liderança e dos membros não são levados em conta.
- Os números se tornam mais importantes do que o discipulado. Perde-se a voz profética. A

igreja lentamente se torna um "lindo clube social".

- Ela perde seu real sentido de existir – e Missões passa a ser secundário na igreja.

- Com o passar dos anos... um terrível vazio toma conta dos crentes sem raízes. Aí com certeza

ele estará aberto as heresias, seitas, movimentos, depressões, etc...

- (No Brasil há mais de 100% de pessoas que já foram crentes e hoje freqüentam seitas e

heresias).
Alguém terá coragem de profetizar isso? É hora de uma nova reforma...

Pr. José Pontes
Igreja do Nazareno em João Pessoa. Paraiba

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A PRÁTICA DA MAGIA EM SOCIEDADES ANIMISTAS

(O TEXTO ABAIXO É DE AUTORIA DO PASTOR RONALDO LIDÓRIO, E FOI PRODUZIDO EM 28 DE MARÇO DE 2007 E PUBLICADO NO SITE:)
http://www.antropos.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=117&Itemid=26

Neste artigo trato da magia do ponto de vista puramente antropológico. Desta forma não iremos abordar a prática mágica sob o crivo da teologia bíblica ou mesmo sob uma plataforma de julgamento moral. Meu desejo é tão somente observar o ato mágico em uma abordagem êmica, a partir da cosmovisão daquele que a pratica.

Magia e a negação de um estado evolutivo.

A magia, religião e ciência são assuntos tratados muitas vezes de forma conjunta na antropologia pela clara conexão entre seus conceitos e normalmente descritos de forma evolutiva. Ou seja, enquanto a religião seria um estágio evoluído da magia a ciência seria um estágio evoluído da religião. Para alguns a magia é uma solução embrionária para os conflitos da vida por se basear na manipulação de elementos conhecidos ou fabricados pelo homem a fim de gerar efeitos desejados. Malinovsky posiciona seu aparecimento em épocas recuadas da humanidade, propondo assim o conceito de seu desenvolvimento[1]. Desta forma a religião seria um desenvolvimento da magia, ou processo mágico, uma elaboração mais organizada e lógica da procura pelo divino ou do controle da vida. Eliade crê que a religiosidade humana está associada ao desejo de se controlar a vida, busca esta que passa pela magia, religiosidade e ciência. Para estes as respostas outrora buscadas na magia são tratadas na religiosidade e as respostas buscadas na religiosidade possuem propostas de solução científicas[2].

Penso ser pouco provável que magia, religião e ciência sejam frutos de um estado evolutivo social. Primeiramente pela constância de suas aparições e experimentações. Culturas mágicas não desenvolvem religiosidade não mágicas. Sociedades científicas não deixaram de forma geral a prática mágica e comumente vemos ciência e magia respondendo a diferentes perguntas em um mesmo agrupamento humano. O processo de desenvolvimento do pensamento, da sociedade moderna que passou da religiosidade para a veneração à ciência, não pode ser atribuído ao estado evolutivo social mas sim à influência filosófica e ambiental. Em segundo lugar pela clara ligação entre o valor utilitário da magia, religião e ciência de acordo com o padrão cultural existente. Todos os três sistemas apresentados são de fato utilitários e se propõe a solucionar os conflitos da vida, com diferentes abordagens. Percebo que em culturas existenciais, cerimoniais, centralizadas no homem e seus conflitos de hoje, há grave incidência de magia, que coloca de certa forma o homem no centro de seu universo. Em culturas espiritualistas e totêmicas em que os seres mítidos povoam e governam o universo a religião tende a ser a resposta proposta para a solução dos problemas. Em culturas humanistas e progressistas a ciência está em ascendência como cadeia de soluções para a vida humana. Parece-me que o padrão cultural, portanto, determina que tipo de resposta se procura ou se desenvolve fazendo com que magia, religião e ciência compartilhem o mesmo cenário de idéias mas não sejam em si, resultado de um estado evolutivo.

Conceito de magia

O estudo da magia passa pelo desenvolvimento do tema a partir de Tylor que a reportou, mesmo que de forma embrionária, em sua obra “Civilização Primitiva” propondo o conceito da magia simpática, sempre ligada a semelhança entre os objetos manipulados. Frazer e Lehmann desenvolveram o tema defendendo que todos os ritos mágicos são simpáticos, com base na ligação (semelhança) entre o todo e a parte, entre o objeto manipulado e o alvo da magia. Lehmann chama nossa atenção para o fato da magia ser uma atribuição utilitária, ou seja, que possui objetivo específico e técnica também específica. Mauss faz uma diferença entre magia e ato religioso sugerindo que o segundo possui uma estrutura invocatória não condizente com magia.

Como podemos, portanto, conceituar magia ? Creio que são práticas, coordenadas por um indivíduo ou a partir dele, com manipulação de elementos naturais, não centralizada em invocação espiritual personificada, com base na crença de que tal manipulação, segundo determinada técnica ou coberta por certo poder poderá produzir, assim, o resultado esperado. Apesar da natureza da magia ser simpática, baseada nas semelhanças, na imagem do efeito/objeto a ser produzido, nem todas podem ser rotuladas dentro desta classificação[3]. Para fins aplicáveis estudaremos algumas categorias de magia como branca e negra, imitativa, alegórica e simpática. Devemos, porém, compreender que toda prática mágica advém da crença da existência de uma força que governa a vida, mesmo que parcialmente, e que é manipulável. Assim não nos convém distinguir de forma tão grave a magia do ato de culto como faz Mauss pois pode haver clara correlação entre estas diferentes práticas. Encontraremos cultos com atos mágicos e magia onde há invocação espiritual personalizada, manipulável. Parece-me que magia e culto compartilham da idéia de relação com o sobrenatural, mesmo que por vias distintas.

O valor utilitário da magia

É preciso termos em mente o valor utilitário da magia pois esta insere o homem no contexto das escolhas universais, ou seja, o torna co-participante das soluções dos problemas da vida. Desta forma, os grupos onde a prática de magia é acentuada e universalizada tendem a serem mais antropocêntricos e desenvolverem toda uma organização social, religiosa e mitológica com base no valor utilitário da crença. Melatti relata este valor utilitário quando nos diz que entre os Craôs “a magia que faz o caçador para matar veado campeiro nos mostra a presença de outros modos de classificar. Aquele que quer matar veado campeiro, só deve comer carne de animais que andam de dia e evitar a daqueles que entram em atividade à noite, pois o campeiro anda durante o dia. Há, pois, uma classificação de animais segundo a etapa do dia em que estão em atividade. O caçador deve também evitar comer carne de animais espantadiços, pois senão o veado se torna igualmente espantadiço. Por conseguinte, percebe-se a existência de uma outra classificação de animais em calmos e espantadiços”[4]. Neste aspecto a magia é um ato organizado, intencional e utilitário.

Compreender os conceitos sobre magia torna-se importante para analisarmos os processos mágicos. O conceito de magia deve ser compreendido como uma instituição baseada na crença da força sobrenatural regulada pela tradição de práticas, ritos e cerimônias que se apela para as forças ocultas e se procura alcançar o domínio do homem sobre a natureza. Já o perfil da magia nos mostra que a mesma é em geral impessoal, repetitiva, manipulável e tem implicações sociais sendo também cerimonial. Ela pode ser produzida ou simplesmente possuída ou comprada como um amuleto ou talismã[5].

Em 1891 Codrington dissertou sobre o elemento invisível ‘Mana’ e o definiu como sendo “uma força impessoal que está sempre ligada a uma pessoa que dirige esta força”[6]. Mana, portanto, é provavelmente o melhor termo que temos antropologicamente para definir a enorme variedade de forças e poderes manipuláveis pelo homem e expressos através de distintos termos. Os iroqueses o designam de ‘wokonda’, os algonkis de ‘manitu’. Os pigmeus africanos de ‘megbe’ e os bantus de ‘ndoki’. Mana pode ser bom ou ruim, com graus distintos e variados de controle do homem sobre esta força. O ‘mana’ de uma lança, afirma Kaser, “é definido pelo fato de ela atingir o alvo com maior freqüência do que outras lanças, ou porque ela mata peixes maiores”[7]. Desta forma podemos concluir que o conceito de ‘mana’ está na raiz do processo antropológico designado como magia, a manipulação de elementos (que são cobertos por ‘força’) impessoais de forma a causarem um efeito extraordinário. Portanto de certa forma a magia centraliza-se no homem e seus desejos o servindo.

Os elementos da magia

Pensemos sobre os elementos da magia. Alguns elementos claros irão ajudar-nos a identificá-la e analisá-la em sua forma apresentável.

O primeiro elemento da magia é o pensamento, ou a crença. No caso a crença da existência e presença de uma força sobrenatural manipulável. Seja ela uma forma impessoal, mecânica, ou mesmo uma força pessoal espiritual que possa ser manipulada através de elementos mecânicos e visíveis. Em culturas animistas a clara percepção de que o mundo natural é animado pelo sobrenatural cria, em si, as condições ideais para a prática mágica. Não devemos, porém, reduzir a prática da magia apenas a ambientes onde haja uma crença organizada do sobrenatural. Muitas vezes a força manipulada é desconhecida, ou pouco explicada, sendo que a concentração do esforço da magia não se dá no sobrenatural mas sim na forma de manipula-lo através do mundo natural. Entendemos, assim, a natureza humana, manipulável e utilitária da magia.

O segundo elemento é o indivíduo. Pode ser nomeado de mágico, feiticeiro, xamã e assim por diante. É, porém, aquele que (com ou sem títulos de reconhecimento desta prática) coordena o ato mágico. Em culturas hierarquizadas facilmente encontraremos pessoas específicas com tal habilidade e responsabilidade. O chamaremos aqui de ‘mágico’. Em culturas, acéfalas, a magia é horizontalizada, praticada por quase todos. Mesmo aqueles que não a praticam, não detém o conhecimento ou habilidade, podem chegar a tal estágio sendo que ela é acessível e não uma especialidade. Eliade e Mauss defendem que a categoria de ‘feiticeiro’, personagem que controla ou propõe o ato mágico, é distinguível, ou seja, não é feiticeiro quem quer. Seriam pessoas com particularidades de parentesco ou definição clânica, ou com habilidades especiais, ou que foram treinadas, ou iniciadas, nesta arte por outros[8]. Em minha observação esta é uma avaliação aplicável apenas a certos padrões culturais, mais hierarquizados. De toda forma, independente da configuração restritiva do coordenador do ato mágico, a ele se confere certas características. Normalmente é uma pessoa reconhecida de possuir tal poder, habilidade ou conhecimento. Também se dedica, entre outras coisas, de forma especial à prática da magia, sendo procurado para tal pela comunidade. Pode ser identificado a partir da idade (o velho) ou de algum defeito físico permanente. Quanto maior o mistério a respeito do indivíduo que pratica a magia maior seu poder de encantamento perante a população. Por vezes pode estar associado a uma função na sociedade. Entre os Ashante[9] de Gana o guardião de cerimônias religiosas da família real é também o responsável pelo ato mágico. Entre os Konkombas os ‘mágicos’ são os que foram iniciados à esta arte, por escolha de outros que já a praticam.

O terceiro elemento é a preparação. A magia, e o indivíduo que a pratica, demanda certa preparação específica. A escolha dos objetos, sua separação e preparo, bem como o preparo do próprio indivíduo, normalmente revendo seu conhecimento ou buscando entrar em transe afim de potencializar sua habilidade, ou ainda através de invocações e jejum, são atos normalmente encontrados na prática da magia. Entre os Tariano do Alto Rio Negro a prática de magias de proteção tem início com a preparação dos elementos, de certas pedras e folhas que são separadas a fim de se gerar fumaça que possa purificar e proteger as pessoas que passem por esta cerimônia. Pensando no perfil simpático (com base na semelhança) da magia é normal que os elementos separadas, ou coletados, sejam próximos, semelhantes, parecidos, com aquele que é alvo da magia. O uso da fumaça está associada à purificação e proteção em atos mágicos, em diversas culturas, devido à sua forma fluida, disforme, semelhante ao espírito. Assim quando o Tariano a utiliza para benzer, proteger ou curar, uma certa criança que há muito está doente, a associação da fumaça com a vida, com seu espírito, é clara. Outros elementos também podem estar associados à força da vida e serem usados com este fim devido à sua semelhança. A água, terra, ar, fogo, fumaça, sopro, raiz e casca de árvores são os elementos mais comuns associados à força da vida. Estes são, portanto, elementos universais. Há também os elementos particulares. Neste caso a magia se dá através de representações que demandam algo que se pareça com o alvo mágico, de forma objetiva. Entre os Ewe de Gana uma mecha de cabelo é o elemento primordial para o preparo de magia, seja branca ou negra. Entre os Konkombas unhas e a água do rio onde alguém de banhou[10]. Entre os Aborígines, as marcas da mão na terra, que são coletadas (a terra) e separadas para o ato mágico. Tais elementos passam por um ‘preparo’ que os espiritualiza. Passam a representar seus alvos (pessoas, famílias, comunidades, iniciativas como uma caçada, projetos sociais e assim por diante) e o ‘trato’ que lhes for dado resultará (causando assim efeito) no alvo[11]. O preparo, porém, não se restringe aos elementos coletados ou ao indivíduo que os manipulará. Pode também abranger o local onde se desenvolverá o rito mágico, preparando-o de forma específica, e à própria pessoa que encomendou a magia ou comunidade que dela se beneficiará.

O quarto elemento é o rito mágico. Este rito possui, em geral, uma forma estática de desenvolvimento. Possui uma ordem, um ‘trato’ específico nos elementos manipulados que não mudam. Se há atos de invocação estes também são sempre os mesmos. Desta forma os elementos de invocação como a música, instrumentos musicais, cânticos, dança, roupa e ornamentos, os elementos de processo como pedras, raizes, folhas e os elementos simpáticos como mechas de cabelo, unhas, roupas, água do banho etc, seguem um padrão preconcebido de coleta, preparo e rito. O rito mágico possui normalmente uma forma elaborada de se processar. Quando os Konkombas manipulam a água do rio onde uma pessoa se banhou a fim de causar-lhe mal, isto se dá em um ambiente preparado para esta finalidade, debaixo de uma árvore de Itooh de folhas frondosas, durante noite clara com boa lua, em lugar distante da comunidade onde os atos invocatórios não são ouvidos e o nome da pessoa alvo da magia é repetido diversas vezes de forma genêrica (nome do seu clã), nunca da pessoa em particular. Portanto é claro apenas para poucas pessoas quem está sendo alvo daquela prática mágica. A água do rio, neste caso, é colocada dentro de uma cabaça e neste momento, após atos invocatórios e ‘arrumação’ dos elementos manipuláveis (água, cabaça, árvore frondosa, palavras, nomes etc) a mistura de terra com a água (que representa a força da vida) produziria obstáculo sobre sua vida, tornando aquela pessoa ‘pesada’, com movimentos curtos e mais lentos visto ser a terra mais pesada que a água. A mistura de sangue com a água produziria cortes, arranhões, infecções e até mesmo hemorragias. As vezes associado também a quedas e fraturas. A mistura de saliva com á água produziria relacionamentos partidos, enfermidades internas ou muito comumente incesto sendo que a saliva é a parte impura do corpo, que deve ser colocada para fora e não para dentro[12].

Estes elementos, e seus resultados, porém, podem conter ainda significados claros de associação (terra, sangue, saliva) ou simplesmente estarem cobertos pela tradição da prática mágica. Neste segundo caso são utilizados e cridos porém a associação original dada pelos pais já foi perdida. De toda forma é certo pensar que boa parte dos atos mágicos possuem, em sua origem, uma forma simpática (de associação e semelhança) com o alvo da magia. Em todo ato mágico, aberto ou fechado, seus participantes poderão apontar, portanto, os resultados esperados.

As categorias da magia

Podemos categorizar a magia como branca, negra, simpática, alegórica e imitativa.

Branca, que produz ou colabora com a cura, proteção e prosperidade. A magia branca é uma prática que visa o benefício, sobretudo, do manipulador dos elementos, ou alguém a quem serve momentaneamente, de forma objetiva. Está normalmente associada a uma magia voluntária, solicitada pelo que a necessita. Os processos de magia branca comunitários através de benzimento são sempre abertos e coletivos. Possui também uma característica abrangente não apenas atuando no problema em si mas em suas áreas de abrangência. Quando os Tariano, por exemplo, realizam o ato mágico de benzimento buscando proteção e cura para a comunidade, estes permitem que a fumaça também seja ventilada para o rio próximo, para purificação do ambiente, demonstrando a não percepção exata da causa dos males. Não raramente, após o benzimento que objetiva a cura ou proteção, comenta-se que o rio também lhes deu mais peixes mostrando um fator importante no processo da magia em grupos animistas: a conexão entre os elementos da vida. Ao passo que uma cultura ocidental urbanizada vê os atos da vida, seus conflitos e soluções com um arquivo, com pastas separadas e catalogadas, um grupo animista os vê como um cesto, um aturá, cujas fibras se entrelaçam sem que se saiba exatamente onde começam ou terminam.

Como magia branca simples e doméstica podemos exemplificar os Quéchuas que organizam ossos de lhama atrás das portas de suas casas, em ordem e tamanho específicos, a fim de proporcionar abundância naquele lar. Há necessidade de conhecimento específico dos elementos e sua manipulação; conhecimento este passado dos velhos para os novos. Neste caso é uma magia aberta, comunitária, visto que todos podem observá-la, aprendê-la e praticá-la.

Negra, temida por trazer destruição e morte. Pode ser praticada pelo homem mágico ou feiticeiro, ou pela categoria rara de bruxo. Normalmente a magia negra é mais especializada e restritiva, sendo que apenas alguns podem aprendê-la ou realizá-la. Em alguns casos pode ser herdada. É aprendida a partir de uma iniciativa pontual, iniciando-se o jovem à arte de tal magia pelo velho, que já a pratica. O bruxo, antropologicamente, usaremos aqui para designar a figura reclusa de um homem, ou mulher, que se aperfeiçoa na arte de dominar, matar ou destruir a partir de atos mágicos ou invocatórios, portanto não se resume apenas à prática mágica. É recorrente a crença de que há uma ligação entre a prática de magia negra e o desenvolvimento de problemas físicos naqueles que a praticam.

Entre os Konkombas de Gana a magia negra é praticada pelo feiticeiro que acumula a função de guardião dos fetiches. A proximidade com os fetiches homologa seu conhecimento, que é empírico e não herdado ou aprendido. A utilização do sangue derramado de forma específica dentro de uma cabaça, em proporcional mistura com água e terra (onde está a força da vida na fase infantil enquanto a água a concentra na fase adulta) é necessário para a prática desta magia que pode causar enfermidade, desolação, morte ou desencanto com a vida. O sangue, assim, seria um elemento isolado e específico para a magia negra, não sendo utilizado para finalidades de cura e proteção. O perfil simpático, semelhante, da magia também é encontrado na magia negra. Uma mecha de cabelo, portanto, que pode ser manipulada com a intenção de produzir prosperidade na pessoa alvo que encomenda a magia pode ser igualmente utilizada para a manipulação de elementos (com outras variações) a fim de causar enfermidade ou morte em seu dono. Por este motivo freqüentemente encontramos, em agrupamentos animistas, um cuidado zeloso na proteção de partes do corpo que podem ser mais facilmente coletadas como cabelo e unhas. São muitas vezes guardados cuidadosamente e depois descartados em lugares distantes.

Imitativa, referente a amor e ódio e um exemplo clássico é o wodu que imita o objeto alvo sendo porém bem mais extensa do que percebemos na forma como se tornou mais conhecida. No Haiti a magia imitativa é popularizada através de bonecos feitos e manipulados, com forma das pessoas que desejam atingir. No caso do vodu seria necessário que houvesse algum elemento pertencente a esta pessoa, em um ambiente propício para o ato mágico. E se crê que, havendo semelhança suficiente entre o boneco e a pessoa, dentro de uma manipulação preconcebida e aprendida, os atos realizados com o boneco (manipulação) se refletirão na pessoa que o boneco representa. Uma das suas variáveis seria a imitação de roças, casas, ambientes naturais etc. Como o roubo de um elemento representador (arroz, da roça que deseja atingir, por exemplo) levando-o para casa ou para um local específico e manipulando-o. Neste caso poderia ser queimado a fim de se obter a queima daquela roça e perda da produção.

Simpática que trata da fertilidade, proteção e paixão. De forma geral pressupõe-se que toda magia é simpática, porém utilizamos aqui o termo para designar as iniciativas mágicas usadas para procriação, proteçào e paixão, como a branca e imitativa mas com a característica de serem atos abertos e não velados, disponível para compra ou prática, de forma simples e comunitária. Está associada a tabus e talismãs e se propõe a controlar o acaso e não produzir um fim específico. No Brasil poderíamos classificar como magia simpática a utilização de branco como roupa de ano novo produzindo felicidade e fartura, o uso de fitas do senhor do Bonfim nos pulsos para proteção. São chamadas popularmente de simpatias.

Alegórica, produtoras de ganhos e perdas, com elementos específicos que em determinadas situações podem produzir ganhos e, em sua ausência, prejuízos, como a água benta vendida em algumas igrejas. Assemelha-se à imitativa e a mais forte diferença seria a crença. Enquanto a primeira está mais associada ao acaso, a forças indefinidas, a segunda está associada a forças pessoais definidas como invocações, profecias e visões. Entre os Aborígines da Austrália o sonho manifesta elementos que podem ser utilizados na magia. Neste caso a magia não é um ato produzido mas sim um acontecimento, resultado do poder e desejo do divino para um indivíduo que sonha o sagrado. Desta forma o sonho é em si um processo mágico, com efeito sobrenatural, com participação, mesmo que inconsciente, do praticante ou sonhador. O relato de que o sonho alegoriza a vida, e os acontecimentos do sonho se revelariam na vida cotidiana traz esta porção alegórica à magia encontrada também em diversas outras sociedades.

Conclusão

Por fim gostaria de mencionar a conexão entre os elementos e formas de prática mágica. Os problemas estão relacionados com as soluções. Os ambientes com os indivíduos que praticam a magia. Os objetos utilizados na magia se relacionam com os que a encomendam ou são alvos da mesma. A forma de praticá-la se relaciona com o resultado a ser produzido. A técnica com a pessoa que manipula os elementos e assim por diante.

Isto demonstra que, primeiramente, a magia é um ato social central nas culturas que a praticam de forma abrangente. Assim torna-se relevante, especialmente para o pesquisador, observar a prática mágica como sendo uma pista para o centro da religiosidade do povo. Em segundo lugar por sua abrangente prática em contexto animista. Isto se explica pelo fato do animismo já produzir, em si, a plataforma de idéia do sobrenatural sobre o natural, propício à magia. Magias também estão presentes em atos invocatórios coletivos e organizados, cúlticos, como pajelanças, e assim não devemos reduzi-la apenas a ambientes de forças puramente mecânicas, impessoais. Em terceiro lugar por sua característica utilitária. Como se propõe a organizar a vida, e solucionar possíveis problemas, a magia é um ato religioso e social regulador. Este talvez seja o principal motivo que a faça tão popularizada, temida e utilizada.
[1] Ver Malinovksy - Magia, Ciência e Religião. Lisboa: Edições 70.
[2] Eliade, M, 1958, Rites and Symbols of Initiation, New York: Harper and Row.
[3] Ver Radcliffe-Brown, A R, 1952, Structure and Function in Primitive Society, London: Cohen and West.
[4] Julio Melatti - Publicado em 1975 no Informativo FUNAI, ano IV, n° 14, pp. 13-20
[5] A diferença normalmente aceita entre amuleto e talismã é que o primeiro serve para afastar desgraças enquanto o segundo atrai a sorte.
[6] Codrington, R. H. – The Melanesians. Studies in their anthropology
[7] Kaser, Lothar – Diferentes Culturas: Uma introdução a etnologia – Editora Descoberta
[8] Eliade, Mircea - Imagens e Símbolos – Ensaio Sobre o Simbolismo Mágico - religioso. São Paulo: Martins Fontes, 2002
[9] Ver Evans-Pritchard, E. E, 1937, Witchcraft, Oracles and Magic among the Azande, London: OxfordUniversity Press
[10] Ver o artigo Religous Phenomenology among the Konkomba People of Ghana - Ronaldo Lidório
[11] Ver Esboço de uma teoria geral da magia, de Marcel Mauss, Ediçòes 70
[12] Cultural identity and religious phenomenology – The impact of the gospel in a Konkomba worldview. Dissertação em Etnologia – 2001. Ronaldo Lidório
Atualizado em ( 28-Mar-2007 )

CURIOSIDADES MISSIONÁRIAS

1. Na África as conversões chegam a 20 mil pessoas por dia.

2. Na América Latina são 400 conversões diárias – enquanto nasce um na terra, nascem quatro

no céu (do espírito).

3. No mundo esta taxa é de 3 conversões para cada nascimento natural.

4. Na Coréia, só em Seul, nascem 7 mil igrejas por ano, enquanto no mundo são 4 mil novas

igrejas por dia.

5. No Rio de Janeiro nasce uma igreja por dia.

6. Já são mais de 66 mil igrejas evangélicas no Brasil.

7. 82% da população mundial vive na Janela 10/40. Esta janela é imaginária, para localizar uma

área geográfica que fica entre os graus 10 e 40 da latitude norte, acima da linha do equador.

Inclui o espaço desde o norte da África e sul da Espanha até o Japão e norte das Filipinas.

8. Em cada 10 pessoas, 8 com a menor renda “per capta” do mundo, vivem em países da Janela

10/40.

9. Nesta região encontram-se os menos evangelizados do mundo; 97% do total da população que

vive nos países menos evangelizados, estão nesta área.

10. Os maiores blocos religiosos do mundo, concentram-se neste espaço conhecido por Janela

10/40: Islamismo, Budismo e Hinduísmo.

11. Infelizmente, apenas 8% de toda a força missionária mundial, está trabalhando hoje nesta
área de prioridade máxima.

12. 13% dos missionários que trabalham na Janela 10/40 são provenientes dos países do 3º
mundo.

13. Existem no Brasil 43 cidades ainda não-alcançadas pelo Evangelho de Jesus Cristo.
14. 222 cidades com 1% de evangélicos.

15. São 237 tribos indígenas no Brasil. 8 têm liderança evangélica própria; 90 têm trabalhos
missionários em andamentos e 139 sem a presença missionária.

16. Essas tribos levam cerca de 15 anos para serem alcançadas, a partir do momento que
recebem o missionário. Elas estão concentradas em quatro regiões bem diferenciadas.

17. Parque do Xingu – com 15 tribos não evangelizadas, esta é uma área vetada às missões desde

a década de 70.É um desafio de oração.

18. Rondônia – Tem mais de 20 tribos, com 12 não alcançadas. São tribos pequenas, mas devem

Ter seu representante diante do trono do Cordeiro.

19. Vale do Uaupés – No noroeste do Amazonas, o Vale comporta 12 tribos com 9 não-

alcançadas. É uma área monopolizada pelos padres salesianos. O acesso à região é difícil por

causa da selva, rios e cachoeiras.

20. Nordeste – Há mais de 500 anos, desde o descobrimento do Brasil, 10 tribos, das 15 que

vivem nesta região, continuam sem o evangelho. Não falam mais a língua materna, mas

guardam sua cultura e sua identidade étnica. O evangelismo tradicional não tem dado

resultados, e é necessário o esforço transcultural com a contextualização do missionário.

VISÃO PANORAMICA MUNDIAL

Vejamos um breve panorama da atual situação mundial hoje:

100 milhões de crianças vivem nas ruas e de cada cinco nascidas dois são abortados;

19 milhões estão refugiados por causa dos conflitos em seus próprios países;

22 milhões de prostitutas nos antros do pecado;

520 milhões de favelados em condições sub- humanas;

-11.000 grupos étnicos ainda não alcançados;

Mais de 3 bilhões de pessoas não tiveram um contato pessoal com o evangelho de Jesus Cristo.

Quando falamos de grupos étnicos, povos ou etnias, falamos a respeito de tribos ou grupos biologicamente e culturalmente e homogêneos pertencentes a uma mesma raça, com um mesmo idioma e com uma mesma identidade cultural

Hoje podemos dar graças a Deus porque existe uma igreja em cada país do mundo; porém, existem no mesmo território e nação, grupos que não falam o mesmo idioma e com cultura distinta do local onde vivem.

Tomemos como o exemplo o Brasil, com mais de 200 tribos, a maioria delas ainda não alcançadas.

Dessas tribos 30 já têm a Bíblia traduzida e outras estão em processo de tradução.

Há 6.000 línguas e dialetos no mundo dos quais menos de 2.000 têm uma porção bíblica traduzida.

Sabemos que Deus ama todos os povos e todas as culturas. As bênçãos prometida a Abraão tinham como alvo todas as famílias da terra, representadas por todos povos e etnias sem distinção alguma (Gênesis 12.3)

Jesus prometeu aos discípulos que eles seriam revestidos do poder não para ficar em Jerusalém, mas, para serem testemunhas tanto em Jerusalém, como na Judéia e Samaria e até aos confins da terra, simultaneamente Atos 1:8. Convém atentarmos que não só em grandes centros do evangelho seria levado mas até aos confins da terra. Leia também Salmos 48:10


E NO CONTEXTO RELIGIOSO COMO ESTÃO OS NÃO ALCANÇADOS?

Estariam eles passivamente esperando pela chegado dos missionários?

Por ventura estariam eles com o coração vazio sem nenhum tipo de deus, creio que seria até certo ponto infantil se assim pensássemos.

Vemos hoje, países como a Índia, Japão, Paquistão, Rússia, Irã, entre muitos outros, com menos de 2% de cristãos.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

CAMPO MISSIONÁRIO versus CAMPO DE BATALHA

È natural que ocorram conflitos nas relações interpessoais no Campo Missionário. E é isto que também acontece na Igreja, o Corpo de Cristo. É fato antigo, histórico, já aconteciam nos primeiros anos da era cristã os desentendimentos e colisões humanas entre os integrantes da igreja. Os primeiros relatos de conflitos interpessoais que temos notícias estão registrados em Atos 15.39, quando aconteceram os desentendimentos entre Paulo e Barnabé.

Outro exemplo clássico aconteceu na Igreja de Corinto (I Co: 11.18) nesse caso Paulo disse que havia entre eles dissensões. Mais tarde o apóstolo escreveu aos gálatas comparando-os aos animais, tamanha era a agressividade entre eles (Gálatas 5.15).

Em todos os exemplos mencionados, apesar de estarem presentes como causa comum o conflito interpessoal, é necessário distinguir algumas diferenças profundas e evidentes relacionadas às origens do problema. É preciso entender o porquê está acontecendo esses connflitos.

Pensando assim, vamos analisar pelo menos quatro tipos de origens dos conflitos interpessoais: pessoal, doutrinária, carnal e diabólica.

Causa pessoal
Ocorre quando os conflitos se dão por uma questão de opinião, opção ou estilo individual. Por exemplo, se uma família vai viajar, alguns membros desta família pode preferir a praia, outros o campo. Esse tipo de conflito é natural, mas precisa ser bem resolvido para não gerar maiores problemas. Comparamos a isto o problema ocorrido entre Paulo e Barnabé, cuja questão foi em torno de uma viagem e se deveriam ou não levar consigo o jovem Marcos.

Origem doutrinária
É o caso de haver dentro da igreja um grupo que defende uma interpretação bíblica sobre um assunto e outro grupo que entende diferente. Foi à situação da igreja de Corinto. Esse tipo de desentendimento não pode ser simplesmente desconsiderado nem sumariamente proibido. O próprio Paulo ensinou que isso poderia ser necessário. Ou seja, se surge uma heresia na igreja, é bom que surja o conflito para que o mal seja eliminado, esteja ele do lado que estiver.

Quando existe um corpo estranho no organismo, é natural que haja o inchaço, a dor, e talvez até a febre, como sinais que alertam contra uma anomalia. E assim continua até que o mal seja extirpado. Este tem sido o principal motivo do surgimento de tantas denominações evangélicas. Para solucionar estes conflitos doutrinários é necessário que os líderes estejam cheios do Espírito Santo (At.6.3).

Origem carnal
A problema dos gálatas foi a carnalidade, isto é, a condução da vida e do comportamento de acordo com as inclinações da natureza pecaminosa, a qual está diretamente ligada aos desejos físicos e egoístas. A própria heresia, que, a princípio pode surgir de uma simples falta de entendimento bíblico, pode também ser obra da carne, conforme Gálatas 5.20. É o caso de pessoas que "forçam" a interpretação de textos bíblicos para atender aos seus próprios desejos carnais. O conflito carnal entre os gálatas tinha cunho doutrinário, mas parecia envolver também a cobiça por posições de destaque ou desejo de reconhecimento (Gálatas 5.26). Daí surgia às disputas e os conflitos interpessoais dentro da igreja.

Origem diabólica
Muitos conflitos interpessoais que acontecem na Igreja ou no campo missionário com certeza têm sua origem diabólica, pois interessam e beneficiam mais a Satanás do que a qualquer outro inimigo. Ele é o maior interessado em prejudicar o avanço da obra de Deus. Ele é o maior incentivador das contendas que tem surgido entre os missionários. E isto acontece porque na maioria das vezes ele se aproveita de nossas fraquezas transformando-as em combustível para alimentar a sua fogueira.

É preciso ter cuidado porque os conflitos pessoais podem acabar se tornando instrumento nas mãos do inimigo. O maior desejo de Satanás é ver os servos de Deus combatendo contra si mesmo, quando deveríamos estar unidos e lutando contra as forças das trevas. Isto não é novo, esta atividade diabólica começou antes dele ser expulso do céu, quando ele incitou os anjos que faziam parte do exército celestial lutar entre si. Daí originando o exército demoníaco.

É fato que alguns conflitos pessoais podem ter causas naturais, alguns até podem ser necessários. Entretanto, há que se ter cuidado porque o perigo é sempre iminente. O conflito interpessoal é como o fogo. Ele pode nos ser muito útil, muitas vezes usamos em nossas casas para nos beneficiar, mas não podemos esquecer que se trata de uma força destruidora. Se descuidarmos perderemos o controle e então tudo poderá ser destruído repentinamente.

O conflito interpessoal precisa ser administrado, controlado, afim de que não se transforme em: discordância, discussão, contenda, divisão e guerra. Isto seria fatalmente destruidor.

A discordância é natural que aconteça. Afinal, somos indivíduos e como tais têm pontos de vista diferentes, distintos e até divergentes. A discordância muitas vezes contribui para que cada individuo siga num sentido diferente. Temos o exemplo de Paulo e Barnabé. Após terem discordado entre si, cada um partiu para um destino diferente. Entretanto, esta atitude não pode acontecer em alguns casos. Por exemplo: entre marido e mulher, não aconselhável que cada um saia numa direção.

Quando a discordância é de origem doutrinária e as partes apresentam boa intenção em torno da causa, então seria útil e necessário que iniciasse uma discussão. Neste caso, não podemos encarar a discussão como sinônimo de briga, de contenda mas sim, como um debate, exposição de idéias com o objetivo de se chegar a uma conclusão proveitosa. Discutir é melhor que ficar em silêncio. O silêncio pode ocultar problemas e gerar inimizades.

A contenda é fruto da imposição de uma idéia, quando uma das partes envolvidas se recusa a se submeter (2Tm: 3.8) . A Bíblia diz que “... ao servo do Senhor não convém contender, mas ser manso para com todos.” (2Tm: 2.24). Este é o limite do conflito interpessoal, quando passa desse ponto o fogo se alastra.

A divisão entre as partes envolvidas em um conflito é uma atitude extrema. Em alguns casos a divisão é necessária em outros casos não (Salmo 1.5; IJoão 2.19). Contudo mesmo que seja inevitável, a divisão não deve ser estimulada pelos cristãos. Jesus não nos recomendou que separássemos o joio do trigo (Mateus 13.30). E o problema torna-se mais grave quando após a divisão, as partes envolvidas decidem continuar o conflito. Neste ponto está estabelecido o problema, está declarada a guerra.

Algumas pessoas defendem o direito de sempre brigar pelos “seus direitos”. O apóstolo Paulo nos ensina que, algumas vezes, é melhor sofrermos algum dano do que criar uma disputa (I Co: 6.7). Lembremo-nos também que foi exatamente isto que Cristo nos ensinou, quando falou em “dar a outra face”, “entregar a capa” ou “caminhar a segunda milha”.

Porque não darmos a Deus a oportunidade de resolver o problema? Que tal orar ao Senhor antes de agir ou falar alguma coisa?
Se começarmos a questão, será que teremos condições de levarmos até as últimas conseqüências, ou sairemos envergonhados no meio da briga? (Lc: 14.28). Muitos problemas seriam evitados se parássemos para pensar antes de começar um conflito.

Como conduzir o conflito?
Se a contenda aconteceu, há que se fazer um conserto. Entre os ímpios é natural que não haja reconciliação, que sejam capazes perdoar. Mas entre os cristãos não é aconselhável que se guarde mágoa contra alguém principalmente contra outro irmão em Cristo. Não convém ao cristão ficar com raiva do outro, deixar de conversar, ficar “de mal”. Jesus nos ensinou a amar ao nosso inimigo. Se não formos capazes de amar aos nossos irmãos como poderemos amar aos nossos inimigos? Se você foi ofendido, perdoe. Não espere que o ofensor venha te pedir perdão. Tome a iniciativa e o perdoe.

Se você ofendeu, peça perdão. O perdão é o remédio divino para os conflitos mal resolvidos. A falta do perdão torna-se uma doença na alma. Uma mágoa guardada tem sido a causa da maioria dos males na vida de pessoas que o gardaram. Se não perdoarmos aos nossos ofensores, Deus também não nos perdoará (MT: 18.35; MT: 6.12-15).

Se não perdoarmos aos nossos irmãos em Cristo, estaremos interrompendo o fluir das bênçãos de Deus através do Corpo de Cristo.

Este tem sido a causa da frieza espiritual de muitas pessoas. Cada membro do corpo depende do outro para receber a corrente sanguinea, assim como os galhos da videira dependem uns dos outros para receber a seiva. Se existe bloqueios entre nós, a produção do fruto do Espírito ficará comprometida.

Não é fácil amar, nem mesmo sujeitar uns aos outros. Talvez tenha sido por isso que o apóstolo Paulo usou a palavra “suportar”. (Ef: 4.1-6). Ele já sabia que o relacionamento entre os irmãos teria muitas dificuldades. Contudo, não deixaremos de ser irmãos.

Se encararmos os relacionamentos interpessoais como uma maquina em funcionamento. E que em estado normal de funcionamento provoca desgastes naturais em suas engrenagens. Entenderemos que é necessária uma sistemática manutenção para reduzir os atritos e minimizar seus efeitos negativos. É necessária uma lubrificação permanente do motor. Nesse caso o óleo é um símbolo bíblico do Espírito Santo. Precisamos dessa unção em nossas vidas. Esta é a única maneira de termos uma palavra branda, mansa para aplacar o nosso furor, quando formos atacados por alguém.

A operação do Espírito Santo é o antídoto contra as antipatias gratuitas e desmotivadas, e também o remédio para as mágoas e as inimizades. Esta unção nos torna capazes de renunciar, de negar a nós mesmos, considerando que o nosso irmão é superior (Fp: 2.3), e digno de todo o nosso respeito e de todo o nosso apreço.

Ainda que isto pareça para alguém uma utopia, este é o estilo de vida proposta por Deus para o seu povo. Deus não quer que sejamos um reino dividido, mas um corpo que, unido por juntas e medulas possa crescer na presença dEle. (Ef: 4.16).