"“Muitos crentes consagrados jamais atingiram os campos missionários com seus próprios pés mas poderão alcança-los com seus joelhos” (Adoniran Judson)”"

domingo, 28 de agosto de 2011

A CHAVE PARA O PROBLEMA MISSIONARIO

Geralmente, a rresponsabilidade principal para solucionar o problema missionário da igreja, tem sido colocado sobre a liderança.
Ou seja, ao pastor pertence o privilégio e a responsabilidade do problema missionário no exterior.
Essas palavras, apontam, em relação ao ministério, para uma alta honra, uma falta grave, um dever urgente e a grande necessidade de buscar em Deus a graça de cumprir dignamente a sua vocação.
Não precisamos procurar distribuir proporcionalmente a responsabilidade entre o ministério e os membros da igreja. Todos concordam em que uma responsabilidade santa e pesada repousa sobre o ministério nesta questão. Que todos os ministros admitam e a aceitem sinceramente, preparando-se para viver nessa conformidade.
Qual a base em que essa responsabilidade se apóia? Os princípios subjacentes são simples, mas de inconcebível importância.
Eles são quatro:
(1) As missões são a principal finalidade da igreja. (2) A principal finalidade do ministério é guiar a igreja neste trabalho e equipá-la para ele.
(3) A finalidade principal da pregação para uma congregação deve ser treiná-la, a fim de fazer com que ela cumpra o seu destino.
(4) E a finalidade principal de cada ministro com relação a isto deve ser preparar-se cuidadosamente para esse trabalho.
Ninguém deve pensar que essas declarações são exageradas. Elas podem parecer assim porque estamos muito acostumados a dar às missões uma posição subordinada em nossa igreja e seu ministério. Precisamos voltar à grande verdade central, " o mistério de Deus", de que a igreja é o Corpo de Cristo, absoluta e exclusivamente ordenado por Deus para executar o propósito de Seu amor redentor no mundo. Assim como Cristo, a igreja só tem um objetivo, ser a luz do mundo. Da mesma forma que Cristo morreu por todo homem e que Deus quer que todos sejam salvos, assim também o Espírito de Deus na igreja só conhece este propósito: o evangelho deve ser levado a toda criatura. As missões são a principal finalidade da igreja. Toda a obra do Espírito Santo na conversão de pecadores e edificação dos crentes, tem como seu principal objetivo, equipá-los para a parte que cada um deve desempenhar para atrair o mundo devolta a Deus.
O alvo da igreja não pode ser nada além daquilo que é o eterno propósito de Deus e o amor do Cristo agonizante.
À medida que aceitamos isto como verdadeiro, veremos que a finalidade principal do ministério deve ser preparar a igreja para essa tarefa.
Paulo escreve: "(Deus) concedeu... pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos (o que esses santos têm de fazer) para o desempenho do seu serviço (o objetivo final desse trabalho dos santos), para a edificação do corpo de Cristo" (Ef 4.12). Através do ministério, o serviço amoroso dos santos, é que o corpo de Cristo será reunido e edificado. Os pastores e professores são dados para aperfeiçoar os santos para este trabalho de ministrar.
Uma Escola ou Classe de Treinamento para Professores é muito diferente de uma escola comum. Ela procura não só treinar cada estudante, a fim de que adquira conhecimento para si mesmo, mas também para que transmita esse conhecimento a outros. Cada congregação deve servir como classe de treinamento. Cada crente, sem exceção, deve ser "aperfeiçoado", ser cuidadosamente preparado para a tarefa de ministrar e fazer a sua parte no trabalho e oração para os que estejam perto ou distantes. Em todo o ensino de arrependimento e conversão, de obediência e santidade, feitos pelo pastor, este deve ser definitivamente seu objetivo final: chamar os homens para servirem a Deus na obra nobre, santa, cristã, de salvar os perdidos e restaurar o reino de Deus na terra. A principal finalidade da igreja será necessariamente o objetivo final do ministério.
De acordo com isto, segue-se, então, naturalmente, a afirmativa de que o principal objetivo da pregação deve ser preparar todo crente e toda congregação para desempenhar a sua parte em ajudar a igreja a cumprir o seu destino.
Isto determinará a freqüência com que deve ser pregado um sermão missionário.
Se apenas uma mensagem missionária for pregada por ano, é possível que o principal objetivo seja obter uma coleta maior. Isto pode ser obtido sem que a vida espiritual se aperfeiçoe absolutamente. Quando as missões tomam o seu lugar como o propósito principal da igreja em que existe realmente um espírito missionário, o ministro pode sentir a necessidade, vez após vez, de voltar ao assunto-chave, até que a verdade negligenciada, comece a dominar pelo menos alguns da congregação. É possível que, às vezes, embora não haja uma pregação direta sobre missões, todo o ensino sobre amor e fé, sobre obediência e serviço, sobre santidade e conformação a Cristo, possa ser inspirado por esta única verdade: devemos ser "imitadores de Deus e andar em amor, como Cristo nos amou, e se entregou a si mesmo como sacrifício por nós" (Ef 5.1,2).
Isto leva agora ao que, em vista da responsabilidade do ministro, é o ponto crítico - o objetivo principal de cada ministro deve ser preparar-se para esta grande tarefa.
Ser professor numa Escola de Professores ou de Treinamento exige um preparo especial. Inspirar, preparar e ajudar crentes não é fácil. Não basta ser um cristão sincero e ter tido treinamento no ministério. Trata-se de dar um espaço muito maior para as missões em nossos seminários teológicos. Mas até mesmo isto pode ser apenas parcial e preparatório.
O ministro precisa preparar-se para combater com sucesso o egoísmo que se contenta com a salvação pessoal, o mundanismo que não cogita de sacrificar tudo ou sequer alguma coisa por Cristo, a incredulidade que mede o seu poder de ajuda ou de bênção pelo que sente e vê. Ele, sem dúvida, precisará de um treinamento especial para equipá-lo neste sentido, a parte mais elevada e santa da sua vocação.
Como o ministro pode preparar-se para cumprir a sua responsabilidade?
A primeira resposta será, geralmente, pelo estudo.
"É possível que um dos maiores fatores no desenvolvimento do interesse missionário seja o estudo sistemático de missões".
Quantas vezes, no estudo da Bíblia ou na teologia, tudo é considerado simplesmente como um problema do intelecto, deixando o coração intacto. O indivíduo pode estudar e conhecer a teoria e a história das missões, faltando-lhe, todavia, a inspiração que esse conhecimento deveria dar. Estudar ciência com admiração, reverência e humildade é um grande dom - quanto mais isto é necessário na esfera superior do mundo espiritual e especialmente neste ponto, o destino maior da igreja, "o mistério de Deus"!
Para estudar missões, precisamos de uma profunda humildade que tenha consciência da sua ignorância e não confie em seu próprio entendimento; da espera e da paciência reverentes, dispostas a ouvir o que o Espírito de Deus pode revelar; do amor e da devoção que se deixam dominar e guiar pelo amor divino para onde quer que Ele leve.

O que o pastor precisa estudar especificamente?

Existem três grandes fatores no problema missionário.
(1) O mundo em seu pecado e miséria;
(2) Cristo em Seu amor agonizante;
(3) a Igreja como um elo entre ambos.

A primeira coisa é esta: estude o mundo. Descubra algumas das estatísticas que mostram a sua população. Pense, por exemplo, nos milhões de pessoas não evangelizadas que morrem todos os meses; despencando precipício abaixo e caindo nas trevas sombrias à razão de mais de uma a cada segundo.
Ou pegue um livro que o coloque frente a frente com o pecado, degradação e sofrimento de algum país especial.

- Estude seus diagramas, seus mapas, suas estatísticas.

- Pare um pouco e pense se acredita no que leu, se sente as palavras lidas.

- Faça uma pausa, medite e ore, pedindo a Deus que lhe dê olhos para ver e coração para sentir essa miséria.

- Pense nesses milhões como seus semelhantes.

- Olhe para a fotografia de um homem adorando uma cobra de pedra com uma reverência que poucos cristãos conhecem.

- Pense no significado disso até que não se esqueça mais. Esse homem é seu irmão. Ele tem, como você, uma natureza formada para adorar. Ele não conhece, como você conhece, o Deus verdadeiro. Você não se sente disposto a sacrificar tudo, até mesmo a sua pessoa, para salvá-lo?

- Estude o estado do mundo, algumas vezes como um todo, outras em detalhe, até que comece a sentir que Deus te colocou neste mundo sombrio com o único objetivo de estudar essas trevas e viver e ajudar aqueles que estão morrendo nelas.
Se você sentir, às vezes, que isso é mais do que pode suportar, clame a Deus para ajudá-lo a olhar novamente e novamente, até que conheça a necessidade do mundo.
Mas lembre-se sempre , o intelecto mais forte, a imaginação mais viva, o estudo mais cuidadoso, não pode dar a você a compreensão certa dessas coisas. Nada senão o Espírito e o amor de Jesus podem fazer você sentir o que Ele sente, e amar como Ele ama.

Depois disso, vem a segunda grande lição:

- O amor de Cristo, morrendo por esses pecadores e agora ansiando para que sejam atraídos para Ele. Não pense que você já conhece esse amor agonizante, esse amor que pousa sobre cada criatura da terra e anseia por ela! Se quiser estudar o problema missionário, estude-o no coração de Jesus.
O problema missionário é muito pessoal e se aplica a cada crente, mas é especialmente aplicável ao ministro que deve ser o modelo e o professor dos crentes. Estude, experimente e prove o poder do relacionamento pessoal, a fim de que possa ensinar bem este segredo profundo da verdadeira obra missionária.
Junto com o amor de Cristo vem o Seu poder. Estude isto até que a visão de um Cristo triunfante, com todos os inimigos a Seus pés, tenha lançado a sua luz sobre a terra inteira. A obra de salvação dos homens é de Cristo, tanto hoje como no Calvário, tanto na conversão de cada indivíduo como na propiciação pelos pecados de todos. O Seu poder divino continua a obra em Seus servos e através deles.
Ao estudar uma solução possível para o problema, em qualquer caso especialmente difícil, não deixe de fora a onipotência de Jesus. Com humildade, reverência e paciência adore a Ele, até que o amor e o poder de Cristo se tornem a inspiração da sua vida.
A terceira grande lição a ser estudada é: a Igreja, o elo entre o Salvador agonizante e o mundo agonizante. Aqui serão encontrados os mistérios mais profundos do problema missionário: que a Igreja seja realmente o corpo de Cristo na terra, com o Cabeça nos céus, tão indispensável para Ele quanto Ele é para ela! Que a Sua onipotência e o Seu amor remidor e infinito estejam ligados, para o cumprimento dos Seus desejos, com a fraqueza da Sua Igreja!
Que a Igreja tenha ouvido durante todos esses anos a declaração: As missões são o supremo objetivo da Igreja e mesmo assim se contente com um desempenho tão pobre! Que o Senhor esteja ainda aguardando para provar maravilhosamente como considera a Igreja uma só com Ele, e esteja pronto para enchê-la com o Seu Espírito, poder e glória! Que haja fundamento abundante para uma fé confiante em que o Senhor é capaz e está aguardando para restaurar a Igreja ao seu estado pentecostal, equipando-a, assim, para realizar a sua comissão pentecostal!
Em meio a este estudo surgirá a convicção mais clara de como a Igreja é realmente o Seu Corpo, dotada com o poder do Seu espírito, participando verdadeiramente do Seu amor divino, parceira abençoada da Sua vida e Sua glória. Essa fé será despertada se a Igreja se levantar e se entregar inteiramente ao Senhor. A glória pentecostal pode ainda voltar.
O mundo em seu pecado e miséria, Cristo em Seu amor e poder, a Igreja como o elo entre ambos - essas são as três grandes magnitudes que o ministro deve conhecer, se quiser dominar o problema missionário. Em seu estudo, ele pode usar as Escrituras, a literatura missionária, e livros sobre teologia ou sobre a vida espiritual. Mas a longo prazo, ele terá sempre de voltar à verdade: o problema é pessoal. Ele exige uma entrega completa e sem reservas de todo ser, passando a viver por esse mundo, por esse Cristo, por essa Igreja. O Cristo vivo pode manifestar-Se através de nós; Ele pode transmitir Seu amor em poder. Ele pode fazer nosso esse amor, a fim de que possamos sentir como Ele sente. Ele pode permitir que a luz do Seu amor caia sobre o mundo, para revelar a sua necessidade e a sua esperança. Ele pode proporcionar a experiência de quão íntima e real é a Sua união com o crente, e qu ão divinamente Ele pode habitar e atuar em nós.
O problema missionário é pessoal, devendo ser resolvido pelo poder do amor de Cristo. O ministro deve estudá-lo, a fim de aprender a pregar mediante um novo poder - missões, a grande obra, o fim supremo, de Cristo, da Igreja, de cada congregação, de cada crente, e especialmente de cada ministro.
Dissemos que a primeira necessidade do ministério, se quiser cumprir o seu chamado para as missões, é estudá-las. Mas quando começa a surgir a luz, e a mente se convence e as emoções são estimuladas, essas coisas devem ser imediatamente traduzidas em ação, caso não devam permanecer estéreis. E onde deve começar essa ação? Sem dúvida, em oração e no mais definida, pelas missões. Ela pode ser pelo despertar do espírito missionário na igreja como um todo, em sua própria igreja, ou em congregações especiais. Pode ser por algum campo específico. Ou talvez por si mesmo em especial, para que Deus dê e renove sempre o fogo missionário do céu. Qualquer que seja a oração, o estudo deve levar imediatamente a mais oração; caso contrário, o fruto talvez seja relativamente pequeno. Sem oração, embora possa haver aumento de interesse nas missões, mais trabalho e maior investimento, o verdadeiro crescimento da vida espiritual e do amor de Cristo nas pessoas, pode ser bastante reduzido.
Quando a vontade e o trabalho do homem são prioritários, a vida espiritual é fraca; a presença e o poder de Deus são pouco conhecidos. É possível haver pessoas que leiam livros missionários e façam fielmente contribuições liberais, embora haja pouco amor a Cristo ou oração pelo Seu reino. Você pode, por outro lado, ter pessoas simples, com condições de ofertar muito pouco, mas com esse pouco elas dão todo o seu coração em amor e oração. O nível espiritual destas últimas é mais alto, pois o amor de Deus é o alvo supremo. Ninguém deve vigiar tão atentamente quanto o ministro para ver se o entusiasmo missionário que ele promove em si mesmo e em outros é, de fato, o fogo que vem do céu em resposta à oração de fé para consumar o sacrifício. O problema missionário é pessoal. O ministro que resolveu esse problema para si mesmo, também saberá guiar outros para encontrar a sua solução no poder constrangedor do amor de Cristo.
Este texto faz parte do capítulo 8 do livro " A Chave para o Problema Missionário", de Andrew Murray, publicado pela editora da Missão Horizontes. Que o mesmo possa despertar não só líderes, mas o povo de Deus como um todo para a responsabilidade que nos cabe!

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

A FAMÍLIA CRISTÃ E A OBRA MISSIONÁRIA



“Porém se vos parece mal aos vossos olhos servir ao Senhor, escolhei hoje a quem sirvais... porém eu e minha casa serviremos ao Senhor.” Josué 24:13

Deus tem um propósito especial para a família cristã no seu plano missionário no mundo. Desde a chamada de Abraão Deus tem prometido também abençoar aqueles que a família cristã abençoar. Fomos chamados e constituídos por Deus para abençoar o mundo tanto com a nossa vida como com a nossa intercessão. O culto doméstico que deve ser cultivado pela família cristã se constitui numa excelente oportunidade para exercermos nosso chamado para ser uma bênção para o mundo. Quando a família cristã inclui intercessão missionária em sua prática devocional diária, ela está movendo o mundo na direção de Deus. Este é um privilégio da família que teme e serve ao Senhor em seu lar. Esta é uma oportunidade de toda a família “servir ao Senhor” (Josué 24: 15).

O papel missionário da família
Mais do que pessoas que vivem junto e sob o mesmo teto, uma família cristã é um grupo de sacerdotes de Deus na sociedade. Na história da salvação Deus tem continuamente trabalhado com famílias que entenderam que tinham um propósito especial no plano de Deus para o mundo. Isto não é diferente no seu plano mestre para a evangelização das nações. A obra missionária conta com a participação efetiva da família cristã de várias maneiras. Uma delas é intercessão diária e continua em favor do trabalho missionário que Deus está desenvolvendo nos diversos campos do mundo através daqueles cristãos que ele mesmo convocou e que conduziu para glorificar o seu nome entre as nações pelo testemunho e proclamação do seu Filho Jesus Cristo. Para nós, como família cristã, dever ser sempre uma alegria e grande privilégio estar incluídos neste plano divino. O nome de Deus será proclamado e honrado e os povos agradecerão com alegria.

Intercessão missionária na família
Na experiência de vida devocional vivida em família, um dos aspectos valiosos são as oportunidades de perceber a manifestação divina nas respostas às nossas orações. Podemos expressar nossos pedidos a Deus em família e como famílias ver e compartilhar as respostas divinas. O mover de Deus a partir do seio familiar se torna uma experiência gratificante e edificante para todos. As ações amorosas e poderosas de Deus, que são manifestações da sua própria natureza, passam a fazer parte das vivências e dos conceitos dos membros da família. Desta maneira todos podem aprender com a vida de oração lições de como discernir a direção de Deus em relação às ações de graças e aos pedidos a ele apresentados. No que diz respeito à intercessão missionária, a experiência de orar em família não somente nos une aos obreiros do Senhor espalhados nos campos missionários do mundo, mas também nos ajuda a cumprir a vocação missionária da família cristã. Através da intercessão em favor de missões a família cristã desempenha seu papel de agente intercessora na Obra de Deus no mundo.

A família missionária e o culto doméstico
O encontro familiar para o culto doméstico diário continua sendo uma força imensurável para a família cristã e para a obra do evangelho. Ainda que os tempos posmodernos tenham desvirtuado tantos aspectos positivos e transformados outros no convívio familiar, famílias cristãs continuam tendo a plena consciência da importância de orar em família, cultuar em família, fazendo do lar um altar em permanente oferta de cheiro suave ao Senhor. Além de reforçar valores bíblicos e cristãos, promover a unidade e compreensão familiar, de aprender sobre Deus e com Deus, o culto doméstico também pode se tornar uma experiência missionária valiosa. Existe farto material missionário disponível para o uso da família em seus momentos devocionais. Literaturas denominacionais trazem diariamente a relação dos missionários aniversariantes, revistas publicam material inspirativo e informativo dos campos, a internet veicula diariamente pedidos de oração em favor do trabalho missionário nos cinco continentes. O culto doméstico pode ser um espaço familiar onde a obra missionária pode (e deve) se tornar objeto de intercessão. Desta forma o culto doméstico pode se tornar também um espaço missionário na família cristã.

A família movendo o mundo
No recinto tranqüilo e calmo do lar cristão pode ser travada uma batalha de proporções mundiais e com conseqüências eternas. Quando a família cristã ora pelo mundo, ela está movendo os céus em favor salvação de almas. E é na calma do recinto do lar que a família pode se unir a tantos outros cristãos na batalha espiritual que é enfrentada diariamente para levar as boas novas do evangelho aos confins da terra. Por exemplo, quando uma família adota uma família missionária no campo como parceiros em oração, pode ter a plena certeza de que vitórias serão alcançadas não somente na vida da família missionária, mas também no seu trabalho. Quando a família faz a sua parte na obra de Deus através da intercessão missionária, sua ação espiritual será sentida nos campos e nas vidas pelas quais intercede. Se realmente cremos que “a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos” (Tiago 5:16), muito mais a oração de uma família comprometida com Deus e com a sua obra fará em favor do avanço do evangelho no mundo.

Orando por missões nos lares
A Igreja missionária sabe do valor do lar na intercessão e sabe também que tem nos lares um aliado na intercessão missionária. Em um tempo quando as pressões do dia a dia da vida agitada e corrida tende a sufocar nossas práticas de espiritualidade cristã, feliz e abençoada é a família que continua lendo a Bíblia e orando junta, fazendo do seu lar um santuário de intercessão missionária.
Não podemos esquecer da tremenda competição que a vida devocional do cristão encontra com dois dos aparelhos eletrônicos que têm todas as possibilidades para ser uma bênção, se forem manuseados com sabedoria e debaixo da orientação e senhorio de Cristo: o televisor e o computador. Se não tivermos autoridade sobre estes recursos eletrônicos em sua vasta programação e suas grandes possibilidades, estaremos sujeitos a não encontrar tempo durante o dia para estar com o Senhor dentro da nossa própria casa. Precisamos de sabedoria divina, força espiritual e determinação pessoal para sabermos controlar nosso tempo e dominar a fúria destes dois instrumentos que têm sido usados em sua tirania inconsciente pelo inimigo da nossa fé, uma vez que têm sido manipulados por forças espirituais sob o domínio de satanás, o príncipe deste mundo. Que saibamos fazer destes recursos nossos aliados para cumprir a nossa tarefa cristã no mundo, sobretudo na intercessão em favor da evangelização dos povos e nações, conforme o mandato do Mestre Jesus.

Um lar em oração
A igreja cristã conhece João Marcos, um dos discípulos de Jesus do primeiro século cristão, somente pelo nome de Marcos. Ele foi companheiro de Paulo no trabalho missionário, que o considerou um companheiro “muito útil” na sua equipe, depois de vencidas algumas dificuldades pessoais que surgiram a princípio. Mas mencionamos Marcos neste texto pelo contexto no qual ele aparece no livro de Atos quando a casa da sua mãe é mencionada como um lar que abrigava uma reunião de oração. No texto lemos que o apóstolo Pedro “se dirigiu à casa de Maria, mãe de João, também chamado Marcos, onde muita gente se havia reunido e estava orando” (Atos dos Apóstolos 12:12). O contexto social e histórico era de total perigo. Havia sido desencadeada uma perseguição à igreja cristã - aos apóstolos e aos discípulos de Jesus Cristo em geral. Enquanto alguns líderes judeus planejavam como destruir a fé cristã, a igreja orava. Enquanto o rei Herodes prendia e matava alguns cristãos, a igreja orava. Enquanto ele mantinha o apóstolo Pedro na prisão, os irmãos se reuniam para interceder junto a Deus pela sua preciosa vida. Enquanto os guardas cumpriam sua tarefa de manter Pedro acorrentado em cadeias, a igreja missionária dobrava os seus joelhos em ferventes orações intercessórias em seu favor. E enquanto a igreja fazia a sua parte na obra, Deus agia em resposta à intercessão do seu povo. E enquanto a igreja intercedia o anjo do Senhor cumpria a sua missão de responder às orações libertando Pedro de maneira milagrosa de uma das prisões mais bem equipadas e guardadas do rei Herodes. E vemos o poder de Deus agindo em resposta à intercessão daquele lar que se transformou em uma célula de intercessão. Mais uma vez se cumpria a promessa de Deus na história em resposta à oração do seu povo: “Assim diz o SENHOR que fez a terra, o SENHOR que a formou e a firmou; seu nome é SENHOR: Clame a mim e eu responderei e lhe direi coisas grandiosas e insondáveis que você não conhece" (Jeremias 33: 2,3).

Família: altar missionário
Um lar cristão deve ser muito mais que uma moradia de uma família. Deve ser um altar onde os membros da família consagram diariamente suas vidas ao Senhor em devoção sincera. A sociedade posmoderna tem permitido que muitos lares sejam transformados em locais de desentendimentos, idolatria, desconforto, e sofrimento. Como cristãos cremos que Deus tem um propósito maior para uma família, além de que vivam sob um mesmo teto. Assim como o primeiro campo missionário dos pais cristãos deve ser o seu próprio lar, o primeiro santuário de uma família cristã deve ser o seu lar, ou seja, um lugar santo, lugar onde Deus habita, lugar de encontro com Deus, morada de sacerdotes do Senhor e onde se pratica diariamente a intercessão pelo mundo perdido. É no lar onde toda a família pode consagrar a sua vida participando da obra de Deus através da intercessão missionária familiar. Podemos afirmar que a família que ora unida não somente permanece unida, mas também experimenta as verdades espirituais e humanas maravilhosas que nos são ensinadas pela comunhão diária com o Senhor. Descubra o altar de consagração e benção que Deus tem dado à sua família em seu próprio lar. Faça do seu lar um altar para a glorificar a Deus.


Pr. Lúcio Guimarães

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

CUIDADO INTEGRAL DE MISSIONÁRIOS


LAR – LICENÇA PARA ATUALIZAÇÃO E RENOVO



1. O QUE É LAR? O termo utilizado para o período que o missionário passa de tempos em tempos em seu país de origem ainda não havia sido escolhido em português. Em inglês há pelo menos dois termos, furlough e home assignment.
Após uma consulta a vários participantes do cuidado de missionários e a missionários por email, houve uma votação, e a maioria considerou que LAR, Licença para Atualização e Renovo seria uma sigla interessante.

Este tempo de Atualização abrange tempo com família e amigos, um visita a base enviadora, estudos, tratamento de saúde, a atualização da igreja na pátria em relação ao ministério do campo, divulgação e levantamento de sustento. O Renovo se refere a questão de descanso físico e renovo espiritual e emocional. As obrigações do LAR e o tempo de duração do mesmo vão variar de agência para agência.



Neste fórum temos algumas colaborações sobre este tempo crucial de divulgação que o missionário passa junto à sua igreja e renovando os laços com amigos e família.


2. A OUTRA PARTE DO MINISTÉRIO MISSIONÁRIO

Temos uma boa noção do trabalho do missionário enquanto ele está no campo: estudo de idioma, adaptação e estudo da cultura, contato com as pessoas, apresentação do evangelho, discipulado, boas obras etc.



Mas o que acontece quando ele volta temporariamente ao seu país de origem? Essa é uma prática comum e necessária, que acontece geralmente a cada dois ou três anos.



Temos até um exemplo bíblico, quando Paulo e Barnabé voltaram à igreja para compartilhar o que Deus tinha feito durante sua viagem missionária: “e dali navegaram para Antioquia, onde tinham sido recomendados à graça de Deus para a obra que haviam já cumprido. Ali chegados, reunida a igreja, relataram quantas coisas fizera Deus com eles e como abrira aos gentios a porta da fé. E permaneceram não pouco tempo com os discípulos” (Atos 14.26-28).



Contar às igrejas o que Deus tem feito entre outros grupos étnicos e nações é muito importante. Serve para animar os irmãos, desafiá-los a continuar orando e apoiando financeiramente, e também para desafiar outros a obedecerem ao chamado missionário.



Outras atividades do missionário nesse período, além das visitas às igrejas, são (ou deveriam ser): descanso físico, mental e espiritual. O desgaste no campo é contínuo e quotidiano. Às vezes é preciso falar duas ou três línguas fluentemente, se esforçar para entender e se adaptar a uma cultura totalmente diferente da sua e travar uma batalha espiritual para trazer luz em meio às trevas – tudo isso traz um desgaste que necessita ser compensado e cuidado. Ter momentos de refrigério, estar com familiares e amigos, ir ao culto somente para participar, louvando a Deus, desfrutando da comunhão dos irmãos e ouvindo a Palavra, são atividades importantíssimas para que o missionário e sua família recarreguem as baterias antes de voltar ao campo.


Igualmente importante é cuidar da saúde física. Um check-up médico e odontológico é imprescindível, pois, na maioria das vezes, isso não é feito no campo, seja por falta de condições financeiras, seja por falta desses serviços no local.



Se o missionário vem por um período maior, seria importante também participar de algum curso, conferência, ler livros, atualizar-se em sua área – enfim, tudo o que possa contribuir para que ele adquira novas ferramentas necessárias ao seu trabalho.


A volta ao país de origem é outra parte do ministério, mediante a qual o obreiro compartilha e contribui para a visão missionária da igreja, além de cuidar de si mesmo e sua família. Jesus mesmo nos deu o exemplo: após um período intenso de trabalho, ele chamou seus discípulos para descansar (Mc 6.30-32).



Que tanto as igrejas como nós mesmos, os missionários, estejamos conscientes dessas necessidades e prontos para supri-las.



3. O tempo de LAR (Licença para Atualização e Renovo) e, em particular o primeiro é um acontecimento ansiosamente aguardado. Mas para muitas pessoas, torna-se um tempo inesperadamente difícil e confuso. Aqui são indicadas algumas das dificuldades que muitas pessoas sentem, e alguns pensamentos sobre como lidar com elas.



Escrevi na perspectiva de um obreiro solteiro e, portanto, não abordo alguns dos problemas específicos que enfrentam as famílias e as crianças no LAR.



Dificuldades:



1. Tempo de divulgação As visitas a igrejas e amigos podem ocupar todo o tempo. Muitos obreiros viajam milhares de quilômetros e isso não os ajuda a descansar ou achar restauração.



2. A Perda do papel profissional pode causar algum desconforto, muitas vezes inconscientemente. Parece que você está gastando muito tempo falando sobre o que você faz, mas você não está realmente ‘fazendo’ nada!



3. Ver amigos progredindo em suas vidas e carreiras e pensar na vida que você tem como resultado de seguir o chamado de Deus pode causar estresse e te deixar chateado. Isto é especialmente verdadeiro para pessoas solteiras quando eles vêem seus amigos com famílias.



4. Não querer retornar para o campo.



Possíveis maneiras de lidar com estas dificuldades:



1. Tempo de divulgação e visita a amigos mantenedores. Tente separar o tempo, com antecedência, para fazer isso. E, igualmente importante, separe o tempo para não fazer isto. Caso contrário, as visitas vão ocupar todo o seu tempo de LAR facilmente e você não vai se sentir descansado quando voltar.



A regra dos terços é útil: um terço – divulgação; um terço – de férias e tempo com os mais chegados;



Um terço – de atualização profissional e espiritual.


Lembre-se que a divulgação é trabalho, e visitar as pessoas não é necessariamente restaurador, mas trabalho, principalmente para os introvertidos.



Peça (diga!) aos seus mantenedores para que reservem datas para palestras com antecedência, de preferência antes de chegar ao seu país de origem. Desta forma, você pode agrupar as visitas geograficamente e reduzir algumas das viagens.



Aprenda a dizer não quando as pessoas pedirem muito tarde. Isso é difícil de fazer, mas essencial se você for se beneficiar do tempo de LAR.



Você pode dizer algo como: “Lamento, mas minha agenda está cheia para o resto da minha licença. Gostaria muito de visitar seu grupo na minha próxima licença.”



Então, faça uma anotação para perguntar-lhes com antecedência na próxima vez.



Lembre-se que o tempo gasto em uma palestra inclui viagem e preparação, e não apenas a reunião propriamente dita.


Seja proativo em perguntar às pessoas que quiser visitar. Assim, você pode manter algum controle sobre quando você vai visitá-las.



Planeje tempo de férias. Estes tempos de férias também serão boas lembranças quando você estiver de volta no campo. Faça algumas de suas atividades favoritas / hobbies que você talvez não tenha tempo ou a liberdade de fazer no país onde você está trabalhando.


Pense nas coisas de que mais sente falta quando você está no exterior e faça-as!
Certifique-se de que você gasta bastante tempo com sua família / as pessoas que são queridas para você. Não é só tempo de qualidade que conta, mas a quantidade de tempo. Você não tem que planejar eventos especiais para cada vez, ser apenas uma parte do seu quotidiano é o que importa. Não se sinta culpado sobre isso.



Quando você estiver no campo, você não vai poder ‘dar um pulo’ para estar com eles como pode, se você está vivendo em seu país de origem.


Da mesma forma, tente priorizar o tempo em sua igreja local como um membro normal (ao invés do “palestrante convidado”). Veja se você pode visitar outras igrejas nos dias de semana, em vez de aos domingos. Se você estiver viajando, todos os domingos em alguma reunião, você não vai sentir que se reconectou com a sua igreja local, e eles não vão sentir que tiveram tempo com você, e você terá perdido uma oportunidade para o sua renovação espiritual.



Finalmente, você pode ouvir comentários como: “Que bom ter 6 meses de férias!” Você pode querer tentar esclarecer o que realmente implica o tempo de LAR. Em todo o caso, tente reagir gentilmente, quando confrontado com tais comentários, o que pode ser muito irritante e desanimador, especialmente quando estiver cansado.


2. Papel Profissional. Tente planejar com antecedência qualquer curso ou estudo privado para ajudá-lo a se desenvolver profissionalmente.




Muitos cursos precisam de reserva com antecedência.



3. Estilo de vida. Lembre-se que você mudou muito, e as experiências que você tem são igualmente de grande valor. Lembre-se que muitas pessoas realmente invejam a vida que você tem. Muitos gostariam de fazer o que você está fazendo, mas se sentem amarrados em seu país de origem.




Tente focalizar as coisas boas de sua experiência no exterior.



Lembre-se das coisas que Deus lhe ensinou, e fique firme na fé para a qual Ele o chamou, e lembre-se que os horários estão em Suas mãos.


Se for possível, tenha sua própria casa, ou a sua própria base, que é um lar para você, quando você está no seu país de origem.



Idealmente, esse lugar deveria ficar perto de sua igreja de origem. Viver constantemente como convidado de outras pessoas é muito cansativo.




Organize as suas férias e suas atividades profissionais a partir dessa base.



Você vai ter que se deslocar para a divulgação, mas isto deveria tomar apenas um terço do seu tempo.



4. Não querer voltar ao “campo”. Quase todos sentem isso, então não se sinta de alguma forma anormal, nem pense que isso significa que você não tem chamado. Mesmo aqueles já serviram no exterior por muitos anos, dizem que sentem isso. Se não houver nenhuma razão óbvia para ficar em seu país, então isso provavelmente significa que Deus quer que você volte para o campo, mesmo que você não sinta a emoção que sentiu quando foi pela primeira vez. Desta vez, você sabe o que te espera e é mais difícil entrar no avião do que foi da primeira vez.


Mas tende bom ânimo! É mais fácil chegar lá do que foi na primeira vez. Tudo é familiar e os relacionamentos são mais profundos, porque você tem história com as pessoas. O próprio fato de você ter voltado mostra às pessoas que você está comprometido com elas.



Uma forma de lidar com o sentimento de não querer voltar para mim foi dizer a mim mesmo que iria retornar por seis meses e, em seguida, reavaliar a situação. Seis meses parecia um tempo com o qual eu podia lidar mais facilmente do que três anos. No final, já na primeira semana de volta, eu sabia que era o lugar onde Deus queria que eu estivesse.


Se existem aspectos específicos de seu trabalho no exterior que precisam ser alterados, a fim de ajudá-lo a viver e trabalhar lá, então resolva essas questões. Se você trabalha muitas horas, tome providências para cortá-las. Se você tem muitas responsabilidades diferentes corte algumas fora.




Sua equipe está trabalhando há vários meses sem você, então durante o tempo de LAR seria um bom momento para fazer uma mudança. Seja realista sobre o que é sustentável para você a longo prazo. Isto é uma maratona e não um sprint.



5. Por fim, nenhum de nós fará tudo certo e vamos aprender com nossos próprios erros.



Mas às vezes pode ajudar aprender com os erros dos outros também. Ser prevenido vale por dois!



Elspeth Paterson

OBS. Verifique que você tem alguma maneira de lembrar as suas senhas de banco etc. Facilmente esquecemo-nos delas enquanto estamos fora, no campo.



(tradução de Jan Greenwood)

sábado, 13 de agosto de 2011

SER OU NÃO TER, EIS A QUESTÃO


Um Dilema do Missionário Brasileiro

Valdir Xavier de França

INTRODUÇÃO

É muito raro encontrar um missionário brasileiro mundo afora que não tenha problemas com o seu sustento. Independentemente de ser um missionário denominacional, de uma agência missionária de fé ou outra qualquer. E não é tão raro assim encontrar cristãos que usam o versículo de Fil. 4:19 (E o meu Deus suprirá todas as vossas necessidades segundo a sua gloriosa riqueza em Cristo Jesus) para exortar aqueles que estão esmorecendo na fé e precisando de ânimo, especialmente no que diz respeito a grande crise que todos enfrentamos em nosso dia a dia.

O curioso é ver que nem todos se preocupam em dar uma olhadinha no porquê do apóstolo declarar essa benção sobre a Igreja de Filipos. Ele o fazia em gratidão pela oferta missionária que aqueles irmãos levantaram para o seu ministério, a fim de aliviarem-no de algum aperto ou mesmo liberá-lo para o trabalho de evangelismo em Tessalônica, para onde partira depois de estar em Filipos, já que ele também tinha o seu ofício. Porém, o fato é que neste momento da sua vida a Igreja de Filipos compreende o seu trabalho e de maneira generosa se torna sócia desse missionário.

UMA REALIDADE

Figurando como a segunda maior causa de abandono de missionários brasileiros do campoi, o sustento financeiro, sem dúvida alguma, é sempre um dos aspectos mais dramáticos na vida de qualquer família missionária brasileira hoje. O dilema de ser vocacionado e muitas vezes não ter como ir ao campo ou até mesmo voltar dele pela crise do não ter sustento adequado é um tanto quanto estressante para os nossos irmãos missionários.

Estou dizendo isto porque via de regra a Igreja brasileira entende que uma das provas da vocação do missionário é Deus suprindo todas as suas necessidades financeiras, e isto é verdade, porém o equívoco, é pensar que Deus não deve contar com a igreja local para essa missão.

COMPREENDENDO NOSSO CONTEXTO

A maioria das nossas igrejas locais não tem consciência da sua vocação missionária no mundo. Elas não tem como prioridade a obediência à Grande Comissão de nosso Senhor Jesus. Os compromissos locais e denominacionais ofuscam a visão de muitas congregações, que prioritariamente investem local e denominacionalmente, aumentando o sintoma da miopia missionária.

Sendo assim, o trabalho missionário transcultural é relegado a um segundo plano ou tratado com muita indiferença pela liderança da igreja. Não sendo prioridade, logo, o sustento do missionário também não é tão importante assim. Penso que isto é resultado de uma visão exacerbada do ministério pastoral, que tem se tornado mais importante para as estruturas eclesiásticas do que todos os outros dons concedidos à Igreja (Apóstolos, Profetas, Evangelistas, Pastores, Mestres, Ef.4:11), visto que o ministério pastoral, irá fazer a manutenção da igreja local e é isto o que muitas vezes interessa mais para as denominações e igrejas locais. Daí o missionário não “precisar” de um treinamento tão bom quanto o do pastor e não ter um sustento tão “bom” e estável quanto o do pastor.

“NOSSO” MODELO

Alguns, quando partem para o campo missionário, declaram que estão indo pela fé e assim não se preocupam ou não conseguem levantar o sustento adequado, na esperança de que Deus venha de alguma maneira suprir sobrenaturalmente, e Deus na sua infinita misericórdia o faz muitas vezes, porém isso não deve ser estabelecido como regra geral, nem prática que deva ser institucionalizada.

Alguns outros, trabalham de modo certo, levantam seus mantenedores e confiam que estes serão fiéis e que vão corresponder as expectativas. Geralmente as pessoas ficam muito motivadas a contribuir quando vêem o missionário compartilhar suas experiências no campo e resolvem se comprometer a enviar certa quantia mensal, porém com o passar dos meses, muitos se esquecem e deixam de contribuir. Outras prioridades, problemas financeiros, enfim, qualquer dificuldade que venham a enfrentar, o primeiro corte sempre é na oferta do missionário, que estando no campo fica sem o sustento para as suas necessidades básicas, muitas vezes as mínimas necessárias.

CONSIDERAÇÕES

Gostaria de considerar alguns fatores que muitas vezes não percebemos em nosso fazer missionário desde o Brasil e que estão diretamente relacionados ao sustento financeiro de missionários. O contexto de instabilidade econômica e política em que vivemos nos afeta profundamente e sem dúvida tem o seu papel nessa história. Não é fácil para qualquer comunidade atualizar diariamente na base do dólar “paralelo” os seus compromissos missionários.

Talvez devêssemos até mesmo considerar o modo como temos enviado (e para onde) nossos missionários a partir da América Latina. Será que, ao repetirmos os modelos importados das missões de fé, não estaríamos contribuindo para o aumento desse problema, sem ao menos nos preocuparmos em descobrir um modelo nosso, típico da América Latina em crise política e financeira crônica?. Ou até mesmo quem sabe buscar novas alternativas dentro do que tem sido dito sobre parceria. Não como estas que tem sido ditadas pelas instituições missionárias onde a família missionária e a igreja local entram com o obreiro, o capital e todas as obrigações para com os mesmos e as organizações se beneficiando da parte “estratégica” dessas parcerias.

Como estamos num fórum de debate e discussão, quero apresentar três pistas para a nossa reflexão, que creio eu, podem enriquecer o nosso pensar sobre o dilema de muitas famílias missionárias brasileiras, que tem um chamado a realizar, porém não tem condições de cumpri-lo.

1. Um modelo que precisa ser reavaliado – Creio que precisamos nos libertar desse modelo que lança a família missionária, sozinha em busca de seu próprio sustento e a envia muitas vezes sem um projeto definido e claro. Ele é de certa forma, um tanto quanto perverso para com o missionário e sua família, precisando ser reavaliado urgentemente (famílias de missionários brasileiros entendem bem o que falo aqui). Se a agência missionária quer realmente o trabalho daquele determinado obreiro, ela precisa também pagar a conta. Existe um certo amadorismo em algumas destas instituições que enviam os indivíduos e toda a responsabilidade recai sempre sobre a família missionária e quando as dificuldades financeiras surgem, uma das práticas é enviar o saldo devedor para o missionário no campo, aumentando assim sua agonia e estresse quanto a questão financeira.

2. Buscando equilíbrio na corda bamba – Sair do amadorismo que cerca muitas das nossas instituições missionárias e buscar um modelo mais profissional de gerenciamento e administração de recursos é realmente um desafio para todos nós. Criatividade e produção de fontes de recursos para investir não somente na administração, mas como também na vida de pessoas, deveria ser uma prioridade para agências missionárias. Precisamos de pessoas apaixonadas que dêem suas vidas sacrificialmente ao Senhor a fim de que o evangelho do Reino de Deus seja pregado a todas as gentes. Porém, precisamos do mesmo nível de compromisso daqueles que estão nos bastidores em providenciar e cuidar para que aqueles que estão na linha de frente não abandonem seus postos e voltem ao país simplesmente por falta de recursos.

3. A falta de fidelidade da Igreja brasileira quanto aos compromissos assumidos – Um outro desafio que está a nossa frente e que precisamos vencer, é quanto a falta de fidelidade da Igreja brasileira. Temos comunidades com carisma, porém sem caráter. Pastores, líderes, conselhos missionários e crentes em geral são aqueles que prometem sustento, porém logo voltam atrás e deixam aqueles que confiaram em situação difícil. Isto acontece muitas vezes sem nenhum comunicado, carta, e-mail ou telefonema para dizer, cara a cara, que a comunidade não estará mais contribuindo ou coisa parecida. Creio que isto reflete um pouco da crise de caráter que vivemos enquanto Igreja brasileira. Nosso falar deve ser SIM, SIM, e NÃO, NÃO e o que passar disso vem do maligno.

CONCLUINDO

A tensão existente em nossas igrejas, entre o trabalho local e o transcultural não é tão nova assim. Ela remonta a Igreja primitiva, porém algumas de nossas atitudes são bem diferentes das dos nossos irmãos no que diz a respeito a investir na obra missionária.

Para nós hoje, a grande dificuldade em levar o evangelho a todos os povos não são as portas fechadas ou as barreiras de linguagem, cultural e etc., mas sim o apelo consumista que nos faz pensar que precisamos de coisas que não precisamos, nos levando a consumir mais e mais coisas que são irrelevantes para a eternidade, enquanto consagramos menos e menos ao Senhor.
Estamos enfim diante de um grande dilema missionário brasileiro: Ser e não ter!

i Em “Too Valuable to Lose: Exploring the Causes and Cures of Missionary Attrition”, editado pôr William D. Taylor
Kroll, Woodrow, Home Front Handbook: How to Suport Missions Behind the Lines

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

DAI-LHES VÓS DE COMER...

"LIVRA OS QUE ESTÃO DESTINADOS À MORTE E SALVA OS QUE CAMBALEIAM SENDO LEVADOS PARA A MATANÇA. SE PUDERES. MAS SE DISSERES QUE NÃO PODEM, POR ACASO NÃO SABERÁ ÀQUELE QUE SONDA OS CORAÇÕES?"


VEJA E SINTA ISTO!


Somalis se deslocam em busca de pastos mais verdes após seca prolongada. O número de refugiados que necessitam de assistência tem aumentado em países afetados pela seca severa, como a Somália, Quênia, Djibuti e Etiópia



Somalis chegam à capital Mogadishu buscando fugir da seca prolongada. A região conhecida como 'Chifre da África', no leste do continente, está sofrendo com a pior seca dos últimos 60 anos




No Quênia, refugiados recém-chegados da Somália observam, atrás de uma cerca, o centro de distribuição de alimentos de Dadaab, o maior campo de refugiados do mundo



Uma família de refugiados somalis a pé, de mãos vazias, aguardam no ponto de registro e distribuição de alimentos do campo de refugiados de Dadaab, no nordeste do Quênia



A criança, desnutrida, chora nos braços de sua mãe, no hospital de Wajir District, no Quênia. A pior seca no Chifre da África provocou uma grave crise alimentar e aumentou as taxas de desnutrição em países como Quênia e Somália


carcaça de uma vaca perto de Lagbogal, 56 km da cidade de Wajir, no Quênia. A ONU afirma que o Chifre da África ainda não vive uma situação de fome, mas sim uma emergência humanitária que está piorando rapidamente



Carcaças de gado se encontram pelo campos secos da África. Ao fundo, burros se abrigam debaixo de uma árvore, próximo a Lagbogal, a 56 km de da cidade de Wajir



Mãe lava criança desnutrida com solução de ervas em abrigo improvisado em Mogadíscio, na Somália


Criança que sofre com os efeitos da fome aguarda por tratamento em abrigo



A morte beira os abrigos onde crianças desnutridas lutam para sobreviver, em Mogadíscio



A morte beira os abrigos onde crianças desnutridas lutam para sobreviver, em Mogadíscio



Pessoas famintas sobrecarregam os centros de distribuição emergencial de alimentos em Mogadíscio, que está devastada pela seca



Famintos vindos do interior do país aguardam na fila em ponto de distribuição de comida no campo de refugiados em Mogadíscio



Médico examina criança de sete meses de idade, que pesa apenas 3,4 kg, em hospital de Dadaab, no Quênia




Criança de 2 anos desnutrida recebe tratamento em hospital Banadir, na capital somali, Mogadíscio. Um segundo avião aterrissou nesta sexta-feira no país, trazendo mais de 20 t de alimentos



Famintos, refugiados aguardam em imensa fila para receber sua cota de comida em Mogadíscio




Refugiados fazem filas do lado de fora de um centro de distribuição de alimentos em Dadaab, no Quênia




Refugiada idosa aguarda para receber comida dentro de um centro de distribuição de alimentos em Dadaab, no Quênia. O local foi projetado para receber 90 mil pessoas, mas mais de 440 mil estão lá atualmente. A maioria vinda da Somália, um dos países que mais sofre com a pior seca dos últimos 60 anos na região conhecida como Chifre da África





Criança chora ao receber uma vacina em um centro de distribuição de comida, em Dadaab, no Quênia



Um homem dá leite para seu filho, em um hospital na cidade de Dadaab, no Quênia



Mulheres afetadas pela seca na Somália esperam para receber comida, em Mogadíscio



Adam Ibrahim, um menino de 5 anos com desnutrição grave, descansa em uma tenda no campo Badbado, na Somália



Mulher cuida de seus filhos desnutridos, no campo de refugiados Badbado, perto de Mogadíscio



Crianças desabrigadas esperam para receber comida no campo de refugiados de Badbado, na Somália



Mulher carrega seus filhos subnutridos em um hospital na cidade de Banadir, na capital da Somárlia, Mogadíscio



Crianças aguardam atendimento no hospital de Banadir



Subnutrida, menina é atendida no hospital Banadir, em Mogadíscio. A ONU alertou que a fome deve se espalhar por todo o sul da Somália, fazendo com que dezenas de milhares busquem comida na capital



Mulher somaliana que se refugiou no Quênia espera por atendimento do lado de fora de um hospital, em Dadaab



Homem da Somália refugiado no Quênia faz exame de sangue em hospital de Dadaab




Médico examina criança de sete meses de idade, que pesa apenas 3,4 kg, em hospital dMenino subnutrido chora em um hospital do campo de refugiados de Dadaab, no Quênia, onde estão cerca de 440 mil refugiados. A maioria vem da Somália, que sofre com a guerra civil e enfrenta a pior seca das últimas seis décadas. Mais de mil pessoas por dia chagam a Dadaab, que tem capacidade para 90 mil pessoas


Corpo de criança de 1 ano é visto antes do enterro no acampamento de refugiados de Dadaab, no Quênia, na fronteira com a Somáliaa



Criança de 3 anos sofre com a dor da fome no vilarejo de Naduat, em Nairobi, no Quênia



Criança sofre com a desnutrição e a sujeira em acampamento improvisado em Mogadíscio, na Somália



Pais aguardam por atendimento médico aos filhos desnutridos no hospital Banadir, em Mogadíscio




Pais aguardam por atendimento médico aos filhos desnutridos no hospital Banadir, em Mogadíscio




Pais aguardam por atendimento médico aos filhos desnutridos no hospital Banadir, em Mogadíscio



Mulher segura seu filho subnutrido, em Nakinomet, no nordeste do Quênia



Mulher segura seu filho subnutrido, em Nakinomet, no nordeste do Quênia




Somalis fazem linha para serem vacinados contra o sarampo no campo de refugiados de Kobe, em Dolo Ado, na Etiópia



Somalis fazem linha para serem vacinados contra o sarampo no campo de refugiados de Kobe, em Dolo Ado, na Etiópia

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

MISSÕES E O MINISTÉRIO DA INIQUIDADE...




... Salários baixos que nunca aumentam…

Bráulia Inês B. Ribeiro

Tem coisas que só se pode entender à luz daquele “mistério da iniqüidade” que Paulo cita em II Ts 2:7. Engraçado né, entender uma coisa por causa de um “mistério”, mas é assim mesmo(1).
Por que será que missionários ganham tão pouco? Mas me desculpe, antes da pergunta vamos à afirmação. É sim, missionários em geral ganham muito menos do que os pastores das igrejas locais. O missionário é uma espécie de contínuo do clero protestante, ganha o menor salário mas trabalha para todos. Pode ser que você tenha ouvido falar de algum missionário meio “nababo”, mas posso te afirmar que não é a regra, é com certeza uma excessão… Nasceu com o traseiro para a lua, ou é muito bom de papo e infelizmente pode ser que nem seja tão bom de trabalho… A regra é que os salários de missionários pagos pelas igrejas na maioria das vezes não correspondem nem a 30% do salários pagos pelas mesmas igrejas a seus pastores locais. E não só isto, mas os salários missionários são geralmente salários congelados, ou seja nunca aumentam. Não são indexados a nada, nem à inflação, nem ao salário mínimo, nem ao dólar, nem à receita da igreja.


Não sei como raciocinam os defensores destes salários congelados. Tudo sobe, a conta de luz da igreja, o salário do pastor, os gastos em geral, e os dízimos que a igreja recebe também é claro. Mas certamente eles esperam que o missionário consiga de uma forma milagrosa se “proteger” dos aumentos… Se ele viajava de avião, que viaje de ônibus agora, se viajava de ônibus, que pegue carona em boléia de caminhão! Se tinha luz em casa, que acenda velas, isto é, se elas não aumentarem muito de preço. Se comia carne, que coma ovo frito, ora pois! Mas ai dele se parar de trabalhar na obra para se “virar” com algum bico, certamente perderá o sustento.

Muitos pensam: – mas os missionários em geral recebem de muitas fontes diferentes e os pastores só de uma. É verdade. Alguns investidores com coração missionário sincero defendem a “pulverização” de seu investimento em missões. Ou seja, sustentam muitos com pouquinho. Cem missionários com cem reais cada um ao invés de dez com mil.

Há vantagens e desvantagens nesta maneira de pensar. A vantagem é que o investidor se sente feliz e parte de muita coisa, de muitos missionários. “-Estou investindo na China, Angola, Uganda, Kênia, Ruanda, Málaga, México, Peru, Afeganistão, Uzbequistão, Kazaquistão, Índia, França, Itália, nas tribos indígenas e mais em um monte de outros países!!” Mas junto com esta aparente vantagem mora também um problema. Porque investe em muitos lugares ele acaba não amando seriamente a nenhum. Ele não tem envolvimento profundo com nenhum projeto, e não gasta horas em oração por nenhum povo. Investidores também deveriam ter chamado específico. Abraçar projetos com o coração, entender profundamente os desafios de cada um, ajudar nas estratégias, pensar com o missionário, ajudá-lo a investir certo, etc. A pulverização enfraquece o relacionamento investidor-missionário e é de relacionamentos que o reino de Deus subsiste.

Outra implicação desastrosa disto é que o missionário por sua vez tem que sair buscando de muitas e muitas fontes para poder completar um orçamento razoável que lhe permita não só viver mas também realizar o projeto para o qual foi chamado. Isto significa muita humilhação, muita bateção de porta em porta e muita porta na cara também. A cada novo projeto que pretende realizar, a cada curso que quer fazer, ou a cada desafio que seu trabalho em missões lhe apresenta ele tem que sair novamente batendo de porta em porta, pedindo, escrevendo cartas, pedindo, pedindo, pedindo.

A suposta vantagem de ter muitas fontes não deriva de nenhum motivo espiritual como pensam alguns, mas de uma triste constatação de fatos. Muitos investidores e igrejas, quando passam por algum problema financeiro, para equilibrar as contas, cortam em primeiro lugar o salário do missionário entre os gastos supérfluos. Muitos sem nem avisar ao pobre coitado lá no campo. De repente aqueles cem ou duzentos reais param de vir. Outras vezes as juntas denominacionais se reúnem e discutem:

Por que é que ajudamos esta fulana lá na Índia? Vamos parar? Vamos priorizar nosso investimento em nossas congregações locais? E no mês seguinte a fulana lá da Índia constata que o dinheiro da igreja não entrou. Ela entra um pouco no crédito do banco e espera que a situação se resolva no mês seguinte. Chega o outro mês e nada. A fulana resolve ligar para a igreja e descobre através de uma secretária que seu nome não está mais na lista dos assalariados, por quê, ninguém sabe, mas parece que o presbitério quer dar mais prioridade às congregações locais que estão negligenciadas. Seria mais fácil dizer pra ela que a Bíblia mudou:

Olha irmã, saiu uma nova versão da bíblia atualizada-corrigida ampliada-de-hoje-nova-vida-com-comentários-pentecostais-teológicos e foram tiradas dela as passagens de missões, o que aliás, a tornou bem mais fininha, mais fácil de ler, mais ao gosto do homem moderno. Como nós resolvemos adotar esta versão, tiramos missões de nosso orçamento.

Aposto que a irmãzinha lá da Índia teria ficado mais feliz com esta resposta. – “Poxa, que apostasia!! Vou orar e jejuar por eles!” Do outro jeito, ela fica ressentida, magoada com a liderança fria e calculista que fez a decisão de priorizar seu reino local sem consciência do que estavam realmente fazendo. Pensando que fizeram uma simples decisão administrativa estes irmãos se auto-enganaram, estavam na verdade rasgando a Bíblia.

A constatação de que as coisas são assim mesmo, torna os missionários precavidos. – “Tenho que levantar em promessas pelo menos o dobro do que eu preciso para que eu chegue a ter pelo menos uns setenta por cento.” Deixa-os também bem inseguros em relação ao futuro, e obrigados a pulverizar seus relacionamentos, suas orações, suas emoções em 155 cartas xerocadas ao invés de 10 ou 15 pessoas de um grupo de apoio realmente comprometido. Tenho um monte de pessoas que se importam um pouquinho comigo e com o que faço. Mas será que eles realmente oram por mim? Contribuem com alguns reais por mês. Eles se importam comigo mas não o suficiente para me manter de verdade nas minhas necessidades, não o suficiente para me socorrer se acontecer algo ruim, não o suficiente para me ajudar em meu tratamento dentário, (missionário tem dentes?) ou na escola de meu filho, para me dar um presente no meu aniversário, pagar umas férias…

Ou pior: – “Será que eles vão manter mesmo seu falso compromisso comigo?” É, falso compromisso, porque se fosse verdadeiro seria mantido, não é? Como o “amor eterno enquanto dure” do Vinícius de Moraes. Enquanto dure é a negação do eterno. Compromisso que é facilmente desfeito não é compromisso.

Este comportamento imaturo da igreja tem muitas consequências:

O missionário acaba tendo que renunciar a muitos projetos que desenvolvia e começa apenas a sobreviver. Viagens que poderiam ser feitas não são mais, as atividades encolhem e ele começa a conviver com a frustração de não estar desempenhando bem a missão que Deus lhe confiou.

E se o salário de sobrevivência vai encolhendo também, a vida se torna tensa para ele, além das lutas espirituais do campo, a falta de dinheiro passa a ser um peso terrível. O tempo que ele poderia passar ministrando a outros ele passa bolando maneiras de sobreviver, ou orando para que Deus em sua misericórdia infinita não deixe sua conta ir pro vermelho, suas crianças adoecerem.

Como o tempo gasto com levantamento de finanças para realizar cada nova iniciativa é enorme ele acaba diminuindo bastante seus sonhos e encolhendo seus projetos. Uma amiga minha tinha que dar aula de lingüística na Angola colaborando com um grupo de Angolanos da etnia Umbundo que queriam implantar igrejas em povos de outras tribos no seu próprio país. Para poder sair do Brasil e passar três meses na Angola ela teve que parar suas atividades missionárias regulares (entre tribos amazônicas) para ficar três meses de igreja em igreja levantando dinheiro para a passagem aérea. Isto não é certamente algo que você gostaria de fazer todo ano.

O relacionamento missionário-igreja perde muito. Se torna na visão da igreja um relacionamento sanguessuga, porque o pobre missionário está sempre pedindo, e na visão do missionário uma relação de abuso, porque a igreja cobra muito sem dar quase nada.

É aí que entra o famoso mistério da iniquidade pra nos ajudar a entender tanto descaso com missões. Gasta-se dinheiro em tudo o que se pode imaginar e a tudo chamamos de “reino”. Cadeiras novas para o templo é “reino”, ar condicionado para a igreja é “reino”, equipamentos para a cantina é “reino”. Só missões é que rapidamente sai da categoria de “reino” para a categoria de gastos supérfluos se as coisas se complicam. Pessoas também não são “reino”. O missionário e suas necessidades pessoais não é “reino”. Sua roupa ainda não está surrada o suficiente, seu carro não precisa de conserto, ele não precisa de plano de saúde. O missionário tem mais filhos, antes ele era sustentado como solteiro, agora se casou, mas mesmo assim o salário não sobe. Estamos sustentando a “obra”, o “reino”, ou seja o templo, as coisas, a comida distribuída aos carentes, mas não a pessoa do missionário porque ele não é reino.

Mistério da iniquidade, quem o entenderá? Quem entenderá como nosso pensamento acaba tão permeado de mentiras que até a verdade se torna mentira? Quem entenderá por que mesmo sabendo que esta vida nossa aqui não dura nada, mesmo sabendo que as coisas não são o verdadeiro reino, o reino é eterno, coisas não são eternas, só pessoas são eternas, portanto o reino não é e nunca será feito de outra coisa senão pessoas, mesmo sabendo tudo isto, ainda gastamos mais conosco mesmos do que com qualquer outra coisa, ainda gastamos com templos e cadeiras e coisas mais do que investimos em pessoas.

Alguns me criticariam dizendo, mas você está esquecendo o “fator Deus” (não o fator Deus do Saramago(2), mas o fator Deus, Deus mesmo). “-Você está esquecendo de que o Senhor é soberano sobre a sua obra sobre os seus filhos!” – Bem, sim e não. Ele é soberano e não é. Esperem aí, não desmaiem ainda ou rasguem o papel. Não estou dizendo nenhuma heresia. Até os calvinistas moderados admitem que o pecado deriva da vontade humana, do homem em seu livre arbítrio fazendo escolhas livres. Escolhendo o bem ou o mal. Sobre o pecado Deus não é soberano. (Se bem que há tanta discussão possível neste assunto que me dá canseira, mas convenhamos, esta interpretação que é a mais intuitiva, menos teololologica torna tudo mais fácil, vai…)

Já ouvi uma estatística que diz que setenta por cento das riquezas da humanidade estão na mão dos cristãos(3). O que isto quer dizer? Que Deus fez sua parte. Em sua soberania providenciou para que nada menos que setenta por cento de todo dinheiro do mundo caísse na mão de seus servos. O que é então que esconde o dinheiro de missões?
Veja que quadro triste:(4)

Não admira que no mundo inteiro a tarefa da Grande Comissão ainda esteja por se realizar! Noventa por cento do dinheiro da igreja é investido na própria igreja, sete por cento em iniciativas evangelísticas onde o evangelho já foi pregado antes, e apenas três por cento em iniciativas missionárias para aqueles povos que nunca ouviram o evangelho antes. Isto é no mínimo insensatez para não dizer burrice. É este o mistério, misteriosíssimo do pecado. Pecamos contra Deus deixando de passar pra frente o dinheiro que ele nos deu para este fim, deixando de aplicá-lo onde deveríamos, gastando em nosso próprio reino, administrando como queremos sem perguntar pra Ele. E com isto não estamos nos beneficiando mas nos prejudicando. Pensamos que ganhamos, mas perdemos.

Os não-alcançados perdem, os anjos perdem, Deus perde, e nós perdemos e muito. Esta é para mim a única maneira de explicar o porquê de não termos fluindo em missões o dinheiro que precisaríamos para completar a Grande Comissão, porque tantos povos morreram sem Cristo e ainda morrerão, porque muitos de nós vão chegar de mãos vazias nos céus. Este é o mistério da nossa iniquidade, o bom (ôpa) e velho egoísmo.

(1) Esta passagem é complicada como um todo, mas esta frase pode ter uma interpretação bem simples. O mistério da iniquidade que Paulo disse estar operando pode ter a ver com alguma mirabolante visão escatológica que ele estava tendo, ou pode ser simplesmente uma frase para descrever sua perplexidade diante do fascínio pelo pecado que opera na humanidade. E esta interpretação que sigo neste artigo.
(2) Mencionado por Ricardo Gondim em seu artigo na Ultimato – nov.dez de 2001
(3) Dr. Ralph Winter, numa palestra no Comina, Orlando, Flórida
(4) Dados do US Center for World Missions- Centro Americano para missões mundiais

sábado, 6 de agosto de 2011

PAIXÃO PELA VIDA MISSIONÁRIA


Olhos azuis - Amy Carmichael

Essa é a história verídica da menina indiana que iria ter olhos azuis. A História de Emy ou Amy Carmichael. Ela é autora do texto que corre pela web como autor desconhecido.

Amy Carmichael nasceu numa pequena vila na Irlanda do Norte. Era a mais velha dos sete filhos de David e Catherine Carmichael, um casal de presbiterianos devotos. Era uma candidata improvável para o trabalho missionário, pois sofria de neuralgia, uma doença dos nervos que lhe tornava o corpo fraco, dorido e que a deixava de cama semanas a fio.

Foi na convenção de Keswick em 1887 que ouviu Hudson Taylor falar acerca da vida missionária. Pouco depois se convenceu do seu chamamento. Segundo um relato biográfico dos seus primeiros anos de vida, Amy desejava ter olhos azuis em vez de castanhos.

Ela pedia a Deus que lhe mudasse a cor dos olhos e ficava desapontada por isso nunca acontecer. Contudo, em adulta, Amy compreendeu que, como os indianos têm os olhos castanhos, ela iria ser aceite mais facilmente do que se tivessem olhos azuis e aceitou isto como um sinal de Deus.

Inicialmente Amy viajou para o Japão durante 15 meses, mas mais tarde, descobriu que a vocação da sua vida estava na Índia. Ela foi comissionada pela “Missão Zenana da Igreja de Inglaterra". Muito do seu trabalho foi com raparigas jovens, algumas das quais foram salvas da prostituição forçada. A organização por ela fundada era conhecida por “Dohnavur Fellowship”.

Dohnavur fica situada em Tamil Nadu, a sul da Índia. A “Fellowship” iria tornar-se um santuário para mais de mil crianças que de outra forma teriam de enfrentar um futuro incerto. Num esforço para respeitar aquela cultura asiática, membros da organização usavam trajes indianos e as crianças foram-lhes dados nomes nativos.

Ela própria vestia-se dessa forma, pintava a pele com café e frequentemente viajava longas distâncias nas quentes e poeirentas estradas Índia só para salvar uma criança. O trabalho de Amy Carmichael também se estendeu à imprensa. Ela foi uma escritora prolífera com 35 livros publicados.

O mais conhecido é talvez um dos primeiros relatos históricos sobre a “Missão na Índia” publicada em 1903. Em 1931, Amy ficou gravemente ferida numa queda que a deixou de cama até morrer.
Amy Carmichael morreu na Índia em 1951 com 83 anos de idade. Ela pediu para não porem nenhuma pedra tumular na sua campa; em vez disso as crianças que ela tanto amava puseram algo com a inscrição “Amma”, que significa mãe em Tamil, um dialeto indiano.

Enquanto servia na Índia Amy recebeu uma carta de uma jovem que queria ser missionária e que perguntava como era exercer essa função. Amy respondeu: “A vida missionária é simplesmente uma forma de morrer”. “Podes dar sem amar, mas não podes amar sem dar.”

Amy Carmichael
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OLHOS AZUIS
Amy Carmichael


Emy era uma linda menina de três aninhos de idade. Ela morava em algum lugar dos EUA, em frente ao mar. Sua família era cristã. Eles iam todos os domingos à igreja e realizavam o culto doméstico... Emy era muito feliz! Ela amava sua família e admirava os olhos azuis de seu pai, sua mãe e seus irmãos...

Todos na casa de Emy tinham olhos azuis... Todos... Menos... Emy! O sonho de Emy era ter olhos azuis como o mar...
Ah! Como Emy desejava isso! Um dia, na escola dominical, ouviu a "tia" dizer: "Deus Responde A Todas As Orações!

Emy passou o dia todo pensando nisso... À noite, na hora de dormir, ajoelhou ao lado da sua cama e orou:
-Papai do Céu, muito obrigada porque você criou o mar que é tão bonito! Muito obrigada pela minha família. Muito obrigada pela minha vida! Gosto muito de todas as coisas que você fez e faz! Mas... gostaria de pedir... por favor... quando eu acordar amanhã, quero ter olhos azuis como os da mamãe! Em nome de Jesus, amém.

Ela teve fé. A fé pura e verdadeira de uma criança. E, ao acordar, no dia seguinte, correu para o espelho. Olhou... E qual era a cor de seus olhos?... Continuavam Castanhos!

Por que Deus não ouviu Emy?
Por que não atendeu ao seu pedido?
Isso teria fortalecido sua fé?

Bem... Naquele dia, Emy aprendeu que um NÃO também era resposta!
A menininha agradeceu a Deus do mesmo modo... Mas... Não entendia... Só confiava.

Anos depois, Emy foi ser missionária na Índia. Ela "comprava crianças para Deus" (as crianças eram vendidas por suas famílias - que passavam fome – para serem sacrificadas no templo, e Emy as "comprava" para libertá-las desse sacrifício).

Mas, para poder entrar nos "templos" da Índia, sem ser reconhecida como estrangeira, precisou se disfarçar de indiana:
Passou pó de café na pele, cobriu os cabelos, se vestiu como as mulheres do local e entrava livremente nos locais de venda de crianças.

Emy podia caminhar tranqüila em todo "mercado infantil", pois aparentava ser uma indiana. Um dia, uma amiga missionária olhou para ela disfarçada e disse:
- Puxa Emy! Você já pensou como você faria para se disfarçar se tivesse olhos claros como os de todos da sua família?
Que Deus inteligente nós servimos... Ele lhe deu olhos bem escuros, pois sabia que isso seria essencial para a missão que lhe confiaria depois!

Essa amiga não sabia o quanto Emy havia chorado na infância por não ter olhos azuis... Mas Emy pôde, enfim, entender o porquê daquele não de Deus há tantos anos!
Bem... O que eu queria dizer com essa longa e bonita história? Apenas dizer que “Deus Está No Controle De Tudo!”.

Ele conhece cada lágrima que já rolou do canto dos seus olhos... Ele sabe que, talvez, você quisesse ''olhos de outra cor''...
Ele ouve, sim, Todas as orações... Mas Ele as responde de modo sábio! Não precisa chorar se seus olhos continuam castanhos, ou se você ainda não foi atendida (o) como gostaria. “Deus Está No Controle De Tudo!”. Tenha sempre esta certeza no seu coração!

Todo autor merece ter seus direitos autorais reconhecidos. Quando repassarem o texto não esqueçam de colocar o autor de "Olhos Azuis"

(Amy Carmichel).

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

O MISSIONÁRIO DEVE PERDOAR A FALTA DE APOIO DOS SEUS PASTORES



Autora: MisS: Vilsa de Azevedo
Missão Antioquia

Os pastores da Igreja Brasileira precisam ser despertados para a importância de valorizar os chamados missionários. Da mesma forma, as pessoas que têm sido chamadas para o trabalho no campo precisam perdoar seus pastores, perdoar a falta de apoio moral que não receberam. Esta será a forma de levantar uma Igreja sadia no Brasil.
“Infelizmente, no Brasil, ainda hoje, é comum o pastor da igreja local deixar de dar qualquer apoio moral à pessoa que lhe diz ter recebido um chamado missionário. ‘Ele quer é viajar’, costuma pensar o pastor a respeito do candidato, quando não tem coragem de dizer a ofensa na cara do candidato. Mal sabe ele que, na verdade, o missionário, está é optando por uma vida de sacrifícios, por amor a Cristo e a Igreja. Só quem está no campo sabe o que significa servir a Deus em um país estranho, de língua e costumes totalmente diferentes do seu”.
Por ignorar os chamados e não valorizar os missionários, muitos pastores estão ministrando hoje a pessoas tristes na Igreja, que estão feridas por não terem recebido qualquer incentivo a continuar a carreira.
Neste caso acredita-se que só há uma forma de cura “É preciso que a pessoa ferida libere o perdão a seus pastores e líderes. Eles precisam ser perdoados. Ao mesmo tempo, precisam ser despertados para valorizar os chamados missionários que acontecem em suas igrejas”.
“Hoje há igrejas ricas no Brasil, com departamentos para tudo, da música à Biblioteca e sequer têm um quartinho para receber seu missionário quando ele chega de viagem, ou sequer tem um departamento envolvido em missões”.
Lembr-me que, ao ser chamada para a obra missionária no Estado do Espírito Santo, a primeira frase que recebeu do Pastor foi a de que a igreja não tinha dinheiro. Não desanimei. Disse ao pastor que precisava apenas de sua bênção. Recebida, saiu e lembra que Deus tem sido fiel a ela desde então. Tem encontrado mantenedores e pessoas interessadas em seu bem estar.
“Na verdade, isto não deve ser assim.
“O correto é que a igreja local se encarregue do sustento do missionário e de sua família no campo. Mas infelizmente, o que se tem visto são muitos irmãos que, impelidos pelo chamado missionário, saem a campo sem receber totalmente o apoio financeiro e espiritual da Igreja, porque esta não possui visão missionária”.
O Reino de Deus é formado por enviados e enviadores
Hoje, as pessoas costumam fazer diferenciação na Igreja entre os que ‘tem um chamamento e os que não tem sido chamados’. Na realidade, isto não existe. ‘Todos são chamados. Alguns, para serem enviados e outros, para serem os enviadores. Só há estes dois tipos de pessoas no Reino de Deus. O que fica com a bagagem tem a mesma recompensa que aquele que vai. O peso espiritual é, quase sempre, o mesmo. Até para contribuir é preciso orar”, ensina a jovem.
O missionário precisa de todo o apoio possível, desde o financeiro, até o da intercessão e o de retorno. “Como é bom o missionário voltar ao seu país e saber que alguém preparou um lugarzinho só para você. “Uma vez preguei em uma grande igreja de São Paulo. Tinha sala para tudo, para crianças, jovens, pastores e não tinha um quartinho para os missionários. Uma igreja de 3 mil membros e não tinha um missionário”.
É importante que os pastores não desprezam os chamamentos que acontecem dentro de suas igrejas. “Não tentem entender os caminhos de Deus. Quando fui falar com meu pastor que Deus me chamara para pregar fora do País, ele me perguntou por que eu quer ir tão longe, quando havia tanta necessidade por ali… O que ele não entendia é que Deus abre portas onde elas não existem”.
Do mesmo modo é importante também que os missionários ou candidatos em potencial não abandonem sua igreja apenas porque seu pastor não concorda com seu chamamento. “Invista em seu pastor, ore por sua igreja, até que a visão fique clara e certamente Deus não deixará você nem sua igreja fora deste movimento”.