"“Muitos crentes consagrados jamais atingiram os campos missionários com seus próprios pés mas poderão alcança-los com seus joelhos” (Adoniran Judson)”"

terça-feira, 5 de maio de 2009

AVALIANDO O AVANÇO MISSIONÁRIO MUNDIAL

Por Ronaldo Lidório

Movimentos mundiais como o AD 2000 propuseram “uma igreja para cada povo e o evangelho para cada pessoa até o ano 2000”. Foram listados inicialmente mais de 10 mil grupos sem uma igreja com pelo menos 100 membros. Logo depois, missiólogos como Patrick Johnstone conseguiram fragmentar o estudo, identificando menos de 4 mil etnias totalmente não alcançadas, enquanto que a World Mission International, em uma avaliação mais recente, estimou que apenas 2.134 grupos étnicos não tenham hoje uma igreja entre eles.

Sem dúvida é inquestionável o avanço da igreja cristã, que, entre 1999 e 2000, obteve um índice de 6,1 por cento em termos de crescimento global — o maior crescimento entre as principais religiões mundiais, incluindo o Islã.

É preciso, entretanto, compreender que enquanto antigas barreiras vão sendo derrubadas, outras novas vão se formando. Não vivemos em um mundo estático. Precisamos de uma missiologia mais ágil do que precisávamos dez anos atrás.

1. A redoma de resistência e entre os não alcançados

Os povos que foram alcançados dentre os 13 mil inicialmente propostos por Winter e McGavran seguiram a regra da menor resistência; e esta é uma regra normal. Ou seja, em regiões onde havia três grupos não alcançados, havia penetração missionária nos dois que demonstravam menor resistência, seja geográfica, política, religiosa, lingüística, cultural ou espiritual. O mais resistente ficava para um segundo momento. Em linguagem simples, “coamos” esses 13 mil povos não alcançados. Portanto, o que temos em nossas mãos neste início de milênio não são simplesmente outros 2 mil PNAs (povos não alcançados), mas sim os 2 mil PNAs mais resistentes em toda a história do cristianismo. Conseqüentemente, precisaremos agora de maior preparo missiológico, cultural e lingüístico que os missionários de cinqüenta anos atrás. Também precisaremos de nova motivação e pioneirismo, e sobretudo da graça de Deus.

2. O desdobramento étnico entre os isolados

O desdobramento étnico é uma expectativa comum em boa parte da antropologia mundial, mesmo entre os não cristãos. Ele parte do pressuposto de que a maioria desses 2 mil grupos étnicos não alcançados nunca foram mapeados antropologicamente. Existe grande possibilidade de que cada nome nesta lista corresponda a bem mais do que apenas uma etnia. Assim aconteceu com os Frafras no Noroeste Africano. Descobriu-se que não formavam apenas um povo mas, sim, dois grupos distintos lingüística e culturalmente. O segundo se intitulava Kassena.

3. A incapacidade de evangelização local por igrejas locais

Outra nova fronteira com a qual deveremos lidar nas próximas duas décadas é a da incapacidade de evangelização local por igrejas locais. Nem todos os países do mundo experimentam um bom crescimento da igreja evangélica, como o Brasil, a Coréia e a Nova Zelândia. Segundo David Barrett, há mais de 4 mil grupos étnicos no mundo entre os quais a igreja local não se mostra forte o suficiente para alcançar seu próprio povo.

4. A vasta diversidade lingüística entre grupos minoritários

Entre as 6.528 línguas vivas no mundo, possuímos a Bíblia completa em 366, o Novo Testamento completo em 928 e grandes porções da Bíblia em outras 918 línguas. Entretanto, de acordo com a Wycliffe Bible Translators mais de 4 mil línguas não possuem sequer uma porção da Palavra, sendo que 70% delas podem ser definidas como minoritárias. De acordo com o Ethnologue, 4 mil das 6.528 línguas existentes são faladas por apenas 6% da população mundial.

DESAFIO
Muitas foram novas idéias, novas propostas ou novas estratégias. David Hesselgrave nos alerta: “nem todo novo pensamento é dirigido pelo Espírito. Nem tudo o que é novo é necessariamente bom. A Bíblia é antiga, o Evangelho é antigo e a Grande Comissão é antiga”. Ele defende que, neste imenso mar de necessidades no mundo não alcançado, precisamos entender que “o evangelho dá a direção... pois a Palavra precede a nossa visão”.

O desafio que temos pela frente estatisticamente pode ser descrito como 2 mil PNAs que poderão ser fragmentados em um número até três vezes maior, mais de 4 mil línguas e dialetos sem porções da Palavra, cerca de 150 grupos nômades sem presença missionária, 118 tribos não alcançadas em nosso próprio país e 72% de todos os grupos intocados pelo evangelho vivendo em países com fortes limitações políticas e religiosas. É, portanto, parte da nossa missão conhecer tais barreiras, estudá-las e transpô-las, discernindo os tempos e as épocas para a glória de Deus.
Fonte: Editora Ultimato www.ultimato.com.br

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