"“Muitos crentes consagrados jamais atingiram os campos missionários com seus próprios pés mas poderão alcança-los com seus joelhos” (Adoniran Judson)”"

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

CRISE ECONÔMICA OU CRISE DE FÉ?



Depois de 11 de setembro, a maioria dos países do mundo enfrentaram a maior crise da história da humanidade. Como uma reação em cadeia várias companhias aéreas tiveram que ser socorridas empresas despediram seus empregados. O aumento do desemprego atingiu níveis preocupantes. Enfim, a instabilidade econômica teve efeitos em escala global. Em nosso país ainda que a crise financeira mundial não nos tenha atingido de forma preocupante, já que como diz nossas autoridades governamentais ela não passou de uma “marolinha”.


Não podemos ignorar que hoje, estamos vivendo um período crítico em relação aos investimentos missionários. Infelizmente, quando passamos por alguma crise financeira, a primeira área que sempre é a primeira a ser atingida é a Obra Missionária.


Os especialistas em marketing afirmam que em tempo de crise é hora de investir. Este é um princípio utilizado pelo Senhor da Obra Missionária. Para Ele não há crise. O que há é uma ordem de fazê-lo conhecido, principalmente para aqueles que ainda não tiveram uma oportunidade de conhecê-lo (Ageu 1.6-8).


Recentemente, enquanto perdurava a crise financeira mundial, vimos um aumento especulativo no valor do dólar que afetou tremendamente o sustento dos missionários, afinal o sustendo missionário sem esteve cotado pela moeda norte americana.


Hoje no Brasil vivemos um momento especial em que o dólar numa escalada vertiginosa para baixo deixa a nossa moeda, o real, supervalorizado. Mas, isso ainda não foi suficiente para vermos mudanças na atitude da Igreja em relação ao sustento dos nossos missionários.


Em chinês, a palavra “crise” é registrada com um caractere que possui dois significados: “perigo” e “oportunidade”. Para os norte-americanos e britânicos têm sido um grande perigo trabalhar na região onde vivem os muçulmanos, mas para os latinos há grandes oportunidades, por não sermos associados, ”ainda”, com nações beligerantes.

Neste momento, muitos missionários que estão no campo, tiveram o sustento diminuído durante a “crise”. Isso ocorreu quando eles já estavam vivendo no limite de suas finanças.

Alguns estão exercendo atividades extranhas ao ministério, visando com isto complementar seus sustentos. Missionários e missionárias acabaram tornando-se professores, estão fazendo artesanatos, salgadinhos para vender e até trabalhando como babás.

Eles fazem isso para não precisarem voltar dos campos onde estão, pois as igrejas e mantenedores não corrigiram o sustento. O que é pior: algumas delas inclusive diminuíram ou atrasaram o envio de verbas. Infelizmente, houve até mesmo aqueles que chegaram ao cúmulo de cortarem totalmente o investimento. Ao pensar nisto, vem a minha mente o texto de Hebreus 11 que menciona a “galeria dos heróis da fé” e diz que “o mundo não era digno deles...” (v. 38).

Outra mudança que pudemos sentir foi o aumento de interesse dos brasileiros pelos muçulmanos, pelo hinduísmo. O interesse por conhecer o islamismo e o hinduísmo foi aguçado principalmente depois que foram apresentadas novelas que tratavam destes assuntos, mas elas não mostraram a realidade do Marrocos, da Índia. Nunca se mencionou a perseguição dos muçulmanos aos que se convertem a Cristo nos países onde predomina o islamismo, a perseguição imposta aos cristãos em vários estados da Índia, como Orissa onde cristãos são mortos, pastores são presos e igrejas queimadas.

O mundo vem se tornando cada vez uma vila global. Com a invasão do Afeganistão, muitos de seus habitantes fugiram para outros países. Algumas famílias de afegãos inclusive vieram para o Brasil e estão vivendo em Mogi das Cruzes (SP) e Porto Alegre (RS). Infelizmente a igreja brasileira não está preparada para alcançá-los.


Existe algo que está acontecendo, mas que não é divulgado no meio cristão. Os muçulmanos estão usando uma nova estratégia de propagação. Eles enviam seus jovens treinados para outros países a fim de casar-se com moças cristãs. Com isso, eles esperam que as esposas se convertam ao islamismo e formem famílias muçulmanas nos lugares onde o Islã ainda não é forte. Sabemos que isso está ocorrendo aqui no Brasil, inclusive com algumas mulheres evangélicas.


Há um caso que teve alguma repercussão na mídia brasileira: uma evangélica que não quis se converter ao Islã. Como resultado, o esposo voltou ao Oriente Médio e levou os filhos junto com ele. As leis internacionais com respeito à guarda dos filhos não são respeitadas em repúblicas islâmicas. Um testemunho disso ficou famoso por causa de um filme baseado em fatos reais: “Nunca sem minha filha”.

Creio que essas mudanças que ocorreram também são respostas de muitas orações da Igreja de Cristo a favor dos povos muçulmanos. Anualmente, várias campanhas são realizadas visando conclamar a comunidade cristã mundial a orar pelos povos muçulmanos.


A abertura sentida no meio dos muçulmanos pode ser comprovada de muitas maneiras. Nos últimos 25 anos houve mais conversões de muçulmanos a Cristo do que em toda a história da igreja. O filme Jesus, baseado no livro de Lucas, foi traduzido para mais de 300 línguas e assistido por mais de 2 bilhões de pessoas. Hoje é o filme mais pirateado no mundo muçulmano.


Enquanto no Ocidente o Natal cada vez mais é significado de Papai Noel, consumismo, presentes, comida e bebida, esse filme sobre a vida de Jesus chegou a ser exibido em cadeia nacional na semana do Natal em duas nações islâmicas.
No Egito, Sudão e Argélia está começando um avivamento na igreja. Em muitos lugares muçulmanos estão tendo visões e sonhos com Jesus e se convertendo e querendo ser discipulados. A Operação Trânsito, que distribui um kit evangelístico aos povos do Norte da África que residem na Europa, mas que para ver os seus familiares nas férias de verão retornam tem sido preponderante para a conversão de centenas de muçulmanos.


Pela primeira vez na história uma nação islâmica se abre para o Evangelho – o Afeganistão. Vale lembrar que o preço pago para tal abertura foi altíssimo. Essa foi uma nação que sempre sofreu reveses, primeiro na invasão dos russos, depois o controle Talibã e recentemente com as bombas despejadas sobre eles.


Mas uma coisa é certa: este acontecimento mostrou que a Igreja não estava preparada para tal abertura, pois não tinha obreiros preparados com muito amor, paixão e compaixão para ajudar esta nação devastada.


Há outro exemplo forte disso: o Timor Leste, uma ilha que era dominada pelos muçulmanos, mas que agora se abriu para a proclamação das Boas Novas. Quando o atual Primeiro Ministro Xanana Gusmão esteve no Brasil pediu professores de português para para seu país, com vistas a formar uma geração com uma nova língua portuguesa. Parece que apenas alguns poucos líderes e pastores ouviram esse clamor.


O Timor Leste continua aberto para o evangelho, mas já se ouve rumores de mudança de atitude por parte dos líderes governamentais e religiosos no sentido de impedir o avanço do evangelho naquela nação. Algumas restrições já são impostas para fornecimento de vistos de permanência de novos missionários.


O que está acontecendo com a Igreja brasileira? Esta é uma oportunidade única! Estamos desperdiçando? Será que não conseguimos ver o que Deus está nos proporcionando? O que diremos quando chegarmos diante do Senhor?

Conclusão

Irmãos, depois de pensarmos sobre todas essas coisas, nos resta uma reflexão e também uma ação concreta. Depois dos acontecimentos do 11 de setembro. Depois de termos atravessado a maior crise financeira da moderna história da humanidade. O que está faltando para que os evangélicos brasileiros, que afirmam ser mais de 25 milhões, assumam o compromisso de enviar e sustentar mais missionários para alcançar os povos não-alcançados? É preciso que abramos os nossos olhos e oremos.


Oremos pelos pastores brasileiros. Peçamos a Deus para que eles tenham visões, revelações e sonhos, assim como os muçulmanos estão tendo, e venham a investir mais em vidas do que em “mega-catedrais”.


Oremos também por homens de Deus dispostos a irem aos não-alcançados. As estatísticas mostram que número de mulheres que estão trabalhando entre os menos alcançados pelo evangelho é o dobro do que os de homens.


Fiquei envergonhado ao ver mais uma vez que os homens continuam orando assim: “Eis-me aqui, envia minha irmã...” Baseados em Mt. 9.36-38, vemos que certas orações são perigosas, pois o Senhor pode decidir enviar a pessoa que ora para responder a sua própria oração.


Tenho certeza e entendo que nós podemos e devemos ser a geração que trará Jesus de volta (conforme Mt 24.14). Portanto, apressemos e trabalhemos “enquanto é dia, pois a noite vem quando ninguém pode trabalhar...”


Ao refletir sobre as orações de milhões de pessoas ao redor do mundo, feitas na década passada em favor dos povos muçulmanos e pedindo por obreiros, concluo que esta primeira década do Novo Milênio e que já está terminando, será o tempo em que veremos milhões de muçulmanos vindos a Jesus!


Oremos por isto e pelas nações e governantes muçulmanos. Peçamos a Deus por uma abertura para o Príncipe da Paz, o Senhor Jesus.


Por aqueles que são negligenciados e esquecidos pela igreja, mas amados pelo Senhor Jesus – os povos muçulmanos.

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