"“Muitos crentes consagrados jamais atingiram os campos missionários com seus próprios pés mas poderão alcança-los com seus joelhos” (Adoniran Judson)”"

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

CAMPO MISSIONÁRIO versus CAMPO DE BATALHA

È natural que ocorram conflitos nas relações interpessoais no Campo Missionário. E é isto que também acontece na Igreja, o Corpo de Cristo. É fato antigo, histórico, já aconteciam nos primeiros anos da era cristã os desentendimentos e colisões humanas entre os integrantes da igreja. Os primeiros relatos de conflitos interpessoais que temos notícias estão registrados em Atos 15.39, quando aconteceram os desentendimentos entre Paulo e Barnabé.

Outro exemplo clássico aconteceu na Igreja de Corinto (I Co: 11.18) nesse caso Paulo disse que havia entre eles dissensões. Mais tarde o apóstolo escreveu aos gálatas comparando-os aos animais, tamanha era a agressividade entre eles (Gálatas 5.15).

Em todos os exemplos mencionados, apesar de estarem presentes como causa comum o conflito interpessoal, é necessário distinguir algumas diferenças profundas e evidentes relacionadas às origens do problema. É preciso entender o porquê está acontecendo esses connflitos.

Pensando assim, vamos analisar pelo menos quatro tipos de origens dos conflitos interpessoais: pessoal, doutrinária, carnal e diabólica.

Causa pessoal
Ocorre quando os conflitos se dão por uma questão de opinião, opção ou estilo individual. Por exemplo, se uma família vai viajar, alguns membros desta família pode preferir a praia, outros o campo. Esse tipo de conflito é natural, mas precisa ser bem resolvido para não gerar maiores problemas. Comparamos a isto o problema ocorrido entre Paulo e Barnabé, cuja questão foi em torno de uma viagem e se deveriam ou não levar consigo o jovem Marcos.

Origem doutrinária
É o caso de haver dentro da igreja um grupo que defende uma interpretação bíblica sobre um assunto e outro grupo que entende diferente. Foi à situação da igreja de Corinto. Esse tipo de desentendimento não pode ser simplesmente desconsiderado nem sumariamente proibido. O próprio Paulo ensinou que isso poderia ser necessário. Ou seja, se surge uma heresia na igreja, é bom que surja o conflito para que o mal seja eliminado, esteja ele do lado que estiver.

Quando existe um corpo estranho no organismo, é natural que haja o inchaço, a dor, e talvez até a febre, como sinais que alertam contra uma anomalia. E assim continua até que o mal seja extirpado. Este tem sido o principal motivo do surgimento de tantas denominações evangélicas. Para solucionar estes conflitos doutrinários é necessário que os líderes estejam cheios do Espírito Santo (At.6.3).

Origem carnal
A problema dos gálatas foi a carnalidade, isto é, a condução da vida e do comportamento de acordo com as inclinações da natureza pecaminosa, a qual está diretamente ligada aos desejos físicos e egoístas. A própria heresia, que, a princípio pode surgir de uma simples falta de entendimento bíblico, pode também ser obra da carne, conforme Gálatas 5.20. É o caso de pessoas que "forçam" a interpretação de textos bíblicos para atender aos seus próprios desejos carnais. O conflito carnal entre os gálatas tinha cunho doutrinário, mas parecia envolver também a cobiça por posições de destaque ou desejo de reconhecimento (Gálatas 5.26). Daí surgia às disputas e os conflitos interpessoais dentro da igreja.

Origem diabólica
Muitos conflitos interpessoais que acontecem na Igreja ou no campo missionário com certeza têm sua origem diabólica, pois interessam e beneficiam mais a Satanás do que a qualquer outro inimigo. Ele é o maior interessado em prejudicar o avanço da obra de Deus. Ele é o maior incentivador das contendas que tem surgido entre os missionários. E isto acontece porque na maioria das vezes ele se aproveita de nossas fraquezas transformando-as em combustível para alimentar a sua fogueira.

É preciso ter cuidado porque os conflitos pessoais podem acabar se tornando instrumento nas mãos do inimigo. O maior desejo de Satanás é ver os servos de Deus combatendo contra si mesmo, quando deveríamos estar unidos e lutando contra as forças das trevas. Isto não é novo, esta atividade diabólica começou antes dele ser expulso do céu, quando ele incitou os anjos que faziam parte do exército celestial lutar entre si. Daí originando o exército demoníaco.

É fato que alguns conflitos pessoais podem ter causas naturais, alguns até podem ser necessários. Entretanto, há que se ter cuidado porque o perigo é sempre iminente. O conflito interpessoal é como o fogo. Ele pode nos ser muito útil, muitas vezes usamos em nossas casas para nos beneficiar, mas não podemos esquecer que se trata de uma força destruidora. Se descuidarmos perderemos o controle e então tudo poderá ser destruído repentinamente.

O conflito interpessoal precisa ser administrado, controlado, afim de que não se transforme em: discordância, discussão, contenda, divisão e guerra. Isto seria fatalmente destruidor.

A discordância é natural que aconteça. Afinal, somos indivíduos e como tais têm pontos de vista diferentes, distintos e até divergentes. A discordância muitas vezes contribui para que cada individuo siga num sentido diferente. Temos o exemplo de Paulo e Barnabé. Após terem discordado entre si, cada um partiu para um destino diferente. Entretanto, esta atitude não pode acontecer em alguns casos. Por exemplo: entre marido e mulher, não aconselhável que cada um saia numa direção.

Quando a discordância é de origem doutrinária e as partes apresentam boa intenção em torno da causa, então seria útil e necessário que iniciasse uma discussão. Neste caso, não podemos encarar a discussão como sinônimo de briga, de contenda mas sim, como um debate, exposição de idéias com o objetivo de se chegar a uma conclusão proveitosa. Discutir é melhor que ficar em silêncio. O silêncio pode ocultar problemas e gerar inimizades.

A contenda é fruto da imposição de uma idéia, quando uma das partes envolvidas se recusa a se submeter (2Tm: 3.8) . A Bíblia diz que “... ao servo do Senhor não convém contender, mas ser manso para com todos.” (2Tm: 2.24). Este é o limite do conflito interpessoal, quando passa desse ponto o fogo se alastra.

A divisão entre as partes envolvidas em um conflito é uma atitude extrema. Em alguns casos a divisão é necessária em outros casos não (Salmo 1.5; IJoão 2.19). Contudo mesmo que seja inevitável, a divisão não deve ser estimulada pelos cristãos. Jesus não nos recomendou que separássemos o joio do trigo (Mateus 13.30). E o problema torna-se mais grave quando após a divisão, as partes envolvidas decidem continuar o conflito. Neste ponto está estabelecido o problema, está declarada a guerra.

Algumas pessoas defendem o direito de sempre brigar pelos “seus direitos”. O apóstolo Paulo nos ensina que, algumas vezes, é melhor sofrermos algum dano do que criar uma disputa (I Co: 6.7). Lembremo-nos também que foi exatamente isto que Cristo nos ensinou, quando falou em “dar a outra face”, “entregar a capa” ou “caminhar a segunda milha”.

Porque não darmos a Deus a oportunidade de resolver o problema? Que tal orar ao Senhor antes de agir ou falar alguma coisa?
Se começarmos a questão, será que teremos condições de levarmos até as últimas conseqüências, ou sairemos envergonhados no meio da briga? (Lc: 14.28). Muitos problemas seriam evitados se parássemos para pensar antes de começar um conflito.

Como conduzir o conflito?
Se a contenda aconteceu, há que se fazer um conserto. Entre os ímpios é natural que não haja reconciliação, que sejam capazes perdoar. Mas entre os cristãos não é aconselhável que se guarde mágoa contra alguém principalmente contra outro irmão em Cristo. Não convém ao cristão ficar com raiva do outro, deixar de conversar, ficar “de mal”. Jesus nos ensinou a amar ao nosso inimigo. Se não formos capazes de amar aos nossos irmãos como poderemos amar aos nossos inimigos? Se você foi ofendido, perdoe. Não espere que o ofensor venha te pedir perdão. Tome a iniciativa e o perdoe.

Se você ofendeu, peça perdão. O perdão é o remédio divino para os conflitos mal resolvidos. A falta do perdão torna-se uma doença na alma. Uma mágoa guardada tem sido a causa da maioria dos males na vida de pessoas que o gardaram. Se não perdoarmos aos nossos ofensores, Deus também não nos perdoará (MT: 18.35; MT: 6.12-15).

Se não perdoarmos aos nossos irmãos em Cristo, estaremos interrompendo o fluir das bênçãos de Deus através do Corpo de Cristo.

Este tem sido a causa da frieza espiritual de muitas pessoas. Cada membro do corpo depende do outro para receber a corrente sanguinea, assim como os galhos da videira dependem uns dos outros para receber a seiva. Se existe bloqueios entre nós, a produção do fruto do Espírito ficará comprometida.

Não é fácil amar, nem mesmo sujeitar uns aos outros. Talvez tenha sido por isso que o apóstolo Paulo usou a palavra “suportar”. (Ef: 4.1-6). Ele já sabia que o relacionamento entre os irmãos teria muitas dificuldades. Contudo, não deixaremos de ser irmãos.

Se encararmos os relacionamentos interpessoais como uma maquina em funcionamento. E que em estado normal de funcionamento provoca desgastes naturais em suas engrenagens. Entenderemos que é necessária uma sistemática manutenção para reduzir os atritos e minimizar seus efeitos negativos. É necessária uma lubrificação permanente do motor. Nesse caso o óleo é um símbolo bíblico do Espírito Santo. Precisamos dessa unção em nossas vidas. Esta é a única maneira de termos uma palavra branda, mansa para aplacar o nosso furor, quando formos atacados por alguém.

A operação do Espírito Santo é o antídoto contra as antipatias gratuitas e desmotivadas, e também o remédio para as mágoas e as inimizades. Esta unção nos torna capazes de renunciar, de negar a nós mesmos, considerando que o nosso irmão é superior (Fp: 2.3), e digno de todo o nosso respeito e de todo o nosso apreço.

Ainda que isto pareça para alguém uma utopia, este é o estilo de vida proposta por Deus para o seu povo. Deus não quer que sejamos um reino dividido, mas um corpo que, unido por juntas e medulas possa crescer na presença dEle. (Ef: 4.16).

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