"“Muitos crentes consagrados jamais atingiram os campos missionários com seus próprios pés mas poderão alcança-los com seus joelhos” (Adoniran Judson)”"

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

SOMOS SETE BILHÕES NO PLANETA TERRA


DAI-LHE VÓS DE COMER. DISSE JESUS AOS SEUS DISCIPULOS

A Ásia, onde vivem dois terços da população mundial, recebeu simbolicamente o ser humano de número 7 bilhões, uma pequena filipina de nome Danica cujo nascimento foi celebrado em Manila e ilustra os desafios planetários de crescimento demográfico. O planeta atingiu a população de seis bilhões em 1999. Na ocasião, a ONU escolheu Adnan Nevic, um menino nascido em Sarajevo, como representante simbólico da marca. Desta vez, a ONU optou por não designar nenhuma criança com antecedência e vários países pretendiam reivindicar a efeméride. Danica May Camacho, nascida no domingo, dois minutos antes da meia-noite, no José Fabella Memorial Hospital, um centro público da capital filipina, tem 2,5 quilos. Seus pais, Florante Camacho e Camille Dalura, foram felicitados por representantes das Nações Unidas. "É muito bonita. Não posso acreditar que seja a habitante sete bilhões do planeta", comentou emocionada Camille Dalura na sala de partos, invadida pela imprensa. Danica receberá uma bolsa de estudos e seus pais uma quantia em dinheiro para abrir uma loja. "O mundo e seus sete bilhões de habitantes formam um conjunto complexo de tendências e paradoxos, mas o crescimento demográfico faz parte das verdades essenciais em escala mundial", declarou a representante do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) nas Filipinas, Ugochi Daniels.

domingo, 23 de outubro de 2011

A TAREFA MISSIONÁRIA NOS CONTEXTOS DE ANIMISMO E SINCRETISMO RELIGIOSO

“Eles não adoravam o Senhor, mas também nomeavam qualquer pessoa para lhes servir como sacerdote nos altares idólatras” (2 Reis 12.32).

Podemos afirmar, a partir de uma perspectiva missiológica, que o ideal para a chegada de um missionário no campo é que esta chegada seja alvo de planejamento e acompanhamento.
É fundamental ter por perto gente mais experiente com condições de auxiliar o novato em suas necessidades iniciais e de guiá-lo em seus primeiros passos. Favorecendo assim uma compreensão adequada do contexto em que esta inserido.
Entender bem a vida na nova cultura não é tarefa fácil. Devemos ter em mente que a primeira impressão do campo normalmente, não resulta em uma compreensão correta do lugar e do povo. Entretanto, essa visão primária fica e tende a influenciar extremamente as nossas decisões em nosso novo ministério.
O cuidado que se deve ter é que as decisões que tomamos nos primeiros meses e anos influenciarão a nossa carreira missionária como um todo e podem comprometê-la, dependendo de como forem tomadas.
Na condição de recém-chegados, boa parcela do nosso tempo deve ser investida na tentativa de compreender o novo contexto e encontrar caminhos para comunicar, da melhor maneira possível, a mensagem do evangelho.
Desconsiderar esse tipo de postura pode transformar todo o esforço na evangelização de determinado grupo em grande frustração ou em acréscimo de obstáculos para a proclamação do evangelho. Culturas onde há forte presença de práticas animistas e de manifestações de sincretismo religioso precisam receber atenção especial em razão do grande número de missionários que segue para estes contextos.
A fim de nos tornamos eficazes no trabalho que desenvolvemos, precisamos compreender essas manifestações e responder a elas com uma postura cultural, lingüística e bíblica adequada.

ANIMISMO
O Animismo é uma das crenças mais comuns em todo o mundo e que influencia diversas religiões. O conceito de Animismo pode ser definido como “espiritualizar” todas as coisas no mundo. Segundo essa compreensão, a vida no mundo visível ocorre sob a influência de espíritos, de toda sorte, que manipulam e controlam todos os acontecimentos. É daí que vêm expressões como espírito do rio, do vento, da chuva etc. É interessante como em uma sociedade animista, o material e o espiritual caminham lado a lado e jamais se separam um do outro.
De acordo com esta compreensão, a existência em si mesma já se constitui num fenômeno religioso, visto que todo evento no mundo espiritual. Desta forma, não se faz distinção entre a vida e a religião, conforme destaca Ronaldo Lidório, missionário da APMT e da AMEM.
No universo animista, o religioso não se distingue do não religioso; o sagrado do secular; o espiritual do material o corpo da alma. Religião é parte de toda expressão da vida. Seja comendo, trabalhando, lutando ou descansando, a cosmovisão religiosa está presente, portanto, o universo animista é um universo integral e não dicotômico.
Por conta de uma cosmovisão integrada, todo fenômeno no mundo físico tem uma ligação direta com o mundo espiritual. Em razão disso, uma enfermidade, um acidente ou a morte de um membro da tribo tem sempre uma explicação espiritual.
Em geral, acredita-se que um desses possíveis eventos é o resultado da ação dos espíritos provocando desarmonia entre o povo e alguma atitude em resposta tem que ser tomada. A liderança local se reunirá e chegará a um consenso. A resposta pode ser o oferecimento de um sacrifício aos espíritos, uma mudança de comportamento moral por parte dos integrantes da comunidade ou a própria tentativa de manipulação dos espíritos contra um grupo vizinho que supostamente esteja enviando seus feitiços.
Sempre haverá uma interpretação e alguma coisa a ser feita para aplacar, pelo menos temporariamente a ira dos espíritos contra o povo. A grande preocupação e missão dos membros de uma sociedade animista é manter o relacionamento com os espíritos a fim de manter ou promover harmonia entre o mundo físico e espiritual. Por esta razão, a religiosidade dos povos animistas está mais baseada no relacionamento com os espíritos do que com a própria atitude de adoração a uma divindade.
O comunicador transcultural observava que numa concepção animista, os espíritos gerenciam todas as coisas no mundo e Deus é um ser que simplesmente integra o universo. Enquanto que na visão bíblica, é exatamente o extremo oposto. Deus é o ser soberano que controla todas as coisas e os espíritos são apenas seres criados que integram o universo (Habacuque 1.14; Salmo 103.19).
PRÁTRICAS ANIMISTAS

Na República da Guiné, país localizado na África Ocidental, pendurar uma espécie de barbante na porta de casa é um costume comum entre o povo Susu, cujo objetivo é tentar se proteger da influência do mal.
A missionária Kerley Permino, da JMM, apresenta um depoimento desafiador a esse respeito: “Os barbantes estão em todos os lugares, fazendo nos lembrar que o povo ainda vive aterrorizados pelo medo de que outros possam lhes rogar pragas, doenças e maldições”. Encontramos comportamentos semelhantes entre os povos indígenas que em sua maioria, atriibuem faculdades sagradas a objetos que são utilizados com o propósito de alcançar vitórias diante de uma guerra, sucesso na pesca ou na caça e, até mesmo aplacar o ódio e manipular a ação dos espíritos. A superstição, a magia, os amuletos e as simpatias são comuns também entre os povos muçulmanos.
Mesmo que o Islamismo reivindique ser uma religião monoteísta, um grande número de grupos islâmicos recorre às diversas práticas de origem animista (Islamismo folclórico), tal como fazem os grupos politeístas. Um exemplo impressionante é o dos somalis, que mantém o costume de visitar as tumbas daqueles que consideram “santos muçulmanos”. Nessas visitas, normalmente se esfregam contra as paredes e se enchem de poeira da tumba, pois acreditam que ali há “baraka” (poder espiritual) ou bênção.
Ao analisar a prática observada pelo povo Somali, o missionário Julio Quirino descreveu o seguinte: Todo tipo de cura e solução de problemas podem ser alcançados ali. Eles fazem votos e promessas para os santos e levam um pouco da poeira para fazer remédios para os familiares doentes. Pessoas que não conseguem engravidar visitam a tumba e fazem sacrifícios, na esperança de que os santos intercederão e os protegerão de algum ataque dos demônios”.
O Animismo é, ao mesmo tempo, um perfeito pano de fundo para justificar práticas como o infanticídio e a mutilação genital. Por medo dos espíritos, crianças nascidas de mães que não se submeteram à mutilação genital devem ser abandonadas ou mortas após o nascimento. Esse tipo de crença é comum na costa leste da África, onde na concepção de alguns povos, como os samburus, por exemplo, os espíritos se revoltam quando esse tipo de situação ocorre e por isso, hão de punir a família, caso a criança seja mantida viva.
Nesses contextos, o ensino bíblico a respeito da vitória do Filho de Deus sobre os espíritos e sobre toda sorte de mal pode ter fundamental repercussão (Colossenses 2.15), levando-os a experimentar o poder libertador, curador e salvador de Cristo.
É importante deixar claro que as práticas descritas aqui, anda que nos surpreendam, não são exclusivas dos povos distantes. O Animismo demonstra-se forte também em nossa sociedade.
O grande número de amuletos usados para trazer sorte ou proteção contra o mal é uma grande evidência. A ferradura de cavalo pendurada atrás da porta, o copo com água na estante e a figa pendurada no retrovisor do carro são exemplos bastante comuns.
Por incrível que pareça, somos em mais esse aspecto, extremamente semelhantes aos demais povos do mundo e, culturalmente falando, em nada somos superiores ou inferiores.

Texto de autoria do Missionário Jairo de Oliveira, publicado no livro “Vida, Ministério e Desafios no campo missionário”, publicado pela editora Abba, SP, 2011

sábado, 22 de outubro de 2011

IMPLICAÇÕES EMOCIONAIS NA CARREIRA MISSIONÁRIA

“Nós, porém, irmãos privados da companhia de vocês por breve tempo: em pessoa, mas não no coração, esforçamo-nos ainda mais para vê-los pessoalmente, pela saudade que temos de vocês” (1 Tessalonicenses 2.17)

Considerando somente os desafios que já foram abordados até aqui, já teríamos motivos suficientes para supor que o trabalho missionário é campo fértil para lidarmos com grande sorte de dificuldades emocionais e acumularmos alto nível de estresse.

Embora o missionário procure viver na dependência de Deus, suas emoções e a dinâmica da vida no campo, com constantes transformações, mudanças e adaptações podem, ao longo do tempo, sobrecarregá-lo emocionalmente.

Sem sombra de dúvidas, o missionário antes de seguir para o campo de trabalho precisa saber que, tal como sua fé, suas emoções serão, também e com freqüência, postas à prova. De fato, surgirão momentos de crises em que suas convicções há de ser intensamente testadas, produzindo sentimentos de profunda incapacidade, questionamentos quanto à sua identidade e, até mesmo, dúvidas quanto ao seu chamado. Surgirão, ainda, ocasiões em que o obreiro se sentirá indigno por não estar correspondendo a todo investimento feito por parte daqueles que mantêm seu ministério e insignificante ao se comparar com outros missionários (talvez, aqueles “heróis” que o inspiraram no processo de caminhada para o campo).

Ao se deparar com estas situações, em que suas emoções se encontram abaladas, será difícil o obreiro reconhecer que as crises possuem seu valor de importância. Não obstante, elas desempenham papel fundamental em nosso processo de amadurecimento cristão. Em virtude de sua complexidade, o campo missionário se torna lugar propício para encarnamos a nossa identificação com a morte de Jesus, a fim de que Cristo viva em nós e por meio de nós: “Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim”. (Gálatas 2.20). Definitivamente, as crises nos auxiliam neste processo ao apontarem para a nossa humanidade e insuficiência (João 15.3). Outro benefício é que as crises nos levam a repensar as convicções que sustentam a nossa vocação, sugerindo-nos olhar para o que Deus já fez e nos oferecendo a chance de ouvir novamente a sua doce voz, reafirmando no presente o que já foi dito no passado.

É bom que se diga que as crises não são de exclusividade de3 uma minoria ou propriedade privada dos inexperientes. Apesar de tais crises não serem comumente trazidas ao conhecimento público, elas fazem parte da carreira de todo missionário e costumam se manifestar com freqüência num ambiente transcultural.

Saber que elas fazem parte da jornada missionária nos dá uma visão correta de nossa carreira. Ainda, traz-nos certo conforto nesses momentos de conflito interior em que pensamos que somos os únicos debaixo de tão grande nuvem de provação. A missionária no Senegal, Ronalda Lombardo Garcez, da APMT, compartilha conosco acerca desses momentos:

Existem momentos de lutas, dificuldades e pressões em que nos sentimos desanimados e tristes. Às vezes sentimos tanta falta de uma palavra de encorajamento de consolo... “Então pensamos em nossas igrejas, parentes e amigos e, por estar longe já há bastante tempo muitos deles têm se esquecido de nós”.

O grande problema é quando os conflitos emocionais não nos conduzem a experiências de amadurecimento e resultam apenas em sobrecarga emocional. Aí é preciso ter cuidado redobrado. Ao percebermos que um ciclo de acúmulo de tensão está se formando, precisamos interrompê-lo. Do contrário o resultado pode comprometer tanto a nossa saúde emocional quanto a física, a ponto de nos incapacitar totalmente no desenvolvimento do trabalho. O ex-missionário, Myron Loss chama atenção para a estreita relação entre a sobrecarga emocional e o surgimento de doenças físicas.

Ao longo dos últimos vinte anos, muitos estudiosos têm comprovado a influência que o estresse exerce em problemas como dores de cabeça, artrites, dores de coluna, pressão alta e vulnerabilidade para acidentes. O estresse também pode criar frigidez, impotência e outras irregularidades sexuais, como perda da menstruação, por exemplo. Muitos médicos acreditam que as alergias são deterioradas, senão causadas pelo estresse. “Mais e mais pesquisas estão chamando a atenção também para a influência que o estresse pode ter no surgimento de câncer”.

As crises que dão origem à condição de estresse ou a sobrecarga emocional podem ocorrer quando enfrentamos diversos fatores, como, por exemplo, saudade, preocupação, desconforto, opressão, instabilidades, falta de dinheiro, solidão, ameaças, conflitos, fraquezas, enfermidades, frustrações, perdas etc. Tudo isso pode nos levar a aborrecimentos com o povo, com os colegas de equipe, com a organização missionária e, inclusive, com a igreja em nosso país.

SITUAÇÕES QUE CAUSAM SOBRECARGA EMOCIONAL NA CARREIRA MISSIONÁRIA

CHEGADA AO CAMPO
Além das implicações culturais e lingüísticas a chegada de um missionário no campo é sempre cercada de enormes demandas logísticas e o resultado é um clima de tensão. Os primeiros meses após o desembarque representam um período em que todo obreiro precisa ter em mãos uma boa reserva financeira. Quando isso não é uma realidade, somente uma genuína confiança na provisão sobrenatural de Deus será capaz de evitar um quadro de preocupações. No mínimo, o obreiro precisará de recursos para quitar despesas imediatas com o aluguel de uma casa e com a compra de mobília básica. Há ainda outras ocasiões em que haverá a necessidade de assumir despesas com hospedagem numa moradia temporária, com a aplicação de visto (quando o processo de aplicação de visto ocorre no país onde se deseja estabelecer residência), com a tradução de documentos, com a matricula dos filhos em uma escola, com o aprendizado da nova língua –seja o aprendizado formal, numa escola, ou informal, com o auxilio de um nacional – é com a compra de acessórios que possibilitam a adaptação imediata ao novo ambiente (casaco, toca, luva, turbante, véu, etc.). Sem falar na compra de um carro, moto, barco ou camelo, dependendo em que região da terra o missionário esteja. Em alguns contextos, o transporte particular está longe de representar um objeto de luxo, antes, é a única forma de acesso ao povo que se deseja alcançar. O conjunto de todas essas demandas pode produzir um estado de cansaço físico e emocional.

SUSTENTO INADEQUADO
Outras situações como sustento inadequado também estão entre os fatores que podem abalar bastante o obreiro emocionalmente. Lidar com problemas financeiros estando fora do país e distante da família, da comunidade crises de origem e dos amigos exigirá de qualquer individuo uma boa dose de maturidade. Essa situação pode se tornar ainda mais desafiadora quando o missionário, além de depender de recursos para sustentar a família, é responsável por outras despesas no desenvolvimento do ministério. Lamentavelmente, o sustento inadequado dos missionários brasileiros tem produzido situações extremamente desconfortáveis nos campos e sugerido, em contraste com o que afirmam as Escrituras, que o obreiro não é digno do seu salário (1 Timóteo 3.18). Observando nossa caminhada como movimento missionário brasileiro, somos desafiados a reconhecer que ao longo dos anos o problema da falta de sustento tem tornado o campo missionário numa arena de fé e,m em alguns casos num terreno de sobrevivência para o missionário brasileiro.

ALUGUEL DE CASA
O processo de aluguel de uma casa pode roubar muitas energias de um missionário. Em países como a Tailândia, não é comum encontrar imobiliárias e é preciso visitar a comunidade em cada bairro para descobrir a disponibilidade de casas para alugar. Já em países como a Indonésia, o inquilino é obrigado a providenciar o pagamento adiantado do aluguel que pode variar de três meses a um ano, antes de se entrar para morar na casa. Na África do Sul, é exigido o pagamento de um depósito equivalente a dois ou três meses do valor do aluguel como garantia por danos ao imóvel. O que supostamente deve ser devolvido ao inquilino no fim do contrato. A experiência de alugar uma casa pode se tornar ainda mais penosa em se tratando de um missionário que acaba de desembarcar no campo. Além do desgaste natural dessa empreitada, depois de algumas semanas vivendo provisoriamente, acrescenta-se o esgotamento com o processo de mudança e com a falta de privacidade, sobretudo se o missionário possui esposa e filhos.

SAUDADE
Nos primeiros meses e anos, a saudade da família e dos amigos afeta consideravelmente as emoções do recém chegado, em especial se ele faz parte de uma sociedade que estima viver em comunidade e que considera os relacionamentos em alto nível. Nessa fase, aliado à saudade, o receio de ser esquecido ou abandonado pela igreja enfiadura também pode abater um obreiro e representar um desafio maior do que as lutas enfrentadas no campo.

AUSÊNCIA DE RESULTADOS
A ausência de resultados satisfatórios no ministério também pode causar considerável estresse. Quando não é perceptível o avanço no aprendizado da língua ou quando o povo alvo resiste ao evangelho, mesmo depois de já ter ouvido a pregação por longos meses, é comum que surja o sentimento de abatimento. Invariavelmente, as expectativas não correspondidas se transformam em objeto de frustração.

DOENÇAS
As doenças, além de debilitarem o corpo, sempre acabam por produzir um conjunto de preocupações que, por sua vez, geram tensão emocional. Avalie o volume de estresse de determinado missionário que acaba de desembarcar com a esposa na Índia. Trata-se de seu primeiro campo missionário e, antes mesmo de adquirir conhecimento suficiente da língua para se comunicar, descobre que precisa se submeter a uma cirurgia com urgência. (Esse quadro revela a experiência do missionário Carlos Roberto Pinheiro, da AME), compartilhada com seus mantenedores e intercessores em uma de suas cartas de oração. Pedimos que orem por tudo o que estamos vivendo aqui. “É muito difícil passar por isso num país estrangeiro e diante de uma língua que não compreendemos, mas sei que posso louvar o Senhor porque estamos vendo o seu amor em ação”.

PERDAS DE COLEGAS NO CAMPO
No campo missionário os relacionamentos tendem a acontecer numa maior aproximação e a perda de companheiros de trabalho, neste contexto, pode representar uma das experiências mais traumáticas na carreira missionária. Comentando sobre o falecimento de um colega de ministério chamado Brian Casey Kathy Noland, da MIAF, compartilha a que ponto suas emoções foram afetadas “Mesmo sabendo que Deus está no controle de todas as situações, emocionalmente me sinto como numa máquina de picar papel”.

PERDAS FAMILIARES
Se as perdas familiares nos abalam quando ocorrem no convívio da família, imagine a condição emocional de alguém que passa por esse tipo de experiência estando distante, às vezes, em outro país ou continente. Além do abalo causado pela notícia, pela dor imensa da perda e pela saudade de alguém que não será mais visto na terra, o sentimento de incapacidade diante dos fatos é presente. Perder um ente querido estando longe de casa será sempre uma experiência cercada de muita tensão e suas conseqüências podem se estender por mais tempo do que o normal.

RETORNO DO CAMPO
O retorno do campo e a readaptação ao ambiente cultural de origem fazem parte de um processo que pode representar a fase mais difícil na carreira missionária. As dificuldades para se reajustar a vida e se adaptar ao novo contexto têm sido classificadas como choque cultural reverso. Todo processo de adaptação já é um desafio em si e a situação pode ser agravada quando o missionário e seus filhos retornam do campo estando desinformados, desatualizados e se sentindo totalmente fora da realidade em seu contexto de origem.

DESCANSO PARA AS EMOÇÕES
O que fazer diante de um cenário emocional desafiador? Para onde ir? Onde encontrar abrigo? Voltar-nos para as Escrituras é refúgio garantido em situações de crise! Além de encontrarmos palavras de vida (conforto seguro para a alma), é lá, nas Escrituras, que nos identificamos com gente como nós. Isso mesmo! Embora sejam homens e mulheres gigantes na fé, eles expõem suas fragilidades sem qualquer timidez e se demonstram pequenos do nosso tamanho. O apóstolo Paulo, por exemplo, comenta acerca de um momento de tribulação sofrido no campo que o fez se sentir em grande desespero e, até mesmo sem esperança de viver. Paulo? Sim, o apóstolo, o missionário, o irmão Paulo. Esse comportamento tem alguma relação com sua experiência? Consegue enxergar? Que bom! Você não está sozinho! “Irmãos, não queremos que vocês desconheçam as tribulações que sofremos na província da Asia, as quais foram muito além da nossa capacidade de suportar, a ponto de perdermos a esperança da própria vida” (2 Coríntios 1.8). Há, ainda, outras atitudes que devemos assumir, a fim de lidarmos com as constantes crises e evitarmos conseqüências danosas à nossa saúde. Entre elas, devemos observar os fatores que alteram as nossas emoções e aprender a lidar com eles ou se possível, evitá-los. Dian te de decisões práticas que devem ser tomadas é importante que se evite precipitações, que se desenvolva paciência e que se procure fazer escolhas que no futuro não serão objetos de remorso. Em se tratando do aluguel de uma residência, por exemplo, é recomendável que na chegada ao campo o primeiro contrato ou compromisso de aluguel seja assumido por um período curto de tempo. Sugiro que no máximo por oito meses. Permanecer por um período curto na primeira residência, além de nos ajudar a avaliar melhor a condição física do imóvel será importante para estudarmos se a localidade é estratégica para o desenvolvimento do ministério e se o preço apresentado pelo proprietário ou pela agência reflete a realidade do mercado imobiliário local. É importante considerar que as decisões tomadas no inicio da jornada refletirão ao longo de todo o ministério, sejam elas positivas ou negativas. Portanto, assumir compromissos curtos (mesmo que seja para lecionar em uma escola bíblica) e renová-los de tempo em tempo parece ser a atitude mais prudente. Uma vez que quando nos comprometemos em longo prazo, podemos ficar presos a determinada situação, por conta de uma decisão precipitada. Será sempre mais fácil dizer: “Meu compromisso está encerrado!”, do que: “Pensando bem, cheguei à conclusão de que não será possível cumprir com o que havia prometido”. Ser realista diante de nossas limitações, procurar desenvolver atividades de pastoreio mútuo com os colegas no campo e receber acompanhamento de um profissional de saúde (se essa possibilidade é real) é também atitudes recomendáveis. O contraponto é que boa parcela dos missionários deixam para cuidar da saúde e pensar mais em si do que no trabalho somente quando retorna ao seu país por um período de férias. Contudo, esse tipo de postura precisa ser revista, caso o nosso alvo seja permanecer na carreira missionária por longa jornada.

VALIOSA INTERVENÇÃO
Terminantemente, a assistência do Corpo de Cristo exercerá importante influência nas situações de estresse e desencorajamento. Uma interferência de nossa igreja e das igrejas parceiras será sempre bem-vinda e poderá fazer toda a diferença num cenário de lutas. Há estágios de sobrecarga emocional que somente são superados com o auxílio de ajuda externa. O recebimento de um telefonema ou carta pode ser precioso instrumento nas mãos de Deus para encher de alegria e renovar a esperança ou coração do missionário e sua família. Lembro-me do cuidado pastoral que recebemos do nosso querido pastor e da igreja na ocasião do falecimento do meu irmão mais velho, em agosto de 2005, quando residíamos na África do Sul. Enquanto minha esposa e eu orávamos pedindo a direção de Deus, para saber se deveríamos ou não retornar ao Brasil por um período, a fim de darmos assistência à família enlutada, a mensagem de encorajamento e atenção que recebemos do nosso pastor foi “Seus familiares também são nossa responsabilidade. Sigam em frente. Façam a obra de Deus sem qualquer preocupação, porque nós cuidaremos deles”. Não retornamos. Seguimos em frente, porque o nosso pastor e a igreja ofereceram a nós e aos nossos familiares a cobertura espiritual, emocional e financeira que tanto precisávamos naquele momento. Sem dúvidas, uma verdadeira demonstração de amor e parceria missionária. Imagine, agora, a seguinte cena: o missionário e sua família estão descansando na esteira após um dia de trabalho extremamente estressante. O telefone toca. Pela demora em completar a chamada, percebe-se que se trata de uma ligação internacional. Quem será? Um clima de expectativa se instala. Finalmente a ligação é completada. É o pastor do missionário, que, depois de um período de oração, entende que, além dos contatos periódicos, a família missionária estava precisando ser ouvida. “E aí, meus irmãos, como vão as coisas?”. A conversa pastoral se estende por alguns minutos e, depois de exercitar a arte de ouvir, o compromisso de oração pelo missionário e por sua família é renovado. O telefone volta ao gancho e a família a esteira. Agora, a alegria é grande no coração de todos e a noite se tornou uma perfeita ocasião para desfrutarem de um sono reparador.

Autoria: Missionário Jairo de Oliveira. Extraído do livro Vida, ministério e desafios no campo missionário, uma abordagem contemporânea sobre missões. Da editora Abba. 2011.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

A DOUTRINA BÍBLICA DO ENVIO DE MISSIONÁRIOS

Quando começamos a estudar sobre a doutrina do envio de missionários, somos
confrontados com três perguntas essenciais: Quem envia? Quem são os enviados?




Qual é o canal do envio?



1) Quem envia?


A resposta bíblica é: Deus. Os seguintes textos comprovam que Ele é o autor tanto da chamada como do envio.



a- “Agora, pois, vem e eu te enviarei a Faraó, para que tires do Egito o meu povo, os filhos de Israel” (Êx 3.10).



b- “A quem enviarei, e quem irá por nós?” (Is 6.8).



c- “Não digas: Eu sou um menino; porque a todos a quem eu te enviar, irás; e tudo
quanto te mandar dirás” (Jr 1.7).



d- “Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos” (Mt 10.16).



e- “Portanto, ide e fazei discípulos de todas os povos (...)” (Mt 28.19).



f- “Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós” (Jo 20.21).


g- "(...) disse o Espírito Santo: Separai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado. (...) estes, pois, enviados pelo Espírito Santo (...)” (At 13.2-4).


Com base nestes textos e em muitos outros da Bíblia, que falam sobre Deus chamando e enviando homens e mulheres para realizarem os seus planos, chegamos às seguintes conclusões.



1.1. O envio é um ato da soberania de Deus



Aqueles que são chamados por Deus reconhecem, com sinceridade, que não são as
pessoas mais indicadas para cumprir a missão, pois são confrontados com as suas
deficiências, dúvidas, temores etc. Confira alguns exemplos:



· Moisés disse que não era eloqüente, sendo pesado de boca e de língua (Gn 4.10);


· Gideão afirmara que a sua família era a mais pobre de Manassés, e ele era o menor da casa do seu pai (Jz 6.15);



· Jeremias achava que não sabia falar, porque era um menino (Jr 1:6).



Grande parte das pessoas escolhidas por Deus seria rejeitada por nós, e muitos homens rejeitados por Ele seriam os nossos escolhidos. Isto porque Deus não vê como nós vemos, pois o homem olha para a aparência, "para o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração" (1Sm 16.7).



Por que Deus escolhe a uns e rejeita a outros? Só existe uma resposta a esta pergunta:



por causa da Sua soberania , como está escrito:




“(...) para que o propósito de Deus segundo a eleição permanecesse firme, não por causa das obras , mas por aquele que chama), foi-lhe dito:




O maior servirá o menor. Como está escrito: Amei a Jacó, e aborreci a Esaú.




Que diremos, pois?




Há injustiça da parte de Deus?




De modo nenhum. Porque diz



a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia, e terei compaixão de quem me aprouver ter compaixão. Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus que usa de misericórdia” (Rm 9.11-16).


1 Esta revelação da Palavra de Deus deixa claro que a chamada não depende da vontade humanas nem dos seus méritos pessoais de quem que seja, mas é um ato da soberania e da compaixão do Senhor. Que grande responsabilidade daqueles que são chamados e enviados por Deus segundo os seus propósitos! E ainda mais sabendo que haverá o dia de prestação de contas, como está escrito: “Ora, depois de muito tempo veio o Senhor daqueles servos, e fez contas com eles” (Mt 25.19).


1.2. A chamada antecede ao envio




Natanael já tinha sido alvo do olhar penetrante de Jesus antes de acontecer o primeiro encontro entre eles:




“(...) Antes que Filipe te chamasse, eu te vi, quando estavas debaixo da figueira” (Jo 1.48).



Não obstante a todo o tempo que Saulo de Tarso viveu sem o conhecimento de Jesus, ele afirma que, desde o ventre da sua mãe, Deus o separou e o chamou pela sua graça (Gl 1.15).



O tempo da escolha de Jeremias antecede a chamada do próprio Paulo: “Antes que eu te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre te santifiquei, às nações te dei por herança” (Jr 1.5).




Aquele que está sendo enviado precisa ter plena convicção da sua chamada!



1.3. Deus revela a sua chamada em momento específico




Moisés, com a idade avançada (Ex 7.7);



Samuel, em tenra idade (1Sm 3.1-14);



Paulo, durante uma campanha de perseguição aos cristãos (Atos, cap. 9).



Contudo, cada homem e mulher tem a sua própria experiência de chamada para
compartilhar, como Paulo sempre fazia (Atos, caps. 22 e 26).



1.4. Deus envia com propósitos definidos



Se Deus envia com propósitos definidos, por que tantos obreiros ainda não encontraram o seu lugar? Certo líder disse que a maioria dos pastores e missionários tem mudado freqüentemente de ministério. Assim a obra não é consolidada e o obreiro fica repassando os problemas não solucionados para o seu sucessor. Até quando vai continuar este círculo vicioso?



Vejamos alguns exemplos bíblicos de homens de Deus que foram chamados com
propósitos definidos:



Abraão - Foi para uma terra desconhecida, com a responsabilidade de ser uma bênção, pois nele seriam benditas todas as famílias da terra (Gn 12.1-3);



José - Poderia ficar amargurado para o resto da vida e acabar com o seu ministério por causa de todo o mal que os seus irmãos lhe fizeram. Mas, pela convicção de que tudo fazia parte do plano de Deus, pôde perdoá-los e promover o bem-estar do seu povo:




“Agora, pois, não vos entristeçais por me haverdes vendido para cá; porque para preservar vida é que Deus me enviou adiante de vós” (Gn 45.5);



Moisés - “Agora, pois, vem e eu te enviarei a Faraó, para que tires do Egito o meu
povo, os filhos de Israel” (Êx 3.10). Deus não disse que a sua missão seria fácil, pelo contrário. “Eu sei, porém, que o rei do Egito não vos deixará ir, a não ser por uma forte mão” (v. 19).



2 Jeremias e Paulo - Enviados às nações: “Olha, ponho-te neste dia sobre as nações, e sobre os reinos (...)” (Jr 1.10); “Vai, porque eu te enviarei para longe aos gentios” (At 22.21).



Os discípulos de Jesus - Enviados às ovelhas perdidas da casa de Israel (Mt 10.6);
enviados a todas as nações (Lc 24.47).



1.5. O Enviado envia



Segundo a sua oração intercessória, narrada em João cap. 17, Jesus envia os seus
discípulos na mesma base em que foi enviado: assim como. “Assim como tu me enviaste ao qundo, também eu vos enviei ao mundo” (v. 18).


1.5.1. Envia ao mesmo campo. “Como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo” (v.18).



1.5.2. Envia com o mesmo objetivo: glorificar o Pai. “Eu te glorifiquei na terra
completando a obra que me deste para fazer (v. 4). Eu lhes dei a glória que a mim me deste (...)” (v. 22).



1.5.3. Envia com o mesmo ministério: pregar a palavra. “Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste” (v. 6). “Eu lhes dei as palavras que tu me deste” (v. 8).



“Eu lhes dei a tua palavra” (v. 14). “(...) para que o mundo creia que tu me enviaste” (v. 21).



1.5.4. Envia com os mesmos riscos: ser odiado e perseguido. “(...) E o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como eu não sou do mundo” (v.14) . “Se a mim me perseguiram, também vos perseguirão a vós” (Jo 15.20).



1.5.5. Envia com o mesmo padrão: santidade. “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (v. 17). “E por eles me santifico, para que também eles sejam santificados na verdade”(v. 19).



1.5.6. Envia com o mesmo sentimento: alegria. “Mas agora vou para ti; e isto falo no mundo, para que eles tenham a minha alegria completa em si mesmos” (v. 13).



1.5.7. Envia com o mesmo relacionamento: unidade. “Para que todos sejam um, assim como tu, ó Pai, és em mim, e eu em ti, que também eles sejam um em nós” (v. 21).




“Eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade” (v. 23).




“(...) pois que me amaste antes da fundação do mundo” (v. 24).




“(...) para que haja neles aquele amor com que me amaste, e também eu neles esteja” (v. 26).



1.5.8. Envia com o mesmo resultado: conversões. “E verdadeiramente conheceram que saí de ti, e creram que tu me enviaste” (v. 8),




“(...) para que o mundo creia que tu me enviaste” (v. 21).




“Vós não me escolhestes a mim mas eu vos escolhi a vós, e vos designei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça.




(...) Se guardaram a minha palavra, guardarão também a vossa” (Jo 15.16 e 20).
1.6. Deus, quando envia, faz promessas.




São duas as promessas fundamentais:



1.6.1. Ele prometeu a sua presença – “Certamente eu serei contigo” (Gn 3.12). “Estarei convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28.20).


1.6.2. Ele prometeu a sua graça – “Disse-me: A minha graça te basta” (2Co 12.9).




“E 3 eu darei graça a este povo aos olhos dos egípcios; e acontecerá que, quando sairdes, não saireis vazios”( Êx 3.21).



Para usufruirmos das bênçãos do Senhor, precisamos de uma coisa: fidelidade. Foi a condição que Deus colocou diante de Josué para poder abençoá-lo:




“Não se aparte da tua boca o livro desta lei, antes medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme tudo quanto nele está escrito; então farás prosperar o teu caminho, e serás bem sucedido” (Js 1.8 e 9).



2) Quem são os enviados?



Os vocacionados são enquadrados em três categorias:



2.1. Aqueles que são enviados sem serem chamados



É o caso dos falsos profetas, segundo a profecia de Jeremias:




“Não deis ouvidos às palavras dos profetas, que vos profetizaram a vós, ensinando-vos vaidades; falam da visão do seu coração, não da boca do Senhor.




(...) Pois quem dentre eles esteve no concílio do Senhor, para que percebesse e ouvisse a sua palavra ou quem esteve atento e escutou a sua palavra (...).




Nos últimos dias entendereis isso claramente. Não mandei estes profetas contudo eles foram correndo; não lhes falei a eles, todavia eles profetizaram. Mas se tivessem assistido ao meu concílio, então teriam feito o meu povo ouvir as minhas
palavras, e o teriam desviado do seu mau caminho, e da maldade das suas ações” (Jr 23.9- 40).



Esta passagem é bastante atual, pois, como está escrito: “Nos últimos dias entendereis isto claramente” (Jr 23.20).




Jesus nos advertiu dos falsos profetas que vêm a nós vestidos de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores. É pelos seus frutos que os conheceremos e não pelas suas palavras, aparências e milagres realizados.



Temos que tomar mais cuidado no processo de escolha de obreiros. Paulo, falando do perfil dos líderes (1Tm, cap. 3), se preocupou mais com os aspectos morais e espirituais do que com a formação acadêmica deles. Disse que eles precisavam ter um bom testemunho dos que estão de fora, para que não caiam em opróbrio e no laço do diabo; recomenda primeiro que sejam provados, depois, então, exercitem o ministério.



2.2. Aqueles que são chamados mas não são enviados



São crentes que sofrem com problema de consciência pelo resto da vida porque um dia foram chamados pelo Senhor, mas resistiram à voz do Espírito Santo, e por vários motivos (se casaram com alguém que não tinha a mesma chamada, escolheram uma outra profissão, tiveram deslizes morais, faltou renúncia etc.) não atenderam ao chamado.



Provérbios 1.24-33 fala daqueles que rejeitam o convite da sabedoria e as conseqüências da sua obstinação: “Mas, porque clamei, e vós recusastes; porque estendi a minha mão, e não houve quem desse atenção; antes desprezastes todo o meu conselho, e não fizestes caso da minha repreensão; também eu rirei no dia da vossa calamidade (...), então a mim clamarão, mas eu não responderei; diligentemente me buscarão, mas não acharão”.


Que Deus possa ter misericórdia de todos aqueles que são chamados por Ele, para que não cheguem a este estado!



4 2.3. Aqueles que são chamados e são enviados



Não obstante a toda a sua relutância; às suas deficiências; às suas ansiedades; a todas as coisas que precisam renunciar; a todas as oposições; e ao peso da responsabilidade pela grandeza da missão, eles fazem uma completa rendição: “Eis-me aqui, envia-me a mim” (Is 6.8).




“(...) Não fui desobediente a visão celestial” (At 26.19).



3) O canal do envio



3.1. O papel da igreja



Sendo que Deus é aquele que chama e envia, qual é o papel da igreja? Colaborar com Deus neste processo. Esta declaração é confirmada em Atos 13.1-4, com o envio dos missionários Paulo e Barnabé. São alguns termos que definem bem o papel da igreja:



3.1.1. A igreja separa (prepara): “Separai-me a Barnabé e a Saulo para a obra que os tenho chamado”;



3.1.2. A igreja ora (consagra): “Então, depois que jejuaram, oraram e lhes impuseram as mãos”;



3.1.3. A igreja encomenda à graça de Deus (culto de envio): “E dali navegaram para Antioquia, donde tinha sido encomendados à graça de Deus para a obra que acabavam de cumprir” (At 14:26; 15.40);


3.1.4. A igreja despede (providencia os meios): “(...) os despediram”;



3.1.5. A igreja comunica (sustenta): “(...) Nenhuma igreja comunicou comigo no
sentido de dar e de receber, senão vós somente” (Fl 4.15).



As igrejas fundaram duas instituições para facilitar todo este processo: os seminários teológicos e as Juntas ou agências missionárias. Patrick Johnstone, em seu livro A Igreja é maior do que você pensa declara que a evangelização mundial ainda não foi completada por causa da falta de unidade. Esta declaração tem base bíblica, pois Jesus, na sua oração sacerdotal (Jo cap.17) disse que a nossa unidade é o que faria o mundo crer nele. A unidade proposta por Jesus é diferente da proposta pelo movimento ecumênico, que sugere uma unidade institucional (entre as religiões).




Vejamos. Jesus se refere de uma unidade espiritual. “Para que todos sejam um; assim como tu, ó Pai, és em mim, e eu em ti, que também, eles sejam um em nós” (v. 21).




A unidade espiritual está em três fatores: no amor - “(...) Para que haja neles aquele amor com que me amaste” (v. 26); na palavra – “E eles guardaram a tua palavra” (...) a tua palavra é a verdade” (vs. 6 e 17); na santificação – “Eles não são do mundo (...) santifica-os na verdade” (vs. 16 e 17).




O Senhor Jesus também fala de uma unidade missionária – “Eu te glorifiquei na
terra, completando a obra que me deste para fazer” (v. 4). “Manifestei o teu nome aos homens” (v. 6). “Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo” (v. 18). “Para que eles sejam perfeitos em unidade para que o mundo conheça que tu me enviaste” (v. 21).



O modelo de unidade proposto por Patrick Jonhstone, como ele mesmo define: "É uma interligação tripartite entre três estruturas básicas: igrejas, instituições de treinamento teológico e agências missionárias". E comenta: 5



“Cada uma é uma estrutura bíblica válida e cada uma possui a sua força e seus dons para contribuir com o todo, mas nenhuma pode centralizar a realização da Grande Comissão sem as outras. O que é defendido é a parceria no serviço de um para com o outro, dessa maneira a igreja se torna aquilo que Deus sempre quis – uma igreja perfeita para o seu Filho, para reinar com Ele por toda a eternidade. Nós estamos aquém deste ideal, entretanto, todo esforço deve ser feito para consertar pontes quebradas de interpretação e comunhão, e estabelecer um relacionamento prático no trabalho em todos os níveis. Assim nós, a Igreja, devemos ser um em amor, no poder do Espírito Santo, e na visão para um mundo perdido” (Pág. 233).



3.2. Seminários versus agências missionárias



Concordamos com este parecer de Johnstone e podemos constatar os seguintes
aspectos (tanto na realidade brasileira como na do Leste Europeu, onde atuamos):



3.2.1. Muitos seminários não cooperam com as agências missionárias porque dizem que a sua direção é acadêmica, ou seja, tem como objetivo a formação de professores para eles mesmos (seminários) e pastores para as igrejas locais.
O máximo que muitos seminários, sem vocação missionária, oferecem aos seus alunos é a disciplina Missiologia mas, às vezes, é só para constar em seus currículos.




Quando eu era seminarista fiz esta matéria com um professor que não tinha vivência missionária, e não me lembro dele ter incentivado os alunos a pensarem sobre missões com seriedade.



Mais triste do que isso aconteceu em um seminário do Leste Europeu, quando um
candidato deu a sua entrevista para ser admitido como aluno e o entrevistador, que era o próprio reitor, perguntou-lhe em que tipo de ministério queria se envolver quando terminasse o curso.




O candidato respondeu que queria ser um missionário. Aquele reitor lhe disse então que o seminário não poderia recebê-lo, porque a sua direção era acadêmica.



Sendo assim, deveria voltar para casa e repensar a sua vocação; se decidisse pelo
ministério pastoral, então poderia voltar, pois seria admitido sem nenhum problema.




Graças a Deus porque ele tem operado na vida daquela instituição. Recentemente, eles introduziram o curso de missões, e este tem sido procurado por muitos vocacionados para essa obra.



3.2.2. Por que muitos seminários não estão dando ênfase a missões? Talvez porque considerem os missionários pertencentes a uma categoria inferior de obreiros. Parece que este (pre)conceito depreciativo vem desde o tempo apostólico, por isso Paulo faz o seguinte desabafo:




“Porque tenho por mim, que Deus a nós, apóstolos [os que são enviados missionários], nos pôs por últimos, como condenados à morte; pois somos feitos espetáculos ao mundo, tanto a anjos como a homens. Nós somos loucos por amor de Cristo, e vós sábios em Cristo; nós fracos, e vós fortes; vós ilustres, e nós desprezíveis. (...)



Até o presente somos considerados como refugo do mundo, e como a escória de tudo” (1Co 4.9-13).



Os missionários sendo considerados pelo mundo como refugo até dá para entender, mas serem considerados desta maneira pelos seminários, realmente não dá para aceitar mesmo!



Os seminários devem preparar servos e não chefes, e os missionários são servos, assim 6 como as demais categorias de obreiros. “O maior dentre vós será o vosso servo” (Mt 23.11).



O Centro de Integrado de Educação e Missões (CIEM) talvez seja o maior empreendimento missionário da Convenção Batista Brasileira destes últimos anos. Ele tem, como finalidade, preparar vocacionados para a obra missionária. O CIEM está desenvolvendo o Projeto radical África, que objetiva o preparo de jovens, que terminaram o segundo grau, para serem enviados por um período determinado a alguns países da África.



Eles estão sendo treinados por professores fornecidos pelas Juntas (missionários ou exmissionários) e por professores do IBER.


3.2.3. Muitas agências missionárias têm dificuldade em colaborar com os seminários e as igrejas



A igreja local tanto é fonte de recursos para os seminários como para as agências
missionárias. A parceria implica em responsabilidades recíprocas. O apóstolo Paulo define a relação que deve existir entre as igrejas e os missionários (Juntas missionárias) como uma colaboração mútua no sentido de "dar e de receber” (Fp 4.15). Seria bom que as Juntas missionárias envolvessem as igrejas não somente no sustento material e espiritual dos missionários, mas também na tomada de decisões e em projetos missionários.



3.2.4. Muitas igrejas preferem se isolar



Este isolamento se dá por alguns motivos. Analisemos dois:



3.2.4.1. Porque a igreja tem perdido a visão e todo o entusiasmo pela obra missionária;



3.2.4.2. Porque a igreja continua com o seu ardor missionário, mas prefere fazer a obra sozinha, deixando assim de colaborar com as nossas Juntas missionárias.



3.3. Exemplos que vêm dos campos



Eu estava de férias com a família no Brasil, no ano passado, quando fomos informados de um material publicado que enfatizava: “Quem faz missões é somente a igreja”. O problema está com a palavra “somente”. Talvez o autor deste artigo e as igrejas que pensam assim estejam certos em suas motivações, mas correm o risco de perder a visão do todo e chegar ao exclusivismo.



Quero lembrar que Paulo foi enviado pela Igreja de Antioquia, mas houve um grupo de igrejas que participou efetivamente do seu ministério. Ele mesmo definiu a fórmula de fazer missões: cooperação. Ele estava sempre procurando a interação das igrejas e dos missionários. “Pois nós somos cooperadores de Deus; vós sois lavoura de Deus e edifício de Deus” (1Co 3.9).



Quando chegamos na Romênia, no ano de 1995, um grande movimento missionário estava-se iniciando no país, patrocinado pela Convenção Batista Romena. Foram realizados três sucessivos congressos missionários anuais que causaram um grande impacto em todo o país. O resultado foi o despertamento de muitas igrejas e a abertura de muitas congregações.



Mas, novos líderes chegaram e as coisas mudaram. Eles adotaram exatamente a tese de que “somente a igreja faz missões” e repassaram toda a responsabilidade de fazer missões para as igrejas locais. Os missionários, que eram contratados pelo seu departamento de evangelismo, foram demitidos ou repassados para as associações das igrejas. A Convenção Batista Romena ficou somente como órgão de representação.



7 Como conseqüência perdeu-se a visão do todo. Ficou muito difícil alguém realizar um trabalho de abrangência nacional, pois, se um projeto chegasse à direção da Convenção, ela iria lhe mandar a uma associação e esta, por sua vez, lhe enviaria a uma igreja local.



Seria preciso procurar muito até encontrar uma igreja com visão missionária, onde pudesse desenvolver a obra de Deus sem nenhum impedimento.


O resultado desta nova orientação da Convenção Batista Romena não poderia ser
diferente: o número de batistas começou a diminuir, o que tem levado a denominação a se preocupar. No entanto, ela agora está correndo atrás do tempo perdido, reconsiderado a sua posição e tomado medidas para reativar o seu departamento de missões e evangelismo, inclusive dando ênfase a missões internacionais.



A Junta de Missões Mundiais tem dado alguns passos para se aproximar das igrejas, como é o caso da criação do Programa de Adoção Missionária (PAM), onde cada missionário é adotado por uma igreja, grupos, empresários etc. Mas algumas igrejas estão querendo algo mais; não estão satisfeitas em participar da obra somente orando e enviando dinheiro; estão querendo uma vivência missionária.
Quero apresentar o exemplo da Primeira Igreja Batista de Atibaia/SP. Esta igreja, que é pastoreada pelo Pr. Antônio Mendes, tomou a decisão de adotar a República da Moldávia e investir nesse país em convênio com a JMM e a União Batista da Moldávia.




Em agosto de 2002, o Pr. Mendes e nove membros da igreja foram enviados àquele país. Eles patrocinaram um congresso para 200 líderes, tendo como preletor o próprio Mendes com a participação intensiva de toda a sua equipe.


Levaram dinheiro para comprar quatro propriedades, para serem usadas como casa de oração, visitaram missões no interior e tiveram um encontro com a liderança da União Batista para traçar planos. Que experiência maravilhosa esses irmãos adquiriram! Que entusiasmo tremendo quando eles retornaram à igreja e relataram tudo quanto Deus fizera por meio deles, e como abrira, aos moldavos, a porta da fé! A Igreja Batista de Atibaia está decidida a enviar anualmente uma equipe à Moldávia para dar prosseguimento aos projetos que eles abraçaram.
“Um dos sinais de progresso encorajadores em direção à evangelização mundial hoje é como as igrejas locais estão querendo um papel ativo em missões. Seja através da intercessão por países e povos específicos, em projetos e abordagem específicas, ou envolvimento estreito no envio de missionários e seus ministérios” (Patrick Johnstone, pág. 232).



Conclusão



O envio de missionários só vai cessar quando o último povo for alcançado e o último homem tiver a oportunidade de crer em Cristo. Deus é aquele que chama e envia e aqueles que são chamados devem dizer: “Eis-me aqui, envia-me a mim”. Devem andar como é digno da vocação com que foram chamados (Ef 4.1).



A Igreja, em perfeita colaboração com as suas duas instituições (seminários e Juntas missionárias), deve equipar (aperfeiçoar) os santos para a obra do ministério, para a edificação do corpo de Cristo. Cabe à igreja selecionar, sob a direção do Espírito Santo, os que serão enviados; encomendar, à graça de Deus, os que são enviados; e manter uma perfeita comunicação “no sentido de dar e de receber” (Fp 4.15).



8 A igreja missionária perfeita é a junção de duas igrejas: a de Antioquia - que separou, orou, encomendou à graça de Deus e despediu seus vocacionados - e a igreja de Filipos - que manteve a comunicação com os missionários, garantindo o seu sustento.



Que o Senhor nos ajude a seguir o modelo dessas duas igrejas e que possamos atender três desejos do coração de Jesus quanto à obra missionária: orarmos para que o Senhor da seara possa enviar mais trabalhadores para a sua seara; sermos um, perfeitos em unidade, para que o mundo creia; e pregarmos ao mundo inteiro, em testemunho a todas as nações.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

O EVANGELHO E A ACULTURAÇÃO INDIGENA


É a evangelização indígena, realizada por movimentos cristão evangélicos, um dos fortes fatores para a aculturação do índio e consequente perda de sua identidade ?

Esta pergunta me foi feita algumas vezes nos últimos anos, e demonstra por um lado a legítima preocupação com a preservação da identidade cultural indígena, e por outro a ausência de maior informação quanto à raíz do movimento missionário evangélico que, quanto à culturalidade, é preservacionista. Pensemos um pouco sobre esta questão.
A aculturação é um processo de molde social imposto por uma sociedade distinta, que pode ser objetiva (imposição aberta, colonialista) ou subjetiva (imposição baseada na atração e conseqüente desvalorização do sistema cultural materno em detrimento do apresentado) sendo que ambas são igualmente danosas. No presente, entre os indígenas brasileiros, a aculturação ao universo 'branco' se dá por três pólos de atração: educação, saúde e comércio.
No passado, especialmente, a a catequese católica seria também um dos fortes pólos de atração. indigenistas possuem iniciativas a fim de prover, desta forma, educação, saúde e subsistência aos indígenas sem que os mesmos saiam de seus territórios e, conseqüentemente, sejam envolvidos pela cultura não indígena. Portanto a permanência ou não em sua 'homeland' - território natal - é vital para a preservação cultural.
Tenho observado que as perdas culturais mais profundas, e irrefreáveis, vêm acompanhadas da perda do território e sucessiva troca por outro onde a expressão grupal possui diferentes códigos e, em geral, o estranho passa por um processo que vai da discriminação social até a marginalização. A iniciativa missionária evangélica vem cercada por estes cuidados culturais através da defesa do território. Através da análise lingüística e valorização da cidadania indígena dentro da escala cultural nacional (inter-etnica) se promove um menor esvaziamento do território natal indígena.
A SIL, por exemplo, é sem dúvida uma entidade colaboradora para a permanência indígena em seu território natal através de seu esforço de não apenas grafar as línguas indígenas mas facilitar a produção de material lingüístico local que venha a saciar a sede do índio pelo registro, produção literária e transmissão de conhecimento em um nível mais amplo. Por si, esta iniciativa já preserva a culturalidade indígena nacional.
Também as atividades sociais (médicas, de educação e subsistência) quando desenvolvidas por entidades missionárias evangélicas são, via de regra, baseadas na própria lingua/cultura/território indígena sendo que as mesmas se enraízam junto a etnias específicas, de forma menos móvel e mais permanente, o que também contribui para a permanência territorial e preservação da cultura. Em segundo lugar podemos ver a iniciativa missionária evangélica como promotora da permanência territorial através da apresentação dos direitos humanos universais ao povo indígena.
Através do conhecimento dos direitos humanos (do índio em relação ao índio e do índio em relação ao não índio) percebemos positivas e fortes manifestações em defesa do próprio modo de pensar, viver e agir. Esta apresentação dos direitos humanos produz também uma luta pela defesa do respeito às escolhas do índio, o que faz com que este possa se manifestar livremente para dizer sim ou não a qualquer prática que julgue relevante avaliar, seja indígena ou não indígena.
A tendência antropológica de engessar o índio à sua própria história não lhe dando a permissão de revisar sua vida e costumes (bem como fazer escolhas que julgue necessárias) como cessar o infanticídio, por exemplo, são questionáveis e, se aplicadas ao Brasil escravagista do passado produziria uma sociedade estática em suas opções sociais e teríamos, hoje ainda, fazendas cheias de gente escravizada e sem voz. Tendo em mente este cenário podemos pensar no ponto de maior controvérsia quando se trata da atuação missionária evangélica, que é a exposição do evangelho ao índio.
A controvérsia se enraíza no pressuposto que a teologia e antropologia possuem em relação ao evangelho. Se por um lado a antropologia clássica o vê como um elemento de literatura religiosa especificamente cristã, e promotor de uma cultura cristã (no presente) ocidentalizada; por outro lado os cristãos vêem o Evangelho como uma palavra inspirada por Deus e transmitida aos homens, a todos os homens, de forma a-cultural e a-temporal, ou seja, que tem a capacidade de comunicar a verdade de Deus a todos os homens em todas as culturas em todos os tempos. São, desta forma, verdades universais.
A forma de transmiti-lo, de maneira inteligível e com padrões culturais de compreensão, chama-se contextualização. Portanto, dentro do pressuposto cristão o evangelho não acultura o indígena mas vem lhe trazer a verdade universal ainda por ele desconhecida, em sua própria língua e cultura. Igrejas indígenas (cristãs evangélicas) autóctones como os Wai-Wai são um bom exemplo de como o indígena convertido e seguidor de Jesus continua sendo índio, com sua língua, sua cultura e sua compreensão da vida.
A conversão interior, porém, provoca efeitos visíveis na interpretação da vida e escolhas diárias, e reside aí, creio eu, a raíz das maiores controvérsias quanto à evangelização indígenas. Estas surgem quando o índio, convertido, passa a revisar a vida e evitar, por exemplo, a participação em ritos e atos normalmente admissíveis e vividos em seu povo e cultura.
Seria o caso, por exemplo, de um indígena que descobre o adultério da esposa e, ao contrário da tradição histórica, resolve não matá-la mas sim perdoá-la. Seria o outro que passa a amar seus inimigos (talvez patrões injustos, exploradores) ao invés de roubá-los e amaldiçoá-los. Seria ainda a mãe que resolve manter sua filhinha viva, ainda que enferma, em lugar de envenená-la como seria o esperado na aldeia. Ou ainda o rapaz que não toma mais caxiri, o ancião que passa a ver na pajelança elementos ruins para o sua vida, a criança que perde o medo do espírito que produz o trovão e assim por diante.
Estas mudanças de vida, que geram alterações posteriores na própria cosmovisão, são causadoras de desconforto no mundo acadêmico não cristão.
Antes de prosseguirmos façamos, porém, uma diferença entre cultura e história pois quando se afirma que o indígena passa a não praticar certas atividades culturais, o que se quer dizer é que este indígena escolheu não praticar certas atividades históricas, visto que todas as atividades da vida humana em uma certa sociedade, incluindo suas escolhas, são atividades culturais. Nenhuma cultura é estática.
A isenção da participação em alguns atos e cenários tradicionais não pode ser visto como uma aculturação, mas sim como uma escolha (baseada na conversão) de postura de vida dentro do seu universo local e com base em sua crença, ou fé. O rio Içana, por exemplo, cristão e evangélico, é conhecido como o rio onde 'não se bebe'.
Afirmar que é 'cultural' beber, como frequentemente ouvimos, na verdade deveria ser melhor referido como sendo ´histórico´ beber, seja o caxiri ou cachaça. O fato de vários indígenas do Içana não beberem o caxiri ou a cachaça não pode ser visto como um rompimento cultural o aculturação, por um motivo: beber é cultural da mesma forma que qualquer outra atividade praticada na sociedade como pescar, caçar, casar, adulterar, trair, matar, brincar etc.
O fato de uma atividade social ser 'cultural' sugere apenas que possui raízes de compreensão e prática naquele grupo. O Evangelho, assim, não acultura mas sim expõe valores que promovem, de fato, mudança dentro da própria cosmovisão e universo do povo sem lhe retirar aquilo que (ele) julga essencial para viver e ser índio.
Nesta secular controvérsia sobre a presença missionária evangélica entre os índios, a fim de tratarmos os indígenas como moralmente iguais, mesmo que etnicamente distintos, precisaríamos predefinir menos suas escolhas e ouvi-los mais.
Outro dia, viajando pelo Alto Rio Negro, ouvi um indígena dizendo: você pode me falar de Jesus ? Daríamos a qualquer um, neste Brasil, o direito de ouvir do que deseja ouvir. Porque não o índio ?

RONALDO LIDÓRIO

O DISCIPULADO E A IGREJA
Responda rápido, qual é a tarefa da Igreja? Se você respondeu “pregar o evangelho”, talvez seja necessário olhar mais atentamente sua Bíblia. Na verdade esta é apenas uma parte da responta.
Mas não fique embaraçado. A maioria dos outros leitores provavelmente respondeu da mesma maneira. Quando Jesus estava prestes a subir de volta aos céus, deixou aos seus discípulos uma ordem clara e completa sobre o que eles deviam fazer até que Ele voltasse. Mateus 28.16-20 e Mateus 16.15 registram.

“Foi-me dada toda a autoridade nos céus e na terra. Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei com vocês, até o fim dos tempos”.

“E disse-lhes: Vão pelo mundo todo e preguem o evangelho a todas as pessoas”.

De fato, pregar o evangelho é apenas o começo da história. Mesmo sendo um aspecto fundamental, do qual dependem todos os outros, ainda assim é só uma parte. Observe os verbos destes textos, colocados numa seqüência lógica e o que eles nos ensinam sobre nossa missão.

1. VÃO PELO MUNDO TODO – Nunca foi parte do plano de Deus que os cristãos ficassem encastelados em belos prédios, esperando que todos fossem a eles. A idéia é clara a iniciativa do evangelismo tem de ser da Igreja de Cristo. Nós iremos até onde as pessoas estão.

2. PREGUEM O EVANGELHO – A mensagem a ser anunciada não é uma filosofia, uma teoria religiosa, uma reforma moral, uma terapia, autoajuda ou qualquer outra coisa. É o evangelho de Deus (Rm 1.1). Na sua integridade sem tirar nem pôr nada. Sem rodeios, sem enfeites, sem adaptações de conteúdo. Na mensagem não se mexe. Não temos autorização para isso. Podemos e devemos rever os métodos de pregá-la, mas não podemos alterar os elementos do evangelho.

3. BATIZEM OS QUE CREREM – Como um sinal de identificação e de proclamação pública de sua fé, aqueles que crêem na mensagem do evangelho precisam ser batizados. Não fazem isso para serem salvos, mas para testemunhar ao mundo que já foram salvos. O batismo não salva, mas também não é opcional para o salvo. É uma ordenança a ser cumprida.

4. FAÇAM DISCIPULOS – Discípulos não nascem. Eles são formados pela Igreja. Faz parte da nossa tarefa, segundo a ordem de Jesus, fazer discípulos. Não podemos fazer salvos, nem convertidos. Este papel cabe ao Espírito Santo. Mas depois de nascidos de novo na família de Deus, a caminhada dessas pessoas rumo à maturidade cristã passa a ser responsabilidade da Igreja.

5. ENSINEM-NOS A OBEDECER – Nascer de novo não capacita uma pessoa, a saber, tudo. Aprender é um processo, inclusive na vida cristã. A única forma de uma pessoa ser igual a Cristo é conhecendo os seus ensinos e aplicando-os em seu viver diário. Se uma igreja não fornece alimento adequado às diversas etapas do desenvolvimento de um cristão, ela est5á contribuindo decisivamente para seu fracasso na fé.

MAIS QUE EVANGELISMO
Cumprir a Grande Comissão, portanto, não é somente “falar de Jesus”. É mais do que isso. Este é o primeiro passo. É a parte da missão direcionada a quem ainda não conhece a Cristo como Salvador e Senhor.
É verdade que há muitas igrejas que nem isso faz, o que é ainda pior, porque a ordem veio de quem tem “toda a autoridade no céu e na terra”.
Anunciar o evangelho é uma questão de obediência. Não é para ser feito apenas por igrejas que têm dinheiro e uma forte estrutura, mas por todas. No entanto, não fez toda a lição de casa quem parou no evangelismo. Porque depois que isso acontece e alguém se converte, dando o primeiro passo em sua nova vida, devem vir o batismo, o discipulado e o ensino da Palavra.
Tudo isso faz parte da comissão dada aos apóstolos e a nós. É que Deus não nos salvou apenas para nos livrar da perdição eterna. Este é o resultado, mas Deus tem em mente muito mais do que isso: Ele quer ser glorificado na vida daqueles que aceitam seu plano de salvação, na medida em que estes vão se tornando mais parecidos com seu Filho Jesus.

No conhecido texto de Romanos lemos: “Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito. Pois, aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” (Romanos 8. 28-29).

A salvação judicial, o perdão dos pecados e o livramento da condenação eterna estão garantidos desde o momento da conversão do pecador a Cristo (Romanos 8.1). Mas a salvação como processo de transformação continua. Esta boa obra começa no dia em que nos convertemos e prossegue durante todo o tempo que nos for concedido viver neste mundo. Entre os instrumentos usados por Deus para trabalhar em nós está a comunhão com outros irmãos e o discipulado. É por isso que afirmamos que o evangelismo é só o primeiro passo. Vem muito mais depois disso.

PORQUE PERDEMOS TANTA GENTE?
Muitos pastores e líderes se perguntam por que tantas pessoas se convertem e não ficam em nossa comunidade? O que acontece com elas? Onde elas vão parar? Quem será responsável por essa situação? ... as respostas apesar de assustadoras, revelam um dado interessante geralmente as igrejas têm alguma medida de preocupação com o evangelismo. O problema vem a seguir! Elas não sabem muito bem o que fazer com os novos convertidos.
Certamente há mais de uma causa para a evasão de pessoas nas igrejas, a começar da qualidade do evangelho que nelas se prega. Hoje muita gente fala em “vir para a igreja”, não em “vir a Cristo”, uma vez que é isso que escutam quando são “evangelizadas”. Boa parte da membresia “evangélica” na igreja brasileira ainda precisa de salvação.
Uma análise atenta vai demonstrar que, mesmo entre os verdadeiros convertidos, o principal fator que dificulta a permanência nas igrejas tem a ver com a ausência de um programa sistematizado de integração e discipulado investir nos dois primeiros anos da vida cristã é tão fundamental como oferecer cuidados básicos a um bebê recém nascido.

AFINAL, O QUE É DISCIPULADO?
Cometemos alguns erros em relação aos novos na fé. Por exemplo, há igrejas que colocam na mesma sala de estudos um neófito juntamente com alguém com váriias décadas de vida cristã. De que maneira as necessidades deles podem ser iguais?

O resultado acaba sendo ruim tanto para quem acabou de chegar quanto para quem já estava lá precisando de alimento sólido. Depois, imaginamos que tudo o que o novo convertido precisa é de uma boa Bíblia e de freqüentar todos os cultos e atividades da igreja.
Mas discipulado é mais do que estar em uma classe de estudo bíblica, em um grupo familiar ou uma célula. Todas estas coisas têm seu inegável valor e devem ser feitas, mas não são suficientes em si mesmas para fazer um discípulo.
O discipulado cristão vai muito, além disso. É um acompanhamento da vida do novo convertido até que ele consiga andar por si mesmo, em maturidade cristã. Sempre que possível, o discipulado deve ser individual. Uma coisa personalizada, feita sob medida para as necessidades de cada um. Acontece que discipulado individual não “dá ibope”. Não gera mídia. Não é um trabalho visível. Além disso, acompanhar o crescimento de um recém convertidos dá trabalho, demanda tempo, exige renúncia e paciência. E não é garantia de sucesso, uma vez que estamos lidando com pessoas e todas as suas complexidades.
Mas não há outro caminho. Ou fazemos discípulos ou nossas comunidades se tornarão uma confraria de religiosos, cheios de pessoas sempre imaturas, ainda que envolvidas nas atividades da igreja.

O QUE PODEMOS FAZER HOJE PARA REVERTER O QUADRO?
Em um contexto de seara urbana, com todas as pressões de tempo, compromissos, estresse e demandas de todos os tipos, falar em separar momentos para acompanhar uma única pessoa parece utópico e sem praticidade.
Como conseguir conciliar vida pessoal, atividades eclesiástica, trabalho e... discipulado pessoal? Antes de tudo, lembre-se de que estamos cumprindo uma ordem.
Discipular deve ser prioridade da igreja, razão pela qual convido você a analisar seriamente sua agenda. Existem coisas que realmente deveriam estar ali? De que maneira suas atividades hoje se relacionam direta ou indiretamente com o cumprimento da Grande Comissão?
Em seguida, reconheço sua limitação. Nunca fez parte do plano de Deus que meia dúzia de “iluminados”, chamados de “clero”, fossem pagos para fazer tudo sozinhos. Isso simplesmente não funciona e não é bíblico. O papel de um pastor ou líder cristão é preparar outros para fazer o mesmo.

Esta foi a recomendação do apóstolo Paulo a Timóteo: “E as palavras que me ouviu dizer na presença de muitas testemunhas, confie-as a homens fiéis que sejam também capazes de ensinar outros” (2 Timóteo 2.2).

A primeira coisa a fazer para que sua igreja faça discípulos é preparar uma equipe – um grupo de trabalho ou ministério – formada por gente fiel e treinada para dividir esta responsabilidade com a liderança pastoral. Ai está um segredo confortador, um único pastor ou presbítero (ou mesmo um grupo deles) não consegue discipular sozinho toda uma congregação. Mas quando equipa outros para servirem com ele, os resultados são exponenciais.
Além do que todos os membros do Corpo encontrarão sentido para sua vida ao exercitarem seus dons para a edificação da Igreja (Ef. 4.11—16).
Promova treinamentos para a capacitação de discipuladores. Delegue responsabilidades, não se esquecendo de que esses colaboradores precisarão de suporte, direção e acompanhamento de sua liderança.
Acompanhar seus lideres de ministério é bom mais viável do que tentar discipular sozinho a igreja inteira. Está achando muito difícil? Chegou à conclusão de que vai levar muito tempo até que isso comece a funcionar? Acertou! É isso mesmo. Acontece que quando começar a rodar, você vai ficar se perguntando “por que não fiz isso antes?). E se, por outro lado, você não começar a trabalhar nessa direção, as coisas nunca serão diferentes nesta área.

Albert Einstein disse: “Não existe sinal mais concreto de insanidade do que fazer a mesma coisa repetidamente e esperar resultados diferentes”.
Então, talvez tenha chegado sua hora de refletir e dar o primeiro passo. Os resultados serão uma igreja amadurecida, com bases bíblicas sólidas, vivendo um ambiente sadio e harmonioso.

MARCOS SENGHI SOARES – É autor deste texto e é membro da PIB de Piracicaba – SP e este texto foi publicado na Revista Povos nº 16 – Ano 4 – de 2011.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

CONHEÇA O SERTÃO NORDESTINO

Introdução

Ao contrário do que muitos pensam, a seca não atinge toda região nordeste. Ela se concentra numa área conhecida como Polígono das Secas. Esta área envolve parte de oito estados nordestinos (Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe) e parte do norte de Minas Gerais.
 

Causas da Seca

As principais causas da seca do nordeste são naturais. A região está localizada numa área em que as chuvas ocorrem poucas vezes durante o ano. Esta área recebe pouca influência de massas de ar úmidas e frias vindas do sul. Logo, permanece durante muito tempo, no sertão nordestino, uma massa de ar quente e seca, não gerando precipitações pluviométricas (chuvas). O desmatamento na região da Zona da Mata também contribui para o aumento da temperatura na região do sertão nordestino. Características da região - Baixo índice pluviométrico anual (pouca chuva); - Baixa umidade; - Clima semi-árido; - Solo seco e rachado; - Vegetação com presença de arbustos com galhos retorcidos e poucas folhas (caatinga); - Temperaturas elevadas em grande parte do ano. Seca, fome e miséria: um problema social A seca, além de ser um problema climático, é uma situação que gera dificuldades sociais para as pessoas que habitam a região. Com a falta de água, torna-se difícil o desenvolvimento da agricultura e a criação de animais. Desta forma, a seca provoca a falta de recursos econômicos, gerando fome e miséria no sertão nordestino. Muitas vezes, as pessoas precisam andar durante horas, sob Sol e calor forte, para pegar água, muitas vezes suja e contaminada. Com uma alimentação precária e consumo de água de péssima qualidade, os habitantes do sertão nordestino acabam vítimas de muitas doenças. O desemprego nesta região também é muito elevado, provocando o êxodo rural (saída das pessoas do campo em direção as cidades). Muitas habitantes fogem da seca em busca de melhores condições de vida nas cidades. Estas regiões ficam na dependência de ações públicas assistencialistas que nem sempre funcionam e, mesmo quando funcionam, não gera condições para um desenvolvimento sustentável da região. Ações para diminuir o impacto da seca - Construções de cisternas, açudes e barragens; - Investimentos em infra-estrutura na região; - Distribuição de água através de carros-pipa em épocas de estiagem (situações de emergência); - Implantação de um sistema de desenvolvimento sustentável na região, para que as pessoas não necessitem sempre de ações assistencialistas do governo; - Incentivo público à agricultura adaptada ao clima e solo da região, com sistemas de irrigação. Transposição do rio São Francisco A transposição do rio São Francisco é um projeto do governo federal que visa a construção de dois canais (totalizando 700 quilômetros de extensão) para levar água do rio para regiões semi-áridas do Nordeste. Desta forma, diminuiria o impacto da seca sobre a sofrida população residente, pois facilitaria o desenvolvimento da agricultura na região.

A DISCREPÂNCIA NORDESTINA

No ano de 2000, a Juvep – Juventude Evangélica Paraibana - missão situada em João Pessoa, enviou uma pequena equipe missionária de férias para evangelizar o povoado de Serra dos Ventos, no sertão paraibano. Quando perguntaram para uma família se eles conheciam Jesus, a resposta foi a seguinte: “Não senhora, ele num mora por aqui não”. No sertão do Rio Grande do Norte, dona Sebastiana, moradora do povoado Cobra, orou 30 anos pedindo a Deus uma igreja para sua região. A bem da verdade, há duas faces no Nordeste: litorânea e sertaneja. O litoral com suas praias paradisíacas de água morna o ano todo, shoppings centers modernos e movimentado comércio, apresenta grande concentração de igrejas evangélicas. À beira mar, a igreja nordestina tem crescido mais rapidamente que qualquer região do país. No sertão, contudo, nordeste da evidente miséria humana, avassaladora injustiça social, predominância católica, extrema idolatria, a presença evangélica mostra-se ínfima (apenas 3%), com muitas igrejas de 20-30 membros e acanhada capacidade de expansão. No sertão, encontramos a maior parte das cidades brasileiras com menos de 1% de evangélicos. Veja no mapa ao lado, os municípios nordestinos com menos de 5% de evangélicos: Irmãos nordestinos testemunham que, na cidade de Solidão, sertão Pernambucano, o último pastor residente foi expulso pela polícia local em 1992 por atacar a santa da cidade, chamando-a de lagartixa. Solidão continua sem uma igreja evangélica estabelecida até os dias de hoje. Os nordestinos evangélicos compreendem a necessidade da realização de projetos específicos de penetração nestas cidades, mobilização de plantadores de igrejas, parcerias de suas irmãs litorâneas, treinamento formal e informal de sertanejos que permaneçam no sertão, vencendo assim a tentação de êxodo para o litoral