"“Muitos crentes consagrados jamais atingiram os campos missionários com seus próprios pés mas poderão alcança-los com seus joelhos” (Adoniran Judson)”"

quarta-feira, 23 de junho de 2010

VISÃO DE UMA MISSIONÁRIA NA ÍNDIA


Os tambores soavam a noite inteira, e a escuridão tremia em redor de mim, como se fossem um ser vivente. Não podia dormir, mas deitada, com os olhos abertos, parecia que via o seguinte: Eu estava de pé sobre a grama, à beira dum abismo de espaço infinito. Olhei, mas não podia ver o fundo! Havia somente nuvens horríveis e profundezas insondáveis. Afastei-me atônita.

Então percebi vultos de pessoas andando, uns após os outros, pelo gramado. Estavam marchando para a margem do abismo. Vi, uma mulher com uma criança nos braços e outra ao seu lado, segurando-se no vestido de sua mãe. Ela estava bem na margem! Vi, então, que ela era cega. Levantou o pé para dar mais um passo, e caiu, e a criança com ela. Oh! Que grito!

Além disto, vi uma multidão de gente procedente de todas os lados. Todos eram cegos; todos andavam em direção da margem do precipício. Quase todos gritavam quando se sentiam caindo, e levantavam as mãos como se quisessem segurar-se em alguma coisa para não cair, enquanto outros passavam e caiam calados.

Então senti grande agonia: porque não havia alguém para preveni-los do perigo? Eu não podia fazê-lo. Estava paralisada no lugar e não podia clamar. Apesar de fazer maiores esforços, só podia cochichar.

Depois vi que, ao longo da margem, estavam postas algumas sentinelas. Porém o espaço entre elas era grande demais, e nestes lugares caiam multidões de pessoas cegas, sem serem prevenidas. A verde grama parecia-me encarnada com sangue e o abismo parecia a boca do inferno.

Então vi, como se fosse um quadro de paz, um grupo de gente debaixo de algumas árvores, com as costas viradas para o abismo: estavam fazendo enfeite de flores. Quando um grito agudo rompia o silêncio, eles se turbavam e se queixavam do barulho. E se alguém se levantava para ir acudir-lhes, o seguravam, dizendo: "Porque estás perturbado! Não tens acabado tua grinalda. É feio ires e deixar-nos trabalhando".

Havia um outro grupo: era de pessoas que se esforçavam em mandar mais sentinelas, mas poucos queriam ir, em alguns lugares havia espaços de alguns quilômetros, sem sentinelas na margem do abismo. Vi uma moça, sozinha num lugar, evitando que alguém caísse, mas sua mãe e outros parentes chamaram-na, dizendo que era tempo para as suas férias e que não devia desviar-se do costume de as gozar. A moça se sentindo cansada e obrigada a fazer uma mudança retirou-se por um tempo. Mas ninguém foi enviado para guardar o lugar que ela deixara, e as pessoas caíam constantemente, como uma cachoeira de almas.

Uma vez, uma criança, ao cair, agarrou-se numa moita de capim, que estava na margem do abismo. Ficou pendurada, chamando, pedindo socorro, mas ninguém prestava atenção. Por fim arrancou-se o capim pelas suas raízes, e a criança caiu, dando grito, tendo as mãozinhas ainda agarradas ao capim. A moça que desejava estar de novo no seu lugar pensava ter ouvido o grito da criança. Mas quando falou em voltar, foi reprovada pelos parentes, que diziam não haver necessidade, que o lugar seria guardado por outros. Então cantaram um hino.

Enquanto cantavam o hino, ouvia-se outro som, como se fosse a dor de milhões de corações exprimidos numa só gota, num só soluço. Sobreveio-me um horror de grandes trevas, porque entendi que era o grito de sangue.

Então trovejava a voz do Senhor que, disse: "Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão esta clamando a mim desde a terra".

Os tambores continuavam a tocar pesadamente, e a escuridão tremia ao redor de mim! Ouvia os gritos dos que dançavam a dança dos demônios e o triste clamor dos possessos fora do nosso portão.

Que me importa? Há muitos anos isso acontece, e continuará acontecendo por muitos anos ainda. Porque falar de uma coisa que tem de ser?

Ó, Deus nos perdoe! Deus nos acorde! Que Deus nos faça sentir a nossa dureza.

(Extraído do Livro Esforça-te para ganhar almas, Orlando Boyer - CPAD)
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Um comentário:

Anônimo disse...

O mundo clama por Jesus, e nós podemos fazer alguma coisa...ora, ir ou contribuir