"“Muitos crentes consagrados jamais atingiram os campos missionários com seus próprios pés mas poderão alcança-los com seus joelhos” (Adoniran Judson)”"

sábado, 25 de setembro de 2010

PRIMEIRO EM JERUSALÉM?!

Alguns anos atrás, eu estava pregando na primeira Conferência Missionária local de uma igreja no Rio de Janeiro. Pela direção do Espírito de Deus, eu trouxe a mensagem a um ponto que a igreja não esperava. Geralmente, quando um pregador era convidado para falar de missões nessa época, o que se esperava eram muitas lágrimas e um grande avivamento com toda a expressão emocional inerente. Mas naquele dia, eu me dei conta de que uma mensagem de verdadeiro poder não era aquela cheia de retórica convincente que rompe corações e faz o povo chorar. Eu anelava por mensagens que provocassem decisões práticas e duradouras e de cultivar compromisso de vida com Jesus.

A mensagem foi simples, mas desafiadora para que a igreja se responsabilizasse pela evangelização transcultural e busca dos perdidos.

Um dos senhores da igreja colocou-se de pé e disse: “Pastor, para que precisamos investir dinheiro em missionários em outros países, enquanto temos tantos incrédulos logo aqui em frente de nossa igreja?” Em Atos 1.8 está escrito “primeiro em Jerusalém.

Eu agradeci a pergunta e respondi com um exemplo prático. Chamei dez irmãos a frente e pedi que a igreja se colocasse em pé. Então, eu disse àquele irmão: “Irmão, dê uma olhada ao seu redor. Se eu levasse essa equipe de dez irmãos para além fronteiras, qual seria o prejuízo da evangeliza da evangelização local? Os irmãos ainda teriam mais de 150 crentes para cuidar da evangelização ali da rua. Certamente, a veemência com que o irmão falou mostra uma preocupação e até mesmo um chamado para a evangelização local. Então, enquanto os irmãos evangelizam aqui, permitam-me treinar e levar essa equipe para os confins da terra. Deus abençoará essa igreja e os irmãos estarão cumprindo Atos 1.8 de forma completa”. A seguir, alertei os irmãos sobre o cuidado que se deve ter com o texto sagrado pois o termo “primeiro em Jerusalém” não aparece em Atos 1.8 como muitos enfatizam. A igreja gostou da resposta e pude continuar minha mensagem.
Antes de seguir adiante, leia com atenção Atos 1.8. “Mas recebereis poder ao descer sobre vós o Espírito Santo, e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda Judéia e Samaria e até os confins da terra”.

Como disse Larry Caldwell, no seu livro Missions and You, “Missões e Você”, Atos 1.8, que é conhecido como uma pérola de missões em Novo Testamento, às vezes tem se tornado um grande obstáculo para as missões transculturais. Dr. Larry aponta para o fato de que Jerusalém não era a cidade dos primeiros discípulos. Eles vieram de Cafarnaum, da Galiléia. Portanto, se “primeiro Jerusalém” significa evangelizar primeiro “sua cidade”, então os primeiros discípulos não poderiam começar por Jerusalém, mas deveriam voltar para Cafarnaum para começar de lá a evangelização. Com isso, vemos que essa idéia de “primeiro aqui” não encontra apoio no versículo em questão.

Muitos lideres têm contraído a “síndrome do primeiro Jerusalém”. Isso acontece por falta de uma análise mais acurada do versículo, que é lido fora do contexto da Grande Comissão. Eles dizem que não é sua responsabilidade ir aos confins da terra, enquanto “sua Jerusalém” estiver em necessidade do Evangelho. Cada vez que encontro uma tradução diferente da Bíblia, procuro logo ler Atos 1.8. No entanto, jamais vi a palavra “primeiro”. E se por ventura, houver uma, esta estará errada, pois a dita palavra não existe no original.

Na verdade, o que encontramos em Atos 1.8, é uma idéia de simultaneidade. Os termos “tanto em”, “como em”, e “e até” dão a idéia de que as testemunhas estarão espalhando-se por toda Jerusalém, Judéia, Samaria e confins da terra ao mesmo tempo. Isso foi o que Jesus disse.

Quando pensamos numa tarefa de tal magnitude, podemos pensar que é impossível para uma igreja local. Mas Jesus não só deu a ordem como também tem dado todos os recursos e capacitações necessárias. Toda igreja média tem condições de ter pelo menos um enviado em cada uma dessas áreas. Um bom discipulado pode produzir vários evangelistas locais que não custam nada para a igreja.

Missionários locais podem ser enviados às tribos indígenas, o que é uma missão não muito cara já que as viagens são baratas e não há custos com vistos. Pelo menos, um missionário transcultural pode ser treinado e enviado aos confins da terra. Se uma igreja é pequena demais que não possa fazer isso. Ela, no mínimo, deve orar e trabalhar nesse sentido. Certamente, Deus vai honrar a sua fé e vai dar-lhe o crescimento rápido para que ela chegue ao ponto de cumprir Atos 1.8. Quão abençoada será essa pequena igreja? Sim, eu creio que Jesus chamou cada igreja local, pequena ou grande, para praticar a evangelização global. Se cada grupo cumprir sua parte, creio que Ele voltará mais cedo.

(Extraído do Livro “Missões Até os Confins da Terra” de autoria do Missionário Cláudio Ananias. Missão Kairós. Publicado pela Edições Kairós).

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