VIDAS QUE INSPIRAM

Robert Moffat
(1795-1883), presbiteriano escocês, foi profundamente influenciado em sua visão
missionária pelos metodistas enquanto trabalhava na humilde profissão de
jardineiro. Ele é conhecido como “o sogro de David Livingstone”, mas
mais do que isso, foi o grande precursor e patriarca que abriu o caminho às
missões no continente africano.
Aos 19 anos de
idade ingressou na Sociedade Missionária Londrina (SML), e com outros quatro
missionários foi e se estabeleceu na província do Cabo (Cape Town), na África
do Sul. Foi solteiro para o campo, mas cerca de três anos e meio depois ele se
casou com Mary Smith, uma união que durou 53 anos. Depois de alguns meses, foi
dada a permissão para Moffat viajar para as regiões desoladas de Namaqualândia,
que ficam a uns bons quilômetros ao norte de Cape Town. Lá, Moffat encontrou o
terrível chefe hotentote, Afrikaner. Permaneceu na aldeia dele por dois
anos e depois o levou à Cidade do Cabo para que os colonizadores vissem o poder
da transformação do evangelho na vida de homens como Afrikaner. Por
causa dessa demonstração, Moffat se tornou respeitado e passou a ser visto como
um estadista missionário na África do Sul.
Logo que se casou,
viajou em lua-de-mel com Mary cerca de mil quilômetros, numa carroça, até
chegar em Kuruman. Moffat entendeu que ali, entre os bechuanas, era um lugar
ideal para se estabelecer um posto missionário. Foi um lugar muito difícil para
o casal. As superstições eram o grande obstáculo para que os nativos recebessem
o evangelho. Com o passar do tempo, porém, os resultados começaram a aparecer.
Isso se deu pelo fato de os bechuanas serem ameaçados por tribos nômades de
invadir o local, e foi nesse tempo que Moffat exerceu uma boa perícia
diplomática, e por meio de arranjos e intervenções militares ele impediu que
aquelas tribos destruíssem os bechuanas.
No campo de
conversões de pessoas a Cristo, o início foi bastante difícil. Os testemunhos
históricos são de que Moffat tinha dificuldade de compreender as crenças e
tradições religiosas dos bechuanas, pois a tribo não tinha qualquer conceito de
Deus ou palavra para “Deus” em sua língua. Outra dificuldade foi a questão da
língua. Moffat, a princípio, não aprendeu a língua deles e pregava em holandês
do Cabo, um dialeto que os bechuanas usavam para comércio. Então ele
entendeu que não havia outro caminho, senão o de comunicar o evangelho na
língua deles.
Deixou a família e
foi para a selva aprender a língua dos bechuanas por onze semanas. Ao
retornar, podia pregar a Palavra de Deus na língua do povo e também começar a
tradução da Bíblia, o que fez em vinte e nove anos. Moffat viu um
grande impacto no crescimento da igreja a partir do momento que começou a
pregar na língua deles. Eles começaram a entender o evangelho. Ele construiu
uma forte igreja em Kuruman, entre os bechuanas.
A influência de
Moffat foi sentida em muitos lugares além de Kuruman. Chefes e líderes de
outros grupos iam lá, entendiam o evangelho e voltavam evangelizando seus
grupos. Algo muito marcante foi quando um dos chefes mais temidos de uma das
etnias da África, Moselekatse, enviou a Moffat cinco representantes de sua
tribo para visitá-lo e levá-lo até seu grupo. Ele foi, e Moselekatse se sentiu
muito honrado em receber a visita de um branco. Não se converteu, todavia foi
uma ponte de amizade tão grande que mais tarde permitiu que Moffat abrisse um
posto missionário em sua tribo.
Depois
de cinquenta e três anos de trabalho árduo na África do Sul, eles se
aposentaram e retornaram à Inglaterra. Até
a sua morte ele foi um estadista missionário nas Ilhas Britânicas, desafiando
jovens a se entregarem ao trabalho missionário na África. Depois que saíram da
África do Sul, dos dez filhos que tiveram, cinco deram sequência ao trabalho
missionário. Também muitos pastores nativos foram treinados. Ele e sua
família pagaram o preço de serem os precursores missionários na África do Sul,
todavia a colheita veio depois com muitos frutos.
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Rev. José João de Paula
Publicado no Blog da AMPB. https://apmt.org.br/robert-moffat-o-patriarca-das-missoes-na-africa-do-sul/
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