"“Muitos crentes consagrados jamais atingiram os campos missionários com seus próprios pés mas poderão alcança-los com seus joelhos” (Adoniran Judson)”"

domingo, 26 de dezembro de 2010

A DOUTRINA BIBLICA DO SUSTENTO MISSIONÁRIO


Introdução
As igrejas do Leste Europeu foram muito vigiadas durante o regime comunista. Não tinham a liberdade para fazer missões. Na maioria dos casos era uma questão de sobrevivência. Tudo era controlado pelos agentes do Governo, inclusive as finanças.

Na União Soviética os pastores não podiam receber salário das igrejas. Ganhavam seu sustento trabalhando para o sistema vigente. Assim, tinham que dividir o seu tempo entre o serviço secular e o ministério da palavra.

O que arrecadavam através das ofertas regulares era suficiente para cobrir as despesas gerais da congregação e a ajuda aos pobres. A entrega de dízimos não era
praticada nem ensinada e incentivada pelos líderes. A construção de templos (quando, pela graça de Deus, recebiam autorização do Governo), era através dos próprios membros pelo sistema de mutirões.

Com a queda do comunismo vieram os tempos da liberdade. As igrejas então tiveram que assumir novos desafios que implicavam em encargos financeiros. As agências missionárias de todo mundo focalizaram a Europa Oriental e começaram a enviar centenas de missionários, a sustentar obreiros da terra, a construir templos e seminários e a financiar vários projetos.

Contudo, com o passar do tempo, os recursos vindo dos países ocidentais começaram a diminuir. Um dos motivos é que o foco de missões mundiais foi direcionado para os povos não-alcançados, principalmente os muçulmanos. Vale
salientar que no Leste Europeu são os muitos povos que ainda não foram alcançados e há, inclusive, uma grande população muçulmana, como é o caso da Albânia, Macedônia, das ex-repúblicas soviéticas e regiões autônomas da Rússia.
Países como a Romênia, Moldávia, Ucrânia e Rússia representam um grande potencial missionário. Eles poderão enviar, nos próximos anos, um grande número de missionários ao redor do mundo. Para que isto aconteça as igrejas precisam se despertar para missões e se tornarem liberais em contribuir para esta obra.

Temos realizado, em muitos países, congressos regionais com o tema “Adoração, mordomia e missões” para as igrejas e as suas respectivas lideranças. No final fazemos três tipos de apelos: 1) Para decisão de Isaias 6.8; 2) O voto de Jacó (de dar o dízimo de tudo) e 3) A oferta dos filipenses (ofertas para missões). Deus tem
abençoado esses eventos com muitos frutos para o seu reino. E o motivo de tanta aceitação é porque apresentamos o plano de Deus para o sustento da sua obra conforme se encontra na Bíblia.

Todos nós concordamos que Deus tem uma obra a realizar no mundo através da Igreja e que Ele estabeleceu um plano para o sustento desse trabalho. Quem aceita a autoridade bíblica participa efetivamente desse plano. A Palavra de Deus, além de fornecer a doutrina do sustento, nos fornece também modelos de sustento da sua obra.

1. Modelos bíblicos de sustento da obra de Deus
1.1. Abraão
1.1.1. Ele é modelo porque é o nosso “Pai da fé”. Como está escrito: “Sabeis, pois, que os que são da fé, esses são filhos de Abraão (...). De modo que os que são da fé são abençoados com o crente Abraão” (Gl 3. 7 e 9).
Qual é a implicação, para nós como crentes, em ter a Abraão como o nosso pai? Em primeiro lugar implica em bençãos: “Para que aos gentios viessem à bênção de
1 Abraão em Jesus Cristo, a fim de que nós recebêssemos pela fé a promessa do Espírito” (Gl 3.14). Em segundo lugar implica em responsabilidade: “Se sois filhos
de Abraão, fazei as obras de Abraão” (Jo 8.39). E uma das suas obras foi a de dar o
dízimo de tudo, conforme registrado em Gêneses cap.14.

1.1.2. Abraão nos oferece o princípio da mordomia

1.1.2.1. Ele deu o dízimo porque reconheceu a soberania de Deus. O patriarca reconheceu que Ele é o Deus Altíssimo, o Criador dos céus e da terra e possuidor de todas as coisas: “Levanto minha mão ao Senhor, o Deus Altíssimo, o Criador dos céus e da terra” (Gn 14.22). Baseado neste mesmo princípio, Davi declarou a soberania e a grandeza de Deus (1Cr 29.11-14).
1.1.2.2. Ele deu o dízimo porque foi abençoado por Deus. “O Deus Altíssimo (...) entregou os teus inimigos em tuas mãos” (Gn 14.20).

1.1.2.3. Ele entregou o dízimo a alguém credenciado por Deus.
A Melquisedeque, “sacerdote do Deus Altíssimo” (Gn 14.18). Os dízimos devem ser
trazidos à casa do tesouro” (Ml 3.10), e deve ser administrado pela igreja.
1.1.2.4. Ao dar o dízimo demonstrou absoluta fidelidade. Ele deu o dízimo de tudo, não fez como o casal Ananias e Safira, que escondeu furtivamente uma parte do valor da propriedade e mentira ao Espírito Santo (At 5.1-16).

1.1.2.5. Ele entendeu que melhor coisa é dar do que receber. Ele deu o dízimo de
tudo, mas não quis receber nada da mão do rei de Sodoma.

1.1.3. Com Abraão, Deus estava iniciando a história do seu povo (Israel e a Igreja) Abraão ocupou um lugar tão importante nos planos de Deus que o Senhor declarou a seu respeito: “Ocultarei eu a Abraão o que faço, visto que Abraão certamente virá a ser uma grande e poderosa nação, e por meio dele serão benditas todas as nações da terra? Porque eu o tenho escolhido, a fim de que ele ordene a seus filhos e a sua casa depois dele, para que guardem o caminho do Senhor, para praticarem a retidão e justiça; a fim de que o Senhor faça vir sobre Abraão o que a respeito dele tem falado” (Gn 18.17-19).
1.2. Jacó
Um dos descendentes de Abraão foi Jacó. Na visão que teve da escada, narrada em Gênesis, cap. 28, ele fez duas descobertas que mudaram o curso da sua vida.
1.2.1. Descobriu a presença de Deus
“Realmente o Senhor está neste lugar, e eu não o sabia” (v. 16). Não sabia porque o conceito que tinha de Deus era muito limitado, pensava em um deus patriarcal.

Ao deixar a casa dos pais, em que se adorava o Deus de Abraão e de seu pai Isaque, chegaria à casa do seu tio Labão, na Mesopotâmia, onde se adoravam os deuses regionais. Deus renova as promessas feitas a Abraão e disse que a sua fidelidade e a bondade o acompanhariam até se cumprir tudo aquilo de que lhe tinha falado.
2 1.2.2. Descobriu a casa de Deus
Esta é a primeira vez que aparece na Bíblia a expressão “casa de Deus” e acompanhada da sua definição: 1) A casa de Deus é um lugar terrível – por causa da presença gloriosa do Senhor e 2) A casa de Deus é a porta dos céus. Isto nos leva a pensar no ministério da igreja em abrir a porta dos céus para os homens através da pregação do Evangelho. Quando as pessoas entram na sua igreja têm a sensação de que estão na porta dos céus?

1.2.3. Assumiu dois compromissos com a casa de Deus

1.2.3.1. A casa de Deus precisa ser edificada. Jacó tomou a pedra que pusera debaixo da sua cabeça e a pôs como coluna. Assim, ele deu início a obra de edificação da casa de Deus e declarou: “Esta pedra que tenho posto como coluna será a casa de Deus” (Gn 28.22). Talvez Paulo e Pedro tenham-se inspirado nessa experiência para esclarecer o que significa “casa de Deus”: “(...) que é a igreja do Deus vivo, coluna e esteio da verdade” (1Tm 3.15); “Vós também, quais pedras vivas, sois edificados como casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus por Jesus Cristo” (IPe 2.5).
Jacó derramou azeite em cima da pedra; isto nos leva a pensar que as pedras, para serem vivas, precisam receber esta unção. Os crentes, para edificar a casa de Deus, precisam ser pessoas verdadeiramente nascidas de novo e cheias do Espírito Santo.

1.2.3.2. A casa de Deus precisa ser sustentada. Jacó assumiu o compromisso de sustentar a casa de Deus ao fazer esta declaração: “e de tudo quanto me deres, certamente darei o dízimo” (v. 22).

Fazemos duas perguntas: 1) De quem Jacó aprendeu sobre o dízimo?
Certamente do seu pai, Abraão. No texto já mencionado, Deus disse que o escolheu a fim de que ele ordenasse a seus filhos e a sua casa, depois dele, para que guardassem o caminho do Senhor, para praticarem a retidão e a justiça. 2) Em que base disse que daria o dízimo? Não nas suas possibilidades, pois fugia do seu irmão somente com o cajado em suas mãos e com um futuro incerto. Ele se baseou totalmente na fidelidade de Deus, como declarou: “(...) Se Deus for comigo e me guardar neste caminho que vou seguindo, e me der pão para comer e vestes para vestir, de modo que eu volte em paz à casa do meu pai, e se o Senhor for o meu Deus, então (...) de tudo quanto me deres, certamente darei o dízimo” (vv. 20,22).
Depois de 20 anos, quando estava voltando para a casa do seu pai, orou dizendo:
“Ó Deus de meu pai Abraão, Deus de meu pai Isaque, ó Senhor, que me disseste: volta para a tua terra, e para a tua parentela, e eu te farei bem! Não sou digno da menor de todas as tuas beneficências e de toda a fidelidade que tens usado para com o teu servo; porque com o meu cajado passei este Jordão, e agora volto com dois bandos” (Gn 32.9 e 10). Jacó fez prova do Senhor conforme Malaquias 3:10, e Ele de fato lhe abriu as janelas do céu e derramou a tal benção, segundo ele mesmo testemunhou.
1.3. Moisés
“Moisés, na verdade, foi fiel em toda a casa de Deus, como servo, para testemunhar das coisas que se haviam de anunciar” (Hb 3.5).
“Casa de Deus” é a mesma coisa de “povo de Deus”. Paulo disse que a casa de Deus
é “a igreja do Deus vivo” (1Tm 3.15). O autor da Carta aos Hebreus declara que
3 “Enquanto que Moisés foi servo (...), Cristo o é como Filho sobre a casa de Deus, a qual casa somos nós (Hb 3.5 e 6).
Quando Jacó fez o voto de edificar e sustentar a casa de Deus através dos seus dízimos, evidentemente que não estava pensando na construção de um prédio, mas no investimento que faria da sua vida e dos seus bens para o engrandecimento do reino de Deus. Através da revelação recebida por Moisés, este plano de Deus para o sustento de sua obra criou forma.
Arão e os Levitas foram separados por Deus para cuidar das coisas santas, e a base do seu sustento foi estabelecido: seria através dos dízimos e das ofertas alçadas do povo de Israel. Através das leis e estatutos a estruturou a vida religiosa da nação foi sendo estabelecida.
Como o povo de Israel estava sempre quebrando o pacto, passava por muitos períodos de decadência total (econômica, política, social, moral e espiritual).
Estes períodos eram intercalados por algum reavivamento espiritual, como o que aconteceu nos dias do rei Ezequias. Além das várias medidas adotadas, ele ordenou ao povo que morava em Jerusalém que desse a porção pertencente aos sacerdotes e aos levitas, “para que eles se dedicassem à lei do Senhor” (2Cr 31.4). “Então os filhos de Israel trouxeram em abundância o dízimo de tudo” ( 2Cr 31.5 e 6).
Também nos dias de Neemias ele contendeu com os magistrados e disse: “Por que se abandonou a casa de Deus? Ele, pois, ajuntou os levitas e os cantores e os restaurou no seus postos. Então todo o Judá trouxe o dízimo de tudo” (Ne 13.10-12).
Deus também estava levantando os seus profetas para exortar o povo e adverti-lo das conseqüências da sua obstinação. A vida religiosa descrita no último livro do Velho Testamento – Malaquias – estava muito deteriorada. Aparentemente estava tudo em ordem, todas as vezes que Deus repreendia o povo, a começar pelos sacerdotes, por causa dos seus deslizes, eles perguntavam mais ou menos assim: O que estamos fazendo de errado?
Confira os seguintes versículos: 1.1, 6; 2.14,17; 3.7, 8, 13. O problema é que eles estavam desonrando ao Senhor e profanando o Seu nome, ao oferecer ofertas de qualidade inferior, tratando as coisas santas com superficialidade, transgredindo o mandamento e deixando cair os padrões morais e espirituais estabelecidos por Deus.
Uma das últimas repreensões foi relativo a infidelidade deles no sustento da casa de Deus. Veja.
Quem não está entregando o que é devido a Deus, está cometendo o pecado do roubo, e não existe nenhuma inocência neste ato: “Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis: em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas alçadas”. As ofertas para missões são ofertas alçadas” (v. 8).
Quem não está entregando o que é de Deus estará recebendo o pagamento devido:
“Vós sois amaldiçoados com a maldição; porque a mim me roubais” (v. 9).
O pecado, quando generalizado, traz consigo o desastre nacional: “Sim, vós, esta
nação toda (v. 9) (...) o devorador que destrói os frutos da terra e da vide do campo” (v. 11).
Deus insiste em seu plano de sustento para a sua obra: “Trazei todos os dízimos á
casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa” . Não há justificativa para o infiel; aquele que está na dúvida é desafiado por Deus a fazer prova dele: “(...) e depois fazei provas de mim” (3.10).
São duas grandes bençãos: 1) Para a obra de Deus - “(...) para que haja mantimento [recursos] na minha casa” e 2) Para aqueles que são fiéis – “(...) Se eu
não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós tal benção, que dela vos
advenha a maior abastança” (v. 10).
4 Estas promessa são para o crente individualmente e para uma igreja que está investindo na obra de Deus com toda a liberalidade. Uma igreja que investe em missões será grandemente abençoada. A fidelidade afastará as maldições: “Derramar sobre vós tal benção. Também por amor de vós reprovarei o devorador” (Ml 4.10 e 11). A fidelidade da entrega dos dízimos e ofertas resultará em um testemunho maravilhoso para as nações: “E todas as nações vos chamarão bem-aventurados” (ml 4.12).
1.3.1. A finalidade da casa de Deus
Quando Jesus entrou no Templo, em Jerusalém, na véspera da sua crucificação, ficou revoltado por ver que os judeus tinham perdido o objetivo da casa de Deus.
1.3.1.1. O objetivo espiritual da casa de Deus – Jesus disse que a sua casa seria chamada casa de oração, mas estava sendo usada com outros propósitos. Os judeus estavam fazendo dela casa de negócios, e negócios desonestos.
1.3.1.2. O objetivo missionário da casa de Deus - Jesus disse que a casa de oração era para todos os povos (Mc 11.17). Os vendedores do Templo estavam ocupando exatamente o átrio dos gentios e impedindo que eles adorassem a Deus ali.
Quantas igrejas dos nossos dias têm perdido também a finalidade da casa de Deus! Jesus disse que “onde estiver o seu tesouro, ali estará também o seu coração” (Mt 6.21). Se o seu tesouro for o reino de Deus, certamente o seu coração estará em missões.
“Pois o zelo da casa de Deus me consome” (Sl 69.9) e este zelo o levou a dar a sua vida por ela: “(...) Cristo amou a sua igreja e a si mesmo se entregou por ela” (Ef 5.25). Davi disse que tinha posto o seu afeto na casa de Deus, e este afeto o levou a dar tudo o que tinha por ela: “(...) O ouro e a prata particular que tenho, eu o dou para a casa do meu Deus, afora tudo quanto tenho preparado para a casa do santuário” (1Cr 29.3). Qual é o seu zelo e o seu afeto pela casa de Deus?
1.4. Igrejas da Macedônia
Paulo, escrevendo a sua segunda epístola aos coríntios, citou as igrejas da Macedônia como modelo de liberalidade em contribuir para a obra missionária. Na primeira, porém ele repreende a igreja pela sua negligência em sustentar condignamente aqueles que foram chamados e enviados por Deus para pregar o Evangelho.
1.4.1. Deveres e diretos
Se a obra de Deus é feita na base de cooperação, como disse Paulo – “Nós somos cooperadores de Deus” (1Co 3.9) – isto implica em deveres e direitos de todas as partes envolvidas. Os missionários são devedores: “Eu sou devedor, tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes” (Rm 1.14). O missionário é devedor ao povo que o enviou e ao povo ao qual é enviado. É devedor às suas igrejas e a sua Junta.
Porém, ele tem os seus direitos, sendo alguns deles reivindicados por Paulo, segundo 1Coríntios, cap. 9, que passa a ser um porta voz de todos os missionários:
1.4.1.1. O direito de viver de uma maneira digna. “Não temos nós direito de comer e de beber?” (v. 4). Quantos pastores e missionários em nossos dias que não têm gozado deste direito!
1.4.1.2. O direito de ser acompanhado pela esposa. “Não temos nós direito de levar conosco esposa crente, como os demais apóstolos, e os irmãos do Senhor, e Cefas?” (v.5). Pelo fato de a maioria das igrejas do Leste Europeu não ter visão de sustento dos 5 seus obreiros, as esposas têm que trabalhar para ajudar nas despesas de casa, e ficam impossibilitadas de acompanhar o esposo para ajudá-lo no ministério.
1.4.1.3. O direito de se dedicar integralmente ao ministério a que foi chamado. “Ou será que só eu e Barnabé não temos direito de deixar de trabalhar?” (v. 6). Quando Paulo iniciou o seu ministério em Corinto não tinha o seu sustento assegurado e teve que fazer tendas, tendo somente o dia de sábado disponível para pregar o Evangelho.
Mas quando Silas e Timóteo desceram da Macedônia com o seu sustento, ele dedicouse inteiramente à Palavra. (At 18.1-5).
1.4.1.4. O direito de ser sustentado por aqueles a quem ministra e por aqueles que
participam do seu processo de envio. “Quem jamais vai a guerra à sua própria custa?
Quem planta uma vinha e não come do seu fruto? Ou quem apascenta um rebanho e não se alimenta do rebanho?” (v. 7).
2. O plano de Deus para o sustento da obra é um só
Há uma corrente de interpretação que diz que o plano de sustento do Velho Testamento é diferente do Novo Testamento. Pelo fato de não estarem mais debaixo da lei , mas sim da graça, rejeitam a prática do dízimo e, conseqüentemente, o sustento condigno dos pastores e missionários.
Contudo, Paulo afirma claramente que o plano de Deus no Novo Testamento é o mesmo do Velho Testamento, vejamos: “Ou não diz a lei também o mesmo? Pois na lei de Moisés está escrito: Não atarás a boca do boi quando debulha. Porventura está Deus cuidando dos bois? (...) Com efeito, é por amor de nós que está escrito” (1Co 9.8- 10).
O que Moisés escreveu na lei sobre o sustento, foi para nós! Nós quem?
Evidentemente que foi para nós, do Novo Testamento. Não atar a boca do boi. Não é uma lei de proteção dos animais, pois ele pergunta: “Porventura está Deus cuidando dos bois?” (v. 9). Paulo volta a aplicar esta ilustração do boi para reivindicar o sustento condigno do obreiro cristão. Fazer isto com o boi é um ato de injustiça, e não é isto que muitas igrejas estão fazendo com os pastores e missionários: criando várias restrições, inclusive salarial, para desenvolverem a obra do Senhor?
“Os presbíteros que governam bem sejam tidos por dignos de duplicada honra, especialmente os que labutam na pregação e no ensino, porque diz a escritura: Não atarás a boca ao boi quando debulha. E: Digno é o trabalhador do seu salário” (1Tm 5.17).
Não há nenhuma contradição entre o ensino de Moisés e de Jesus. O salário, para
ser justo, precisa ser diferenciado – duplicada honra para aqueles que governem bem.
Não atarás a boca do missionário quando está fazendo missões, pois é digno do seu salário. Não atarás a boca do evangelista quando está evangelizando, pois digno é do seu salário. Não atarás a boca do pregador quando está pregando, pois digno é do seu salário. Não atarás a boca do mestre quando está ensinando, pois é digno do seu salário.
“Não sabeis vós que os que administram o que é sagrado comem do que é do templo? E que os que servem ao altar, participam do altar. Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho” (vs. 13 e 14).
“Assim” quer dizer “a mesma coisa”. O plano para o sustento dos servidores do templo do Velho Testamento (vivem do altar), é o mesmo daqueles que pregam o Evangelho (vivem do Evangelho). Quem ordenou foi o Senhor Jesus.
2. Sustentar os obreiros é fazer o bem “Amados, não imiteis o mal, mas o bem” (3Jo 11).
3.1. Não imiteis uma igreja como a de Corinto que não tem visão de sustento para
os que pregam o evangelho.
3.1.1. “Pequei porventura, humilhando-me a mim mesmo, para que vós fôsseis exaltados, porque de graça vos preguei o evangelho de Deus? Outras igrejas despojei, recebendo delas salário, para vos servir; e quando estava presente convosco, e tinha necessidade, a ninguém fui pesado” (2Co 11.7 e 8).
3.1.2. “(...) humilhando-me” (...) “antes suportamos tudo” (2 Co 11.7; 1Co 9.12). Paulo teve que passar privações enquanto ministrava aos corintios porque eles não quiseram assegurar o seu sustento.
3.1.3. “Outras igrejas despojei, recebendo delas salário, para vos servir” (2Co 11.8).
Segundo o que está escrito, a igreja de Corinto é a única mencionada no Novo Testamento por não participar no sustento de Paulo e dos seus colegas missionários.
Como eles devem ter se sentido ao receber esta carta de Paulo repreendendo-os por esta grande falta? Como você que sua igreja se sentiria recebendo palavras como estas?
3.1.4. “Quando estive convosco, e tinha necessidade, a ninguém fui pesado” (2Co 11.8). Que falta de sensibilidade para as necessidades do próximo, principalmente daqueles que labutam pela causa do Evangelho! “Quem , pois, tiver bens neste mundo, e, vendo o seu irmão necessitado, lhe fechar o coração, como permanece nele o amor de Deus?. Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obras e em verdade” (1Jo 3.17 e 18).
3.2. Imitais as igrejas como as da Macedônia, que apesar de todas as suas
provações, fizeram muito mais do que as demais. “Pois os irmãos que vieram da Macedônia, supriram as minhas necessidades” (2Co11.9). “Também, irmãos, vos fazemos conhecer a graça de Deus que foi dada às igrejas da Macedônia; como, em muita prova de tribulação, a abundância do seu gozo e a sua profunda pobreza abundaram em riquezas da sua generosidade. Porque, doulhes testemunho de que, segundo as suas posses, e ainda acima das suas posses, deram voluntariamente, pedindo-nos, com muito encarecimento, o privilégio de participarem deste serviço a favor dos santos; e não somente fizeram como nós esperávamos, mas primeiramente a si mesmos se deram ao Senhor, e a nós pela vontade de Deus” (2Co 8.1-5).
“Também vós sabeis, ó filipenses, que, no princípio do evangelho, quando parti da Macedônia, nenhuma igreja comunicou comigo no sentido de dar e de receber, senão vós somente; porque estando eu ainda em Tessalônica, não uma vez só, mas
duas, mandastes suprir-me as necessidades” (Fl 4.15 e 16).
São palavras para serem meditadas e praticadas. As igrejas da Macedônia são um
exemplo de liberalidade.


Conclusão
Lamentamos por aquelas igrejas que ainda em nossos dias seguem o exemplo da igreja de Corinto. Mas louvamos a Deus por aquelas que estão seguindo o exemplo das 7 igrejas da Macedônia na sua liberalidade em contribuir para o sustento condigno dos seus pastores e missionários.

O plano do sustento da obra missionária não foi feito pelas Juntas missionárias ou outra qualquer instituição humana, mas por Deus. O plano é único em toda a Bíblia, não podemos alterá-lo, mas sim obedecê-lo. O fruto da nossa fidelidade será o engrandecimento do reino de Deus e o cumprimento da promessa do Senhor em derramar abundantes bençãos sobre os que assim sustentam a causa de Cristo através da sua igreja ao redor do mundo.

Texto de: Gerson Tomaz Pereira

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