"“Muitos crentes consagrados jamais atingiram os campos missionários com seus próprios pés mas poderão alcança-los com seus joelhos” (Adoniran Judson)”"

sábado, 11 de junho de 2016

DESPERSONALIZAÇÃO DA MISSÃO

Sobre a despersonalização da missão Bráulia Ribeiro Palavras que despersonalizam a missão nos desobrigam de ver e ser gente A missionária Elizabeth Vêncio, depois de ensinar por muitos anos num instituto bíblico, resolveu usar seus dons de professora para ajudar um grupo de índios no interior do Amazonas. Trabalhou ali com os Jarawara por mais de vinte anos. Dividia seu tempo entre um fim de mundo no Amazonas e outro em Rondônia, onde, junto com uma amiga, construiu uma casinha simples de madeira. Seu trabalho entre os Jarawara significou muito. Se tivéssemos capacidade de quantificar o valor da preservação de uma língua ameaçada de desaparecimento de um povo indígena saindo da idade da pedra lascada para ser capaz de conviver no mundo de hoje, graças à alfabetização e a um efetivo sistema de educação multiétnica que ela implantou, que incluía outras tribos do baixo Amazonas, nos surpreenderíamos com a riqueza que ela gerou. Infelizmente, após completar 60 anos, descobriu que tinha câncer no ovário. Voltou a São Paulo para tratamento, esperando em breve retornar para seu querido buraco no coração da Amazônia. Nunca voltou. O câncer a consumiu em poucos meses deixando seus queridos Jarawara órfãos da mãe que lhes deu condição de enfrentar o futuro preservando o passado. Doeu-me a morte da companheira. Porém, aprendi outra coisa, ainda mais dolorosa, depois que ela caiu doente. Aprendi que não podemos contar com a igreja. Bete foi fiel a sua igreja mãe e denominação por toda a vida. Entretanto, quando adoeceu, recebeu uma nota da igreja mais ou menos assim: “Missionária, não podemos mais lhe enviar seu sustento mensal. O dinheiro da igreja só pode ser aplicado na obra e, como você não está mais no campo, temos de dirigi-lo a outro missionário que seja produtivo no reino”. Bete só não terminou seus dias na mais profunda indigência graças à intervenção da família e de amigos próximos. Sempre me incomodaram as expressões “obra, reino, campo, tarefa missionária, grande comissão”. São expressões executivas, administrativas, com cara de escritório e de papéis impressos, e que no meu coração romântico e apaixonado não expressavam a natureza de nosso chamado. Guerra contra palavras pode parecer inútil para alguns, mas palavras são as ferramentas da cultura. É com elas que construímos nossas obrigações morais e emoções que nos movem a ações. Se a nossa definição de serviço do evangelho for despersonalizada, uma sopa de letrinhas com um caldo de números, vamos construir instituições cruéis, impessoais, capazes de abandonar alguém como Bete no momento em que ela mais precisar. Palavras que despersonalizam a missão nos desobrigam de ver e ser gente. Segundo essa perspectiva, missionários não são pessoas, são peças numa grande engenharia estatística. O “campo” que alcançamos também não é constituído de gente que somos chamados a amar, mas são uma mera variável na equação do sucesso da missão. A favor deste “x” despersonalizado somos capazes de abandonar famílias inteiras à sua própria sorte em terras estrangeiras, para maximizar o orçamento da “obra”. Para ajudar missões, abandonamos missionários idosos depois de trinta, quarenta anos de serviço, já que eles não produzem mais para o “reino”. Economizamos no plano de saúde, ou ignoramos totalmente o fato de que missionário também é gente que tem dentes com cáries, sofrem acidentes e contraem doenças. Muitas igrejas preferem pagar caixões para repatriar corpos do que um plano de saúde decente. O que dizer de financiar cursos, ajudar seus filhos a irem para a faculdade, ou enviar algum dinheiro extra no Natal? Não, nada disto combina com a equação numérica que trata a grande comissão como uma tarefa despersonalizada. Que tal redefinirmos a obra? Que tal se começarmos a dizer com orgulho: “A minha igreja financia pessoas que se dedicam a amar e a servir outras pessoas longe daqui. Estão lá porque Jesus ama também estas pessoas distantes que não pertencem a nossa igreja e denominação. E nós nos orgulhamos destes servos e lhes oferecemos um sustento digno, porque a sua missão é também a nossa”? • Bráulia Ribeiro trabalhou na Amazônia durante trinta anos. Hoje mora em Kailua-Kona, no Havaí, com sua família, e está envolvida em projetos de tradução da Bíblia nas ilhas do Pacífico. É autora de Chamado Radical e Tem Alguém Aí em Cima?. Acompanhe seu blog pessoal.

domingo, 1 de novembro de 2015

PROJETOS REGION O MAIOR DESAFIO MISSIONÁRIO DO SÉCULO XXI

PROJETOS REGION O MAIOR DESAFIO MISSIONÁRIO DO SÉCULO XXI

meios e passos para alcançar o objetivo

MOVIMENTO DE ORAÇÃO

Diante do gigantesco desafio que temos diante de nós o objetivo é iniciar pela oração, pois o Senhor responde as orações dos justos. Nossa meta é levantar 50.000 intercessores até Junho, 2016 e um milhão até 2020 para a região mais fechada, de maior perseguição e que ainda não conta com nenhuma equipe de brasileiros. Já temos 34.000 cadastrados e pode ser superado o alvo na após compartilharmos em Janeiro na Convenção Estadual da AD em do Ceará.

Louvamos a Deus, pois já está sendo confeccionados 50.000 livretos coloridos de oração de 40 páginas e o total a ser produzido é de um milhão. Deverá ser reimpresso a cada 50.000 novos intercessores. Temos consciência do custo de produção, mas queremos municiar os intercessores com as ferramentas adequadas de oração. Este manual está sendo traduzindo para o espanhol e será disponibilizado eletronicamente. Também está sendo traduzida para uma língua étnica e devemos produzir 5.000 para esta igreja da diáspora no Brasil.

50 CANDIDATOS TREINADOS E ENVIADOS ATÉ 2020:

Sabemos do alto custo de envio, mas uma alma vale mais do que o mundo inteiro. Temos três casais, sendo um com dois filhos e experiência internacional por muitos anos e 16 jovens que se candidataram para ser treinados para irem. Um casal com dois filhos somente está dependendo do sustento e o necessário é 2.500,00 dólares mensais. O outro casal é de Santa Catarina que aceitou o desafio de se preparar para abrir um Centro Desportivo na região. Os solteiros o sustento individual necessário é de 1.000,00 dólares mensais. Nosso alvo é ver dez igrejas parceiras que adotem um candidato. Há três jovens na base em processo de treinamento e envio e uma irmã com nove anos de experiência na Ásia que aceitou o desafio de ser pioneira ali. Queremos levar a Cruz de Cristo a esta região assustadora para muitos.

Isto nos faz lembrar-se do jovem Davi ao ver o gigante Golias desafiando o Senhor e seu povo escolhido. Imagino-o pensando consigo ao se encher do Espírito Santo. Essa não era a sua primeira experiência, pois todo vez que aparecia um inimigo diante dele, como leões e ursos o Espírito o tomava e ele os matava para proteger as ovelhas de seu pai. Agora é um desafio nacional e quando o Espírito o toma ele pensa: - “ele é tão grande, muito grande, tão gigantesco que é impossível errar o alvo”.

MOBILIZAÇÃO MISSIONÁRIA:

Estamos mobilizando em diversas igrejas e com diversos conselhos de pastores. Compartilhamos na Convenção da AD em Santa Catarina para 2.000 pastores e 1.300 esposas de pastores, e outra convenções e vamos compartilhar na Convenção da AD no Ceará em Janeiro 2016. sustento mensal.

CONCIENTIZAÇÃO DA REGIÃO:

Sabemos que esta região se encontra longe do contexto brasileiro e poucos acreditam que possam ter obreiro ali devido ser fechado, a perseguição, custo de envio, Devido à dificuldade de compreender o desafio da região queremos fornecer a cada igreja um kit para ajudar a conhecer e amar os povos dali.

1 - Já temos 120 das 1.000 bandeiras necessárias para doar as igrejas e o objetivo é de adquirir 1.000 para serem doadas as igrejas adotantes.

2 – Temos 100 dos 1.000 mini NTs que são entregues ao pessoal que se converte na fronteira e são escondidos nas partes íntimas quando entram na região.

3 – Temos 100 balões e também queremos adquirir mais 1.000 balões, que são cheios de gás hélio, gravados com o evangelho de Marcos, e que são lançados quando o vento está em direção à região.

4 – Estamos trabalhando nos textos do kit dos cartões de oração e o objetivo é produzir 100.000

6 – Estamos no processo de produzir 1.000 kits de 36 cartazes coloridos de oração papel couche brilhante A3 para serem afixados em quadros de avisos.

FERRAMENTAS PARA LEVANTAMENTO DE RECURSOS:

Queremos produzir souvenirs para conscientizar e levantar recursos. Temos também os custos ministeriais para estabelecimento do obreiro na região. Estamos buscando alguns meios, tais como: cofrinhos e para isso estamos buscando amigos que aceitem 30 cofrinhos para encher e coordenar com irmãos de suas igrejas com crianças e outros. Tais recursos são para produzir as ferramentas de oração para divulgar a visão de intercessão, conscientização, recrutamento, treinamento e envio.

Eu os convido para se unir conosco neste empreendimento inédito para envio desta equipe e ver o movimento de intercessão no Brasil entre os brasileiros. Externamos as nossas gratidões e contamos com o seu prestimoso apoio,

David Botelho

Horizontes América Latina

region@mhorizontes.org.br

Bradesco Agência 1020 – Conta 6880-2 – CNPJ 59.958.983.0001-16

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

QUANTO VALE UM MISSIONÁRIO?


Hoje o dia está muito quente. O sol bate inclemente na janela e as persianas tentam, inutilmente, aplacar a força dos raios que invadem minha sala.

Ainda assim, nada impede uma parada para refletir sobre o momento que estamos vivendo, e que desemboca em fronteiras longínquas onde estão aqueles que, no calor ou frio extremo, cumprem a missão dada por Jesus.

Meus olhos se encontram marejados, a minha alma em luta... Confio nas promessas do nosso Grande Deus, mas me sinto pressionado e com o coração invadido pelas circunstâncias. O que pensar neste momento? O que fazer
http://www.ultimato.com.br/conteudo/quanto-vale-um-missionario

Quanto vale um missionário?


O que vale mais? Um imóvel, um carro novo, o último smartphone, um tablete recém-lançado, uma igreja pintada, reformada, uma construção, a melhoria de um salário? Enfim, quanto vale a vida de alguém que muitas vezes não estamos vendo?

Não é incomum eu estar, diária e intensamente, em várias partes do Brasil e do mundo. A tecnologia aproxima as emoções e os desabafos daqueles que estão nos recônditos da terra. Alegrias, tristezas, incertezas e desafios. O que virá pela frente? A minha motivação aqui não é refletir sobre as questões teológicas desse tema. Escrevo, reticentemente, sem observar as exegeses dos que me acompanham nessa jornada, muitos dos quais eu poderia nominar como “críticos de plantão”.

Recebi telefonemas no fixo, no celular, chamadas por Skype, por WhatsApp, e-mails, inbox por Messenger, visitas. Em sua essência, todos eram “gritos no silêncio”. Senti-me fraco, cansado e impotente diante desses sussurros.

Neste momento em que escrevo, a reviravolta na economia brasileira chegou a patamares insuportáveis. Essa força voraz trouxe um impacto nefasto: uma diminuição em torno de 50% na entrada do sustento dos nossos missionários. De uma hora para outra, mesmo diante do desafio anual de levantar parceiros para a causa sublime de levar a mensagem mais importante que um homem pode receber, esses verdadeiros heróis não são vistos nos “Big Brothers” de nossas TVs e, agora, deparam-se com a realidade de um corte orçamentário sem precedentes na nossa história.

Sabemos, é claro, que muitos outros também estão sendo afetados. Rogo a Deus por sua benevolência para com os seus. Minha preocupação são os omissos, os que olham somente para si, os “religiosos” que não alteram o seu “modus vivendi”, mas cortam as ofertas missionárias. Preocupo-me com os desperdícios que são engolidos pelos ralos das igrejas, pelas canetadas nos cortes que afetam diretamente centenas e até milhares de vidas, de famílias inteiras! Tudo isso em detrimento de altos investimentos em estruturas físicas e domésticas, que ficarão para trás por ocasião da volta do Filho do Homem.

Vou me manter no caminho, e quero desafiar você a reler e meditar nas palavras registradas em Isaías 52.7: “Quão formosos sobre os montes são os pés do que anuncia as boas-novas, que proclama a paz, que anuncia coisas boas, que proclama a salvação, que diz a Sião: O teu Deus reina!”.

Orar faz parte do caminho, investir financeiramente também.

Quanto vale um missionário para você?

• Rev. Marcos Agripino, casado, duas filhas, é missionário de base e executivo da APMT (Agência Presbiteriana de Missões Transculturais) da IPB (Igreja Presbiteriana do Brasil).

quarta-feira, 1 de abril de 2015

ESTATÍSTICAS DESESPERADORAS DAS MISSÕES MUNDIAIS


segunda-feira, 23 de março de 2015

VOCAÇÃO - http://www.ronaldo.lidorio.com.br/




http://www.ronaldo.lidorio.com.br/


A vocação de Deus é incontestável e irresistível. Incontestável, pois Ele, ao vocacionar, o faz de forma clara e nada mais enche o coração. Irresistível pela abordagem, pois quando Deus vocaciona, tudo nos impele a segui-Lo.
Chamado e vocação são termos correlatos na Palavra de Deus e derivam da expressão kaleo - chamar. Em todo o Novo Testamento vemos que Ele chama para a salvação (2 Pe 1.10), para a liberdade (Gl 5.13), para sermos de Jesus Cristo (Rm 16) e para a ceia das bodas do Cordeiro (Ap 199). Todo chamado se dá segundo o Seu propósito (Rm 8.28) e somos encorajados a permanecer firmes no chamado (1 Co 7.20), andar de forma digna da nossa vocação (Ef 4.1) e a vivê-la junto com outros igualmente chamados em Cristo (Ef 4.4).

O chamado de Deus não é uma prerrogativa do Novo Testamento. Deus, ao longo da história, chamou o Seu povo para o Seu propósito. Israel é chamado para ser bênção entre as nações (Gn 12.2) e para anunciar a salvação e a glória do Senhor (Sl 96.3). Em Isaías, o Senhor fala sobre “todos os que são chamados pelo meu nome”, também menciona que foram criados “para a minha glória” (Is 43.7).

Antes de tudo, é preciso compreender que, em Cristo Jesus, todos somos vocacionados (1 Pe 2.9-10). A Palavra deixa isso bem claro ao expor que somos vocacionados para a salvação, para as boas obras, para a santidade e para a missão. Ou seja, nascemos em Cristo Jesus com um propósito. Não estamos neste mundo de forma aleatória e descomprometida. Fomos salvos em Cristo para fazer diferença – sendo sal e luz -  e cumprir o chamado de Deus. E, dentre todas, a nossa maior vocação é glorificar o nome de Deus Pai (Rm 16.25-27).

Encontramos também na Palavra de Deus a vocação ao ministério, para uma função específica no Reino do Senhor. Trata-se daqueles que são separados por Deus para uma ação específica e funcional em Sua igreja.

Escrevendo aos Romanos, Paulo se apresenta como “servo de Jesus Cristo, chamado para ser apóstolo, separado para o evangelho de Deus” (Rm 1.1), expressando que é servo de Cristo, porém, com um chamado ministerial específico: ser apóstolo.

Ele afirma ser “servo” – doulos – escravo comprado pelo sangue do Cordeiro, liberto das cadeias do pecado e da morte e, apesar de livre, cativo pelo Senhor que o libertou.

Afirma também ser chamado para ser “apóstolo”, demonstrando que alguns servos podem ser chamados ao apostolado, porém, não há apóstolos que não sejam primeiramente servos.

Em Efésios 4:11, entendemos que o Senhor Jesus chama, dentre todos na igreja, “alguns” para serem apóstolos, profetas, pastores, evangelistas e mestres, ou seja, para funções específicas de trabalho.

Quem nós somos - nosso chamado em Cristo - é mais determinador para nosso ministério do que para onde iremos. Não há na Palavra um chamado geográfico (para a China, Índia ou Japão), ou mesmo étnico (para os indígenas, africanos etc.), mas um chamado funcional, para se fazer alguma coisa.

Na exposição aos Efésios, Paulo afirma que alguns foram chamados para ser apóstolos, ou “a pedrinha lançada bem longe”, na expressão de John Knox. São aqueles que vão aonde a igreja ainda não chegou. Há os profetas, que falam da parte de Deus e comunicam Sua verdade. Há os chamados para serem pastores, que amam e cuidam do rebanho de Cristo, que amam estar com o povo de Deus e se realizam ministerialmente cuidando desse povo. Há os evangelistas, que são aqui os “modeladores” do Evangelho, ou seja, os discipuladores. São os irmãos que fazem um trabalho nos bastidores, de discipulado, extremamente relevante para o Reino, o crescimento e amadurecimento da igreja. Por fim os mestres, que ensinam a Palavra de forma clara e transformadora, são os que leem a Palavra e a expõem de forma tão clara que marcam vidas e corações.

Na dinâmica do chamado há certamente uma direção geográfica. Se alguém possui convicção de que Deus o quer na Índia, isso significa que há uma direção geográfica de Deus, não um chamado ministerial. Mas, notem: a direção geográfica muda, e mudou diversas vezes na vida de Paulo. O chamado, porém, permanece.

Paulo foi chamado para os gentios, como por vezes expressa (At.13:1-3). Era uma força de expressão para seu perfil missionário, pois, com exceção dos judeus, todo o mundo era gentílico. Assim, ele expressa em Romanos 15.20 a prioridade geográfica do ministério da Igreja: “onde Cristo ainda não foi anunciado”. Na época, prioritariamente entre os gentios.  Hoje, porém, pode ser perto e pode ser longe. Uma pessoa, de qualquer língua, raça, povo ou nação, que ainda não tenha ouvido as maravilhas do Evangelho, é a prioridade de Deus para a obra missionária.

Percebo algumas crises entre os vocacionados no Brasil. As principais talvez sejam de compreensão, discernimento e ação.

A crise de compreensão se estabelece à medida que não entendemos, na Palavra de Deus, que somos todos vocacionados para servir a Cristo. Assim, relegamos o trabalho aos que possuem um chamado ministerial específico. Outras vezes, por associarmos o chamado puramente a títulos ou posições eclesiásticas, esquecendo que fomos todos chamados em Cristo para a vida no Espírito e para o trabalho na missão.

A crise de discernimento nasce quando não fazemos clara distinção entre o chamado universal e o chamado ministerial específico. Podemos passar a vida frustrados em qualquer lado do muro se não buscarmos discernimento vocacional. Esse discernimento é encontrado primeiramente na Palavra, estudando o que a Bíblia nos ensina sobre vocação. Em segundo lugar, caso haja uma convicção de chamado ministerial específico, associando-nos ao trabalho da igreja e passando nossa vocação pelo crivo dessa experiência. Por fim, precisamos buscar ao Senhor em oração especialmente para saber qual será o próximo passo. Deus, geralmente, só nos mostra o próximo passo.

A terceira crise que percebo é de ação. Há um número grande de irmãos e irmãs com clara compreensão bíblica sobre a vocação, claro discernimento sobre os passos a serem dados, mas nunca os dão. Para alguns, esse passo é um envolvimento maior com o ministério da igreja local. Para outros, é seguir para um centro de treinamento bíblico e missionário ou participar de um estágio ministerial. O importante é perceber que, em algum momento ao longo da convicção de um chamado ministerial, é preciso dar um passo.

 Somos, portanto, todos vocacionados em Cristo para servir a Deus e glorificar o Seu Nome. Alguns são vocacionados, também em Cristo, para funções específicas – ministeriais – para o encorajamento da igreja e expansão do Evangelho no mundo. Em qualquer situação, a nossa vocação é um privilégio. Na verdade, talvez seja o nosso maior privilégio, bem como o nosso maior desafio. 


quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

A ESTAGNAÇÃO DA PROGRESSÃO MISSIOLÓGICA

O quadro atual da Igreja Evangélica Brasileira é surpreendente. Somos considerados uma Igreja com condições reais para desenvolver um papel significativo em missões globais. Nas últimas décadas temos sido muito abençoados pelo Senhor. Este fato também pode ser observado por meio de estatísticas nacionais como do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatítica ( IBGE) Censo 2010, onde se destaca o número de evangélicos brasileiros, 40 milhões, que representam 22% da população nacional.
Essa representação evangélica está presente em várias esferas da sociedde brasileira. O Senhor nos tem equipado com dons e talentos que estão sendo direcionados para diversas áreas profissionais e isso tem resultado numa realidade social ainda não vivida no Brasil. Acima de tudo Deus tem aberto os céus e derramado ricamente suas bençãos espirituais sobre as famílias que o buscam em nossa nação. Cremos que você, como evangélico e brasileiro, pode testemunhar isso.
P ponto de alerta que não devemos deixar de considerar é a desproporcionalidade de nossa representatividade em missões globais. Conforme as mais recentes estatísticas da SEPAL( Servindo aos Pastores e Líderes), apenas cerca de 4.000 missionários brasileiros estão ativos em um contexto transcultural. Isso significa que somente 0,01% da Igreja Brasileira está presente na frente missionária em outras nações. Mesmo que tenha ocorrido certo crescimento do envio de missionários transculturais, esse número é ainda assustadoramente desproporcional ao crescimento do número de evangélicos no Braisl nas últimas décadas.
Quadro Nacional
O rompimento dessa progressão ao final da virada do século encontra-se em destaque devido a vários fatores que precisam ser analisados com muita atenção. Qual deve ser nossa atitude diante dessa alarmante estagnação da caminhanda missionária transcultural no Brasil? O que pode ter gerado esse contraste? O que isso pode causar no futuro? O que fazer para quebrar a indiferença?
O final da década de 90 marcou o início de uma fase de retorno de misisonários brasileiros do campo, seja pelo despreparo que ocasionou o aborto missionário, ou pela descontinuação no envio e apoio da igreja local. Essa triste realidade inquieta muitos líderes nacionais e os têm levado a buscar do Senhor a maneira bíblica de como mudar essa situação, pois uma fenda entre a realidade eclesiástica e missiológica no contexto evangélico brasileiro tem se  desenvolvido desde então.
Negligência no avanço transcultural
Esse fenômeno da estagnação do avanço missionário pode ser indentificado na vida de muitas igrejas ao longo da história cristã. O livro de Atos registra que a Igreja em Jerusalém necessitou de uma perseguição para que os cristãos rompessem para outras localidades ( At 8:4). Não muito tempo depois desse evento ocorreu a diáspora, onde toda Jerusalém é dispersa.
É importante notar que a negligência para com esse avanço é um dos fatos que cooperou para a ruína espiritual e total destruição da igreja em muitas localidades ao longo do tempo. Onde estaria a Igreja no Norte da África que foi plantada entre as etnias Berberes, de Alexandria (Egito) até Marrocos, se tivesse atravessado o deserto do Saara e avançado para a " África Negra"? Onde estaria a Igreja de Éfeso (Turquia) se não tivesse interrompido a oavnaço missionário que realizou tão bem na Ásia Menor ( At 19:10) e tivesse ido além das fronteiras romanas?
A Igreja Brasileira precisa estar alerta, pois se fizermos as mesmas escolhas, certamente sofreremos as mesmas consequências. De forma alguma podemos considerar que estamos imunes. Precisamos avançar cumprindo nosso papel na Grande Comissão ( At 28:18-20), rompendo nossas fronteiras nacionais, superando barreiras linguísticas e culturais. Essa é uma questão de sobrevivência.
Espaço para uma reflexão missionária
A forma bíblica e madura para tratarmos esse desafio deve ser processada com muita oração e diálogo entre os segmentos da Igreja Brasileira que possuem papéis significativos: vocacionados, igrejas locais, agências missionárias transculturais. Uma possição defensiva ou acusadora por qualquer de um desses segmentos certamente não contribuirá para uma solução bíblica.
Um espaço cheio de amor, respeito e presença do Senhor abrirá portas não somente para o diálogo, mas para cura e restauração. muitos são os pastores e líderes que já se envolveram em missões se decepcionaram e hoje simplesmente tiraram de suas agendas ministeriais tal prioridade. Diversas agências missionárias simplesmente se afadigaram de tentar desafiar o povo evangélico a cumprir seu papel missionário. Muitos jovens evangélicos responderam ao chamado missionário, mas interromperam o processo de treinamento por diferentes motivos e agora não dispo~em de "tempo" para um envolvimento direto em missões transculturais.
Em contra partida, vários missionários que foram envoados retornaram feridos e decepcionados, não entendendo muito bem o que deu errado. De alguma forma cada um de nós que representamos esses segmentos temos falhado em algum aspecto e pertence a nós uma porção de responsabilidade na reparação dessa falha e prevenção desse risco.
Portanto, que tenhamos a mesma atitude do rei Ezequias( Is 37:1), ao conscientizar-se do perigo ele teve uma reação de quebrantamento, arrependimento, confissão, mudança de atitude e buscou ao Senhor.
É fundamental que cada segmento da Igreja Brasileira venha cooperar no processo de conscientização dos desafios globais. Os vocacionados junto com suas igrejas locais devem maximizar o seu papel com o desenvolvimento da capacidade linguistica, transcultural e ministerial para cumprir o Ide do Senhor e realizar o que Ele deseja entre os povos não alcançados.
Cada um de nós, evangélicos brasileiros, deve refletir sobre como podemos contribuir para que esse ajuste de engrenagens dos segmentos da Igreja realmente aconteça,. Caminhando juntos podemos verdadeiramente nos tornar um Brasil missionário.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

HISTÓRIA DAS MISSÕES CRISTÃS



 História das Missões Cristãs
Por Eguinaldo Hélio
 A Igreja nasceu missionária! Ela nasceu para levar a mensagem de Deus a todas as nações. Não foi uma mudança de método ou uma nova visão no meio de seu percurso. Não foi uma ideia que surgiu de repente, mas é algo que está presente em seu “DNA”.
O Cristo ressurreto comissionou a Igreja ao “ide” para todas as nações. Associou o poder advindo com a vinda do Espírito Santo ao testemunho mundial. Entretanto, foi no dia a dia de seu ministério que Ele foi semeando as sementes da universalidade, antecipando uma visão além do estreito círculo judaico. Ele disse que muitos viriam do Oriente e do Ocidente e se assentariam à mesa com Abraão, Isaque e Jacó (Mt 8:11), que Deus preferiu uma viúva e um general gentio a alguém do povo de Israel (Lc 4:25- 27), que o Evangelho seria pregado em todo o mundo (Mt 26:13), e somente então viria o fim (Mc13:10), que havia outras ovelhas que não eram daquele aprisco (Jo 10:16) e que não haveria mais um lugar geograficamente específico para adoração (Jo 4:20-21).
Mesmo que o desenvolvimento missionário na Igreja primitiva tenha levado algum tempo, ele era inevitável. A barreira espiritual entre judeus e gentios havia sido desfeita na cruz. Era só uma questão de tempo. Por maiores que fossem as dificuldades para rompê-la, a natureza da própria mensagem se encarregaria de fazê-lo. A expressão “a todos quantos o Senhor chamar” (At 2:39), contida no primeiro sermão de Pedro, é uma prova disso.
 Primórdios missionários
Missões fora do âmbito judaico só se efetivaram com a igreja de maioria gentia em Antioquia (Atos 13). A comissão do Espírito Santo – “Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chama- do” (At 13:2) – pode ser considerada o início do movimento missionário. Eram agora enviados oficialmente às nações gentias. Antecipando este princípio “oficial” houve a propagação do Evan gelho fora dos limites geográficos da Judeia, Galileia e Samaria por outras formas. Atos dos Apóstolos, em sua maior parte, foca as viagens missionárias de Paulo. O trabalho missionário dos demais apóstolos deverá ser pesquisado em outras fontes históricas. Todavia, viagens missionárias não foram a única forma como o Evangelho se propagou no mundo de então. Isso também aconteceu de modo espontâneo, o que vale a pena considerarmos.
 Missões inversas – Vindo e ouvindo
Antes que o “ide e pregai” fosse posto em prática, houve no dia de Pentecostes o “vinde e ouvi” em uma escala “mundial”, se levarmos em consideração os limites geográficos conhecidos. As pessoas de todas as partes vinham a Jerusalém para esta e outras festas e depois retornavam. Estas ocasiões foram eficazes para uma primeira propagação do Evangelho, muito semelhante àquela usada pelas missões modernas ao evangelizar comunistas e muçulmanos fora de seus países de origem. Em Atos 2.8-11 lemos: “Como pois os ouvimos, cada um, na nossa própria língua em que somos nascidos? Partos e medos, elamitas e os que habitam na Mesopotâmia [regiões do Oriente Médio], e Judeia, e Capadócia, e Ponto, e Ásia, e Frígia, e Panfília [regiões da Ásia Menor, atual Turquia], Egito e partes da Líbia, junto a Cirene [regiões do norte da África], e forasteiros romanos (tanto judeus como prosélitos), e cretenses [Europa], e árabes [península arábica], todos os temos ouvido em nossas próprias línguas falar das grandezas de Deus”.
Dessa forma, muitas pessoas de muitos lugares foram alcançadas com a mensagem do Evangelho pregado por Pedro naquela ocasião e retornaram para seus países de origem levando a salvação. Haviam visto o sobrenatural de Deus quando aqueles galileus falaram em seu próprio idioma. Foram impactadas pela pregação e era natural que testemunhassem ao retornar para sua terra.
 O caso de Roma
Quem iniciou a igreja em Roma? Não há no Novo Testamento qualquer passagem que lhe atribua um fundamento apostólico, quer de Pedro, quer de Paulo. A tradição também não é conclusiva a esse respeito. A questão é que já havia uma igreja nessa cidade digna até de receber um dos documentos mais importantes do cristianismo, a Epístola aos Romanos, escrita pelo apóstolo dos gentios. Como, pois, nasceu aquela comunidade? “É bem possível que tenham sido os convertidos judeus quando no dia de Pentecostes, vindos de Roma a Jerusalém a fim de participarem daquela festa religiosa que voltaram à sua cidade e através de seu testemunho formou-se um núcleo original que formou aquela igreja local” (R. N. Champlin, Novo Testamento interpretado versículo por versículo, Hagnos, p. 178). Não há por que pensar que esse foi o único caso em que os eventos do dia de Pentecostes resultaram em propagação do Evangelho para outras terras. Há coisas que só a eternidade poderá mostrar.
 O caso da Etiópia
Outro caso semelhante é o que se refere ao eunuco etíope. Por que Deus tiraria Filipe de um bem-sucedido trabalho de evangelização em Samaria para pregar a um único indivíduo se não houvesse um propósito maior? Embora a narrativa sobre esse etíope tenha terminado dizendo apenas que ele “seguiu jubiloso o seu caminho”, a tradição não se conformou com essa interrupção abrupta. É bom lembrar que, segundo uma profecia de Davi em Salmos 68.31, a Etiópia cedo estenderia suas mãos a Deus, o que em parte já havia se cumprido por ocasião da visita da rainha de Sabá a Salomão. Ela teria levado a fé no Deus único e a propagado entre o seu povo. Verdadeira ou não, as tradições são muito fortes. “Por certa providência divina, quando o anúncio do Evangelho do Salvador avançava diariamente, foi para ali levado um príncipe dos etíopes, conforme costume que ainda prevalece de serem governados por uma mulher, sendo o primeiro dentre os gentios que receberam de Filipe os mistérios da palavra divina.
O apóstolo, conduzido por uma visão, assim o instruiu e ele, segundo se diz, tornando-se a primícia dos crentes em todo o mundo, foi o primeiro que, voltando para o seu país, proclamou o conhecimento de Deus e a habitação salutar de nosso Senhor entre os homens. De modo que a profecia obteve seu cumprimento por meio dele: ‘A Etiópia estende suas mãos para Deus’” (Eusébio de Cesareia, História eclesiástica, Livro 2, cap. I, CPAD). E ainda temos este registro: “As tradições históricas dizem que ele veio a pregar o Evangelho no Ceilão e na Arábia, bem como na ilha de Trabrobana, no mar Vermelho, até que finalmente sofreu martírio” (Fabricii Lux Evang., p. 115, 708). Mesmo que não possam ser definitivamente confirmadas em seus detalhes, seu valor permanece.
 Migração missionária
Outra forma pela qual o Evangelho se espalhou foi através do que podemos denominar de “migração missionária”, isto é, os crentes foram deslocados de uma área geográfica para outra levando consigo a sua fé. Em Atos 8.1-4 temos uma referência a este acontecimento: “E fez-se, naquele dia, uma grande perseguição contra a igreja que estava em Jerusalém; e todos foram dispersos pelas terras da Judeia e da Samaria, exceto os apóstolos. E uns varões piedosos foram enterrar Estêvão e fizeram sobre ele grande pranto. E Saulo assolava a igreja, entrando pelas casas e, arrastando homens e mulheres, os encerrava na prisão. Mas os que andavam dispersos iam por toda parte anunciando a palavra”.
Essa migração compulsória espalhou o Evangelho, antes centrado em Jerusalém, por toda a região. Mas essa forma de propagação não se limitou a essas terras e acabou por abranger limites ainda mais amplos, como vemos em Atos 11.19-21: “E os que foram dispersos pela perseguição que sucedeu por causa de Estêvão caminharam até à Fenícia, Chipre e Antioquia, não anunciando a ninguém a palavra senão somente aos judeus. E havia entre eles alguns varões de Chipre e de Cirene, os quais, entrando em Antioquia, falaram aos gregos, anunciando o Senhor Jesus. E a mão do Senhor era com eles; e grande número creu e se converteu ao Senhor.” Este tipo de propagação missionária se repetiu na história, adquirindo características diferentes.
Basta lembrar os inúmeros e diversificados grupos cristãos que colonizaram a América do Norte, fugindo da perseguição na Europa, como os huguenotes. Mesmo sendo humanamente impossível acompanhar todos os resultados desse tipo de movimento, no livro de Atos temos dois exemplos que testificam sua importância. Embora nunca tenha sido visto como um método missionário propriamente dito, foi aplicado muitas vezes quando missionários se mudavam em grande número para uma área não evangelizada e foi muito eficaz em seus propósitos.
 Apenas o começo
Estas são as primeiras pinceladas na História das Missões Cristãs. E nossa tela ainda está quase total mente branca. Até chegarmos ao fim dessa imensa pintura que é o cristianismo em nossa época, muita tinta terá sido gasta. A narrativa inspirada do livro de Atos dos Apóstolos é uma pequena parcela do progresso naquela época e ela nos fala das viagens missionárias de Paulo. E os doze apóstolos, agora com Matias substituindo Judas, o que fizeram? Quais foram as suas obras? Que feitos realizaram? Onde pregaram o Evangelho? Como obedeceram ao “ide”? Todas essas questões são pertinentes à História das Missões. Nem todos foram teólogos como João e Pedro ou escreveram alguma epístola como Judas, mas nem por isso sua importância foi menor e não deve ser lançada no esquecimento. A grande Epopeia Cristã está apenas começando.
 Eguinaldo Hélio de Souza - Apologista, escritor, jornalista, pastor, professor de Teologia e História da Igreja no Vale da Bênção, Araçariguama – SP
 Texto originalmente publicado na Revista Povos e Línguas – Ano 1 – Nº 1

segunda-feira, 28 de abril de 2014

CUIDADO INTEGRAL DOS FILHOS DE MISSIONÁRIOS

Cuidado integral do filho de missionário - um desafio para a igreja Jan Greenwood Os filhos são herança do Senhor, uma recompensa que ele dá. Salmo 127.3 O cuidado integral do missionário é uma preocupação com o bem-estar emocional, físico, mental e espiritual do missionário. Eles precisam desta atenção especial por causa da situação em que vivem -- uma vida que muitas vezes tem mais dificuldades do que a vida de outras pessoas. Quando falamos sobre missionários pensamos em cristãos maduros que vão compartilhar a sua fé, que têm um chamado de Deus, uma vocação. Pessoas solteiras, casais e também famílias -- famílias que têm filhos. Desde o início da história de missões mundiais, casais e famílias têm ido ao campo. Mesmo que as necessidades do filho de missionário tenham sido uma preocupação das famílias missionárias, especialmente das mães, historicamente pouca atenção tem sido dada a ele. Somente nos anos 70, quando o assunto da família cristã tornou-se mais discutido, é que mais atenção foi dada às necessidades peculiares do filho de missionário, com todas as tensões e dificuldades que atravessam: “Estava com medo de vir para cá. A casa era esquisita. Eu estava triste porque eu não sabia a língua.” “O calor é difícil, mas eu gosto de ir nadar no rio para refrescar e tomar guaraná Baré.” “Estou triste porque minha cachorra não veio.” Ted Ward1 comenta que os problemas dos filhos de missionário não são exclusivos deles. Outras crianças podem ter as mesmas dificuldades. Contudo, elas são acentuadas pelas situações em que os filhos de missionários vivem. Trata-se dos desafios de viver e crescer em um mundo complexo como nômades globais. Quando pensamos em preparo de famílias para o campo missionário, devemos incluir os filhos: proporcionar um preparo também para eles e nos preocupar com a sua adaptação à nova situação. Este deve ser um dos focos das agências e escolas de preparo missionário. Porém, cabe também aos pais, familiares, professores e igrejas entenderem como ajudar esses preciosos filhos. Há muitas áreas importantes a serem incluídas em um programa de preparo para filhos de missionários: família e identidade, mudança e amigos, cultura e choque cultural, transição e despedida. Uma adaptação bem-sucedida a uma nova situação tem a ver com quatro pilares: o relacionamento conjugal dos pais; o sentimento de valor da criança; o entendimento do valor do ministério; a fé prática e persistente dos pais, que fornece um exemplo de vida para a criança. E não podemos nos esquecer do papel essencial da oração. Por meio da oração, alcançamos a graça, a misericórdia, o poder e a presença do Deus Todo-Poderoso. Devemos orar pelos filhos de missionários -- por sua preparação, transição e adaptação à nova cultura e, depois, pelo retorno à cultura de origem. Nota 1. WARD, T. ICMKs in perspective: deacons for the 21st century. In: BOWERS, J.M. Raising resilient MKs; resources for caregivers, parents, and teachers. Colorado Springs: Association of Christian Schools International, 1998. p. 3. • Jan Greewood, casada, três filhos e um neto, é coordenadora de pessoal da Interserve Brasil e professora no Centro Evangélico de Missões, em Viçosa, MG.


 

terça-feira, 25 de março de 2014

O CRESCENTE DESINTERESSE BRASILEIRO POR MISSÕES





“Todo cristão que não é missionário, é um impostor”
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Apesar de numerosas iniciativas, participação missionária de Igreja brasileira está muito aquém do potencial.

Por Rafael Dantas - http://www.cristianismohoje.com.br
Na mesma época em que se projetava um desenvolvimento glorioso para a economia nacional – o chamado “milagre econômico” dos anos 1960 e 70 –, outro setor do país, a Igreja Evangélica, também experimentava tempos de intensa euforia. Abarrotadas de jovens atraídos por uma mensagem cristã atenta aos seus anseios, as congregações faziam planos dourados para o futuro. A ideia geral era transformar o país no celeiro da obra missionária global. Difícil era encontrar igreja que não tivesse um departamento de missões e planos de enviar obreiros para ganhar o mundo para Cristo. A mensagem escatológica, então em alta nos púlpitos, era uma só: pregar o Evangelho a toda criatura, a fim de que o Senhor voltasse depressa. Organizações missionárias surgiam a cada dia, atraindo gente que desejava dedicar a vida à boa obra.
No entanto, neste início da segunda década do século 21, o que se nota é que, se tudo não passou de mero entusiasmo – e números vigorosos da presença missionária brasileira mostram que não –, a situação atual é bem diversa daquela que a geração anterior projetou. Missão rima com visão e ação, e as duas palavras andam bem distantes da maioria das igrejas evangélicas brasileiras, segundo especialistas em missiologia. Mesmo com o acelerado crescimento numérico dos que professam a fé evangélica no país, que seriam quase 20% dos brasileiros de acordo com projeções baseadas em dados oficiais, o envolvimento dos crentes nacionais com a obra missionária, em todas as suas instâncias – seja social ou evangelística –, segue a passos bem mais lentos que o possível.

O conhecimento das demandas missionárias é exposto em cada campanha ou congresso. Testemunhos são derramados nos púlpitos, levando a muita comoção e decisões pessoais. Passado algum tempo, contudo, os compromissos assumidos por um maior envolvimento com a obra de evangelização e intervenção social se esfriam e a missão de alcançar o mundo com o amor de Cristo fica a cargo dos missionários de carreira – isso quando obreiros enviados não são simplesmente esquecidos no campo. “Infelizmente, o jargão de que cada cristão é um missionário está sendo esquecido. A ênfase em muitas igrejas é pelo crescimento da congregação local”, atesta o professor Diego Almeida, docente do mestrado em missiologia do Seminário de Educação do Recife (PE). “O serviço acaba concentrado nas mãos de profissionais.”
Para o pastor José Crispim Santos, promotor setorial da Junta de Missões Mundiais da Convenção Batista Brasileira (CBB) – uma das maiores organizações missionárias do mundo, com mais de 600 obreiros no campo –, a Igreja brasileira está bem inteirada acerca dos desafios missionários da atualidade, mas as ações ainda não são suficientes para o tamanho deles. “Há muitas agências missionárias divulgando o tempo todo, além da mídia que noticia fatos que demonstram o sofrimento humano, físico e espiritual ao redor do planeta. Nossa avaliação é que, diante deste cenário de grande carência espiritual, a Igreja tem dado sua contribuição – entretanto, isso é insuficiente, quando a missão é, de fato, tornar Cristo conhecido em toda a Terra”.
DISCURSO E PRÁTICA
O que parece evidente na paradoxal situação da Igreja brasileira, um contingente com enorme potencial humano e financeiro, mas pouco utilizado quando o assunto é o “Ide” de Jesus, é que a miopia missionária passa pela liderança – uma barreira difícil de ser transposta, conforme relatado por gente que trabalha em ministérios e departamentos específicos. Essa tendência à inação, alimentada pela valorização de outras prioridades, acaba contaminando o rebanho. Quando a visão do líder não passa das paredes do templo, dificilmente a igreja desenvolve alguma intervenção importante, até mesmo em sua comunidade. “De fato, quando o dirigente tem visão e é entusiasmado com a obra missionária, a igreja tende a acompanhá-lo. Da mesma forma, o inverso é verdadeiro. Entretanto, há algumas exceções; quando a igreja possui promotores de missões, esses batalhadores realizam verdadeiros milagres”, continua Crispim.
Acontece que a própria estrutura de funcionamento das igrejas, muitas vezes baseado em decisões de poucas pessoas, quando não apenas de um líder centralizador, torna ainda mais difícil o convencimento de que a missão é de toda pessoa que um dia recebeu a Cristo como Salvador. “Dentro do atual quadro religioso brasileiro, creio que o nosso exacerbado clericalismo é um enorme obstáculo para uma compreensão e prática da obra missionária em termos de missão integral”, atesta o professor de teologia e história eclesiástica da Faculdade de Teologia da Universidade Metodista de São Paulo, Paulo Ayres. Mas as barreiras para se desenvolver uma ação missionária mais eficiente, ainda que possam nascer no clero, também são agravadas pelo perfil do crente contemporâneo. “Hoje, grande parte dos membros de nossas congregações é constituída mais por assistentes passivos e clientes em busca de produtos religiosos do que irmãos e irmãs na fé com forte compromisso e prática missionárias, especialmente em suas atividades cotidianas no mundo secular onde vivem e trabalham”, avalia o religioso, que é bispo emérito da Igreja Metodista do Brasil.

No seu entender, a Igreja tem utilizado estratégias equivocadas (ver abaixo). Por outro lado, Ayres lembra que é muito mais cômodo terceirizar o compromisso missionário do que executá-lo pessoalmente, ainda que a missão específica possa ser realizada no próprio bairro onde se reside. “É mais cômodo contribuir para enviar um missionário ao Cazaquistão ou a Guiné-Bissau do que ir pessoalmente, no poder do Espírito Santo, trabalhar como voluntário no Piauí ou na Cracolândia, em São Paulo, ainda que seja por um curto período de tempo, como evangelista, obreiro com crianças, dentista ou trabalhador social”, comenta. Assim, além da omissão do Corpo de Cristo por falta de conhecimento ou disposição, a Igreja corre riscos de ter seu trabalho missionário hipertrofiado à medida em que se transmite toda a responsabilidade do serviço cristão para as agências especializadas – um problema acentuado principalmente em comunidades de fé ligadas a grandes associações missionárias.
MOBILIZAÇÃO
Do tripé normalmente exposto nos eventos temáticos de missões (“contribuir, orar e ir”), em geral só se desenvolve mais efetivamente o primeiro, e ainda assim em patamares muito abaixo do que as igrejas poderiam fazer. Um levantamento feito Missão Horizontes apontou que o investimento médio per capita  do crente brasileiro em missões durante um ano inteiro é menor do que o preço de uma latinha de Coca-Cola – algo em torno de irrisórios R$ 2,50.  Para o missionário e pastor batista Ricardo Magalhães, que atua em Portugal a serviço da Missão Cristã Europeia ao lado da mulher e também obreira Priscila, a escassez de investimento no setor missionário está mais atrelada à falta de visão do que de recursos. “De maneira geral, a Igreja brasileira não tem problemas com finanças, porque ela sabe se mexer para gerar fundos quando quer e para o que quer. E isso, quando se sabe que não há falta de pessoas querendo ir aos campos: inúmeros missionários só aguardam recursos para ir”, completa. Assim, o aspecto da oração, sem a visibilidade e sem o apelo de outros ministérios da igreja, fica naturalmente reduzido a pequenos grupos.
De olho na mobilização da igreja para orar, uma das ações das diversas organizações missionárias é publicar sempre em seus boletins os motivos de intercessão nos campos, pelos missionários e pelos desafios a serem superados. A JMM já utiliza até mesmo mensagens de SMS para pessoas cadastradas, que recebem torpedos com pedidos urgentes de intercessão. Já o terceiro passo, o de ir, é o maior desafio. Seja para pequenas viagens missionárias ou para partir definitivamente rumo ao campo, entre o desejo, o chamado, a preparação e a missão há de fato uma longa trajetória geralmente não concluída. Não são poucos os casos de vocações que se esfriam até mesmo dentro dos seminários, ou de leigos envolvidos com a obra serem sufocados com o ativismo religioso. É gente bem intencionada que acaba direcionando seu tempo, recursos e esforços mais para dentro do que para fora da igreja.

“As comunidades evangélicas têm caído em um dos dois extremos: ou elas se fecham a um diálogo com a sociedade ou se abrem excessivamente para uma vontade popular, abraçando um discurso econômico de prosperidade”, sustenta o missionário Alesson Góis, da Igreja Congregacional, que coordena o ministério independente Vidas em Restauração (VER). “O mundo não precisa de um cristianismo pregado, mas vivido. Todo cristão que não é um missionário é um impostor, pois é muito egoísta receber toda a graça e amor de Deus e não compartilhá-los com o próximo”. Envolvendo cerca de 60 jovens de diversas denominações, entre batistas, presbiterianos, congregacionais e membros de igrejas diversas como a Assembleia de Deus e a Sara Nossa Terra, o ministério se encontra todos os sábados no Parque Treze de Maio, no centro do Recife. Os jovens se reúnem como uma roda de conversa, mas sem se caracterizar como uma liturgia ou como uma extensão da igreja institucional. “Muita gente se surpreende pelo fato de sermos cristãos e conversarmos com eles sem forçar a barra para que se convertam”, comenta Góis.
PRESENÇA NOTADA
Para o missionário e pastor presbiteriano Ronaldo Lidório, parte da frustração de setores da Igreja vem justamente daquela expectativa superestimada em relação ao seu papel na evangelização do mundo, que acabou não se concretizando: “Pensamos que rapidamente encontraríamos uma veia missionária comparada à da Coreia do Sul, o que ainda não aconteceu”, reconhece. Mesmo assim, ressalva, existe um outro lado. “Creio que corremos perigo ao focarmos somente nas negligências. É certo que a Igreja nacional caminha com bons passos”. Ele cita como exemplo a presença evangélica em povos indígenas, setor no qual seu trabalho é respeitadíssimo. Além de ter vivido por dez anos entre o povo konkomba, de Gana (África), ele agora está envolvido com o Projeto Amanajé, de evangelismo e assistência a indígenas na Amazônia . “A Igreja atua em 182 etnias indígenas e coordena quase 260 programas sociais entre esses povos”, enumera. “Além disso, comunidades ribeirinhas, até pouco tempo esquecidas pelas igrejas, hoje contam com dezenas de programas cristãos, tanto de evangelização como de ação social.”
Lidório destaca ainda o trabalho de organizações regionais, como a Juventude Evangélica da Paraíba (Juvep), que tem plantado igrejas e centros de atendimento popular pelo Nordeste. “O sertão hoje possui menos da metade das áreas não evangelizadas em relação ao quadro de 15 anos atrás, e essa mobilização se deu a partir de iniciativas como a Juvep e outros programas dedicados aos sertanejos”. Já na área transcultural – a mais conhecida e romantizada do trabalho missionário, que envolve a figura clássica do obreiro que larga sua terra para pregar o Evangelho num canto qualquer do mundo –, Lidório garante que as igrejas e agências brasileiras também marcam presença. “Jamais tivemos tantos missionários no exterior como em nossos dias, e não é incomum encontrarmos hoje brasileiros ocupando posições de liderança em equipes e missões na África e na Ásia”, informa. Pelas estatísticas disponíveis, hoje atuam cerca de 2,3 mil missionários brasileiros no exterior, espalhados por mais de 50 países. “A Igreja brasileira é uma das maiores representações de ações missionárias na atualidade, embora o número de obreiros e de ações missionárias seja realmente bem menor do que poderia e deveria ser”, conclui Ronaldo Lidório.
No entender do especialista em missiologia Diego Almeida, ministérios como o VER têm se tornado cada vez mais comuns, não somente no Brasil, mas em diversos países. “Quando a Igreja não investe nos vocacionados, eles se preparam por conta própria”. Foi justamente o caso da estudante de psicologia e funcionária pública Quésia Cordeiro, de 23 anos. Após decidir dedicar-se às missões após os congressos temáticos de que participou, ela não recebeu nenhum suporte para dar os passos seguintes na preparação. “Não recebi nenhuma capacitação os discipulado. Tive que correr atrás para manter a chama acesa”, conta a jovem. Com conhecimento próprio, ela constata: “O despertamento para a obra missionária não é uma coisa contínua, mas pontual, restrita a conferências e eventos.” Para Almeida, mesmo que as igrejas não mostrem a Palavra de Deus, ela acaba se cumprindo de outras formas – “O triste é ver que a instituição criada para apresentar Jesus ao mundo não faz parte desse processo”, lamenta o professor.
“Nossa missão é implantar o Reino de Deus”
Para o bispo Ayres, entender missões como mero proselitismo é atitude reducionista.
Especialista em missiologia, tendo atuado como evangelista em Portugal e no Nordeste brasileiro, Paulo Ayres é hoje bispo emérito de sua denominação, a Igreja Metodista, e professor de teologia e história eclesiástica. Ele falou com CRISTIANISMO HOJE sobre o panorama evangélico brasileiro em relação à missão integral da Igreja.

CRISTIANISMO HOJE – Ao mesmo tempo em que a Igreja brasileira cresce numericamente, o conhecimento e envolvimento com missões parece decrescer a cada geração. Por quê?
PAULO AYRES – O crescimento numérico do povo evangélico brasileiro, em minha opinião, não tem sido acompanhado de um maior compromisso missionário em todos os campos da vida brasileira que reclamam um eficaz testemunho evangélico. As igrejas evangélicas brasileiras, em sua maioria, têm uma visão reducionista sobre o que é missão, entendendo-a mais em termos de evangelismo visando à conversão individual. Outras dimensões missionárias, como o serviço cristão aos necessitados, o ensino na doutrina dos apóstolos, o testemunho público do Evangelho, a ética e a moral cristãs (a práxis do Evangelho), ou até mesmo o culto, ainda que consideradas como importantes por algumas igrejas, acabam, na prática missionária, sendo somente – quando muito – andaimes secundários para a conversão individual.
Qual o resultado prático desse panorama?
Essa visão reducionista faz com que missão seja entendida e praticada mais como estratégias para conquistar almas para Cristo do que realmente levar à frente o objetivo de sinalizar a presença do Reino de Deus no mundo. Daí a obsessão pelo crescimento numérico das igrejas – melhor dizendo, das denominações – a qualquer custo, mesmo em detrimento dos valores maiores do Evangelho. É por isso que o crescimento numérico dos evangélicos brasileiros, apesar da extraordinária transformação na vida pessoal de milhões de pessoas, não tem causado maior impacto transformador em nossa sociedade.
O que fazer para mudar esse quadro de crescimento sem transformação social?
Creio que precisamos, com urgência, de uma nova reforma no evangelismo brasileiro, que deverá ter como seu centro a compreensão e a prática da missão como obra de Deus na implantação do seu Reino entre nós. Se deixarmos de lado a obra humana forjada nas regras do mercado e da exacerbada competição institucional entre as igrejas, contribuiremos para a construção de uma sociedade com alto padrão espiritual e ético, segundo a maneira de ser exposta por Jesus no Sermão do Monte.
Presença missionária brasileira
2.300 é o número aproximado de missionários brasileiros no exterior
50 são os países onde eles atuam
600 deles são ligados à Junta de Missões Mundiais da CBB