"“Muitos crentes consagrados jamais atingiram os campos missionários com seus próprios pés mas poderão alcança-los com seus joelhos” (Adoniran Judson)”"

domingo, 16 de outubro de 2016

MISSÕES. UM INVESTIMENTO DE CONSEQUÊNCIAS ETERNAS

Por Hernandes Dias Lopes

Jesus, o Filho de Deus, deixou a glória que tinha com o Pai, no céu, e veio ao mundo, encarnou-se e habitou entre nós. Veio como nosso representante e substituto. Veio para morrer em nosso lugar. Seu nascimento foi um milagre, sua vida foi um exemplo, sua morte foi um sacrifício vicário, sua ressurreição uma vitória retumbante. Jesus concluiu sua obra redentora e comissionou sua igreja a ir por todo o mundo, proclamando o evangelho a toda a criatura. Por essa razão, a obra missionária merece nossos melhores investimentos. Destacamos, aqui, dois investimentos que devemos fazer na obra missionária:


Em primeiro lugar, o investimento de recursos financeiros. A Bíblia diz que aquele que ganha almas é sábio (Pv 11.30). Investir na obra missionária é fazer um investimento para a eternidade; é fazer um investimento de consequências eternas . Nada trouxemos para este mundo nem nada dele levaremos. Os recursos que Deus nos dá não são apenas para o nosso deleite. Devemos empregar, também, esses recursos para promover o reino de Deus, levando o evangelho até aos confins da terra. A contribuição cristã não é um peso, mas um privilégio; não é um fardo, mas uma graça. Deus nos dá a honra de sermos cooperadores com ele na implantação do seu reino. Não fazemos um favor para Deus contribuindo com sua obra; é Deus quem nos dá o favor imerecido de sermos seus parceiros. Estou convencido, portanto, de que a melhor dieta para uma igreja é a dieta missionária. Quando Oswald Smith chegou à Igreja do Povo, em Toronto, com vistas a assumir o pastorado daquela igreja, fez uma série de conferências de uma semana. Nos três primeiros dias pregou sobre missões. A liderança da igreja reuniu-se e disse ao pastor que a igreja estava com muitas dívidas e que aquele não era o momento oportuno de falar sobre missões. Smith continuou nessa mesma toada e no final da semana fez um grande levantamento de recursos para missões. O resultado é que aquela igreja, por longas décadas, jamais enfrentou crise financeira. Até hoje, ela investe mais de cinquenta por cento de seu orçamento em missões mundiais.

Em segundo lugar, investimento de vida. A obra de Deus não é feita apenas com recursos financeiros, mas, sobretudo, com recursos humanos. Fazemos missões com as mãos dos que contribuem, com os joelhos dos que oram e com os pés dos que saem para levar as boas novas de salvação. Tanto os que ficam como os que vão são importantes nesse processo de proclamar o evangelho de Cristo às nações. Os missionários que vão aos campos e as igrejas enviadoras precisam estar aliançados. William Carey, o pai das missões modernas, disse que aqueles que seguram as cordas são tão importantes como aqueles que descem às profundezas para socorrer os aflitos. Os que guardam a bagagem e os que lutam no campo aberto recebem os mesmos despojos. Devemos fazer missões aqui, ali e além fronteiras concomitantemente. Devemos empregar o melhor dos nossos recursos, o melhor do nosso tempo e da nossa vida para que povos conheçam a Cristo e se alegrem em sua salvação. Alexandre Duff, missionário presbiteriano na Índia, retornou à Escócia, seu país de origem, depois de longos anos de trabalho. Seu propósito era desafiar os jovens presbiterianos a continuarem a obra missionária na Índia. Esse velho missionário, numa grande assembleia de jovens, desafiou-os a se levantarem para essa mais urgente tarefa. Nenhum jovem atendeu seu apelo. Sua tristeza foi tamanha, que ele desmaiou no púlpito. Os médicos levaram-no para uma sala anexa e massagearam-lhe o peito. Ao retornar à consciência, rogou-lhes que o levassem de volta ao púlpito, para concluir seu apelo. Eles disseram: “O senhor não pode”. Ele foi peremptório: “Eu preciso”. Dirigiu-se, então, aos moços nesses termos: “Jovens presbiterianos, se a rainha da Escócia vos convidasse para ir a qualquer lugar do mundo como embaixadores, iríeis com orgulho. O Rei dos reis vos convoca para ir à Índia e não quereis ir. Pois, irei eu, já velho e cansado. Não poderei fazer muita coisa, mas pelo menos morrerei às margens do Ganges e aquele povo saberá que alguém o amou e se dispôs a levar-lhe o evangelho”. Nesse instante, dezenas de jovens se levantaram e se colocaram nas mãos de Deus para a obra missionária!

OS MISSIONÁRIOS QUE SE DANEM!!!

Por Renato Vargens

Certa vez um irmão em Cristo compartilhou comigo dizendo: Fulano virou missionário pois não tinha competência para conduzir uma igreja. Em uma outra ocasião um pastor amigo afirmou que na sua percepção as mulheres vocacionadas ao ministério que não se casam, não possuem outra opção na vida a não ser virarem missionárias.

Pois é, parece que parte da igreja evangélica brasileira considera o trabalho missionário, como inferior. Isto se percebe nitidamente na forma de tratamento que o missionário recebe, isto sem falar é claro, nos baixos salários que lhes são pagos.

O descaso com que algumas igrejas tratam os seus missionários é impressionante. Basta a crise bater a porta que a primeira coisa a ser cortada é o salário do obreiro. Lamentavelmente nas reuniões de ministério, conselhos, ou assembléia, volta e meia aparece alguém dizendo: “pra que mandar esse dinheiro todo para o missionário? Não temos condições! Nossas contas estão elevadíssimas, precisamos cortar gastos.”

Caro leitor vamos combinar uma coisa? Além de pagar mal (porque missionários na maioria das vezes recebem esmolas e não salários) a igreja ao enfrentar uma crise financeira quer diminuir o salário do missionário? Por favor responda sinceramente: Seria isto justo? Por acaso o missionário não tem contas à pagar? Não possui aluguel, não tem que comprar alimentos, pagar a escola dos filhos, vestir-se, comprar remédios?

Pois é, o problema é que boa parte da igreja tá se lixando para os missionários e suas missões. Infelizmente, não são poucos que diante da falta de recursos por parte da igreja são obrigados a desisitir dos seus projetos, retornando ao país de origem.

Prezado amigo, assusta-me o fato em saber que a Igreja de Jesus gasta milhões de reais anualmente embelezando seus templos enquanto quase nada se faz em prol do trabalho missionário. Para piorar a situação, em nome de uma visão megalomaniaca pastores investem os recursos do Reino comprando carros, helicopteros e aviões, cujo benefício é nada mais , nada menos do que o seu próprio bem estar.

Não me admiro em saber que no mundo inteiro a tarefa da Grande Comissão ainda esteja por se realizar! Cerca de 90% do dinheiro arrecadado na igreja é investido na própria igreja, sete por cento em iniciativas evangelísticas onde o evangelho já foi pregado antes, e apenas três por cento em iniciativas missionárias para aqueles povos que nunca ouviram o evangelho.

Isto posto, penso que a Igreja de Cristo precisa rever seus conceitos quanto ao seu investimento no trabalho missionário. Em minha caminhada pelo mundo, tenho conhecido gente santa e compromissada com o Evangelho da Salvação Eterna, e que por amor ao Pai, saíram de seus países , indo para a Amazônia, Africa, Ásia, Peru, Haiti e centenas de outros lugares mais, cuja paixão é o de anunciar o Desejado das nações.

Diante disto, afirmo sem titubeios que pessoas deste quilate , não devem ser tratadas com desprezo e indiferença, antes pelo contrário, devem receber por parte da igreja brasileira todo apoio possivel, o que inclui investimento financeiro.

Pense nisso!

O BRASIL NÃO É MAIS UM CELEIRO MISSIONÁRIO

Por Leonardo Gonçalves 

Conheci a Cristo no final dos anos 90. Minha experiência de conversão se deu em uma igreja batista recém-plantada na minha cidade. Meu batismo e minha experiência de discípulo começou no inicio do ano 2000, na igreja Assembleia de Deus. Eu vivi uma parte do movimento AD2000 (1) e da chamada “Década da Colheita” (2), e de certa forma toda minha geração foi influenciada por estes movimentos. Uma e outra vez, escutávamos a frase: “O Brasil é um grande celeiro de missionário”. Por nossa pequena igreja passavam alunos da “Missão Horizontes” falando sobre a janela 10/40 e sobre como o brasileiro gasta mais com Coca-cola do que com o Reino de Deus. Após o culto, nós doávamos aquilo que tínhamos para as missões. Lembro-me de um diácono pobre doando um relógio a um missionário que havia perdido o seu em uma viagem de barco na Amazônia. 
Lembro-me também de um amigo que constrangido pela necessidade da obra e sem nada para doar, tirou dos pés um par de tênis Nike e colocou sobre o altar, voltando para casa descalço depois do culto. A gente dava o que tinha, e não era por causa de alguma promessa de retorno financeiro (como nas campanhas dos televangelistas atuais), mas simplesmente por amor e desejo de ver o evangelho avançando entre as nações da terra. Os jovens da igreja (e eu era um deles) eram muito ativos: organizavam jograis e teatros com temas missionários, e muitos de nós queríamos ser pastores ou missionários. Hoje, vários daqueles jovens com os quais cresci são pastores, evangelistas, missionários, obreiros em suas igrejas locais, e estão envolvidos de alguma forma com a grande comissão.
UMA IGREJA QUE RESPIRAVA MISSOES 
Mas eu não consigo escrever este texto sem lágrimas nos olhos. Agora mesmo, sinto o peito doer e meus olhos se enchem de água ao me lembrar daqueles dias quando a gente vivia de maneira tão intensa, organizávamos vigílias, acampamentos de oração, visitávamos, evangelizávamos de verdade. Conheço um jovem em Cristo que aos 16 anos tinha uma rotina invejável: Ele fazia semanalmente visitas no hospital da nossa pequena cidade, e saia dali direto para o asilo contrabandeando doces e bíblias para os anciãos com quem passava parte do seu domingo. Por volta das 4 horas da tarde saia dali com outros meninos da sua idade, numa kombi velha da wolksvagen para realizar visitas em uma comunidade rural e "cooperar" com os irmãos de lá. As vezes a Kombi não vinha, e eles faziam o trajeto de 18 quilômetros de bicicleta. Quando chegavam a cidade novamente, era para tomar um banho e ir ao culto, ansiosos por ouvir a Palavra pregada e dispostos a participar, seja cantando, pregando, limpando ou fazendo qualquer outra coisa na igreja local. Durante a semana, ele e outros eram voluntários no “Desafio Jovem Liberdade” – centro de recuperação para usuários de drogas – muitas vezes saindo do trabalho direto para lá, para ensinar violão, passar algum tempo de comunhão com os internos e pregar no culto da noite. Esses rapazes respiravam missões. 

Na época, surgiam seminários com cursos rápidos, em média 2 anos, em regime de internato, onde a ênfase não era apenas preparar teólogos, mas obreiros. Trabalhavam-se questões como caráter, perseverança, domínio próprio, obediência, e grande parte das disciplinas do curso eram de viés missionário. Éramos confrontados com as biografias de William Carey, David Brainerd, Hudson Taylor, Adoniran Judson, George Miller, e nos inspirávamos neles. Criticava-se o modelo de seminário que formava apenas teólogos e falava-se muito em vocação ministerial. Escutávamos uma e outra vez que ser pastor é um dom e não uma profissão, e que o ministério é muito mais dar do que receber. O ponto alto das aulas era quando por lá passava algum missionário em transito, e contava as experiências vividas naquela terra desconhecida. Lembro-me de ter ouvido um desses missionários falando sobre o país dos Incas, e de como me senti desafiado pelo testemunho daquele jovem obreiro. À noite, enquanto orava por aquele país, discerni claramente a voz de Deus falando fortemente ao meu coração: “Eu te levarei ao Peru!”. Cai em pranto, sentindo um misto de temor e imensa alegria, pelo peso da responsabilidade e pela honra recebida. Sai do meu país em 2003, quando ainda se vivia a ressaca destes movimentos. 

JOVENS QUE NÃO ALMEJAM O MINISTERIO 
Hoje a igreja evangélica definitivamente não é a mesma. Ela nem sequer se parece com aquela igreja de 15 anos atrás. Cada vez que viajo ao Brasil, fico absorto com a secularização cada vez maior da igreja. Vejo uma igreja rica, muito rica, mas tremendamente ensimesmada. Em círculos tradicionais e na ala pentecostal clássica, pouco se fala em evangelismo e missões. Já os neopentecostais distorceram o conceito de evangelismo e missões transformando a igreja em uma pirâmide e implementando visões celulares das mais absurdas, substituindo paixão missionária por obediência cega a um líder autoritário. Se antes os jovens desejavam o ministério, a geração atual foge dele. É comum ver rapazes de moças de vinte e poucos anos com altos salários, comprando carros importados, fundando empresas, empreendendo e ganhando muito dinheiro. Os pastores destas igrejas sofrem, pois tem que se desdobrar em mil ofícios para atender as necessidades do rebanho, já que ninguém quer se envolver no ministério e sacrificar as horas de descanso para cuidar das necessidades alheias. Alguns poucos ainda ousam se envolver com missões, mas raramente em tempo integral. Ao invés disso, doam parte das suas férias para servir em algum país exótico, e passam 4 ou 5 dias visitando alguma igreja local, e o resto das férias em alguma praia paradisíaca do Índico ou do Pacífico. Não trabalham nada, mas tiram umas quinhentas fotos com crianças locais e chegam a suas igrejas com testemunhos fantasmagóricos acerca de como salvaram o mundo em seis dias e ensinaram os pastores e missionários locais a pastorearem suas igrejas. 

MISSIÓLOGOS DE INTERNET QUE NUNCA SE ENVOLVERAM COM MISSÕES 

O conceito de missão tem sido banalizado por uma geração hedonista mais preocupada com seus prazeres do que com glorificar o Cristo entre as nações. Para justificar sua falta de coragem para encarar o campo missionário, criam-se as mais distintas agencias missionárias, muitas das quais não enviam e nem sustentam nenhum missionário, dedicando-se apenas a recrutar voluntários para viagens de ferias, exatamente do tipo que mencionei no último parágrafo. Diga-se de passagem, o dinheiro gasto por uma equipe de voluntários de férias, se fosse doado integralmente a alguma missão séria que trabalhe entre os autóctones, daria para sustentar cerca de 10 obreiros durante um ano. Crer que 20 brasileiros em uma semana podem fazer um melhor trabalho que um obreiro nacional em um ano é um sofisma, mas parece ser este o pensamento predominante nessas missões recém-criadas no Brasil (as exceções conformam a regra). Embora não estejamos mais tão engajados com missões transculturais, nunca tivemos tantos “ESPECIALISTAS” em missões! Meninos de vinte anos, com pouca ou nenhuma formação teológica, sem experiência de vida ou ministério e cujo maior esforço missionário foi falar de Jesus para o colega de classe, editam blogs e vlogs, dão opiniões e organizam conferencias missionárias onde eles mesmos são os preletores. Recentemente um desses palpiteiros da internet, um garoto de 20 anos, escreveu um livro sobre missões. Muita gente elogiou a atitude do rapaz e não encontrei ninguém, nem mesmo entre a velha guarda evangélica (que também é ativa nas redes sociais) para colocar freio na arrogância do moleque que escreveu suas 120 paginas sobre um assunto que ele nunca experimentou de fato. Há algum tempo recebi duas equipes de voluntários na cidade de Piura, onde desde 2008 temos desenvolvido alguns projetos missionários. Um dos rapazes que nos visitou, ainda nem tinha barba no rosto, mas logo se apresentou como consultor em missões. Segundo ele, varias igrejas no Brasil contam com seus conhecimentos de consultoria. Isso me parece estranho, se considerarmos que ele nunca foi missionário de fato, apenas participou de algumas palestras com ênfase na famigerada e pouco eficaz Missão Integral (3). Recebi deste garoto que nunca fez missões, diversos conselhos sobre como treinar meus obreiros e torná-los mais efetivos. Outros chegam já satanizando a cultura, tendo visões esquisitas acerca de demônios territoriais e correntes que estão aprisionando nossa igreja e missão, algo muito esquisito e sem bases bíblicas em minha opinião. 

UMA JUVENTUDE QUE QUER ENSINAR, MAS NÃO SE PRONTIFICA A APRENDER 
Durante os dois últimos meses visitei varias igrejas no Brasil e por onde passei, desafiei pessoas para virem ao campo missionário no Peru, e o máximo que consegui foram uns garotos meio-hippies dispostos a vir salvar o mundo em uma semana e ensinar os pastores a pastorear suas igrejas. Todos os rapazes com quem falei queriam vir e ditar seminários, palestras, conferências, treinamento para pastores, e não atentavam para o ridículo das suas propostas, já que eles mesmos nunca pastorearam nem suas próprias famílias. 
No entanto, nenhum deles se mostrou disposto a passar ao menos um ano trabalhando de forma sistemática e fiel junto aos nativos, participando da vida, da luta e das dores do povo, compartilhando a comida e vivendo a verdadeira essência da missão. Todos queriam ensinar, ninguém estava disposto a viver. Todos queriam vir e impor; ninguém estava disposto a vir, viver e receber. Todos queriam formar obreiros, ninguém queria ser formado como obreiro. Todos queriam vir correndo e voltar; ninguém estava disposto a vir e permanecer. Cada um tinha uma visão diferente para a igreja peruana, mesmo sem ter conhecido de perto este campo missionário. Todos tinham receitas exatas para fortalecer o ministério local, mas ninguém queria servir no ministério. Muitos reis, nenhum servo. Como diria o pastor Kolenda, de saudosa memória, simplesmente “muito cacique para pouco índio”. 

UMA IGREJA SECULARIZADA QUE NÃO AMA MISSOES
Não posso dizer exatamente onde foi que a igreja errou (não se preocupem, deve ter algum conferencista de vinte anos capaz de decifrar este mistério!). Porém, mesmo sem saber exatamente, acredito que alguns fatores são visíveis e fáceis de discernir: economia estável, bons empregos, oportunidade de fazer duas, três, quatro faculdades, anos de pregação antropocêntrica que exclui o sacrifício como parte da experiência cristã, tudo isso contribuiu para uma horrível secularização da igreja. Se eu fosse dispensacionalista, não teria dificuldade em aceitar que a igreja está vivendo a “Era de Laodicéia”. A igreja de Laodiceia e a igreja brasileira são irmãs: As duas são ricas materialmente, ensimesmadas, autossuficientes. As duas estão corroídas pelo pecado, empobrecidas de galardão e cegas quanto a sua real situação. Se há algumas décadas dizia-se que o Brasil era um celeiro de missões, hoje tenho certeza que este título deve pertencer a algum outro país: China, Índia, Coreia do Sul, talvez... Mas definitivamente, esse título já não se pode aplicar ao Brasil. *** 


Leonardo Gonçalves é missionario há 11 anos. Neste período ajudou a plantar e consolidar igrejas no Brasil, Argentina (Patagonia e provincia de missiones), e no norte de Peru. Desde 2008 vive na cidade de Piura, envolvendo-se na plantação de 7 igrejas autóctones. O Projeto Piura sustenta hoje 6 obreiros autoctones e ajuda a 60 crianças provindas de comunidades carentes do Peru. ________________________ 
NOTAS: 
1. O Movimento Ano 2000 (AD 2000) surgiu de uma reunião em janeiro de 1989, em Singapura, onde foi realiazada uma Consulta Global de Evangelização Mundial para o ano 2000 e Além. Esta consulta deu origem ao movimento denominado AD 2000, cujo enfoque eram os povos não alcançados da chamada ‘janela 10/40’. 
 2. A Década da Colheita foi o resultado de um encontro de líderes das Assembleias de realizado nos Estados Unidos, em 1988. Foram também estabelecidas metas bem claras para a AD no Brasil, para serem alcançadas até o ano 2000: (1) Levantar um exército de três milhões de intercessores; (2) Ganhar 50 milhões de almas para Cristo; (3) Preparar 100 mil obreiros dispostos a trabalhar na seara do Mestre. (4) Estabelecer 50 mil novas igrejas em todo o Brasil; e
(5) Enviar novos missionários para outras nações. 
 3. Não é que eu me oponha totalmente a Missão Integral. Minha crítica a este movimento pode ser resumida em poucos pontos: (1) A terminologia Missão Integral é, por si, uma redundância. Se é missão cristã, deve ser integral, e se não for integral (no sentido de total), não é missão. (2) Os promotores da Missão Integral no Brasil parecem se inspirar mais no marxismo do que na Bíblia. Um dos líderes desse movimento chega a apresentar o comunismo como uma ideia bíblica de comunidade. Ora, confundir comunidade cristã com uma ideologia que foi responsável por milhões de mortes no mundo, incluindo muitos cristãos, é uma boçalidade. (3) O discurso da Missão Integral tem servido de plataforma política para ideias esquerdistas, e sua super-ênfase no social tem levado alguns a pregar um conceito que beira a salvação pelas obras, algo abominável do ponto de vista bíblico. (4) Nunca vi um leprosário criado ou mantido por adeptos da Missão Integral.

sábado, 11 de junho de 2016

DESPERSONALIZAÇÃO DA MISSÃO

Sobre a despersonalização da missão Bráulia Ribeiro Palavras que despersonalizam a missão nos desobrigam de ver e ser gente A missionária Elizabeth Vêncio, depois de ensinar por muitos anos num instituto bíblico, resolveu usar seus dons de professora para ajudar um grupo de índios no interior do Amazonas. Trabalhou ali com os Jarawara por mais de vinte anos. Dividia seu tempo entre um fim de mundo no Amazonas e outro em Rondônia, onde, junto com uma amiga, construiu uma casinha simples de madeira. Seu trabalho entre os Jarawara significou muito. Se tivéssemos capacidade de quantificar o valor da preservação de uma língua ameaçada de desaparecimento de um povo indígena saindo da idade da pedra lascada para ser capaz de conviver no mundo de hoje, graças à alfabetização e a um efetivo sistema de educação multiétnica que ela implantou, que incluía outras tribos do baixo Amazonas, nos surpreenderíamos com a riqueza que ela gerou. Infelizmente, após completar 60 anos, descobriu que tinha câncer no ovário. Voltou a São Paulo para tratamento, esperando em breve retornar para seu querido buraco no coração da Amazônia. Nunca voltou. O câncer a consumiu em poucos meses deixando seus queridos Jarawara órfãos da mãe que lhes deu condição de enfrentar o futuro preservando o passado. Doeu-me a morte da companheira. Porém, aprendi outra coisa, ainda mais dolorosa, depois que ela caiu doente. Aprendi que não podemos contar com a igreja. Bete foi fiel a sua igreja mãe e denominação por toda a vida. Entretanto, quando adoeceu, recebeu uma nota da igreja mais ou menos assim: “Missionária, não podemos mais lhe enviar seu sustento mensal. O dinheiro da igreja só pode ser aplicado na obra e, como você não está mais no campo, temos de dirigi-lo a outro missionário que seja produtivo no reino”. Bete só não terminou seus dias na mais profunda indigência graças à intervenção da família e de amigos próximos. Sempre me incomodaram as expressões “obra, reino, campo, tarefa missionária, grande comissão”. São expressões executivas, administrativas, com cara de escritório e de papéis impressos, e que no meu coração romântico e apaixonado não expressavam a natureza de nosso chamado. Guerra contra palavras pode parecer inútil para alguns, mas palavras são as ferramentas da cultura. É com elas que construímos nossas obrigações morais e emoções que nos movem a ações. Se a nossa definição de serviço do evangelho for despersonalizada, uma sopa de letrinhas com um caldo de números, vamos construir instituições cruéis, impessoais, capazes de abandonar alguém como Bete no momento em que ela mais precisar. Palavras que despersonalizam a missão nos desobrigam de ver e ser gente. Segundo essa perspectiva, missionários não são pessoas, são peças numa grande engenharia estatística. O “campo” que alcançamos também não é constituído de gente que somos chamados a amar, mas são uma mera variável na equação do sucesso da missão. A favor deste “x” despersonalizado somos capazes de abandonar famílias inteiras à sua própria sorte em terras estrangeiras, para maximizar o orçamento da “obra”. Para ajudar missões, abandonamos missionários idosos depois de trinta, quarenta anos de serviço, já que eles não produzem mais para o “reino”. Economizamos no plano de saúde, ou ignoramos totalmente o fato de que missionário também é gente que tem dentes com cáries, sofrem acidentes e contraem doenças. Muitas igrejas preferem pagar caixões para repatriar corpos do que um plano de saúde decente. O que dizer de financiar cursos, ajudar seus filhos a irem para a faculdade, ou enviar algum dinheiro extra no Natal? Não, nada disto combina com a equação numérica que trata a grande comissão como uma tarefa despersonalizada. Que tal redefinirmos a obra? Que tal se começarmos a dizer com orgulho: “A minha igreja financia pessoas que se dedicam a amar e a servir outras pessoas longe daqui. Estão lá porque Jesus ama também estas pessoas distantes que não pertencem a nossa igreja e denominação. E nós nos orgulhamos destes servos e lhes oferecemos um sustento digno, porque a sua missão é também a nossa”? • Bráulia Ribeiro trabalhou na Amazônia durante trinta anos. Hoje mora em Kailua-Kona, no Havaí, com sua família, e está envolvida em projetos de tradução da Bíblia nas ilhas do Pacífico. É autora de Chamado Radical e Tem Alguém Aí em Cima?. Acompanhe seu blog pessoal.

domingo, 1 de novembro de 2015

PROJETOS REGION O MAIOR DESAFIO MISSIONÁRIO DO SÉCULO XXI

PROJETOS REGION O MAIOR DESAFIO MISSIONÁRIO DO SÉCULO XXI

meios e passos para alcançar o objetivo

MOVIMENTO DE ORAÇÃO

Diante do gigantesco desafio que temos diante de nós o objetivo é iniciar pela oração, pois o Senhor responde as orações dos justos. Nossa meta é levantar 50.000 intercessores até Junho, 2016 e um milhão até 2020 para a região mais fechada, de maior perseguição e que ainda não conta com nenhuma equipe de brasileiros. Já temos 34.000 cadastrados e pode ser superado o alvo na após compartilharmos em Janeiro na Convenção Estadual da AD em do Ceará.

Louvamos a Deus, pois já está sendo confeccionados 50.000 livretos coloridos de oração de 40 páginas e o total a ser produzido é de um milhão. Deverá ser reimpresso a cada 50.000 novos intercessores. Temos consciência do custo de produção, mas queremos municiar os intercessores com as ferramentas adequadas de oração. Este manual está sendo traduzindo para o espanhol e será disponibilizado eletronicamente. Também está sendo traduzida para uma língua étnica e devemos produzir 5.000 para esta igreja da diáspora no Brasil.

50 CANDIDATOS TREINADOS E ENVIADOS ATÉ 2020:

Sabemos do alto custo de envio, mas uma alma vale mais do que o mundo inteiro. Temos três casais, sendo um com dois filhos e experiência internacional por muitos anos e 16 jovens que se candidataram para ser treinados para irem. Um casal com dois filhos somente está dependendo do sustento e o necessário é 2.500,00 dólares mensais. O outro casal é de Santa Catarina que aceitou o desafio de se preparar para abrir um Centro Desportivo na região. Os solteiros o sustento individual necessário é de 1.000,00 dólares mensais. Nosso alvo é ver dez igrejas parceiras que adotem um candidato. Há três jovens na base em processo de treinamento e envio e uma irmã com nove anos de experiência na Ásia que aceitou o desafio de ser pioneira ali. Queremos levar a Cruz de Cristo a esta região assustadora para muitos.

Isto nos faz lembrar-se do jovem Davi ao ver o gigante Golias desafiando o Senhor e seu povo escolhido. Imagino-o pensando consigo ao se encher do Espírito Santo. Essa não era a sua primeira experiência, pois todo vez que aparecia um inimigo diante dele, como leões e ursos o Espírito o tomava e ele os matava para proteger as ovelhas de seu pai. Agora é um desafio nacional e quando o Espírito o toma ele pensa: - “ele é tão grande, muito grande, tão gigantesco que é impossível errar o alvo”.

MOBILIZAÇÃO MISSIONÁRIA:

Estamos mobilizando em diversas igrejas e com diversos conselhos de pastores. Compartilhamos na Convenção da AD em Santa Catarina para 2.000 pastores e 1.300 esposas de pastores, e outra convenções e vamos compartilhar na Convenção da AD no Ceará em Janeiro 2016. sustento mensal.

CONCIENTIZAÇÃO DA REGIÃO:

Sabemos que esta região se encontra longe do contexto brasileiro e poucos acreditam que possam ter obreiro ali devido ser fechado, a perseguição, custo de envio, Devido à dificuldade de compreender o desafio da região queremos fornecer a cada igreja um kit para ajudar a conhecer e amar os povos dali.

1 - Já temos 120 das 1.000 bandeiras necessárias para doar as igrejas e o objetivo é de adquirir 1.000 para serem doadas as igrejas adotantes.

2 – Temos 100 dos 1.000 mini NTs que são entregues ao pessoal que se converte na fronteira e são escondidos nas partes íntimas quando entram na região.

3 – Temos 100 balões e também queremos adquirir mais 1.000 balões, que são cheios de gás hélio, gravados com o evangelho de Marcos, e que são lançados quando o vento está em direção à região.

4 – Estamos trabalhando nos textos do kit dos cartões de oração e o objetivo é produzir 100.000

6 – Estamos no processo de produzir 1.000 kits de 36 cartazes coloridos de oração papel couche brilhante A3 para serem afixados em quadros de avisos.

FERRAMENTAS PARA LEVANTAMENTO DE RECURSOS:

Queremos produzir souvenirs para conscientizar e levantar recursos. Temos também os custos ministeriais para estabelecimento do obreiro na região. Estamos buscando alguns meios, tais como: cofrinhos e para isso estamos buscando amigos que aceitem 30 cofrinhos para encher e coordenar com irmãos de suas igrejas com crianças e outros. Tais recursos são para produzir as ferramentas de oração para divulgar a visão de intercessão, conscientização, recrutamento, treinamento e envio.

Eu os convido para se unir conosco neste empreendimento inédito para envio desta equipe e ver o movimento de intercessão no Brasil entre os brasileiros. Externamos as nossas gratidões e contamos com o seu prestimoso apoio,

David Botelho

Horizontes América Latina

region@mhorizontes.org.br

Bradesco Agência 1020 – Conta 6880-2 – CNPJ 59.958.983.0001-16

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

QUANTO VALE UM MISSIONÁRIO?


Hoje o dia está muito quente. O sol bate inclemente na janela e as persianas tentam, inutilmente, aplacar a força dos raios que invadem minha sala.

Ainda assim, nada impede uma parada para refletir sobre o momento que estamos vivendo, e que desemboca em fronteiras longínquas onde estão aqueles que, no calor ou frio extremo, cumprem a missão dada por Jesus.

Meus olhos se encontram marejados, a minha alma em luta... Confio nas promessas do nosso Grande Deus, mas me sinto pressionado e com o coração invadido pelas circunstâncias. O que pensar neste momento? O que fazer
http://www.ultimato.com.br/conteudo/quanto-vale-um-missionario

Quanto vale um missionário?


O que vale mais? Um imóvel, um carro novo, o último smartphone, um tablete recém-lançado, uma igreja pintada, reformada, uma construção, a melhoria de um salário? Enfim, quanto vale a vida de alguém que muitas vezes não estamos vendo?

Não é incomum eu estar, diária e intensamente, em várias partes do Brasil e do mundo. A tecnologia aproxima as emoções e os desabafos daqueles que estão nos recônditos da terra. Alegrias, tristezas, incertezas e desafios. O que virá pela frente? A minha motivação aqui não é refletir sobre as questões teológicas desse tema. Escrevo, reticentemente, sem observar as exegeses dos que me acompanham nessa jornada, muitos dos quais eu poderia nominar como “críticos de plantão”.

Recebi telefonemas no fixo, no celular, chamadas por Skype, por WhatsApp, e-mails, inbox por Messenger, visitas. Em sua essência, todos eram “gritos no silêncio”. Senti-me fraco, cansado e impotente diante desses sussurros.

Neste momento em que escrevo, a reviravolta na economia brasileira chegou a patamares insuportáveis. Essa força voraz trouxe um impacto nefasto: uma diminuição em torno de 50% na entrada do sustento dos nossos missionários. De uma hora para outra, mesmo diante do desafio anual de levantar parceiros para a causa sublime de levar a mensagem mais importante que um homem pode receber, esses verdadeiros heróis não são vistos nos “Big Brothers” de nossas TVs e, agora, deparam-se com a realidade de um corte orçamentário sem precedentes na nossa história.

Sabemos, é claro, que muitos outros também estão sendo afetados. Rogo a Deus por sua benevolência para com os seus. Minha preocupação são os omissos, os que olham somente para si, os “religiosos” que não alteram o seu “modus vivendi”, mas cortam as ofertas missionárias. Preocupo-me com os desperdícios que são engolidos pelos ralos das igrejas, pelas canetadas nos cortes que afetam diretamente centenas e até milhares de vidas, de famílias inteiras! Tudo isso em detrimento de altos investimentos em estruturas físicas e domésticas, que ficarão para trás por ocasião da volta do Filho do Homem.

Vou me manter no caminho, e quero desafiar você a reler e meditar nas palavras registradas em Isaías 52.7: “Quão formosos sobre os montes são os pés do que anuncia as boas-novas, que proclama a paz, que anuncia coisas boas, que proclama a salvação, que diz a Sião: O teu Deus reina!”.

Orar faz parte do caminho, investir financeiramente também.

Quanto vale um missionário para você?

• Rev. Marcos Agripino, casado, duas filhas, é missionário de base e executivo da APMT (Agência Presbiteriana de Missões Transculturais) da IPB (Igreja Presbiteriana do Brasil).

quarta-feira, 1 de abril de 2015

ESTATÍSTICAS DESESPERADORAS DAS MISSÕES MUNDIAIS


segunda-feira, 23 de março de 2015

VOCAÇÃO - http://www.ronaldo.lidorio.com.br/




http://www.ronaldo.lidorio.com.br/


A vocação de Deus é incontestável e irresistível. Incontestável, pois Ele, ao vocacionar, o faz de forma clara e nada mais enche o coração. Irresistível pela abordagem, pois quando Deus vocaciona, tudo nos impele a segui-Lo.
Chamado e vocação são termos correlatos na Palavra de Deus e derivam da expressão kaleo - chamar. Em todo o Novo Testamento vemos que Ele chama para a salvação (2 Pe 1.10), para a liberdade (Gl 5.13), para sermos de Jesus Cristo (Rm 16) e para a ceia das bodas do Cordeiro (Ap 199). Todo chamado se dá segundo o Seu propósito (Rm 8.28) e somos encorajados a permanecer firmes no chamado (1 Co 7.20), andar de forma digna da nossa vocação (Ef 4.1) e a vivê-la junto com outros igualmente chamados em Cristo (Ef 4.4).

O chamado de Deus não é uma prerrogativa do Novo Testamento. Deus, ao longo da história, chamou o Seu povo para o Seu propósito. Israel é chamado para ser bênção entre as nações (Gn 12.2) e para anunciar a salvação e a glória do Senhor (Sl 96.3). Em Isaías, o Senhor fala sobre “todos os que são chamados pelo meu nome”, também menciona que foram criados “para a minha glória” (Is 43.7).

Antes de tudo, é preciso compreender que, em Cristo Jesus, todos somos vocacionados (1 Pe 2.9-10). A Palavra deixa isso bem claro ao expor que somos vocacionados para a salvação, para as boas obras, para a santidade e para a missão. Ou seja, nascemos em Cristo Jesus com um propósito. Não estamos neste mundo de forma aleatória e descomprometida. Fomos salvos em Cristo para fazer diferença – sendo sal e luz -  e cumprir o chamado de Deus. E, dentre todas, a nossa maior vocação é glorificar o nome de Deus Pai (Rm 16.25-27).

Encontramos também na Palavra de Deus a vocação ao ministério, para uma função específica no Reino do Senhor. Trata-se daqueles que são separados por Deus para uma ação específica e funcional em Sua igreja.

Escrevendo aos Romanos, Paulo se apresenta como “servo de Jesus Cristo, chamado para ser apóstolo, separado para o evangelho de Deus” (Rm 1.1), expressando que é servo de Cristo, porém, com um chamado ministerial específico: ser apóstolo.

Ele afirma ser “servo” – doulos – escravo comprado pelo sangue do Cordeiro, liberto das cadeias do pecado e da morte e, apesar de livre, cativo pelo Senhor que o libertou.

Afirma também ser chamado para ser “apóstolo”, demonstrando que alguns servos podem ser chamados ao apostolado, porém, não há apóstolos que não sejam primeiramente servos.

Em Efésios 4:11, entendemos que o Senhor Jesus chama, dentre todos na igreja, “alguns” para serem apóstolos, profetas, pastores, evangelistas e mestres, ou seja, para funções específicas de trabalho.

Quem nós somos - nosso chamado em Cristo - é mais determinador para nosso ministério do que para onde iremos. Não há na Palavra um chamado geográfico (para a China, Índia ou Japão), ou mesmo étnico (para os indígenas, africanos etc.), mas um chamado funcional, para se fazer alguma coisa.

Na exposição aos Efésios, Paulo afirma que alguns foram chamados para ser apóstolos, ou “a pedrinha lançada bem longe”, na expressão de John Knox. São aqueles que vão aonde a igreja ainda não chegou. Há os profetas, que falam da parte de Deus e comunicam Sua verdade. Há os chamados para serem pastores, que amam e cuidam do rebanho de Cristo, que amam estar com o povo de Deus e se realizam ministerialmente cuidando desse povo. Há os evangelistas, que são aqui os “modeladores” do Evangelho, ou seja, os discipuladores. São os irmãos que fazem um trabalho nos bastidores, de discipulado, extremamente relevante para o Reino, o crescimento e amadurecimento da igreja. Por fim os mestres, que ensinam a Palavra de forma clara e transformadora, são os que leem a Palavra e a expõem de forma tão clara que marcam vidas e corações.

Na dinâmica do chamado há certamente uma direção geográfica. Se alguém possui convicção de que Deus o quer na Índia, isso significa que há uma direção geográfica de Deus, não um chamado ministerial. Mas, notem: a direção geográfica muda, e mudou diversas vezes na vida de Paulo. O chamado, porém, permanece.

Paulo foi chamado para os gentios, como por vezes expressa (At.13:1-3). Era uma força de expressão para seu perfil missionário, pois, com exceção dos judeus, todo o mundo era gentílico. Assim, ele expressa em Romanos 15.20 a prioridade geográfica do ministério da Igreja: “onde Cristo ainda não foi anunciado”. Na época, prioritariamente entre os gentios.  Hoje, porém, pode ser perto e pode ser longe. Uma pessoa, de qualquer língua, raça, povo ou nação, que ainda não tenha ouvido as maravilhas do Evangelho, é a prioridade de Deus para a obra missionária.

Percebo algumas crises entre os vocacionados no Brasil. As principais talvez sejam de compreensão, discernimento e ação.

A crise de compreensão se estabelece à medida que não entendemos, na Palavra de Deus, que somos todos vocacionados para servir a Cristo. Assim, relegamos o trabalho aos que possuem um chamado ministerial específico. Outras vezes, por associarmos o chamado puramente a títulos ou posições eclesiásticas, esquecendo que fomos todos chamados em Cristo para a vida no Espírito e para o trabalho na missão.

A crise de discernimento nasce quando não fazemos clara distinção entre o chamado universal e o chamado ministerial específico. Podemos passar a vida frustrados em qualquer lado do muro se não buscarmos discernimento vocacional. Esse discernimento é encontrado primeiramente na Palavra, estudando o que a Bíblia nos ensina sobre vocação. Em segundo lugar, caso haja uma convicção de chamado ministerial específico, associando-nos ao trabalho da igreja e passando nossa vocação pelo crivo dessa experiência. Por fim, precisamos buscar ao Senhor em oração especialmente para saber qual será o próximo passo. Deus, geralmente, só nos mostra o próximo passo.

A terceira crise que percebo é de ação. Há um número grande de irmãos e irmãs com clara compreensão bíblica sobre a vocação, claro discernimento sobre os passos a serem dados, mas nunca os dão. Para alguns, esse passo é um envolvimento maior com o ministério da igreja local. Para outros, é seguir para um centro de treinamento bíblico e missionário ou participar de um estágio ministerial. O importante é perceber que, em algum momento ao longo da convicção de um chamado ministerial, é preciso dar um passo.

 Somos, portanto, todos vocacionados em Cristo para servir a Deus e glorificar o Seu Nome. Alguns são vocacionados, também em Cristo, para funções específicas – ministeriais – para o encorajamento da igreja e expansão do Evangelho no mundo. Em qualquer situação, a nossa vocação é um privilégio. Na verdade, talvez seja o nosso maior privilégio, bem como o nosso maior desafio. 


quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

A ESTAGNAÇÃO DA PROGRESSÃO MISSIOLÓGICA

O quadro atual da Igreja Evangélica Brasileira é surpreendente. Somos considerados uma Igreja com condições reais para desenvolver um papel significativo em missões globais. Nas últimas décadas temos sido muito abençoados pelo Senhor. Este fato também pode ser observado por meio de estatísticas nacionais como do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatítica ( IBGE) Censo 2010, onde se destaca o número de evangélicos brasileiros, 40 milhões, que representam 22% da população nacional.
Essa representação evangélica está presente em várias esferas da sociedde brasileira. O Senhor nos tem equipado com dons e talentos que estão sendo direcionados para diversas áreas profissionais e isso tem resultado numa realidade social ainda não vivida no Brasil. Acima de tudo Deus tem aberto os céus e derramado ricamente suas bençãos espirituais sobre as famílias que o buscam em nossa nação. Cremos que você, como evangélico e brasileiro, pode testemunhar isso.
P ponto de alerta que não devemos deixar de considerar é a desproporcionalidade de nossa representatividade em missões globais. Conforme as mais recentes estatísticas da SEPAL( Servindo aos Pastores e Líderes), apenas cerca de 4.000 missionários brasileiros estão ativos em um contexto transcultural. Isso significa que somente 0,01% da Igreja Brasileira está presente na frente missionária em outras nações. Mesmo que tenha ocorrido certo crescimento do envio de missionários transculturais, esse número é ainda assustadoramente desproporcional ao crescimento do número de evangélicos no Braisl nas últimas décadas.
Quadro Nacional
O rompimento dessa progressão ao final da virada do século encontra-se em destaque devido a vários fatores que precisam ser analisados com muita atenção. Qual deve ser nossa atitude diante dessa alarmante estagnação da caminhanda missionária transcultural no Brasil? O que pode ter gerado esse contraste? O que isso pode causar no futuro? O que fazer para quebrar a indiferença?
O final da década de 90 marcou o início de uma fase de retorno de misisonários brasileiros do campo, seja pelo despreparo que ocasionou o aborto missionário, ou pela descontinuação no envio e apoio da igreja local. Essa triste realidade inquieta muitos líderes nacionais e os têm levado a buscar do Senhor a maneira bíblica de como mudar essa situação, pois uma fenda entre a realidade eclesiástica e missiológica no contexto evangélico brasileiro tem se  desenvolvido desde então.
Negligência no avanço transcultural
Esse fenômeno da estagnação do avanço missionário pode ser indentificado na vida de muitas igrejas ao longo da história cristã. O livro de Atos registra que a Igreja em Jerusalém necessitou de uma perseguição para que os cristãos rompessem para outras localidades ( At 8:4). Não muito tempo depois desse evento ocorreu a diáspora, onde toda Jerusalém é dispersa.
É importante notar que a negligência para com esse avanço é um dos fatos que cooperou para a ruína espiritual e total destruição da igreja em muitas localidades ao longo do tempo. Onde estaria a Igreja no Norte da África que foi plantada entre as etnias Berberes, de Alexandria (Egito) até Marrocos, se tivesse atravessado o deserto do Saara e avançado para a " África Negra"? Onde estaria a Igreja de Éfeso (Turquia) se não tivesse interrompido a oavnaço missionário que realizou tão bem na Ásia Menor ( At 19:10) e tivesse ido além das fronteiras romanas?
A Igreja Brasileira precisa estar alerta, pois se fizermos as mesmas escolhas, certamente sofreremos as mesmas consequências. De forma alguma podemos considerar que estamos imunes. Precisamos avançar cumprindo nosso papel na Grande Comissão ( At 28:18-20), rompendo nossas fronteiras nacionais, superando barreiras linguísticas e culturais. Essa é uma questão de sobrevivência.
Espaço para uma reflexão missionária
A forma bíblica e madura para tratarmos esse desafio deve ser processada com muita oração e diálogo entre os segmentos da Igreja Brasileira que possuem papéis significativos: vocacionados, igrejas locais, agências missionárias transculturais. Uma possição defensiva ou acusadora por qualquer de um desses segmentos certamente não contribuirá para uma solução bíblica.
Um espaço cheio de amor, respeito e presença do Senhor abrirá portas não somente para o diálogo, mas para cura e restauração. muitos são os pastores e líderes que já se envolveram em missões se decepcionaram e hoje simplesmente tiraram de suas agendas ministeriais tal prioridade. Diversas agências missionárias simplesmente se afadigaram de tentar desafiar o povo evangélico a cumprir seu papel missionário. Muitos jovens evangélicos responderam ao chamado missionário, mas interromperam o processo de treinamento por diferentes motivos e agora não dispo~em de "tempo" para um envolvimento direto em missões transculturais.
Em contra partida, vários missionários que foram envoados retornaram feridos e decepcionados, não entendendo muito bem o que deu errado. De alguma forma cada um de nós que representamos esses segmentos temos falhado em algum aspecto e pertence a nós uma porção de responsabilidade na reparação dessa falha e prevenção desse risco.
Portanto, que tenhamos a mesma atitude do rei Ezequias( Is 37:1), ao conscientizar-se do perigo ele teve uma reação de quebrantamento, arrependimento, confissão, mudança de atitude e buscou ao Senhor.
É fundamental que cada segmento da Igreja Brasileira venha cooperar no processo de conscientização dos desafios globais. Os vocacionados junto com suas igrejas locais devem maximizar o seu papel com o desenvolvimento da capacidade linguistica, transcultural e ministerial para cumprir o Ide do Senhor e realizar o que Ele deseja entre os povos não alcançados.
Cada um de nós, evangélicos brasileiros, deve refletir sobre como podemos contribuir para que esse ajuste de engrenagens dos segmentos da Igreja realmente aconteça,. Caminhando juntos podemos verdadeiramente nos tornar um Brasil missionário.