PREPARANDO ÀQUELE QUE VAI PARA O CAMPO

IMPORTÂNCIA DO PREPARO MISSIONÁRIO
Neste texto, o apóstolo Paulo dá
algumas orientações ministeriais ao seu bom discípulo e amigo Timóteo acerca de
seu relacionamento com Deus e sua Palavra. Paulo enfatiza a necessidade da
continuidade do trabalho por meio do ensino a outros discípulos, quando diz:
"E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens
fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros" (2Tm 2.2).
Observamos que Paulo está preocupado
com a continuidade de seu ministério após a sua morte e, por isso, admoesta
Timóteo para que transmita todo o conselho de Deus a homens fiéis e esses, por
sua vez, transmitiriam a outros, e assim por diante.
Paulo seguia o exemplo de Jesus,
demonstrando coragem e disposição em investir tempo com seus discípulos, a fim
de prepará-los para uma obra que deveria ser expandida.
Jesus nos deu um grande exemplo em
como preparar pessoas, ficando três anos com os seus discípulos, ensinando-os
dia a dia, até que pudessem levar adiante a obra de Deus. O resultado desse
investimento é que todos os discípulos (com exceção de Judas, é claro)
tornaram-se missionários e, por conta disso, o evangelho chegou aos cantos mais
longínquos da terra.
Esses discípulos, seguindo o exemplo
do Mestre, plantavam igrejas e faziam discípulos, preparando-os para que dessem
continuidade à missão de pregar as boas-novas a toda criatura.
Infelizmente, com o passar dos
tempos, a Igreja deixou de se preocupar com o ministério - principal motivo do
seu chamado, que é a proclamação do reino de Deus, considerando-o secundário.
Para o exercício do ministério, de acordo com o que Deus deseja, a Igreja
precisa ter discípulos devidamente preparados, imbuídos de uma visão correta de
sua missão.
A Igreja deve ter a consciência de
que jamais realizará o projeto de Deus se não investir no preparo daqueles que
são chamados.
Há algum tempo, pouco era dito sobre
a capacitação, principalmente de missionários, mas estudos recentes têm
mostrado a urgente necessidade de um bom preparo, a fim de evitar transtornos
no campo, inclusive o retorno prematuro dos missionários.
Existe uma corrente de pensamento que
alega que o preparo missionário não é necessário. De acordo com essa linha de
pensamento, é fácil falar de Jesus com quem não temos nenhum tipo de
relacionamento ou vínculo; ou seja, com um desconhecido.
É só falar de Jesus! A consequência, ao longo
da história da Igreja, tem sido perdas irreparáveis de obreiros que abandonaram
a obra de Deus por não suportarem as pressões e outros reveses do campo
transcultural.
No campo, o missionário enfrenta
muitos problemas, como, por exemplo, costumes diferentes, língua, cultura,
estresse, depressão, desânimo, além da saudade da família ou país, entre outros
fatores. Sem o devido preparo, tudo isso será insuportável.
As agências missionárias do Brasil
têm se preocupado cada vez mais em preparar adequadamente os candidatos à obra
missionária, evitando-se, assim, o seu retorno prematuro.
A capacitação visa preparar o
candidato para a complexa tarefa de adaptação cultural e comunicação eficaz do
evangelho em outra cultura. Quando há um bom preparo, o missionário, além de
estar ciente dos possíveis choques, consegue fazer uma contextualização correta
para comunicar a Palavra de Deus com fidelidade, evitando o sincretismo ou o
transporte de sua cultura para o povo em meio ao qual está trabalhando.
Está provado que, quanto melhor o
preparo, menor o perigo de retorno prematuro e outras consequências
desagradáveis ao campo, à agência, à igreja enviadora e ao próprio missionário.
Adotar novos costumes é extremamente
estressante e gera crise em qualquer pessoa, e essa crise, por sua vez, é
comparada à mesma que um soldado experimenta quando vai à guerra. Em razão
dessa situação estressante, é preciso que ele tenha uma âncora, pois, caso
contrário, perderá facilmente o referencial e fracassará.
Segundo Taylor, em média 5% dos
missionários voltam prematuramente e, infelizmente, o Brasil é um dos países
que possui a maior taxa de retorno prematuro do mundo, ou seja, 8,5%. A
principal causa é a falta de preparo.
Esse problema faz parte das causas
evitáveis e as agências missionárias podem contribuir para diminuir esse índice
investindo num bom preparo de seus candidatos ao campo missionário.
As desistências acontecem porque o
missionário não aguenta as pressões do campo e aqueles que não foram treinados
ficam evidentemente em desvantagem. Por quê? Entre vários motivos, isso ocorre
pela falta de consciência das dificuldades que vai enfrentar. Como praxe, as
escolas de missões preparam os candidatos em várias áreas:
ESPIRITUALMENTE: investimento no
crescimento e relacionamento do aluno por meio da oração, do jejum e da leitura
bíblica, por entender que estes quesitos são imprescindíveis na vida do
missionário.
RELACIONAMENTO: aprender a viver em
comunidade é fundamental para o desenvolvimento do trabalho missionário
bem-sucedido. É importante que o aluno aprenda a viver em comunidade, pois,
ali, ele é confrontado e resolve seus conflitos. Isso é necessário para que
conheçamos as pessoas que irão para o campo. Se o candidato tem dificuldades em
relacionar-se, precisa ser tratado antes de sair, pois, no campo, pode gerar
vários problemas.
PSICOLOGICAMENTE: as escolas
trabalham o lado psicológico dos candidatos visando conscientizá-los das
dificuldades que enfrentarão e, por meio do pastoreio do missionário, dá o
acompanhamento específico para ajudá-lo a superar os possíveis traumas e outros
problemas.
CULTURALMENTE: o problema do choque
cultural tem sido a causa de muitos retornarem do campo. Na escola, ele vai ser
conscientizado das dificuldades que pode enfrentar e como lidar com o choque
que, inevitavelmente, em maior ou menor proporção, ocorrerá.
A doutora Antonia Leonora van der
Meer diz: "O preparo cultural do missionário é a chave para uma boa
adaptação, integração no campo e o bom êxito do seu ministério" (revista
Capacitando, p. 25).
A preparação não elimina
automaticamente os problemas de adaptação, mas diminui o impacto dos mesmos,
deixando o missionário mais sensível à realidade.
Mas, quando começa o preparo do
missionário? Na igreja, evidentemente, mas continua com o curso teológico e a
escola de missões. A igreja local deve cumprir o seu papel de preparar e
indicar pessoas qualificadas para estudarem e serem enviadas ao campo.
Raramente, pensa-se na igreja como um
lugar de preparo, no entanto, ela deve ser o primeiro seminário do missionário,
depois, sim, o preparo formal. A igreja não pode se esquivar do papel de
educação cristã, preparando os seus membros para desempenhar o ministério (Ef
4.12).
O candidato à obra missionária
precisa ter maturidade espiritual e emocional, e, acima de tudo, compromisso
com Deus.
É imprescindível que o candidato
conheça bem a Palavra de Deus e tenha forte convicção do chamado de Deus para a
sua vida. Deus não chama missionários simplesmente, mas servos que estejam
dispostos a dedicarem-se inteiramente a Ele.
Amado leitor, você tem um chamado de
Deus para a sua vida e quer que Ele o use na sua obra? Então, "procura
apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem do que se envergonhar e
que maneja bem a palavra da verdade!" (2Tm 2.15).
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
ADIWARDANA, Margaretha N. Missionários:
preparando-os para preservar. Londrina/PR: Descoberta Editora, 1999.
TAYLOR, William D. Valioso demais
para que se perca. Londrina/PR: Descoberta Editora, 1998.
TOSTES, Silas. Missões brasileiras em
resposta ao clamor do mundo. João Pessoa/PB: Betel Publicações, 2009.
REVISTA Capacitando para
missões transculturais, nº 6, 1998.
Por Florencio Moreira de Ataídes
Bacharel em teologia pelo Seminário Presbiteriano
Renovado e mestre em missiologia pelo CEM - Centro Evangélico de Missões.
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