QUAL A AUTORIDADE QUE TEMOS PARA EVANGELIZARMOS O MUNDO?
Texto: João 20.19-23 e Atos 2.1-4
O texto que lemos no
evangelho de João verificamos que, antes de sua ascensão, Jesus faz uma visita
aos seus discípulos, que após os acontecimentos da crucificação, tornaram-se
homens amedrontados.
Medo é o que os
qualifica, fechados dentro da casa, recolhidos em receios e inseguranças. Jesus
aparece ressuscitado diante deles e pronuncia a sua saudação: “Paz seja
convosco!”. Seguindo esta saudação, Jesus pronuncia o envio: “Assim como o Pai
me enviou, eu também vos envio”.
Ali estavam homens
inseguros, medrosos, escondidos, refugiados no receio da morte; Jesus aparece
diante deles e lhes diz: “Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio”.
Isto nos diz que para
Jesus as nossas dificuldades, receios e até mesmo indiferença à obra
missionária, não são obstáculos intransponíveis e nós podemos ser enviados por
Ele.
Jesus agora
materializava o seu desejo expresso anteriormente na oração sacerdotal:
"Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal. Eles não são
do mundo, como eu não sou do mundo... Assim como tu me enviaste ao mundo,
também eu os enviei ao mundo" (Jo 17.15-16, 18). Eles não são do mundo,
mas são enviados ao mundo.
Após a ressurreição,
essa missão, é a única palavra que Jesus dirige aos discípulos; ela nos diz
tudo: "eu vos envio!”.
Logo adiante os
discípulos iriam provar da perseguição e do martírio, porque o mundo reage
assim, como reagiu diante de Jesus; do mesmo modo reagiria diante dos seus
enviados, porque lhes opõe o testemunho que dão. Se o mundo não os enfrentasse,
seriam ainda os continuadores de Jesus Cristo?
A obra missionária
deve suscitar essa oposição, porque ela não pode deixar de descobrir a mentira,
o homicídio, o ódio que procedem do pai das mentiras e escravizam o mundo.
Deixar o mundo na sua escravidão não é cumprir a missão delegada por Jesus
Cristo.
Eis o desafio da obra
missionária em todos os tempos. A tentação do silêncio é grande. Não faltam
motivos e justificativas. A própria preocupação pelo futuro da Igreja seria a
tentação mais insidiosa. Para reservar à Igreja suas possibilidades futuras,
prefere-se ficar calado no presente.
A defesa da
institucionalização da palavra de Deus faz com que essa palavra não seja
pronunciada. Guardam-na com tantos cuidados e tanta proteção que essa palavra
não ressoa no mundo, ou ela é recitada de modo puramente ritual ou formal, de
tal sorte que não atinge nada nem a ninguém.
A história nos mostrou
isso: enquanto a Igreja estava debaixo da perseguição romana dos primeiros
séculos ela avançava corajosamente. Quando em 311 o Imperador romano Galério
proclama o Édito de tolerância ao cristianismo e dois anos mais tarde, em 313,
o Édito de Milão, pelo Imperador Constantino, que havia se convertido ao
cristianismo, inicia-se um período que os historiadores chamam de "a
institucionalização da Igreja" ou a "constantinização do
cristianismo" - agora o cristianismo é a religião oficial do império; aí
se iniciou um período de calmaria e a Igreja deixou de avançar no mesmo ritmo
missionário.
Vejam bem: Não estou
fazendo apologia da perseguição ou do sofrimento, não! Estou tentando
demonstrar que, surpreendentemente, no tempo de dor, de medo e perseguição a
Igreja dava sinais de maior coragem missionária, impulsionada pelo Espírito, e
no tempo de calmaria, dava sinais de acomodação.
O que fez diferença
naquele primeiro momento de coragem e ímpeto missionário? Afinal eram homens
que estavam trancados em seus medos e frustrações. O que transformou estes
homens? O que lhes atribuiu este ímpeto?
Diz-nos a seqüência do
texto de João, que, “... havendo dito isto (Assim como o Pai me enviou, eu
também vos envio), soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito
Santo" (v 22). Aqui havia uma diferença, Jesus encorajava aqueles homens
com a sua própria presença, com o seu sopro de vida e coragem, com a presença
do Espírito Santo. Eles não estavam sós!
O Evangelho de Mateus,
ao se referir a este último encontro de Jesus com seus discípulos, atribui a
Jesus a seguinte promessa: "E eis que estou convosco todos os dias até à
consumação do século”.(Mt 28.20b).
A presença de Jesus e
do Espírito Santo, a presença de Deus Pai, Filho e Espírito Santo, em todas as
suas múltiplas expressões, faz a diferença necessária para o cumprimento da
obra missionária.
É evidente que a
Igreja nunca abandonou oficialmente a palavra de Deus. Celebra-a no culto,
proclama-a na pregação, ensina-a nos diversos momentos de estudo. Mas há,
porém, uma maneira de celebrar a palavra, que equivale ao silêncio, a negação
da missão.
Proclamada sem
aplicação à realidade histórica, sem referência a objetos concretos, a palavra
não preocupa a ninguém porque não denuncia nenhum mal real, nem denuncia
nenhuma forma de escravidão do seres humanos.
Os discípulos não
foram enviados primeiramente para celebrar um culto e sim para enfrentar o
mundo, como luz que resplandece nas trevas. Se o mundo não reagir, se as
pessoas escravizadas e escravizadoras no mundo não perceberem que a mensagem
busca redimi-las, isto será um sinal de que a missão foi abandonada. A
evangelização não está acontecendo, o envio não está sendo obedecido! O
Espírito de Deus não está presente.
Paulo assevera aos
Romanos: "Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como
crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? E
como pregarão, se não forem enviados?" (Rm 10.14-15). Nós somos
enviados! Cristo vai conosco, o seu Espírito nos é oferecido. Qual tem
sido nossa resposta diante deste envio?
Os discípulos são
chamados a dar testemunho: "vós também testemunhareis" (Jo 15.27). O
testemunho será o das obras; diz Jesus: "quem crê em mim fará as obras que
eu faço, e outras maiores fará" (Jo 14.12). Mas será também o testemunho
da palavra. Pois o Espírito estará presente e lhes dirá as mesmas palavras que
Jesus dizia. "Quando vier o advogado - parácleto - que eu enviarei da
parte do Pai, o Espírito da verdade, que procede do Pai, ele dará testemunho de
mim" (Jo 15.26).
Essa palavra dos
discípulos, enviados por Jesus, ungidos por Jesus, torna presente o testemunho
de Jesus em todas as gerações. Os seus efeitos são os próprios efeitos da
missão do Filho de Deus.
A narrativa do dia do
Pentecostes, em At 2, nos revela que esta força para o testemunho e
evangelização, a qual gera entendimento, unidade e verdade, estava derramada
sobre os discípulos. "Todos ficaram cheios do Espírito santo e passaram a
falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem"
(At 2.4).
O texto nos diz que:
havia um Espírito de entendimento, de mútua compreensão e de unidade, que
atraía a àquela mensagem, gente de todas as raças, (poderíamos acrescentar, de
todas as condições sociais, intelectuais e culturais) as quais compreendiam o
que estava sendo proclamado. "Quando, pois, se fez ouvir aquela voz,
afluiu à multidão, que se possuiu de perplexidade, porquanto cada um os ouvia
falar na sua própria língua.
Estavam, pois,
atônitos e se admiravam dizendo: Vede! Não são por ventura galileus
todos esses que aí estão falando? E como os ouvimos falar, cada um
em nossa própria língua materna?”(At 2.6-8).
Era uma reunião
verdadeiramente transcultural - no sentido estrito da palavra - tinha gente de
todas as partes. Estava quebrado, aniquilado para sempre, o espírito de
confusão e da Babel! Agora só a verdade, a unidade, a compreensão em favor do
avanço do Evangelho.
Onde está o Espírito
de Deus não há confusão, não pode haver desentendimento ou divisão. O Espírito
Santo de Deus é unidade, audácia, compreensão, entendimento, coragem, força,
desafio e capacitação à missão, o Espírito Santo de Deus é dunames, dinamismo e
paixão evangelizante.
Conclusão
Quais os compromissos
que podemos assumir diante do envio de Jesus? Esta é uma questão para eu e você pensarmos seriamente e
respondermos diante de Deus.
O mundo geme e clama,
como ovelha que não tem pastor; as misérias materiais, intelectuais, sociais e
espiritual luta para ganhar cada vez mais terreno neste mundo. A Igreja de
Jesus Cristo, ungida pelo Espírito Santo, é chamada a proclamar a vida, a
salvação, a verdade e unidade em Cristo.
Não há tempo para
esperar, precisamos dar uma resposta afirmativa a Jesus, pregar, proclamar,
prestar solidariedade ativa, a tempo e fora de tempo. É Jesus quem nos fala:
"Eu, porém, vos digo: erguei os olhos e vede os campos, pois já branquejam
para a ceifa" (Jo 4.35b).
PAI QUERIDO
Queremos te agradecer
porque somos especiais para o Senhor. No meio de mais de seis bilhões de
pessoas que habitam o planeta, o Senhor conhece cada um dos seus filhos em
particular, nos chama pelo nome, conhece nossas fraquezas, habilidades, nossos
medos, dificuldades, tristezas e alegrias.
Louvamos-te Senhor,
porque não somos apenas mais um ou mais uma no meio da multidão, mas somos seus
filhos queridos.
Louvamos-te Senhor por
enviar Jesus ao mundo e através dele realizar a redenção da humanidade
desfigurada pelo pecado.
Louvamos-te pelos teus
servos que deixam suas casas ou países de origem para serem missionários.
Louvamos-te
especialmente porque em Jesus não há distinção de raça, cor, sexo, pobre ou
rico. Nele somos iguais e por isso devemos seguir seu exemplo amando, cuidando
e valorizando pessoas.
Continua Senhor
despertando em nós a Visão Missionária, para vermos o mundo como Jesus via, com
olhos de compaixão.
Coloca em cada
coração, sentimento de sensibilidade para ouvirmos o clamor do mundo que
caminha a passos largos para perdição eterna, por não conhecer a Jesus como
Salvador e nem tê-lo como Senhor de suas vidas.
Em nome de Jesus
oramos e agradecemos. Amém.

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