ENTENDENDO A GRANDE COMISSÃO



DIMENSÃO E PADRÃO  DA GRANDE COMISSÃO


À medida que analisamos a Grande Comissão descobrimos dois imperativos que orientam a comissão. Esses são encontrados em Mateus e Marcos nas expressões "fazei discípulos" e "pregai o evangelho".

Dessa forma, temos na Grande Comissão uma elipse com um foco duplo. Enquanto que nas décadas anteriores a ênfase estava no foco de Marcos ("pregai o evangelho") e a evangelização era o impulso absoluto, a ênfase hoje está no foco de Mateus ("fazei discípulos") e a implantação de igrejas está em primeiro plano. A Bíblia enfatiza ambos e os mantém equilibrados devidamente.

Os imperativos são complementados pelos particípios "ir", "batizar", "ensinar". Não há verbos imperativos em Lucas ou João. Porém, há uma força religiosa ("assim está escrito") e espiritual ("recebamos o Espírito Santo") por trás dessas palavras. Portanto, um verbo imperativo não é necessário; na verdade, ele pareceria deslocado. A dinâmica da Palavra e do Espírito assume o lugar do imperativo.

À medida que consideramos a complexa Grande Comissão como registrada em todos quatro evangelhos, percebemos o seguinte fato: o objetivo principal é "fazei discípulos" de todas as nações.

A fim de realizar esse propósito, devemos fazer o seguinte:

1. Devemos nos engajar em uma divulgação intensiva e extensiva do evangelho entre todas as nações, difundindo de forma plena e persuasiva o evangelho de Deus como está registrado nas Escrituras.

2. Devemos fazer as pessoas experimentarem a graça de Deus possibilitada através da morte e ressurreição de Jesus Cristo, e oferecer o perdão do pecado em seu nome a todos que acreditam no evangelho.

3. Devemos separar as pessoas das antigas relações e ligações e uni-las a nova congregação de Deus através da prática do batismo precedida e seguida pelo ensinamento.

4. Devemos ensiná-las o valor e a grandeza da bênção e bênçãos do Espírito Santo e conduzi-las a uma caminhada e ministério obedientes ao e dependentes do Espírito Santo.

5. Devemos instrui-las quanto aos preceitos do Mestre e dessa forma, através da renovação de suas mentes, moldá-las de acordo com a verdadeira disciplina cristã. Tal é o padrão de nosso ministério de acordo com a Grande Comissão. Nenhum desses elementos pode ser omitido ou negligenciado.

IMPORTÂNCIA TEOLÓGICA

A Grande Comissão é mais do que uma comissão entre muitas ordens de Cristo. Ela é destacada devido à sua singularidade como uma ordem do Senhor ressuscitado e sua reformulação de uma forma ou outra pelos quatro evangelistas, cada um apresentando-a a partir de seu ponto de vista e com sua própria ênfase.

A Grande Comissão é muito importante, porém, devido à sua amplitude teológica. Ela estabelece os seguintes fatos:

1. A soberania do Senhor do evangelho cristão - "É-me dado todo o poder [autoridade]" (Mt 28.18; cf. Fp 2.9-11; Ap 3.7).

2. O imperativo do evangelho cristão (Mt 28.18-20; Mc 16.15-16; Lc 24;44-47).

3. A universalidade do evangelho cristão (Mt 28.18-20; Mc 16.15-16; Lc 24.44-47; At 1-8).

4. A natureza do evangelho cristão (Lc 24.46-47; Jo 20.23; At 26.15-23; cf. 1 Co 15.1-3).

5. O auxílio humano na proclamação do evangelho cristão (Mt 16.15-16; Lc 24.48; At 1.8; 26.16).

6. A necessidade de preparo espiritual para ministrar com sucesso o evangelho cristão (Lc 28.49; Jo 20.22; At 1.8).

Assim, a Grande Comissão é dinamizada por uma grande substrutura teológica.
  
IMPORTÂNCIA PSICOLÓGICA

A Grande Comissão não torna o cristianismo uma religião missionária; ele assim o é devido ao caráter e propósito de Deus. Ela também não é a dinâmica de missões, pois isso atribui-se apenas ao Espírito Santo.

Ainda assim, é de grande importância que a Grande Comissão foi formulada por nosso Senhor e relatada a nós pelos evangelistas.

Sua importância é compreendida quando percebemos que é a Palavra que confere conceitos à nossa mente, condiciona nossos corações à obediência, e dá orientações objetivas às nossas vidas.

A Palavra é uma lâmpada a nosso alcance e uma luz em nosso caminho. Sem a Palavra o ministério do Espírito Santo permaneceria como uma dinâmica vaga, mística e indefinida em nossas vidas. Enquanto que o Espírito Santo é a inspiração e capacitação subjetivas, a Palavra é a luz e orientação objetivas. Não podemos prescindir de nenhum. Há uma bela coordenação do Espírito Santo e a Palavra na formação e orientação do cristão. Podemos comparar a mente e a alma humana a um campo que precisa ser irrigado. Para realizar isso, precisamos de água, mas também precisamos de um sistema de canal. A irrigação seria impossível sem a primeira e extremamente difícil sem o último.

A água pode ser comparada a atuação do Espírito Santo. Ele irriga nossa alma à medida que inspira, frutifica e fortalece o cristão. O sistema de "canal" é preparado em nossas mentes e corações pela Palavra, o instrumento de Deus no condicionamento de nossos corações e mentes.

Um instrumento objetivo é necessário para realizar o ministério subjetivo e para gravar uma imagem e padrão em nossa mentes. Quanto mais específica for a Palavra, mais específicos serão o condicionamento, a imagem e o padrão. Quanto mais a Palavra for repetida, mais duradouro será o condicionamento, mais permanente será a marca, mesmo que as palavras mergulhem no subconsciente.

Essa sem dúvida é a razão pela qual Cristo repetiu a Grande Comissão pelo menos cinco vezes na reunião dos apóstolos. Finalmente, ela foi registrada.

Mesmo embora tenham se passado alguns anos nas vidas dos apóstolos até a Grande Comissão tornar-se praticamente eficaz, ela realmente eclodiu. Ela, embora não seja citada oficialmente nos Atos dos apóstolos e nas epístolas, foi absorvida pela e condicionou a mente dos apóstolos, pois todos tornaram-se missionários, exceto Tiago que foi martirizado antes de deixar Jerusalém.

Que a Grande Comissão era uma tradição viva na igreja antiga fica evidente a partir dos fatos de que todos os quatro evangelistas a registram e que a igreja Primitiva foi, sem dúvida, uma igreja missionária.

Deve-se observar que Lucas registra a Grande Comissão em maior extensão após pesquisar cuidadosamente o assunto.

Seria errado, porém, deduzir que os apóstolos e a igreja antiga eram um movimento missionário devido à Grande Comissão.

A Grande Comissão conferiu-lhes apenas um desígnio e padrão de missões, assim como veremos em breve. Eles eram missionários, devido ao cristianismo ser o que é e devido à presença do Espírito Santo que é o Espírito de missões (Jo 15.26; 16.8-15).

Seria bom para a igreja compreender a importância psicológica e acrescentar a Grande Comissão de nosso Senhor ao Credo dos Apóstolos que é orado todo os domingos em várias igrejas. Isso poderia ter resultados incríveis nas vidas de muitos cristãos, marcando nos corações dos participantes uma direção de vida assim como uma comissão e responsabilidade.



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