CUIDANDO DO MISSIONÁRIO NO CAMPO DE BATALHA




RETAGUARDA E SOCORRO


“Ouvindo pois Abão que o seu irmão estava preso, armou os seus criados nascidos em sua casa trezentos e dezoito e os perseguiu até Dã. E dividiu-se contra ele e os seus criados e os feriu e os perseguiu até Hobba que fica `a esquerda de Damasco. E tornou a trazer toda a fazenda e tornou a trazer também a Ló, seu irmão e sua fazenda, e também as mulheres e o povo. E o rei de Sodoma sai-lhes ao encontro (depois  que voltou de ferir a Quedorlaomer e aos reis que estavam com ele) no vale de Save que é o vale do rei.” (Gn.14,14-17)

Ainda que Ló estivesse errado, Abraão reagiu com misericórdia e graça diante da necessidade de Ló. – Que exemplo de bondade!


MUITOS MISSIONÁRIOS SÃO ABANDONADOS NO CAMPO


Abraão era um homem que amava sua família e zelava por ela. A família para ele não era apenas passa tempo ou uma opção, mas prioridade! Cremos que ele também amava os seus parentes, era um homem de coração aberto e pronto a servir.

Ao ouvir que Ló havia sido preso, não pensou duas vezes, não calculou riscos, nem olhou em sua agenda para ver se tinha um tempinho reservado, antes deixou tudo o que estava fazendo ,  pegou os criados nascidos em sua casa, por que?

Provavelmente Abraão já tivesse feito discípulos e ensinado princípios de lealdade, amizade e amor aos seus criados, então ele leva consigo somente os que foram criados e treinados por ele em sua própria casa a fim de que Ló fosse liberto dos inimigos. Agora, vamos imaginar como ficou Ló depois que foi ajudado? Você acha que ele ficou alegre, mais encorajado e com mais ânimo? Como se sentiria se alguém te livrasse da morte?

Este século XXI está sendo marcado por individualismo, egoismo, materialismo e realização própria. A profecia de Jesus  está começando a se cumprir, pois Ele disse que o amor de muitos esfriaria (Mt.24,12) .

A maioria  dos cristãos, são conhecidos como o único exército que deixa os seus feridos para traz e muitas vezes são abandonamos para “morrer,” será que isto tem mudado no nosso meio e no campo missionário?

Temos tido cuidado daqueles que enviamos ao campo transcultural ou mesmo nacional?

Infelizmente já tomei conhecimento de missionários que foram  vítimas de abandono no campo por igrejas que se comprometeram a ajuda-los e os abandonaram depois de algum tempo com filhos pequenas  causando sérios  transtornos, tensões e muitas dificuldades para a família.

Sei também de líderes que se orgulhavam de terem experimentado grandes progressos no crescimento da Igreja Local durante o tempo em que estiveram envolvidos na manutenção financeira de uma família enviada ao campo missionário.

Em testemunho numa carta enviada aos missionários e que guardo com muito cuidado, ele afirma que entende as necessidades de se pregar o Evangelho no país onde se encontravam os missionários, mas que ele e a Igreja enviadora depois de orarem durante um ano, entenderam que a vontade de Deus é que o tempo de sustento  dos missionários no referido país havia terminado, mas que a mesma Igreja continuaria orando para que Deus levantasse outros mantenedores para os missionários em questão.

Imagine a Igreja abandonar o missionário em plena atividade missionária no campo e enviar uma carta comunicando que “este acontecimento era a vontade de Deus”, o que seria impossível, pois nosso Deus é fiel e quando faz um compromisso não volta atrás, Deus não muda, continua o mesmo e será assim para sempre.

É muito fácil uma igreja assumir um compromisso financeiro com um missionário ou uma família e depois de algum tempo simplesmente desistir ou esquecer, pois está longe.

Temos que aprender com o Senhor e honrar nossas palavras e compromissos, pois um dia seremos cobrados e daremos conta. Já vimos vários missionários sendo deixados e esquecidos no campo por suas igrejas, sem receber um carinho, uma carta, uma palavra de ânimo e conforto.

Tenho visto missionárias solteiras (admiramos as irmãs solteiras que deixam tudo para servir o Senhor e pagam o preço da solidão).  Estas irmãs solteiras, muitas vezes são vistas chorando, em depressão, desânimo e sem força.

Fazer missões não é fazer turismo, muitos pensam ao contrário,  se você pensa assim quero convidá-lo a unir-se a os missionários que estão na frente de batalha no campo missionário,  homens  e mulheres que deixaram tudo e muitas vezes no final do mês não tem com o que pegar o ônibus para fazer uma visita.

Os campos estão brancos para a ceifa precisando de quem queira pagar o preço para que a colheita aconteça, junte-se a este esquadrão! Conheços igreja que abandonou o missionário no campo, pois surgiu um outro e deixou de sustentar um colocando-o em dificuldade para ajudar um outro que chegou depois, o que é isto gente! Isto sem falar naqueles que alegam que vão deixar de sustentar o missionário porque ele não está dando retorno para a Igreja ou para a denominação.

Não queremos de modo algum generalizar, há igrejas maduras, fazendo missões com inteligência e sabedoria, mas há muitas que deixam a desejar e é para estas igrejas que queremos nos dirigir e pedir que em nome de Jesus saiam da imaturidade e façam missões com a cabeça no lugar e temor de Deus, sem prometer um sustento com emoção e sentimentalismo e depois deixar a pessoa ou família no campo, queridos, este não é o caminho correto e Deus não se alegra com isto.

Uma igreja que faz missões com maturidade, cobre o missionário integralmente, orando, jejuando, escrevendo, sustentando, visitando animando-o, enviando revistas, roupas, brinquedos, e isso para os missionários um grande incentivo, eles sentirse-ão amados e cuidados por alguém.

As visitas periódicas do líder é uma forma de pastorear e cuidar dos missionários, louvamos a Deus pela vida de nossos líderes que amam e cuidam dos  seus missionários como família.

Já um outro extremo são igrejas super espirituais, fecham os olhos para as necessidades e usam o jargão: “Deus proverá irmão, vai nesta sua força!!!” Triste mas verdade, ouvimos muito uma outra expressão: “missionário tem que ralar e aprender a viver com pouco.”

Usam até a palavra para negligenciar sua responsabilidade: Não esquenta não irmão, o pouco com Deus é muito”. Muitos gostam de TORCER a palavra de Deus para justificar sua negligência, falta de visão, falta de amor   para  com  a obra e o obreiro. Cruzamos  os  braços e ficamos “em cima do muro” vendo o que irá acontecer.

Há uma outra realidade também que muitas vezes é negligência do missionário que não se comunica com a igreja, não escreve e quando o faz só fala de derrota, vê tudo com olhos negativos e crítica. Vive no campo mais dando problemas para a equipe do que ajudando a obra crescer, não produz, não aprende a língua e está perdendo tempo e dinheiro da igreja.

A igreja precisa acordar para ver quem está sendo enviado ao campo. Queridos, temos que lembrar e relembrar que estamos lidando com almas, pessoas vivas e trabalhando para o Senhor e temos que fazê-lo com zelo e temor, pois iremos dar conta das nossas obras que irão passar pelo fogo como Paulo escreveu em  1Co.3, 13: “A obra de cada um se manifestará: na verdade o dia a declarará, porque pelo FOGO será descoberta; e o fogo provará qual seja a obra de cada um”.

Já vi missionário retornando para a pátria frustrados, machucados, desacreditado de missões, igrejas e agências e com isto desanimaram  e perderam a visão pelo fato de não terem tido uma retaguarda forte e fiel segurando as cordas.

Voltando ao resgate de Ló,  raciocine conosco, como você acha que Ló se sentiu quando viu Abraão chegar com seu exército para resgatá-lo, não só Ló, mas toda sua família, fazenda e povo. Imaginamos a alegria de Ló, ao ver o resgate e ajuda chegando, agora aliviado, sabendo que não está só, mas tem alguém com quem contar!

Este mesmo sentimento está presente na vida de um missionário quando sente que tem um apoio na terra natal que tem um povo orando que pode contar com amigos de verdade que socorrerão no momento de perigo e luta! Saiba queridos que sem uma retaguarda forte e abençoada jamais poderemos fazer o que tem que ser feito para o Senhor.

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