MISSIONÁRIO E O CHOQUE CULTURAL

 



CONDUTAS SOCIAIS

Jairo de Oliveira

  

“E perseverando todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam com alegria e singeleza de coração”. (Atos 2.46).

 

Descobrir a maneira de se comportar diante de uma sociedade é exercício diário para todo estrangeiro, sobretudo nos primeiros meses e anos no novo contexto.

Quando o povo está disposto a cooperar com o nosso ajustamento à conduta social local nossa vida se torna mais fácil. Sentimo-nos confortáveis em saber que diante de qualquer deslize seremos orientados a respeito da maneira adequada com a qual devemos nos comportar.

Mas o grande desafio será se o nosso contato se der com um povo que não gosta de expressar seus descontentamento diante de atitudes erradas dos estrangeiros nem de compartilhar seus hábitos e costumes culturais com os de fora.

A  Glória Mendes, trabalhando na Índia e no Paquistão, percebeu este tipo de comportamento entre os hindus.

comportamento ou no uso dos costumes, os hindus riem sem explicar o porquê. Só quando existe muita confinança , aconselham a pessoa quanto ao que deve ou não fazer.

O problema de se desconhecer os padrões de conduta da sociedade reagente é o risco de involuntariamente criarmos situações desconfortáveis para o grupo em contato.

O Dr. Mary Wilder narra um episódio interessante ocorrido com um casal de missionários trabalhando na Indonésia:

“Minha esposa e eu fomos convidados para um jantar comunitário na Indonésia, ao chegarmos ao local do jantar,  fomos inttroduzidos ao salão de banquete por uma jovem senhora vestida com um traje tradicional indonésio que nos fez sentar na cabeceira da mesa. Durante o jantar tivemos um tempo maravilhoso conhecendo os diversos profissionais indonésios  e estudantes da cidade. É clarlo saboreamos a deliciosa comida e desfrutamos das danças tradicionais apresentadas naquela noite”.

A festa já estava indo lá pelas tantas, imaginamos que já estava ficando muito tarde mas surpreendentemente ninguém deixava o -onde eu estava e gentilmente, lembrou-me que ninguém poderia ir embora.
Todos estavam aguardando por nós, os convidados de honra, a sermos os primeiros a deixarem o local. Então dissemos:  ”Oh! Por favor , perdoe-nos”. Dissemos adeus e depressa nos ausentamos do local imediatamente. Enquanto deixávamos o local, ouvi atrás de mim, no corredor do banquete, um grande suspiro de alívio”.

VIDA EM COMUNIDADE

Na concepção da maioria das sociedades africanas é incompreensível que a idéia de que alguém prefira comer, viajar ou se divertir sozinho.

No continente africano, de um modo geral, a vida jamais é definida como um fenômeno individual, mas como uma experiência em comunidade.

Como resultado, o conceito de possessão   de bens e o de privacidade são bem diferentes daqueles que experimentamos na sociedade ocidental.

É surpreendente observar como  africanos compartilham quase tudo o que possuem: dinheiro, bens, comida, amigos e até mesmo objetos pessoais.

(por mais que seja estrangeiro) não está sendo utilizado, logo ele está a disposição da comunidade, tão cedo alguém necessite dele.

“Um missionário servindo entre o povo BONI, no Leste da África, observou eu até que ponto eles repartem seus pertences:

“Inicialmente ele estava pasmo  reparar quão intensamente os bonis compartilhavam seus objetos. Percebi primeiramente que por meio de um dos  membros da nossa equipe. Eu dei a ele uma camisa e depois de algum tempo,  observei que o primo dele a estava usando. Depois de algum tempo percebi que o Pai dele também estava usando. Em seguida descobri que a maioria dos  homens que viviam na casa dele já tinham usado a camisa.

Quando eu perguntei a razão porque ele estava emprestando a camisa para todos os outro s, ele me disse que em sua casa, quem acordasse mais cedo poderia  escolher a roupa que queria usar. Considerando que a camisa era bonita, tornou-se naturalmente a escolha da maioria dos homens”.

Certamente que um estrangeiro vindo de uma , sociedade africana enfrentará dificuldade para se adaptar.

Um amigo missionário, trabalhando no SUDÃO, teve  grande  ao acordar pela manhã e ´perceber que a comunidade local estava usando parte de suas roupas. No dia anterior, ele havia lavado cada peça e colocado no varal para secar. Agora ele não sabia como reagir diante do fato de que a comunidade local havia assumido que todas as suas roupas eram de propriedade pública.

Autor: Missioário Jairo de Oliveira

Livro: Descrevendo diferenças culturais ao redor do mundo. (DE TODOS OS POVOS).

 

 


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