MISSÕES E SOFRIMENTO - SEGUNDA PARTE
SOFRENDO
EM UM MUNDO CAÍDO
Vivemos
num mundo bagunçado. A causa desta bagunça é a nossa rebelião contra Deus.
Quando ele criou o mundo, ele viu que tudo era bom, e tudo permaneceu bom até
que a raça humana parou de confiar em Deus e lhe desobedeceu.
A
queda de Adão e Eva no pecado introduziu alguma forma de sofrimento em cada
área da vida. Imediatamente, o relacionamento conjugal deles foi corrompido,
Adão procurou culpar Eva por seu próprio pecado, e o filho mais velho deles
assassinou seu irmão mais novo. A primeira família foi também a primeira
família disfuncional!
Os
poucos capítulos seguintes de Gênesis mostram a espiral descendente e rápida
da depravação humana, chegando até ao ponto em que Gênesis 6.5 nos dá
esta triste acusação:
“Viu o Senhor que a maldade do homem
se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu
coração”.
Como
resultado da rebelião do homem, os relacionamentos dos seres humanos estão
confusos. E os resultados incluem tudo, desde amizades destruídas e casamentos
rompidos a assassinato e opressão. Toda pessoa que vive neste mundo caído está
sujeita ao sofrimento apenas por causa da propensão inata das pessoas para
ferirem umas às outras.
A queda afetou muito mais do que
apenas os relacionamentos humanos. Ela corrompeu toda a ordem criada. Em
Gênesis 3, Deus disse a Eva que sua dor no parto aumentaria grandemente e disse
a Adão que sua sobrevivência dependeria de labor doloroso.
Em Romanos 8, Paulo explicou que toda
a criação está “sujeita à vaidade”, em “cativeiro da corrupção” e, “a um só
tempo, geme e suporta angústias até agora” (Rm 8.18-22).
Como resultado de nossa rebelião,
este mundo se tornou um lugar de desastres naturais, e nossa vida é
caracterizada por doença e morte. Terremotos, furacões, tornados, secas,
inundações, fomes, deslizamentos de terra, câncer, doenças de coração e coisas
semelhantes, tudo resulta do fato de que este é um mundo caído. Essas coisas
atingem tanto o povo de Deus como aqueles que desafiam a Deus.
Em sua Palavra, Deus nunca promete
que seu povo será isento de qualquer destas características dolorosas de um
mundo caído. Neste mundo bagunçado pelo pecado humano, coisas más acontecem a
todas as pessoas.
Devido à gravidade do pecado, é
admirável que as coisas não sejam piores. Nas operações da graça comum, Deus
ainda provê bênçãos para os justos e, também, para os injustos. E o Espírito de
Deus restringe o mal, para que as coisas não sejam tão más como poderiam ser.
Em seu cuidado providencial, Deus
protege, muitas vezes, o seu povo de desastres que poderiam ter acontecido.
Todo crente tem um testemunho de maneiras pelas quais Deus o protegeu de dano
potencial, e, muito provavelmente, no céu descobriremos inúmeras outras
ocasiões em que Deus nos protegeu, quando nem mesmo percebemos.
No entanto, ele nunca promete que
sempre nos protegerá e não está sob qualquer obrigação de fazer isso. O
sofrimento acontece apenas porque este é um mundo caído.
Algumas pessoas experimentam menos
sofrimento por causa do lugar em que vivem, e parte desta diferença pode ser
atribuível ao impacto da Palavra de Deus na cultura, através do tempo. Todavia,
cada pessoa está sujeita à possibilidade de desastres naturais ou crimes.
Cada pessoa pode ter câncer ou doença
de coração; por fim, cada pessoa morre. Estas formas de sofrimento vêm apenas
porque o mundo é caído, e os sofrimentos não discriminam entre crentes e não
crentes.
SOFRIMENTO
POR FAZERMOS O MAL
O sofrimento vem, às vezes, como
resultado de fazermos o mal. Algumas coisas são apenas as conseqüências
naturais de desconsiderarmos as orientações dadas por Deus. Alcoolismo, abuso
de drogas e glutonaria causam seu próprio dano natural na raça humana. Quando alguém
comete um crime e é apanhado, sua punição subseqüente vem como uma conseqüência
legal do procedimento errado.
Também é verdade que em certas
passagens da Escritura (como as maldições pronunciadas em Deuteronômio 28),
sofrimento e desastre são ligados diretamente, por Deus, à desobediência aos
seus mandamentos. No entanto, a Escritura nos adverte contra estabelecermos
muito rapidamente uma conexão entre o pecado de uma pessoa e o seu sofrimento.
O livro de Jó, em específico, anula
esta conexão. Os amigos de Jó estavam convencidos de que as tribulações de Jó
eram, de algum modo, resultado de algum pecado que ele cometera. Jó protestou
em sentido contrário, e, no final, Deus afirmou que Jó, e não os seus amigos,
falara corretamente sobre este assunto.
Jesus rejeitou a noção de que um
homem nascido cego estava sendo punido por algum pecado dele mesmo ou de seus
pais (Jo 9.1-3). E, quando lhe perguntaram sobre dois grupos de pessoas que
haviam morrido – um grupo, por causa de opressão política, e outro, por causa
da uma torre que caíra sobre eles -, Jesus insistiu em que eles não eram
pecadores piores do que os outros que haviam escapado desses infortúnios.
A coisa mais segura que podemos dizer
é que fazer o mal não tem freqüentemente as suas próprias conseqüências
naturais, e Deus pode usar o sofrimento como uma chamada de despertamento para
pessoas que estão seguindo o caminho errado; mas devemos dizer que raramente é
sábio supor que, se uma pessoa está sofrendo, ela está sofrendo por causa de
algum pecado específico que cometeu.

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