JONAS - O PROFETA FUJÃO
JONAS E A MISSÃO DO POVO DE
DEUS
Autor:
Gustavo Borja Bessa
Eu acredito que todos os crentes, e também muitos não crentes, conhecem
a história de Jonas. Eu a ouvi quando ainda eu era criança. Na ocasião, o que
mais me impressionou foi o fato de Jonas ter sido engolido por um grande peixe.
Penso que essa é a recordação que a maioria de nós temos do livro de
Jonas. Quando se fala em Jonas, pensa-se logo no peixe que engoliu o profeta.
Por mais impressionante que seja a história do homem engolido por um
peixe, enfatizar esse aspecto da história é se desviar da mensagem do livro de
Jonas, é perder o foco, é fechar os olhos para aquilo que Deus deseja nos comunicar,
é ignorar o mais importante em favor do irrelevante. (Às vezes, até penso que o
nosso inimigo está por detrás dessas “des-focalizações”, sussurrando nos nossos
ouvidos, conspirando contra a correta interpretação da Bíblia, levando-nos a
enfatizar os detalhes e a ignorar a mensagem, conduzindo-nos para o irrelevante
para que não consideremos o que é importante).
A mensagem central do livro de Jonas não é a desobediência do profeta e
nem a saga do grande peixe. A mensagem central do livro de Jonas é o amor de
Deus pelos ímpios, a sua grande compaixão pelos perdidos, a sua imensa
misericórdia em favor daqueles que estão debaixo de condenação.
Por causa da situação terrível em que se encontravam os ninivitas, Deus
lhes enviou o profeta Jonas com a incumbência de chamá-los ao arrependimento.
O livro de Jonas começa com a Palavra de Deus vindo a Jonas, chamando-o
a pregar para os ninivitas (Jn 1.1-2); continua com a Palavra de Deus vindo a
Jonas, chamando-o, pela segunda vez, a pregar para os ninivitas (Jn 3.1-2); e
termina com a Palavra de Deus vindo a Jonas, questionando a dureza de coração
do profeta:
“Não hei de eu ter compaixão da grande cidade de Nínive, em que há mais
de cento e vinte mil pessoas, que não sabem discernir entre a mão direita e a
mão esquerda, e também muitos animais?” (Jn 4.11).
Para Deus, o alcance dos não alcançados é a tarefa primordial do seu
povo. O povo de Deus foi chamado com o único propósito de glorificar a Deus,
levando outras pessoas a conhecerem a Deus.
Essa tarefa é tão prioritária, que o Senhor mesmo, como se pode ver no
livro de Jonas, está disposto a, literalmente, mover céus e terra, ventos e
mares, peixes e plantas, profetas e tudo o mais para que os perdidos tenham a
oportunidade de ouvirem a palavra de Salvação.
Se por um lado, o livro de Jonas nos mostra o amor de Deus pelos
perdidos, por outro lado, ele nos revela a dureza de coração do povo de Deus.
Em todo o livro, considerando-se todas as pessoas apresentadas, Jonas é
o único que conhece a Deus. Além de ser israelita, membro do povo de Deus, ele
é profeta. Mas, apesar de ser profeta, e, teoricamente tão espiritual, Jonas é
relutante em obedecer a Deus.
E daí, diante disso, o livro nos sugere a seguinte pergunta: “Se Jonas,
que é profeta, reluta em obedecer a Deus; se Jonas, que é profeta, está com o
coração tão duro e tão apartado da vontade de Deus, qual seria, então, a
situação do povo do Senhor?”.
A resposta a essa pergunta é óbvia: o povo está tão afastado de Deus
quanto os seus profetas estão afastados de Deus.
Em diversas ocasiões, o livro nos relata que Jonas ouvia a voz de Deus.
O problema de Jonas não era que ele não via os milagres de Deus. Nós lemos que
Jonas experimentou milagres extraordinários da parte de Deus.
O problema era que ele estava relutante em obedecer a Deus.
- Jonas não queria levar a Palavra de Deus aos não-alcançados. J
- Jonas não queria sair do meio do seu povo.
- Jonas não queria investir no alcance aos perdidos.
- Jonas estava com o coração endurecido e insensível aos propósitos
missionários de Deus.
Sem
dúvida, a mensagem do livro de Jonas é uma mensagem bastante atual e relevante
para a Igreja de hoje.
Nesse tempo em que o mundo cresce, a tecnologia se desenvolve, o
conforto aumenta, o individualismo se fortalece, as desigualdades se evidenciam
e o pecado reina, o povo de Deus precisa obedecer ao Senhor, sair da zona de
conforto e investir no alcance dos não-alcançados.
Que a Igreja não seja encontrada insensível, ignorando os propósitos do Senhor e lutando contra Deus.

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