A NECESSIDADE DE EVANGELHO

 



A CENTRALIDADE DO EVANGELHO 


Em um processo bíblico de plantio de igrejas é necessário sermos lembrados que a centralidade da Palavra define a fidelidade da Missão. Ou seja, não optaremos por mecanismos que simplesmente culminem em resultados atrativos mas sim por mecanismos fundamentados na Palavra e na visão de Deus. 

É preciso aqui crer que a Palavra, o Evangelho de Deus, lançada na terra irá germinar. 

Com este pressuposto a quantidade e constância da evangelização torna-se a ação fundamental em um processo de plantio de igrejas.Em um campo missionário, seja culturalmente distinto ou geograficamente próximo, a abundância na evangelização deve ser uma prática constante. 

Alguns campos não frutificam porque investem mais tempo na estruturação missionária e menos na atuação missionária e este é um perigo que permeia desde as nossas igrejas locais até nossos campos mais distantes. 

Estive estudando, durante um trabalho de consultoria missionária, alguns campos no oeste africano (Gana, Costa do Marfim, Nigéria) e na América do Sul (Norte do Brasil, Peru e Colômbia) onde diferentes processos de plantio de igrejas estavam em andamento. Dividi os campos missionários em duas categorias: 

a) Nível de estruturação: (observando a presença de postos missionários bem estabelecidos, boa mobilidade com transporte próprio, sistema de comunicação funcional entre as equipes missionárias e supervisão cultural e linguística); 

b) Nível de evangelização: (observando a presença de iniciativas evangelizadoras pessoais, múltiplas tentativas de comunicação do evangelho, uso da literatura, filmes, comunicação pessoal para a evangelização etc) 

As conclusões já eram esperadas: igrejas nasciam em maior quantidade e maturidade nos campos onde havia abundante evangelização mesmo em detrimento de baixa estrutura. 

De forma geral, de cada 10 iniciativas de evangelização, não mais que 2 terminavam com bom êxito portanto apenas os campos com abundate evangelização foram visivelmente frutíferos. 

Se desejamos plantar igrejas, a macro estrutura para subsistência missionária como transporte, mobilidade, comunicação, moradia e capacitação será de grande cooperação para o processo final. Entretanto o fator determinante será a presença de abundante evangelização. 

David Brainerd na evangelização dos indígenas na América do norte registra, para sua surpresa, o maior resultado evangelístico em sua reunião com menor estrutura missionária quando, na ausência do seu intérprete que adoecera, ficou em seu lugar um índio bêbado com pouca fluência no inglês que mal conseguia ficar sentado se cair. Em seu diário, após impactante experiência com os efeitos da evangelização mesmo na ausência de uma estrutura: 


O DESAFIO DO EVANGELIZADOR 

O CARÁTER VAI ALÉM DA HABILIDADE 





Neste processo de plantio de igrejas é preciso haver um equilíbrio entre a capacitação e o caráter. Conheço alguns PhDs em teologia que atuam como missionários ao redor do mundo os quais, tenho a impressão, não passaram por uma real e pessoal experiência com Deus. 

Por outro lado conheço missionários cheios de Deus e apaixonados por Jesus os quais não tiveram uma oportunidade de preparo que pudesse maximizar seus dons e habilidades, e pagam por vezes um alto preço devido a isto. 

Precisamos entender que a caráter do mensageiro não define a comunicação da mensagem mas facilita a sua compreensão. 

Após três anos entre os Konkombas, quando a Igreja crescia rapidamente e o Evangelho alcançava lugares remotos perguntei aos líderes locais certa vez sobre a razão, principal, que colaborava para a nossa boa comunicação mencionando três opções: 

a) Habilidade de falar no dialeto local e ser entendido com facilidade; 

b) Entendimento da cultura, costumes e forma de vida Konkomba; 

c) Envolvimento pessoal com a sociedade tribal, sendo aceito e aceitando-a. 

Eles então responderam: “O ponto mais importante para nosso povo parar para ouvi-lo é porque você sempre sorri quando nos vê, parando para nos cumprimentar e sempre alegre em nos escutar”. Naquele dia eu escrevi em meu diário: “caráter é mais importante que habilidade”. 

William Davis tentando fazer-nos diferenciar entre a ilusão do palco e a realidade da vida compara caráter e reputação quando diz: 

“As circunstâncias nas quais você vive determinam sua reputação; 


A verdade na qual você crê determina o seu caráter; Reputação é o que pensam a seu respeito; Caráter é aquilo que você é; Reputação é a fotografia; Caráter é a face; Reputação fará de você rico ou pobre; Caráter fará de você feliz ou infeliz; Reputação é o que os homens dizem a seu respeito no dia do seu funeral; Caráter é o que os anjos falam de você perante o trono de Deus”. 

Perante o grande desafio que ainda temos perante nós ao redor do mundo creio que missiólogos nos mostrarão o caminho mas apenas homens cheios do Espírito Santo alcançarão a terra. 


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