MISSÕES TRANSCULTURAIS

 


TEOLOGIA BÍBLICA DA CONTEXTUALIZAÇÃO

 

“A seguir, eles se reuniram ao pé da cruz para a primeira Ceia do Senhor, enquanto os outros olhavam. Depois  de tomar o pão – uma batata-doce cozida, fria – e parti-lo em pedacinhos, John colocou-os sobre uma folha de bananeira e passou-os a todos os que foram batizados. Então ele tomou o vinho – suco de framboesa silvestre em copinhos de bambu e distribuiu entre os treze.”

 

O trecho acima, extraído do relato de John Dekker sobre seu empenho em achar as formas culturais apropriadas para os mandamentos bíblicos entre os povos na Papua Nova Guiné, mostra o desafio enfrentado por todo missionário que de seja comunicar bem o Evangelho em outras culturas. Mas também é um feliz exemplo do que pode ser feito em termos de adaptação cultural quando existe sensibilidade, conhecimento da cultura e compreensão da essência bíblica.

Nesta aula, pretendo abordar a contextualização sob uma perspectiva teológica, enfatizando sua relevância e seus perigos.

Contextualizar é tentar comunicar a mensagem, o Evangelho e o desejo de Deus de forma fiel à sua revelação, e de forma significativa e aplicável nos distintos contextos, sejam culturais ou existenciais.

A Igreja tem diante de si um desafio. Comunicar o Evangelho de forma teologicamente fiel e ao mesmo tempo humanamente inteligível e relevante.

Este talvez seja o maior desafio de estudo e compreensão quando tratamos da teologia da contextualização.

Historicamente, a ausência de uma teologia bíblica de contextualização tem gerado duas consequências desastrosas no movimento missionário mundial: o sincretismo religioso e o nominalismo evangélico.

A relevância da contextualização na apresentação do Evangelho com base em Mateus 24.14. 

Jesus estava reunido com os discípulos pouco antes de ser elevado aos céus. Ele acabara de responder aos discípulos alguns questionamentos e dizia de forma profética acerca dos sinais que antecederiam a sua volta e de forma eclesiológica sobre as perseguições e falsos profetas que ameaçariam a igreja.

Jesus lança uma evidência puramente missiológica dizendo que: “... será pregado o Evangelho... então virá o fim”.

A expressão grega para o termo será pregado” tem como raiz “kerygma”  que significa uma proclamação audível e inteligível do Evangelho, paralelamente a martyria”,  que evoca um sentido mais pessoal, de testemunho de vida.

Esta expressão kerygmática aponta para o fato de que o Evangelho será pregado de forma compreensível.

 

O PREPARO TRANSCULTURAL DO MISSIONÁRIO

O que foi exposto até agora revela a necessidade de o missionário receber um preparo específico, na área transcultural, antes de sair para o campo. Hoje, esse tipo de orientação é encontrado em boas escolas missiologias que já existem no Brasil. Não se justifica o envio de alguém sem que conheça a cultura do país para onde vai. "Manejar bem", como ensinou Paulo a Timóteo (2 Tm 2.15), tem todas estas implicações.

 

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